Notas iniciais
Espero realmente que gostem.

-Ótimo Emm, agora corra até lá – apontei a arvore mais distante de onde estávamos.

-Ok, Bellinha!

-Preparar- o gigante se posicionou. – Apontar — Fez uma posse que me segurei para não rir. – Já. – Gritei e comecei a cronometrar enquanto ele saia em disparada pelo gramado. – Vai, Emmett, vai! – Comecei a fazer uma dança ridícula de animadora de torcida, e o coitado quase tropeçou quando olhou para trás e começou a rir de mim.

Correu até a arvore e voltou no mesmo pique. Parei o cronometro quando ele chegou até mim, mas invés de parar de correr me pegou no colo e continuou.

- EMMEEEEEEETT!

Ele só riu e me jogou nas suas costas, ignorando meus xingamentos e socos... Não que eu esperasse que algum soco surtisse efeito nesse monstro. Só me colocou no chão quando chegamos à porta da sua casa.

- Pronto, daqui dá para você ir andando.

- Eu podia vir andando o caminho todo!

- Você é lerda. – riu. – Tô com fome.

- Novidade. – revirei os olhos.

- O que vai ter de lanche?-perguntou se sentado em uma das cadeiras da cozinha branca impecável da Esme.

- Sei lá, a casa é sua.- ri, sabia onde a conversa ia terminar.

- éééé, mas minha melhor amiga, ótima cozinheira podia fazer algo para seu lindo melhor amigo do mundo todinho. – sabia!

Bufei fingindo estar chateada, mas fui sem reclamar, o maldito sabia que eu amava fazer qualquer coisa na cozinha. Preparei dois sanduiches caprichados para nós.

Começamos a comer, como os dois famintos desesperados que somos, em silêncio, até perceber que ele me observava com a testa franzida.

- Que foi? – limpei a boca com a mão.

- Estou preocupado. – declarou.

- Porque?- franzi o cenho também.

- Ninguém pode comer tanto assim e ser uma quase anoréxica... Confessa para mim, você sofre de bulimia, Bellinha? – pousou uma mão sobre a minha. Fiquei dividida entre rir ou dar um tapa nele, mas seu semblante de preocupação me impediu.

-Rum. – um pigarro fez com que eu desviasse o olhar para a porta e desse de cara com os dois irmãos de Emmett: Alice e Edward – Atrapalhamos? – Edward desviou o olhar para nossas mãos unidas em cima da mesa. Em reflexo a puxei rápido demais. Edward levantou uma sobrancelha, o que reparei que fazia sempre que parecia pensar algo que não verbalizava.

Emmett deu de ombros.

- Sim, Bellinha ia me confessar seus transtornos alimentares. – gemi na mesma hora que sentia minhas bochechas pegando fogo. Seus irmãos me olhavam com os olhos arregalados.

- Ele esta brincando. –lancei um olhar ameaçador para Emmett que se encolheu na cadeira. Chega a ser irônico o medo que o grandão tem de mim quando estou brava.

- Olá. – Esme Cullen entrou com toda sua beleza na cozinha, e eu a adorei verdadeiramente por tirar a atenção do assunto antes que Emmet pudesse continuar falando. – Ajuda? – Edward e Emmett correram ajudar a mãe com as sacolas. – Como esta, querida? – veio me dar um abraço.

- Ótima. – sorri. Esme era a pessoa que mais se aproximava de algo maternal para mim.

- Charlie?

- Ótimo também. – ela sorriu e se afastou vasculhando nas sacolas depositadas no balcão.

- Fica para o jantar dessa vez? – Ergueu os olhos novamente para mim, depois de brigar com os filhos que pegaram biscoitos das sacolas.

- Não! – gritou Emm, me fazendo pular e farelos de biscoitos voarem da sua boca até os cabelos perfeitamente cuidados da irmã, que lhe lançou um olhar que o fez se afastar e vir para meu lado.

- Como não? Isso são modos, Emmett Cullen? – Esme perguntou chocada.

- É que hoje é a noite da pizza e do esporte na casa dela, e já estamos atrasados, não é Bellinha. Tchau mãe. – segurou minha mão e tentou me puxar.

- Mas Emm, você não ia tomar banho, treinou o dia todo.

- Tomo depois. – continuou me puxando.

- Emmett Cullen, vá imediatamente para o banho. – Esme bateu o pé no chão, um aviso claro que deveria ser obedecida.

