Até que o Apocalipse nos Separe

18 "Nada vai estragar o meu dia"


Notas iniciais
Hey, guys! Quanto tempo, hein?! Estou de volta. Lyanna está de volta. Espero que isto seja uma notícia boa pra vocês, kkk, assim como é pra mim. Aproveitem o capítulo, deixem suas críticas, seus elogios, deixem qualquer coisa! s2 Boa leitura!

Depois de tantas semanas, tantos meses, ou anos – devido as circunstâncias é impossível ter noção do tempo – eu finalmente sinto um sopro de positividade em mim; uma chama de felicidade em meu peito. Como eu não estaria feliz? Por pior que seja a situação que nos abrange, eu me sinto a pessoa mais sortuda do mundo – ou do que restou dele. Condições equilibradas, amizades renovadas, um lar reconfortante e principalmente seguro, um amor aparentemente estável...

Oh, Daryl. Meu corpo derrete em suspiros e meu coração acelera só em pensar em seu nome. Será que tenho esse mesmo efeito sobre ele? Às vezes me pergunto se estou sonhando, e é aí que surge um bug em meu cérebro. Queria eu acordar? Não saberia como reagir se descobrisse que tudo isso, tudo, não passa de um sonho.

Um sonho...

– Sonho? – Daryl quebra o silêncio e me afasta dos belos pensamentos.

– O que?

– Você falou “um sonho”.

Merda – Falei? – Pergunto incrédula enquanto apoio-me nos cotovelos. Estávamos deitados sobre a grama, um pouco afastados dos outros. Já era noite. – Preciso parar de pensar alto! – E despenco outra vez na grama.

Ele ri brevemente – E então? – Pergunta-me, virando-se e apoiando-se em um cotovelo.

– E então o que? – Retribuo a questão e fico na mesma posição que a dele. Estamos cara a cara.

O quê é um sonho? – O sorrisinho cínico em seu rosto já deixa bem claro que é uma pergunta desnecessária, pois o desgraçado já sabe.

Rio com seu cinismo e passo a encarar seus olhos sedutores – Você é um sonho. – E por um momento ficamos os dois em silêncio, apenas observando a reação um do outro. Permaneço com a mesma expressão, mas Daryl... – O que foi? Você já sabia que eu ia dizer isso.

Ele ri brevemente e começa a olhar para a grama – É, sabia...

Rio com ele, mas ainda noto seu jeito estranho.

– E então? – Tento repetir a mesma cena que aconteceu há alguns segundos.

Daryl ri.

– E então o que?

– Por que ficou tão estranho de repente?! – Ele não responde e continua olhando para a grama. Decido não falar mais nada. Descobri que ele demora a responder quando está pensando, então achei melhor ficar em silêncio.

Deitei outra vez de costas e passei a encarar as estrelas. Fala sério, tem noite mais linda que essa?! Não sei se ela está linda mesmo ou se é apenas o fato de eu estar muito feliz que a deixa assim. Não importa. Pelo canto do olho noto que Daryl está olhando para mim. Ele ainda está apoiado em um cotovelo e logo sinto seus dedos alisando minha barriga. Ok, ele vai falar. Em 5, 4, 3, 2...

– Eu não quero ser só o seu sonho. – Eu sou demais – Lyanna...

Viro-me para ficarmos frente a frente outra vez.

– Daryl... – Sussurro carinhosamente.

– Eu não quero ser só o seu sonho. – Ele segura a minha mão que já estava começando a alisar o seu peito.

– Eu ouvi... – Continuo com os sussurros e aproximo-me dele, deixando seu pescoço bem próximo a minha boca.

– E então? – Ele diz.

– E então o que?

Rimos mais uma vez e ele enrosca os braços em minha cintura, deixando minha boca colada em seu pescoço.

– Quando você vai deixar de sonhar e pensar na realidade? – Opa.

