At The Ballet
20 O que o mundo precisa
Notas iniciais
Os ensaios para ambas as peças ocorriam toda terça, quinta e sábado. Os horários eram exatamente os mesmos, o que permitia que Brittany e Santana ficassem ocupadas nos mesmos momentos, mas livres nos mesmos horários. Santana estava sentada, na coxia, olhando para a atriz que interpretava Catarina. Uma mulher, morena com traços fortes, que gritava com seu parceiro de cena. A diretora estava sentada numa das cadeiras de plateia, fumando, e analisando silenciosamente. Santana a olhava com o canto do olho. Um menino, na idade de Santana, se aproximava dela. Ela estava concentrada na cena que acontecia. Ele foi caminhando devagar até chegar perto de Santana, só que ele acabou derrubando a arara de roupas e acabou fazendo um barulho enorme na coxia. Santana deu um pulo de onde estava antes de ver quem era e começar a rir.
–Patrick, alguém já disse que você é desastrado? -disse Santana ajudando-o a se levantar.
–Minha missão era assusta-la e pelo seu pulo, eu consegui. -disse Patrick. -O que você está fazendo aqui?
Patrick era parceiro de cena de Santana. Ele interpretava Hortêncio, um dos pretendentes apaixonado por Bianca.
–Eu estava pensando na Bianca. -disse Santana. -Eu iria perguntar o que você está fazendo aqui, mas você deixou suas intenções bem claras.
Patrick riu.
–E o que a Bianca representa para você? -perguntou Patrick sentando-se a onde Santana estava. Ela se sentou ao seu lado, abraçando os joelhos.
–Bom, é uma menina apaixonada pela vida. Tem sede de descoberta. Ela quer muito se apaixonar, ou ser livre, mas seu pai se opõe com a ideia maluca de que Catarina tem que se casar primeiro. Acho que por isso no final, ela demonstra uma certa rebeldia. Ela fica tão confusa com o que ela quer.
–Você entendeu a personagem... -comentou Patrick olhando-a. -Mas o que ela representa para você? No seu coração?
–Eu acho que entendo, por parte, querer ser livre. Fugir com quem amo.
–Então, você sabe o que é amor? -perguntou Patrick.
–Sei, sei sim. -disse Santana sorrindo. -E você?
–Eu não, mas quem sabe um dia. -disse Patrick. -Ainda bem que Hortêncio é apaixonado por Bianca, todos se apaixonam por você.
–Hã, conheço pessoas que discordariam dessa frase. -disse Santana rindo. -Mas obrigada.
–Sempre haverá alguém que nos odeia. Não temos como agradar a todos, não importa quão bem façamos para o mundo. Todos temos algo que nos diferencia e nos torna únicos, e é exatamente esse algo que alguém vai odiar, mas outros vão amar.
–Quem diria? Patrick: um poeta. -disse Santana esticando as pernas.
–Não um poeta. Um artista. -disse Patrick.
–Entendi, você teve o coração ferido. -disse Santana brincando. Ela olhou para ele sorrindo.
–Não, eu já disse que não sei o que é amor.
–Todos sabem o que é amor. É algo que vive dentro de você e que quase ninguém pode tirar. -disse Santana.
–Quase ninguém?
–Existem pessoas que fazem questão de acabar com o amor dos outros. -disse Santana pensativa.
Brittany estava no palco ensaiando com Isabel que interpreta sua fada madrinha. Ela estava jogada no chão, chorando, se sentindo horrível por não ir ao baile. Isabel entrava em cena, nos ensaios entrava andando, mas na estreia entrará amarrada à cordas. Quando a cena acabou, Charlie, o diretor, se pronunciou pela primeira vez.
–Ótimo! Podemos fazer o final? Ainda não fizemos ele. -disse Charlie. -Pelo menos, não uma vez que conte. Apostos!
Brandon, que interpretava o príncipe encantado, entrou em cena. Brittany estava ao seu lado, esperando as direções.
–Luz! -pediu Charlie. -Comecem.
–"Cinderela! Eu então te achei. Dentre todas as mulheres deste reino, sua beleza me encantou. Eu finalmente te achei." -disse Brandon segurando as mãos de Brittany.
–"Meu coração é seu. Eu achei que nunca fosse te encontrar!" -disse Brittany o abraçando.
–"Case comigo!" -disse Brandon se separando do corpo de Brittany, mas ainda segurando suas mãos.
–"Sim!" -disse Brittany sorrindo. -"E podemos viver, felizes para sempre!"
–Esperem! -disse Charlie. -Temos que mudar a última parte. Vamos rescreve-la. Vocês estão apaixonados, se viram pela primeira vez e ficaram apaixonados. Seu reencontro tem que ser melhor que isso.
–O que sugere, Charlie? -perguntou Brandon que ainda segurava a mão de Brittany.
–Tem que ter um beijo! -disse Charlie sorrindo. -É um conto de fadas, as pessoas esperam por isso, mesmo que no fundo de suas almas. Podemos repassar essa cena, com o beijo?
–Agora? -perguntou Brittany nervosa.