Ele bufou, e resmungou um “ok mamãe”, antes de subir arrastando os pés. Me deixou ali, junto com Edward, que parecia se esforçar para me ignorar como sempre, e Alice, que me olhava com curiosidade como sempre. Ela pelo menos sorria, diferente do irmão.

- Se é a noite da” pizza e do esporte” na sua casa Carlisle também não vai jantar aqui. O que vocês vão querer então? – perguntou aos dois filhos.

- Ah, vocês também estão convidados se quiserem ir. – me apressei em convidar novamente, como em muitas outras vezes.

- Obrigada querida, mas tanto eu quanto Alice não somos fãs de esportes... Assim como você. Por que não fica aqui com a gente?

- Eu adoraria. Mesmo. – acrescentei em ênfase, o que não era mentira. – mas meu pai, Emm, e os outros precisam de alguém que os sirva- ri, mas Esme fez uma careta.

- Se eu souber que eles andam te explorando...

- Não, não... Só acho que essas noites são importantes para meu pai. – confessei, agora sim conseguindo arrancar um sorriso de Esme.

- Você é altruísta. – Alice constatou e me deu um novo sorriso que retribuiu.

- É verdade, querida. Se for por isso tudo bem, entendo que queira ficar lá. Mesmo assim acho que eu e Alice dispensamos. – sorriu para a filha que concordou rápido. – Mas Edward talvez queira ir... – gesticulou para o filho.

E tão surpreendentemente como todas as outras vezes que isso aconteceu, porque já aconteceu, Edward me olhava com intensidade. Como se quisesse ler minha mente. Corei forte. Estaria absolutamente perdida se ele conseguisse!

- Edward? – Esme chamou novamente, com um sorrisinho no rosto compartilhado com a filha.

Ele saiu do transe.

- Sim? – inacreditavelmente, como poucas vezes vi, ele corou. Suas bochechas vermelhas o deixavam incrivelmente mais bonito. Desviei o olhar para a bancada da mesa.

- Quer ir para a casa da Bella com seu pai e seu irmão hoje?

- Hã? – perguntou surpreso. Mesmo sem estar olhando para ele, senti que ele arriscou outra olhada para mim. Então sua voz ficou mais firme. – Não, eu tenho coisas melhores para fazer. – Deu de ombros, e com protestos sobre ser educado de sua mãe, saiu da cozinha sem olhar para trás.

- Desculpe querida, eu não sei o que deu nele. – Esme pediu realmente preocupada.

- Não se preocupe. – dei de ombros. Mas assim que ela virou não consegui disfarçar a expressão, mesmo tendo a certeza que Alice me observava.

Emmett saiu do banho assim que Carlisle chegou, e partimos no carro dele até minha casa.

A noite foi boa como todas as outras costumavam ser. A casa cheia, todos alegres e rindo. Jacob também estava lá, então eu tinha meus únicos amigos comigo. Sentia-me completa... Ainda chateada por Edward mostrar o quanto me desprezava sempre que podia, mas fora isso estava tudo maravilhoso. Infelizmente a chateação não passou despercebida para Emm e Jake, mas era noite de alegria e logo consegui convence-los a esquecer disso disfarçando minhas expressões.

A noite da pizza e do esporte era uma tradição do meu pai com os nossos amigos, que se resumiam em Emmett e Carlisles e alguns da reserva: Jacob, seu pai Billy, e Harry. Sentavam em volta da TV e passavam mais de quatro horas vendo jogos e devorando o máximo de pizza que conseguissem. Era um dia sagrado em seus calendários.

Herdei do Charlie o jeito reservado. E Emmett Cullen... Bom, desde que cheguei a essa cidade ele é o único amigo que tenho. Também tinha Jacob, claro, mas ele morava e estudava na reserva, e não nos víamos com a frequência que gostaríamos. E apesar de ser o mais diferente possível de mim, Emm se tornou o melhor amigo do mundo.

Eu tinha chego à cidade com 10 anos, filha do chefe Swan com a sua louca ex-mulher, todas as crianças mantinham uma distância segura, ainda mais quando viram o quanto desastrada eu era e tropeçava na frente de toda a escola indo de bunda ao chão mais vezes do que consigo lembrar. “A estranha garota desastrada e que parece ficar vermelha por tudo?” foi assim que escutei Edward Cullen se referindo a mim uma vez. Mas por toda a sorte do mundo, seu irmão me encontrou chorando embaixo de uma arvore, e decidiu que meus tombos eram engraçados o suficiente para estar sempre perto para vê-los.

