Até Parecem Idiotas
2 Um dia novo.
Notas iniciais
boa leitura.
Não tenho certeza quando eu comecei a reparar em Edward... Ou melhor, quando comecei a me odiar por ficar admirando aquele imbecil.
Só lembro-me de algumas coisas, que acho que se juntaram e formaram outra coisa:
1º fazia mais de dois anos que eu estava aqui. O circo tinha acabado de chegar à cidade, e em poucas horas esse era o maior assunto. Eles iriam ficar apenas uma semana, e foi só no sétimo dia que consegui fazer Charlie me levar. Isso, claro, depois de perceber que o trauma de Emmett com palhaços era algo além da minha compreensão. Parei de incomoda-lo para me levar e passei a infernizar meu pai.
Fiquei maravilhada com o espetáculo. Lembro-me da risada de Charlie comentando sobre como meus olhos brilhavam. Não comi nada com medo de perder qualquer coisa, por mais mínimo que fosse, apenas por me distrair levando comida a boca.
Foi no fim da apresentação que aconteceu. Meu pai encontrou Harry com a esposa e foi cumprimenta-los e eu, mais distraída que o normal pensando no espetáculo, não vi onde ele foi. Não era o fim do mundo para uma garota de quase treze anos se perder do pai em uma cidade como Forks. Mas era um desespero uma garota de quase treze anos se perder do pai quando ela é tão antissocial e possivelmente tenha crise do pânico em multidões em uma cidade que chove tanto quanto Forks: Quando as pessoas começaram a passar rápido por mim fugindo da chuva forte que tinha começado a cair, apenas borrões de rostos, comecei a gritar por Charlie, dava voltas em mim mesma o procurando, até que fiquei tonta e não vi a poça a minha frente. Escorreguei e cai de lado, batendo o quadril. E pior, realmente achei que ia ser pisoteada. Até braços me puxaram para cima.
- Você esta bem? – eu sabia que era ele. Foi a primeira vez que reparei em como sua voz parecia veludo.
Confirmei com a cabeça. Olhei para o chão, apenas esperando que ele caçoasse de mim.
Mas os risos não vieram.
Edward tirou a blusa de moletom que vestia e me entregou, me obrigando a vestir quando envergonhada recusei. Perguntou o que tinha acontecido e eu, boba dramática assustada, comecei a chorar, e ele surpreendentemente me abraçou. Um abraço curto, principalmente porque fiquei tão surpresa que não consegui retribuir e ele me soltou com as bochechas coradas. Quando consegui finalmente contar, Edward segurou firmemente minha mão e me puxou com ele. Encontramos Charlie uns minutos depois, tão preocupado quanto imaginei que estaria. Edward se despediu com um sorriso ainda a alguns metros do meu pai.
Depois da bronca, quando já estávamos indo embora, olhei para trás e parei, não acreditando que ele ainda estava lá, me olhando e sorrindo.
Infelizmente, no dia seguinte, na escola, ele passou por mim, rindo com os amigos quando fui agradecer, questionando em alto e bom som a minha sanidade.
Agora eu compartilhava com Emmett o trauma de circo.
2º Era meu aniversário de dezesseis anos. Enquanto todas as meninas da minha turma sonhavam com seus sweet sixteen, eu apenas esperava poder passar o dia jogada no sofá, demostrando o quanto não me importava com uma festa, principalmente para meu pai parar de se culpar por não ter pensado em organizar uma.
Mas Esme ficou indignada, ela planejava a festa com Alice desde que a menina tinha feito treze anos, e no fim lutou para fazer no mínimo um bolo e cantar parabéns. Quando cheguei à casa de Emm, meu pai, Carlisle e Esme, Jacob e a turma da reserva estavam na cozinha para cantar parabéns. Alice e Edward também estavam. E ambos pareciam contentes, principalmente Alice que batia palmas e dava pulinhos empolgados. Descobri que a decoração rosa foi culpa dela.
Depois de partir o bolo fui para a sala ver a partida de videogame dos meninos. Sentei no único lugar vazio que era ao lado de Edward, encolhida por aquele medo idiota que tenho de incomoda-lo ou que ele perceba que estou ali e comece a rir de mim.
