Assassins

22 Star City || 2018


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Como estão? Eu estou ansiosíssima por esse capítulo, ele é quase um presente meu para vocês e vai marcar o fim de uma era e início de outra!! Dei spoiler demais? Talvez... Enfim, boa leitura!! Nos vemos nas notas finais!! Bjs*

Star City – EUA

Abril de 2018

Eu estava exausta. As duas viagens seguidas para Metropolis mais os três tiros haviam me deixado morta, e nem a hora que passei na banheira fizeram com que todo estresse saísse.

Meus pensamentos estavam apenas em Oliver. Ele havia ficado acabado com toda a história, e ainda convencer um assassino a não matar era mais difícil do que parece. Mas por agora eu teria de deixar esse drama com o loiro de lado e focar no moreno, contar tudo a ele, mas não agora, não hoje. Precisava refazer esse curativo no braço, passar uma pomada para machucados onde o colete segurou as balas, tomar meus antibióticos e ir dormir.

Pesquei um robe para cobrir a camisola branca que usava e desci as escadas em busca de algo para comer antes de dormir.

― Oliver? ― Meu coração disparou com a surpresa de vê-lo ali em minha sala, sentado no escuro, parado, mais triste do que quando nos separamos. ― Você pode usar uma campainha, sabe?

― Falei com Ra's sobre o acidente dos meus pais. ― Sua voz taciturna e deprimida partiu meu coração.

― E? ― perguntei, acedendo a luz da sala.

― Assumiu tudo na minha cara, como se não fosse nada demais, até mencionou Thea. Nem cheguei a ir a Nanda Parbat.

― Deus, Oliver! ― A crueldade daquele homem não tinha medidas.

― O pior foi ter que ouvi-lo dizer que eu tinha apenas que superar. Que meu futuro na Liga era brilhante e não deveria perder isso por coisas e pessoas que eu tinha de deixar apenas no passado. ― Ele baixou o rosto entre as mãos.

― O que vai fazer? ― Sentei ao seu lado e acariciei seu ombro.

― Eu quero vê-lo destruído, Felicity. ― Ele afirmou com firmeza, o olhar vermelho, não sei se de raiva ou lágrimas. ― Seria fácil demais apenas matá-lo enquanto dorme. Quero assistir o todo poderoso Ra's Al Ghul quebrar!

― Eu te ajudo. ― Segurei a mão dele. ― Vamos fazer isso juntos. ― Oliver assentiu, apertando minha mão com mais força e deixando um beijo no dorso.

O clima da sala de repente ficou mais tenso, sem explicação, mais quente. O olhar dele pesou sobre mim, e eu não pude ignorar o perfume dele que agora era tudo que eu sentia, principalmente quando ele chegou mais perto e colocou a mão em meu rosto, fazendo carinho ali com o polegar.

― Quero você, Felicity ― a voz grave me deu arrepios, o olhar fixo em minha boca, enquanto passava a língua pela própria.

― Pegue ― foi a única palavra que consegui emitir. Eu também o queria, mais do que estava pronta para admitir. E agora que estávamos do mesmo lado, não conseguia mais segurar.

Seus lábios logo estavam sobre os meus beijando, sugando, mordendo, provocações lentas para me levar à loucura. Passei uma das pernas sobre o quadril dele e ataquei seu pescoço, enquanto ele desfazia o nó do meu robe e o tirava pelos meus braços.

― Vamos para um quarto? ― convidou. ― Você não sabe o quanto estou com saudades. ― Sorri.

― Eu já disse, pegue o que quer ― gemi as palavras ao ouvido dele. ― Pegue.

Uma das mãos que estava firme em minha cintura desceu por minha coluna até meu quadril, enquanto a outra me trazia para baixo dele, deitando-se sobre mim. Seus dedos subiam por baixo do tecido sedoso da camisola, das coxas até minhas costelas, e então fazer o caminho inverso, deixando um rastro de fogo por onde passavam.

― Não trouxe camisinha. ― Oliver se deu conta quando eu já enlaçava minhas pernas em torno de sua cintura.

― ‘Tô limpa e com anticoncepcional em dia ― me apressei em dizer.

― Excelente ― Seus polegares e indicadores engancharam-se no cós da minha confortável calcinha de algodão, a deslizando por minhas pernas.

