Assassin's Creed High School
7 Capítulo 7- Voltando para a escola e boatos
Notas iniciais
Após uma semana e meia no hospital, Malik finalmente volta para casa. Foi um período meio complicado, mas todos foram muitos gentis e sempre nos ajudaram no que quer que precisássemos. E quero dizer todos mesmo. Ezio sempre vinha visitar Altaïr, Connor sempre trazia o meu latte favorito depois que saia do expediente, Ziio sempre estava disposta a conversar e dar conselhos, Haytham sempre aparecia em nossa casa querendo saber se havíamos comido direito e feito nossos deveres, e até a garota nova que começou a trabalhar no Starbucks, Aveline Grandpré, que é muito animada, engraçada e excelente amiga, vinha nos visitar e ajudar a fazer os deveres de casa –que por sinal era Malik que fazia –sem Malik.
Ela veio conosco buscar Malik disse que queria conhecer o “famoso Malik”.
Quando ele sai da cadeira de rodas –não que não pudesse andar, mas são os protocolos do hospital–, eu sou a primeira a abraça-lo, e posso garantir que foi tão bom quanto qualquer outro abraço. Depois Kadar, Altaïr, Ezio, Connor, Ziio, Haytham e então Aveline.
–É um prazer, Malik A-syaf. Aveline Grandpré a seu dispor.
–Obrigado por ajudar esses três enquanto eu estava aqui. Agradeço muito, Aveline.
–Bem, os amigos dos Kenways são meus amigos. Não tem problema.
–Vamos, Malik, acho que você não que ficar mais nenhum segundo aqui. –Altaïr diz.
–Tem razão. Não quero mesmo.
Nós nos viramos, mas consigo ver Altaïr segurar a mão de Malik e este não recusa-la. Sorrio como uma tola. Mas uma tola feliz, então não é ruim, certo?
Quando chegamos em casa eu faço o que sempre fiz com Malik enquanto ele estava internado: ensino a matéria da escola. Ziio faz nosso almoço, Haytham volta para o trabalho depois de comer e dá uma carona a Connor, Ezio, Altaïr e Aveline.
–Ela é uma boa pessoa, não acha? –Malik comenta.
–É sim. Ela mal me conhecia, mas foi de grande ajuda. Mas, Malik, ouvi dizerem que você negou as próteses. Por quê?
–Elas são muito caras e nem um pouco naturais. Além disso, esse cara aqui é quem eu sou. Uma prótese não vai mudar isso. Prefiro que seja assim a ficar me escondendo.
–Você é corajoso, Malik. Nunca deixe ninguém dizer o contrário.
–Obrigado, Olive. De verdade. –ele sorri.
–Você merece, Malik.
–Não, não exatamente. Estou com medo de voltar para a escola. As outras pessoas nunca foram muito com aminha cara, acho que vai piorar agora.
–Você ainda tem duas semanas de atestado para se adaptar a nova condição. Fique em casa em quanto isso. Não ligo em ser sua professora particular.
–Use saias mais curtas e ameace me bater com uma régua que eu também não ligarei em ficar mais tempo tendo aulas em casa. –ele ri e eu caio na gargalhada.
–Vocês dois são uns loucos. – Kadar, que estava sentado no chão ao nosso lado, fala balançando a cabeça.
–Como se você já não soubesse disso. –Malik diz para o irmão.
–Aye! –sorrio. –E não nos acuse. De louco todo mundo tem um pouco.
–Infelizmente eu sou obrigado a concordar.
–E novamente, Olivia Baungarten tem razão.
Os dois riem e então estudamos até Altaïr chegar, que é quando assistimos a um filme e então vamos dormir.
