Assassin's Creed: Other Side
9 Defendendo os Principios
Se tive que me preparar psicologicamente antes de tudo, receio que não era necessário, afinal de contas, quando tudo que precisava era matar alguém, eu peco em dizer que ja havia o feito antes e não temia em fazer novamente . Se o mestre Kenway fora bem reticente, a principio, em me propor tal pedido, então não precisei hesitar tanto antes de dizer sim. Talvez ele ainda me visse como aquele garotinho que treinou; que tombava com o simples peso da espada.
Jonathan Crowley, um escravista, ex-casaca vermelha e antigo oficial das forças britânicas, segundo ele, estava encarregado pessoalmente de liderar um comboio de prisioneiros – em sua maioria, nativos Kanieká;há;ka. Meu teste final, devo dizer, parecia ser uma verdadeira chance de pôr em pratica tudo que aprendi nos últimos anos. Tudo que deveria fazer era impedir o transporte dando um fim em Crowley e, acima de tudo, me assegurando de libertar os cativos. Ah, mas eu assim o faria com todo prazer. Não apenas por ter sido encarregado de tal missão, mas pelo mero fato de homens daquela estirpe me enojarem profundamente. E acho que, que dado o tom na voz do senhor Kenway ao mencionar o homem, partilhamos da mesma repulsa.
Mais tarde, senti o frio fronteiriço me abraçar quando pus-me a galopar por aquelas terras, apenas minha espada, lâmina e revólver em mãos. Aquilo era tudo que precisava, mesmo que com a probabilidade de enfrentar vários oponentes de uma vez. Ainda assim, sentia que meus talentos ainda eram deveras limitados. Quem sabe, algum outro dia, eu descobriria a aprender alguma coisa nova a não ser perfurar coisas?
Até mesmo minha movimentação ainda era limitada a casas e prédios de Boston. Quando questionei na possibilidade de percorrer as árvores — o que poderia vir a ser de grande ajuda — sinto que deixei Mestre Kenway sem resposta. Claro, uma vez ele mesmo mencionou que tentou aprender com uma nativa conhecida, mas nunca tivera a chance de aprender completamente.
Repentinamente, tirando-me de meus devaneios, ouvi sussurros de algumas vozes desconhecidas. Desci do cavalo e pus-me a segui-las pelas moitas, evitando ser detectado. Eram dois mercenários, percebi, cavalgando por aquelas estradas que levavam à Nova York.
— Hmm... Se eu fosses tu, não ousaria fofocar assim do homem. Soube que ele é tão ruim quanto aquele maluco do Tatcher...
O outro riu. – Deixe de besteira, John. Homens como Jonathan Crowley banham em dinheiro por meios nada convencionais, é fato, mas não é como se ele tivesse ouvidos por toda parte, homem. Ainda assim, pensou na oportunidade que temos em mãos? Um simples contrato agora, enchemos os bolsos e podemos continuar trabalhando para o Crowley.
— Tudo pelo dinheiro, hein, Noah? Cristo, meu amigo! Preferes se arriscar tanto e servir a um homem daqueles por um saco pesado de dinheiro quando tens a chance de cair morto no chão ou algo pior que aquele crápula é capaz de fazer? Não contes comigo com isso. Agora vamos nos apressar, ou é bem capaz de recebermos uma bronca daquelas por nos atrasarmos.
— Certo, certo – o outro bufou, virando o rosto – Que covardia, John. Crowley é deveras horrível, isso todos sabem, mas não tanto quanto Silas Tatcher era!
Um nome familiar surgiu em meus ouvidos. Silas Tatcher, um notável vendedor de escravos, assim como Crowley, pelo que soube. Decerto, Jonathan devia ser do mesmo circulo de Tatcher, ambos serviam as forças britânicas. Ambos tinham os mesmos gostos desumanos.