Quando a peça já estava fora do jogo, ele voltou a atacar minha boca, então meu pescoço, ombros e clavícula, enquanto eu me ocupava em desafivelar seu cinto e abrir sua calça.

― Queen, direto ao ponto. Também estou com saudades.

Seu sorriso saiu travesso e ele parou a massagem que fazia em meus seios por cima da camisola, que mesmo que tivesse maravilhoso não era o que eu queria.

Oliver se ajoelhou apenas para abaixar a boxer e depois voltou a se inclinar sobre mim, logo após segurou minha coxa direita com firmeza e a afastou para o lado, praticamente abraçando minha perna esquerda com as suas, sua ereção já roçando a entrada da minha vagina.

― Oh, isso é bom! ― gemi quando o senti me preencher vagarosamente. Ele subiu a mão até minha bunda para ajustar melhor o encaixe, então começou a se movimentar dentro de mim. ― Oh, Oliver!

Meus gemidos aumentavam à medida que nosso ritmo também crescia, e os barulhos que ele emitia não eram mais discretos que os meus. Comecei a jogar meu quadril em sintonia com o dele, o prazer aquecendo meu baixo ventre e eu já sentindo os típicos espasmos do que estava por vir. Chegamos ao orgasmo juntos, quando ele se derramou dentro de mim, eu perdendo totalmente a força das pernas.

― Uau, como senti falta disso! ― exclamei com a cabeça relaxada no encosto do sofá. Ele riu saindo de dentro de mim, e deitando a cabeça em meu peito, o olhar distante, o silêncio dominando a sala enquanto eu me preparava para o round dois, porque se Oliver achava que uma vez havia sido o bastante, ele não me conhecia mesmo.

― Você está sangrando ― ele observou depois de um tempo, segurando meu braço no lugar do tiro. Eu mesma nem havia notado que o curativo improvisado que eu havia feito estava manchado de vermelho.

― Amanhã vou dar uns pontos. ― Dei de ombros, não me importando nem um pouco com aquilo e muito mais ocupada em fazer carinho em seus cabelos. ― Eu mesma faria, mas não alcanço.

― Eu cuido disso. ― Ele saiu de cima de mim e ficou de pé, arrumando as roupas. ― Onde tem material de primeiros socorros?

― Sério, Oliver, agora? ― Me apoiei nos cotovelos para erguer meu tronco apenas um pouco. ― Depois eu faço isso!

― Você não está mais por conta própria, Felicity, somos um time! Eu cuido de você. ― Ele me deu um beijo rápido e segurou minha mão. ― Agora onde está o kit? ― Rolei olhos, mas o guiei até meu banheiro no andar superior, acatando seu pedido de sentar na pia e ficar quieta para que ele desse uns pontos no meu braço.

― Já pensou em ser médico? Você é bom, Thea tinha razão quanto a isso ― elogiei seu trabalho minucioso e muito bem feito.

― Eu costuro cortes desde os quatorze anos, provavelmente já fiz mais isso que a maioria dos médicos da minha idade.

― Não se exiba!

― Não estou, é triste, se você pensar bem. Que adolescente você conhece que precisava suturar seu melhor amigo quase todos os dias depois do treino?

― Ei, pra onde sua cabeça foi agora? ― Oliver tocou o indicador em minha testa, quando viajei pensando no meu amigo.

― Essa vida de fugitiva me deixa com tantos assuntos inacabados que às vezes me dá dor de cabeça ― confessei. ― A gente tem muito o que conversar amanhã, Oliver.

― O melhor é você supor que vou passar a noite toda aqui.

― Não, o melhor é você supor que vou te deixar ir. ― Saltei da pia na frente dele, segurando o tecido de sua camiseta cinza dele entre os dedos. A camisa de botões azul marinho havia ficado em algum lugar no cômodo de baixo, provavelmente perto da minha calcinha. ― Ainda temos muito o que fazer à noite, baby.

― Descansar, eu espero. ― Franzi as sobrancelhas quando ele desviou do beijo que tentei lhe dar, segurando meus pulsos e tomando distância. ― Qual o problema, Oliver? ― Cruzei os braços.

― Estamos física e psicologicamente cansados, Felicity. E você levou três tiros, deveria dormir, teremos dias difíceis à frente.

