Notas iniciais
Queria agradecer pelos comentários, que eu pulo cada vez que eu vejo um, me deixam muito feliz! Espero que estejam gostando do desenvolvimento da trama, kkkkk eu tenho algumas coisas mais sérias para fazer, mas sempre com um lado doce. Obrigada e aproveitem!

Dois meses depois.

Brittany não havia dormido direito aquela noite. Ela estava em casa com a cama vazia e gelada. O travesseiro que era de Santana exalava seu cheiro e ela sentia falta. Ela não havia sequer pegado no sono a noite inteira e o dia já amanhecera. Joanne havia obrigado Santana a dormir em casa na noite passada porque elas teriam que preparar um grande jantar. A família Kutterin receberia os Grant e as duas famílias estavam extremamente ansiosas.
–Filha. -chamou Howard na porta do quarto de Brittany que estava sentada na cama com o travesseiro no colo. -Qual gravata eu devo usar hoje a noite?
–Quem você quer agradar? Catarina ou o George? -perguntou Brittany se virando sorrindo, algo que a distraía. -A azul, papai. Combina com os seus olhos.
–Não, combina com os seus. -disse Howard se sentando ao lado de Brittany na cama. -Você vai vê-la hoje, por que está assim tão chateada?
–Eu não estou chateada, só estou com falta dela. A senhora Joanne queria tanto que tudo saísse perfeito para nossa visita que queria Santana lá para dizer o que mais nos agradava e do que somos alérgicos.
–E você está com abstinência? Por uma noite? -perguntou Howard rindo.
–Sim, mas eu não estou chateada! -disse Brittany reafirmando a suposição.
–Seu chá está na mesa. Você deveria descansar um pouco.
–Eu vou tentar.

Brittany dormiu um pouco pela tarde, ainda abraçada ao travesseiro. Ela tinha um bom pressentimento sobre a noite. Ela se agarrou a esse pressentimento e dormiu. No ínicio da tarde, quando Howard saiu para comprar um vinho para levar para o jantar, ele encontrou com sua irmã na porta da tabacaria.
–Julieta! O que você está fazendo aqui?
–Tentando encontrar uma tabacaria boa na cidade. Dois meses e eu não fumo nada como os cigarros franceses. -disse Julieta que fumava naquele momento. -Bem, os irlandeses são muito bons.
–É, mas eu prefiro os ingleses mesmo. Você deveria procurar numa tabacaria local. Tem um bar perto da sua casa que tem os melhores cigarros franceses em Londres, o que é irônico porque a bebida de lá é horrível.
–Eu não frequento bares... Não mais. -disse Julieta tragando o cigarro. -Acha que eu vou para um bar para servir como uma boneca que é usada e jogada fora! NÃO HOWARD, EU NÃO FREQUENTO BARES.
Howard olhou estático para irmã. Ele arrastou até a saída da rua e começou a caminhar até a casa da irmã para deixá-la lá. Ele tinha sérias dúvidas se ela conseguia se lembrar de como voltar para casa.
–Vinho? Qual a ocasião? -perguntou Julieta como se acabasse de dizer "oi!" para o irmão.
–Eu vou ter um jantar a noite.
Julieta se sentiu um pouco incomodada.
–Ah! É com a sua namorada? Você não acha que estão indo rápido demais? Você já a expôs para Brittany!
–Primeiro, Julieta, a vida é minha. Eu agradeço seus conselhos, mas eu só vou aceitá-los quando eu os achar certo. Segundo, se está rápido ou não, não diz respeito a você. E terceiro, Brittany já a conhecia antes de mim.
–Sua namorada me falou. Ela tem uma sobrinha que faz ballet com a minha sobrinha querida.
–Sim... Agora, fica em casa. Descanse um pouco, você está precisando.
–Bom jantar. -disse Julieta antes de entrar no prédio e ir direto para seu apartamento.

