Assassins

28 Star City || 2018


Notas iniciais
Olá!! Como estão? Desculpem a demora, ainda estava abalada com o fim da série? Só eu passei uma semana sofrendo com a despedida da Felicity? E aquele adeus Olicity? Coisa mais linda e sofrida da vida!! Bom, espero que gostem do capítulo!! Até as notas finais.. Bjs*

Star City — EUA

Julho de 2018

Minhas mãos ainda tremiam segurando o maldito palito. Dois tracinhos. Dois pequenos traços que gritavam para mim o que eu não queria acreditar.

Eu não podia estar grávida!

E quando eu digo que não poderia estar esperando um filho, eu não era daquelas que fazia drama sobre mudar o corpo ou tinha pais ou um namorado que não aceitaria. Eu era uma assassina em missão, e o pai do bebê estava preso em uma ilha desconhecida por quase todo mundo, sendo mantido em cativeiro e sob tortura por um dos homens mais cruéis da face da Terra. O que poderíamos oferecer para esse bebê?

Amo os dois!, foram as últimas palavras de Oliver para mim. Ele já havia conseguido entender a dimensão de tudo e lidar com isso, enquanto eu, mesmo com o resultado positivo em mãos, ainda custava a crer.

Demora tanto assim pra saber o resultado? ― Ouvi Sara perguntar do outro lado da porta.

Eu sei lá, você é a mulher aqui! ― Tommy respondeu.

E só por isso eu deveria saber dessas coisas? Querido, eu tenho uma namorada, engravidar não é uma preocupação nossa quando fazemos sexo. ― Barulho de um tapa seguiu-se de um instante de silêncio. ― Pare de fazer imagens mentais, seu pervertido!

Ai, Sara! Você tem a mão mais pesada que a da Felicity! Que suplemento estão dando na Liga nos últimos anos?

Você não consegue calar a boca? Quero saber como Felicity está!

Grávida.

Quando acordei aqui no meu apartamento em Star, havia um par de fios me ligando a uma bolsa de soro e de sangue, aparelhos monitorando meus sinais vitais, e dois enfermeiros amadores me encarando com seus grandes pares de olhos azuis.

Minha primeira reação foi tentar tirar tudo e levantar. Eu estava muito puta de raiva, não foi justo eles se aproveitarem que eu estava fraca para me tirarem de lá, me forçando a abandonar Oliver sozinho e sem um plano contra a Liga inteira, mas fui detida pelos dois, mais minha tontura e fraqueza. Não conseguiria chegar na porta sem cair, por isso deitei de novo.

Sara tentou me acalmar falando que Ra's ainda mantinha Oliver vivo, mas quando pedi meu computador para me assegurar disso pelas câmeras de segurança, por um momento desejei que ele tivesse morrido na nossa fuga.

Ele estava preso a correntes no chão, muito machucado, dormindo ou desmaiado, não saberia dizer. Se eu havia escapado há dois dias, significava que ele estava sendo torturado há dois dias. E, se eu conhecia bem os métodos da Liga, eles o haviam machucado até o limite que ele aguentaria entre a vida e a morte. E a culpa era minha.

Na primeira oportunidade que me viu sozinha com ele, Tommy me deu uma sacola de farmácia, contendo o teste de gravidez. Ele explicou que ouviu o que Oliver me disse, por isso comprou aquilo para mim, sem que Sara soubesse. Disse que a decisão seria minha de contar ou não. Falei que estava tudo bem ela saber, e entrei no banheiro, lugar que estou há quase uma hora.

Os dois assustaram-se quando saí do meu refúgio, joguei o palito para Sara e já fui direto para um dos esconderijos das minhas armas, trancados por senha biométrica e camuflados embaixo do criado mudo, as jogando em cima da cama.

― E aí, o que isso significa? ― A ouvi perguntar, enquanto eu já ia para o segundo local, atrás de um quadro na parede, então para um terceiro, dentro da cabeceira da cama. ― Tommy, cadê a caixa?

― Sei lá, Sara!

― Pois me ajuda a achar! Isso aqui tá positivo ou não? Foco, cara!

― Me desculpa se o fato de que Felicity tem mais armas em casa do que algumas gangues me distraiu por alguns segundos! ― Os ignorei, partindo para meu closet, de onde peguei uma mochila, uma muda de roupas e voltei ao quarto, guardando as armas na bolsa.

― Ei, você não vai sair, bonitinha. ― Tommy ficou na porta de braços cruzados e eu rolei olhos.

― E quem vai me parar? Você e mais quantos? ― debochei, estreitando os olhos para ele.

