Assassins
12 Star City || 2017
Notas iniciais
Star City — EUA
Janeiro de 2017
― 'Tá bom, vamos fechar em cinquenta convidados! ― Bati palminhas animadas, enquanto Ray fechou a cara.
― Cinquenta convidados não são nem minha família! E ainda tem aquelas pessoas que precisamos convidar por convenção social ― explicou. ― Felicity... ― começou em tom conciliador.
― Não quero 800 estranhos me olhando entrar na Igreja, Ray! Quem você acha que eu sou, a Oprah?
― 500 ― propôs.
― 100, no máximo.
― 200, e você me deixará convidar Isobel Rochev. É o melhor acordo que vai conseguir aqui, amor.
― Maldita hora que te deixei assistir Suits ― reclamei baixinho, e ele riu. ― Tudo bem pro 200, nada feito para Isobel ― me rendi, mas apenas parcialmente.
― Ela é minha sócia, tenho que chamar!
― Do jeito que ela me odeia, e odeia nosso relacionamento, vai agorar tanto que corre o risco que eu tropece e caia de cara no chão na igreja. ― Cruzei os braços e fiz um bico de irritação. Em outros tempos, a sócia vadia do meu noivo já estaria com uma faca bem no meio daquela cara constantemente irritada.
― Bonitinho ― comentou com um pequeno sorriso, levantando do lugar ao meu lado no chão da sua sala e indo em direção à um móvel que ficava perto da entrada.
― O que é bonitinho?
― Seus ciúmes da Isobel. Você nunca tinha demonstrado isso antes, fico lisonjeado.
― Eu não estou com ciúmes! ― retruquei. ― Eu não sinto ciúmes, de você nem de ninguém!
― Ok, então, se você diz... ― Deu de ombros, não querendo se prolongar no assunto. ― Pode vir aqui, preciso te mostrar uma coisa.
― Ainda são fotos daquela bendita ilha? Eu já disse, Ray, você não vai comprar uma ilha para nossa lua de mel!
Ray Palmer era louco. Nas últimas semanas ele vinha me enchendo a paciência para que eu escolhesse uma ilha na América Central para que ele comprasse só para nós dois. Ela uma ideia tão maluca quanto desnecessária, haviam lugares bem bons que não necessitava de tanta ostentação. Não que ele fizesse isso para mostrar aos outros como era rico, Ray apenas queria eu tivesse o melhor que ele poderia oferecer. Mas na minha concepção, eu não precisava de muito além do amor dele.
― Eu desisti daquilo, por enquanto. Precise que assine uns documentos do acordo pré-nupcial. ― Assenti, indo até ele.
― Seus advogados ainda têm que medo que eu roube você?
― Na verdade sou me assegurando que você sempre fique bem.
― Não está me passando a Palmer Tech, está? Porque eu afundaria a empresa em meses!
― Só assina, amor. Preciso te dar seu presente de casamento. ― Freei a caneta no início da linha e lhe olhei séria. ― Não é uma ilha ou nada nesse valor, relaxe. ― Ergueu as duas mãos ao alto e eu assinei logo, ansiosa por saber o que ele tinha aprontado dessa vez.
― O que você fez?
― Vem comigo.
Ele me guiou até seu quarto, que ficava no andar de cima do seu apartamento duplex. Para mim, tudo estava como sempre, até que percebi que próximo a enorme janela de vidro, tinha um telescópio.
― Esse é seu presente? Um telescópio?
― Não, ele é meu, construí quando tinha doze anos ― falou como se não fosse nada de mais.
― Ok, impressionante. Meu presente é um noivo exibido?
― HA HA. Seu presente está com pouco mais em cima. ― Ele ajustou a lente procurando algo, até que parou. ― Vem aqui, Felicity. ― Obedeci, e não deixando de lado a desconfiança, caminhei com o cenho franzido até me posicionar para olhar na lente. ― Tá vendo um conjunto de cinco estrelas do lado direito? ― Espremi os olhos para ver melhor, até que as achei. ― A sua é a do meio.
