Assassins

5 Rio de Janeiro || 2018


Notas iniciais
Olá!! Quem vem nos últimos minutos do segundo tempo com capítulo? Eu!!! Tenho muito que agradecer. Aos queridos que estão acompanhando e mandando reviews, à favoritação da Érika Winchester, mas principalmente... *rufem os tambores* ...à recomendação da Marcia Veloso. Menina do céu, que surpresa mais linda foi aquela? Não esperava receber tão cedo, fez minha semana mais feliz, muito obrigada!! Sim, você leram certo. Continuamos no presente e no Brasil!! Espero que curtam o capítulo. Até nas notas finais. Bjs*

Rio de Janeiro — Brasil

Fevereiro de 2018

Mesmo ainda faltando uma semana para o carnaval do Rio, tudo era impressionante, até para mim que já havia viajado por metade do mundo. As pessoas tão animadas, felizes, coloridas e pulantes me deixavam empolgada junto com elas, turistas de todo o planeta circulando pelas belas praias e mostrando seus corpos ou brancos demais ou vermelhos demais.

Nota mental: voltar aqui em breve.

Era um cenário perfeito. Para um amor de verão? Para conhecer novas culturas? Para experimentar comidas diferentes? Não, não e não. Era um cenário perfeito para um assassinato.

Sorri para o segurança lhe mostrando minha credencial e fui revistada, antes de entrar na sala empurrando o carrinho de toalhas, que também foi revistado. Hoje eu usava roupas de treino e seria a personal trainer substituta de Guilherme Barrera, já que a dele estava indisposta com "infecção intestinal", lê-se, recebeu uma dose extra de um remedinho em seu café.

O magnata em questão era um empresário do ramo têxtil, filantropo, queridinho da mídia brasileira, mas que por trás disso recrutava pessoas desesperadas por emprego de todas as partes do país e nada mais lhe oferecia que trabalho escravo. A Liga fazia parte da manutenção da mão de obra nos trilhos e ajudava no recrutamento em troca de escolher os melhores homens e mulheres para si. E esse canal estava prestes a ser cortado.

Vamos, Fê, hora de provar pra Talia que você aprendeu a complicada língua portuguesa!

― Bom dia, senhor. ― Abri a porta e meu sorriso.

― Quem é você? ― O homem pançudo na faixa dos sessenta anos caminhava devagar numa esteira ergonômica.

― Sua nova treinadora, senhor Barrera. Suzana está indisposta, a empresa me mandou.

― Hm, isso é uma melhoria ― comentou malicioso, parando a caminhada e desligando a esteira. ― A princesa tem um nome?

― Camila Souza, senhor. ― Fingi um sorriso encabulado lhe estendendo a mão.

― É um prazer conhecê-la, Camila.

― Obrigada. ― Puxei discretamente minha mão, que ele ainda mantinha entre as suas. ― O senhor pode subir na esteira novamente e colocar esses aparelhos no coração? ― Lhe dei os dois eletrodos, ligados a uma pequena máquina. ― São para medir seus batimentos cardíacos, e otimizar seus exercícios ― expliquei diante de sua pergunta silenciosa.

― Você coloca para mim, lindinha? ― Rolei olhos mentalmente. Velhos e suas taras...

― Claro ― concordei.

Posicionei os pequenos adesivos circulares no peito do homem e liguei a esteira, colocando no modo de uma corrida intensa.

― Isso está muito rápido! ― reclamou tentando acompanhar o ritmo.

― Ah, é porque acreditar que alguém teve um ataque cardíaco por causa de esforço quando a esteira está quase parada é mais difícil ― respondi casualmente, mexendo nos botões da maquininha que trouxe.

― O quê? ― Ele já ofegava enquanto corria.

― Mande lembranças minhas pro Ra's, quando ele também chegar no inferno!