Foi quando a partida era entre Emmett e Jacob que senti, como um choque, a mão dele sobre a minha, dei um pulo e senti meu rosto esquentar. Senti algo entre nossas mãos, então ele levantou e saiu subindo as escadas sem dizer nada.
Comigo ficou a correntinha de prata com um pingente de miniatura de chave pendurada. Que eu uso até para dormir. Escondida por baixo da blusa.
- BELLAAAAAA!
Dei um pulo quando Emm gritou no meu ouvido.
- Ai! Que é? – gritei, tampando os ouvidos.
- Como assim que é? Em que mundo você estava? – uma sobrancelha estava arqueada, me lembrando do gesto que o irmão sempre fazia.
- Nenhum. – Apressei em negar... Rápido demais para quem queria parecer inocente.
Ele revirou os olhos enquanto ria de mim. Desviei o rosto para ele não ver que eu estava vermelha e ter certeza sobre o que, ou melhor, quem eu estava pensando.
Emmett balançou a cabeça e deu um chute na bola.
- GOOOOL. – gritei.
- Faltam dois dias. – passou a mão pela testa. Sentia a tensão na sua voz.
- Vai dar tudo certo. – sorri. Ele balançou a cabeça parecendo confirmar mais para ele do que para mim.
Por causa do campeonato Emm andava concentrado, sério. Com uma ruguinha em cima do nariz que eu nunca tinha visto nele. Vinha o acompanhando em todos seus treinos, e apesar de falar a plenos pulmões que eu sabia que o time ia ganhar, eu estava morrendo de medo deles não conseguirem e Emmett ficar realmente triste.
-Bella? – olhei para ele. – Chamei Edward para treinar hoje comigo, ele já deve estar chegando. – disse preocupado.- Você não se importa, não é?
- Ah, não. – sorri. Peguei meu casaco do chão, levantei e fui até ele depositando um beijo em seu rosto. –Me liga quando chegar em casa, ok? –não queria deixa-lo sozinho, mas se o irmão estava vindo ele teria companhia.
- Como assim? Aonde você vai? – segurou meu braço quando fiz menção de me afastar.
- Embora. – disse tão confusa quanto ele parecia estar.
- Bell’s, eu disse que Edward esta vindo aqui, e não que era para você ir embora. – explicou.
- Para mim é a mesma coisa. – ri, mas ele não.
- Sentai, Isabella. – largou meu braço para colocar as duas mãos na cintura.
- Não adianta me chamar pelo meu nome. – encostei meu dedo indicador em seu peito. – Você não vai me intimidar. – dei as costas a ele, e caminhei com um frio no estomago esperando alguma reação que eu sabia que ele teria.
Resultado: Ele me pegou nos braços e me acomodou na lateral do seu corpo. Saiu correndo todo o campo fingindo desviar de adversários imaginários, e no fim me soltou com tudo fingindo fazer um ponto.
Eu até ficaria brava, mas estava concentrada em rir.
- Você é um idiota. – acusei quando consegui parar de rir. Ainda deitada na grama.
- É meu charme, querida. – me deu uma piscada.
Joguei minha perna entre as suas em uma rasteira, e milagrosamente, ele caiu.
- Ai, Bell’s. Doeu. – gemeu.
- Eu pediria desculpas, mas ainda estou surpresa por ter conseguido derrubar você.
- Anta. – disse rindo.
Ouvimos um barulho de carro. O volvo prata estacionava ao lado do parque em que estávamos. E dele saíram um Edward, perfeitamente perfeito, e uma Alice, como sempre parecendo empolgada com alguma coisa.
- Vem. – Emm levantou e deu a mão para mim me puxando.
- Ainda acho que eu devia ir embora. – gemi.
- Cala a boca. – riu. – são meus irmãos. Eles não mordem.
- É uma reunião em família. Não quero ser a intrusa. – falávamos de canto de boca enquanto os dois se aproximavam.
- Você não é uma intrusa. E eu disse que você estaria aqui. Por isso Ed deve ter trazido Alice. – me permitir olhar para ele om uma cara de “hã?” que o fez sorrir. – Te fazer companhia, Bell’s.
- Percebe como isso soa absurdo? – perguntei o fazendo rir.
- Do que está rindo? –Alice quis saber, já na nossa frente.
- Bell’s. – Emm explicou simplesmente. – Olá. – cumprimentou os irmãos.