Santana acordou depois das oito. Anna chamou-a depois de sacudir o corpo de Santana muitas vezes e abrir a janela para que a claridade entrasse. Santana se sentou e esperou que Anna a deixasse sozinha. Ela suspirou pela manhã que entrava. Ela não havia dormido na madrugada e ainda estava cansada. Ela pensava que se tivesse persuadido sua mãe para dormir na casa de Britt ela teria dormido melhor, mas quando sua mãe cisma com alguma coisa, ela cisma de verdade. Ela saiu de seu quarto e ia em direção ao banheiro quando ouviu uma tosse seca e muito forte vindo do quarto de Elizabeth. "Ela ainda não pode estar doente." Ela abriu a porta devagar e encontrou Elizabeth debruçada sobre a cama com vários papeis ao seu redor. Ela parecia estar muito pálida e quando Santana viu o que ela expelia, entrou na hora sem se importar com a irmã e trancou a porta.
–Agora já chega, Elizabeth! Você tem ideia de quanto isso é sério? -perguntou Santana. -Ficar gripada tudo bem, mas cuspir sangue não é gripe. E se for algo grave que está piorando porque você não quer tratar?
Elizabeth começou a chorar e a soluçar, ela colocou a cabeça entre os joelhos e e cuspiu mais sangue. Santana a olhou assustada e se sentou ao seu lado, jogando os papeis no chão.
–Você quer realmente que eu fale porque eu não quero ir? -Santana concordou com a cabeça, tirando os cabelos pretos de Elizabeth de seu rosto. -Eu não quero pensar que pode ser algo sério. Eu não quero pensar que eu tenho um problema. Eu não quero ter algo grave.
–Beth, você sabe que pensar não é realizar, certo? Você pode ter algo simples que está piorando pelo seu medo. -disse Santana fazendo carinho na cabeça da irmã. Santana a olhou com mais atenção e ela parecia mais magra e cansada. Ela queria acreditar que a irmã estivesse boa. Ela não poderia pensar o contrário.
–Você poderia não contar para nossos pais? Se não se importar acho que eu deveria. Eu prometo não contar antes do jantar para não estragar a comemoração. Eu só preciso de paciência.
–Tudo bem. Eu não vou contar. -disse Santana olhando nos olhos da irmã mais nova. — Beth, você precisa de apoio, eu vou te apoiar. Eu vou te ajudar, não importa pelo que você passe.
–Obrigada. -disse Elizabeth deixando ser abraçada pela irmã. Ela enfrentaria seu medo, de um jeito ou de outro ela só estava adiando o inevitável.

–Santana! Você sabe se a Britt e o Howard gostam de pato? -perguntou Joanne quando Santana chegou na cozinha. -Felícia quer saber porque o pato tem que ser cozinho o quanto antes.
–Sim, principalmente se o acompanhamento for batatas. -disse Santana se sentando a mesa e enchendo uma xícara de chá. -O papai vai estar no jantar?
–Vai. -disse Joanne folheando um livro de receitas, o que Santana achou engraçado porque por mais caseira que fosse, Joanne era péssima cozinhando. -Ele prometeu que estaria para conhecer o namorado da Catarina. É tão engraçado, hã? Como o destino prega peças.
–É, mamãe. Você não imagina o quanto.
–E de sobremesa? Acho que a Anna ia fazer algo de morango que ela aprendeu da última vez que visitou sua casa nos Campos.
–Não, o pai da Britt não come morangos. Tem haver com a mãe da Britt. Ele não come, principalmente os franceses.
–Como você disse que era o nome dela mesmo? Sabe, eu não quero fazer perguntas indelicadas. E citar algum nome pode ser... terrível num jantar tão perfeito! -disse Joanne extremamente animada.
–É Else Grace. -disse Santana tomando seu chá com leite.
Joanne olhou para ela rapidamente antes de voltar a leitura e baixar os olhos. Ela fechou os olhos e suas mãos tremiam.
–Você está bem, mamãe?
–Estou sim. Foi só... uma corrente de ar. Me desculpe. Anna está na Copa, você poderia ir até ela e avisa-la sobre os morangos.
Santana assentiu e caminhou até a copa. Joanne ficou na cozinha por alguns minutos. Ela pousou as mãos nas têmporas e começou a massagear aquela área. O destino gostava de pregar peças, realmente.

Santana contou a Anna sobre os morangos, ocultando o motivo de Howard não gostar dos morangos, e subiu até a biblioteca. Catarina não estava lá. Ela havia saído cedo, de acordo com Anna. Santana caminhou pela biblioteca que triplicou de livros com a ida de Catarina para aquela casa. Ela pegava um título que conhecia abria e colocava no lugar que pertencia. Quando ela puxou "O Retrato de Dorian Gray" para fora da estante um envelope estava nas folhas centrais. Santana sabia que não deveria e ela realmente não ia fazer, mas quando viu que era da escola onde Catarina trabalhava ela abriu.
"Cara Mestre Catarina Carmel,
Os desempenhos acadêmicos em geral estão caindo na nossa escola. Principalmente os de de inglês. Achamos que o seu ensino é um dos melhores já apresentados e valorizados por todo país, mas infelizmente nossos ideias não combinam e são extremamente distintos.
Você dá uma liberdade ilusória para esses alunos e somos bombardeados com cartas de indignação dos pais. Um dos pais disse especificamente que 'ele quem deve criar o filho e não uma professora que deve estar ensinando conjunções e gramática e não vida e filosofia.'
Não somos uma escola aberta, senhorita Catarina. Oferecemos um dos melhores aprendizados de Londres e tudo que esperamos dos nossos funcionários é que respeitem nossas normas de convívio e filosofia.
Achamos a senhorita uma excelentíssima professora e não é uma ordinária e já sabe o que estamos requerendo. Foi um prazer trabalhar com a senhorita. Seus utensílios e livros didáticos estarão na secretaria.