― Tem sido dias difíceis desde que entramos para a Liga dos Assassinos, então qual o real motivo?

― Estou preocupado com você. ― Soltei um riso descrente.

― Não era você que meia hora atrás estava arrancando minha lingerie no sofá da sala? ― atestei. ― Eu estou bem, ok? Quer ver?

Sem o mínimo pudor, arranquei minha camisola pela cabeça, ficando inteiramente nua em sua frente. Seus olhos cresceram um par, medindo cada centímetro do meu corpo despido e eu podia ver o desejo em suas pupilas dilatadas e íris escurecidas.

― Eu machuquei você. ― Seus dedos acariciaram as marcas que já estavam ficando esverdeadas que ele havia deixado em meu pescoço quando chegou em Metropolis. Eu geralmente as cobria com maquiagem, mas com o banho que havia tomado, elas ficaram à mostra. ― Eu prometi que não te machucaria e fiz isso, quando você só queria me ajudar. Me desculpa.

― Ei. ― Segurei suas mãos entre as minhas. ― Você já se desculpou e eu estou bem. Sou mais forte do que você acha, Queen.

― E isso me deixa mil vezes mais preocupado. Felicity, por favor...

― Oliver! A gente se conhece há muitos anos e durante todos esses anos isso aqui foi só complicação. ― Apontei para nós dois, com apenas um pequeno passo chegando nele e lhe abraçando. ― Estamos só nós dois aqui e finalmente parece simples, pelo menos essa noite. Não complique agora.

― Não vou. Não mais, prometo. ― Sorri um pouco quando aparentemente ganhei a luta que travamos. Sorri mais quando ele enlaçou minha cintura com um dos braços e me carregou com facilidade até minha cama, me deitando de costas sobre ela. ― Relaxe, você ainda não pode fazer muito esforço.

Me arrastei até estar sentada com as costas na cabeceira da cama e assistir de camarote o show que era Oliver Queen se livrando todas suas roupas.

― Virou uma voyeur, Felicity? ― me provocou.

― Isso é um espetáculo. ― Apontei para ele. ― Mas, particularmente, prefiro estar no meio da ação. E só avisando, agora estou com toda a paciência do mundo para suas preliminares.

― Então não deveria ter tirado toda a roupa, meu bem. ― Oliver puxou minhas pernas para que eu ficasse novamente no centro da cama e engatinhou para cima de mim. ― Que saudade deles. ― Sua boca começou a sugar meus seios, e arqueei a coluna na direção do contato, abrindo mais as pernas para que ele se acomodasse entre elas e arrancando a pele das costas dele com as unhas.

― E eles com certeza sentiram saudade de você. ― Sua risada saiu contra a pele do meu colo, causando um ventinho gostoso no local.

Suas mordidas eram amenizadas por sua língua habilidosa, e as sugadas deixaram uma trilha de prazer que amanhã se converteria em marcas por todo meu corpo. E o melhor? Eu não poderia me importar menos com isso. Quando seus dedos encontraram o estado encharcado e lamentável que era minha intimidade, um sorriso nada inocente desenhou-se em seu rosto.

― Quer experimentar um sexo profundo, Felicity? ― as palavras sussurradas ao meu ouvido tiveram o poder de me arrepiar inteira. A reação foi a resposta que não consegui colocar em palavras, mas foi também exatamente o que ele queria ver. ― Relaxe ― repetiu o comando que já havia dado anteriormente.

Soltei um gritinho surpreso quando Oliver segurou minhas duas pernas, se ajoelhou na minha frente e as jogou por cima de cada um de seus ombros.

― Mas o quê?

― Confie em mim, você vai gostar.

Suas mãos agora estavam nas minhas nádegas, levando meu quadril ao encontro da sua ereção pulsante, que me invadiu com tudo, indo mais fundo do que eu mesma achei possível ir, me fazendo até procurar apoio e segurar firme na cabeceira da cama.

― Tá tudo bem? ― Apenas acenei afirmativamente com a cabeça os olhos ainda fechados. ― Vou começar a me mover, me diz se te incomodar. ― Confirmei em silêncio novamente, mordendo os lábios para não gemer como uma idiota quando ele ainda nem havia se mexido direito.

