Assassins
11 Star City || 2016
Notas iniciais
Star City – EUA
Novembro de 2016
Eu soube no instante seguinte que tinha conseguido nossas mortes, eu soube logo que ele colocou o joelho no chão e abriu a maldita caixinha com o solitário e fez a pergunta. Mas não foi o fato de termos algumas dezenas de pessoas observando a cena, ou o fato de termos mil rosas ao nosso redor (sim, o exagerado fez isso!), muito menos o diamante gigante que ornava o anel que não me fez negar.
Eu simplesmente não consegui dizer não àqueles olhos negros que brilhavam mais que a joia e àquele sorriso, meu sorriso de príncipe da Disney. Eu o amava, por mais que isso fosse ferrar nossas vidas.
― Felicity? ― ele falou meu nome mais uma vez, chamando minha atenção de volta à sua pergunta. ― Aceita se casar comigo?
~
#8 meses atrás
― Você precisa sair daí, Felicity ― Curtis balançou meus ombros em mais uma de suas tentativas de me fazer levantar.
― Estou doente ― murmurei sob os lençóis.
― Não, você não está.
― Você é médico agora, Holt? ― Levantei minha cabeça apenas para que ele visse eu encará-lo emburrada. ― Vá procurar o que fazer! ― Ele suspirou pesado.
― Você pode nem querer me obedecer, mas Talia estava te procurando hoje mais cedo. Devia ir vê-la antes que o demônio venha aqui no seu quarto, seu santuário pessoal.
― Foda-se Talia! ― Me virei de costas para Curtis abraçando travesseiro e fechando os olhos.
― Fala sério, Felicity! ― Toda a paciência que ele tinha se foi, e ele elevou o tom de voz. ― Ele foi para a Rússia já faz quase dois meses. E você fica aí fazendo drama como se fosse uma adolescente deixada pelo namorado! E você mesma disse que não...
― Isso não é sobre Oliver ― refutei a ideia, antes que ele resolvesse me encher ainda mais sobre o assunto. ― Eu estou doente. ― Fingi uma tosse tão falsa que Curtis que estava bravo, começou a rir.
― Vá ver a Talia ― aconselhou antes de me deixar sozinha no quarto.
Eu não menti totalmente quando disse que meu desânimo não era sobre Oliver. Eu de fato precisava de um descanso depois da sequência de missões em campo que estava tendo. E daí que meu descanso estava durando mais de um mês e coincidiu bem com o período que Oliver tinha ido embora?
A quem eu estava tentando enganar? Eu sentia tanta falta de Oliver que doía. Por mais disfuncional que nossa relação tenha sido desde o início, eu me acostumei a tê-lo por perto, nem que fossem seus gritos e julgamentos. E agora a ausência dele em Nanda Parbat, e como meu parceiro, era como se faltasse algo no meu dia. E eu nem estava falando sobre o sexo, não que este também não fizesse falta.
― Queria me ver? ― questionei a Talia depois de bater em sua porta no fim da tarde. Melhor encarar logo a fera.
― Minha coelhinha saiu da toca? ― brincou, mas eu me mantive séria. ― Sente-se. ― Indicou a cadeira na frente da sua mesa quando percebeu que eu não lhe daria corda.
― Eu tenho uma dezena de trabalhos atrasados com Curtis, então se puder me dizer logo o que quer, querida. ― Me joguei no sofá cruzando os braços. A mulher franziu os lábios com irritação, e eu não poderia me importar menos. Vaca.
― Seu casinho com Al Sah-Him te deu muita confiança aqui, não é mesmo? ― Meu corpo todo entrou em alerta, então apertei os braços da cadeira com força tentando esconder minha reação. Ela só poderia estar blefando, ela não sabia de nós dois. Ou sabia?
― Não sei do que está falando. ― Abri meu maior sorriso descarado.
― Ok, vamos mentir. Por mim tudo bem. ― Deu de ombros em um gesto displicente. ― Temos uma missão para você.
― Não estou disponível no momento. ― Levantei da cadeira. ― Até mais, Talia.
