Assassin's Creed: Slavery

4 "O Objeto" e o treinamento.


A noite chuvosa com um céu sem estrelas era a maior coisa que os dois Assassinos viam. Diego e Sebastian, apesar de não confiarem totalmente um no outro, já estabeleciam um grau de respeito, confiança e talvez um pouco de amizade. O capuz de Diego tornara-se pesado e ensopado. Já Sebastian estava com seus cabelos castanhos, longos e finos descobertos, deixando a água escorrer desde o cabelo até descerem por seu rosto e molhar seu elegante cavanhaque. Ambos estavam no topo de uma casa de três andares, olhando para tudo que estava a baixo deles. Diego foi tomado por uma curiosidade estranha. Tinha muitas perguntas, mas hesitava em perguntar, até certo momento.

– Sebastian... – Começou – Entendo que não apoie os meios de teu pai, mas... Por que concedeu a mim informações que o prejudicassem?

– Prejudicar? – Sebastian olhou para Diego, riu e depois voltou a olhar para a cidade – Isso na verdade foi um teste de confiança. Para ser sincero, Drummond e meu avô estavam traindo os templários para seus bens próprios. Ambos estavam há muito tempo agindo com estranheza e falsidade, tanto que o poder de ambos foi diminuído. Drummond já fora um dos mais poderosos templários, mas com o tempo seus atos de traição lhe custaram o poder. Fazendo aliança com meu avô, ambos pretendiam trair os templários, só não consigo entender o fato deles acharem que teriam poder suficiente para obter sucesso... De uma forma ou de outra, não levaria muito tempo até que meu pai e seus aliados contratassem um caçador de recompensas atrás deles.

– Então foi uma perda insignificante?

– Sim.

O olhar de Sebastian parecia inexpressivo, mas observando mais era possível ver seus olhos esmeraldas brilhando na noite, com as gotas da chuva passando por sobre seu rosto e escorrendo até pingarem de seu queixo até sua camisa social branca e seu colete preto de seda. Suas roupas eram as mesmas de quando se encontraram pela primeira vez. Os cabelos castanhos escuros eram tão elegantes quanto o resto das vestimentas. Seu rosto era de um grande galã. Diego era um rapaz de boa aparência, mas seu rosto fora marcado pelos anos de trabalho forçado no sol quente. Era mais musculoso que Sebastian. Diego nunca foi um menino fraco, sempre forte e decidido e sempre enfrentou seus medos; e também era mais impulsivo que Sebastian, este que era calmo como as águas. Apesar de tantas diferenças, ambos eram semelhantes em uma coisa: Ambos lutavam pelo que acreditavam ambos lutavam pela liberdade, ambos lutavam pela Ordem dos Assassinos.

– Está na hora de irmos. – Disse Diego descendo rapidamente da casa e indo ao esconderijo.

Sebastian nada disse. Por alguns instantes ficou ali, parado, olhando para o nada. Sentiu cada gota da chuva escorrer sobre seu rosto e suas vestimentas e então desceu ao chão. Começou a correr sobre o chão lamacento com passos largos e barulhentos até chegar à mansão Ducaste. Ao chegar molhado e com seus pés embarrados em casa, Sebastian passa pelos guardas e abre a grande porta de madeira com uma grande cruz esculpida nela, a “Cruz Vermelha”, o brasão dos templários. A grande porta de madeira abre lentamente após Sebastian girar a maçaneta. A porta rangia como se fosse um anúncio da chegada de um visitante. Logo de entrada tinha uma grande sala com elegantes sofás e ao centro da sala uma grande mesa de mármore, a mesa era preta com linhas vermelhas e no centro a grande cruz dos templários. Era mais do que óbvio que Henrique Ducaste era um homem que se dedicava de corpo e alma à ordem dos templários. A sala estava escura e vazia, mas ao subir as escadas (iguais as da casa de Drummond) pode ver seu pai pensativo olhando para diversas folhas em uma mesa, com também o que parecia ser uma mensagem escrita em uma folha do lado. O chão era tão limpo que tinha até mesmo o reflexo. O chão de mármore preto com linhas brancas era belíssimo, mas Sebastian o manchava com seus paços lamacentos.