–Sim, por que? Tem algum problema? -perguntou Charlie acendendo um cigarro. Ele fumava para que as pessoas pensassem que ele era durão, mas na verdade sonhava com o coração como qualquer pessoa. Tinha alma de artista. -Você nunca beijou alguém?
–Sim, eu já beijei. -disse Brittany sorrindo um pouco. -Mas...
–Mas você tem alguém na sua vida. -disse Charlie sorrindo. -Que bom. Eu entendo, você é nova. Tudo bem, mas eu preciso que você fale com ele sobre isso. Não preciso lembrar que tem outras garotas que estão morrendo por esse papel. Talvez, não morrendo, mas você me entendeu.
–Ele quem? -perguntou Brittany.
–Seu namorado. -sussurrou Brandon para ela. Os dois se davam bem, eles tinham a química do palco.
Brittany assentiu.
–Obrigada, Charlie. -disse Brittany. -Eu vou falar com... ele hoje.
–Tudo bem. Tirem um tempo, vocês dois. Eu vou passar a cena com a Amanda, Hope e Pollyanna. -disse Charlie liberando os dois.
–Obrigada por me ajudar lá em cima. -disse Brittany tomando um gole de água.
–Tudo bem. -disse Brandon rindo. -E não escute quando ele disser que poderia substituir você. Ele te idolatra.
–Verdade? -disse Brittay vermelha.
–Sim. -disse Brandon. Ele a olhou por um momento. -Eu nem vou levar para o lado pessoal que você não quis me beijar.
–Eu realmente tenho alguém e não tenho certeza se está tudo bem. -disse Brittany sorrindo amigavelmente.
Ela estava nervosa. Ela pensava no que Santana acharia. Ela pensava em como atuaria um beijo de conto de fadas, literalmente, se a pessoa que ela beijaria não era a pessoa por qual estava apaixonada. Ela teria que ser a Cinderela, totalmente.
Brittany estava na frente do teatro com um vestido laranja. Ela brincava com os pés sentada à escada. Charlie pulou a cena do beijo para que ela se sentisse mais confortável. Quando o ensaio acabou, às três horas, Brittany se sentou para esperar Santana na frente do teatro como sempre fazia.
–Olá, Cinderela. -disse Brandon. -Esperando o príncipe encantado? Acho melhor deixar o sapato na escada, ele vai chegar mais rápido.
–Não, estou esperando a Santana.
Brandon assentiu, ele conhecia Santana, mas não sabia qual era a relação delas.
–Tudo bem. Quer que eu fique com você? -perguntou Brandon.
Brittany colocou seus óculos de sol e sorriu para ele.
–Claro, Brandon. -disse Brittany. -E você? Não tem namorada?
–Nós terminamos. -disse Brandon, um pouco vermelho. -Era complicado.
–Sinto muito. -disse Brittany.
–Não sinta, se existisse amor ainda estávamos juntos.
–Como assim? -perguntou Brittany.
–Sabe quando as pessoas adultas brigam, mas não conseguem ficar longe um dos outros? Isso amor. -disse Brandon. -Mesmo discutindo, ainda se gostam.
–Achei que isso significassem ir contra um dos mandamentos, ou algo do gênero. Algo sobre...divórcio! Manter as aparências. -disse Brittany sussurrando. -Por que você diz "pessoas adultas"? Você acha que pessoas da nossa idade não podem se amar?
–Não, eu acho sim! Só que as pessoas da nossa idade amam qualquer um. -disse Brandon.
–Tenho que discordar, Brandon. -disse Brittany. -Pessoas da nossa idade se apaixonam por qualquer um. Mas quando é amor, e quando seu estômago solta borboletas apenas por vê-la, isso é amor. Ele nunca acaba, não pode acabar.
–Tudo acaba.
–Nada acaba. -disse Brittany. -Tudo se transforma.
–Você é positiva. -disse Brandon rindo. -Ele é um menino de sorte.
–Quem é um menino de sorte? -perguntou Santana subindo os degraus do teatro. Ela sorria engraçado. -Oi, Brandon. Oi, Britt.
Santana se sentou ao lado de Brittany e beijou sua bochecha.
–O namorado da Brittany. -disse Brandon.
–Claro! -disse Santana. -Ele é sim, um menino de sorte. Ele achou a pessoa mais amável do mundo e a mais linda também. E uma das mais inteligentes e talentosas.
Brandon a olhou engraçado e Brittany se divertia com a cena.
–Ele me contou isso esses dias. -disse Santana. -Bem, Britt, se você ainda quiser aquele sorvete temos que ir correndo para a sorveteria.
Ela assentiu rindo, abraçou Brandon e desceu os degraus pulando.
–Até logo, Brandon. -disse Santana seguindo Brittany.
–Até logo, Santana. -disse o menino acenando.
As duas seguiram lado a lado. Santana estava com um vestido rosa e usava os mesmos óculos de Brittany. Elas foram rindo sobre situações inusitadas que encontravam na rua. Quando tinham que atravessar, Brittany fingia que ia avançar e Santana segurava sua mão impedindo-a.
