Assassins

19 Nanda Parbat || 2013


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Preparem-se para um dos capítulos mais movimentados da história. Tem morte, vilão psicopata, beijo, pancadaria, tortura, viradas na trama e Felicity sendo foda. E sobre Oliver... Só quero um desses pra mim. Capítulo dedicado à todos que deixaram reviews e em especial para a Mirelequeen. Obrigada pela favoritação, baby! Mas deixando de enrolação e vamos direto ao capítulo. Espero que eu compense o atraso com o maior capítulo de todos. Boa leitura!! Até as notas finais. Bjs*

Nanda Parbat

Junho de 2013

― Porra! ― xinguei quando a droga da flecha errou o alvo de novo. ― Eu desisto de vocês, suas flechas idiotas!

― Brigando com as pobres flechinas de novo, Fel? ― Sara e Curtis chegaram com sorrisos no rosto. Bom humor matinal. Eca.

― Você tem uma ótima mira para atirar facas, mas não flechas. É estranho! ― Curtis comentou pensativo.

― Dane-se essa merda!

― Eita, parece que a foda ontem com Cooper foi péssima ― Sara atestou entre risadas e nem me dei ao trabalho de perguntar como ela poderia saber daquilo, e ela já foi explicando. ― Eu bem que vi você se esgueirando para fora do nosso quarto de madrugada e voltando quase ao amanhecer. ― Me senti tentada a contar, mas segurei minha língua. Eles eram meus melhores amigos, mas não sei como seria a reação deles ao saber que transei com Oliver não uma, mas duas vezes. Optei por uma meia verdade.

― Foi excelente e não foi com Cooper.

― Menina, quem você tá pegando agora? É o bonitinho do Malone, ele arrasta com caminhão por você! ― Curtis perguntou animado. ― Seu dono já sabe?

― Não é da conta do Oliver. ― Os dois riram da minha cara quando admiti, mesmo sem querer, que Oliver era o tal dono. Ignore-os, que logo eles te deixam em paz. ― Puta que pariu! ― reclamei quando errei de novo.

― Mas é da conta dele como você é ruim com um arco. Já pensou em pegar umas aulas particulares, Fel? ― Sara comentou maliciosa.

― Não, obrigada. Agora me deixem voltar a treinar, por favor? Pode parecer uma surpresa, mas os comentarioszinhos espertos de vocês não estão ajudando em nada ― usei de sarcasmo para afastá-los e conseguir meu tempo sozinha.

― Ai, que bruta! Eu que vim aqui catalogar os armamentos na sala ali atrás, não mereço ser tratado assim, não depois de ter de ouvir você e seus namorados em DRs constantes na última missão na Bulgária. ― Curtis dramatizou e saiu antes que eu lhe desse um soco. Inteligente.

― Namorados, no plural? ― Sara, que tinha menos amor à própria vida, tocou seu ombro no meu em um gesto amistoso. ― Felicity Smoak, depois da nossa primeira missão juntas, você anda muito saidinha! O que houve em Vegas?

― Nada de importante ― menti. ― Além do mais, o que acontece em Vegas...

― ...fica em Vegas ― Oliver completou minha frase entrando no local. ― Foi o que eu ouvi falar. ― Ele deu de ombros e pegou um dos arcos para treino, se posicionando na baia ao lado da minha e já começando seu treino, também conhecido como momento que ele humilhava a todos que sequer já tocaram em um arco na vida. Por que o filho da mãe tinha de ser tão excelente nisso?

― Essa é minha deixa. ― Sara chamou minha atenção para si, foi quando percebi que poderia ter gastado tempo demais o assistindo treinar. ― Estou indo numa missão com a Nyssa, volto em alguns dias ― anunciou. As duas tem andado tão grudadas nessas últimas semanas que quase não vejo mais minha amiga. ― Lembra do conselho de sempre, não faça nada que eu não faria. ― Piscou, olhando rapidamente para ele e de volta para mim, dando um daqueles sorrisinhos de que sabia mais do que eu. ― Tchau, Al Sah-Him.

Quando ficamos a sós, fingi que Oliver não estava ali e voltei ao meu treino, ou como poderia dizer, fracasso com um arco e flecha.

― Você não está respirando direito. ― Senti sua respiração bater quente em minha nuca descoberta pelo rabo de cavalo. ― Não é só sobre mira ou força para puxar a corda. ― Oliver se abaixou à minha altura e ficou atrás de mim, a mão direita sobre a minha, a cabeça encaixada na curva do meu pescoço, a mão esquerda apontando a direção para a qual atirar. E ele queria que eu respirasse melhor com essa proximidade? ― Com o treino adequado, você poderá transformar até um pedaço de madeira em uma flecha ― soprou as palavras e errei o alvo novamente ao soltar a corda.

― Tá invadindo meu espaço pessoal, se afaste, por favor ― reclamei entredentes.

― Desculpe. ― Se afastou com certas notas de pesar no olhar.

― Você realmente ama essa palavra, não? ― comentei baixinho, mas ele ouviu.

― O que quer dizer?

― Quero dizer que você pedir desculpas constantemente, não justifica seus atos de babaquice.

― Você não pode ainda estar com raiva sobre a missão na Bulgária!

― Sobre a missão na Bul... ― comecei, mas deixei a frase no meio por não acreditar que ele ainda achava que era sobre aquilo. ― Droga, Oliver, você... ― Baixei meu tom de voz ao lembrar da presença de Curtis na sala ao lado. ― Nós transamos ontem e você só saiu andando como se eu fosse uma das vadias que você come. ― Seu rosto assumiu agora uma expressão de culpa.