Afasto-me dele para poder focar em seus olhos e ver se ele está falando sério. Seu rosto expressa magnitude, seus olhos estão ligeiramente preocupados, suas mãos ainda estão em minha cintura e sua boca se mostra em uma linha tênue. Ok, ele está falando sério.

De imediato penso em falar coisas do tipo “você está louco?”, “quer arranjar outra briga?”, “por que está perguntando isso?”, mas apenas confirmo. Faço um ligeiro movimento com a cabeça e respondo:

– Estou tentando. – A última coisa que quero no momento é discutir com Daryl. – Você sabe que eu não falei nesse sentido...

– Eu sei... – Ele responde. Baixinho e rapidamente.

– Você sabe? – Pergunto retoricamente. – E por que perguntou?

Ele sorri – Porque eu queria ouvir isso de você.

– Queria? – Sorrio de volta – Saiba que querer não é poder, meu amor. – Jogo uma bela ironia perceptível.

– Você ironizou na parte do “saiba que querer não é poder” ou na parte do “meu amor”? – Ele pergunta cinicamente. Rio mais uma vez.

– Na parte do “saiba que querer não é poder”. – Ele sorri pra mim e pega uma de minhas mãos para beija-la. – E na parte do “meu amor” também.

Daryl se afasta de mim, colocando uma das mãos no peito e parecendo completamente ofendido. Rio com a cena.

– Como você pôde? – Ele pergunta, ainda incorporando o mocinho sensível. Digno de um Oscar.

– Você é um idiota! – Rio mais uma vez e soco o seu ombro. Ele urra de dor (dramático, como sempre) e logo começa a rir também.

Ele abandona a posição de antes e desaba de vez na grama, suspirando. Hum, essa posição...

Olho para o grupo, que está um pouco distante e vejo que ninguém está olhando. Avanço em Daryl e logo fico de joelhos em cima dele.

– Lyanna! – Ele sussurra – O que está fazendo? Alguém vai nos ver.

– E daí? – Ironizo, encarando-o seriamente.

Ele olha pra mim, sem saber se entra na minha ou se me repreende outra vez, e em seguida olha para o grupo. Olha pra mim e depois para o grupo, pra mim e depois para o grupo. Sussurra algo que eu não entendo e logo em seguida me puxa. E então nos beijamos. Nossas línguas dançam. Nossos quadris dançam. Em poucos segundos consigo sentir seu membro rígido em baixo de mim, e antes que as coisas ficassem realmente quentes, eu disse:

– Vamos sair daqui. – Ele concordou. Relutantemente saio de cima dele e o ajudo a levantar, recebendo mais um de seus beijos logo em seguida.

– Quarto? – Ele arrisca.

Olho para o grupo que ainda está entretido com alguma coisa – Óbvio demais.

– Banheiro?

– Nojento demais.

Ele ri, puxando-me para mais perto.

– Que tal se... – Dou uma ideia – Nós apenas nos afastássemos um pouco mais? – E o puxo ainda mais para o escuro.

– Você está pedindo para ser vista. – Ele diz enquanto caminha comigo.

Rio por causa de sua preocupação – A graça está exatamente aí, meu amor. – E o beijo, empurrando-o pouco a pouco até ficarmos completamente invisíveis aos olhos do grupo.

***

Assim que retornamos à prisão, Daryl me perguntou se eu não gostaria de dormir em seu quarto.

– Gostaria! – Disse, fazendo um sorriso abrir em seu rosto – Mas não vou.

Quis rir com a cara que ele fez assim que eu disse isso, mas me segurei.

– O que? Por quê? – Ele questionou.

– Eu tenho o meu quarto – Se é que eu posso chamar aquilo de quarto – E você tem o seu!

– Você não vai perdê-lo se passar uma noite no meu. – Ok, ele começou com as gracinhas.

Rio ligeiramente – Eu sei! Mas hoje irei dormir no meu projeto quarto! – Ele ri – Quem sabe outro dia. – E aproximo-me dele, dando-lhe um breve beijo. E assim que me viro para ir ao meu quarto, sou surpreendida com um tapa no traseiro.