Com uma mão ele apertava minha bunda, conduzindo os movimentos, e com a outra ele estimulava meu clitóris, enquanto eu só me contorcia, apertando a madeira entre os dedos. Todo meu centro se contraía e se eu não tentasse manter apenas mais um pouco de controle, aquele ia ser o orgasmo mais rápido que alguém já havia me dado.

― Se excite, Felicity. Eu cuido daqui de baixo e você aí em cima.

Segui seu conselho e comecei a massagear meus seios, já a beira de uma explosão, quando seu ritmo se intensificou ainda mais. Abri meus olhos para olhá-lo, de joelhos na minha frente, a pele vermelha e suada, me fodendo como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo. Eu não sabia se de fato para ele era, mas eu sabia que para mim sim.

― Eu queria tanto te beijar agora, Oliver.

― Em um minuto, am... Oh, você é tão gostosa! Como eu passei todo esse tempo sem você, Felicity?

― Não aguento mais, eu preciso...

― Goza pra mim, meu bem. Estou chegando lá também.

Quando meu corpo pareceu desmanchar-se como sorvete derretido sobre os lençóis, Oliver segurou minha carne com as duas mãos, levando meu quadril mais para cima e deslizando de uma vez para fora, então todo para dentro de novo, então ele teve seu próprio orgasmo.

Estávamos ambos ofegantes e com a pulsação a níveis medicamente preocupantes quando ele saiu de dentro de mim e deitou com as costas na cama, me trazendo para cima de si, nós dois ficando abraçados quietos apenas ouvindo a respiração e as batidas do coração um do outro.

― O beijo que te prometi.

Oliver segurou meu rosto e colou nossos lábios, sua língua passando pela barreira dos meus dentes sem resistência alguma, enquanto o aperto possessivo em minha cintura não dava margem alguma para que eu me afastasse. Não que eu quisesse resistir, na real. Se eu tivesse que escolher um momento para voltar sempre que quisesse, seriam os últimos minutos.

Eu sei que praticamente o arrastei para minha cama numa promessa de uma noite para matar a saudade, mas ele estava certo, eu estava exausta, mesmo que não quisesse admitir.

― Também não sei como passei todo esse tempo sem você ― confessei já fechando meus olhos e caindo no sono.

~

Acordei, e minha primeira percepção foi o vazio ao meu lado na cama. Foi a primeira vez que, literalmente, dormimos juntos, sem que ninguém tenha tido pressa de se vestir para voltar para o próprio quarto depois do sexo. Apenas nos embolamos um no outro e deixamos que o cansaço dos últimos dias nos levasse. Ainda acordei um par de vezes durante a noite para checar se Oliver ainda estava do meu lado, e sorria ao vê-lo dormindo calmamente, como nunca o vi fazer.

Mas agora ele não estava mais.

Sentei na cama bruscamente, o que fez o local dos pontos em meu braço arderem, mas ignorei o incômodo, levantando em busca de uma prova que não havia sido sonho. E lá estava, jogada de qualquer jeito no chão do meu quarto, a camiseta dele. Cobri minha total nudez com a peça, apenas o cheiro dele me acalmando, e aproveitei para escovar os dentes e prender meus cabelos em um coque.

― Você correu, Queen? ― gritei ainda do topo das escadas. ― Cadê você?

Cozinha ― me respondeu no segundo seguinte, ao que suspirei em alívio.

― Uau! A rainha da Inglaterra vem aqui? ― Haviam panquecas em dois pratos, suco em uma jarra, o cheiro de café por toda a cozinha e ele colocava ovos numa frigideira para fazer omelete. Um Oliver descamisado abriu o sorriso e caminhou em minha direção, na entrada do cômodo.

― Não a da Inglaterra, a minha. ― Ele se inclinou para um selinho. ― Bom dia, Felicity.

― Bom dia ― retribui sorrindo e quase gemi de frustração quando ele se afastou para voltar ao fogão. ― Não precisava acordar tão cedo. ― Me posicionei atrás dele, lhe abraçando e descansando o rosto em suas costas.

― Você sabe que não consigo dormir até tarde. Tipo, nunca.

― Oh, se sei ― respondi relembrando. ― Não era você que acordava todo mundo em Nanda Parbat às seis da manhã?