Não só isso, mas chegara aos meus conhecimentos de que o próprio Tatcher fora morto, ainda por cima, a mando do Mestre Kenway em seu forte. Algo que, aos olhos de Tatcher, imagino ter visto sua própria execução como deveras humilhante. Por ora, tudo que tinha em mãos era um nome: faltava-me um local, um ponto de inicio, algo o qual senti que podia extrair daqueles dois.
Silenciosamente, deixei as folhagens e puxei ao chão um dos mercenários, fazendo o outro sobressaltar-se com a cena. Muito embora não tinha como intuito algum deixar meus rastros arruinarem meus planos, odiava ter de recorrer a assassinato.
Mas aqueles dois não me pareciam inocentes. Sem demora, estourei o cranio de um com um disparo, que caiu duro no chão.
John me olhou assustado, os olhos vidrados.
— Entao, meu caro — disse, o prensando contra uma arvore – Soube, então, que estás a serviço de Jonathan Crowley. Onde e quando a proxima leva de escravos será transportada? Eu lhe dou minha palavra que o deixo respirando ao fim de nossa conversa.
Ele cuspiu em meu rosto, como já esperava. É claro que não acreditaria em minhas palavras logo após ver o amigo alvejado em sua frente.
— Eu devo acreditar nisso? – ele disse, descrente – Tu acabaste de matar Noah sem piedade alguma e agora me vens com essa conversa!
— Não seja covarde. Eu fiz isso porque ele decerto, arruinaria meus planos. Já você, “Johnnie”, eu sinto que posso confiar. Não posso, meu amigo? Ora, não fora voce mesmo que disse não se importar nem um pouco com o escravista?
Aproximei minha lamina oculta, fazendo-o engasgar.
— Tudo bem, tudo bem... É o seguinte: Crowley pretende levar hoje a tarde, seu comboio de selvagens até a fronteira de Nova York...
— Só isso? E de lá para onde? – ameacei, cerrando os dentes – Fale mais, John. Sinto que não me contou tudo ainda.
— Err – ele pigarreou, os olhos arregalados com a visão da lâmina — De lá, outros grupo serão encarregados de transporta-los até Nova Orleans. Err, em Nova Orleans, os prisioneiros serão postos à venda para alguns bastardos riquinhos, com certeza... Soube que o negócio de escravos é bem lucrativo naquele lugar. Isso- Isso é tudo que eu sei, eu juro!
Soltei-o, deixando o homem respirar novamente. Ele afastou-se aos gritos, subindo desajeitadamente em seu cavalo e galopando o mais distante possível do corpo espatifado do antigo amigo. Tomei as rédeas da minha egua em mãos e decidi deixar o vento cortante da Fronteira para trás, tomando como meu próximo destino a cidade de Nova York.
No caminho, tentava planejar uma maneira de como atacaria Crowley devidamente – mas com a certeza de que independente de tudo, daria ao homem um fim em sua vida ainda naquele dia, se quisesse tornar aquelas terras, meu lar, cada vez mais livres de tiranos como ele.
II
Em todo meu aprendizado, devo dizer, acredito que a lição mais valiosa que aprendi partia não de uma ação, mas de uma simples frase. “Quando sua lamina não for suficiente, então use de seu cérebro. A mente é a maior arma a qual podemos confiar e o melhor de tudo, ninguém pode tira-la de você”. E disso eu tinha cada vez mais certeza.
Naquela tarde, mais do que nunca, eu teria de fazer jus ao que aprendi. E o efeito surpresa seria minha melhor opção não só se quisesse evitar acabar morto em meio a uma estrada qualquer, mas também como era minha prioridade evitar que os cativos fossem pegos em meio ao conflito.
Minhas divagações logo foram interrompidas quando avistei o tal comboio, bem longe na estrada. As densas florestas de Nova York, como descobri, foram perfeitas para me manter a espreita nas folhagens.
Então o avistei ao longe, a conduzir a carroça.