Sinceramente, Katherine Ampire.
Diretora pedagógica"

–A pior parte é quando eles sabem que eu não sou ordinária. -disse Catarina encostada na porta.
Santana levou um susto tão grande que ela caiu sentada no chão. Catarina começou a rir.
–Desculpa, tia Catarina! Eu juro que não queria olhar! Eu só estava aqui na biblioteca e puxei um livro do Oscar Wilde porque sei que a senhora gosta dessa história, mas a carta estava no livro e eu ia fechar... -disse Santana para a tia.
–Tudo bem, Santana. Eu nem lembrava que essa carta estava aí. -disse Catarina.
–Mas se lembra de uma parte dela. -disse Santana se sentando à mesa que tinha aulas. -Desculpa.
–É, mas é mais pelo jeito que eles me despediram. Eles achavam minha filosofia muito...atual para as pobres crianças. Eu não sei... Eu não dava aula de filosofia para as crianças, mas quando elas perguntavam algo de história que envolvia valores e filosofia eu respondia. Não era nada demais, eu sempre soube separar minhas ideologias da minha profissão. Eu não me importo, de verdade.
–Enfim, eu não deveria estar mexendo nas suas coisas.
–Santana! Estamos numa biblioteca! É claro que eu quero que você mexa aqui e sinceramente, se eu tivesse vergonha dessa carta eu teria queimado ela. Mas ela me lembra a sempre quebrar barreiras e moldes. Pensar fora da caixa.
–As pessoas deveriam pensar mais como você, tia Catarina.
–Eu não sei não. Eu não sei se estou certa, mas elas com toda certeza deveriam respeitar mais como indivíduos. — Catarina se sentou à mesa junto com Santana e sorria muito. -Posso te mostrar uma coisa?
Santana confirmou com a cabeça meio receosa. Tudo que vinha de sua tia era inusitado e ela poderia esperar qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo!
–Você tem que prometer que não vai contar para a Rachel e Elizabeth, elas ainda não podem saber. -disse Catarina se virando indo em direção oposta da porta de entrada.
–Eu prometo.
Catarina ficou olhando com atenção para uma estante e puxou para o lado. Uma porta apareceu. Santana olhou para aquilo abobada. Ela sempre havia morado nessa casa e nem sabia que tinham um quarto ou o que fosse atras da biblioteca.
–Eu suspeitava. Um andar inteiro para biblioteca, escritório e banheiro? -disse Santana olhando pelos lados ainda abobada. -O que tem ai dentro?
–Bem, tem muita roupa, principalmente de teatro e dança. Ah, uma mesa de jantar pequena. Acho que tem um colchão. Eu não sei muito bem. Joanne abriu para mim algumas semanas depois que eu me mudei. Ela queria que eu me sentisse em casa ou algo assim. O estranho era que seu pai comprou a casa e ela era nova. O que me leva a suposição de que sua mãe mandou construir uma pequena sala de dança.
–Sala de dança? -disse Santana sorrindo.
–Sim! E a maioria dos vestidos são espanhóis. Bem vermelhos. Quer entrar?
Santana entrou no quarto rindo. Ele era grande e amplo. Tinha várias barras e uma parede era coberta de espelhos. Santana ficou abobada com o que tinha ali. Ela nunca saberia que tinha algo ali.
–Sua mãe levou o fato de que vocês não descobrissem que ela queria dançar muito a sério, sabe?
–São roupas de tango? -perguntou Santana passando a mão pelos vestidos vermelhos.
–São. -concordou Catarina que se sentou na mesa de jantar. -Sabe de uma coisa? Sua mãe é a pessoa mais misteriosa que eu já conheci. Quando você acha que conhece tudo sobre ela, você está errado. Ela é uma pessoa maravilhosamente misteriosa.
–Talvez. Dói pensar que ela não seguiu seu sonho. -disse Santana olhando aerea para tudo a sua volta.
–Como eu disse: misteriosa. Talvez ela tenha seguido seu sonho. Talvez ela tenha achado outro sonho.
–É, talvez. -Santana se sentiu um pouco ruim e não sabia porque. Ela achava que talvez a vida que sua mãe queria não era tão parecida com a que ela tinha.
–Sabe por que fazemos suposições porque falamos do passado? -perguntou Catarina.
–Porque ele já aconteceu.
–Exato. Ele não muda. Quando pensamos que "talvez" algo devesse ter acontecido só estamos fazendo ilusões sobre o que realmente aconteceu. Não existe "e se" no passado.
Santana assentiu. Mesmo assim, ela ainda falaria com sua mãe. Não porque ela queria descobrir o verdadeira sonho dela ou porque achou que deveria se interessar mais sobre os pais. Ela queria saber quais motivos levaram ela a desistir e nunca mais tentar.