– Pai! – Exclamou Sebastian – Tratei dos traidores!

– Interessante – Apesar de sua frase, Henrique nem sequer dera atenção às palavras do filho, estava ocupado demais observando os misteriosos símbolos nas folhas imensas que tinha em sua mesa; e Henrique vestia-se com uma grande roupa azul de seda por debaixo de uma capa rasgada cinzenta, que se parecia mais com um monte de trapos. Vestia também culotes brancos.

Sebastian dirigiu a ele um olhar de raiva e desgosto, e Henrique nem sequer reparou nisto também. Sebastian avançou a passos largos até a mesa e ficou lado a lado com seu pai e tentou olhar as folhas de papel que este olhava. Henrique apenas o empurrou com o ombro e fez Sebastian cambalear para o lado.

– Isto não é para ti! – Vociferou ao filho.

– Assim como tu eu jurei lealdade! Devias confiar em mim! – Retrucou Sebastian, mentindo.

– Existem assuntos que nem mesmo tu deverás saber – Dizendo isto, Henrique tomou uma postura ereta e ergueu o queixo e torceu a boca para o filho, em sinal de desaprovação.

– Será mesmo? – Então Sebastian ergueu-se e ajeitou as roupas – Será que os teus compatriotas templários sabem do que fazes com os negros?

Henrique, que já estava de costas para Sebastian, e olhando novamente para as várias folhas de papel, arregalou os olhos e olhou por cima do ombro.

– Não te atreverias a...

– Sim, me atreveria – Disse sorrindo ironicamente.

– Tolo! – Vociferou Henrique – Não percebes que puniriam a nós dois?!

– Nós não, eu jamais torturei os negros. E além do mais, eu é que contaria dos teus atos e quem sabe eu tomaria teu lugar – Pensando nas possibilidades de poder de planos que poderia saber. Sebastian não conseguiu conter o sorriso maligno que expressava seu desejo para espalhar planos e mais planos para os Assassinos.

Henrique manteve-se em silêncio e cheio de ira. Logo Henrique voltou a virar-se e olhar os planos templários em sua mesa, com o sangue quente de tanta raiva, apesar de caucasiano, sua pele agora estava vermelha de tanta raiva. Sebastian conseguiu ver alguns dos planos, mas Henrique os cobria em sua maioria. Era difícil de ver do que se tratavam. Henrique pegou a carta que estava em cima da mesa, dobrou-a e a levou ao quarto.

Logo a noite passa e amanhece, mas o céu ainda estava escuro e nublado. Acordando-se mais cedo que seu pai, Sebastian fora até o quarto dele, aonde fora guardada a carta. Procurando silenciosamente até encontrar em uma caixa dentro de um armário trancado (que graças ás lâminas-ocultas pode ser aberto), pegando a carta e lendo-a em silêncio, Sebastian leu cerca das três primeiras linhas, estas que diziam sobre alguma espécie de objeto que Henrique devia analisar; mas Henrique era esperto, sabia que Sebastian procuraria a carta e a rasgou em duas, provavelmente guardando a outra metade em algum lugar. Sebastian não tinha tempo para procurar. Voltou agachado e silencioso com os pés descalços para o seu próprio quarto, aonde trocou as vestes de dormir por culotes negros, botas marrons escuras e por cima de uma camisa social branca pôs seu sobretudo escuro. Logo depois, prendeu seus longos e castanhos cabelos atrás da cabeça, formando um “rabo-de-cavalo”. Com as mãos ajeitou o cavanhaque e pôs um chapéu escuro que causava sombras ao rosto. Saiu do quarto, desceu as grandes escadas, abriu a pesada porta. Seis da manhã. Cidade inteira silenciosa. Andando a passos largos pela cidade, olhando a luz do Sol ser ofuscada pelas nuvens carregadas de chuva. O chão, ainda úmido da chuva, causava um som baixinho. Correu pela cidade, escalando casas baixas e altas, saltando de casa em casa. Chegou naquele beco, o beco cercado por quatro grandes casas abandonadas. O alçapão coberto por algumas plantas e terra ocultava Diego e Douglas, mas Sebastian não tentou entrar. Ficou por cima de uma alta casa abandonada que encobria o beco e esperou... Esperou... Esperou. Três horas de espera. Uma chuva suave caia, e a paciência para esperar se acabara. Sebastian pisa com força no alçapão. Depois de alguns segundos de silêncio, Diego saltou para fora do Alçapão com as lâminas prontas.