— Não se preocupem, meus caros – debochava Jonathan Crowley, enquanto fitava os nativos encarcerados – Logo estarão livres das minhas mãos. Embora – ele riu outra vez – Não posso prometer nem um pouco que seus futuros proprietários serão tão bonzinhos quanto eu.
Tive de segurar o impulso de saltar do esconderijo e mata-lo ali mesmo, confesso. Notei os olhares perdidos e confusos dos nativos – em sua maioria, aparentemente Mohawk. Se eles precisassem lutar para fugir, o que eu descartava o mero pensamento, então sem duvida Crowley e seus homens seriam massacrados, mesmo com os nativos totalmente desarmados. Era claro que o frio torturante do inverno e as olheiras destacadas nos rostos dos mercenários eram meus aliados. De fato, aqueles homens mal aguentavam ficar de pé, quanto menos teriam o fôlego para reagir a uma emboscada, mesmo que uma emboscada de apenas um homem.
E, decerto, estavam distraídos demais para notar o discreto barril de pólvora que escondi em meio a neve que cobria a estrada.
Saquei meu revolver em meio a folhagem, e subitamente, disparei. A explosão logo assustou os cavalos assustados, deixando a carroça fora de controle.
Aproveitei o caos da cena, e com um salto, ejetei minha lamina oculta, mergulhando-a no pescoço do primeiro alvo. Enquanto levantava, retirando a lamina banhada de sangue, um urro de ódio me indicou o próximo inimigo, atrás de mim, e com minha espada, aparei facilmente o seu golpe, entrando em guarda com a rapieira na mão e a lamina oculta na outra.
Metal chocava-se contra metal, em uma sucessão de golpes vindos de ambos os lados. Como imaginava, olhando de soslaio em meio ao duelo, se não nocauteados com a explosão, os homens de Crowley deviam ter corrido o mais rapido possivel com o ataque. Ri com o fato de que eles decerto, não arriscariam os pescoços pela vida de homens como Crowley. Nem mesmo Crowley, na verdade, enxergava por ali.
— Argh, seu filho de uma puta... – um mercenário murmurou, esbaforido, atrás de mim, ao sacar um revolver.
Me esquivei, rapidamente, do golpe do espadachim a minha frente, e puxando-o pelo colarinho, usei seu corpo como escudo contra o disparo. Joguei o corpo do homem ao chão e, agarrando o atirador, perfurei seu pescoço, sentindo sua vida esvair em meus braços.
Suspirei aliviado. Não haviam mas inimigo algum, ao sondar os arredores com sentidos. O rastro de suas pegadas na neve adentravam a floresta.
Logo, alguns poucos metros dali, avistei Crowley cambaleando. Quando virou-se, ele arregalou os olhos, assustado.
— Afaste-se, seu merdinha... o que queres, hein? Dinheiro? O-os escravos? Ah, voce os quer para ti, hein? Pois bem, fique com eles. Eu posso conseguir mais de onde aqueles vieram!
Levantei-o pelo colarinho, e com um leve movimento, saltei a lamina oculta perto de seu pescoço. Ele engasgou.
— Err... Vai me matar? Por que? Que acusação tens contra mim?
— Jonathan Crowley – comecei, deslizando os olhos dele até os nativos presos – Tu és condenado à morte por pratica de escravismo. Por teu serviço à nosso “amado rei George” no passado, o qual não devo lembra-lo, agora toma injustamente estas terras, e outros crimes, meu amigo, incluindo roubos e assassinatos. O que tens a dizer em tua defesa?
Ele riu, descrente.
— Escravidão? Falas serio? Me julgas então, por tirar aqueles pobres coitados que vivem na lama dia após dia e priva-me de entrega-los a quem decerto, irá lhes fazer melhor uso do que os colonos, que apenas os discriminam, matam e destroem suas terras?