Acordo cedo para ir à escola. Malik ainda não vai conosco. Como se tornou rotina nessa semana que se passou, eu preparo o café da manhã, Kadar lava a louça e Altaïr guarda os restos. Nós terminamos de arrumar nossas coisas e saímos juntos, andando até a estação de metrô mais próxima. Como sempre encontramos Connor e Ezio no fundo do terceiro vagão. Apoio-me na parede do trem e ouço a conversa dos garotos, que geralmente é sobre futebol, o trabalho do Starbucks, Parkour e lutas profissionais.
Também ficamos juntos no ponto de ônibus esperando por Desmond. E é nesse momento que sempre me sinto mal, não por causa de Desmond, não é isso, é porque fica claro o quanto os garotos são mais altos do que eu. Eles têm uma média de 1,80 metros, exceto por Connor, que é mais alto, chegando a quase 1,90, se não for isso mesmo. Eu tenho meus respeitosos 1,65 metros, o que é o suficiente quando estou com Becca e Kadar, mas não com os garotos. A diferença de tamanho entre nós geralmente me faz ficar nas pontas dos pés para alcançar o ombro de Connor. Ezio sempre ri de mim. O que, como gosto de repetir, é bullying.
Desmond chega e nos cumprimenta com um aperto de mão para os meninos e um abraço para mim. Nós dois não somos exatamente melhores amigos, mas gostamos um do outro. Em uma faixa de um a dez na escala de amizade ele ficaria no 8.
Vamos juntos para dentro da escola. Ninguém parece perceber que estou triste. Nem mesmo Becca ou Shaun. Que me conhecem há mais tempo. Eu não queria que Malik adiasse muito essa vinda à escola, só vai chocar mais as pessoas. Agora é melhor, enquanto o acidente ainda está fresco em suas memórias. E só está fresco porque Altair estava lá também, caso contrário, poucas pessoas ligariam.
Depois do almoço, Connor me convida para andar um pouco no tempo que ainda nos resta até precisarmos voltar para a sala. Aceito, não tenho mais nada para fazer mesmo.
Vamos para o telhado da escola. Aqui venta um bocado, mas é o lugar mais silencioso e pacífico nessa escola. Connor se assenta no chão e me convida a sentar-me com ele. Aceito novamente.
–Eu quero te perguntar algumas coisas. Se importa?
–Não mesmo. Pode falar.
–Primeiro: o que está te deixando triste? Não pense em desviar da pergunta. Você disse que eu poderia perguntar.
Suspiro e abaixo a cabeça.
–Você sabe. É o que vem me deixado triste há muito tempo. Malik. Ele parece incompleto e nada que eu faça ou diga o ajuda. Eu só quero que ele seja o mais feliz possível. Não consigo ajudá-lo, Connor.
–Ele perdeu o braço e uma chance de vida comum, Olive. Não pode esperar que fique perfeitamente bem em duas semanas. Por favor, não se culpe por causa disso.
–Eu sei. Não espero nada disso. Racionalmente sei que é impossível, mas meu coração não para de doer. Aquele homem é meu melhor amigo, Connor, e eu só quero o melhor para ele. Toda a felicidade do mundo. Não consigo evitar.
Ele me puxa para si e me abraça com força. Sinto o rosto ficar quente com a proximidade.
–Eu também só quero seu melhor, Olive. –encolho-me em seus braços e fecho os olhos, aproveitando seu calor. –Quero fazer outra pergunta.
Só assinto, sentindo-me tão confortável que não consigo falar.
–Você está mais feliz agora do que antes?
Assinto. Um sorriso surgindo em meus lábios.
–Você deixaria alguém ou alguma fofoca maliciosa mudarem o que nós temos? Não só eu e você, mas Ezio, Altair e Desmond também.
Nego com a cabeça, ainda incapaz de encontrar minha voz. Respiro algumas vezes. Quero saber qual é o motivo dessa última pergunta.
–Por quê? –consigo dizer.
–Bem, eu não sei se deveria dizer...
–Prefiro ouvir de você a qualquer outra pessoa.