– Tu? – Perguntou Diego irritado e surpreso.

– Sim. Tenho novidades a contar.

– Diga – Diego então recolheu suas lâminas e tomou uma postura comum.

– Meu pai estava analisando várias folhas de papel grandes com provavelmente planos – Começou – Junto destas folhas, uma carta. Algum dos templários lhe enviou. Provavelmente o grão-mestre. A carta falava sobre algum “objeto”... Não consegui mais informações que isto.

Objeto? – Exclamou Diego de volta – Talvez eu deva... Talvez devamos perguntar ao Mestre sobre isto!

– Mestre? – Sebastian parecia surpreso.

– Sim! Venha.

Diego logo abriu o alçapão e os dois desceram a estreita escada de madeira. Ao chegarem ao pé da escada, Douglas estava lá, com pistola apontando para Sebastian.

– Por que ele nos aponta uma arma? – Perguntou Sebastian.

– Medidas de segurança. Nunca se sabe quando quem entra é um aliado ou inimigo – Respondeu Diego.

– Quem é este?! – Perguntou Douglas ainda de pistola erguida.

– Um aliado, pai.

Douglas dirigiu um olhar severo a Sebastian, mas ainda assim baixou e guardou a pistola.

– O que querem? – Perguntou Douglas.

– Eu tenho acesso aos planos templários e estão falando sobre alguma espécie de Objeto... – Disse Sebastian.

– Que tipo de objeto? – Perguntou Douglas.

– Provavelmente de grande poder, e que se cair nas mãos templárias poderia acabar com nossa Ordem... Pelo menos, é o que suspeito – Exclamou Sebastian.

Eis que na sala, todos estremeceram.

– Precisamos de mais informações! – Disse Douglas.

– Tratarei de consegui-las, Mestre! Mas por hora, creio que todos nós teremos de fazer nossa parte nesta investigação – Disse Sebastian, que olhou para todos que estavam no esconderijo.

– O que queres dizer? – Perguntou Diego expressando suas duvidas.

Sebastian dirigiu um olhar sério para ele.

– Nós três teremos de descobrir o que é – Começou Sebastian, fazendo gestos com as mãos – Nenhum de nós poderá fazê-lo sozinho. Tu, Mestre, deves ter conhecimento do que isto possa ser! Eu e Diego ajudaremos a obter mais informações!

– Então, nós o faremos! Juntos, como um Credo! – Exclamou Diego.

– Mas antes – interveio Douglas –, receio que necessitaram treinamento, caso sejam descobertos em suas missões.

– Posso garantir-me de que sei me proteger – Exclamou Sebastian.

Diego manteve-se calado.

– Começaremos teu treinamento amanhã, Diego – Disse Douglas indo até Diego e apoiando a mão no ombro deste.

– E eu terei o prazer de ajudar a treinar-te – Riu Sebastian, apoiando sua mão no outro ombro de Diego.

No dia seguinte, Douglas, Diego e Sebastian estavam reunidos no beco (que parecia mais um grande quadrado com grama e terra cercado por grandes casas abandonadas) para o treinamento de Diego. Douglas joga um pequeno bastão semelhante a uma espada para Diego e pega uma para si próprio.