Me irritei com aquelas palavras, confesso. Como ele acreditava, acima de tudo, que fazia o bem? Que prende-los e leva-los como nada menos do que mercadoria e priva-los de liberdade era algo justo? Creio que o sangue descendo de seu pescoço sob minha lamina o mostrou como me sentia.
— Como ousas falar de escravidão e afirma fazer o certo com isso? – cerrei os dentes — Isso não é justo. Coloque-se no lugar deles, seu verme
Ele rolou os olhos.
— Falas de justiça? Falas serio? Em que mundo achas que vivemos, meu jovem? Bem vejo que tua idade denuncia tua inocência – Crowley riu, olhando-me dos pés a cabeça – Tudo bem. Deixe eles livres, e logo voltam para suas vilas, seus povos. Só para se descobrirem sendo dizimados e atacados em seus próprios lares por aqueles que se dizem os donos desta terra. E então o que? É isso que queres? Senão os colonos, esses nativos terão seu fim nas mãos da Coroa. Olhe para as coisas como elas realmente são.
— Deixe que vivam. Livres – salientei – que direito achas que possui de decidir o destino de suas vidas? O povo lutará por seu direito. E se assim desejarem, os nativos também. E sabe por que? Por que se as pessoas desejam ser livres, elas lutarão por isso.
Crowley ergueu as mãos, em rendição.
— Faça como quiser, menino. – ele disse, sorridente – Cedo ou tarde, verá que não restará nenhuma dessas coisas do que ousas chamar de liberdade, muito menos tua justiça idealizada.
— Tu podes acreditar nessas palavras, mas isso não as tornam verdades absolutas, Crowley – sussurrei, em asco, encerrando sua vida na ponta da minha lamina oculta.
Ao lembrar dos nativos, logo deixei Crowley para trás e me apressei em liberta-los. Para minha frustração, alguns pareciam me observar em misto de espanto e curiosidade, até mesmo medo em seus olhos. Queria que soubessem que estava ali para ajuda-los, muito embora já deviam ter presenciado os mercenários e o próprio Crowley caírem sob minha lamina. Na verdade, ver tais cenas deve apenas te-los assustado ainda mais
Para meu alivio, um nativo aproximou-se de mim, tocando em meu ombro. Um nativo Mohawk, o rosto coberto de sardas me encarando.
— Veio nos ajudar homem branco?. – ele disse desconfiado.
— Não precisa me agradecer – assegurei, o que notei tê-lo irritado – E também não precisam ter medo de mim, eu garanto. Vim aqui para liberta-los e ajuda-los em nome de Sir William Johnson – anunciei, como o Mestre Kenway me recomendara, na esperança de me fazer ganhar a breve confiança daqueles nativos. Como logo descobri, alguns pareciam conhecer o homem, dados os rostos aliviados em ouvir aquele nome.
— E o outro homem branco mau? — questionou, novamente, olhando com desconfiança para mim.
— Não se preocupem. Eu já lidei com ele. Estão livres para retornar a suas famílias. Vamos, acredito que devem vir de Kanie:ka:haka, certo?
Em alguns minutos, tomei as rédeas dos cavalos, nos liderando de volta à Boston. A escuridão nos abraçou quando avistamos, ao longe, as arvores da Fronteira. Embora algumas horas duraram durante o trajeto de volta, o silencio de desconfiança era o mais frustrante.
Não os culpava. Claro que não era a primeira vez que eles sofriam nas mãos dos colonos, e algo me dizia que aquele tratamento estava longe de acabar.Para meu alívio , eu parecia ter fugido a regra, quando notei o Mohawk sentar a meu lado.
— Por que fez isso? O que ganha ao nos ajudar?
— Eu só fiz o que era certo. Não sou o inimigo aqui. Existem pessoas boas, pessoas que querem ajudar seu povo. Pena que nem todos tem a mesma bondade, por isso deves ter mais cuidado. — chicoteei os cavalos, apressando o comboio. A neve começava a cair mais forte naquela região, e tencionava alcançar Boston o mais rapido possivel. — O que fazias para ser capturado? Acaso andava pela cidade grande?
