At The Ballet

16 Sem arrependimentos


Notas iniciais
Nem preciso dizer que o episódio 6x03 mexeu com o mundo e o meu consentimento de felicidade! Espero que gostem desse capítulo que trouxe um pouco de coisas que serão explicadas e de fundamental importância para o decorrer da história! Beijos

Dezessete anos e alguns meses atrás.

A moça se levantou ainda com a cabeça girando. Ela havia tomado uma boa dose de vinho para amenizar a dor que sentia, mas fez seus cálculos errados e acabou tomando mais que o esperado. Ela se levantou e acordou o homem ao seu lado.
–Querido! Hoje você tem que trabalhar até mais tarde. -disse a moça sorridente. Ela tinha cabelos loiros lisos que estavam soltos e balançavam com o vento que entrava pela janela.
–Minha querida! -disse o homem se levantando e dando um beijo nos lábios doces e finos de sua namorada.
–Eu já separei seu uniforme, ele está em cima do divã. Qualquer coisa que precisar, apenas me chame. -disse a moça.
–Else! -chamou o homem.
–Sim, querido? -disse Else voltando ao quarto.
–Eu te amo. -disse o homem.
Else sorriu cansada e voltou a fazer seu caminho.
–Eu também te amo! -ela gritou na escada.
Else fez seu habitual. Ferveu a água para o café, fez o café, separou a baguete em cinco partes, preencheu a mesa com tudo que seu namorado mais amava. Ela queria que o dia fosse perfeito, porque ela contaria finalmente o que guardou para si. Bem, pelo menos ela achava que estava certa. A barriga não aparecia, mas tinha quase certeza que estava grávida.
Ela brincava com os dedos sobre a barriga ainda sem indícios. Ela sorriu involuntariamente. Ela engravidou do homem que amava! Tudo estava bem! Mas, ela não era casada. Ela ia ser o assunto preferido das pessoas que se relacionava, mas ela não ligava muito para isso. Ela estava mais preocupada sobre o que seu namorado ia achar disso tudo.
Ele desceu com os cabelos molhados e a farda de soldado feita sobre medida para ele. Tão perfeita que o nome "Grant" estava bordado. Senhora Belle, mãe de Howard, bordou antes de seu filho ser chamado.
–Está tudo bem com você, Else? -perguntou Howard sentando-se a mesa. -Você está peculiar.
–Peculiar? Não, só estou avoada. Eu comprei os morangos na feira ontem. Eles me lembram de Paris. -disse Else sorrindo.
–Você gosta de morangos, Else. Eu gosto de batata. -disse Howard rindo.
–Isso é alguma espécie de sigla para soldados? Como se eu não soubesse que todos os novatos levam fotos de mulheres que não são suas.
–Você quer dizer as modelos? Eu não levo nem a sua! -disse Howard.
–Eu vou tirar uma para você levar com você. -disse Else colocando manteiga no pão. -Hoje eu vou passar na casa da mamãe.
–Mande um grande abraço para a senhora Grace. -disse Howard rindo. Ele sabia o quanto a mãe de Else o odiava.
–Só se eu quiser ser deportada da Inglaterra. -disse Else buscando o sotaque francês mais a fundo.
–Eu adoraria a sua foto, mas agora eu tenho que ir. O carro vai passar daqui a pouco e não posso perder se não... Corrida sob chuva. Beijo querida. -disse Howard beijando os lábios de sua namorada e saindo pela porta da cozinha.
Ela olhava para ele. Pensava em como ele seria um bom pai. Ou como estaria daqui a alguns anos, ou muitos anos! Com os cabelos grisalhos, sentados velhinhos um ao lado do outro numa cadeira de balança assistindo os netos desse filho que ela esperava no ventre.
Ela fechou a casa e guardou a chave no vaso de lírios que cultivava. Ela saia rodopiando e girando, muito feliz, mesmo sabendo que sua mãe não iria aprovar a ideia de que ela estava grávida antes de ter casado. Ela foi até o ponto de táxi quando viu uma mulher no chão. Ela estava chorando e Else atravessou a rua para ajudá-la.
–Está tudo bem com você? -perguntou Else.
–Estou sim, obrigada. -disse a mulher. -Eu só... Um homem levou minha bolsa. Quando fui chamar um policial ele disse que a culpa era minha por estar mostrando minha bolsa.
–Pois é, continuamos sendo menosprezadas. -disse Else sorrindo. Ela notou uma barriga em crescimento na mulher e viu que ela era magra e ficou ainda mais indignada. -E você está grávida?! Não acredito que não quiseram te ouvir.
–É, acho que essa barriga me deixa mais lenta do que eu já sou. -disse a mulher.
–Eu também estou grávida! -disse Else sorrindo. -Mas ainda não dá para ver, infelizmente.
–Mas dá para sentir na sua aura. -disse a mulher.
–Prazer, meu nome é Else. -disse Else se apresentando e estendendo a mão.