― Ainda acordo. Acordava. ― Se corrigiu quase instantaneamente, então ficou em silêncio. Ainda era um assunto difícil para ele.

Ok, Felicity, hora de usar seus talentos de faladeira para um desvio de assunto!

― Posso te perguntar uma coisa? ― interpelei com cuidado, distribuindo beijos em suas costas largas marcadas por cicatrizes e tatuagens.

― Hm? ― murmurou atento a virar o omelete.

― Por que não queria transar comigo ontem à noite? Você não é de negar fogo, Oliver, e estava na sua cara que queria tanto quanto eu.

― Estávamos cansados e você está ferida ― repetiu o que já havia falado na noite anterior.

― E daí?

― Não queria te machucar mais.

― Não foi só por isso, Oliver. Te conheço!

― É besteira minha, deixa pra lá.

― Agora você vai falar, querido. ― Segurei seus braços para fazê-lo ficar de frente para mim.

― Eu senti medo, Felicity ― assumiu, evitando meus olhos. Medo? De que diabos? ― Tudo entre nós dois sempre foi resumido a apenas sexo e pancadaria. Não queria que fosse apenas sobre isso, sabe? Quero algo mais e tenho medo que você não queira.

Sorri para ele. Era um medo bobo, eu nunca me senti tão em casa como quando estava abraçada com ele na cama. Cheguei a experimentar a sensação com Ray, mas com Oliver foi dez vezes mais forte. Ele era meu lar.

― Isso não parece um lar para você? ― dei voz aos meus pensamentos abraçando a cintura dele. ― Você cozinhando, eu apenas comendo já que não sei fazer nada além de descongelar comida. Eu não vejo a hora de resolvermos nossos problemas com a Liga e Ra’s, e vivermos isso por completo. Também quero algo mais com você.

― Estamos na mesma página então?

― Finalmente na mesma página.

Dessa vez nosso beijo se aprofundou e logo ele me ajudava a sentar sobre a parte livre do balcão da cozinha e eu envolvia minhas pernas em seu quadril para o trazer mais para perto.

― Espera. ― Oliver manteve a mão em minha cintura, mas se afastou apenas para desligar o fogão. Rolei olhos e o puxei para outro beijo. ― E seus machucados? ― Bufei impaciente, parando os beijos que distribuía por todo o rosto dele.

― Bem melhores, Oliver, agora foca aqui, faz favor? ― Os lábios dele esticaram-se num riso safado, então foram direto para meu pescoço.

― Eu tenho que dizer que previ isso. ― Uma terceira voz se fez presente no apartamento.

Paramos nossos carinhos com o susto, eu saltei do balcão e peguei uma arma que mantinha ali embaixo, enquanto Oliver puxou um arco não sei de onde e já o tinha a flecha apontada direto para Tommy, que também tinha o loiro na mira de sua própria flecha.

― Que susto, Merlyn! ― Abaixei minha arma, ao contrário dos outros dois, que se encaravam como dois pitbulls.

― Abaixa o arco! ― Oliver ordenou entredentes.

― Você primeiro! ― o outro retrucou.

― Ei, ei, ei! ― Fiquei entre os dois antes que saísse voando flecha para tudo que é lado. ― O que faz aqui sem avisar, Tommy?

― O que ele faz aqui? ― me respondeu com outra pergunta, indicando Oliver com o olhar.

― Vou contar até três e vou atirar. ― O Queen ameaçou.

― Vai contar nada! ― falei para Oliver e me virei para Tommy. ― E você, relaxe. Ele está com a gente. Comigo ― assumi finalmente. ― Agora abaixem as armas. ― Eles me ignoraram completamente, o que já estava me irritando bastante. ― Agora! ― gritei e os dois recuaram, mesmo parecendo odiar isso.

― Que diabos faz aqui, Tommy? ― Me aproximei dele, deixando minha pistola em uma das mesinhas.

― A gente tinha um plano, ainda lembra dele? ― Piscou para mim. ― E você desligou o telefone três dias atrás na minha cara e não atendia minhas ligações, fiquei preocupado.

― Você não pode simplesmente pular para dentro da minha casa assim, sem aviso. Pode ser perigoso para nós dois.

― Eu sou um fantasma a mais tempo que você, lindinha. Sei bem me virar.