― Nós dois seremos o bastante. ― Sara ficou ao lado dele, imitando sua posição. Rolei olhos.

― Não estou com tempo ou paciência, então se não querem ter as bundas chutadas, saiam da frente!

― Não se superestime, Felicity. ― Ela riu de lado.

― Olha aqui os dois. ― Dei passos largos na direção deles, a mochila no ombro, meu rosto queimando de raiva e frustração. ― Não há Liga dos Assassinos que consiga ficar agora entre mim e o pai do meu filho, então sugiro que saiam da frente antes que eu acabe com os dois aqui e agora!

― Oh, Fê. ― Sara não começou uma briga, não me atacou ou me apagou, ao contrário disso, ela me envolveu em um abraço. ― Vamos cuidar de vocês.

Notei que minhas lágrimas caíam sem controle quando senti Tommy as enxugar. Larguei a bolsa no chão e finalmente me deixei ser abraçada pelos dois.

― Como eu deixei isso acontecer? Como perdi Oliver assim, sem ao menos ele soubesse que eu o amava? ― me lamentei.

― Ele sabia, Felicity ― Sara falou compassiva.

― Eu nunca disse! Ele, mais de uma vez, confessou seus sentimentos por mim, mas eu nunca...

― Você não precisou ― Tommy interveio. ― Por isso ele me pediu que cuidasse de você, te tirasse de Nanda Parbat. Oliver queria que você e esse bebê tivessem um futuro. ― Me soltei bruscamente dos dois.

― Não falem como se ele estivesse morto! Oliver ainda está vivo, e eu vou tirá-lo de lá!

― Felicity...

― Não, Sara! Não há nada que nenhum dos diga que me convença a não buscar Oliver. Ele estaria bem se não fosse por mim, a culpa disso tudo é minha!

― Al Sah-Him já é bem grandinho para tomar as próprias decisões, Felicity! Ele escolheu isso, assim como escolheu deixar você e essa criança longe disso.

― Pena que não é uma escolha dele. Então ou vocês saem da minha frente, ou farei vocês saírem!

― Tudo bem ― Sara rendeu-se. ― Nós ajudaremos você.

― É o quê? ― Tommy gritou. ― Nada disso, ela não vai sair desse apartamento! Felicity foi torturada, está grávida e com mais pontos que a noiva do Frankstein! Oliver enfiaria uma flecha em cada um de nós se deixássemos ela aparecer assim em Nanda Parbat.

― Não seja um bundão, Merlyn. Está com medo de Oliver?

― Nunca fique entre um urso e seu ursinho. ― Quase quis rir da expressão, braços cruzados e um biquinho, então apenas rolei olhos.

― Farei isso com ou sem você, Tommy.

― Qual é, baby, vai deixar duas princesas sozinhas e indefesas contra um grupo de assassinos treinados? ― Sara usou sua velha e boa cara de Gato de Botas na direção do moreno.

― Vocês duas são tudo, menos indefesas! ― retrucou. ― Mas é possível que, se o doido do Oliver souber que as deixei ir sem apoio, quebre as correntes só pra fazer uma castração de emergência na minha pessoa. E seria um pecado deixar esse mundo sem pelo menos um mini Thomas Merlyn.

― Eu ainda acho que estaríamos num lugar mais seguro sem suas sementinhas germinadas!

― Se estamos em acordo, vamos! ― Peguei minha mochila do chão, cortando o que seria o início de mais uma briguinha besta.

― Não, não, não, meu bem. ― Tommy segurou meu braço. ― Concordei, mas não iremos sem um plano muito bom e sem você estar mais recuperada. Então senta sua bunda gostosa na cama, que Sara comprou comida.

― Porra, Merlyn! ― o xinguei, mas obedeci.

De fato, eu ainda estava muito fraca, um pouco tonta e doída dos cortes que pancadas. Minha cabeça ainda estava em Oliver e no que ele poderia estar sofrendo, pedindo aos céus que ele aguentasse o suficiente.

~

― Ei, psiu. ― Tommy tocou de leve meu ombro, me estendendo um cobertor. Eu nem percebi o quão estava arrepiada e encolhida em um canto do avião. Talvez fosse frio, talvez fosse medo.

― Você é um peste, mas é tão gentil. Como ainda não foi fisgado, Tommy? ― perguntei a ele, que havia se sentado na cadeira em frente à minha e olhava pensativo para a escuridão do lado de fora. Seu sorriso se abriu saudoso, só então ele me olhou.

― Eu já fui. ― Ah, claro. Laurel.