Tenho um susto.

Olho rapidamente para Daryl, fuzilando-o com o olhar – Você não fez isso! – Digo, querendo e não querendo rir.

– Fiz o que? – Diz ironicamente enquanto se apoia na parede com o braço direito. Mas que... cretino.

Ainda estou olhando para ele, boquiaberta, com um sorriso que quer e não quer sair. Aproximo-me dele novamente e tenho a leve impressão de que ele pensa que vou socar sua cara. E por um momento o clima fica meio tenso, até que eu deixo escapar uma risada. Um apocalipse zumbi, uma vida de merda e ainda tenho que aguentar esse cara! Quando ergo o olhar, vejo que o cretino está rindo também, e então lhe dou um soco no ombro.

Ele geme – Caramba! Um dia você ainda vai deslocar o meu ombro!

Agora sim! Rio novamente com a cena e avanço, dando-lhe um beijinho.

– Anseio muito por esse dia. – Digo normalmente, fazendo-o rir e gemer ao mesmo tempo. – Boa noite! – E finalmente vou em direção ao meu quarto.

Assim que entro, tiro as botas e a faca do bolso e então desabo na cama... Não posso dormir com ele. Não sem saber se ainda falo dormindo.

***

Por volta das 7hrs – pelo menos eu acho que era isso – acordei. Como sempre, ao passar pelo quarto de Daryl, vejo que ele não está mais lá. Talvez ele esteja acordado desde as 5hrs. Um exemplo para todos nós? Com certeza. Desço as escadas, cumprimento quem vejo pela frente, ando os corredores, faço todo o meu ritual matina e então abro a última porta, saindo da escuridão. Dou uma longa pausa e respiro fundo. Deus, como amo sentir essa luz em meu rosto. Não há um só dia em que eu não tenha feito isso desde que cheguei aqui.

Focando um pouco na distância, noto que Rick, Michonne e Tyreese estão colocando algumas coisas no carro. E, olha só, Daryl está lá também. Que coincidência, ironizo.

Ao aproximar-me noto um esboço de sorriso formar-se em seu rosto.

– Bom dia! – Digo a todos enquanto coloco brevemente a mão por cima dos olhos, cobrindo-os do sol.

– Lyanna! – Michonne me cumprimenta. Olho para Tyreese e ele me dá um breve aceno. Olho para Rick e sou completamente ignorada. Pra variar.

– O que estão fazendo? – Pergunto. Às vezes a curiosidade me domina.

– Dia de caça. Esqueceu? – Daryl responde como se eu fosse a maior idiota do mundo. Olho para ele e ele ainda está com aquele esboço de sorriso no rosto. Que canalha. Aproveito que ninguém está me olhando e lhe mostro a língua. Espero mais uma daquelas suas expressões de “menino ofendido”, mas ele acaba me mostrando algo melhor. A sua língua também. E nesse momento tudo que mais desejo é que aquela língua esteja no meio das minhas pernas.

Massageando o meu clitóris como se o mundo fosse acabar amanhã... – Ei, Lyanna. – Seus dedos dentro de mim dando-me o maior prazer do mundo... – Lyanna?! – Seu membro rígido entrando com facilidade em... – Lyanna! – Escuto Michonne me chamar. Viro-me para ela, saindo do transe.

– Perdão? – Meu Deus, esse homem está me embriagando.

– Estou lhe chamando! Você está bem? – De repente todos estão olhando para mim. Até Rick, por incrível que pareça.

Espero um segundo para responder. – Credo, é claro que estou bem. Só estava... pensando. – Deixo escapar uma risada e antes que eu perceba tudo já tem voltado ao normal.

Ajudo-os a colocar o restante das coisas no carro e me viro novamente para Michonne.

– Então, por que estava me chamando? – Pergunto enquanto sou pega recebendo uma piscada do Daryl. Por que esse homem tem que ser tão sexy?