― A coisa é que...

― Felicity! ― a voz de Oliver retumbou no local. ― Quando planejava me contar sobre você e esse cara?

― Era minha próxima pergunta para ela, Ollie!

Massageei minhas têmporas. Era cedo demais para esse estresse.

― É o seguinte: eu vou pro meu quarto colocar uma roupa, e os dois galos de briga vão ficar quietinhos aqui na sala até eu voltar e podermos conversar, entendidos? ― Os dois me olharam como crianças birrentas. ― Entendidos? ― perguntei elevando a voz. Querem ser crianças? Pois serão tratados como tal!

― ‘Tá ― responderam em uníssono.

― Ótimo. Eu já volto.

― Ela é mandona, não é? Eu meio que gosto. ― Tommy soltou a última provocação a Oliver quando eu já subia as escadas, e quase voltei e lhe enfiei uma faca no meio da testa. Dá pra parar de cutucar a fera?

Levei mais tempo do que normalmente levaria para tomar meu banho e colocar vestidinho leve. Eu não tinha pressa alguma de voltar para o ringue que estava formado em minha sala de estar, e mesmo que temesse um pouco pela integridade física do meu apartamento, não estava com saco para a competição entre Oliver e Tommy. Os dois já foram amigos um dia, era bom que arrumassem um jeito de serem de novo, pois, por mais que precisasse deles para derrubar Ra's e a Liga, eu não queria bancar a mãe de duas crianças briguentas. Talvez Laurel gostasse de ver aquela disputa imbecil, eu não.

Desci enxugando os cabelos com uma toalha e encontrei os dois surpreendentemente quietos, sentados em extremos opostos do sofá maior, mas atentos à tela do meu computador que estava na mesinha de centro.

― Que bom que voltou, tenho uma pergunta.

― Claro que tem. ― Me aconcheguei ao lado de Oliver, que já estava vestido com sua camisa de botões, também vendo o que as câmeras na sede da Liga me mostravam.

― Sem querer ser do tipo que invade a privacidade dos outros, nem nada, mas apenas higienicamente falando... ― Rolei olhos. Ele era a pessoa que menos ligava para privacidade da história. ― Que lugares desse apartamento já estão contaminados com os fluidos sexuais de vocês? De boas, só para eu evitar.

― Esse sofá, pra começar ― falei sorrindo.

― Eca! ― Ele ficou de pé como se houvesse levado um choque na bunda. Ótimo, pelo menos alguém aqui vai dar espaço.

― O que está passando no meu canal preferido? ― Voltei minha atenção ao computador.

― Sara e Nyssa se pegando no quarto, Curtis sendo nerd, Talia torturando psicologicamente uma menina e Ra's com cara de paisagem na beira do Poço ― Tommy me respondeu sorrindo. ― Tudo segue comum na ensolarada Nanda Parbat. Só faltou mesmo Oliver espancando recrutas. ― Também ri de seus comentários. Era bem isso.

― Desde quando tem isso, Felicity? ― a voz de Oliver era quase um sussurro, e só ouvi porque estava colada nele. ― Há quanto tempo nos observa?

― Eu tinha que dar um jeito de ficar de olho em você, baby. ― Pisquei para ele e lhe beijei o ombro, mas suas feições ainda estavam sérias enquanto me encarava.

― Me espionando?

― Ok, vou pular a DR. Tem algo para comer nessa casa, Fê? ― E já saiu em direção à cozinha. Suspirei. E lá vamos nós...

― Oliver... ― tentei meu tom conciliador.

― Nada de "Oliver" pra cima de mim, Felicity! Você tem feito isso desde que saiu da Liga, não é? E desde quando somos aliados de Thomas Merlyn? ― Ele estava puto. Muito puto de raiva.

Hello? Por que mesmo?

― Eu fiz e faço o que tenho que fazer para derrubar Ra's, Oliver, espero que você também esteja disposto a isso. E eu só não tinha te mostrado isso ou te contado sobre ele ainda porque você entrou pra isso ontem, e na única outra vez que esteve aqui, me amarrou numa maldita cadeira! ― Ele respirou fundo se acalmando, vendo que estava perdendo a paciência também.