–Ok, então. –ele respira fundo e o movimento de seu peito me faz ir um pouco para trás, mas não separo nossos corpos. –Bem, algumas garotas andam espalhando mentiras pela escola. Dizem que você ter se juntando a nós é estranho. Que uma, desculpe dizer, nerd, não poderia ser amiga dos populares e idiotices do gênero. Que havia algo mais do que só amizade. Um componente... sexual.
–Meu Deus! –finalmente afasto-me de Connor e olho para o mohawk com os olhos arregalados. –Eles estão dizendo que eu sou uma puta?
–Infelizmente sim. Nem mesmo Ezio conseguiu parar as mentiras.
–Toda a escola já ouviu. –percebo. –Ah, meu Deus. Devem achar que estamos tendo uma rapidinha aqui em cima.
–Tudo bem, ninguém nos viu subir.
–Mas podem nos ver descer. –suspiro. –Malditos.
–Eu sei. Perdi no palitinho para ver quem ia te contar. –ele dá de ombros um pouco incomodado.
–Ouça, eu disse que não mudaria o que haveria entre nós mesmo com fofocas maliciosas e não vai mudar. Eu me recuso a deixar esses idiotas ditarem que são meus amigos. Eu decido isso. Venha, me dê a sua mão. Vamos lá embaixo mostrar o quanto eu não dou a mínima para eles e o que pensam.
Ele abre um sorriso e pega minha mão. Descemos juntos e de mão dados. Assim que nos veem, um grupo de lideres de torcida começa a rir e cochichar. Eu levanto o nariz. Foda-se isso. Eles são meus amigos e não vai ser um bando de idiotas que vai mudar isso, mesmo que eu tenha ficado preocupada nos primeiros segundos.
–Você deve ser a garota mais forte que já conheci. –Connor sussurra para mim.
–Não sou forte. Sou teimosa.
–Só aceite o elogio.
–Elogio aceito. –sorrio.
Depois das aulas fazemos o de sempre, como se nada tivesse acontecido. Levamos Desmond no ponto de ônibus onde sua namorada, Lucy o espera
Nós nos despedimos dos dois e vamos para a estação de metrô. Não falamos sobre os boatos. É realmente como se nada acontecesse e isso me faz feliz.
Sentamos juntos no fundo. Eu ao lado de Connor, com Kadar no meu colo e Altair com Ezio. Tento lhes explicar a lógica da matéria nova de química e eles, mesmo com o barulho e as distrações, não perdem o foco e entendem melhor do que Shaun. Eu, Kadar e Altair descem na nossa estação. Prometo ir ao Starbucks tomar o meu latte de sempre.
Malik está lendo quando entramos no apartamento. É Guerra e Paz. Que eu emprestada a ele quando o moreno ainda estava no hospital. Deposito um beijo sobre sua testa e o abraço de cima. Ele sorri levemente.
–Ei, como foi o seu primeiro dia de volta em casa?
–Extremamente calmo.
–Então vamos sair hoje a tarde.
–Mas, Olivia...
–Sem "mas". Por favor, Malik. Venha comigo ao starbucks tomar alguma coisa. Vamos ao shopping andar um pouco.
–Livy...– ele olha pra o braço faltando.
Pego-o pelo braço e o arrasto até meu quarto. Ligo meu celular, coloco a música light outside do Wakey! Wakey! e praticamente o abrigo a dançar comigo.
“I know you want to stay in bed But it's light outside It's light outside So know I am going to stay right here Because you saved my life once You saved my life
–Becase you saved my life once. Becase you saved my life once. –canto quando a parte chega. Malik sorri para mim. –Por favor, Malik. Vamos. Venha comigo. Você ainda é lindo. Ainda é a pessoa que mais me importo. Adaptar é viver e não se pode viver trancado em casa.
Ele assente e me abraça.
–Vou me vestir. – ele sussurra
Assinto e o deixo ir ao seu quarto se arrumar e eu faço o mesmo.
Fale com o autor