– Vamos treinar seu combate, rapaz! – Disse Douglas tomando a posição de luta.

Diego assentiu e se preparou. Douglas o atacou com um golpe lateral com intenção de acertar suas costelas e Diego salta para trás, fazendo o golpe passar no nada. Logo Diego ataca de cima para baixo, mas desajeitadamente, fazendo o pequeno bastão ir ao chão e quase quebrar com o impacto. Logo Douglas com outro golpe lateral acerta contra o rosto de Diego, este que recua e balança a cabeça para se recuperar. Diego e Douglas começam a andar em circulo, se analisando... Plack! Foi o som dos dois bastões quando estes se encontraram. Diego empurrou o pai quando este estava dando passos para trás, mas ao levar o empurrão ele cambaleia para trás e Diego corre para cima dele. Com o bastão sendo segurado por ambas as mãos, Diego ataca lateralmente com tanta força que seu braço parecia soltar-se de seu corpo, mas errara o golpe pois Douglas era mais rápido, e logo Douglas lhe desarmou e lhe derrubou. Totalmente vulnerável no chão, Diego fica estático, então Douglas põe o bastão sobre sua garganta.

– Teus inimigos farão coisas piores se não souberes lutar! – Sua voz foi áspera, mas depois, ele riu.

Depois de Diego se levantar, Sebastian, que estava em cima de uma das grandes casas abandonadas, sorriu para Diego.

– Agora, é hora de uma perseguição! – Logo Sebastian virou-se e saltou de uma casa para outra, enquanto Diego corria pelo chão até conseguir uma escalada rápida.

Quando Diego corria, pôs o capuz e andou entre as pessoas fora do beco, correndo pela rua enquanto Sebastian corria pelos telhados. Quando Diego encontrou um “elevador”, um conjunto de tábuas de madeira com uma grande corda presa ao chão e que erguia um pedaço grande e pesado de madeira. Cortando a corda bem embaixo e depois a segurando, Diego acabou por subir até o topo muito rápido. Logo correu atrás de Sebastian, mas este sumira. Use seus instintos, disse Sebastian, Use todos os seus sentidos. Diego olhou para todos os lados, mas nada viu, então fechou os olhos e quando os abriu, sentiu-se diferente. Era como se não enxergasse simplesmente com os olhos, era como se através do olfato, audição e tato também pudesse enxergar. Talvez estivesse usando mesmo seus sentidos, e então, conseguiu sentir a presença de Sebastian, que estava escondido em um monte de palha na casa ao lado. Diego foi até ele e o tirou de lá. Ambos riram como bons amigos e depois voltaram para o esconderijo. Diego não sossegou até aprender a duelar. Ao chegar ele pediu ao seu pai que o treinasse e assim ele o fez. Treinaram por horas e horas até anoitecer. Douglas, na ultima vez, desarmou Diego e estava pronto para pôr o bastão sobre sua garganta.

– Nunca se deixe desarmar! – Vociferou Douglas.

Diego gritou de tanta ira e liberou suas lâminas-ocultas, desviou o bastão com uma delas e a outra encostou ao pescoço de Douglas.

– Um Assassino jamais esta desarmado! – Vociferou em resposta.

Diego, ao ver seu triunfo no treinamento, sentiu-se feliz e realizado. Logo depois, Douglas e Diego estavam cansados, suados e malcheirosos. Ao entrarem no esconderijo, tendo de aguentar o cheiro, os três Assassinos se reuniram. Douglas como sempre ficou atrás de sua escrivaninha cheia de livros e manuscritos, enquanto Sebastian e Diego ficaram do outro lado da escrivaninha de frente para ele. Estavam conversando sobre o poder do objeto. Sebastian acreditava que poderia destruir os templários, ou... Os Assassinos! Douglas pareceu estremecer, e então, com olhar de medo se perguntou.

Seria este o reerguimento ou o fim da Irmandade Brasileira?

Notas finais
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