― Aquilo foi...

― E agora está parado aqui me ensinando a atirar como se nada tivesse acontecido. ― Ele não falou nada, porque estava na cara que não tinha uma boa justificativa e eu estava certa. ― Eu sou?

― O quê?

― Só uma das inúmeras mulheres que você pega por aí pra satisfazer suas necessidades?

― Claro que não, Felicity! ― A resposta veio rápida, ele pareceu até um pouco chateado com a pergunta.

― Então por quê? ― Ele abriu a boca para falar algo na hora, mas pareceu desistir e repensar. Oliver estava procurando um meio de escapar da pergunta, como sempre fazia quando o assunto envolvia sentimentos.

― Acho que você não deveria me condenar por ter me comportado exatamente igual a você em Las Vegas! ― O loiro escolheu sair pela tangente, voltando o assunto para mim como se o modo como as coisas terminaram ontem fossem minha culpa.

― Foi por vingança, então?

― Não.

― Então o quê? ― quase gritei, mas novamente recobrei o fôlego, voltando a sussurrar. ― Você me odeia perto de outros caras, não sai do meu pé, quando ficamos a sós se transforma em outra pessoa, gentil e carinhoso, transa comigo daquele jeito, então simplesmente sai andando. Na boa, tá tentando me enlouquecer?

― Droga, Felicity!

Mais uma vez ele me beijou de surpresa. O segurei buscando apoio em seus braços fortes quando suas mãos emolduraram meu rosto e os lábios encaixaram-se nos meus como se tivessem sido feitos para aquilo. Por alguns segundos, aquilo me distraiu, quem poderia me culpar, mas quando percebi que já retribuía aos movimentos de sua língua, descolei nossas bocas e o empurrei.

― Para de me beijar, você está me confundindo! ― Não esperei sua resposta e já saí dali e fui para meu quarto, sem ao menos guardar o equipamento, ele que guardasse! Oh, merda, a sala de equipamentos! Curtis!

― CA. RA. LHO! ― Afundei minha cabeça nos travesseiros ao ouvir a voz escandalosa do meu amigo na porta.

― As pessoas tem que parar de ter essa reação.

― É isso que vocês dois fazem quando estão a sós? Mana do céu, você tá pegando o Al Sah-Him? Desde quando?

― Se controla, ninguém tá pegando ninguém ali.

― Querida, aquela foi bem a definição de "pegar". Acredite, eu assisti tudo de camarote, só faltou a pipoquinha. ― Desisti de ignorá-lo e sentei na cama.

― Você não pode contar desse beijo pra ninguém, Curtis!

― Juro de mindinho, mas me conta. Esse foi o primeiro depois do que a Sara viu ou tem rolado suruba pelos bastidores desde... ― Quando ele parou a fala e ficou olhando pra mim como um alce empalhado, eu sabia exatamente para onde a mente dele estava indo. ― Foi com ele que você dormiu ontem! Sabia que a definição "excelente" não ia pertencer a qualquer um. A coisa dele é muito grande? Quase certeza que é! Esquece, não me conta, não quero saber. Foca, Holt, ele é hétero!

― Curtis!

― Relaxa, seu segredo está a salvo comigo, mas... Você gosta dele, Felicity? ― Seu tom mudou do modo amigo brincalhão para o modo amigo preocupado.

― Não! ― respondi rapidamente. ― Quer dizer, gosto, como meu treinador e tudo.

― Você sabe que não pode, né amiga? E eu não estou nem falando de diferença de idade ou das regras sobre relacionamento da Liga, mas ele vai ser o herdeiro, a próxima cabeça do demônio. Você não pode esperar nada de um relacionamento assim, e mesmo se ele quisesse, mas não pode te oferecer o que você merece.

― Eu sei, mas...

― Tira esse "mas" da sua cabecinha, baby. ― Ele tocou o indicador na minha testa com carinho. ― Você só vai sofrer, mais do que parece já estar agora.

― Você está certo.

― Ótimo. Agora que tiramos o romance Olicity da equação, me conta... ― Ele sentou sobre os joelhos na minha cama e bateu palminhas animadas. ― Quantos centímetros? Quais posições? Quantos orgasmos? A bunda dele é tão durinha quanto parece?

― Curtis! ― briguei, mas pelo menos ele me fez rir um pouco.

~

Oliver sumiu o resto daquele dia, provavelmente torturando alguns recrutas em seus treinos de matar. Agora eu sabia porque tinham dias no meu primeiro ano que ele estava mais de boas e outros não. Tudo dependia do humor, e, se o meu fosse algum indicativo de como o dele estaria, tinha até pena deles.

Sara ter viajado e eu ter conseguido o espaço do meu quarto apenas para mim, tinha sido bom no fim das contas. Eu caminhava distraída depois do jantar pelo corredor que dava acesso ao dormitório, resignada a fingir que não existia nada além daquelas paredes, quando senti a pancada em minha têmpora esquerda e tudo ficou escuro antes mesmo que eu colocasse os olhos no meu agressor.

Senti a dor aguda na cabeça antes mesmo que abrisse os olhos, o líquido quente e viscoso sujando minha testa e rosto. Sangue.

― Acordou, minha diabinha! ― A voz de Cooper me cumprimentou e me fez abrir os olhos, notando que eu estava em minha cama. ― A pancada não foi ideia minha, o idiota do Myron exagerou. ― Ia ficar de pé para brigar com ele quando percebi meus movimentos limitados pelas algemas em torno dos meus punhos.