Quando o relógio comunicava que já era oito horas todos os convidados estavam prontos. Gravatas postas por cima de camisas brancas por baixo de um terno alinhado. Diversos vestidos que acompanhavam a cintura e elegantizavam o corpo de todas. George desceu acompanhado da mulher enquanto esperavam as visitas. A família Grant chegaria em poucos minutos e apenas os dois estavam na sala. Elizabeth apareceu um pouco cansada na sala, mas mesmo assim sorriu. Se sentou ao lado do pai que estava fumando um charuto. Rachel apareceu depois, ela sorria estranho como se tivesse acabado de quebrar uma taça de cristal. Catarina apareceu depois, mais animada do que de costume, o que era algo realmente engraçado de se ver. Santana foi a última a descer e se sentou ao lado da irmã mais nova.
A campainha tocou, ecoando pela cozinha até chegar na sala. Anna saiu da cozinha em passos rápidos, enquanto a família Kutterin acompanhada de Catarina se levantavam dos assentos para recebe-los. Eles ouviram a voz grave do Howard agradecendo Anna e a voz doce que todos já conheciam muito bem. Os dois apareceram em poucos segundos e Santana e Brittany sabiam disso porque contavam.
Brittany cumprimentou todos depois do pai, deixando por último Santana que deu um abraço forte e sentido. Metade sabiam o motivo daquele abraço e sorriram. A outra metade nem se incomodava de pensar sobre.
–Você também é fã da safra de inverno da Itália? -perguntou George quando olhou para o vinho.
–Claro que sim. Ainda não encontrei um que fosse tão bom quanto.
–É porque não existe. -disse George fazendo o homem rir. -Você leu o artigo dessa semana que falava sobre rádios? Santana comentou que você também lê os artigos de ciência.
–Claro que li, o do cigarro está meio contraditório. Mas o do telefone eu tenho certeza.
–Eu também, e o pior é que ele é funcional.
–Pois é.
Os dois homens engataram numa conversa sobre ciências que deixavam as mulheres, bem, serem mulheres! Seja lá o que "ser mulher" signifique.
–Não! Eu ainda não acredito que você não foi num cinema! -disse Catarina para a pequena Elizabeth que tentava de todas as formas sorrir e ignorar a dor. -Eu vou te levar na próxima semana.
–Não fui. Minha professora queria que fossemos. Na verdade, ela queria algo ao ar livre. Desde que tivemos que juntar a sala com uma outra turma, estamos sufocados.
–Juntar turmas? -perguntou Joanne interessada.
–É algo normal, Joanne. -disse Catarina tranquilizando a irmã. -É quando algum professor não pode ser substituído quando está doente. Eles juntam turmas facilitando o ensino e guardando o dinheiro que eles usariam com professores substitutos.
Santana e Brittany estavam sentadas lado a lado se olhando. Eles desenvolveram uma técnica bem interessante: falar sem palavras e funcionava todas as vezes.
–Brittany. -chamou Joanne que quebrou o contato com Santana e sorriu para a mulher. -Onde você está estudando?
–Eu não estudo em nenhuma escola. -disse Brittany. -Eu já tentei, mas colidia com meus horários no ballet.
–Quando eu matriculei a Santana, a senhora Palender comentou que você era a melhor dançarina que a academia produziu em dez anos. -Brittany agradeceu meio corada. Quando alguém elogiava sua dança ela se sentia estranha, como se um sol brotasse de seu peito. -Eu quero muito ver você dançar.
–Obrigada, Joanne! Será um prazer! A Santana já deve ter comentado com a senhora sobre o Recital de Outono.
–Sim! Ela comentou que é um dos mais esperados.
–Com toda a certeza! São cinco academias que escolhem oito alunas para um número em grupo, duas para um dueto e uma para o solo. -disse Santana animada.
–Eu geralmente fico com os solos. Três anos seguidos. Mas foi antes de eu ter o prazer de dançar um dueto. -disse Brittany olhando para Santana rapidamente.
–Estou torcendo por vocês! -disse Joanne animada.

