Notas iniciais
- Há cenas que realmente chocam nesse capítulo, avisando logo. Vão se acostumando, porque é assim que vai ser :c
- Desculpem-me se houver algum erro ♥
Boa leitura!

- Nós só temos os mantimentos básicos agora. Tudo está acabando...

- Isso não é da minha conta. Você é o encarregado da coleta. – Ouço Tomas reclamar com Steve. Como sempre. Coitado, penso enquanto termino de limpar minha faca. Fui banhar-me em um riacho aqui perto e um zumbi me pegou desprevenida. Penso em contar a Tomas, mas com certeza ele diria “Como assim tinha um zumbi na nossa área?, Como deixou isso acontecer?, Você é a encarregada da proteção”. Todos são encarregados de alguma coisa no grupo. Eu da assistência, Steve dos alimentos, Bernadete (Esposa do Steve) das crianças, Clara da roupa suja, Benjamim das armas e Tomas... Bom... Ele manda e fica deitado em uma cadeira de praia como se estivesse de férias no Havaí. Benjamim é seu irmão, claro, por isso ele tem essa autoridade toda. Afinal, ele tem armas. Atualmente as armas são a base de tudo. Já pensei inúmeras vezes em dar uma lição de moral na dupla sertaneja implacável, mas não quero ser abandonada ou então forçada a sair de um grupo outra vez. Quando chega a certo ponto isso cansa. Os grupos não vão aceitar qualquer um para sempre.

- Mas... – Steve continua.

- Mas o que? – Responde Tomas, o mal-educado. Clara os encara com certo medo nos olhos, talvez já sabendo o que vá acontecer caso aquilo se torne uma discussão de verdade.

Ela é esposa de Tomas e é compartilhada sexualmente com Benjamim. A escrava sexual dos dois. Outra coitada no grupo. No decorrer da vida normal e do apocalipse já teve dois filhos, Josh e Austin, 12 e 02 anos, respectivamente. Algo me diz que vão ser demônios idênticos aos pais. É, pais. Não sabemos de quem é quem e eles agem como se isso fosse normal. As vezes Tomas e Ben acordam com uma sede inconsumível de sexo e a fodem a força, os dois juntos. Já flagrei esse alvoroço triste e doeu-me tanto no coração que, no momento, senti uma vontade intensa de atirar nos dois. E o pior de tudo é que seus filhos estavam lá. Fui fazer minha ronda normal como faço todos os dias e do nada me deparei com a cena. A vi de 4, com mãos e pés atados, fazendo sexo oral em Ben enquanto o outro enfiava um pedaço de madeira cilíndrico em seu ânus, pensando de tal forma que aquilo a estava satisfazendo. Ela estava vermelha e pressionando os gritos, tendo sua cabeça colocada a força lá. E lhe davam tapas, cuspiam em suas regiões íntimas, puxavam-lhe os cabelos, Tomas enfiava três ou quatro dedos em sua vagina e ainda a faziam dizer coisas idiotas, não percebendo que os únicos idiotas ali eram eles.

- Vem, vem foder a mamãe. – Tomas dizia enquanto puxava o filho de 12 anos. Tirou o tronco de lá e fez com que o garoto colocasse o pênis no ânus da mãe. No momento meus olhos encheram de lágrimas e juro por Deus que meu instinto seria atirar, mas ao contrário disso fugi. Sempre fujo... Voltei ao acampamento em prantos, sendo questionada por Bernadete e ainda obrigada a dizer que estava chorando porque sonhei com Joe e passei o dia pensando nele. Desde então tenho me aproximado mais de Clara, tenho tentado ser uma amiga, o que certamente ela achou/acha estranho, porque desde o início deixo claro que não quero amizade com ninguém. Meu papel é proteger aqueles indivíduos e não me fazia bem aproximar-se deles. As vezes inventava de que precisava de ajuda na ronda, só para não ter que a imaginar transando com aqueles malditos. Talvez sofra mais quando entra com aqueles dois na barraca por uma noite do que eu minha vida inteira. Quase toda noite a escuto gritar. Tenho certeza que todos escutam, mas assim como eu não falam nada. Ninguém quer correr o risco de levar um tiro ou então uma facada. Eu, particularmente, sei o quanto dói ter a lâmina de uma faca dentro de si.