–Prazer, Joanne. -disse a mulher.
–Bonito nome! Tem alguma ideia do que vai sair dai? -perguntou Else se sentando no banco ao lado de Joanne.
–Um bebê, eu espero. -disse Joanne e as duas riram. -Eu acho que é um menino. Meu marido, George, não se importa, mas eu acho que é. Ou ainda não tenha conversando tanto com ele.
–Eu queria que fosse uma menina, mas meu "marido" nem sabe que estou grávida. -disse Else.
–Bom, um dia você nem vai precisar contar. Ele só vai olhar para sua barriga e perceber que você está grávida. -disse Joanne.
–Eu gostei de você, Joanne. Você é diferente dessas mulheres que vivem ao redor de um homem. Bem, eu vivo, mas admiro completamente. -disse Else sorrindo.
–Não, eu só pareço assim. Eu já desisti de ter sonhos faz algum tempo. -disse Joanne pensativa.
–Deixe me adivinhar... Sua mãe?
–Nossa! Como você conseguiu? Temos a mesma mãe? -peruntou Joanne rindo.
–Não. Pelo menos acho que não. -disse Else. -Mas as mães sem iguais, querem o melhor para o bem estar do filho que não quer dizer que seja o que nós necessariamente queremos. Vamos ser mães. É claro que vamos fazer a mesma coisa.
–Não! Torço para que não. -disse Joanne sorrindo. -Mas acho que no final amor materno é igual o de todos.
Um carro buzinou na rua enfrente ao ponto de táxi.
–Foi um prazer, Else. -disse Joanne sorrindo. -Eu espero te encontrar por ai.
–Foi um prazer também, Joanne. Cuidado ao vir para esse lado da cidade! -disse Else rindo.
Joanne riu e entrou no carro. Beijou os lábios de George e acenou para Else que saiu pulando quando viu um táxi.
Ela pegou um táxi até o subúrbio para voltar para casa. Sua casa de verdade. A casa do seu namorado era dos senhores Grant, Belle e Oliver, que estavam na Itália com a filha mais nova, Julieta.
Ela preferia a casa de seu namorado, mas gostava de visitar sua mãe. Chegar e sentir o cheiro da torta que sua mãe fazia todo dia. Ela saiu do táxi e entrou na casa que sua mãe vivia sozinha.
–Mãe, estou aqui. -disse Else na porta da frente.
A dona Grace saiu correndo da cozinha com seu corpo achatado e engraçado sujo de farinha. Ela estava no meio do preparo da torta.
–Minha querida! Que bom te ver! Esqueceu que tem mãe? Vem até a cozinha, eu não posso deixar a massa sem bater.
–Que isso mãe! Eu só estou dormindo as vezes na casa do Howard.
–As vezes... Eu não te vejo faz um mês!
–A senhora conta?
–Não... Mas tá. Desculpa! Eu desisto de tentar cuidar de você.
–Você ainda pode me cuidar, mas só que como uma filha casada é cuidada pela mãe.
–Aquele trate pediu a sua mão? Sem me perguntar antes?
–Não e como ele ia falar com a senhora se a senhora não gosta dele.
–Bem, se ele quisesse pedir, eu daria permissão. Você é minha única filha, quero que seja feliz acima de tudo.
–Não, mas acho que quando eu falar para ele, ele vai querer casar comigo.
–Contar o que, Else? O que você fez, menina?
–Eu não fiz nada. Quero dizer, não é nada demais, mamãe.
–E então o que é?
–Tem algo no forno.
–Não, e não troque de assunto, Else.
–Mas é esse o assunto. Eu estou grávida.
Durante cinquenta anos, Grace nunca parou de bater a massa da torta. Ela já ouviu toda a notícia possível. Quando ela descobriu que seu marido a traia, ela continuou a bater a torta para depois fazer a malas de couro e mandá-lo para longe. Quando descobriu que não precisaria de vela para cozinhar ela ficou olhando os homens instalarem luz elétrica em sua casa enquanto batia a massa da torta.
E durante esses cinquenta anos, essa a primeira vez que ela havia parado. Ela olhou para Else que estava nervosa ao seu lado. Ela podia sentir o cheiro do nervosismo. Ela pousou a massa e caminhou até a filha.
–Else...
–Mãe! Eu disse que ele vai casar comigo.
–Não era isso que eu ia dizer, Else. Meus parabéns! Eu sei que durante esses anos eu disse que você deveria casar e esperar pelo príncipe encantado, mas o mundo real não é um conto de fadas.
–Não, não é. Mas é como se fosse. Eu achei meu príncipe encantado, mamãe. Eu o amo, de verdade.
–Temos que começar a preparar o casamento! Porque é claro que ele vai pedir, e tem que ser antes da barriga crescer. Talvez até mês que vem.
–Mês que vem? Assim? Eu devo lembrar que ele não sabe?
–Mas quando ele souber vai querer ter casado antes de nascer.
Else estremeceu na cadeira. Não, a vida não era nada parecida com o conto de fadas. As pessoas assustam mais quando falam alto e ao vivo.