― Olha, se quisermos fazer isso funcionar, não podemos manter segredos e temos que confiar absolutamente um do outro. ― Eu sabia que o "isso" a que ele se referia não era sobre a missão, era sobre nós dois juntos, como um casal.

― Concordo. Mas também acho que não devemos deixar "isso" ser assim tão frágil, que qualquer briga abale. ― Coloquei minha mão sobre seu peito, puxando seu olhar para o meu. ― Tommy é um aliado valioso, salvou minha vida um par de vezes, também precisamos dele, assim como saber exatamente o que acontece em Nanda Parbat. ― Ele franziu os lábios numa linha fina.

― Não confio nele.

― Confie em mim, então.

― Não gosto dele perto de você. ― Era até bonitinho as ruguinhas de ciúmes que se formaram na testa dele. Se eu não soubesse que os dois resolveriam uma briga por isso com arcos e flechas, acharia até engraçado.

― Agora você está sendo um bobo. Não sou ela, aquilo não vai se repetir. ― Selei nossos lábios rapidamente. ― Ele é meu aliado, você é meu parceiro. ― Oliver finalmente sorriu e começou outro beijo, dessa vez mais lento e carinhoso, que não durou mais que alguns segundos já que fomos interrompidos.

― É, cara. Fomos por esse caminho, mas não rolou.

Tommy chegou na sala devorando um prato lotado das panquecas que Oliver havia preparado. O loiro ficou de pé rápido e avançou na direção do outro, mas segurei seu braço e fiquei novamente entre os dois, as costas apoiadas no peito de Oliver, olhando Tommy com repreensão. Eu sabia que Tommy, o comediante, não perderia a oportunidade de jogar aquilo na cara de Oliver.

― Foi mal, ele não podia saber que demos uns pegas meses atrás? ― Tommy apontou com o garfo para Oliver, que ameaçou atacar de novo, mas o segurei mais firme. ― Relaxa, Queen, foram só uns beijos, não arranquei pedaços da sua garota. Pensei que o combinado era não manter segredos e confiar um no outro.

O maldito estava ouvindo nossa conversa?

― Tommy, se você acha que consegue lidar comigo e Oliver contra você, continue a tagarelar à vontade, mas se tem amor pela própria vida, fecha a porra da boca!

― Calei. ― Ergueu uma mão ao alto, voltando a comer como um desesperado.

― Eu não gosto desse cara ― Oliver grunhiu atrás de mim.

― Ei, olha para mim. ― Me virei para ficar em frente a ele, segurando seu rosto entre minhas mãos. ― Eu e ele não foi nada, ok? Embora também seja teimoso, tenha olhos azuis e seja ótimo com um arco, ele não é você. E eu gosto de você. ― Puxei seus lábios para os meus. ― Também prefiro loiros.

― São ou não o casal de assassinos mais fofo do planeta? Já imagino um bebê loiro correndo pela casa com as flechas do papai e as facas da mamãe.

― Dá licença um minutinho, querido. ― Soltei Oliver, caminhei até Tommy e tirei o prato de suas mãos, depositando na mesinha ao lado da minha arma.

― Ei, eu 'tô comendo! ― reclamou.

― Deixa eu só... ― Lhe dei um gancho de direita no nariz, uma pancada espalmada no peito na região do esterno e mais um golpe na garganta, o fazendo pender para trás até cair no chão. ― Vai fechar a torneirinha de piadas e dizer o que quer, ou devo deixar o resto da surra por conta de Oliver? ― Estalei os dedos da mão, ouvindo a risada de Oliver atrás de mim.

― Ai, garota! ― exclamou segurando pescoço ficando de pé, fazendo seu costumeiro teatro. Eu nem tinha batido tão forte! ― Vocês dois se merecem, dois violentos! Eu só vim te dizer que o segundo poço já era, que achei o Pistoleiro e que nós partiremos para a Índia ainda hoje.

― Sério? Finalmente uma boa notícia sobre isso. ― Meu humor subiu e eu ri.

― Você está caçando o Pistoleiro, Felicity? Ele é perigoso!

― Perigosa é sua namorada, o pobre coitado que deveria ter medo. ― Tommy, o dramático, falou acariciando os próprios machucados. Espera, aí? Namorada? Contorne, Felicity, contorne!

