Assassins

10 Nanda Parbat || 2005


Notas iniciais
Olá, pessoinhas lindas do meu core!! Mano do céu, que semana foi essa? Mas o que importa é que chegamos aqui, com um dia de atraso, mas chegamos. Meu agradecimento especial para a Clare e à isabelsilva, que favoritaram a história. Valeu, beninas!! Desenvolvi um amor especial por esse capítulo. Ele é o primeiro dos dois capítulos no ponto de vista de OLIVER. O outro será mais para o final da história, mas nesse vamos explorar a complicada e não-tão-esclarecida ainda dinâmica Oliver-Laurel-Tommy. Revelar mais um pedacinho dessa história, espero que gostem. Até as notas finais!! Bjs*

Nanda Parbat

Junho de 2005

O banho foi como uma recarga de energia para meus músculos doloridos da última missão e eu me sentia revigorado. Passei as mãos no cabelo espirrando gotículas de água por todo o corredor, enquanto me encaminhava à sala de treinos.

― Cara, isso é muito sexy ― a voz de Tommy me tirou uma risada antes mesmo que colocasse os olhos na cara de bastardo do meu melhor amigo. ― Não é à toa que metade das recrutas vivem aos suspiros por você.

― E por você ― rebati. Não era como se ele pudesse reclamar da quantidade de garotas que vivia se esgueirando para dentro do quarto dele todas as noites.

― É como no colégio, só que com espadas, arcos, armas e capuzes. ― O moreno passou o braço por meus ombros.

― É a Liga dos Assassinos, Tommy, não o colegial ― atestei, o afastando. ― E nós temos treino agora, hora de parar com suas costumeiras e nem tão aceitas piadinhas. ― Ignorando totalmente minha seriedade, ele riu mais, voltando com seu meio abraço.

― Por isso que somos melhores amigos, cara. Você é o bonitão misterioso e quieto, e eu sou o bonitão simpático e sorridente. Não somos concorrência com as garotas!

― É, não somos. ― Só com ela.

Eu simplesmente não consegui evitar meus lábios esticarem-se em um sorriso ao vê-la. Laurel lutava na sala de treinos com seus inseparáveis bastões, derrubando com golpes ágeis quase uma dezena de homens que tinham o dobro do seu tamanho.

― Se continuarem babando assim em cima da minha irmã, vai ser impossível treinar aqui. Chão escorregadio é foda! ― Nyssa passou por nós sacando a espada da bainha. ― Que tal um adversário de verdade, mana?

Laurel notou nossa presença na porta de entrada pela primeira vez e sorriu. A porra do maldito sorriso que ferrava com meu ritmo cardíaco, e provavelmente acabaria com minha amizade mais longa e importante.

― Vocês voltaram! ― Laurel largou as armas, ignorou a irmã e correu para envolver a mim e Tommy em um braço apertado. ― Nada de sair em missão os dois juntos sem que eu esteja também, viu? Vocês me mataram de susto quando não voltaram ontem! ― exclamou dando um tapa forte no braço de cada um.

― Ai! Você não é fraca como parece, criatura!

Tommy reclamou acariciando o local doído, mas eu sabia que aquilo não era nada comparado à surra que levamos na nossa última passagem pela Espanha. Os bandidos da vez deram muito trabalho antes de conseguirmos eliminá-los, mas não sem antes derrubarem um prédio inteiro em cima de nós.

― Não seja um bebê, Merlyn!

― Pare de me espancar sem motivos que deixo de choramingar! Sabia que Ollie e eu quase explodimos junto com um quarteirão inteiro de Sevilha? ― As feições dela ficaram sérias quando me encarou, então apenas dei de ombros com um sorriso pequeno, um gesto silencioso que estava bem. ― Merecemos mais carinho em nossa gloriosa volta para casa! ― Meu amigo continuou a dramatizar, mas eu bem sabia que ele fazia aquilo apenas para prolongar a conversa e chamar a atenção dela. Ele nunca havia colocado esses sentimentos em palavras, mas, como melhor amigo, eu sabia que ele gostava dela.

― Vocês dois definitivamente não podem sair sozinhos. Eu posso apostar que se meteram em mais confusão do que deviam em busca de mais adrenalina.

― Meu amor me conhece tão bem! ― Ele a abraçou apertado, passando o nariz pelos cabelos dela os cheirando, enquanto Laurel se inclinou para lhe dar um beijo no rosto.

Eu sei que não devia, eu sei que era infundado e ali não tinha nada além de amizade (pelo menos no que dependesse de Laurel), mas senti o bichinho dos ciúmes de corroer mais uma vez. Eles eram melhores amigos, além de serem meus melhores amigos, mas isso não me obrigava a gostar de vê-la nos braços de outro, ainda mais de Tommy e seus claros e fortes sentimentos por ela.

Assim como os que eu também nutria.

