Assassin's Creed High School

22 Capítulo 22- Salvando Luna (parte 2)


Notas iniciais
Aqui está minhas/meus amadas/amados! A parte 2 e parte final! Espero que gostem e comentem ^^

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A viagem é longa. Nós não trocamos nenhuma palavra no trajeto todo, o que deixa o clima tenso e ao mesmo tempo entediante.
Fico mexendo na minha mochila. Ela está cheia com facas de arremesso, itens de primeiros-socorros, os remédios de Luna, roupas para ela, a caneta de acesso que Lucy conseguira para nós e um tanto de comida.
Ela está pesada. Creio que eu vou ser o burro de carga enquanto Altaïr vai ser o mestre Assassino. Não queria vir a uma missão para ficar de enfeite por aí. Queria ser útil. Bem, mais útil do que um simples carregador... Quero dizer, eu treinei muito na minha vida. Posso fazer essas coisas.
Eu posso ajudar a salvar Luna.

POV Luna
Está claro aqui.
Aqui é vazio e posso sentir uma solidão estranha para mim.
E aqui cheira à morte. À sangue. Sinto que há sangue nessas paredes. Que há sangue nesse Animus.
E pela primeira vez em toda minha vida me sinto realmente aterrorizada.
Nem minhas ilusões, nem meu diagnóstico, nem minhas missões sozinhas me deixaram assim tão... Perdidamente assustada.
Eu choro e grito durante a noite. Sonho que Vidic está me estrangulando, que corta meu corpo em pedaços... Sem meus remédios, tenho de viver esse pesadelo 24 horas por dia.
Eu tenho alucinações.
Eu vejo demônios. Eu vejo David Cross e Clay Kaczmarek em meu quarto. Eu os ouço falando comigo. Querem que eu fuja. Dizem que vão me fazer ficar louca. Depois riem da própria piada. Dizem: "Ah, esqueci! Você já é louca!". E eles se divertem com minhas lágrimas.
Vejo Connor com Aline, ou qualquer que seja o nome da namorada dele, e me lembro de como era estar no lugar dela.
Vejo Ezio rindo para mim. Não... De mim. Deve me achar patética. Tomar tantas decisões erradas e depois voltar, achando que vão me aceitar perfeitamente bem.
Vejo Altaïr e Malik. Vejo-os juntos. E é a única cena feliz que faz parte dos meus dias.
Grito para eles. Grito para que me salvem.
–Altaïr! –choro. –Tire-me daqui!
E eles, os Templários vestidos de sangue, me agarram pelas roupas, levando-me até a sala grande fora do meu quarto onde o Animus se encontra. Ele parece rir cruelmente. Mas é coisa da minha cabeça. Tudo é da minha cabeça.
–Querida, por favor, se acalme. Sua compostura é inaceitável.
–Vá pro inferno! –grito. –Quem é você?! Onde está Vidic? Por que estou aqui?! O que querem de mim?
–Ah, querida... –a mulher suspira dramaticamente. – Seu comportamento me deixa profundamente chateada.
–Foda-se! Quero mais que todos vocês vão pro inferno! –minha voz está tão tremida que meus gritos são choros patéticos.
–Coloquem-na no Animus. Estou cansada da voz dela.
–Não, não, não, não! –grito e finco os pés no chão conforme me arrastam, mas é inútil. Eles são fortes demais, eu estou fraca demais, assustada demais. Logo eles me deixam na máquina fria.
Quando a tela de vidro se apresenta sobre minha cabeça, eu a soco. Eu a estilhaço. Meu rosto é cortado, minha mão está desfiada. Fico grata por ter meus olhos intactos.
–Peguem-na!
Ouço um som horrível de terror puro e com surpresa desagradável, percebo que o som saiu da minha boca.
Dou um chute certeiro na mandíbula de um dos homens. Vejo sangue espirrar. Vejo gotículas do líquido carmesim sobre meu pé.