― Mas que porra, Cooper! ― Tentei forçar minhas mãos para fora das argolas de metal. ― Que merda é essa?!

― Isso, querida, é o início de uma revolução. E você é a isca perfeita. ― Era a pancada na minha cabeça ou ele estava mais surtado que o normal?

― Que droga de revolução? ― Ele se ergueu da cadeira que estava jogado e começou a andar pelo cômodo como se realmente fosse fazer algum tipo de pronunciamento.

― Simples. Eu vou destruir a Liga dos Assassinos! ― Eu juro que se não tivesse com dor e bem irritada no momento, teria gargalhado na cara dele. Era mais do que óbvio para mim que não havia meios de qualquer pessoa destruir a Liga algum dia.

― Você enlouqueceu. ― Fiz pouco caso de suas palavras, procurando um meio melhor de me acomodar com meus movimentos limitados.

― Não, estou muito lúcido, Felzinha. Você já me disse algumas vezes que não concorda com algumas atitudes de Ra's ou Talia, deveria estar me apoiando aqui.

― Sim, eu disse, mas daí a começar uma rebelião com uma morte certa é outra coisa. Agora me solta daqui e a gente finge que essa conversa nunca aconteceu ― tentei meu tom apaziguador.

― Você vai ficar bem quietinha onde está, pelo menos até Al Sah-Him vir em seu resgate.

― O que ele tem a ver com isso?

― Tem que ele é o último obstáculo antes que eu tome a Liga pra mim. Toda a família Al Ghul está fora de Nanda Parbat, e ele está no comando. Já juntei meu grupo de insatisfeitos e dei fim a alguns fiéis à Ra's ― continuou a explicar. ― Derrubar Al Sah-Him no meio de todos é quase impossível, mas sozinho... Vou atraí-lo até aqui e matar o bastardo.

Nervosismo me atingiu. Uma coisa era fazer piada de um plano maluco de Cooper, outra bem diferente era agora que a vida de Oliver estava em risco. Eu duvido que qualquer um consiga derrubá-lo facilmente, mas Cooper não podia ser conhecido por agir com honra nas batalhas. O sangue que ainda escorria por minha testa era prova disso.

― O que faz você achar que ele viria aqui? Fala sério, Cooper, desista antes que você acabe morto! ― A risada dele me deu medo pela primeira vez.

― Seu amado Oliver jamais dispensaria uma trepada com sua putinha particular. ― Meu rosto perdeu totalmente a cor e eu nem ao menos pensei em algo para retrucar. ― Não pareça tão surpresa, eu ouvi os dois ontem na cabana. ― Ele ficou de pé, indo até a porta, sua expressão o transformando na face de algum tipo de monstro psicopata. ― Eu me pergunto o que te fazia gemer como uma cadela, Felicity.

― Você nunca saberia, imbecil. Agora me solta, garanto que vai preferir morrer nas minhas mãos do que nas de Oliver!

― Não, prefiro matar ele e te convencer a ficar do meu lado ― dispensou a minha ideia com um gesto de mão. ― Tome esse tempo para pensar sobre o lado que vai escolher, querida. Forest, entra aqui e fica de olho nela. Não machuca mais a menina, Al Sah-Him possesso é dez vezes pior de lidar! ― ordenou ao bastardo que havia me apagado e agora servia de vigia da minha porta. ― E, cara, não confia nesse rostinho e toma cuidado em manter ela presa. Se essa garota se solta, você já era.

― E você também! ― gritei para ele que saía.

Limpei o rosto parcialmente com as costas das mãos, foi quando percebi que não era apenas sangue que o molhava. Eu só não sabia quando havia começado a chorar e porque tinha ficado tão vulnerável de repente.

Me forcei a respirar fundo e retomar o controle da situação. Se eu não o fizesse, muita gente morreria nas próximas horas, incluindo a mim e, com certeza, Oliver.

― Ei, babaca. Myron Forest, certo? ― chamei meu segurança não autorizado, depois de alguns minutos. ― Preciso ir ao banheiro.

― Boa tentativa, mas não. Cooper disse pra te manter presa.

― É engraçado quando homens do seu tamanho tem medo de mim. ― Sorri. ― Mas, qual é, adianta aí meu lado, preciso fazer xixi.

― Você não vai a lugar nenhum!

― Chato! ― Rolei olhos, fazendo o papel da boa garota encrenqueira. ― Vamos conversar, então.

― Não vamos conversar! Fica quieta antes que eu entupa sua boca com esse lençol.

― Duvido que tenha coragem de chegar tão perto, você parece um filhotinho encolhido nesse canto. Quase fofo. ― Dei de ombros. ― Mas vamos falar sobre o que vai acontecer com você quando Oliver contornar essa rebelião fajuta de vocês. Você conhece o protocolo para traidores, não conhece? ― Ele apenas continuou calado, olhando para a porta fechada. ― Eu te explico, Nyssa me falou uma vez. Ela diz que são tantas etapas de tortura física e psicológica que faz os primeiros anos aqui parecerem coisa de criança.

― Calada!

― Eu nunca vi acontecer, mas já vi Oliver torturando pessoas ― continuei com um sorriso no rosto, mesmo que as lembranças ainda me dessem náuseas. ― Uma vez, ele passou uma semana com um cara. O homem desmaiava de dor, e Oliver o acordava, apenas para começar tudo de novo.