–Moças! -chamou um senhor que vestia uma jardineira. Ele era dono de uma floricultura. -Vão querer alguma flor? Moças tão bonitas merecem estar acompanhadas de flores tão bonitas quanto.
Brittany olhou para Santana e deu uma risadinha.
–Eu não ia... -disse Santana. -Mas o senhor me convenceu nos chamando de lindas.
O homem riu. Eles entraram na floricultura. Uma menina estava lendo sentada ao balcão, ela ouviu o barulho da porta e levantou seus olhos.
–Eva, pode atende-las para mim? -perguntou o senhor. Ele voltou para a rua.
–Qual é a ocasião, em especial? -perguntou a menina, deveria ser alguns anos mais velha do que elas.
–Um senhor nos parando na rua. -disse Santana rindo. Brittany a olhava.
–Não é que o plano dele finalmente funcionou? -disse Eva sorrindo. -Qual tipo de flor vocês desejam?
–Acho que rosas... -disse Santana olhando para Brittany.
–Rosas... São ótimas flores, elas significam paixão. Ou, "me perdoe!"
–Então, não! Não estamos brigadas. -disse Santana. -Qual é a sua flor preferida, Britt?
–Eu gosto de lírios. -disse Brittany sorrindo para Eva.
–Lírios.
–Qual é o significado dos lírios? -perguntou Brittany interessada.
–Se eu contar, vocês nunca vão acreditar. -disse Eva sorrindo. -É um ótimo significado, eu já volto com as flores. São quantas?
–Apenas duas, obrigada. -disse Santana.
Eva entrou na sala ao lado. As meninas se olharam e sorriram, elas estavam uma em cada ponta da pequena loja. Eva voltou com dois lírios. Santana pagou as flores.
–Pra você, Britt. -disse Santana lhe entregando um lírio. -Obrigada, Eva.
–Obrigada, meninas. -disse Eva que voltava à sua leitura.
As duas saíram e voltaram ao caminho da sorveteria. Elas chegaram em menos de cinco minutos, Brittany foi escolher uma mesa enquanto Santana foi pedir os sorvetes.
–Richard! -chamou Santana.
Ela reconheceu o barista, que sempre as atendia. Ele era um homossexual assumido, mas ele não demonstrava para que as pessoas se negassem a aceitar pedidos vindo de sua mão, como ocorrera muitas vezes. Ele tinha um caso com o chefe, e por isso não era dispensado. Contudo, poderia ser apenas um rumor.
–Santana! -disse Richard. -Onde está a Brittany?
–Ela foi procurar uma mesa. -disse Santana sorrindo. Ela tinha quase certeza que ele sabia sobre elas e ela não se importava nem um pouco.
–Tudo bem. Eu adoro ver o rosto dela. Parece que anjos habitam a terra. -disse Richard sorrindo.
–Eu concordo. -disse Santana.
–O de sempre?
–Sim! -disse Santana.
–Pode ir, eu faço questão de levar até vocês. -disse Richard.
–Obrigada, Richard. -disse Santana. Ela virou seu campo de visão, mas Brittany não estava ali. Ela caminhou para as mesas perto da janela e Brittany estava lá, meio pensativa.
–Então, você vai me contar essa história de namorado? -perguntou Santana com a sobrancelha levantada.
Brittany riu.
–Sente-se. -disse Brittany. -Primeiro, queria dizer que você é a única pessoa da minha vida e que não existe namorado.
–Eu sei, Britt. -disse Santana sorrindo. Brittany sorriu, mas seus olhos ainda estavam preocupados. -Você pode me contar tudo, tudo bem?
–Eu só... Aqui, não. -disse Brittany.
–É algo tão sério? -perguntou Santana.
–Eu não sei. -sussurrou Brittany.
As duas ficaram em silêncio, brincando com os lírios em cima da mesa e suas mãos se encontraram. Brittany sorriu e apertou a mão de Santana.
–Me desculpe te deixar preocupada. -disse Brittany.
–Tudo bem. Eu entendo. -disse Santana apertando a mão de Brittany. -Mas você vai me deixar curiosa até chegarmos em casa?
Brittany apenas riu. Richard apareceu com os sorvetes, ele se sentou numa outra cadeira e serviu as meninas.
–Oi, Brittany. -disse Richard sorrindo. -Aqui estão os sorvetes, morango e chocolate.
–Obrigada, Richard. -disse Brittany sorrindo.
–Então, como estão minhas princesas? -perguntou Richard sorrindo. -Eu iria usar essa folga para ver alguém, mas parece que essa pessoa não quer me ver.
As meninas riram. Richard acompanhou-as.
–Estamos bem. -disse Santana.
–Que bom! -disse Richard olhando-as. -E quando vai ser as estreias de vocês?
–A peça da Sant vai sair mais cedo, o que é ótimo para nós, e a minha sai dois meses depois. -disse Brittany sorrindo para Santana.
–Vocês são tão bonitas juntas. Quero dizer, o relacionamento de vocês. -disse Richard com a mão na têmpora. -Um dia, se eu tiver sorte, vou achar uma pessoa.
–Você irá. -disse Santana. -Todos tem a chance de amar.