― Você acha que é dona disso aqui, não é mesmo? ― Parei com a mão na maçaneta. ― Que tem o herdeiro nas mãos e é a nova Laurel? ― Em dias comuns, eu apenas ignoraria a provocação e tomaria meu caminho, mas Talia me pegou em um péssimo dia.
― Eu? Nova Laurel? ― Girei meus calcanhares para ficar em frente a ela, soltando uma risada. ― Vocês me fizeram uma das melhores daqui, sou boa com tecnologias, armas e combate. Isso é o que me dá confiança, não Oliver, seu pai, ou ninguém. ― Apontei meu indicador na cara dela. Eu via que ela queria me matar. A vadia queria enfiar uma espada no meio do meu estômago, mas apenas riu.
― Garota, você precisa mesmo transar. ― Rolei olhos. ― E é uma missão autorizada por meu pai, por conta de todas essas suas tão admiráveis e supracitadas habilidades. ― Soltei um suspiro frustrado. Ela ia encher minha paciência enquanto não fizesse isso e eu não estava mesmo afim de lidar também com Ra’s Al Ghul.
― ‘Tá bom, só me diz logo quem tenho que matar.
― Ninguém, bonequinha. ― Talia abriu seu grande e cínico sorriso vitorioso, e me jogou um crachá com minha foto e o logo de uma empresa. ― Você é a nova garota do TI da Palmer Tech. Arrume suas malas, você está indo para Star City.
~
Eu odiava missões que eu tinha que ir infiltrada. Era um tempo gigantesco que usávamos em espionagem, fingindo ser pessoas que não éramos. E eu não estava mesmo com paciência para aquilo. E eu podia apostar minha habilidade com facas que Talia Al Ghul havia me jogado para Star City de propósito. Ela me odiava cada dia mais, e se formos ser honestas, o sentimento era recíproco.
Troquei minhas lentes pelos óculos de grau que eu quase não usava, ajustei minha saia secretária e sapatilhas e peguei minha bolsa. Sorria, Felicity, e finja que está no emprego dos sonhos.
― Bom dia, Felicity Smoak, começo hoje no departamento de TI. ― Mostrei meu crachá ao segurança. Pelo menos eles haviam me deixado usar meu nome, já que não teriam mortes envolvidas. Um roubo irrastreável de alguns milhões em tecnologia e armas? Sim. Mortes? Não.
― Ah, claro. Me siga. ― Ele me guiou até uma sala nos fundos do prédio, onde quase uma dezena de nerds trabalhava sem sequer levantar os olhos do computador. Outro que nem olhou direito na minha cara foi o segurança, mas esse era bem o objetivo. Eu devia parecer invisível, entrar e sair sem que eles notassem que foram roubados até eu estar de volta à Nanda Parbat. E isso poderia levar meses, então ser a mulher fatal que abateu o líder da Bratva há apenas algumas semanas não ia servir. ― Pode usar essa sala, algum supervisor vem te mostrar seu trabalho até o fim do dia.
― Obrigada pela... ― Eu ainda olhava para a porta entreaberta da sala, e quando me virei para o guarda que havia me guiado, ele já tinha ido. ― ...atenção ― murmurei para o vazio.
Chamar aquilo de sala era superestimar o lugar. Era um cubículo de dois metros quadrados com apenas uma mesa e cadeira e com tantas luzes piscando de computadores que daria dor de cabeça em qualquer um que não fosse acostumado.
― Ok, então. Vamos ao trabalho.
Eu apenas tinha colocado minha bolsa em cima da mesa, quando, de trás do móvel, ergueu-se uma pessoa. Na verdade, um homem tão alto que eu nem imaginava como ele coube ali.
― Jesus amado! ― exclamei no susto, dando dois passos para trás com a mão sobre o peito. Eu nem lembrava a última vez que alguém conseguiu me assustar daquele jeito. ― Quem é você?
O moreno, que parecia tão assustado quanto eu, arregalou os olhos com minha pergunta, e abriu e fechou a boca meia dúzia de vezes sem que a resposta saísse, foi quando o reconheci debaixo do moletom simples, calça jeans e camisa de flanela. Aquele era ninguém menos que Raymond Palmer, meu chefe. E não apenas meu chefe, o sobrenome dele nomeava o prédio!