― Eu não ligo para o que Cooper disse, eu vou meter a mão na tua cara!

― Myron, você sabe o quanto dói uma flecha sendo colocada entre suas articulações dos joelhos? ― Fiz uma careta, então carreguei meu semblante com mau humor e ameaça. ― Foi nessa que ele morreu. Você também vai.

― Olha aqui, sua...

Quando ele veio com o punho fechado na minha direção, segurei a mão dele antes que atingisse meu rosto, lhe dei uma cabeçada que o desorientou por alguns instantes, que usei para dar uma chave de coxas em torno do pescoço dele, apertando até que o senti amolecer e desmaiar.

― Onde você colocou a chave das algemas, idiota?! ― Vasculhei os bolsos dele, até que a encontrei, me soltando em seguida.

Corri em direção à porta, eu precisava avisar Oliver o quanto antes, mas ao girar a maçaneta e abri-la, dei de cara com Cooper, que se apressou em apontar a arma que tinha em mãos para mim.

― Caralho, estou cercado de idiotas! ― esbravejou olhando para o corpo em cima da minha cama. ― Você vem comigo, lindinha, algum imbecil falou demais e Al Sah-Him já sabe do meu plano e está vindo com tudo.

Fui quase arrastada pelos cabelos até a sala de treinos e, como Cooper, previu, não demorou nem um minuto e Oliver já entrava lá, com arco e flechas em mãos, a mira na cabeça do meu algoz.

― Solta ela! ― Oliver ordenou esticando ainda mais a linha do arco.

― Não, você solte a flecha, jogue o arco pra cá e dispense seus minions! ― Como Oliver não se moveu, Cooper apertou ainda mais o cano da arma na minha têmpora. ― O quê? Acha que não vou machucá-la porque estou apaixonado? Esse é você, não eu, agora, abaixa o arco!

― Não, Oliver!

― Sim, Oliver! ― Cooper me contradisse, assistindo com alegria Oliver deixar o arco no chão, o chutar em nossa direção e mandar que os outros saíssem.

― Deixe-a ir ― pediu. ― Eu fico no lugar dela.

― Ela não é não indefesa quanto você acha, Al Sah-Him! Acredita que ela acabou de derrubar uns dos melhores homens com as mãos algemadas?

― Se são seus, não são tão bons assim. ― Oliver o diminuiu.

― Muito engraçado ― o outro ironizou. ― Pega aquelas correntes e se prende naquela cadeira.

Nesse momento, alguns dos homens de Cooper liderados por Forest entraram na sala, anunciando que do lado de fora uma verdadeira batalha era travada.

― Segura ela e vê se toma cuidado dessa vez, imbecil! ― Ele foi checar se Oliver estava mesmo preso.

― Isso acabou, Cooper, você já perdeu ― falei quando desisti de tentar me soltar dos dois brutamontes que me seguravam. ― Libera a gente e consiga uma morte mais rápida.

― Só acaba com um de nós dois morto, Felicity.

Quase senti o soco que atingiu o nariz de Oliver doer em mim. E depois outro e outro. Duvido que ele tivesse coragem de fazer aquilo com Oliver desamarrado. Não pude deixar de me sentir culpada por parte daquele ódio, o que só fazia aquelas pancadas doerem mais.

― Para, Cooper! ― gritei.

― Ra’s não é muito a favor de tecnologias. ― Cooper continuou, apesar dos meus apelos e do homem sangrando na sua frente. ― Já eu acho que a Liga tem que cair pelas mãos de um gênio da tecnologia, ou seja, eu. ― Apontou os polegares para si, então tirou do bolso um dispositivo que parecia uma caneta. ― Eu inventei isso. Esse brinquedinho pode ser programado para cargas elétricas de até 1000 volts. Que tal um experimento, Felicity? Cientistas dizem que o corpo humano não suporta uma descarga acima de 700 volts, mas eu acho seu Oliver aqui bem forte. Vamos testar.

― Não! ― gritei inutilmente, pois logo o corpo de Oliver tremia ao receber o choque, seus músculos ficando rígidos enquanto segurava um grito.

― Relaxe, isso só foi 400. ― Cooper dispensou meu desespero e mexeu em algo no dispositivo. ― Vamos ver como ele reage a 500, vamos? ― O maldito parecia realmente animado em continuar aquela tortura, o que só me fazia juntar mais forças para revidar.

Dessa vez Oliver não conseguiu conter o grito, seu corpo quase convulsionando à descarga elétrica, suas mãos tremendo enquanto se apertavam em punho. Uma queimadura feia se formava no local do choque e até uma fumaça subia de lá.

― Você está matando ele.

― Esse é o ponto, querida. Agora com 700 volts? Será que os cientistas estavam certos? Rufem os tambores...

Tirei forças não sei de onde para dar uma cotovelada no nariz de um dos homens e um soco na garganta de outro, fazendo os dois caírem desmaiados e correndo na direção de Cooper e chutando a caneta para longe. O maldito segurou meu pé quando fui chutá-lo e me jogou no chão, sacando a arma da cintura. Fiquei de pé rapidamente e me coloquei entre ele e Oliver.

― Sai da frente, Felicity! ― Cooper gritou com a arma apontada em minha direção.

― Sai da frente, Felicity ― a voz de Oliver pediu fraca e ofegante da recente surra e eletrocussão.

― Não! ― respondi aos dois, dando um passo para trás na direção de Oliver e abrindo os braços como um escudo. ― Se quer tanto atirar nele, atira em mim primeiro.