–Você tem certeza? -perguntou Richard como se fosse uma criança inocente.
–É a única certeza que tenho. -disse Santana sorrindo.
–Mas como vou ter certeza se a pessoa que estou apaixonada, é... -disse Richard sussurrando. -Como eu.
–Você não sabe. -disse Brittany. -Você não tem certeza, você só espera que ela te ame da mesma forma.
–Quem diria? -disse Richard rindo. -Meninas mais novas são mais inteligentes do que eu.
–"Ninguém é tão velho que não possa aprender." -disse Santana rindo.
–"Nem tão novo que não possa ensinar." -completou Brittany rindo.
–Vocês terminam frases... -disse Richard sorrindo. Ele olhou bem sério para Santana. -Onde eu acho um?
–O destino vai dizer, Richard. -respondeu Santana sorrindo.
Uma mulher chamou Richard no balcão. Era uma senhora, mas agia como se tivesse trinta anos. Era fresca como a primavera. Santana e Brittany terminaram o sorvete. Brittany ficou esperando enquanto Santana pagava.
–Bonitos lírios. -disse a senhora.
–Obrigada. -disse Brittany sorrindo.
–Era a flor preferida da minha mãe. -disse a senhora. -Ela cultivava um jardim inteiro só de lírios. Teve um dia, o pior dia da minha vida se quer saber, em que meu pai colocou fogo nos lírios. Ele acabou com qualquer felicidade daquela casa.
Brittany não sabia o que dizer. Ela olhou para a senhora. A senhora tinha uma teoria de que contar assuntos profundos para estranhos era a melhor forma de pensar, afinal você nunca iria ver essas pessoa novamente. E ela fazia isso, com frequência. Interessante.
–Sinto muito. -disse Brittany sentando-se ao lado da mulher. -A senhora está bem?
–Estou, sim. -disse a senhora. -Isso foi a tanto tempo. Mas eu ainda consigo ouvir o choro da minha mãe enquanto o fogo engolia as flores.
Brittany abraçou o corpo da senhora. Ela não sabia porque, ela só queria que aquela senhora não tivesse mais tristeza em seu peito.
–Você é muito querida, menina. -disse a senhora.
–Você está melhor? -perguntou Brittany.
–Eu vou ficar. -disse a senhora.
Brittany assentiu.
–Sabe, você deveria procurar o que está faltando. -disse Brittany.
–Amor? -perguntou a senhora sorrindo.
–Se é o que precisa. Nunca é tarde demais. -disse Brittany voltando ao seu lugar. Santana havia pagado, mas viu Brittany conversando com a senhora e ficou olhando, apenas observava enquanto sorria.
–Eu fui casada. -disse a senhora. -Desde meus quinze anos, eu estava destinada à ele. Literalmente, era um casamento arranjado. Mas estávamos apaixonados. Ele me amou até seu último suspiro. Mas eu não conseguia engravidar, só havia sangue e sangue... Me desculpe, uma menina nem deve saber o que isso significa.
–Eu sei sim. Minha tia passou pela mesma coisa. -disse Brittany. -Você queria ter amor de um filho?
A senhora assentiu.
–Então, procure um! Alguma criança pode estar sozinha agora, apenas esperando por uma mãe que a aceite. Nunca é tarde demais. -disse Brittany sorrindo. Ela ajeitou o óculos na cabeça e mexeu no chapéu da senhora.
–Você acha? E o que as pessoas vão falar? Quando me virem com uma criança? Eu sou uma velha... não posso ser mãe. -murmurou a senhora.
–Claro que pode! -disse Brittany. -Se você está triste agora, você vai se preocupar com o que os outros vão achar quando estiver feliz?
A senhora sorriu e agradeceu. Santana caminhou até elas.
–Britt, vamos? -perguntou Santana sorrindo. -Você ainda quer passear pelo parque?
–Quero sim. -disse Brittany pulando da cadeira. -Adeus!
–Adeus, menina! -disse a senhora.
–Você vai me contar? -perguntou Santana quando saiam pela porta da sorveteria. O dia ainda estava claro e quase ninguém estava na rua. Elas foram caminhando lado a lado.
–Ainda não. -disse Brittany sorrindo. -Tudo bem, quem chegar antes no parque vai ganhar um beijo.
–Você fala como se quem perdesse não fosse gostar. -disse Santana rindo. -Você sabe que eu sempre perco.
Brittany a olhou e segurou a sua mão. Ela foi correndo com Santana até o parque que ficava a duas quadras da sorveteria.
–Nós vencemos! -disse Brittany enquanto Santana sorria, recuperando o folêgo.
–Então, quem ganha o beijo? -perguntou Santana sorrindo.
–Acho que as duas merecem. -disse Brittany.
Existia uma parte do parque, mais afastada, onde adolescentes se encontravam depois da escola. Era uma área coberta por árvores, parecia uma mini floresta. Era fechada, e os adolescentes não se encontravam lá nos fins de semana. Brittany e Santana correram para lá e como esperado não tinha ninguém.
