Assassin's Creed High School
8 Cap 8-“Quais são as suas intenções com meu filho?"
Notas iniciais
O dia foi quase insuportável. Malik ainda não veio para a escola, mesmo que a saída de ontem tenha sido incrivelmente divertida, as garotas continuam cochichando quando eu passo e nem os garotos nem Becca e Shaun conseguem fazê-los parar. Mas muita coisa continuou a mesma. Tentamos fingir que não ouvíamos as risadinhas “discretas” e comentários imbecis de como eu deveria ser boa de cama para conseguir um grupo tão grande de populares. Ezio me disse para ver isso como um elogio, só que eu não consigo.
Enquanto esperamos Lucy aparecer para ir com Desmond ao bar onde os dois tem um trabalho de meio período, eu, como sempre, fico na ponta dos pés tentando alcançar o ombro de Connor. Ezio, como sempre, ri de mim e então ergue-me só o suficiente para que eu suba em seus pés, o que me dá os centímetros que faltavam para alcançar Connor. O mohawk se inclina para mim e tira minha franja de sobre o rosto. Nós três sorrimos.
Olho para trás e vejo Desmond e Altaïr conversando. Desmond parece ok, mas Altaïr está pior do que eu. De verdade. O cara está acabado. Quase todas as noites desde o acidente eu o vejo andando pela casa no meio da madrugada. Umas cinco vezes eu já o arrastei para a cama e fiquei sentada ao seu lado dizendo que tudo ia ficar bem até que o coitado pegasse no sono. Eu nunca me importei em fazê-lo, se Altaïr precisar de mim eu estarei aqui. Só me preocupo com a saúde dele. Não dormir e ainda trabalhar todos os dias não é nada bom.
–Ei, Olive, hoje é meu dia de folga. Quer ir lá em casa descansar um pouco. Esses dias vão ser estressantes.
–Eu adoraria, mas Malik...
–Eu cuido dele, Livy. –Kadar diz. –Descanse um pouco.
Sorrio para o pequeno A-syaf e assinto.
Quando Lucy chega e Desmond parte com ela, eu e os garotos vamos para a estação de metrô. Novamente sentamos no fundo. Só que dessa vez estou com Ezio ao meu lado e Altaïr no meu colo. Ele achou a ideia divertida e eu também, então aceitei deixar o árabe sentar em minhas pernas. Connor e Kadar estão juntos. Altaïr e Connor conversam animados, eu e Ezio trocamos alguns comentários sobre Leonardo e o quanto ele parece excluído. Estamos pensando em adicioná-lo ao grupo. Se ele quiser, é claro.
Quando chegamos a estação da segunda avenida, Altaïr e Kadar saem, ambos depositando um beijo na minha testa antes de partirem.
Eu e Connor descemos na outra estação, deixando Ezio sozinho no trem.
Lembro-me bem do caminho até a casa de Connor, já que vim até aqui umas quatro vezes na ultima semana. Subimos para o seu apartamento e não encontramos ninguém. Connor guarda minha mochila e o casaco para o seu quarto. Enquanto isso sento-me no sofá e aguardo.
Passamos nossa tarde jogando até que eu faço algo sem pensar muito bem. É que ele estava tão perto e eu estava apoiada nele e quando ergui a cabeça ele estava lá então eu fiz. Eu o beijei. E não foi um beijo rápido.
Continuo nisto como se minha dependesse dos lábios dele. Largo o controle do PS3 e viro-me para ficar sobre Connor. Suas mãos grandes passeiam pelas minhas costas. Acaricio seu cabelo, enrolando os fios cor de chocolate entre meus dedos. Connor segura minha cintura com força e derruba-me do outro lado do sofá, invertendo as posições, ficando por cima de mim agora. Sinto sua mão descer e entrar na minha camisa. Sinto calafrios gostosos e solto um gemido baixo. Quando nos separamos em busca de ar, a respiração arfante de Connor roça no meu pescoço.
–Eu... –começo.
–Eu gosto de você, Olive. Muito mesmo. –ele murmura entre uma respiração e outra.
–Também gosto de você, Connor. –sorrio corada. –É a primeira vez que faço isso querendo.
Ele olha para mim com evidente choque no olhar.
–Seu pai... –ele entende.
–Não devia ter falado sobre isso. Estraguei tudo. Sinto muito, Connor.