O quê? Uma estrela?
― Uma estrela? ― quase gritei, e me virei para encará-lo com um tipo de certificado em mãos. ― Como isso é menor que uma ilha?
― Eu não comprei a estrela, não se pode comprar estrelas, eu chequei. Na verdade, comprei um certificado que dá a você o direito de nomeá-la. Ia colocar Felicity, mas pensei que você pudesse querer homenagear sua mãe, ou outro alguém importante. Alguém que você não quisesse esquecer, que sempre que olhasse o céu numa noite clara como essa, sentisse ele perto.
Nesse ponto, eu já sentia meus olhos marejarem. Eu não chorava com frequência, na real, quase nunca a nos últimos anos, mas aquele cara, meu príncipe nerd havia me dado o melhor presente do mundo, e só conseguia pensar no que havia feito para merecer tanto. Eu já havia tirado tantas vidas, e estava roubando e mentindo pra ele há meses.
Eu sabia que já devia ter falado a verdade, não é como se eu pudesse fugir um dia da Liga dos Assassinos sem que ninguém percebesse, mas eu não queria perder o que tinha com ele. Comecei o assunto uma dezena de vezes, mas ele sempre me saía com uma loucura dessas, daí eu adiava para o dia seguinte, depois pro seguinte.
Planejei contar tudo hoje.
Não a coisa de fazer parte de uma antiga sociedade secreta de assassinos, apenas diria que estava com problemas com algum governo e teríamos que fazer algumas coisas fora do radar. Ray além de inventor, era um hacker quase tão bom quanto eu, e completamente desapegado de sua fortuna. Não seria problema sumirmos. Mas essa conversa era complicada demais, e eu não queria estragar o momento. Amanhã, então.
― Querida, você está me preocupando. Fala alguma coisa. ― Ele acenou com a mão espalmada na frente do meu rosto. ― Sua cabecinha está na sua estrela? Aliás, que nome pretende dar a ela?
Não respondi sua pergunta, apenas saltei em seu colo, meus braços em torno de seu pescoço, minhas pernas em sua cintura, e o beijei.
― Eu amo tanto você!
― Eu também, mais que minha própria vida. Isso quer dizer que você gostou e não vai me fazer devolver o certificado?
― Que horas tem que chegar no escritório amanhã, doutor Palmer? ― Ergui uma sobrancelha e sorri de lado. Ele logo percebeu minhas intenções e ampliou o próprio sorriso.
― Nem precisamos ir.
― Excelente. ― Me inclinei para beijá-lo quando o celular começou a tocar no bolso de trás do meu jeans. ― Merda! Vou ignorar.
― Pode ser importante ― falou, mas com sua boca escovando a minha com leveza, eu não conseguia me concentrar em ligação alguma.
― Você está aqui, não há ninguém mais importante que me ligaria. E onde a gente estava? ― O maldito telefone voltou a tocar.
― Só atende logo, amor. ― Ele me pôs no chão. ― Vou lá embaixo arrumar a bagunça que fizemos com a lista de convidados, subo em cinco minutos.
― Vou te esperar no chuveiro.
― Subo em dois minutos. ― Ele me beijou suavemente e saiu do quarto, me deixando com um riso bobo nos lábios.
― Alô? ― atendi sem paciência.
― Olá, bonequinha. ― Um arrepio percorreu toda minha espinha, e me senti estremecer. ― Querida, você desmaiou? ― Tentei normalizar a respiração. Ela não poderia desconfiar de nada.
― Talia. O que quer?
― Matar... A saudade. ― Ouvi a risada do outro lado da linha.
― Não tenho tempo pra perder, o que quer? ― repeti a pergunta, ansiosa por encerrar a ligação. Ela nunca havia me ligado em quase um ano, aquilo não poderia ser bom sinal.