― Ele é ainda pior que os assassinos da Liga, Oliver, você sabe. Não tem um código, age por dinheiro e eu sou um de seus alvos. Tenho que acabar com isso antes que ele me ache primeiro.

― Vou com você, então.

― Não, não, não! ― O moreno interrompeu. ― Quando eu disse "nós", quis dizer eu e Felicity. Não quero herdeiros do demônio no mesmo avião que eu!

― Cala a boca, babaca, eu vou sim! ― Oliver fez birra.

― Oliver, estou com Tommy nessa ― falei com calma, antes que o cérebro dele explodisse na minha frente. ― Você tem que voltar para Nanda Parbat ou Ra's pode desconfiar de algo. E ainda precisamos dos seus olhos e ouvidos atentos por lá.

― Não vou te deixar ir numa missão tão perigosa para o outro lado do mundo, ainda mais com ele! ― gritou. ― Merlyn não é como nós, ele escolheu ser um assassino, Felicity. Ele escolheu entrar na Liga. ― Jogou a informação, que se eu não estivesse preparada, teria caído como uma bomba. Por trás da raiva, no olhar de Oliver eu podia ver também tristeza e culpa, talvez pelo fato do amigo ter escolhido essa vida também por causa dele.

― Eu sei ― afirmei triste. ― Mas todos aqui temos um passado e o mesmo objetivo. Não se preocupe, vamos ficar bem. ― O nariz dele inflava de raiva, o rosto vermelho e os lábios comprimidos.

― Eu ainda não estou confortável com isso, mas confio em você. ― Se encaminhou até a porta, pegando uma mochila no chão, e eu o segui. ― Vamos manter contato.

― Pode deixar. ― Envolvi meus braços em torno do pescoço dele quando chegamos na porta. ― Estou muito feliz por ter você aqui comigo, Oliver.

― Eu também. Nunca mais vou te deixar escapar.

― Nem eu.

Não economizamos tempo nos beijando, ele ainda nem tinha ido e eu já sentia falta. Queria que não houvesse tanto drama envolvido e fôssemos um casal que pudesse apenas passar o dia juntos, vendo filme e comendo besteira. E um dia eu tinha esperança que seríamos.

Quando nossas bocas se afastaram, nossos braços não obedeceram ao mesmo comando. Eu não queria soltá-lo, queria arrastá-lo para a Índia ou qualquer outro lugar que eu estivesse. Eu não queria passar dias sem ver aqueles olhos azuis, antes tão gélidos, agora brilhantes, como duas safiras recém-lapidadas.

Mas que merda, eu amava Oliver!

A ciência desse fato me assustou mais do que Talia Al Ghul em seus piores dias. Tudo bem gostar dele, estar apaixonada, talvez, mas amar era muito diferente. O último homem que eu tinha amado estava debaixo de sete palmos. E só pensar em perder Oliver me dava calafrios. Por isso tinha me atirado na frente das balas em Metropolis, por isso pedi que ele voltasse à Nanda e não levantasse suspeitas. Não podia mais ficar sem ele.

― Acho que tenho que ir agora. ― A voz dele me tirou de meus pensamentos. ― Tudo bem com você, Felicity?

― Er, tudo. Sua camiseta está comigo, eu vou...

― Pode ficar com ela. ― Deu de ombros, me deteve segurando meu cotovelo. ― A gente se fala em breve.

― Até breve. ― Um último beijo e ele foi.

― São realmente adoráveis. ― Tommy chegou atrás de mim, encaixando a cabeça na curva do meu pescoço também olhando a porta fechada. ― Só que cabeças-dura demais para assumir em voz alta que se amam.

Notas finais
Não é a coisa mais fofa do mundo ver eles nesse climinha de romance e cuidado? Claro que ainda há muito a ser discutido e resolvido, é um relacionamento novo para ambos e muito pode dar errado, mas posso prometer aqui que eles vão continuar tentando. Meu Olicity não vai separar fácil!! E o encontro de Tommy e Oliver? Sei que muitos estavam ansiosos por isso, eu também estava, acreditem. A amizade dos dois, há ainda um longo caminho, mas Felicity vai ser mais do que empenhada em acertar isso. Espero que tenham gostado do capítulo, foi escrito com muito carinho!! Até os reviews... Bjs*