- Os homens dormindo e a gente aqui patrulhando. – Brincava ela. Gostava muito de conversar quando o marido estava longe. Quando ele estava presente era outra história.

Volto a limpar minha faca e tento afastar esses pensamentos.

- Vai se foder, velhote – Tirou uma arma do bolso e colocou na cabeça de Steve. Tive um susto e de imediato coloquei a faca no bolso. Bernadete se assustou e começou a pedir calma. – Cuida dos alimentos que eu cuido da minha vida. – Disse Tomas por fim, guardando a arma. Já estava escurecendo e ele já estava pronto para mais uma noite de estupro, mesmo que eu pedisse uma ajudinha na patrulha. Foi até a mulher e a puxou pelo braço, fazendo-a gemer de dor.

- Vai se foder você. – Disse Steve finalmente, e de imediato virei-me para ele, assustada, assim como todos os outros que estavam presentes. Ah, Deus, ele não disse isso, penso enquanto coloco uma das mãos na barriga, já tendo náuseas. Não tenho medo de Tomas, por mim ele já estaria morto e ele sabe muito bem disso. Tenho medo é do que ele pode fazer com aquela gente indefesa. Indefesa até agora... – Estou farto de suas idiotices.

- O que você disse? – Tomas retrucou, empurrando a mulher, voltando a pegar a arma e logo a apontando para Steve. – Eu vou estourar seus miolos – Todos se chocaram na hora e eu não podia ficar calada, não podia deixar passar, não dessa vez.

Peguei minha arma e a apontei para Tomas – Eu que vou estourar os seus se não baixar sua arma agora – Olhei-o profundamente nos olhos e desvio o olhar rapidamente para Clara, que está fazendo leves gestos indicando “não”. É agora ou nunca, Lyanna, digo com a voz de Joe em minha cabeça. Eu estava perdida, já sabia disso. Pedi para sair do grupo assim que levantei aquela arma. Eu não podia fugir. – Você é praticamente o líder dessa droga e diz que não é da sua conta a falta de alimentos? Que tipo de líder é você? – Ben volta correndo da floresta, ofegando bastante, parece bastante confuso e de imediato percebe a agonia.

- O que está fazendo? – Tomas começa. – Pensa que vai mudar alguma coisa apontando essa arma pra mim? Aliás, essa arma não é minha? – Diz com ironia.

- Não é mais.

- Ah, ela é sim. É assim que quer aumentar sua coragem? – Então começa a dizer suas frases pausadamente – Eu que mando nessa bosta. Eu que mando no Steve. Eu que mando em você – Começa a aumentar o tom de voz – Você fica de 4 pra mim agora se eu quiser e sem dar um pio.

Apenas o encaro com uma linha rígida nos lábios – Você-não-manda-em-nada. Fala que os alimentos não são de sua conta, mas quando está com fome quer comer Deus e o mundo e ainda faz o pobre Steve de vilão, sendo que o único maltrapilho aqui é você – Assim que digo minha última frase percebo que despertei de verdade sua ira. E antes que ele pudesse atirar em mim, não sei pra quê ou por que, Ben veio até ele e cochichou algo em seu ouvido. Tomas baixa sua arma.