Nem dei tempo para ele responder, apertei um botão na maquininha que segurava, e uma corrente elétrica passou pelos fios, dando uma descarga no coração de Barrera, que caiu morto no chão. Liguei em seguida para a emergência, para a empresa de educadores físicos que eu "trabalhava" informando o ocorrido, então desapareci no caos, junto com nome Camila Souza.

Eu ainda tinha até amanhã para voltar para Star City, ainda dava tempo de aproveitar a noite por aqui.

~

Para qualquer um que me visse, agora eu era uma turista empolgada. Tinha tirado a peruca e as lentes negras de Camila e voltado a ser Felicity. Ou melhor, Megan.

O trabalho com Barrera havia sido pela manhã, então passei a tarde deitada sobre minha toalha na areia fofinha da praia de Copacabana, e à noite já colocava um short branco e uma blusinha coral, trocava óculos por lentes sem cor e deixava os cabelos soltos para curtir alguns blocos do carnaval de rua.

Aqui fazia um calor que eu não estava acostumada, mesmo tendo passado muitos anos na quente Nanda Parbat, mas o que eu mais gostei foi o calor humano. Pessoas sempre solícitas e falantes eram novidade para mim.

― Não vai ficar para o jantar, senhorita Kutter? ― a dona da pousada perguntou quando passava pela recepção e me despedia dela.

Escolhi o local pequeno e que não tivesse câmeras ou check in eletrônico, era quase uma pousada familiar de pessoas gentis que me tratavam como uma amiga que recebiam em casa. E era bom.

― Como algo fora, obrigada.

― Pois então leve a chave da porta principal, assim a senhorita fica mais à vontade sobre seu horário de retorno. Se quiser, tenho uns cartões com taxistas de confiança.

― Obrigada ― agradeci novamente, aceitando o que ela me ofereceu. ― Boa noite. ― Acenei uma despedida e tomei meu caminho para o centro.

Chamar o lugar onde cheguei de "bloquinho" era quase uma ofensa, já que encontrei milhares de pessoas amontoadas à espera da cantora nacional que agitaria a festa. Dancei horrores ao som da música que me disseram ser funk, tinha batidas marcantes e coreografias bem características, que todos ali pareciam saber, até engrenar uma conversa com um moreno bonito e alto. Ele tinha a pele cor de oliva e olhos mel, corpo definido, cabelos encaracolados e sorriso bonito.

Em outra época da minha vida, esse seria meu acompanhante pós-missão, daríamos prazer um ao outro durante noite e eu sumiria em seguida, voltando para Nanda Parbat. Talvez eu pudesse retomar o hábito, apenas para relaxar.

― Você não é nova demais para ser tão viajada? ― Ele colou a boca no meu ouvido ao perguntar. ― Seu português é perfeito.

― A empresa dos meus pais tem negócios no mundo todo. Às vezes ia resolver problemas para eles. ― Contei a verdade bem mascarada, ao que recebi outro de seus sorrisos.

― Ia? Não vai mais?

― Estou mais por conta própria agora. ― Dei de ombros.

― Em que ramo?

― Hm... Limpeza. ― Quase ri com minha resposta, mas ele franziu as sobrancelhas.

― Estranho. Mas, na real, não quero saber sobre seu trabalho, Megan.

― Sobre o que quer saber, então? ― Passei meus braços pelos ombros dele, voltando a balançar no ritmo da música.

― Se alguém vai estar sendo traído se eu te beijar agora ― sussurou. Ah, que mal pode fazer beijar um lindo estranho?

― Não há ninguém. Não mais. ― E aquela foi a primeira verdade inteira que lhe falei aquela noite.

― Bom para mim.

Ele me conduziu pela mão para um local menos movimentado, já me colocando entre ele e uma parede e pressionando os lábios nos meus. O cara beijava muito bem, e também era eficiente com as mãos, que já estavam na barra da minha blusa, tocando a pele quente do meu abdome.

Estranhei quando seu beijo parou bruscamente, e seu peso caiu sobre mim.