Dezesseis anos e alguns meses antes.
Else acordou no meio da madrugada. Ela estava com uma barriga enorme que não permitia que ela dormisse. Ela dormia três ou quatro horas por dia. Ela já estava de nove meses e poderia jurar que sentia mais dores do que se tivesse se jogado de um penhasco e sobrevivido. O bebê parecia dançar na sua barriga, pronto para sair. E ambos queriam isso! Mesmo que Else ficasse dividida. Ela queria que aquele bebê nunca saísse dali. Que ficasse onde ela pudesse cuidar dele para sempre.
Contudo, ela acordou no meio da madrugada suando frio e preocupada. Ela acordou Howard que dormia como pedra e não acordou. Quinze segundos se passaram e ela ficou mais calma. Else dormiu de novo. Ele teve um sonho esquisito onde ela estava no seu casamento com Howard e tudo parecia diferente do que realmente acontecera. Ela se imaginou num vestido de noiva com a barriga que ela estava agora com esses noves meses. E no fim do sonho ela se afastava de Howard. Ela agradeceu, quando acordou pela manhã, que seu casamento foi muito diferente do que havia sonhado.
–Howard. Você teria casado comigo se eu não estivesse grávida? -perguntou Else quando eles estavam na cama, ambos olhando para a barriga de Else.
–Claro que sim. Eu te amo, Else. Não se esqueça disso. -disse Howard olhando para ela.
–Obrigada. -ela sussurrou. Howard se ajoelhou ficando com a boca perto da barriga de Else.
–Ei filho, ou filha! Estamos ansiosos por você, tudo bem? Mamãe e papai já amam muito você. -disse Howard sorrindo.
Else passava a mão carinhosamente pela barriga.
–Acho que não escolhemos os nomes ainda. Somos tão preguiçosos. -disse Else rindo.
–Eu dei uma sugestão que foi totalmente ignorada. -disse Howard ainda joelhos.
–Não. Você deu um adjetivo como nome. Minha filha não vai se chamar Nova.
–Como você tem tanta certeza que é uma menina?
–Eu não tenho, mas quando eu converso com ela, ou ele, parece me ouvir como se entendesse o que está acontecendo comigo. Se for homem, o que não é, poderia se chamar James.
–Eu gostei, melhor que Howard segundo. -disse Howard rindo.
–Agora, se for menina... Eu pensava em Emma. -disse Else.
–Não... Tem que ser um nome mais brilhante que Emma.
–Você se lembra de uma mulher que eu encontrei na rua, alguns dias atras? -perguntou Else e Howard concordou. -A filha dela se chama Santana, acho que é espanhol.
–Mas você é francesa e eu sou inglês. -disse Howard.
–Eu sei, mas eu fui procurar na biblioteca nome de estrelas, não sei muito bem porque o nome daquela menina me lembrou uma estrela, mas me lembrou. Eu estava caminhando pela biblioteca e me sentei numa das mesas e peguei um livro de ballet. Foi escrito por uma russa e no meio do texto ela elogia sua melhor dançarina, Esther, que é um pseudônimo para Brittany. Eu lembrei que esse bebê ficou dançando a minha gravidez inteira e de repente ela queira dançar no mundo aqui fora. O que você acha de Brittany?
–Eu amei! Achei bem brilhante. -disse Howard sorrindo.
–Então, concordamos. -disse Else.
–James... -disse Howard.
–Ou Brittany... -disse Else que abriu os olhos em globos terrestres de tão grandes. -Acho que vai ser Brittany.
–Como você sabe? -perguntou Howard para implicar.
–Porque ela quer sair. Agora! -disse Else para Howard que começou a se movimentar sem ter tempo de respirar ou pensar que em algumas horas seria pai.

