Assassin's Creed: Slavery
1 Introdução.
ABRIL, 1855. ÁFRICA.
Portugueses estavam levando africanos de suas colônias para o Brasil, a fim de vendê-los a um bom preço. Em uma cabana escura e pequena, um menino estava escondido. Este que futuramente se chamaria Diego Alcastre, um futuro assassino, um futuro mestre.
Na cabana escura o menino, de apenas dez anos, conseguia enxergar seu pai vestindo trajes que Diego nunca havia visto. Era semelhante a um sobretudo de um tom marrom claro que ia até seus joelhos. Usava uma calça comum e branca, com botas pretas nos pés. Em ambos os antebraços se encontravam ataduras por cima de suas lâminas-ocultas; mas Diego não entendia que aqueles eram trajes de um Assassino. Seu pai tinha olhos de preocupação e nervosismo, enquanto falava com um homem de trajes semelhantes, mas os trajes deste eram brancos. Diego não conseguira ouvir o que diziam. A conversa dos Assassinos é interrompida quando a porta de madeira da cabana recebe pancadas fortes. A cabana inteira era feita de madeira, não resistiria por muito tempo. Ambos apoiam-se contra a porta para tentar impedir que ela se abra, mas não foi o suficiente. Com um estrondo a porta cai e ambos os Assassinos acabam dando passos para trás, mas logo se recompõem e Diego vê as lâminas-ocultas de ambos ser liberada por debaixo de seus pulsos, e com destreza e graciosidade eles as usam. O Assassino com trajes brancos era muito forte, quando os dois primeiros homens tentaram leva-los ao navio negreiro para irem ao Brasil, ambos foram golpeados pelo Assassino, que enfiou cada uma de suas lâminas-ocultas no peito de cada um deles e os ergueu, e depois os jogou ao chão. O pai de Diego era mais rápido e com um movimento rápido cortou a garganta do terceiro homem que tentara entrar para leva-los. Diego, sendo uma criança, ficou horrorizado ao ver o sangue escorrer do pescoço do homem e cobriu rapidamente os olhos. Só conseguia ouvir o som de espadas dos soldados contra as lâminas dos Assassinos.
Os soldados não eram de grande estatura e vestiam-se com as cores do exército português da época. A maioria com chapéus marrons sobre a cabeça. Diego consegue ouvir um tiro sendo disparado, e logo depois, um grito. Acertaram seu pai. Diego abriu os olhos e correu para o pai, sem se dar conta que os inimigos ainda estavam ali.
– Filho, não! – Disse o Assassino, estendendo a mão ao menino fazendo um gesto para que ele parasse.
Os homens, por sorte, não entenderam o que o pai de Diego havia dito, por consequência, não sabiam que eles eram pai e filho. Por maldade, os homens levaram o menino também para que fizesse trabalhos forçados. Após a viagem no navio, com péssimas condições, tanto Diego quanto Douglas chegam com vida ao Brasil. Douglas foi vendido a um preço alto, pois tinha um bom porte físico. Diego, porém, não fora vendido, na verdade nem poderia ser vendido. O soldado que o trouxera ao Brasil o tomou como um escravo, fazendo o pequeno menino fazer trabalhos pesados para sua idade e o chicoteando ao final do dia, caso desobedecesse. Durante anos seu pai tentou fugir, e levou seis anos para que obtivesse sucesso. Quando obteve, levou mais um ano rastreando seu filho, e quando o encontrou, fez o homem que o aprisionou pagar com sua vida. Depois de libertá-lo, ele o treinou nas artes assassinas e lhe ensinou técnicas de defesa. Ambos mudaram seus nomes para nomes brasileiros e buscaram aprender a falar português.
MAIO, 1863. BRASIL.