― O que houve, Gustavo?

Ele também não parecia entender, até tocar com a ponta dos dedos a mancha vermelha de sangue que aumentava em seu peito, antes que ele caísse desacordado aos meus pés. Me abaixei ao seu lado, a respiração do cara falhando e o pulso ficando fraco.

Mas que diabos?!

― Olá, Felicity! ― a voz saiu das sombras, e ganhou um rosto quando o dono dela, chegou mais perto, uma pistola com silenciador apontada agora em minha direção. Era Maseo Yamashiro, um dos homens de confiança de Oliver. Já fiquei de pé em posição de ataque. ― Quem diria que eu seria a pessoa encontrar a estrelinha de Al Sah-Him! Acho que vou ganhar um brinde por isso.

― Como você...

Desde que eu iniciei essa missão, sempre tive tudo minimamente calculado, até os imprevistos, um plano B pronto caso o A falhasse, um C e um D já engatilhados. Aquilo foi uma total surpresa. A primeira de todas.

― Créditos seus, Al Safir. Você acusou Al Sah-Him de não conhecer os associados da Liga. Agora há um de nós vigiando cada um deles. ― Eu e minha boca grande! ― Mas quando ele me mandou para cá, nunca imaginei de te encontrar curtindo o carnaval, ainda desarmada.

Foi a porra de uma imprudência, mas eu tinha visto as imagens do que estava acontecendo em Nanda Parbat. E isso não parecia ser um plano. O que deixei escapar?

― Agora fica a dúvida... Atirar na sua cabeça como as ordens de Ra's, ou atirar nas suas duas pernas e te levar viva, seguindo as ordens de Al Sah-Him?

― Que tal ninguém atirar em ninguém e conversarmos? Você acabou de matar um civil, temos que sair daqui.

― Eu realmente não me importo. ― Negou com a cabeça.

― Mas eu sim.

Avancei em sua direção e o desarmei, desferindo golpes em seu rosto, acertando alguns. Meu oponente também era um lutador muito bom. Gemi de dor com o soco no estômago, então uma rasteira.

― Se você prefere morrer por suas amadas facas, escolha sua.

Ele puxou um dos punhais da sua bainha e direcionou ao meu pescoço, mas mesmo conseguindo segurar suas mãos a tempo, a força dele ainda era bem superior à minha.

― Al Sah-Him vai ter que me desculpar, mas te levar viva não é mais uma opção.

Só faltavam alguns centímetros para a faca rasgar minha pele quando o zunido de flechas foi ouvido e assisti as pontas metálicas atravessarem o homem, parando tão perto do meu peito que quase me atingiram também, um dejavù horrível da minha primeira missão acelerando ainda mais minha pulsação.

Saí rápido de debaixo dele para olhar de onde vinha aquilo, até ver o arqueiro totalmente vestido de couro preto em cima de um dos prédios. A máscara escondia seu rosto, mas ele fez uma continência para mim, antes de sumir no terraço, me deixando quase em um surto.

Ter um salvador misterioso não era uma opção. Ele poderia ter me ajudado agora, mas eu não o conhecia. Poderia ser alguém que mudaria de lado a qualquer momento. E eu não poderia trabalhar com mais surpresas assim.

Notas finais
Hm, teremos mistério? Sim, teremos mistério!! Para completar a não tão simples vida da Fê, agora um misterioso e mascarado arqueiro entrou na história. Me digam nos comentários quem vocês acham que é esse ser... E se ele é amigo ou inimigo. Próximo capítulo voltaremos lá para 2010. Ansiosos? Eu sim. Detalhe, esterarei viajando no feriado de carnaval, mas tentarei correr para finalizar e deixar o capítulo como postagem programada, então se não fizer algum agradecimento ou deixar de responder algum review, já sabe o porquê. Continuem a me mandar os reviews lindos e recomendações!! Nem sabem como isso faz a autora que vos escreve muito feliz. Até mais.. Bjs*