Brittany puxou Santana contra seu corpo, os braços segurando a cintura de Santana. Santana colocou as mãos na cabeça de Brittany. Santana contraiu um poucos os lábios e passou a língua por eles, fazendo com que Brittany abrisse os dela. Novamente, a sensação extraordinária que sentiam quando se beijavam as consumiu. As línguas dançavam, a respiração pesava e as mentes flutuavam. O nariz de Brittany espremido na bochecha de Santana. Elas se separaram com as testas ainda coladas. Santana sorriu e abriu os olhos. Acariciou os cabelos de Brittany que ainda estava de olhos fechados. Brittany puxou Santana mais contra seu corpo. Ela abriu seu olho esquerdo. Santana se deparou, novamente, com a beleza dos olhos de Brittany. Eles tinham um poder, algo mágico que cada vez que Santana os via se apaixonava ainda mais.
–Eu já disse como amo seus olhos? -disse Santana sorrindo. Brittany abriu o outro olho sorrindo.
–Sim, mas eu adoro quando você fala. -disse Brittany entre laçando suas mãos com as de Santana.
–Seus olhos são a maravilha mais maravilhosa que eu já vi... -começou Santana, as testas ainda coladas e os olhos não se desgrudavam. -Foram a primeira coisa em você que eu vi e a primeira pelo qual me apaixonei. Sonhei com seus olhos durante semanas e poder estar olhando para eles tão perto... Eles parecem mais maravilhosos ainda.
–Eles só estão assim porque estou olhando para você. -disse Brittany que acariciava o braço de Santana.
Santana a beijou novamente. Os lábios e línguas se encontrando. Santana apertou mais o corpo de Brittany, arranhava de leve seus braços. Brittany foi puxando Santana contra seu corpo, mas elas já estavam praticamente ocupando o mesmo lugar no espaço. A Brittany caiu na grama puxando o corpo de Santana consigo. As duas pararam o beijo rindo. Brittany colocou a mão atras da cabeça, ainda ria.
–Está tudo bem, Britt? -perguntou Santana rindo.
–Está sim. -disse Brittany sorrindo. -Um pouco dolorido.
–Sério? -perguntou Santana. Brittany franziu o nariz. -Eu não senti nada...
Brittany a apertou sobre seu corpo e a virou. Beijou seus lábios de leve.
–Acho melhor irmos. -disse Brittany. -Meu pai vai sair com Catarina hoje.
Brittany se levantou e sacudiu as folhas secas de seu vestido. Ofereceu a mão para Santana que pegou de bom grado. Brittany tirou as folhas da bunda de Santana rindo.
–Tirou todas? -perguntou Santana rindo.
–Tirei. -disse Brittany.
As duas percorreram o caminho de volta a parte central do parque para saírem e olhares, nada amigáveis, as seguiam. Elas notaram que estavam de mãos dadas e se olharam para saberem o que fazer. Santana apenas puxou Brittany e começaram a correr. A casa de Brittany ficava perto do parque e chegaram lá em alguns minutos de corrida. Elas se sentaram na escada para recuperar o fôlego, as mãos ainda entre laçadas. Brittany abriu a porta de casa e viu seu pai sentado no sofá com um jornal aberto e um bloco de notas no colo.
–Olá, meninas. -disse Howard tirando seu campo de visão do jornal.
–Boa tarde, Howard. -disse Santana sorrindo. Ele sorriu de volta.
–Oi! -disse Brittany. Ela pegou as coisas de Santana e dela e colocou em cima do divã da sala. A gatinha apareceu descendo as escadas e Brittany foi até ela. -Papai, você alimentou a Dorothy?
–Eu tentei, mas ela não gosta da comida que eu faço. -disse Howard rindo. -Eu cozinhei o peixe agora a tarde, Billy estava no mercado. Ele mandou um abraço.
–Tudo bem. Sant, você pode olha-la? A última vez que a deixamos mais de cinco horas sem comer... -disse Brittany rindo.
–Claro que sim. -disse Santana se ajoelhando no chão. -Você não precisa de ajuda?
–Acredite, você está me ajudando. -disse Brittany entrando na cozinha.
Dorothy foi até Santana colocando as patinhas nas mãos de Santana. Ela miou e subiu pelo vestido dela e ficou entre as pernas de Santana com as unhas presas no vestido. Santana sorriu e fez carinho em sua cabeça.
–Como está a peça, Santana? -perguntou Howard deixando o jornal e as anotações de lado.
–Vai bem! Minha diretora é fantástica! -respondeu Santana. -Espero que você vá na minha estreia.
–Claro que sim. Alguém precisa controlar a Brittany para que não grite emocionada. -disse Howard conhecendo a filha. Santana começou a rir.
–Eu não vou gritar! -disse Brittany da cozinha. -Não no começo.
Howard e Santana riram.
–Eu vou adorar estar lá. -disse Howard. Santana sorriu para ele.
–Obrigada. -disse Santana. Dorothy começou a ronronar. Santana voltou a fazer carinho em sua cabeça.
–Eu sempre achei que eu fosse gostar de ter um cachorro em casa, mas eu estou gostando dela. -disse Howard.