― Tudo bem, vamos direto ao assunto. Preciso te dar os parabéns.
― Pelo roubo na Palmer? Foi moleza.
― Oh, não, querida. Parabéns não pela empresa, mas pelo dono dela. Soube que vocês ficaram noivos. Eu fico me perguntando o que Oliver acharia disso. ― Senti tudo rodar e o chão faltar debaixo dos meus pés. Ela sabia! Droga, ela sabia!
Pensa, Felicity, pensa. Tem que haver um modo de contornar isso.
― Eu... Você gostou da minha atuação? Quando pediu que eu roubasse tecnologia da Palmer Tech não imaginou que eu me sairia tão bem, não é?
― Não subestime minha inteligência, Felicity.
― Ray era o melhor modo de conseguir acesso aos equipamentos mais novos, e... ― nem pude terminar minha justificativa.
― Não minta para mim, garota! Você é uma assassina treinada, foi mandada aí com uma missão, que não incluía se apaixonar por um milionário qualquer.
― Isso não é...
― Eis o que vamos fazer. Você vai pegar suas coisas e voltar agora para Nanda Parbat!
― Eu não posso, ainda não terminei.
― Você já fez mais do que deveria, querida. Ah, e não esqueça de amarrar todas as pontas antes de voltar. Com isso eu quero dizer finalizar com a genial vida de Ray Palmer. Já que você diz que não se apaixonou, não será problema.
Essa era a hora. Meus planos teriam que ser adiantados, mas eu teria que me virar. Se eu não matasse Ray, alguém da Liga o faria, então tínhamos que fugir antes que eles chegassem.
― Não será problema, certo?
― Ray não é o problema ― respondi. ― Você é. Por quase seis anos eu fui obrigada a ser uma mercenária apenas seguindo os propósitos seus e de seu pai, mas não mais. Vocês não vão encostar um dedo em Ray, e pode mandar a Liga com tudo. Eu derrubo um por um. ― Foda-se fingir que ainda me importava com algo da Liga, já não tinha mais saco para isso. Achei que ela fosse fazer um escândalo bem ao estilo Talia Al Ghul, mas a vaca apenas riu.
― Achei que fosse dizer isso. Mande um olá pro meu pai.
― Talia? ― gritei em desespero. ― O que quer dizer? Talia, não desliga! Talia! ―- Mas já era tarde, a linha já estava muda, e ela sequer se preocupava em atender de volta.
Ra's estava vindo e com ele, uma centena de assassinos. Por mais que cada dia que passava eu achasse que a Liga não tinha esses propósitos tão nobres como nosso líder pregava, eu não queria estar do outro lado da mira. Minhas ameaças à Talia eram em vão, eu não poderia com eles, nem que quisesse.
Ninguém jamais conseguiria ir contra a Liga, ainda não sozinha.
Agora a vida do meu amor estava por um fio e eu não poderia fazer nada contra uma ordem de Ra's, que, com certeza, tinha influência de Talia. Minha mente trabalhava a mil, quando foi uma luz se acendeu. Eu não estava acima de Talia, mas ainda havia uma pessoa que estava. Só uma.
Peguei meu celular às pressas, discando o número que eu sequer sabia se atenderia. Em teoria, ele não poderia.
― Atende, atende, atende!
― Você não deveria me ligar. O que aconteceu? ― Em outros momentos, eu teria feito piada ou soltado alguma provocação sobre seu modo direto, mas eu não estava no clima, e ele com certeza não.
― Graças a Deus, Oliver! ― Suspirei de alívio. Apenas ouvir sua voz aqueceu meu coração e me deu esperanças. ― Me meti numa confusão, só você pode me ajudar.
― Espera um minuto, eu preciso sair daqui. ― Mas Ray não tinha um minuto, cada segundo seria crucial, mas não é como se eu tivesse muita escolha. ― Pode falar.