― Você sabe que se pode ter mais de um amor da vida, não sabe? Essa coisa de almas gêmeas é besteira.

― Vou discordar de você nessa.

― Claro que estou certa. Oliver amava Laurel, eu amei Ray, e agora a gente... ― Meus olhos lacrimejaram. Droga de hormônios da gravidez! Pelo menos agora eu tinha uma justificativa para toda a fome, cansaço e emoções à flor da pele nas últimas semanas. ― Eu ao menos disse para ele que o amava, Tommy! Eu o amo há tanto tempo, por que eu não disse?

― Não chora, eu nunca sei o que fazer quando mulheres choram perto de mim. ― Ele sentou na poltrona ao meu lado e me puxou para um abraço, acarinhado meus cabelos. ― Vamos resgatá-lo, eu prometo.

― Obrigada por fazer isso comigo. Sei que não concorda.

― Não mesmo! Não me leve a mal, loirinha, ficaria feliz de ir pra Nanda Parbat e tirar Oliver de lá com muitos socos e pontapés, mas você deveria deixar de ser teimosa e ficar em casa descansando.

― Em seus sonhos, Merlyn ― retruquei mal-humorada. Aquela ideia não era nem uma opção para mim.

― Só dizendo. Meu primeiro sobrinho e afilhado vem aí, é minha função manter a mamãe dele viva e saudável. Aliás, falando no pestinha, o que acha de Thomas Smoak Queen? ― Estendeu as palmas para a frente, como se tivesse acabado de dar a melhor ideia do mundo.

― Essa criança não vai ter seu nome, nem insista. Arrume seus próprios filhos para isso ― neguei de pronto. Eu não aguentaria dois Tommys na minha vida. ― E também, pode ser uma menina.

― Aí eu teria pena de Oliver.

― Que machista, Tommy!

― Meu bem, esse bebê não tem para quem puxar ser quieto. Daí uma garota com sua beleza, mais a já bem conhecida inteligência e perspicácia feminina, o deixará de cabelos brancos antes dos quarenta. Apenas quero rir disso.

― Isso é tão estranho. ― Levei minha mão à barriga. Ainda não havia notado diferença alguma, fora calças mais justas que percebi fecharem com dificuldade. ― Essa coisinha crescendo dentro de mim. Não posso fazer isso sem ele, Tommy.

― No que depender de mim, não vai. Agora descanse. ― Ele me puxou para seu abraço de novo, me cobriu com a manta e já foi fechando os olhos e ajustando a coluna do seu melhor jeito. ― Temos ainda uma longa jornada pela frente.

― Você vai só dormir e deixar seu querido avião nas mãos da Sara?

― Ela disse que queria pilotar.

― Eu sempre disse isso e você nunca deixou. ― Tommy abriu os olhos, fingindo medo.

― Ela namora a Nyssa, e eu tenho medo da Nyssa. Aliás, mal da sua parte não me dizer isso antes e esperar que eu jogasse meu charme em cima da sua amiga. Corri risco de vida ali.

― Exagerado!

― Tive que subornar Sara a deixando pilotar só pra ela não dizer nada. Enfim... Vamos dormir. ― Ele puxou parte das cobertas para si e fechou os olhos de novo.

Até tentei seguir seu conselho, mas não consegui. Fechei os olhos, mas minha mente estava a mil. O plano era tão falho que uma dezena de coisas poderiam dar errado, matando todos nós. Eu sei que Tommy estava tentando ser otimista, respeitar minhas vontades, mas no fundo ele também sabia que não seria tão fácil, assim como Sara, mas ambos iam mesmo assim. Eu me sentia culpada por colocar os dois nessa, mas entendia que não conseguiria sozinha, não agora que tinha que me preocupar ainda com meu bebê.

~

― Me digam que entenderam.

― Sim, mas não significa que vamos fazer isso! ― Sara retrucou cruzando os braços. ― Você não vai entrar sozinha.

― O que a loirinha número dois disse ― Tommy se manifestou. ― Oh mania horrível de querer entrar sozinha nos lugares! Nós temos um plano e vamos seguir ele, Sara vai com você.

― Sara foi marcada quando me ajudou a fugir, ela não pode voltar lá. E você, tem sua liberdade, Tommy, não deve arriscar por minha cruzada.

― Não é mais apenas sua cruzada há meses. ― Foi somente o que ele disse, não me dando espaço para discurtir. ― Sara, você conseguiu os disfarces?

― Sim, para mim e Felicity. Você tem certeza que vai querer usar esse couro?