- Oi. – Edward respondeu olhando apenas para Emmett, que pareceu ficar incomodado com a atitude do irmão, já eu apenas continuei olhando com minha melhor cara de paisagem.
Depois de alguns anos sendo ignorada, você simplesmente para de demonstrar que se importa. Mesmo que isso ainda te machuque.
Ao contrário, pelo menos, Alice sorriu e disse um oi para mim em cumprimento, o que me apressei em retribui. Só fiquei imaginando se foi uma forma de impedir Emmett de dizer algo a Edward. Se foi, funcionou, porque Emm fechou a boca que já estava aberta para retrucar o irmão.
- Vamos treinar. – Edward pegou a bola que estava no chão e deu um soquinho no braço de Emmett o chamando. Os dois saíram correndo e começaram a jogar. Logo Emm pareceu relaxar, e eu observava, sentada na grama, o quanto os dois pareciam se divertir juntos.
Desviei um pouco do jogo e olhei para Alice em pé. Respirei fundo antes de falar.
- Não quer sentar? – tentei ser gentil, mesmo com medo que sua simpatia pudesse ser só na frente do irmão mais velho.
Ela olhou para mim como se tivesse visto algo incrível.
- Você esta falando comigo? – deu um gritinho. Imediatamente corei e voltei a olhar o jogo.
- Desculpa... Não quis incomodar.
- Hã? – disse divertida. A cada momento ficava mais vermelha. Emmett me olhou com as sobrancelhas arqueadas. Edward parecia me olhar também, mas fingi não vê-lo. Forcei um sorriso para meu amigo. – Você é louca?
Não respondi Alice.
- Desculpe, não quis ser grossa. – Olhei para ela surpresa. Com a certeza que minha boca fazia um O sem eu ao menos ter reação para fecha-la. – É que você nunca fala comigo. – disse tímida.
O que eu perdi? Tive vontade de chamar Emmett e faze-la repetir para ele confirmar o que eu escutei. A proposito é isso que me surpreendia, ele não estava aqui, ela nem precisaria ser simpática.
- Que foi? – perguntou rindo e percebi que ainda a encarava.
- Nada. – me apressei em dizer.
-Você é estranha. – continuava com a voz divertida.
- Eu sei. – disse baixinho, mas ela pareceu escutar, porque respondeu.
- Não disse no mal sentido. – agora ela se apressou em explicar. – é um estranho bom. Como Edward sempre diz que você é. – sorriu.
- Você sabe que nada do que esta falando faz sentido né? – perguntei estupefata.
- Para você, talvez. Mas para mim faz. – riu dando de ombros.
A encarei por alguns segundos com o cenho franzido. Tentada a perguntar se tinha escutado certo sobre o estranho bom, ou ela tinha trocado o nome dos irmãos.
Achei melhor ficar quieta.
- Respondendo a sua pergunta – disse depois de poucos minutos em silêncio. A olhei sem saber do que falava. – Até queria sentar. Mas essa grama vai sujar minha calça. – disse chorosa.
Alice Cullen, a irmã mais nova do meu melhor amigo, líder de torcida, uma das populares, queria ser estilista, e sua roupas de marcas estavam sempre impecáveis, assim como todo seu visual. Nunca a vi repetir uma roupa. E Emmett havia me dito que ela tinha obsessão por compras. Era a mesma que renovava o guarda roupa de toda a família. Ele era louco pela irmã, e me contava coisas sobre ela que me fazia rir e acha-la pirada. Mas ela provavelmente nem sabia que eu sabia de tudo isso.
Alice nunca me tratou mal. Apenas nunca conversou comigo ou olhou para mim na escola mais que alguns segundos.
- hmm... Porque não senta no casaco? – apontei o casaco preto que trazia no braço.
- Nunca! – gritou, me assustando. – Desculpa. – pediu envergonhada. – É um Chanel, comprado em Paris. – disse com os olhos brilhando e depois abraçou o casaco.
Se Emm não tivesse contado coisas sobre Alice, eu não saberia se estaria rindo ou chorando agora.
- Er... – puxei meu casaco e o estendi ao meu lado. – Não sei a marca, e foi comprado em uma lojinha no centro de Forks. Custou 12 dólares. — Falei a fazendo rir. – Pode usa-lo. – ofereci.