― Preciso que fale com o Ra's por mim. Eu fiz... ― parei sem saber como começar o assunto. Depois da nossa despedida quase um ano atrás em Nanda Parbat, não seria fácil pedir o que eu iria pedir a ele. ― Eu fiz uma coisa, Oliver.
― Te pedi para não fazer idiotices. O que houve?
― Eu... Eu fui mandada para uma missão infiltrada, roubar tecnologia de um magnata que... Bom, essa parte realmente não importa agora. ― Respirei fundo. ― Eu conheci uma pessoa, e nós meio que... Ele me pediu em casamento. ― O silêncio reinou do outro lado da linha por tanto tempo que, se não fosse pelo som da pesada respiração dele, eu acharia que ele tinha desligado. ― Oliver?
― Você aceitou? ― Ao contrário do calor que senti quando ele atendeu, dessa vez sua voz foi apenas gelo. Como o Al Sah-Him que conheci aos dezesseis anos.
― Oliver...
― Você o ama, Felicity? ― ele insistiu em outra pergunta, quando eu não respondi a primeira.
― Sim, eu o amo ― assumi. ― E agora Ra’s quer matá-lo!
― O que você quer que eu faça? ― Ele assumiu um tom mais sério. ― Era uma regra e você quebrou, Felicity. Você sabia, eu mesmo te disse em seus primeiros dias e por anos nós evitamos que... ― Oliver se interrompeu antes que completasse a frase. ― Ra’s não me escutaria quanto a isso.
― Ray é uma boa pessoa, não merece morrer porque eu o coloquei no meio disso. Por favor, Oliver, isso não é sobre nós dois, ele não é como nós.
― Eu nunca achei que fosse.
― Você vai ajudar ou não? Se tem alguém que Ra’s escutaria...
― Vou falar com ele. Não posso prometer nada, você sabe como as coisas na Liga são e não vão simplesmente mudar.
― Obrigada, obrigada. Talia deu a entender que ele já está a caminho, eu faço qualquer coisa, eu volto para a Liga dos Assassinos sem reclamar, mas eles não podem tocar um dedo em Ray! ― supliquei. Se fosse preciso me ajoelhar, eu faria.
― Você realmente o ama. ― Dessa vez não foi uma pergunta, e meu coração apertou ao perceber como ele tinha ficado magoado em ter de afirmar isso.
― Obrigada. ― Desliguei o coloquei o telefone de volta no bolso da calça. ― Ray? ― Desci as escadas com cautela.
Meu noivo estava calado por tempo demais, o que não era usual dele. Eu teria que me afastar dele e não seria uma conversa fácil, já que minutos atrás fazíamos uma lista de casamento e ele me dava o presente mais lindo que já recebi.
― Ray, cadê você? ― Peguei uma das facas da bancada da cozinha, olhando para todos os lados do apartamento vazio. ― Ray? ― Meu corpo todo entrou em alerta quando ouvi um barulho na área de serviço. ― Ray! ― Corri até lá e ataquei o vulto que se movia no escuro.
― Felicity! ― Ray se defendeu com as mãos em palma na minha direção, evitando apenas por alguns segundos que eu o atingisse achando ser algum inimigo. ― O que é isso, meu amor? ― Ele arregalou os olhos para a faca que eu empunhava habilmente. ― Solta isso, você pode se machucar. ― Ele pegou a arma das minhas mãos e me abraçou. ― O que deu em você?
― Desculpa eu só estou assustada. Vi um filme de terror um dia desses e quando eu chamei e você não em respondeu, eu... ― menti na maior cara de pau.
― Você achou que pudesse enfrentar um demônio com uma faca? ― Ele riu, sem saber como sua tentativa de piada havia me assustado ainda mais. ― Ei, fica calma, estou aqui. Eu apenas fui jogar o lixo fora, tá tudo bem. Quem era no telefone?
― Ninguém ― Mentira de novo!