Howard não pode entrar e ficou esperando em frente a ala dos recém-nascidos. A cada umas três horas um bebê entrava na ala e adormecia. Tinha uns quatro pais, assim como ele, esperando para verem seus filhos. Um já até esperava com outro filho no colo
De repente uma menininha chegou no colo de uma enfermeira e ele teve certeza que era a sua filha. Os poucos cabelos eram loiros como os seus e de sua esposa. Sua conexão fui tão rápida e clara que não restava dúvidas. Ele pode ouvir Else no fundo de sua cabeça dizendo: Eu disse que era a Brittany. O hospital era horripilante e meio sujo mas quando Howard viu sua filha nada mais importava. A enfermeira olhou pelo grande vidro e acenou com o braço, enquanto embalava a criança. Uma segunda enfermeira trouxe um menino, do pai de segunda viagem, mas ela dizia uma coisa para a enfermeira que cuidava de Brittany. A enfermeira olhou rápido para Howard que sentiu seu corpo congelar e preocupado. Algo havia acontecido. Algo ruim havia acontecido.
A enfermeira deixou Brittany na ala e foi em direção a Howard. Ela sorria triste como se com apenas um sorriso ela quisesse contar uma desgraça e fazer você se sentir melhor.
–O que aconteceu? -peguntou Howard. -Minha filha está bem?
–Está, sim senhor. É uma menina saudável com estruturas normais. Ela é perfeita. -disse a enfermeira.
"Então se a Brittany estava bem... Não! Não..."
–E minha mulher?
–Bem, o caso de sua mulher se tornou grave quado retiramos a neném. Ela foi levada com pressa para a ala cirúrgica para que o médico descobrisse o problema, mas ela não resistiu. Eu sinto muito.
Howard não falou nada. Ele não conseguia respirar, as lágrimas escorriam pela face num choro silencioso. A enfermeira pegou no seu braço e o arrastou até a ala e deixou o Howard para que ficasse de frente para a Brittany.
–Você quase perdeu as duas, sabia? O médico conseguiu tirar a neném antes. Ela estava quase saindo e sua mulher foi forte o bastante para deixar que a neném fosse tirada. Ela morreu como uma heroína e eu sinto muito. Ela pegou a neném no colo e disse que a amava e que era para ela cuidar do senhor.
Howard chorava.
–Ela deixou a bolsa com as coisas da neném no quarto, eu vou voltar para pegar. -disse a enfermeira que quando ia saindo se virou e disse para Howard. -Sabe, se você quiser pegá-la. Ninguém daqui vai olhar.
A enfermeira deixou a ala e Howard pegou Brittany no colo. Ele beijou a testa macia e as lágrimas caiam sobre o cobertor rosa.
–Eu te amo muito. Seu nome brilha, Brittany. Você é a estrela da minha vida. Eu vou cuidar de você para sempre e se eu não puder, você vai ter alguém que cuidará. Você é o meu verdadeiro amor. -disse Howard com o dedo indicador na pequena mãozinha.
Brittany enrolou sua mãozinha no dedo do pai. Ele teve que soltá-la para ouvir um discurso enorme sobre leite materno e cuidados principais. A enfermeira anotava as coisas principais e entregou a bolsa com os papeis. Ele abriu a bolsa e vários vestidos estavam ali. "Ela sabia. Desde o começo." Num bolso menor estava uma foto de Else e Howard. Como aquela foto que Howard tinha na carteira. E atrás da foto estava com uma caligrafia fina: Para a nossa pequena estrela.
Howard perdeu de quantas vezes chorou naquela noite, mas ele contou quantas vezes sorrira. Uma: quando viu sua filha pela primeira vez.