— Não me trate como crianca, cara pálida — ele reclamou, braços cruzados – Estava caçando com minha irmã na floresta quando acabei me afastando. Foi quando aqueles homens me surpreenderam. Quando acordei, estava preso, mas alguns ficaram para trás pelo que notei. Acho que minha irmã matou alguns tentando me ajudar.
Não segurei um sorriso de canto.
— Entendo… Olha , sua irmã parece ser bem mais — pigarriei, formulando minhas palavras antes que ele decidisse lançar uma machadinha em meu pescoço — independente que você, pelo visto.
Ele bufou. — Ela teve sorte, só isso. Além disso, não perderei mais tempo aqui, com suas brincadeirinhas. Tenho de voltar para casa logo. Eu direi o que aconteceu à Mãe do clã, e aos outros. Não gosto de admitir, mas por hoje, temos uma dívida contigo, homem branco.
— Remy – disse, apertando sua mão. Ao que percebi, ele não parecia conhecer tal gesto, pois a encarou confuso antes de estender a sua própria – Espero que nos encontremos outra vez. Err..?
— Kaariwa:se – ele retrucou. Eu evitei até de falar seu nome, na tentativa de não massacra-lo. Sempre achei esses nomes nativos deveras complicados de pronunciar. – E embora não confie totalmente em você, acho que devo agradecê-lo. Não é todo dia que um de vocês arrisca a vida para nos ajudar, mesmo que de modo tão descuidado como fez lá atras. Eu... me lembrarei disso, Remy — ele enfatizou.
— Espero que sim. Cuidado ao andar sozinho, nem sempre tua irmã estará perto para te salvar — debochei, fazendo-o bufar enquanto descia da carroça.
Quando sumiram na escuridão da floresta, voltei meus olhos a estrada a frente, com um bocejo. Tudo que mais desejava agora era encerrar o dia e ter um bom descanso. Minha missão estava completa. Tudo que me restava agora era a satisfação no rosto do Mestre Kenway ao informa-lo daquilo.
III
Boston — 08 de Janeiro de 1769
Não pude imaginar que seria chamado tão cedo pelo Mestre Kenway naquela manhã. Ouso dizer até mesmo que pouco consegui esconder de minha ânsia ao deduzir do que, decerto, me aguardava naquele dia.
Os olhos expectantes voltaram-se a mim quando adentrei a velha taberna do Green Dragon, ao lado de Haytham Kenway. O que já esperava, confesso, era o aparente descaso que aqueles homens pareciam nutrir com minha pessoa.
Thomas Hickey, como poucas vezes era visto sóbrio, pouco me notou, preferindo dar atenção a senhorita em um de seus braços e a cerveja na outra mão. Ao seu lado, Charles Lee e William Johnson, aparentemente os únicos, de fato, cientes da presença do mestre Kenway por ali, puseram-se de pé, solenemente. Pitcairn, assim como Hickey, não parecia nem um pouco sóbrio, mas manteve a postura, assim como Benjamin Church.
De braços cruzados, Haytham foi o primeiro falar:
— Cavalheiros, todos aqui devem lembrar-se de Remy, ao meu lado. Há alguns anos, ele vem preparando-se para a nossa causa, para nosso circulo. E devo dizer, dedicou-se completamente aos nossos interesses.
Hickey deu uma risadinha, claramente em deboche.
— Bem mais – Haytham continuou, fitando Thomas – do que alguns de nós, devo acrescentar. Então, como lhes informei, deixei Remy – ele gesticulou para que me aproximasse – encarregado de Jonathan Crowley. Ele assim o fez, e não só isso, como encarregou-se de libertar todos os nativos em segurança. Como bem sabíamos, os atos de Crowley eram de extremo incomodo para nossas relações com os nativos. Sir Johnson?