-Certeza? – sorri.
- Não tem problema mesmo. Pode sentar.
Ela veio temerosa, podia jurar que em algum momento a ouvi pedindo desculpas ao meu casaco.
- Obrigada. – agradeceu sorrindo.
Sorri em retribuição.
Voltei a olhar os meninos.
- Posso perguntar algo? – Alice parecia não conseguir ficar quieta um minuto, como Emmett havia me falado.
- Claro.
- Como é não ter amiga? – foi direto. Não tinha provocação ou malicia na sua frase, apenas curiosidade.
- Eu tenho ele. – Apontei para o grandão que fazia uma dancinha patética (pior que a nossa) depois de fazer um gol no irmão.
- Eu sei. –sorriu solidaria. – mas quero dizer amigas, meninas para compartilhar segredos e coisas femininas.
- Eu não tenho muitos segredos e coisas femininas para compartilhar com alguém. –sorri para sua cara de Estupefação. – Não a nada que não possa falar para seu irmão... Acho... – parei de falar abruptamente.
- Acha? – perguntou interessada.
- Não é nada. – disse olhando para o chão.
- Pode falar, Isabella. – havia carinho em sua voz.
- Só Bella. – corrigi.
- Bella. – Ela repetiu sorrindo. – Pode desabafar comigo.
Surpreendente eu me vi confiando em Alice.
- Fui criada apenas por um homem. Acho que me acostumei a não sentir falta de uma presença feminina. – tentei não parecer triste, mas sabia que tinha falhado quando Alice colocou uma mão sobre a minha. Não tive coragem de olhar para ela, mas também não tirei sua mão.
- Para ser sincera, de amiga mesmo eu só tenho a Rosie. – suspirou. Era uma confissão que eu não esperava.
- Eu sempre vejo você cercada de meninas...
- É, mas são todas cobras. – declarou seca. – sempre querem alguma coisa.
Virei minha mão que estava embaixo da sua e a apertei.
Ela sorriu agradecida.
- Você é legal. – disse simplesmente.
- Obrigada. – ri. – Você também é.
- Fala isso para aqueles dois que vivem me chamando de chata. – apontou para os irmãos.
- Não sei Edward. Mas Emmett é um panaca. – disse baixinho, como se fosse uma confissão.
- Ah, acredite, Edward também é. – e me olhou profundamente. Depois começou a rir.
Apesar de maluca, Alice era uma ótima companhia. E isso foi uma grande surpresa.
Emmett e Edward terminaram de jogar uma hora depois, e nos encontraram rolando no chão de rir. Ficamos todo o tempo conversando besteiras. O grandão parecia extremamente feliz, se abaixou e beijou nós duas, depois nos envolvendo naquele abraço esmaga ossos que ele ama dar, e pouco se importando com os protestos da irmã sobre estar suado e fedendo. Já o outro, ficou apenas nos encarando com a sobrancelha levantada.
Saímos em direção ao carro de Edward.
- Bellinha e eu viemos a pé.
- Na verdade ele me obrigou. Disse que era aquecimento. Mas sei que só queria rir de mim caindo. O fiz rir três vezes – sussurrei para Alice que riu alto, fazendo os dois irmãos nos olharem.
- Ou seja, carona para dois andarilhos. Obrigado. – completou e já foi entrando no banco de carona do volvo.
Estanquei.
- Não precisa. Eu posso voltar andando. – esperei soar convincente.
- Claro que não. – Para a minha surpresa os três protestaram ultrajados. O que fez os outros dois olharem para Edward, que ficou vermelho e entrou rápido no carro.
- Entra logo, Bell’s. – Emm mandou assumindo aquela posse de autoritário que sempre me fazia obedece-lo quando, raramente, a usava .Mas achei que isso valia um pouco mais de tentativa.
- Não precisa incomodar...
- Você mesmo disse que não gosta de fazer caminhada. – Alice disse já me puxando para dentro do carro. Sabia que essa eu tinha perdido quando sentei no banco de couro bege, morrendo de medo de suja-lo com a grama que estava na minha calça.
- Ainda acho que eu podia ir andando. – disse cruzando os braços e fazendo bico. O que fez todos rirem e eu ficar vermelha.
- Ela é pior que Alice às vezes. – Emmett cutucou Edward que riu e olhou rápido para mim.