― Ah, eu vou! Não confunda o fato de que eu fodia você para alguma espécie de amor. Se bem que... ― O rosto dele se iluminou com uma ideia. ― Que tal darmos um show a Oliver, docinho?

Cooper me puxou para si, minhas costas chocando-se com o peito dele, o cano frio da arma na minha têmpora de novo. O sentimento de repulsa me dominou quando os lábios dele foram para meu pescoço e sua mão deixou meu punho e parou em meu abdome, subindo por baixo da minha blusa.

― Covarde ― Oliver acusou em desafio.

― O que disse, filho da puta?

― Você é um covarde ― repetiu, gemendo de leve ao se posicionar mais ereto na cadeira. ― Você se acha o tal, apenas por causa dessa arma. Me solta que a gente resolve isso como homens, ou melhor, tente uma luta justa com Felicity. Você vai perder em segundos!

― Cala a boca! ― Isso, Oliver, cala a boca! Ele tem uma arma, você não! Até que ele me deu um olhar que dizia bem mais do que parecia.

― Ou o quê? Vai me assustar com tua cara feia? Vai me mostrar seu pau pequeno? Não tenho medo de você, mas você deveria...

― Não tenho medo de você também, Al Sah-Him. Você estará morto em segundos!

― Não medo de mim. ― Oliver sorriu como se tivesse ganho uma partida. E de fato, ele tinha. ― Dela.

Aproveitei da distração criada pelo meu treinador e segurei o cano da arma, a tomando para mim e dando uma coronhada na cabeça de Cooper, que bambeou para trás. Girei a pistola na mão, a destravando, com a cano apontado agora para Cooper e o dedo no gatilho.

― Quem não é covarde agora, idiota?

― Felicity, não atira.

― Oliver, não se mete.

― Isso vai te seguir pra sempre, você não precisa matá-lo ― o loiro continuou a apelar.

― Ele te machucou, ia te matar!

― Pois me deixa lidar com ele, você não...

Nesse momento, Cooper, avançou em minha direção e eu apenas atirei, seu corpo caindo inerte e sangrando no chão. Três balas, duas no peito e uma na cabeça.

― Oliver! ― Joguei a arma para longe de mim e me apressei em soltá-lo.

― Você tá bem? ― Mesmo cambaleando para levantar, ele me abraçou logo que teve as mãos livres das amarras.

― Estou. ― Não, eu não estava. Minhas mãos tremiam e eu sentia que ia vomitar a qualquer momento.

― Acabou, estamos bem. ― Seu aperto ficou ainda mais forte, quando não segurei mais as lágrimas, me encolhendo dentro do seu abraço.

― Al Sah-Him, Felicity! ― Curtis entrou correndo na sala. ― Vocês estão bem? Wow! ― exclamou quando viu a cena. ― Ele está... Cooper está...

― Como estão as coisas lá fora? ― Oliver perguntou sem me soltar ou responder a pergunta.

― Os rebeldes foram controlados, a maioria abatidos. Consegui contato com Ra's, ele está a caminho de Nanda Parbat.

― Ok, vá para o comando, estou indo.

― E ela?

― Eu cuido dela, vá ― ordenou com mais firmeza, e meu amigo saiu.

― Eu matei ele, Oliver. Eu matei uma pessoa.

― Fica calma, você não teve escolha. Ele ia nos machucar, foi instinto.

― Ele continua morto.

― Vem, vou te levar até meu quarto. Você vai ficar lá até eu resolver as coisas e te chamar. ― Assenti. Eu não tinha forças para revidar ou sequer discordar. ―- Você foi bem hoje, Felicity. Salvou a Liga e minha vida, Ra's vai ficar feliz.

Eu estava pouco me fodendo para o que Ra's Al Ghul ia achar de mim. Eu sabia que no momento que mirei em Cooper e puxei o gatilho, havia perdido parte da minha humanidade.

~

Caminhávamos por uma parte deserta da ilha de Nanda Parbat, perto da praia. O vento gelado que beirava o amanhecer bagunçava meus cabelos soltos, e eu não saberia dizer quem pegou a mão de quem primeiro, mas nossas mãos já estavam unidas e nossos dedos entrelaçados há um tempo.

― Tem certeza que está bem? ― Ele me encarou com olhar carinhoso e preocupado.

― Estou, Oliver. Quer dizer, não sei se vou ficar bem de novo algum dia, mas o surto passou. ― Respirei fundo. ― Eu entendo agora o que fez na Bulgária.

― Eu nunca te achei incompetente, eu só...

― Eu sei. ― Fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo rápido. Seu lindo sorriso surgiu em seguida.

― Pensei que eu não podia te beijar.

― Eu te beijei dessa vez. ― Pisquei para ele. ― Acabei de ter uma ideia pra tirarmos de vez Cooper de nossas vidas. Que tal um banho de mar?

― Aqui?

― Agora. ― Me soltei dele e comecei a tirar minhas roupas, peça por peça.

― O que está fazendo, Felicity?

― Não pretendo molhar minhas roupas, oras ― falei quando deixei a última peça aos pés dele. ― Você vem ou não?

Caminhei devagar até uma pedra mais alta, de onde dava para saltar em uma parte mais funda da água. Eu sabia que ele ainda não havia se movido e estava dando aquela secada em meu corpo inteiramente despido, então apenas fechei os olhos e mergulhei.

Quando submergi e abri os olhos, tudo ao meu redor era de um vermelho vivo, o cheiro de ferrugem e a sensação grudenta contra minha pele. Eu estava mergulhada em um mar de sangue.