Pego um pedaço de vidro e o enfio na garganta do outro com força. Mais esguichos de vermelho.
Saio de cima da máquina e vou até a doutora. Ela está caída no chão. Atemorizada. Assim como eu estive nos últimos nove dias. E fico enojada. Fico perturbada. Fico relutante. Mas eu a mato. Quebro seu pescoço. Quebro-o e choro ao lado do seu corpo. Odeio matar. Sejam Templários, seja qualquer um. Mas quero fugir.
Pego sua caneta de acesso e vou até a porta. Só uso uma camisola de hospital, aberta atrás, o vento frio abraça meu corpo com um ar de morte quando abro a porta.
Viro à direita e corro. Só quero fugir. Nem sei para onde é a saída, mas não posso parar, ou vou morrer.
Trombo contra dois guardas. Sinto que ele podem sentir o cheiro do meu medo. Estou ferida, sangrando, tremendo de medo. Não estou em condições de lutar. Nem de me defender.
Vou morrer.
Vejo um vulto cair sobre os homens robustos. Penso ver uma planta azul sair dos pescoços dos agentes. Estou mal.
–Luna!
Sinto que posso quebrar em milhares de pedaço, assim como o vidro. Meus ossos são de vento e meus músculos de gelatina. Minha boca é uma árvore que antes tinha milhões de frutas diferentes, mas que só permite que um fruto cresça agora, uma palavra:
–Altaïr!
–Meu Deus! Você está bem?! –é Kadar.
Só balanço a cabeça. Tento me levantar, mas não consigo firmar-me sobre meus pés. Kadar vem até mim e me pega no colo.
Não vi quando ele cresceu tanto. Não vi quando ele se tornou esse homem que me segura com braços fortes.
–Vamos embora, Altaïr! –Kadar diz.
O Assassino se vai correndo e Kadar, mesmo me carregando, é capaz de segui-lo de perto. Observo-o com novos olhos. Ele não é mais o garotinho que eu trazia doces e sanduíches. Ele é um homem capaz de me salvar. Ele é um Assassino. E tenho orgulho dele.
–Luna, não pare de falar. – ele pede. –Fale conosco. Fique consciente ok?
–Vieram me salvar? –sorrio tolamente. –Mesmo que eu tenha machucado a garota?
–Você é importante, Luna. Mesmo com seus erros. –Altaïr fala.
Ele abre caminho pelos corredores confusos. Não conseguiria encontrar a saída sozinha.
Chegamos à garagem. E só penso:
Emboscada.
–Luna, se esconda. –Kadar me coloca no chão.
–Me dê uma arma. Posso lutar.
–Você está sangrando!
–Estou bem! –berro.
–Estamos perdendo tempo! –Altaïr grita.
Ele me joga uma faca longa. Pego-a no ar e me levanto com esforço. Sinto o peso do mundo do em meus ombros, sendo quase insuportável ficar sobre meus pés.
Kadar se coloca na minha frente. Ele corta pele e tira sangue. Vermelho que o mancha. Vermelho, azul, verde, amarelo e marrom.
Louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca louca
Grito para calar as vozes na minha cabeça. Arranco o trapo que me cobre. Fico só com a roupa de baixo. Enfio minha faca no pescoço de uma mulher. Ouço uma risada fria.
Louca louca louca louca louca louca louca louca louca
–Luna! Pare! O que está falando?! Se acalme! Você não é louca.
–Calem a boca! –pressiono as têmporas. –Não me atrapalhem!
Altaïr está tirando sua lâmina do último corpo. Ele vem até mim e me pega em seus braços pouco antes que eu caia.
Ouço um grito de dor. Olho para o lado e vejo Kadar com a boca aberta, caindo no chão. Uma mulher enfiou uma faca nele. Vejo o cabo da adaga.
–Kadar! Não morra!
Vou morrer vou morrer vou morrer vou morrer vou morrer vou morrer vou morrer
–Kadar! Salve ele, Altaïr!