― E deixar de ficar quente como o inferno nessa roupa? Jamais. ― Abanou as mãos em um gesto exagerado. ― Boa sorte, meninas. Qualquer coisa me chamem no ponto eletrônico que eu entro antes.

― Pode deixar ― foi Sara que confirmou.

Levamos alguns minutos nos vestindo com as roupas tradicionais da Liga, antes de nos afastarmos dele, voltando pelo mesmo caminho que saímos alguns dias atrás.

― Sara, você precisa me prometer uma coisa ― comecei quando já estavamos na entrada dos túneis.

― Acha que não dobrou o Merlyn e vai conseguir comigo. Você é engraçada, Felicity. ― Ela sequer me deixou terminar, começando a rir.

― Mas Sara...

― Não é só sobre você, Fel! ― Ela se virou para mim parecendo nervosa, então voltou a caminhar. ― Não é só sobre você.

― O que você não está me contando? ― Ela respirou fundo e se virou para mim.

― Ra’s sempre foi meio indiferente ao meu relacionamento com Nyssa, você sabe. Só que esses últimos meses, depois que você começou com essa coisa toda, ele queria se certificar que... Sei lá, que seu reinado continuaria caso algo acontecesse com ele.

― Ele tinha medo de mim? ― questionei chocada.

― Não exatamente medo, mas ele nunca deixa as coisas ao acaso. Então retomou um plano antigo, segundo Nyssa. Ele a casaria com seu herdeiro. Al Sah-Him.

Eu era bem ciente daquele plano, mas ele foi cancelado quando Laurel morreu. Ou assim eu pensava. Mas agora que Oliver estava preso e já era o rebelde mais famoso conhecido da história da Liga, não ia acontecer.

― Duvido que esse plano se aplique agora, Sara.

― Eu sei, mas temos esse relacionamento de anos, então do nada não importa mais para ele, nunca importou para ele, Fel. Por mais eu tenha certos privilégios e ela também, nunca seremos livres aqui. Então não, essa luta não é só sua ― concluiu, voltando a andar com cautela pelo caminho. A segui em silêncio.

Não havia muita segurança como previmos, apenas três ou quatro guardas que derrubamos silenciosamente.

― Seguinte... Al Sah-Him deve estar naquela sala, pelo que vimos nas câmeras só tem dois guardas lá dentro. Eu te dou cobertura aqui fora, enquanto você o solta lá dentro, depois saímos. Temos que ser rápidas, ou morremos os três, antes que Tommy chegue, ok? Tem certeza que consegue?

― Eu estou grávida, não morta, Sara.

― Você está mais lenta e mais cansada ― apontou a verdade que eu lutava para negar para mim mesma.

― Ainda sou Felicity Smoak.

― Ok, bom o bastante para mim. ― Sorriu. ― Cuidado com meu sobrinho.

O elemento surpresa realmente ajudou, em dois minutos os três guardas já eram. Corri para o fundo da sala e meu estômago afundou ao vê-lo ali, caído, sangrando, desmaiado. Droga, ele estar desmaiado ia dificultar bem as coisas.

― Oliver! ― Balancei seus ombros. ― Oliver! ― Segurei seu rosto entre minhas mãos. ― Por favor, acorda, você precisa nos ajudar.

Sem opções e com muita saudade, apenas me inclinei em sua direção e deixei um beijo em seus lábios. Eu precisava tanto daquilo. Não controlei minhas lágrimas quando ele começou a se mexer, então seus olhos abriram. Apenas um, na verdade, já que o outro estava inchado demais. Quando sua visão focalizou em mim, Oliver se agitou.

― Não... Você não deveria...

― Ei, olha para mim. ― Fiz com que parasse e olhasse para mim. ― Eu não te deixaria, porque eu te amo, Oliver. Eu amo tanto que cada segundo que passei longe, foi como uma faca em meu coração. Eu não te deixaria, porque essa criança precisa de nós dois. ― O azul de seus olhos brilhou um pouco mais e ele sorriu pequeno, apenas aquele pequeno movimento o fazendo retorcer o rosto numa careta de dor. ― Sim, ele estava certo. Vamos ter um bebê.

― Vamos ter um bebê ― ele repetiu baixinho. ― Eu te amo mais do que nunca. ― Sorri. Mesmo com a situação tão ruim, estávamos ali confessando nosso amor.

― Agora vamos sair daqui, eu só preciso ver como te soltar. ― Comecei a dar uma olhada nas correntes que o prendiam.

― Não dá. São algemas diferentes, e eu também não... Sai daqui, amor. Eles vão matar nós dois se você estiver aqui quando os reforços chegarem.