- Sempre achei que isso fosse impossível. – ele se voltou para frente.
- Ei – Alice protestou.
Edward girou a chave fazendo o ronco do carro ser ouvido. Antes de sair ligou o rádio e uma musica calma de piano começou a tocar. Encostei a cabeça na janela, ouvindo as instruções que Emmett dava para chegar a minha casa, que graças aos céus não era longe da deles.
Os irmãos iam conversando amenidades. Enquanto eu só conseguia me concentrar na musica doce.
- Love Dream! – gemi de felicidade quando a encantadora musica, minha favorita de piano começou a tocar. Achei que tinha sido baixo, mas Edward olhou para mim rápido.
- Conhece Franz Liszt? – pareceu surpreso.
- Sim. – disse baixinho.
Vi pelo retrovisor que ele estava sorrindo.
- A Bell’s adora piano. – Emm confidenciou.
- Você toca? – Edward perguntou, ligeiramente curioso.
- Não. – disse rápido e olhei para a janela. Emmett pareceu perceber meu desconforto e mudou de assunto, falando sobre um jogo que ia passar hoje. Mas Alice pareceu não se convencer e senti que ela me olhava.
Chegamos a minha casa. Desci do carro e vi que Charlie já estava em casa, parado no jardim, tentando pela segunda vez na semana concertar a cerca que já estava quebrada, possivelmente, antes mesmo de eu nascer.
- Ei, Charlie, deixa isso ai. Amanhã eu venho e arrumo. – Emm abaixou o vidro e gritou para meu pai.
- Ah, Oi, Emmett. – acenou. – Estou escutando a mesma coisa há muito tempo mocinho.
- Amanhã, eu prometo. – abriu um sorriso que mostrava todos seus dentes brancos perfeitos.
- Na duvida vou tentar por mais algum tempinho. – acenou para meu amigo e voltou a se concentrar no trabalho.
- Ele é tão teimoso quanto você, Bell’s. – riu.
- Tive a quem puxar. – sorri. – Obrigada por me trazerem. – agradeci. – Tchau. – acenei e fechei a porta.
- Tchau. – Alice sorriu radiante pela janela aberta.
- Tchau Bellinha. Depois te ligo. – Emm prometeu.
Já estava me afastando quando outra voz me chamou.
- Bella?
Voltei e olhei pelo vidro de Emm, curiosa.
- Boa noite. – Edward desejou antes de partir com o carro.
- Boa noite. – quando consegui dizer, ele já tinha virado a esquina há muito tempo.
- Filha, vai ficar ai? – Charlie me chamou preocupado.
Neguei.
Corri para cima tomar um banho antes de fazer o jantar.
Estava fazendo o ultimo dever quando Emmett me ligou no telefone de casa. Riu me contando que eu havia deixado meu celular cair no carro. Sua voz estava anasalada demais, e eu escutava o som do nariz sendo puxado a todo instante. O coitado tinha pegado um resfriado.
- Você esta bem? Não esta sentindo nada?
- Não. – respondi prestando atenção a algum sintoma que não tinha reparado, mas não tinha nada.
- Ainda bem. – declarou. – Não é nada demais, mas acho que não vou amanhã à escola. Mamãe disse que é melhor eu me guardar. – ouvia o tédio na sua voz.
- É melhor mesmo. Você tem um jogo daqui dois dias. — O lembrei.
Logo pude escutar a voz da Esme o mandando ir descansar e nos despedimos.
Acabei de terminar a lição e me enfiei embaixo das cobertas também. Pensando como o dia havia sido engraçado.
- Isabella.- Mesmo tendo absoluta certeza de quem era a voz tive que olhar para trás para confirmar que era Edward Cullen quem gritava meu nome. No meio da cantina lotada. Muitas pessoas pararam o que estavam fazendo para olhar. E para variar, senti meu rosto pegando fogo.
Quando me viu olhando, ele me chamou com o dedo até sua mesa.
Resisti à vontade de olhar para trás para ver se era mesmo comigo, e fui tremendo, além de estar um pimentão, esperando que fosse algo sobre o Emmett.
- Oi. – disse em um sussurro, assim que cheguei perto o suficiente para ser ouvida.
- Oi. –Respondeu. Todos na mesa me observavam com curiosidade.