– Ainda temos um lugar. Por que não vem conosco?

– O que? – Daryl e Rick dizem quase que imediatamente. Eles se encaram brevemente e logo Daryl dá alguns passos em nossa direção.

– Eu não estou de acordo com isso. – Ele diz para Michonne e logo seguida para mim.

– Eu muito menos. – Rick intensifica.

– Como assim? Vocês não tem que estar de acordo com nada. Eu quem decido isso! – Ignoro Rick e passo a encarar Daryl, de braços cruzados.

– É perigoso! – Daryl retoma. – Você não pode ir.

– É claro que eu posso. E eu vou. – Olho para Michonne e lhe dou um breve sorriso.

– E se uma horda de zumbis aparecer do nada? – Daryl insiste.

– Nós os matamos! – Digo enquanto entro no carro. Tyreese já está na frente, no banco do passageiro; Rick está tendo uma conversa um tanto tensa com Michonne no lado de fora, com certeza falando que eu posso esfaquear as costas de qualquer um durante o percurso; Daryl entra e senta do meu lado.

– E se a horda for muito grande?

– Nós fugimos!

– E se aparecer algum... inimigo? – Ele continua e de imediato sinto que está falando do tal Governador.

Olho impaciente para ele – Não vai aparecer ninguém, Daryl!

– E se você se machucar? – Ele fala meio preocupado.

Encaro seus olhos apertados por uns segundos.

– Você vai também, não vai? – Ele afirma com a cabeça. – Então eu não vou me machucar, porque eu sei que você não vai deixar isso acontecer. – Ele sorri cabisbaixo. Passo a mão por seus cabelos e acabo acariciando seu rosto. O que eu recebo em troca? Um carinhoso beijo na palma da mão. Meu Deus, que homem é esse.

– E se eu não conseguir?

– Porra, Daryl, para com esse “e se”! – Ele ri. Ah, como é bom escutar isso.

– Estou falando sério! Se acontecer alguma coisa com você eu...

– Daryl, para. – Coloco novamente a mão em seu rosto. – Não vai acontecer nada. – Encaro-o novamente e então o beijo. Um beijo simples. Um beijo leve. Um beijo apaixonado.

Espero ele afirmar com a cabeça e então lhe beijo outra vez. Assim que me afasto ele fala com ironia:

– E se acontecer?

Reviro os olhos e vou pro outro lado do banco. – Vai se foder.

Ele ri e cola em mim outra vez. – Sai! – Digo, tentando parecer chateada. – Seu chato. – Mas não dá para não rir.

Tyreese começa a rir também e fala:

– Vocês ainda lembram que eu estou aqui, não lembram? – Rio muito mais ao ouvir isso.

– Quê? Tyreese? Você estava aí? – Daryl diz com ironia. Como sempre.

– Sim, nós lembramos. Peço desculpas por isso. – Digo, dando um tapa na perna de Daryl. Ele ri.

Assim que essa cena acaba, Rick entra com raiva no carro, trancando a porta com certa... força. Logo em seguida vem Michonne, e eu tenho que afastar para ela sentar. Daryl de um lado, Michonne do outro e eu fico no pior lugar possível: o meio. Ótimo.

O carro começa a andar e eu logo penso que é uma péssima ideia e que deveria ter ficado. Mas não darei esse gostinho ao Rick. O Idiota que me ature. Ele não vai estragar uma das raras chances que eu tenho de sair. Olho para o retrovisor e acabo encontrando seus olhos. Parecem zangados e ao mesmo tempo... tristes. Pisco algumas vezes, arrependida por estar indo, e desvio o olhar para a janela.

Ah, quer saber? Rick que se foda. Você não vai estragar o meu dia hoje, OK, Sr. Grimes? Pego a mão suada do Daryl e a aperto. Nada vai estragar o meu dia.

Notas finais
E aí, o que acharam?