Assim surgia nossa amizade.

- O que vai fazer ano que vem? – Emm perguntou, e eu sabia que estava se referindo ao fato da sua formatura ser esse ano.

-Provavelmente eu corte meus pulsos.

Ele parou de bater a bola e me olhou sério.

- Estou brincando. – coloquei as mãos para cima em sinal de inocência.

- É bom que esteja, porque eu provavelmente ressuscitaria você para poder matá-la. – Gargalhei apesar de ele continuar sério.

- Cala a boca. – acabou sorrindo. Me mandou um beijo antes de arremessar a bola e fazer a cesta.

- Sou um máximo! Faremos nossa dança da vitória no domingo, pode apostar.

- Estou apostando nisso. – levantei os polegares para ele. – o único problema é que você joga futebol, e não basquete. – ri.

- Detalhes, minha querida, apenas detalhes. – riu antes de jogar a bola para mim. – Ops, devolve. Ia dizer para você tentar uma cesta, mas já foi parar no hospital por muito menos que uma bola de basquete.

Joguei com toda minha força a bola em sua cabeça, mas apesar do resmungo de dor, sei que não fez nem cocegas nele.

Emmett voltou a fazer arremessos.

O time da escola tinha ido para a semifinal do campeonato. E trein era o que vinha fazendo a semanas. Vencer era uma obsessão por ser seu ultimo ano e nunca ter ganhado o titulo. Era agora ou nunca para ele. Seu irmão também era parte do time. Obviamente, Edward Cullen era o Quarterback, o que me fazia revirar os olhos: o rei sempre teria a posição de destaque. Emmett era, orgulhosamente, um dos Offensive Tackle. Ele amava sua posição, e a fazia com maestria, ninguém ficava em pé quando Emmett, o monstro, passava.

O futebol, assim como ser um dos lindos e descolados irmãos Cullen, rendia o titulo de popular para ele. Mas também fazia que as fofocas aumentassem. Se perguntavam todo dia por que ele andava comigo.

Nada que não ignoramos até hoje.

Do outro lado da arquibancada estavam as animadoras de torcidas, entre elas Rosalie, a loira perfeição que parecia me fuzilar até perceber que eu a olhava e desviar o olhar sem graça, e Alice, que parecia dar tapinhas de consolo na costa da amiga.

- É sério, Bell’s, como você pode não ter mais amigos? – Emm chamou minha atenção. – É a garota mais incrível que conheço. – Fiquei vermelha com o elogio o que o fez rir.

- Tenho certeza que você não me acha mais maravilhosa do que ela. – apontei discretamente com a cabeça Rosalie Hale, paixão platônica dele desde que eu o conhecia, e sorri triunfante quando ELE ficou vermelho.

- É sério. – desviou o assunto, me fazendo rir mais. – Está rindo do que? Você iria amar ser a “amiguinha” do cabeçudo! – apontou o irmão que acabava de sentar ao lado de Alice, fazendo todas as outras animadores estufarem o peito. Revirei os olhos.

- Sou a estranha, lembra? – Não consegui disfarçar a voz mais triste ao repetir as palavras do ruivo anos atrás.

- Bella... – não o deixei continuar, sabia o que ele ia dizer. Emmett amava o irmão, que inclusive era seu melhor amigo, mas o achava um idiota em algumas coisas, principalmente na maneira de me tratar.

- Talvez eu tranque a porta do ginásio na sua formatura e mate todo mundo. Andei assistindo Carrie a semana toda. – ele riu, mas não disfarçou um olhar preocupado, o que me fez revirar os olhos e imaginar que pararia de insistir tanto para que eu fosse em sua formatura.

- E Alice?

- O que tem ela? – perguntei interessada.

- Vocês podiam ser amigas.

Olhei para o outro lado da arquibancada e a vi com as amigas em suas roupas minúsculas.

- Emmett, não me leve a mal, mas acho que ela não vai querer... Ela tem as amigas dela, sabe, animadoras. – e uma delas, a loira, parecia querer me matar às vezes.

- Mas você vive lá em casa, é quase filha adotada dos nossos pais. E outra, ela sempre é simpática com você. – declarou. – Até Edward é as vezes... Sinceramente, nunca os ouvi falar mal de você... não depois há alguns anos, pelo menos.

Primeiro: eu duvidava que alguém tivesse coragem de falar mal de mim na frente dele, mesmo sendo os irmãos. Segundo: eles também não falariam na frente de Carlisle e Esme.