–Minha mãe não gosta de gatos, mas acho que ela gosta de cachorros. Minha avó tinha um cachorro que ajudava a cuidar do meu avô, ou algo assim. Ela gostava do cachorro. Meu pai adora, é apenas questão de tempo para ele comprar um.
–Catarina me contou. -disse Howard. -Quando nos afastávamos da guerra íamos para uma casa que tinha um cachorro desses. Eu era fascinado por aquele cachorro! Ele poderia fazer tudo!
Santana riu.
–Eles são fantásticos, não? Os animais. -disse Santana.
–São, são sim. -disse Howard. -Obrigada por trazer Dorothy, Brittany se sente mais feliz com ela.
Santana assentiu sorrindo.
–Era meu objetivo ao traze-la. -disse Santana. Howard sorriu para ela.
Os dois ouviram um barulho de panelas e um gritinho de Brittany. Eles se levantaram se olhando e caminhando até a cozinha. Santana teve que tirar as patinhas de Dorothy de seu vestido, mas levou-a no colo.
–O que aconteceu, Brittany? -perguntou Howard.
–Eu pensei que tivesse visto algo se mexendo nas panelas, mas foi apenas minha imaginação. -disse Brittany sem certeza.
Algo pulou da panela e começou a voar. Brittany deu mais um gritinho e se abaixou. Howard correu até a sala, buscou pelo jornal e voltou a cozinha. Santana se escondeu ao lado de Brittany, ela odiava insetos.
–Como isso veio para aqui? -perguntou Howard matando o inseto.
–Não sei, mas vamos fechar essa janela por precaução. -disse Brittany se levantando. Ela havia terminado de picar o peixe e colocou num prato especial para a Dorothy.
–Pronto, querida. -disse Brittany. -Pode comer.
A gata miou e Santana a colocou no chão. Dorothy caminhou até o prato e começou a comer. Os três suspiraram aliviados.
–Vamos repetir as regras? -pediu Howard olhando-as.
Santana começou a rir e Brittany olhou para ele engraçado, estavam vermelhas.
–Não fechar a porta. -começou Santana olhando para Brittany.
–Não, essa eu vou deixar. Mas só por hoje! Que fique claro. -disse Howard sorrindo. Ele sabia que as meninas não faziam nada de errado, nada que as fizessem ir presas, pelo menos. Ele só gostava de fazer os que os pais fazem. -Esqueçam as regras por hoje! Só não façam nenhuma festa! Não sejam presas! E alimentem essa gata!
As meninas riram.
–Pai, eu separei sua roupa. É a que está em cima do seu baú. -disse Brittany lavando as mãos.
–Eu havia separado minha roupa mais cedo. -disse Howard confuso.
–Eu sei. -disse Brittany. -Mas a que eu separei é mais apresentável. E tem a gravata borboleta! Sant disse que Catarina adora gravatas borboletas.
–Isso é verdade! -disse Santana. -E mais do que isso, ela adora quando você usa.
–Me convenceram. -disse Howard. -Ela escolheu o lugar hoje, só me disse como ir vestido.
–Isso é comum. -disse Santana sorrindo. -Ela gosta de surpresas, principalmente quando são feitas por elas.
–É o que eu mais gosto dela. -disse Howard com o olhar longe.
–Sant, você perguntou para sua mãe se você poderia dormir aqui? -perguntou Brittany.
–Sim, eu disse que íamos ajudar uma à outra na interpretação de cena. -Brittany sorriu.
Algumas horas depois que Catarina passou para buscar Howard, as meninas ficaram no quarto, deitadas, com Dorothy entre elas. Brittany fazia carinho nos cabelos de Santana que fazia carinho em Dorothy. Brittany ainda estava preocupada sobre o que faria em cena. Ela parou de acariciar Santana e olhou-a. Santana levantou os olhos.
–Você quer me dizer alguma coisa? -perguntou Santana a olhando. Brittany concordou com a cabeça. -O que você quer me contar, Britt?
Brittany respirou fundo e se sentou na cama. Santana sentiu sua linguagem corporal rígida e sentou-se também. Dorothy ficou entre os joelhos delas.
–Hoje, no ensaio, Charlie perguntou se eu poderia fazer algo, mas eu não estou certa quanto a isso. -começou Brittany. -Ele disse para eu falar com você sobre isso, por isso Brandon disse que que tinha um namorado.
–Entendi. E o que você acha que não pode fazer? -perguntou Santana segurando sua mão e apertando-a de leve.
–Charlie adicionou um beijo na peça. -disse Brittany, ficou vermelha mas continuou olhando para Santana. Santana sorriu.
–Britt, eu já esperava que fosse acontecer. Eu não vou ficar brava, ou algo do gênero, eu disse que ia apoiar você em tudo. Mesmo que você tenha que beijar outra pessoa... Só estou dizendo que eu vou estar lá, para assistir você, para apoiar você no que precisar.
Brittany ainda parecia atordoada. Santana acariciou seus cabelos e perguntou o que ainda estava preocupando-a.
–Tem um problema. -disse Brittany e Santana assentiu. -O beijo no final terá que ser algo apaixonante, característico de conto de fadas. Eu apenas... não sei como beijar alguém por quem não estou perdidamente apaixonada.