Lembro exatamente o momento que me apaixonei por Laurel. Eu estava na Liga há quase três anos, e tinha essa garota magricela, filha de Ra's, que vivia seguindo a mim e Tommy, querendo participar das escapadas e treinos com os garotos maiores. Eu sempre dava um jeito de deixá-la de lado, tinha medo de quebrar a caçulinha do chefe com apenas um soco, então, em um momento que lutávamos contra uma invasão tcheca a Nanda Parbat, e minhas flechas tinhas acabado, ela entrou na minha frente. Totalmente destemida com seus dois bastões, ela quebrou o crânio do cara com nada além de dois golpes. Levantei do chão e continuei a lutar, mas não conseguia mais deixar de pensar nela.

Foi quando observei que ela não era mais a menina indefesa que eu julgava ser, além de ser muito bonita. Eu tinha dezessete e ela quinze, ambos no auge dos hormônios, então acabou acontecendo, a nossa primeira vez. Esse ainda era um segredo que prometemos levar ao túmulo quando vimos a impossibilidade do nosso relacionamento, então retomamos a amizade, que foi ficando a cada dia mais forte.

― Mais cuidado da próxima vez, Tommy!

― Você que manda. ― Ele deu mais um beijo desnecessário no rosto dela, antes de a soltar e caminhar a centro da sala. ― Você vem, Ollie? ― Assenti e já ia na direção dele, quando senti a mão de Laurel em meu braço, delicada demais para uma assassina profissional.

― Ei, você tá bem? Não se machucou? ― Seus dedos finos escorregaram do meu braço até enlaçarem-se nos meus, mantendo-os no pequeno espaço entre nós dois para ninguém visse. ― Estava com saudades.

― Sevilha teria mais graça com você lá ― assumi. ― Também morri de saudades.

― Laurel, você vem ou não? ― Nyssa gritou a irmã, que tinha nos olhos verdes o mesmo olhar de pesar refletido nos meus por ter que soltá-la.

― Eu... A gente...

― Depois, Laurel. Pode ir.

A tarde de treinos foi intensa como sempre costumava ser. Mesmo que as atividades de campo sejam emocionantes e minha preferidas, nos últimos meses tenho gostado de auxiliar no treinamentos dos novos recrutas. Eles são sempre tão medrosos ou mesmo com uma raiva descontrolada e mal direcionada, que colocá-los no trilho tem me divertido. Ra's tem concordado que eu realize essa função, e sempre me deixa ajudar Diggle a treiná-los.

― Ollie, tomei uma decisão ― Tommy começou o assunto do nada quando eu voltei a lutar com ele no final da tarde e quando quase todos já haviam saído. Dessa vez usávamos talas de madeira. ― Todo aquele concreto quase me esmagando me deu uma nova perspectiva. Vou falar para ela.

― Falar o que para quem?

― Laurel. Vou me declarar e pedi-la em namoro. ― A afirmação me surpreendeu e chateou de igual modo, ao que perdi um pouco o controle acertando o pedaço de ladeira bem na testa dele. ― Vai com calma, cara. ― Ele se afastou de mim, passando os dedos pelo corte que, graças aos céus, acabou sendo pequeno e superficial. ― Ainda bem que não estávamos treinando com os arcos.

― Foi mal, eu... Só fiquei surpreso. ― Como quase nada abalava o humor dele, Tommy apenas sorriu, dando de ombros como se aquilo não tivesse sido nada.

― Relaxe, somos um trio, não vamos excluir você, não seremos esse tipo de casal. Só algumas vezes talvez você precise pegar umas indiretas e deixar que tenhamos um momento a sós. ― Piscou brincalhão para mim. ― Acho melhor encerrar por aqui, antes que você continue a deformar meu rostinho lindo. Dedos cruzados, brother, hoje será minha noite!

― Oliver, tem que falar pra ele, você sabe ― John aconselhou pela milésima vez, quando estávamos só nós dois guardando os equipamentos. Ele provavelmente deve ter visto o meu pequeno showzinho com a vara. ― Ele é seu melhor amigo, deve saber por você.

― Tommy a ama, Dig, ele nunca vai me perdoar. ― Diggle atualmente era a única pessoa que eu podia conversar sobre isso, afinal, meus outros dois amigos estavam enfiados até o pescoço na história.

― Você também a ama, isso não vale de nada? ― retrucou. ― E mais importante: o que Laurel pensa sobre? Vocês dois tem que saber que a escolha é dela e só dela.

― Esses seus papos fazem minha cabeça doer, Diggle. ― O moreno riu do meu dilema. ― Se Ra's perguntar, estou descansando no meu quarto.

― Fale pra ele! ― gritou para mim quando eu já estava na porta de saída.

― Quieto, Diggle!

Rumei ao meu quarto e mal tinha colocado os pés para dentro quando ela pulou em meu colo, passando as pernas por minha cintura e os braços em torno do meu pescoço.

― Laurel?

― Como eu disse antes, senti saudades. ― Os lábios dela cobriram os meus, ao que prontamente retribuí, apertando corpo dela junto ao meu. Não havia se passado nem uma semana e eu já sentia quase uma dor física de sua ausência.