Dias atuais.
Howard desceu para tomar água, no começo da manhã. Brittany e Santana estava sentadas na sala, um pouco vermelhas e descabeladas. Elas sorriram para Howard que sorriu de volta. Ele ficou pensando quando deveria dar finalmente a foto para Brittany. Desde aquele dia e ele não teve coragem, mas agora sua filha já era um mulher, ou quase isso. Aquelas meninas achavam que enganavam alguém, mas ele não. Ele já teve a idade delas e sabia o que estavam fazendo. Ele só esperava ansioso pela conversa que teria com Brittany sobre seus sentimentos, o que talvez não fosse acontecer, mas ele deixaria claro que naquele dia ele havia prometido que quando não estivesse por perto alguém tomaria conta dela, ele se referiu a alguém. Qualquer pessoa, homem ou Santana. Ele não entendia muito bem como isso acontecia, mas sabia que acontecia. Ele não ia perder sua filha e falou para si mesmo que preferia Brittany com uma outra menina do que com esses meninos com pensamentos impuros!
Ele chamou Brittany até a cozinha e olhou para a filha tão crescida. Brittany ainda estava vermelha e ele se divertiu com aquilo.
–Brittany, eu queria te entregar alguma coisa. É uma foto que sua mãe deixou para que eu te entregasse. Ela te amava muito Brittany. Eu sei que você não sente uma conexão com ela ou a falta dela, mas mesmo assim. Ela pediu para que você ficasse com isso.
Howard entregou a foto. O rosto de Brittany se iluminou e uma lágrima escorreu pela face. Ela sorriu triste para o pai.
–É, acho que eu sou parecida com ela, afinal. -disse Brittany sorrindo.
–Eu concordo.
–Mas por que agora pai?
–Bem, talvez você precise de alguma coisa que um pai não seja tão qualificado. Como namoro... -disse Howard sorrindo.
–É, claro. -disse Brittany desconversando. Ela levantou a cabeça e viu os olhos do pai. Eles estavam felizes. -Você sabe então?
–É claro que sei. Vocês acham que eu sou muito idiota? -perguntou Howard.
–Não! Claro que não, mas é porque quanto mais tentamos esconder mais pessoas descobrem.
–Eu entendo porque querem esconder, mas não precisam aqui. Ouviu? Sabe porque as pessoa descobrem? Porque quando um amor cresce muito, até quando as pessoas que se amam estão separadas as pessoas ao redor sentem. Vocês tem algo poderoso e eu vou lutar por vocês, Brittany. Você é a coisa mais especial na minha vida.
–Obrigada, pai. Você não sabe o que isso significa para nós.
Howard abraçou a filha.
–Você gostava da mamãe? -perguntou Brittany depois de alguns segundos.
–Eu achava que a amava. Eu talvez só tivesse a amado naquela época. Eu a amo porque ela me deu você, mas quando encontramos o verdadeiro amor...
–Ele encedeia os outros. -completou Brittany. -É o que eu sinto. É o que o senhor sente pela Catarina.
Howard ficou vermelho, mas concordou com um aceno de cabeça.
–Sabe, senhor Howard, você me quer feliz. Eu também quero que o senhor seja. Por isso, quem vai escolher o seu terno sou eu, porque você tem um péssimo gosto para terno. Howard riu. -Eu não preciso de mais ninguém, pai. Você fez um ótimo trabalho. Claro que se você namorasse com a Catarina, eu não iria reclamar, de forma alguma...
Brittany abraçou o pai e deu um beijo estalado na bochecha.
–Agora, traz a Santana até aqui para tomar café.
–Não vai ficar fazendo piadinhas, vai?
–Hã... Avisa para ela que eu sei que ela vai gostar das minha piadas.