Santana sorriu e com ela sua alma. Ela tocou a face macia de Brittany e beijou seu nariz.
–Vem aqui. -pediu Santana se levantando e trazendo Brittany consigo. Dorothy abriu as patas ocupando a cama.
–O que foi, Sant?
–Quando você estiver no palco e ver que não vai conseguir beijar o Brandon, me imagine no lugar dele. -disse Santana segurando as mãos de Brittany. -Me imagine e eu vou estar lá.
Brittany trouxe o corpo de Santana para perto do seu e a beijou. As borboletas em seus estômagos voavam. Santana deu um giro com ela e parou o beijo.
–Você acha que eu vou conseguir? -perguntou Brittany. -Você não vai ficar mal? Eu estou ficando mal...
–Eu tenho certeza que você vai conseguir! Você é maravilhosa! -disse Santana segurando seu rosto. -E eu confio em você.
–Eu queria que você fosse minha princesa na peça... -disse Brittany sentando-se na cama.
–Eu sou, mas no mundo real. -disse Santana deitando-se.
–As vezes eu esqueço onde estamos. -comentou Brittany deitando-se ao lado de Santana.
–Como? -perguntou Santana.
Brittany fechou os olhos. Santana levou sua mão até a cabeça dela, acariciou seus cabelos.
–Eu esqueço onde estamos. Onde moramos. Com quem convivemos. Eu esqueço de tudo, menos de você.
Santana abraçou-a. Suas camisolas amarrotavam e subiam pelas coxas finas. Dorothy pulou da cama para a almofada onde dormia. Brittany girou com o corpo de Santana pela cama, as camisolas já estavam na altura do quadril, Brittany a parou quando ela estava em baixo de seu corpo. Beijou seus lábios e seguiu a linha do pescoço fazendo Santana se arrepiar. Enquadrou a cabeça de Santana com seus braços, ficando de frente, com seu rosto próximo do de Santana.
–Você está arrepiada... -observou Brittany com a voz fraca. -Está com frio?
–Não... -respondeu Santana respirando fundo. -E-eu estou com calor.
Brittany riu baixinho. Ela subiu um pouco a camisola de Santana a colocando sobre sua barriga. Santana puxou a de Brittany para cima, tirando-a completamente. Ela observava cada ponto, canto e perfeição do corpo desnudo em cima de seu próprio. Brittany sorria, apenas um simples sorriso e o cabelo um pouco bagunçado e Santana a achava a maior perfeição que já havia visto. Ela percorreu os olhos pelo corpo de Brittany e parou em seus seios. Brittany seguiu o olhar de Santana e pegou suas mãos fazendo Santana aperta-los. Ambos os corações corriam, mas elas não tinham tanta pressa. Brittany gemeu baixinho e começou a tirar a calcinha de Santana. Santana se arqueou para frente, as mãos ainda tocando os seios de Brittany, beijou seus lábios. Brittany afastou seus lábios e soltou um gemido na orelha da Santana que mordiscava o pescoço de Brittany. Ela soltou a mão da cintura de Santana e a abaixou. Santana se deitou puxando Brittany consigo, colocando as duas pernas ao redor das pernas de Brittany.
Brittany subiu ainda mais a camisola de Santana, enquanto a outra mão percorria seu corpo. Parou no ventre e ali ela podia sentir a pulsação. Santana a olhava e Brittany a olhou, com a mão brincando pela área. Santana fez um "sim" com a cabeça mordiscando os lábios. Brittany colocou um dedo e olhou-a rapidamente, apenas para ver sua reação. Santana gemeu e agarrou os lençóis brancos. Brittany nunca tinha feito aquilo, ela estava meio perdida mas quando viu Santana agarrando os lençóis, sabia que estava fazendo algo certo. Colocou outro dedo e apertou sua cintura. Santana mexia seu quadril, ela soltou uma das mãos dos lençol e começou a arranhar a coxa de Brittany que intensificava os movimentos. Santana gemia e tentava respirar e Brittany poderia sentir tudo que ela sentia. A mão que estava na cintura, a puxava para baixo e a emburrava para cima, fazendo Santana subir e descer contra o colchão. Ela olhou para Brittany que mordiscava os lábios e gemeu alto, quase uma palavra. Brittany sorriu e tirou os dedos, molhados, de dentro de Santana. Santana soltava devagar os lençóis enquanto tentava normalizar sua respiração. Brittany deitou-se ao seu lado, ainda sorrindo, enquanto acariciava seus cabelos. Brittany não pensava em muitas coisas naquele tipo de momentos, mas ela pensava em Santana e apenas nela. Em seu beijo doce. Brittany beijou suavemente os lábios de Santana que tentava corresponder, mesmo que desfalecida sobre os lençóis. Ela afastou sua cabeça e olhou-a, sua respiração já estava normal e começou a acariciar o corpo de Brittany que se arrepiou. Ela fez menção de se levantar, mas parou com a mão de Santana impedindo-a.
–O que foi? -perguntou Santana com o brilho único que apenas Brittany conseguia enxergar. -Você está com medo?