― Oliver! ― gritei tentando me manter na superfície e o procurando na praia, mas ele não estava em lugar nenhum. ― Oliver!

Terror me atingiu quando o vi o corpo que boiava. Nadei até ele, e quando o virei, dei de cara com Cooper, o olhar vazio, um tiro no meio da testa, bem onde o acertei.

Sentei na cama de supetão, meu coração quase saindo pela minha boca, suor frio escorrendo da minha testa. Foi um pesadelo, só um pesadelo.

Espera um segundo. Esse não era meu quarto. A cama gigantesca, as paredes decoradas com arcos, a iluminação proveniente apenas da luz da lua que entrava pelas cortinas balançando para dentro. Era o quarto de Oliver.

Foi quando lembrei que ele havia me deixado aqui depois da coisa toda na sala de treinos, e percebi que havia se juntado a mim em algum momento enquanto eu dormia de bruços. Suas costas largas tinham muitas cicatrizes e uma tatuagem de dragão que eu nunca tinha parado para olhar direito. Que história se escondia atrás de cada uma daquelas marcas? Talvez um dia eu descobrisse.

― Oliver, tenho que voltar ao meu quarto. ― Toquei de leve sem ombro. Até poderia simplesmente sair dali, mas considerando como ele havia ficado chateado da última vez que fiz isso, e eu não o queria batendo em minha porta de novo, resolvi avisar. ― Tudo bem, você deve estar exausto e ainda muito machucado. Amanhã a gente se fala. ― Quando me virei para sair de debaixo das cobertas, uma mão segurou firme meu pulso. ― Não adianta, tenho que ir, Oliv... ― Interrompi minha frase quando o rosto que eu via era novamente o de Cooper e não de Oliver.

― Você me matou, Felicity. ― Sangue escorria do buraco da bala e ele não me soltava. Gritei desesperada me debatendo no colchão, até sentir mãos fecharem-se em torno dos meus braços.

― Calma, sou eu! Foi um pesadelo. ― Oliver segurou meus ombros enquanto eu lutava de olhos fechados contra mais aquela ilusão. A voz podia ser dele, o toque familiar com certeza era, mas de algum modo, eu tinha certeza que se abrisse os olhos, encontraria mais uma vez o cadáver de Cooper diante de mim. E eu não sabia se conseguiria lidar uma terceira vez com isso. ― Felicity, abre os olhos! Sou eu, Oliver!

― Não, Cooper, você morreu! Me deixa em paz!

Então ele me abraçou. Contra toda aquela luta, ele envolveu os braços em torno de mim, e eu provavelmente o estava machucando com tapas e unhadas, mas o aperto ficava mais firme, quando a voz continuava sussurrando que eu estava segura, ele estava comigo e tudo ficaria bem para nós dois.

Quando dei por mim, chorava em seu peito e já o abraçava de volta. Não era mais uma ilusão, no fim das contas, e era Oliver que de fato estava ali comigo. Me afastei apenas alguns centímetros para o olhar melhor, e acabar de vez com minhas dúvidas. Seus olhos eram gentis e preocupados quando os encarei pela primeira vez e ainda peguei um pequeno sorriso quando o abracei de novo.

― Devagar, Felicity ― o alerta saiu bem humorado, sua mão acariciando meus cabelos. ― Entre aquele idiota e você, ainda estou um pouco quebrado.

― Me desculpe ― pedi, mas não o soltei. O sentimento era de que se eu o deixasse ficar longe, o perderia e tudo viraria um pesadelo novamente.

― Ra's chegou e quer te ver ― Oliver falou depois de algum tempo. ― Quer nos ver.

― Por quê? Eu não sabia dessa maluquice de Cooper, eu juro! Ele não pode nos punir por...

― Ele não quer punir ninguém, muito menos nós dois. Você acabou com um rebelde, tentou me falar antes sobre o levante. E salvou minha vida.

― E então? ― questionei não evitando o pequeno sorriso de orgulho com sua última frase. Mas mais do que orgulhosa, eu estava aliviada por ele estar bem.

― Ele ficou satisfeito com isso, mas precisa saber dos detalhes. Curtis adiantou bastante, mas como muito foi dito a você, ele quer te ouvir. Só o protocolo padrão. ― Deu de ombros, tentando fazer com que eu não desse tanta importância àquela reunião.

― Tem que ser agora?

― É melhor nos livrarmos logo disso e fechar de vez esse capítulo, não acha? ― Oliver ficou de pé ao lado da cama e me estendeu a mão. ― Vamos?

A reunião acabou durando mais do que eu achei que aguentaria. Ter que revelar meu caso com Cooper Sheldon só não foi mais constrangedor do que admitir que tinha sido derrubada por aquele idiota. Contei sobre tudo que ele me falou quando estava presa em meu quarto e na sala de treinos, e sobre todos que ouvi e vi envolvidos na operação fracassada.

― Muito bem, está dispensada, senhorita Smoak. ― Soltei um suspiro de alívio me erguendo para ir em direção à saída. ― Mas antes... Vocês merecem uma recompensa. Conseguiram contornar um problema antes que ele chegasse a mim, fizeram bem essa noite.

Eu ia abrir a boca para negar, dizendo que o máximo de recompensa que eu queria era me livrar daqueles pesadelos, ainda que duvidasse muito que mesmo o poderoso Ra's Al Ghul consiga esse feito, mas Oliver foi mais rápido e falou antes mesmo que eu tivesse a oportunidade.