- Emmett pediu para te entregar. – empurrou o meu celular para mim.
-Obrigada. – o peguei da mesa. Não pude deixar de reprimir um sorriso quando vi meu celular velhinho em contrate com todos os de ultima geração que estavam sobre a mesa. – Emmett... – comecei a perguntar, mas ele me cortou.
- Nossa mãe achou melhor ele ficar em casa... Apesar do médico da casa ter dado alta. – abriu aquele sorriso torto, e me vi sorrindo como boba. Felizmente eles podiam achar que era da superproteção de Esme. – Ele pediu para transmitir uma ordem a você. Quer que eu fale? – Apesar da expressão séria seu tom de voz era bem sugestivo para que eu tivesse medo, e eu sabia que de Emmett viria qualquer coisa, mas a curiosidade e a preocupação eram grandes demais. Balancei a cabeça confirmando, e já esperando me arrepender. Edward riu, mesmo parecendo a contragosto.
- Bom, você que escolheu. Eu meio que decorei. “ Bellinha, nem ouse levar essa bunda bulemica até sua casa, venha direto para a minha porque estou dódoi, precisando de cuidados, o que é o mesmo que você cozinhando para mim. Venha ser minha escrava. PS: Eu te amo”.
Atingi os mais altos níveis de vermelho enquanto todos riam.
- Ele não podia ter escrito em um papel? – Iria soca-lo mesmo que estivesse em fase terminal.
- Acredite, tentei o convencer a fazer isso, mas ele achou que assim seria mais legal. – Edward se divertia, mas ao menos parecia que não ia me insultar ou algo parecido.
- Eu acredito. É o Emmett. – Gemi de frustração. – Ele é o rei de fazer alguém passar vergonha.
Para minha surpresa o ruivo e todos seus amigos acenaram a cabeça concordado, o que até me fez sorrir um pouquinho.
- Obrigada. – Agradeci e depois me calei. A ultima vez que o agradeci na frente dos amigos não tinha sido uma boa experiência... Apesar da maioria dos que estavam aqui não estavam naquele dia. Ele parecia ter mudado de amigos.
- De nada. – sorriu me surpreendendo, o que me fez demorar segundos a mais do que deveria para virar as costas e ir embora.
- Vocês formam um casal divertido.
- O que? – minha voz saiu esganiçada. Ok, não era a primeira pessoa a sugerir isso, na verdade só Esme havia nos perguntado há muito tempo atrás. Mas eu não esperava que falassem assim do nada, e nem que fosse de Jacob Black, o moreno alto que eu nem sabia que tinha consciência que eu existia.
- Ah qual é, você são um casal. – Rosalie, que estava quieta desde que eu cheguei e única mulher sentada no meio dos meninos, afirmou, sem conseguir esconder seu interesse na conversa. Mas ninguém além de mim pareceu prestar atenção nisso. Todos me olhavam com curiosidade. Incluindo o ruivo.
- Não! – me apressei em negar. – Isso seria como... Isso seria muito estranho. É como se Alice se apaixonasse por ele.
- Eca, eles são irmãos. – um loiro, Jasper Hale, sentado ao lado de Rosalie disse.
- É, eca. – Alice acabava de chegar e fazia cara de nojo as minhas palavras.
- Exatamente: Eca. Seria como um incesto. – completei chateada.
- Desculpe... Não quis ser intrometida. – Rosalie pediu. – Só achei... – deixou a frase morrer e abriu um sorriso para mim, passando todas minhas suspeitas para o nível de certezas. Não deixei de sorrir também.
- Ele é meu melhor amigo. Meu único amigo. – Dei uma risadinha constrangida, o semblante de todos tinha mudado para algo com “testa enrugada” – Além do que, eu não faço o tipo dele. Ele prefere as loiras. – olhei para uma Rosalie radiante e com um singelo cumprimento me afastei, sai do refeitório e fui aproveitar o pouco sol que fazia na cidade em uma das mesas de piquenique.
Notas finais
Obrigada pelos comentários, ou a todas que leram a história.
Espero, sinceramente, que tenham gostado desse capítulo - e repito que estejam livres para comentar - é sempre bom (: - o que acharam, mas se sintam a vontade para só ler também.
Um bom final de semana.
Beijos.
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