Ótimo trabalho para quem tinha que passar despercebida, Felicity!
― Eu estava trabalhando numa coisa ― ele começou a se justificar. ― Sinto muito, eu...
― Não, deixa para lá. Vou procurar outra sala para me alocar, me desculpe.
A decisão de fingir que não o conhecia me surgiu na hora, como um escape rápido. Sair daqui como a funcionária novata que logo seria esquecida seria melhor do que puxar um assunto por meio de minhas explicações, o que acabaria rendendo uma conversa. E, no fim das contas, ele não poderia me julgar por não reconhecê-lo como o estranho debaixo da minha mesa.
~
― Eu sou mesmo obrigada a ir? ― questionei ao meu supervisor quando ele deixou o convite em cima da minha mesa naquela manhã. Eu não tinha esquecido de ir buscar o maldito papel na sala dele, eu estava ignorando aquela festa da empresa de propósito. Duvido que alguém fosse notar minha ausência.
― Sim, você é ― respondeu sem paciência. ― Ou pega esse convite ou pego sua carta de demissão. E vista algo bonito ― o idiota jogou a crítica às minhas roupas antes de deixar a sala. Babaca.
― Merda! ― xinguei a sala vazia.
No início eu achei que fosse querer enfiar garfos em meus olhos com a normalidade diária que teria que viver enquanto estivesse em missão em Star City, mas já se passara mais de um mês e eu estava bem. Bem demais, até. Ter um emprego normal com horário de entrada e saída, colegas de trabalho que não se gostam, um pequeno apartamento de três cômodos e até uma gatinha de rua que agora me fazia companhia, estava sendo melhor que o planejado.
Talvez essa fosse a vida normal que eu teria se não tivesse sido recrutada aos dezesseis anos. E nas minhas noites calmas sentindo os pelos da Lulu esquentarem meus pés, eu me sentia tranquila e, de um certo modo, feliz. Eu ainda sentia falta de Sara e Curtis, sem falar de Oliver, mas a vida na Liga era algo tão divergente dos meus dias no presente que era como se fosse outra vida, outra Felicity.
Até ter que ir a essa bendita festa.
Mas se eu quisesse ser normal, teria que agir como uma funcionária normal, então afastei meus planos tão bem arquitetados de matar o supervisor e fui em busca de um vestido. Optei por um azul royal, comprimento midi, justo ao corpo. Para ser bem sincera, foi o primeiro que vesti, na primeira loja que entrei.
O plano para a noite seria: chegar atrasada, circular meia hora com uma bebida em mãos até ser vista pelo supervisor, então voltar para casa. Ah, e passar no mercado para comprar a ração da Lulu e sorvete para mim. Mais perfeito que isso, só o dobro disso.
― Ali está ela. ― Eu estava distraída com minha taça de champanhe quando senti uma mão envolver minha cintura e me puxar para perto. ― Sinto muito, pessoal, hora de dar um pouco de atenção à minha noiva, acho que vocês entendem. ― O estranho agora tinha um rosto, e ele novamente pertencia a Ray Palmer.
Mas, diferente da primeira vez que nos vimos, o homem agora estava impecável em seu terno de vinte mil dólares, no mínimo, e com o cabelo alinhado e sorriso enorme e brilhante, fazendo-o associar imediatamente ao príncipe Henry, dos filmes da Cinderela. Mas o que ele pretendia me apresentando como sua noiva?
― Doutor Palmer? ― questionei baixinho, sorrindo sem graça para o casal à nossa frente.
― Já falei que não precisa mais me chamar assim, amor. ― Uma olhada significativa e entendi. Ele estava tentando fugir de mais uma conversa chata com um casal enfadonho e estava me usando como escape. Não pude deixar de sentir um pouco de empatia pelo coitado, já que eu mesmo estava ali por obrigação.