― Você demorou um tempão falando com ninguém ― observou.
― Ray, precisamos conversar.
― Isso nunca pode ser bom. ― Fez uma careta. ― Faz o seguinte, vai indo para sala que eu vou lavar as mãos e guardar essa faca. Você tem que parar de ver esses filmes de morte, meu amor. Escolhe um legal que estou indo. ― Distraído. Nossa última conversa envolvia sexo, e agora ele estava me chamando para ver um filme. Era refrescante e até um pouco adorável como ele podia ser ingênuo.
― Que gênero quer ver? ― gritei em direção à cozinha, por onde ele havia sumido, tentando pensar positivamente. Oliver ia falar com Ra’s, tudo ficaria bem. Eu iria embora, partiria nossos corações, mas tudo ficaria bem. ― Comédia, ação? Drama não, por favor.
― Que tal romance? Um daqueles bem trágicos.
Eu não tinha palavras para descrever a sensação. Uma coisa era a voz de Talia com suas ameaças cínicas por telefone, outra mil vezes pior foi ver Ra’s Al Ghul em pessoa ali, saindo da cozinha com uma faca na garganta de Ray. Fiquei parada olhando a cena como se fossem estranhos, congelada com o controle da TV na mão.
― Felicity, não resiste ― Ray pediu. ― Olha, você não precisa nos machucar, eu tenho dinheiro o suficiente para...
― Quieto, estou falando com minha associada. ― O olhar de Ray me encarou chocado, fazendo com que eu despertasse.
― Você conhece esses homens, Felicity?
― Por favor, Ra’s, você não precisa fazer isso. Eu volto com você, faço o que quiser, só deixa ele viver! ― apelei.
― A coisa de ser líder tem esse ônus. Quando você cria uma regra, espera que ela seja cumprida, minha querida. E se não lutar para isso, acaba perdendo a autoridade. E você não vai querer centenas de assassinos soltos pelo mundo sem ter quem os comande, vai?
― Vai ter que passar por cima de mim, então. ― Avancei na direção dele com nada além do meu próprio corpo e estratégias de batalha como arma.
― Segure-a ― ordenou a dois dos quase dez homens que estavam lá.
― Vai precisar mais do que dois, Ra’s. ― Derrubei os homens que me detinham e logo mais dois avançaram e minha direção e usei minha velocidade e tamanho para eles próprios se abatessem. ― Eu posso fazer isso a noite toda.
― Eu não. ― Antes que eu sequer chegasse à metade da sala, Ra’s enfiou a faca no peito de Ray, e seu corpo caiu no chão com um baque.
― Ray! ― Cheguei nele em questão de segundos, não controlando minhas lágrimas. ― Ray, resiste, eu vou chamar uma ambulância, só fica comigo!
― Eu... Amo você ― ele balbuciou, tocando meu rosto com seus dedos úmidos de sangue.
― Eu também, eu também, mas você não pode morrer. Eu estou aqui com você. ― Inclinei meu corpo sobre o dele, ajoelhada ao seu lado e segurando suas mãos.
Por minha visão periférica, vi alguns homens de Ra’s se aproximarem, mas não saí do meu lugar.
― Deixem ela se despedir, depois a tragam com vida e sem machucá-la. E não me envergonhem fazendo essa garota ganhar de vocês, por favor. ― E saiu.
O que poderia parecer um gesto de benevolência, na realidade não passava de um dos jogos de dominação mental de Ra’s Al Ghul. Ele queria me mostrar que todo o controle sempre esteve nas mãos dele, não nas minhas. Eu nunca tive uma chance. Com aquela atitude, em cada gota de sangue que escorria do peito aberto do meu amor, na faca com minhas digitais caída ali ao lado, meu DNA por todo apartamento, ele me dizia que minha vida pertencia a ele. Eu não poderia voltar para Star City, não poderia ter uma família, nunca poderia ser feliz.
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