- Arrumem-se já. Zumbis estão se aproximando. – Diz seriamente enquanto me encara. Ainda estou apontando minha arma para ele e então percebo que Steve está atrás de mim. Fico feliz com isso e de certa forma emocionada. Estou defendendo alguém. Tomas para com seu olhar sombrio e faz um gesto para a mulher, mandando-a arrumar todas as coisas rapidamente. Steve então sai da minha sombra e ele, Bernadete e até as crianças começam a juntar as coisas como se não tivesse acontecido nada. Percebo então as diferentes formas em que o apocalipse prejudicou aqueles indivíduos. Baixo a arma e os encaro totalmente confusa. Foram necessários cinco minutos para tudo estar pronto e cada um subir em seu devido veículo.

- Para onde vamos agora? – Escutei alguma criança cochichar.

E antes que eu pudesse correr para o carro do Steve, alguém me agarra pelo braço esquerdo e me puxa para trás.

- Achou que ia ficar assim? – Tomas sussurra no meu ouvido, fazendo-me gritar e mover-se histericamente, tentando me soltar. Ben me agarra também e os dois me levam para junto de uma árvore, amarrando-me a ela. Olho para Steve e percebo que ele quer fazer algo em relação a isso, mas já está encrencado demais.

- ME SOLTA! – Grito enquanto movo-me bruscamente, tentando me soltar.

- Isso, gata, grita mais alto. Pode gritar. – Tomas diz, torcendo mais que tudo para que os zumbis aparecessem agora e me devorassem.

- O que você está fazendo? – Clara diz baixinho, totalmente assustada com o que está vendo.

- NÃO É DE SUA CONTA! – Os irmãos gritam ao mesmo tempo, fazendo-a recuar uns passos.

- ISSO É COVARDIA! – Grito mais uma vez, pouco se importando com os zumbis e fazendo Tomas dar uma gargalhada intensa.

- Covardia é o que vou fazer agora! – Diz enquanto pega sua faca e arranca minha blusa com sutiã e tudo. Grito absurdamente alto, querendo acordar daquele pesadelo, querendo mais uma vez acordar ao lado de Joe e ouvir mais uma vez um Eu Te Amo. – Vamos ver se os zumbis vão gostar de seus peitinhos, sua puta. – Dá um forte beliscão no meu seio direito fazendo-me gritar outra vez. E antes de correr para o carro toma todas as minhas armas de fogo – Não vai precisar, vai?

- IDIOTA! – Grito até sentir a rouquidão.

- Não pode deixa-la aí... – Clara diz outra vez.

- NÃO ME DIGA O QUE FAZER! – Tomas, sem mais nem menos, dá-lhe um tapa na cara, fazendo-a cair no chão – AGORA ENTRA NA BOSTA DESSE CARRO! – Clara entra chorando, tentando evitar olhar para mim.

- NÃO! POR FAVOR, NÃO! – Grito em prantos enquanto vejo os carros distanciarem-se de mim. Não é possível, penso em um choro culminante. Continuo com os movimentos bruscos, querendo mais que tudo sair dali. Até que finalmente lembro-me da faca que coloquei no bolso – Ah, meu Deus – Digo, lutando contra o choro à medida que tento pegar a faca. Volto minha mão para frente, esfregando-a contra a madeira e machucando-a. Então, por fim, consigo pegar e mais uma vez choro – Seminua, no meio do nada – Digo em nome da ira enquanto começo a cortar a corda – Perto da morte, com zumbis se aproximando – Ah, eu os odeio, os odeio infinitamente. – Sem grupo, sozinha, sem armas, só com a droga de uma faca. – Então finalmente a corda se tora e assim que me levanto e me viro para o lado, um zumbi vem para cima de mim. Grito assustada e enfio a lâmina no meio de sua cabeça. Quando menos espero escuto gemidos de mortos-vivos por todos os lados e começo a correr. Não seja a próxima, penso enquanto corro para longe daqueles zumbis, segurando os seios à medida que minha velocidade aumenta. Percebo que não vou conseguir correr por muito tempo e procuro a árvore mais alta para subi-la. Ah, como eu os odeio. Os odeio mais que tudo. Tomas e Benjamin Davis estão na minha lista negra.

Notas finais
O que acharam? Não esqueçam de comentar ♥