― Desculpe, amor, força do hábito. ― Balancei a cabeça rindo como se tivesse cometido a gafe do ano, então logo estendi a mão ao casal. ― Muito prazer, Felicity Smoak. Ray fala muito de vocês, senhor e senhora Gardner. ― Peguei um olhar surpreso do senhor Palmer em minha direção quando os chamei pelo nome, que eu só sabia porque eles estavam na minha frente na entrada da festa quando apresentamos os convites ao segurança.
― Coisas boas, eu espero. ― A senhora por volta dos seus sessenta anos me analisou de cima a baixo, segurando o braço do marido.
― Esse homem é um poço de elogios! ― exclamei, dando dois tapinhas cúmplices no peito de Ray, então me virei para olhar diretamente em seus olhos, fazendo minha melhor cara de pesar. ― Querido, também estou morrendo de saudades e um pouco chateada por ter que dividi-lo com todos aqui, mas o senhor Butler está ansioso para vê-lo. Algo sobre ter decidido aceitar sua oferta e baixado o preço de uma mineradora que você pretendia comprar ― comentei como se não soubesse exatamente do que falava.
O olhar do senhor Gardner assumiu um aspecto lívido, e ele até chegou a abrir a boca para falar algo, mas logo arrastei Ray para longe dali.
Em meus dias na Palmer Tech, eu havia esbarrado em um contrato para compra de uma mineradora que pertencia ao Gardner por um valor absurdamente alto, mas o negócio não havia sido fechado ainda. Nunca fui muito ligada a finanças, mas aprendi de tudo um pouco da Liga, inclusive que aumentar a lei da oferta e procura era um caminho para conseguir melhores negócios.
E Ray Palmer era rico o suficiente para não precisar arrumar desculpas, ou fugir educadamente de qualquer pessoa, o que confirmou minha tese sobre o homenzinho chato estar fazendo jogo duro para vender. Não custava nada usar minhas aulas de atuação para ajudar meu chefe a fechar um bom negócio.
― Uau, isso foi...
― Inapropriado ― completei a frase dele, soltando seu braço [, quando estávamos fora da vista do casal. ― Por favor, não me apresente para mais ninguém como sua noiva, doutor Palmer. Tenha uma boa festa. ― Acenei discretamente com a cabeça e comecei a me afastar, quando o senti segurar meu cotovelo com uma gentileza tão desconhecida quanto agradável.
― Felicity Smoak, certo? Vejo que aprendeu meu nome e que agora me reconhece. ― Ele se lembrava de mim. Mesmo com todo o vestido, saltos e maquiagem, ele se lembrava de mim.
Maravilhoso.
― O senhor vai ter que me desculpar, aquele era meu primeiro dia ― justifiquei.
― ‘Tá brincando? Depois do que fez ali, estou cogitando te promover a vice-presidente. Como sabia sobre a mineradora?
― Sou do departamento de TI. Tudo passa pelo departamento de TI ― expliquei vagamente. Isso e o fato de que estou espionando sua empresa há semanas.
― Certo. ― Ele ficou me olhando esquisito.
Eu já conhecia bem o olhar de um homem que sentia desejo por uma mulher, Talia me fez especialista em provocar esse tipo olhar, mas Ray me olhava diferente. Tinha sim uma pontinha de desejo lá, mas era mais curiosidade e entusiasmo, o que era novidade para mim. Ergui uma sobrancelha curiosa para ele, foi quando o moreno percebeu que talvez estivesse me encarando por tempo demais.
― Você quer sair daqui? ― ele propôs. ― Você parece alguém que quer sair daqui. Eu quero sair daqui. ― Não segurei uma risada o assistindo se atrapalhar com as palavras.
― Mas é a sua festa, doutor...
― Ok, pode parar com essa coisa de “doutor Palmer”. Apenas Ray.
― Mas isso seria inapro...
― Não é inapropriado se somos amigos, Felicity. ― Ele riu novamente. Príncipe Encantado! ― Se serei o príncipe, me daria a honra de ser a Cinderela? ― Percebi tardiamente que havia soltado o apelido que lhe dei em voz alta quando ele me estendeu o braço em um gesto de cavalheirismo. Eu nunca falava palavras fora de hora ou não calculadas. Mas que merda está acontecendo comigo?