–Hã... Sant. -disse Brittany chamando Santana na porta da cozinha que se levantou até a Brittany que sussurrou. -Meu pai sabe.
–Você o que? -perguntou Santana, mas Brittany tampou a boca de Santana com um beijo que depois de alguns segundos afastou olhando para o sr. Grant assustada.
–Eu disse que meu pai sabe.
–Tudo bem, Santana. Eu realmente não me importo. Se você fizer minha filha feliz, eu não me importo.
–Obrigada, sr. Grant. Eu prometo que vou faze-la feliz. -disse Santana meio receosa. A maioria das pessoas de suas famílias sabiam e nenhuma havia jogado pedras ou outras coisas nelas, isso a fez ficar mais esperançosa e positiva em tudo.
–Pode me chamar de Howard, Santana. Já está mais que na hora. Eu só tenho uma regra: quarto tem que ficar com a porta aberta até as onze. Depois eu não me importo, vou estar dormindo mesmo. Pelo menos sei que ninguém vai engravidar.
–Pai! -disse Brittany vermelha. Santana começou a rir sendo acompanhada pelos dois.
–A Santana entendeu minha piada. Mas a regra da porta é sério. Prefiro que façam em casa onde se sintam seguras do que com possibilidade de pegar doenças ou carrapatos. Não pergunte.
–Minha tia está bastante animada sobre hoje a noite, Howard. -disse Santana sorrindo por dizer o nome do sr. Grant.
Brittany riu do pai.
–Eu também estou. Ela é uma mulher maravilhosa. Ela é diferente.
–Você não imagina o quanto... Num bom sentido, é claro. -disse Santana rindo.
–É, eu imagino.

Quando Howard saiu para buscar Catarina, deixou as duas sozinhas e sentiu que a regra da porta ia ser burlada aquela noite.
–Sant, não é tão legal que as pessoas estejam aceitando?
–É, sim Britt. Parece até surreal. Não parece a história da francesa e da inglesa.
–Claro que não. É a nossa história, Sant. As pessoas vão julgar de qualquer jeito, mas eu sei o que eu sinto por você.
–E eu por você.
–Então, essas pessoas não precisam de nada. Nós nos amamos. Somos um quebra-cabeça de duas peças.
Santana beijou Brittany e deitou seu corpo no sofá.
–Eu te amo. -disse entre beijinhos pelo rosto.
–Eu também, Sant.
O telefone começou a tocar e Birttany olhou para Santana com preguiça e não querendo sair dali, mas Santana achou melhor que atendesse.
–Alô. -disse Brittany e pela primeira vez ela atendeu um telefone frustada.
–Brittany! Minha sobrinha querida! -ecoou a voz de Julieta de tão alto que ela gritava.
–Tia Julieta, pode falar mais baixo que eu vou continuar a ouvir.
–Tudo bem. Eu só queria confirmar o endereço da casa do seu pai, ele vai me ajudar a comprar uma casa em Londres! Eu vou sair de Paris amanhã.
–Que bom, tia Julieta. Ele não está no momento. Liga amanhã, eu estou ocupada agora.
–Ocupada? Com o que, por exemplo?
–Hã... Ballet! Estou dando duro nos ensaios e preciso ir.
–Mas você não está em casa?
–Estou, mas eu realmente preciso ir. -disse Brittany.
–Tudo bem. Te vejo amanhã, querida.
–Até.
Brittany desligou o aparelho e viu Santana com os braços cruzados com uma cara engraçada.
–Ballet? -ela perguntou.
–Bem, nas duas coisas eu vou ter que usar a perna. Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
–Tudo bem, eu até gostei, sabia? -disse Santana puxando Brittany escada acima.

Julieta estava fazendo as malas num quarto de hotel. Ela deixaria Paris o quanto antes. Ela devia esse favor para Howard. Ele havia a ajudado quando ela engravidou, havia mandado dinheiro e roupas antigas de Brittany, mas ela havia perdido o filho que ela nunca quis. Ela ficou obcecada em não deixar mais que os outros tirassem vantagem dela. E ela precisava sair da cidade que a lembrava disso todo dia. Ela iria para lá para se estabelecer, mas quando Howard precisar dela lá ela estará e ela sabe que ele precisará.
Ela tinha que pagar sua dívida antes que ela perdesse totalmente sua lucidez. E sua única lucidez era saber que essa dívida era sua última linha e ela já não se importava mais, ela só aguentaria por ele, seu irmão e sua sobrinha e tiraria qualquer vida que os prejudicassem. Talvez sua lucidez estava se esvarando antes mesmo da promessa. "Coitada da Julieta! Morreu porque achou Romeu morto. Coitada de mim que não teve Romeu. Não teve talvez. Só tive essa vida e sempre terei essa vida. Coitada." dizia Julieta para ar no quarto de hotel onde sua ligação com o real estava indo e o ar era perigoso de se respirar.

Notas finais
Espero que tenham gostado e cometem, ou sei lá!! Mandem um alô!!!