Ele assente rapidamente. kadar se levanta com o auxílio do amigo e vai para o carro preto. O estilo do veículo me é familiar de todas as formas. Me arrasto pelo chão até ele. E me sinto viva. Me sinto fraca, mas forte. Vou entrar no carro e vamos fugir daqui. Vou sobreviver.
Kadar também.
Vou sobreviver e matarei Vidic. Não vou deixar assim.
Abro a porta e sou puxada para dentro por Kadar. Ele me cobre com seu casaco e se senta da melhor forma possível.
–Você está bem? – pergunto.
–Aquela desgraçada... Mas estou bem. Foi na perna. Vão saber cuidar disso. Vou ficar ótimo. –ele sorri para mim. –Como você está? Sua mão parece horrível.
–Tudo bem. Nem está doendo. –Asseguro –Obrigada por virem –sussurro.
–Claro que viemos, Luna. –Altaïr diz sorrindo para mim pelo retrovisor. –Você é nossa irmã. A Irmandade nunca esquece um dos seus.
–Eu sinto muito pelo que fiz com a garota. De verdade. Eu nunca penso nas consequências dos meus atos. Só feri vocês com meu ciúme idiota.
–Esqueça isso. Olivia vai ficar bem quando voltar. Ela vai voltar.
–Para onde ela foi?
–Inter... Intercâmbio. –Kadar respira com dificuldades. –Espairecer. Não é fácil descobrir todo esse novo mundo.
–Kadar, você está bem mesmo? Acho que... –toco na sua perna e minha mão fica ensopada. –MEU DEUS! ALTAÏR SE APRESSE! ELE ESTÁ PERDENDO MUITO SANGUE! –berro com toda força dos meus pulmões.
–A sede está muito longe. Vamos para um hospital aqui mesmo. Os Templários não irão nós atacar num lugar tão público.
–Kadar, fique acordado! Não feche os olhos. Você vai ficar bem. Vamos chegar no hospital e eles vão cuidar de você. –meus olhos são cachoeiras ininterruptas.
–Seus remédios... Tem comprimidos pra você na mochila. Vai parar as vozes. Tome.
Assinto e o obedeço. Ele precisa de mim o mais sã possível.
Engulo todas as seis cápsulas sem água mesmo e então volto a segurar a mão de Kadar. Ele está ficando pálido. Ele está se perdendo. E eu sou inútil.
Quando vejo o hospital meu coração salta. Vão cuidar dele. Vão curar as feridas dele. Kadar vai voltar Para o irmão. A história não vai se repetir. Nós todos vamos sobreviver.
Assim que o carro para, eu salto para fora, sem me importar com a minha falta de roupas e o sangue que me cobre. Grito, grito, grito por ajuda. Enfermeiras correm até mim e eu grito para elas irem até o carro. Eu não sou o problema.
–Meu irmão! Ajudem meu irmão!
Duas enfermeiras ficam comigo. Outras três correm para o carro onde Kadar e Altaïr estão.
Elas fazem milhares de perguntas e não respondo nenhuma de imediato.
–Qual é o seu nome?
–Luna Bizetern. Sou Luna. Meu irmão... Kadar. Cuide dele! Ele está ferido por minha causa. Ele não pode morrer.
–Você precisa se acalmar.
–NÃO VOU ME ACALMAR! SALVEM ELE, PORRA!
–Luna, não está ajudando. –É Altaïr. –Já estão levando Kadar. Se acalme. –ele vem até mim e fecha meu casaco. –Vamos ficar bem. Só precisa se acalmar.
Assinto chorosa. Tenho que acreditar em Altaïr.
–Para o Centro Cirúrgico! ele perdeu muito sangue! –um doutor grita.
Levam Kadar numa maca por um corredor branco comprido. Tento correr para seguir o meu irmão, mas sou segurada por Altaïr. Solto um último grito antes de desfazer-me sem forças nos braços do Assassino. Sem forças e sem consciência.


Notas finais
gostaram? fiz meio que na pressa, então peço perdão pelos erros ok? Comentem pra me deixar feliz que assim eu escrevo mais rapido :D