― Por uma noite. ― Enlacei meu braço no dele e saímos por uma porta dos fundos do gigante salão onde acontecia a festa.
O problema foi que aquela uma noite virou duas, que logo se transformaram em semanas. A companhia dele era agradável e combinava perfeitamente com minha nova vida normal, pelo menos era o que eu repetia para mim mesma. Cada vez que colocava minha cabeça no travesseiro e ele acabava vindo em meus pensamentos, eu tentava me convencer de que se estava infiltrada, teria que viver a vida de Felicity Smoak em todos os horários.
Não a assassina internacional Felicity Smoak, mas a garota do TI, que morava sozinha, andava de metrô, trabalhava quarenta horas semanais por um salário mínimo, criava uma gatinha dócil e que, inacreditavelmente, tinha feito amizade com o dono da empresa em que trabalhava.
Eu me forçava a vê-lo apenas como meu amigo, a pessoa mais legal do mundo que, literalmente, me tratava como uma princesa, desde nossa brincadeira na festa. Eu nunca tive esse tipo de tratamento por ninguém. Durante minha infância e adolescência, eu e minha mãe vivíamos no limite com nossas poucas economias, e, quando entrei na Liga, as coisas não melhoraram nesse aspecto. Claro que tinha a proteção de Oliver, mas com Ray era diferente. Ele cuidava de mim como se cuida de uma rainha, não como se cuida de uma arma, e de repente, me vi quase dependente desse cuidado.
Então em uma noite, depois de um jogo de basquete em que usei minhas habilidades de disfarce para esconder a identidade dele e não sermos reconhecidos, e que fomos pegos por uma chuva enquanto caminhávamos em um parque, ele me beijou.
Sim, nosso primeiro beijo foi o mais clichê possível, porque tudo parecia conspirar a favor de Ray, até os fenômenos meteorológicos. Era como viver numa comédia romântica, e aquela Felicity adolescente que morreu na Liga dos Assassinos, renasceu como uma fênix carente de amor. E esse foi meu maior erro, deixar que essa Felicity tomasse conta de mim.
Nosso namoro durou alguns meses, em que ele não deixava que eu apenas o ignorasse ou o afastasse. Ray vivia no cubículo que eu trabalhava como se não tivesse uma empresa bilionária para gerenciar, e eu tive que recusar mais de uma proposta para trabalhar ao seu lado. Ele dizia que eu era boa demais para ficar escondida ali embaixo, mas escondida era onde eu precisava ficar.
Quando faltavam apenas duas semanas para que terminasse o que tinha ido fazer em Star City, minha consciência pesava horrores de estar roubando do cara mais legal do mundo. Sem dúvidas a Palmer Tech levaria alguns anos para se recuperar, mas ficaria bem no fim das contas. Ray também iria superar quando eu apenas sumisse. No fim das contas todo mundo ficaria bem, menos eu, que não aguentaria perder mais ninguém tão importante. Eu já o amava.
E toda essa história nos coloca em um restaurante, com violino, rosas vermelhas, uma dúzia de garçons me olhando ansiosos e Ray Palmer ajoelhado aos meus pés.
― Felicity? Aceita se casar comigo?
Meu cérebro trabalhava a mil. Eu não poderia dizer não, eu não conseguiria dizer não. Mas o sim implicaria em consequências de uma proporção que eu não poderia controlar, não dessa vez.
Eu havia quebrado uma das regras principais da Liga, eu já havia me apaixonado. E mesmo que eu imaginasse que Talia ou Ra’s poderiam descobrir, eu já estaria de volta e com a missão cumprida quando isso acontecesse, Ray estaria seguro. Mas aquele pedido mudava tudo e colocava de volta em minha cabeça uma ideia que não passava por lá há anos. Eu iria fugir da Liga dos Assassinos.
Mas diferente da adolescente frágil e triste que Ra’s convenceu a ficar em Nanda Parbat, agora eu tinha recursos e capacidade para sair e desaparecer. E foi confiando nisso e no fato que Ray deixaria tudo por mim, que sorri e lhe beijei os lábios, dando minha resposta. Sim, eu iria me casar com Ray Palmer.
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