Brittany não respondeu. Ela sabia, e adorava, fazer Santana sentir prazer e teve um orgasmos só de vê-la, mas ela sentia receio de ser tocada, mesmo por Santana. Ela não tinha medo de Santana ou falta de confiança, ela realmente não sabia. Santana ficou de joelhos na cama e tirou sua camisola. Ela olhou para Brittany e acariciou sua face.
–Feche os olhos. -pediu Santana sussurrando em sua orelha. Brittany fechou os olhos. Santana percorreu suas mãos pelo contorno do corpo de Brittany. Parando em seu quadril. -Se você quiser que eu pare, apenas fale.
Brittany assentiu. Santana estava com as mãos em seu quadril e ela já respirava profundamente. Santana acariciava as coxas de Brittany, levou uma mão até a intimidade de Brittany e a massageou, ela queria que Brittany fosse sentindo aos poucos. Ela mordiscava o corpo de Brittany que começou a gemer baixinho. Ela passava língua pelo corpo de Brittany e ficou de joelhos perto de sua intimidade. Ela ainda a massageava, e com a outra mão ora apertava a cintura, ora passeava pelo ventre. Santana tirou a mão da intimidade e fez com que Brittany abrisse um pouco mais as pernas, o que elas fez rapidamente. As mãos segurando os lençol. Santana se abaixou e começou a chupa-la, as mãos na bunda trazendo-a para mais perto. Santana olhava Brittany se contorcendo, e sabia exatamente o que ela sentiam, também. Brittany gemia, a força estava nas mãos, tudo pulsava, tudo parecia vivo. Ela abriu os olhos devagar e viu que Santana a olhava. Ela se levantou alguns centímetros e empurrou a cabeça de Santana, um pouco mais, contra sua intimidade. Brittany gemia um pouco mais alto, e ela só olhava para Santana. Ela colocou as pernas sobre os ombros de Santana que sorriu com isso e com o contato ela decidiu intensificar. Colocou um dedo, sem parar de olha-la. Ela gemeu alto, e Santana voltou a suga-la. Sua respiração pareceu desaparecer e tudo que ela conseguia fazer era gemer, era tudo que ela conseguia associar. Ela sentiu Santana colocando um segundo dedo enquanto ainda a sugava e seu corpo caiu os poucos centímetros em espasmos com um gemido alto. Santana tirou os dedos, mas ainda sugando-a. Sugou até a última gota e chupou os dedos. Brittany estava feliz, um onda de prazer que a consumia. Nada era tão parecido quanto aquilo. Nada era tão bom. Ela estava desfalecida onde estava, sem conseguir levantar o dedo que fosse. Santana tirou as pernas de Brittany de seu ombro e subiu pelo seu corpo. Ela beijou os lábios de Brittany, ainda sem reação, sorrindo. Brittany sorriu, ainda mais, e lambeu os lábios de Santana. Sua respiração voltou ao normal, ela olhou nos olhos de Santana como se quisesse dizer algo, mas não conseguia.
–Você está bem? -perguntou Santana. -Eu fiz algo de errado?
–Você... -disse Brittany. -Eu... Nós...
–O que foi, Britt? -perguntou Santana se levantando um pouco, se apoiando nos cotovelos.
–Foi maravilhoso... -disse Brittany sussurrando.
Santana sorriu e abraçou seu corpo nu. Tirou os cabelos do rosto de Brittany.
–Você não está mais com receio? -perguntou Santana.
–Não... -disse Brittany sorrindo. -Eu acho que quando fazemos juntas, não há porque ter receio. Ah! Você não fez nada errado, foi o melhor momento da minha vida.
Santana levantou um sobrancelha e sorriu.
–Você me faz a menina mais feliz do mundo. -disse Santana.
–Somos as meninas mais felizes do mundo. -respondeu Brittany sorrindo. -Do mundo inteiro!
Brittany que acariciava o braço de Santana que estava arrepiado. Ela buscou pela cama as camisolas e entregou uma para Santana. Elas se olharam e perceberam que vestiam as camisolas uma da outra. Começaram a rir, Santana se deitou num travesseiro, batendo no lugar vazio ao seu lado, rindo. Brittany entrou entre as cobertas, se deitando no outro travesseiro. Havia um vão enorme entre elas. Elas pensaram rapidamente e avançaram ficando no meio e batendo suas cabeças de leve. Brittany abraçou Santana que retribuiu o abraço. Suas respirações já estavam pesadas, cansadas, prontas para dormirem.
–Eu te amo. -sussurram juntas e sorriram. Dorothy miou e pulou de sua almofada para a cama, fazendo as bailarinas rirem muito. Elas foram cessando as risadas, os braços parando em um braço que deveria ser eterno e suas respirações suaves.
As bailarinas tinham esse pequeno segredo que as valia a vida. Esse pequeno segredo que fariam mulheres cochicharem e homens ficarem sentidos. Para elas, era algo colossal, mas elas sentiam como qualquer outro considerável "normal". Elas sentiam amor. Se pertenciam, o destino havia as colocado juntas. Sem mas, sem poréns, apenas havia sido assim.
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