- Eu sei, e não tenho nada contra eles. – e não tinha mesmo. – Mas, bom, somos muito diferentes. – tentei escapar.

- Nós dois também somos. – contra atacou.

- É, mas tem algo que nos une.

- O quê? – perguntou curioso.

- Somos dois idiotas!

Emmett jogou a cabeça para trás rindo, e depois teve a brilhante ideia de jogar a bola em mim, não jogou forte nos padrões dele, mas conseguiu a proeza de me derrubar de costas mesmo sentada em uma arquibancada.

- Bella, eu decididamente amo você. – Disse enquanto morria de rir do meu lado depois de me ajudar a levantar. Passou os dois braços pelo meu corpo, minúsculo perto do dele, e me esmagou no que eu chamava de seu abraço de anaconda.

Mesmo com a sensação de costela quebrada retribui o abraço sorrindo, já esquecida do tombo.

- Amo você também, idiota.

--/--

Levantei em um pulo quando a vi cair, derrubada pelo asno do meu irmão.

Alice me puxou de volta.

- Calma, ela esta bem. – apontou para eles, Emmett a ajudava levantar rindo enquanto ela parecia querer mata-lo.

- Ele precisa ser mais cuidadoso... Ela parece tão quebrável. – gemi, fazendo Alice rir e Rosalie fungar.

A próxima cena fez com que novamente eu sentisse inveja do meu irmão – sempre pelo mesmo motivo: ele a apertava em um abraço e ela ria retribuindo.

- Vocês são tão... Idiotas! – a anã disse, irritada.

- Por quê? – Rose perguntou ofendida, e eu também quis saber.

- Ficam ambos sofrendo calados e não fazem nada. Ok, eu sei o que você vai dizer – se apressou em dizer quando viu a expressão da amiga. – mas eu não sirvo de exemplo.

Rolei os olhos.

- E o que você sugere, que eu roube a garota que o Emmett é apaixonado? – exasperado, passei a mão pelos meus cabelos os puxando.

- E quem disse que o Emm é apaixonado por ela? – já estava cansado dessa mesma pergunta. Mas Rosalie respondeu por mim.

- Alice, olha só para eles. – apontou para Emmett que a segurava no colo para que ela tentasse fazer uma cesta.

Mesmo irritado com a cena não consegui deixar de sorrir quando ela não conseguiu acertar e pareceu ficar muito brava. Eu não conseguia ver daqui, mas podia apostar que aquela ruguinha tinha aparecido na sua testa.

- Já falei e repito, os dois são só amigos. – continuou rápido antes que um de nós dois pudesse a interromper. – eu já perguntei para ele, e perguntaria para ela se não parecesse que ela tem medo de mim. – declarou vitoriosa.

- Emmett não iria falar, ele não ia correr o risco de perder a amizade...

Alice me interrompeu impaciente.

- Pergunta você, então. É o melhor amigo dele. E Emmett menti muito mal. Vai saber que eu estou certa.

- Mas é justamente por isso que tenho que ficar longe, além de meu irmão é meu melhor amigo. Eu nunca ia atrapalhar a felicidade dele, Alice. De nenhum dos dois. – olhei novamente para os dois que riam enquanto ela ainda tentava fazer uma cesta.

- Exatamente, eu não quero atrapalhar a felicidade de ninguém. Ainda mais de alguém que amo. – Rosalie deu uma ultima olhada para os dois e levantou decidida. Apesar da expressão firme no rosto, sabíamos que ela ia chorar em algum lugar. Alice levantou e foi atrás da amiga. Antes me lançando um último olhar, que dizia que ela ainda me achada um idiota.

Bufei.

Voltei a olhar os dois a tempo de ver ela se desequilibrar e ir de bunda ao chão. Tive que me controlar para não ir até lá ver se estava bem, mas logo Emm estava a ajudando, enquanto ria dela.

E novamente ela ria do próprio tombo. Mesmo a distância conseguia ouvir seu riso.

- Tão Bella. – balancei a cabeça rindo. Achava adorável a ambiguidade que descobri que essa frase tinha quando fiz italiano.

Notas finais
Oi,
prazer, meu apelido é Ammah,
depois de muito enrolar resolvi tentar postar uma história (:
Comentários, independente de criticas ou elogios, são SEMPRE bem-vindos. Mas sintam-se a vontade!
Beijos!