Andando por sobre telhados com saltos rápidos, sentindo o vento suave tocar seu rosto enquanto pula de telhado em telhado, enquanto escala casa por casa. Diego Alcastre, agora com dezoito anos de idade. Era forte e rápido, um assassino habilidoso, mesmo com apenas um ano de treinamento. Seu pai, Douglas, era seu Mestre. No Brasil, a Ordem dos Assassinos havia se tornado fraca e quase insignificante, tendo poucos membros espalhados pelo país. Silencioso e rápido pensou Diego. Perigoso e temível pensou e logo depois deu um grande salto ao chão, correndo e empurrando pessoas no caminho. Peguem-no! Peguem o negro! Conseguiu ouvir alguém gritando atrás dele. Era um dos soldados que o encontrara e o perseguia junto de outros dois homens. Diego logo faz uma curva brusca durante sua corrida, mudando rapidamente de direção e entrando em um beco, e logo atrás dele vinham os três homens. Ao entrarem no beco, eles tentam encurrala-lo contra uma parede, eis que Diego sente o mecanismo em seu antebraço e libera ambas de suas lâminas-ocultas. Um dos soldados o ataca com uma espada, mas Diego desvia dando um salto para o lado e chutando o homem na barriga. Os outros dois homens tentaram ataca-lo de uma vez só, ambos com espadas, mas Diego desvia o golpe do homem usando sua lâmina e a espada de um deles acaba cortando seu compatriota, que grita ao receber o corte próximo do abdômen. Depois, Diego enfia sua lâmina no peito de um, e em seguida no peito do segundo homem e usa o corpo deste para se apoiar e girar no ar batendo com ambas as pernas contra o rosto do terceiro soldado, que cai no chão. Para finaliza-lo, Diego enfia sua lâmina-oculta na garganta do homem caído.
Logo volta a correr, mais depressa e um pouco ofegante. Escalou uma casa de dois andares e ao chegar ao telhado conseguia ver um pouco da cidade. Conseguiu ver negros serem vendidos, mendigos roubando frutas de comerciantes, mulheres e homens murmurando em pequenos grupos e pequenas crianças rindo ao longe. Olhando novamente para os negros serem vendidos, Diego dirige um olhar de ira aos homens que os vendiam.
– Libertar-vos-ei algum dia meus irmãos! – Jurou.
Diego estava vestindo um traje assassino de mangas rasgadas, deixando seus braços completamente á amostra. Seu traje era branco e seu capuz tinha um “Bico-de-Águia”, e nele, o símbolo da Ordem dos Assassinos. Sua calça era branca e em sua cintura tinha uma grande faixa vermelha e um cinto, este que continha uma corda-gancho, algumas bombas de fumaça e algumas facas de arremesso. Usava botas escuras que criavam um contraste com sua roupa clara, mas as botas abafavam o som quando Diego caminhava, e isto auxiliava em suas missões. Saltando para o chão e correndo de cabeça baixa para ocultar seu rosto, Diego tenta encontrar o esconderijo aonde vivia com seu pai. Ao entrar novamente em um beco aonde poucos iam, Diego abriu um alçapão e entrou nele, e logo após isto, o fechou. Ao entrar, ele desce algumas escadas e vê a luz das velas do esconderijo. Quando chega ao esconderijo, Diego é surpreendido por seu pai que estava escondido; então Douglas o puxa pelas costas e o aperta forte no pescoço, e depois encosta sua lâmina-oculta contra o pescoço de Diego.
– Nunca baixe a guarda! – Disse Douglas ao filho.
– Não baixei! – Retrucou Diego.
Douglas nem sequer havia notado, mas Diego havia tirado uma espada presa ao cinto de Douglas e a posicionou perfeitamente sobre seu estomago, pronta para perfura-lo. Douglas o larga e ambos dirigem sorrisos amistosos um ao outro.
– Esta cada vez melhor! – Disse Douglas ao filho.
– Claro! Tu és quem me ensinas! – Então ambos sorriem novamente – Tens alguma nova missão para mim? – Continuou Diego.
– Tenho, um templário português tem torturado escravos sem necessidade, fazendo-os sofrer excessivamente. Mate-o.
– Eu o farei! – Respondeu Diego, com uma imensa ira ao ouvir aquilo.
– Mas por enquanto – Continuou seu pai -, você ira necessitar de energia.
Ambos andaram por um corredor do porão, e de cada lado tinha uma tocha que iluminava o esconderijo. Ao fim do corredor estreito e pequeno, encontrava-se uma mesa cheia de livros e manuscritos aonde Douglas estudava. Na parede, havia retratos dos principais templários, e os que jaziam mortos estavam pintados de vermelho. Eram cerca de oito grandes templários remanescentes, e Diego pretendia acabar com todos, um a um e por fim aos templários que tanto odiava. O desejo insano deles por controle enojava Diego ao ponto deste nem em seus pensamentos mais sombrios desejar se tornar um templário. Diego sabia o que era certo, ele acreditava que os Assassinos estavam certos, ele acreditava na liberdade e na Paz através desta. Paz em todas as coisas. Nada é verdade, tudo é permitido.
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