Johnson assentiu, tomando a palavra.
— De fato. Desde Silas Tatcher, receio em dizer que nossa situação com os Kanien’kehá: ka foram estremecidas, e para eles, nos tornamos sinônimos de ingleses – ele suspirou, aliviado – Talvez, com a libertação desses cativos e a queda de Crowley, as coisas se resolvam, e eles não nos vejam mais como seus inimigos.
Haytham concordou, pigarreando para que todos ficassem de pé. Entao, voltou-se para mim.
— Acredito que já é então, chegada a hora de darmos as boas vindas ao nosso companheiro. Ele mostrou-se, sem duvidas, um discípulo leal e dedicado desde o inicio. Sinto que devemos compartilhar de nosso conhecimento, e os benefícios de que isso implica. – lentamente, ele sondou todos ali – Alguém opõe-se a isso?
Ninguém pronunciou-se. Admito na verdade, que esperava algo vindo de Hickey, sem duvida. Hickey, em sua eterna presença bêbada, a mais provável de levantar a mão naquela situação, dado o que sempre percebi trazer desgosto em seu rosto quando me encarava. Sempre a me chamar por “pirralho” ou “metido”, ou ambas as coisas, para minha irritação, quando passei a demonstrar interesse em estar entre eles.
Se não por Hickey, esperei algo assim até mesmo de Charles, com sua presença bajuladora em relação ao Mestre Kenway. Sempre percebi ser, na verdade, mera inveja – ouso dizer, até mesmo ciúmes – quando passou a me ver sob a asa do senhor Kenway. Não sei. Talvez ele me via nada menos como competição; como se eu representasse um perigo em seu posto de mão direita de Haytham Kenway. Naquele momento, os olhos desgostosos de Charles pareciam cada vez mais intensos.
Mas nenhum pronunciou-se, muito para minha surpresa. Ficamos frente a frente, eu e Haytham. Ao que se seguiu, ele pareceu iniciar o que logo entendi como as juras da Ordem.
— Remy, você jura defender os princípios de nossa ordem e de tudo aquilo que ela representa?
— Eu juro – disse, contendo minha ansiedade.
— E jura nunca compartilhar nossos segredos, nem divulgar a verdadeira natureza de nosso trabalho?
— Eu juro.
— E jura faze-lo agora em diante até a morte – ele suspirou, friamente – a qualquer custo?
Fechei os punhos. Aquele era, simplesmente, o momento que esperei por mais de 5 anos, e agora lá estava, pronto para tomar um lugar na Ordem. Para unir aquelas terras, trazw-las justiça, liberdade. Alfo quez sinceramente, não imaginava compartilhar com alguns daqueles homens , os quais com certeza meramente prezavam ganho pessoal.
Exceção ao meu ver, apenas de Sir William Johnson e, provavelmente o próprio Lee, muito embora suas tendências preconceituosas e egocentricas pareciam nublar sua dedicação.
Não. Eu faria do meu o próprio modo. Eu desejava ver aquela nação em paz. Livre. Justa. E mesmo que eu tivesse de sujar minhas mãos, assim o faria honrando meus princípios. Meus ideais. E foi com isso em mente que assenti.
— Eu juro.
Tirando dos bolsos um anel prateado, ele pediu que estendesse a mão. No anel, um detalhe cravado em relevo: uma cruz de malta. Decerto, o símbolo característico da Ordem Templária.
Ele afagou meu ombro, com um leve sorriso.
— Então, Remy, nós lhe damos as boas vindas à Ordem. Juntos, realizaremos e presenciaremos o nascer de um Novo Mundo. Um mundo definido por proposito. Por ordem. Tu és, agora, um Templário. Que o Pai da Compreensão nos guie.
— Que o Pai da Compreensão nos guie a todos — disseram, em unissono.
— Sim — continuei — Que o Pai da Compreensão nos guie.
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