–Não, shh. –ele coloca o indicador sobre meus lábios. –Tudo bem. Pode falar o que quiser comigo. –ele me beija novamente, mas suavemente dessa vez.
Ouvimos a porta destrancar. Olhamos um para o outro assustados e nos assentamos normalmente. Agarramos os controles do chão e voltamos a jogar como se nada tivesse acontecido.
–Ei, crianças. –é Ziio.
–Oi, tia Ziio. –sorrio para a mulher. –Como foi seu dia?
–Ótimo, querida. –ela vem atém nós e beija nossa bochecha. –Oi, filho.
–Oi, mãe.
–Vou fazer o jantar. Vai dormir aqui, Olive?
–Não sei. Eu vou? –olho para Connor.
–Se quiser. –ele evita olhar para mim. –Podemos pegar seu carro para buscar as coisas da Olive, mãe?
–Claro, querido. Mas voltem logo, ok? Não quero que percam o jantar. – Ziio joga as chaves para Connor, que as agarra no ar.
–Venha, vamos lá na sua casa.
Assinto e o sigo para fora. Entramos no carro e Connor solta um longo suspiro. Eu também o faço.
–Essa foi quase, hein? –digo.
–Com certeza. –ele liga o carro e começa a dirigir. –Mas minha mãe é uma ninja. Vai saber que eu estava fazendo besteira antes dela chegar. Se ela contar suas suspeitas pro papai...
–Haytham é protetor contigo?
–Muito. Deveria ser pai de menina.
Rio com a imagem.
Chegamos à minha casa. Pego uma mochila pequena e jogo uma muda de roupas e itens de higiene pessoal. Aviso a Malik que vou ficar na casa de Connor e ele parece feliz comigo. Ele pede para eu ter juízo e se não tivesse feito o que fiz antes, minha risada teria sido mais legitima.
Haytham já chegou. Encontramos o homem beijando a esposa com afeto. Inconscientemente olho para Connor e creio que Haytham percebeu isso, mas não tenho certeza.
Depois do jantar, enquanto eu e Ziio lavamos as coisas, Connor e seu pai vai para a sala de estar. Eles conversam sobre algo que deixa Connor desconfortável. Haytham só ri, como o pai troll que é.
Quando termino de ajudar Ziio, é a minha vez de ter uma conversinha com Haytham. Ele me chama em seu quarto e pede para que que me sente. Ele tem um olhar gentil, mas um pouco duro. Começo a pensar que talvez Connor não estivesse exagerando quando disse que ele é muito protetor. Quase engasgo quando ele pergunta:
–Quais são suas intenções com meu filho?
Recupero-me para responder:
–Haytham, eu... não sei o que dizer. Não quero usar Connor. Longe disso. Eu só... –olho para o homem de cabelos grisalhos. –Isso é sério?
–Com certeza, Livy.
–Eu não... não sei dizer se o amo, tio. Eu nuca amei ninguém na minha vida. Mas o que sinto por Connor é a coisa mais próxima da plenitude que já vivi. Não sei como não percebi antes ou como fiquei assim em algumas semanas, mas eu me importo com ele e não quero magoá-lo.
–Sei que não. Sabia que Connor disse quase que a mesma coisa sobre você para mim?
–Estavam falando sobre mim? –solto um grito esganado.
–Bem, sim. Connor diz que eu deveria ser pai de uma garota. Acho que ele está certo.
–Quer que eu peça sua permissão para sair com ele? –digo em tom de brincadeira, mas no fundo acho que tem uma chance dele dizer que eu preciso.
–Não, não. –ele ri. –Isso Connor deve fazer com o seu pai, mesmo que ele seja um grande...
–Bastardo miserável? –opino. –Pode falar, eu não ligo pra isso não.
–Ok então. Um grande filho da puta merecedor do inferno.
–Adorei. –sorrio. –Eu adoro você, Haytham.
–Também gosto de você, Olive. –ele se senta ao meu lado e me abraça. –Agora tente dormir. Te vejo amanhã de manhã, ok? E se Connor tentar algo durante a noite é só gritar.
Rio e assinto.
–Obrigada, Haytham.
Dou um beijo de boa noite na testa do senhor e vou para o quarto de hóspedes.
Notas finais
Começo:http://25.media.tumblr.com/e1dc359873cdf60fbd9c577398168386/tumblr_mmuw4fYlg41rf83r7o1_r2_1280.png
Fim: http://data.whicdn.com/images/61573891/large.jpg
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