― Eu não fiz nada além da minha obrigação, estava cuidando de Nanda Parbat como me ordenou a fazer, Ra's. Acabei sendo capturado e ela salvou minha vida e derrubou o líder da coisa toda. Se alguém merece recompensa, não sou eu.

Ra's estreitou os olhos para Oliver o olhando com atenção e até um pouco de curiosidade, então sorriu. Um sorriso que arrepiou cada mísero pelo do meu corpo.

― Muito bem. ― O olhar do líder agora foi para mim. ― Senhorita Smoak, eu lhe concedo um desejo. Me peça o que quiser, e eu lhe darei. Dinheiro, posses, o direito de escolher suas missões, qualquer coisa. Deixe sua imaginação livre, querida.

Senti o olhar dos dois em mim, quando eu pensei. Só tinha uma coisa que eu queria, que era não me sentir assim em cada morte, não ficar apreensiva se alguma missão envolvesse assassinato. Eu queria aprender a ser mais forte.

― Eu quero Al Sah-Him. ― Notei o possível duplo sentido das palavras quando elas já haviam escapado da minha boca, então me apressei em corrigi-las, antes que Ra's risse mais e Oliver me olhasse ainda mais chocado. ― Eu quero dizer, como parceiro de missão. Sei que é pedir muito, ele tem o trabalho aqui com os recrutas, e eu sou praticamente uma novata em trabalhos externos, mas preciso aprender com o melhor. Ele.

― Isso foi ideia sua? ― Ra's, que parecia estar se divertindo com a coisa toda, perguntou a Oliver.

― Não, senhor ― Oliver o respondeu com a voz grave.

― E você está de acordo?

Eu quis recolher minhas palavras e me encolher em um canto no momento que vi a hesitação nos olhos azuis do meu treinador. Mas o que eu estava pensando? É claro que ele não aceitaria, pensando melhor agora, meu pedido além de ousado, não fazia sentido. Ele tinha responsabilidades com os recrutas, como herdeiro, eu não poderia simplesmente pedir a ele que deixasse tudo isso para me treinar em campo. Além do que eu era a pessoa que tinha mandado ele se afastar antes dessa confusão toda com Cooper começar.

― Me responda, Al Sah-Him ― Ra's exigiu. ― Você está de acordo com o pedido dela?

― Sim, senhor ― Oliver murmurou depois de mais algum tempo.

― Pois muito bem, eu aprovo.

― Posso ir? ― pedi, trocando o peso da perna. Aquela tensão toda estava me matando.

― É como ter Laurel de novo na nossa frente, não concorda? ― Ra's falou para Oliver, mas me encarando e não respondendo minha pergunta. ― Bonita, inteligente, corajosa. Lhe ofereço o mundo, e ela escolhe apenas o meu herdeiro. ― Olhei para Oliver em busca de uma resposta para aquilo, mas ele apenas baixou a cabeça e virou o rosto na direção oposta ao meu. ― Pode ir, querida. Você ganhará um novo alojamento, boa sorte. ― Deixei os dois a sós e fui conduzida com surpresa para o local que seria meu novo quarto.

Estava quase amanhecendo e eu nada havia feito além de encarar o teto acima da minha nova e maior cama quando ouvi batidas na porta e a voz de Oliver anunciando sua presença.

― Pode entrar. ― Ele adentrou o recinto com cautela.

― Uau, isso é um melhoramento ― falou olhando ao redor, com tom ameno.

― Mate uma pessoa, ganhe um quarto próprio. Pelo menos Sara vai ficar feliz de se ver livre de mim ― comentei ácida, me sentando na cama. ― A Liga e seus regulamentos sem sentido.

― Você salvou nossas vidas. ― Ele sentou ao meu lado. ― Quantas vezes vou ter que repetir isso pra você?

― Lá você me disse para não matá-lo.

― Eu estava protegendo você, mas talvez estivesse fazendo isso errado. Se eu tivesse te preparado melhor...

― Isso não foi culpa sua, Oliver. Se alguém era culpada ali, era eu.

― Vamos concordar em discordar nessa, Felicity. Teremos que fazer muito isso de hoje em diante.

― Sobre aquilo... ― toquei no assunto que eu vinha ruminando desde que saí da sala de Ra's. ― Você está livre pra dizer que não quer essa parceria comigo. Eu te peguei de surpresa, foi sem noção, admito.

― O que te faz achar que eu não quero trabalhar com você?

― Sua cara quando ouviu o que eu pedi entregou bastante ― respondi. ― Entendo que você deve querer alguém mais experiente, ou no mínimo continuar com o treinamento dos recrutas. Eu não deveria ter falado sem te perguntar antes, mas a coisa surgiu na hora e...

― Isso não é sobre você.

― "Não é você, sou eu". Jura, Oliver?

― O pior que é verdade ― assumiu com um sorriso pequeno frente à ironia do clichê. ― Eu não vou a campo regularmente e com parceiros há muitos anos. A última vez não acabou bem. ― Ele até tentou disfarçar, mas não conseguiu conter a tristeza na voz.

― Laurel? ― perguntei de vez tocando seu ombro. Aquele era um nome que vinha rondando desde que saiu da boca de Ra's, e eu precisava mesmo saber quem era essa pessoa a quem fui comparada.

― Seria pedir demais que você apenas ignorasse o Ra's disse, não é?

― Você me conhece. ― Testei um pequeno riso, meus dedos começando a fazer carinho onde tocavam. ― Quem é Laurel, Oliver?