― Não, Oliver, deixa de ser teimoso! Espera aí. ― Levantei do seu lado no chão e corri até a porta. Sara ainda estava lá usando seu disfarce. ― Sara...

― Cadê ele, Fel? Temos que sair agora.

― Não podemos. Não dá pra abrir as algemas e ele também não consegue sequer ficar de pé. Não vamos conseguir levá-lo, acho que temos que chamar o Tommy agora.

― Espera, tive uma ideia. Fica lá com ele, eu vou procurar algo para ajudar.

― Mas, Sara... Deveríamos ficar juntas.

― Estamos improvisando. Somos boas improvisando, não lembra? ― Ela piscou para mim. ― Volta para lá, eu já venho.

― Não morra.

― Não vou.

Voltei para onde Oliver estava, tentando trabalhar nas algemas, mesmo que Oliver continuasse a insistir que eu fosse embora. Tinha uma senha biométrica, parecida com as que Tommy descreveu ter encontrado no cofre com a senha para os outros dois Poços de Lázaro. Estava tão concentrada que não o vi se aproximando. Ainda ouvi o aviso de Oliver, mas já era tarde demais, o taser tinha me atingido e mais uma vez, eu desmaiei.

Quando abri os olhos, o rosto preocupado de Oliver estava sobre o meu, e ele soltou um suspiro de alívio quando sorri para ele.

― Graças a Deus você acordou. ― Me sentei, mas meus pulsos ainda estavam presos me impedindo de abraçar Oliver, mas pelo menos eu estava perto dele.

― O que aconteceu? ― A expressão dele ficou mais fechada quando apontou com o queixo para algum ponto atrás de mim. Me virei e vi Curtis, encolhido em uma cadeira, com um taser na mão. ― Traidor ― carreguei minha voz com toda a mágoa que estava sentido. Qual é, ele era meu amigo!

― Felicity... ― Curtis parecia devastado, só não entendi o porquê. Ele havia me apagado para Ra’s e deveria correr para longe quando eu conseguisse me soltar.

― Você tá morto pra mim.

― Estou tentando te proteger, amiga ― se justificou, chegando mais perto. ― Você ia acabar morrendo se lutasse, assim você fica viva. Ra’s tem interesse em te manter viva.

― Eu não dou a mínima, ele vai matar Oliver! ― esbravejei.

― Não grite com seu amigo, ele estava tentando te salvar e aceitou um acordo. ― Ra’s entrou na sala com um ranger de portas. ― Pode ir, Holt. ― Curtis assentiu e saiu, então o outro começou a andar em nossa direção.

― Não chega mais perto ― Oliver ameaçou entredentes, praticamente se arrastando para conseguir ficar na minha frente. Ele ainda estava muito fraco.

― Não seja patético, garoto. ― Ra’s não deu a mínima importância a ele. ― Não conseguiria ganhar de uma mosca nessa situação.

― O que quer tanto comigo? ― questionei. Se Curtis conseguiu um acordo, talvez eu também devesse tentar um que beneficiaria nós três.

― Sabe, Smoak... ― Começou a andar pela sala. ― Eu sempre amei minhas filhas, para preciso de um herdeiro homem para a Liga dos Assassinos. Achei que Oliver seria o canditado ideal logo que recebi a proposta de Malcom Merlyn, mas eu estava errado. Ele já era um adolescente quando chegou aqui, o criei como filho, e na primeira oportunidade apenas me traiu.

― E o que diabos eu tenho a ver com isso?

― Você agora carrega o candidato ideal. Um bebê com os genes de dois dos maiores guerreiros que conheço, que vai ser criado para herdar tudo isso desde o primeiro dia de vida.

― Você não vai encostar nessa criança! ― Oliver gritou.

― Sua parte já foi feita, Oliver, só ainda te mantinha vivo para atrair Felicity de volta. E também acho que uma criança com seu sangue vai inspirar mais obediência de todos em Nanda Parbat.

― Eu não vou permitir.

― Você não permite nada, querida. Pelos próximos meses você será minha encubadora humana, e então eu terei meu herdeiro. O filho de vocês será o próximo Ra’s Al Ghul.

Notas finais
Então, é um menino!! Próximo capítulo é o último, que vai fechar todas essas histórias, mas ainda teremos um epílogo fofinho à frente!! Vou responder os reviews do capítulo anterior amanhã, tá certo?! Me digam o que estão achando e o que acham que vai rolar na conclusão de Assassins. Até mais... Bjs*