Durante o jantar as risadas e conversas não paravam. Os adultos tomando vinho ficavam ainda mais soltos e as meninas nem se importavam. Eles riam de qualquer história que Catarina e Howard contassem. E as vezes os dois até se completavam. Brittany elogiava Felícia pelo pato e Howard quase desmaiou de felicidade quando viu as batatas. Brittany deixou o saleiro perto da mão de Santana e quando ela ia pegar, ela passava a mão sobre a de Santana. Santana sorria para dentro, mas Brittany poderia sentir mesmo sentada ao seu lado.
Joanne perguntou se Howard deixaria que Brittany dormisse ali, já que amanhã as duas voltariam para o ballet e que ela teria o enorme prazer de levá-las. E ele concordou, é claro. Contudo, Catarina o acompanhou até em casa e dormiu com ele aquela noite. Agarrada ao peito nu de Howard que com a facilidade do vinho e do cheiro de Catarina adormeceu. Brittany subiu para o quarto de Santana que ficou um pouco com os pais e Elizabeth.
–Beth, você já sabe. -disse Santana abraçando a irmã que antes de responder teve que empurrar Santana e expeliu mais sangue. Só que no momentos seus pais olhavam e ela não podia fugir. Joanne, que mesmo leve, sentiu a obrigação de cuidar de sua filha.
–Elizabeth! O que é isso? Você está bem? Isso é sangue!?
–Eu não estou bem... -disse Elizabeth antes da ronquidão mexer com as palavras.
–Mãe, pai! Vocês tem que levá-la para um hospital. Agora.
Joanne olhou para filha e pediu para que George dirigisse. Ela estava assustada, mas acima disso ela era mãe.
Santana subiu ainda nervosa até o quarto e Brittany estava deitada em sua cama e levantou rapidamente quando viu a morena chegar.
–O que foi, Sant?
–Foi a Elizabeth. Ela não está bem. Ela nunca está, mas agora pareceu algo mais sério. Ela está cuspindo sangue.
Brittany se sentiu mal. Ela andou até a morena e a abraçou. Ela podia ver tudo que Santana sentia pelos olhos. Eles demonstravam toda a verdade.
–Vem comigo. -disse Santana puxando Brittany até o andar acima. Ela ligou a luz da biblioteca e puxou a mesma estante que sua tia havia puxado. Brittany ficou abobada e deixou que Santana se distraísse, ela sabia o quanto era importante, mesmo que difícil.
–Nossa! Sua casa é sempre cheia de surpresas. -disse Brittany sorrindo. -Isso é um estúdio?
–É, sim. -disse Santana. -Se você não se importa, que queria ficar aqui com você.
–Eu não me importo. -disse Brittany que rodopiava pelo piso de madeira. -Isso é muito divertido! Vem Santana!
Brittany andou até Santana e pôs a mão na cintura dela e pegou na mão de Santana.
–Sabe, eu adoro dançar valsa. -disse Brittany que cantarolava. -Mas nossa academia não oferece essa aula. Acho que eles não queriam que as meninas fossem tão promiscuas.
–Mas isso não funcionou como geral. -disse Santana.
–Não, não funcionou. Só que não somos promiscuas. -disse Brittany rindo.
–Eu sei que não somos. -disse Santana rindo.
–Mas o mundo acha que sim.
–Só que o mundo está errado. -disse Santana beijando os lábios de Brittany que parou de dançar.
Brittany sorriu. Ela inclinou a Santana ficando com os lábios bem próximo aos seus.
–Um último passo. -Brittany sussurrou. Ela beijou os lábios de Santana que ainda estava inclinada.
Santana jogou o colchão no chão e deitou Brittany em seguida. Ela continuou a beijar Brittany. Elas dormiram muito bem aquela noite. Elas estavam aonde deveriam estar. Elas se esqueceram por algumas horas da preocupação que tinham e só se amaram. Elas se sentiam como se voassem. Elas flutuavam quando estavam perto uma da outra. Como se tudo fosse superficial e o amor que sentiam era suficiente para alimentar a alma. Elas dormiram bem e acordaram exatamente no mesmo horário quando o sol nascia. Elas se abraçaram e ficaram olhando para aquela estrela que as esquentava. As cabeças coladas e a respiração compassada. Elas estavam numa perfeita sintonia. Como deveria ser. Os corações batendo perto do outro e eles batiam não porque respiravam e nem porque vivam. Eles batiam porque elas amavam.

Notas finais
Então! Obrigada por lerem! Critiquem, eu vou ouvir cada pedido. Beijos e até o próximo capítulo!