― A filha caçula de Ra's. ― Confesso que mais do que surpresa por haver uma terceira filha que ninguém nunca tinha falado antes, senti uma espécie de alívio por essa mulher misteriosa ser apenas mais uma "Talia" para Oliver.

― Por que ele me comparou a ela?

― Pelo que ele disse. Bonitas, inteligentes, corajosas. E agora, minhas parceiras em campo.

― O que aconteceu?

― Ela... ― Oliver pigarreou, parecendo lutar contra si mesmo ao ter que falar sobre. ― Laurel morreu em campo oito anos atrás. Estávamos eu, ela e meu melhor amigo, nosso melhor amigo, quando as coisas começaram a dar errado e a perdemos. ― Eu ainda estava processando a morte da parceira quando ele me joga um "melhor amigo" na história.

― Sinto muito.

― Tem outra coisa ― ele falou quando eu já ia perguntar do misterioso amigo. — Laurel não era apenas minha parceira. Ela era minha noiva. ― A menção da palavra "noiva" foi como um choque que afastou minha mão dele.

― Você já foi casado? ― perguntei em choque.

― Não foi isso que eu disse.

― Mas disse que teve uma noiva. Laurel Al Ghul, filha de Ra’s.

― Sim ― confirmou.

― E que ela morreu em campo. ― Pude ver dor em cada uma das contrações de seu rosto. ― Por isso não quer ir a campo com uma mulher? ― Oliver chegou mais perto e segurou minha mão, que eu havia deixado sobre a cama desde que o soltei.

― Não com uma mulher que eu tenha sentimentos. ― Meu coração fez uma parada brusca antes de começar a bater descompassado. Que diabos ele estava falando? ― Felicity, a flecha de um cara chamado Darhk pode a ter matado, mas a culpa foi nossa. Eu e Tommy perdemos o foco brigando por uma garota e acabamos a perdendo. Não posso correr esse risco com você.

― Você disse que tem sentimentos por... ― Não pude deixar de mencionar o fato ou aquilo se tornaria um elefante na sala, mesmo que minha voz tenha saído bem mais hesitante do que o planejado.

― No campo, preciso de uma parceira, alguém com quem eu não precise me preocupar com quem conversa, flerta ou dorme. Ciúmes me cegaram e atrapalharam meu julgamento com Cooper e quase morremos, não vai acontecer de novo. Não posso te perder, Felicity. ― Sua mão segurava a minha com firmeza, e mesmo que aquela conversa tivesse seu grau de constrangimento, era tão honesto e sincero que meus olhos não conseguiam olhar para outro lugar que não os dele.

― Eu não quero te perder também ― confessei. ― E sei que eu era o motivo de Cooper ter tanta raiva direcionada a você.

― Ei, isso não foi culpa sua, já falamos sobre isso. ― O único motivo para não olhá-lo mais foi quando senti sua palma em minha bochecha, fechei os olhos e aceitei o carinho tão incomum a ele, até inclinando minha cabeça contra sua mão.

― O que faremos agora? ― questionei ainda de olhos cerrados.

― Você decide. Mesmo que você não me deixe esquecer como sou autoritário e mandão, não quero ser assim com você, então você decide.

Suspirei. Teria sido bem mais fácil se ele tivesse chegado com a ideia já pronta. Mas agora eu tinha de escolher entre esse tipo de conversa e carinho e entre meu treinador, o melhor que poderia conseguir. Eu entendia os motivos dele, e até concordava, mas por que não as duas coisas? Apesar de não admitir em voz alta, eu queria as duas coisas.

― Oliver... ― Cobri a mão dele com a minha, levando ambas ao meu colo e o olhando fundo nos olhos. ― Você é incrível e tem sido essa pessoa incrível. Quero mais de momentos como esse, ― apontei para nós dois ― mas preciso sobreviver. Não posso hesitar, não posso deixar repetir o que aconteceu na Bulgária ou aqui. Você está certo, sentimentos alteram o julgamento, não seria seguro para nenhum de nós dois, além de que sei que não posso esperar nada de um relacionamento com você. Você é o herdeiro, vai ser o novo Ra's, nosso atual líder jamais permitiria ― apontei o óbvio, para que ele soubesse que não dependia apenas da minha escolha. O semblante dele assumiu uma decepção e tristeza, mas Oliver apenas assentiu concordando.

― Parceiros, então?

― Parceiros. ― Ele ergueu nossas mãos e deixou um beijo nas costas da minha, e quando se inclinou em minha direção, achei que viria ali um beijo de despedida, mas seus lábios foram apenas até minha testa.

― Boa noite, Felicity. Durma, amanhã seu treino começa diferente, mas cedo e mais pesado.

― Você não pretende pegar leve comigo, não é?! ― Testei um sorriso, que foi correspondido com um pequeno da parte dele.

― Quando foi que peguei? ― Deu de ombros, levantando da cama e indo em direção à porta.

― Faz sentido ― assumi, já sentindo falta da sua presença ali tão perto comigo.

― Aproveite o quarto novo ― foi a última coisa que ele disse antes de ir embora.

Notas finais
E agora eles são oficialmente parceiros. E nada mais... HAHAHAHAHAHAHA Como se eles conseguissem segurar o "nada mais" por muito tempo... Mas dessa vão, mesmo que as coisas no futuro estejam bem diferentes. Por falar em futuro, próximo capítulo continuamos do ponto em que Oliver finalmente descobriu o esconderijo dela. Até lá... Bjs*