Nosso relacionamento havia saído do nível "apenas amigos" há pouco mais de um ano. Tommy não estava na missão em questão, e não pude deixar extravasar tudo que passava em meu peito quando consegui resgatá-la de uma quase morte. Falei tudo que sentia e ela confessou seu amor de volta. Laurel dizia que situações de quase morte era o que nos unia, e eu não pude concordar mais.

― Estou suado, preciso de um banho. ― Franzi o nariz numa careta.

― Mais sexy. ― As mãos dela foram para a barra da minha camisa, passando pela minha cabeça. ― Deus, senti falta disso. ― Ela acarinhou meu tórax desnudo, me beijando novamente. Aquilo era errado, eu simplesmente não poderia continuar transando escondido com ela.

― Laurel ― chamei, a descendo do meu colo. ― Temos que... Não podemos. Seu pai... ― me perdi nas palavras e ela uniu as sobrancelhas, analisando minha reação.

― Isso não é sobre meu pai ― afirmou convicta. Perda de tempo contar meias verdades ou esconder coisas dela. Minha namorada me conhecia melhor que qualquer um. ― Tommy.

― Ele ama você. ― Ainda não tínhamos tocado no assunto, e eu sabia que colocar aqui na roda poderia ferrar com nosso já tão complicado relacionamento, mas não era algo que poderíamos ignorar para sempre. Ele era nosso melhor amigo.

― E eu também o amo, mas não do jeito que ele merece, ou do jeito que amo você. ― Seus dedos acariciaram minha barba por fazer.

― Ele vai conversar com você hoje sobre isso. ― Seus olhos cresceram um par e ela abriu a boca levemente em surpresa.

― Droga! ― resmungou, seu humor caindo. ― Será que você não consegue enrolar ele para não fazer isso agora?

― Considerando que eu quase arranquei a cabeça dele com um pedaço de madeira apenas quando ele tocou no assunto, acho melhor isso não ser um tópico das nossas conversas por enquanto. ― Tentei colocar um pouco de humor, mas ninguém ali diminuía o quão nossa situação era complicada.

― Isso é uma grande merda! Não quero magoá-lo, mas também não quero mais ficar longe de você! Não consigo. ― Ela me abraçou depositando o rosto em meu peito.

― E não é como se tivéssemos alguma solução vindo em um horizonte próximo ― lamentei, retribuindo ao abraço com força. Por que as coisas tinham que ser assim?

― Na verdade... ― Quando ela ergueu o rosto para me olhar, vi em seus olhos um brilho diferente. Uma ideia. ― Estava falando com Talia sobre isso.

― Talia sabe sobre nós? ― Ok, aquilo poderia ser um problema. A primogênita de Ra’s nunca fora muito minha fã, e desde que o pai havia anunciado que eu ou Tommy herdaríamos o anel da cabeça do demônio, ela apenas me suportava.

― Claro, Ollie. São minhas irmãs, não tenho porque esconder nada delas.

― Nyssa também? Laurel... ― Mais essa agora! Esse segredo estava envolvendo gente demais, temi que logo chegaria nos ouvidos de Tommy. Você tem que falar para ele, a voz de Diggle repetia em minha cabeça.

― O que ela disse?

― Ela me falou sobre umas das tradições de iniciação para o próximo Ra’s. em suma, meu pai tem que te escolher como herdeiro. Quando fizer isso, ele dará uma das filhas em casamento para você, para unificar a linhagem ou coisa assim. Apenas garantimos que seja eu.

― Quê? Eu não sabia disso.

― Apenas precisamos esconder nosso namoro mais um pouco, e as coisas se resolverão sozinhas. Vai parecer que tudo foi ideia do meu pai, Tommy não ficará chateado com a gente e poderemos ter tudo.

― Parece simples demais.

― Porque é! Sei que tudo tem sido muito difícil para você, Oliver, então apenas aceite que coisas boas e simples vão acontecer vez ou outra. ― Balancei a cabeça em concordância, ainda não inteiramente convencido. ― Então sobre aquele banho... Se importa que eu também participe?

Ela arrancou e blusa e já me puxou em direção ao banheiro.

Fato, eu nunca conseguiria dizer não para aquela mulher.

~

― É um péssimo plano, o pior que você já elaborou, Oliver! É imprudente e fadado ao fracasso!

Meu melhor amigo estava de péssimo humor. E tudo que não precisávamos era que ele estivesse de péssimo humor naquele momento. Desde a não-declaração naquela noite, Laurel tem evitado estar sozinha com ele e isso tem o deixado puto da vida. A coisa é que agora estávamos os três em um dos esconderijos da Liga dos Assassinos na Markóvia seguindo a pista de um inimigo poderoso de Rs’s Al Ghul.

― Não exagera, Tommy! ― Laurel mais ria do que qualquer outra coisa, enquanto eu estava levemente ofendido. Ele nunca questionava meus planos.

― E não é imprudente, é a melhor escolha. Laurel é a única que passa por aqueles ductos, além de ser mais do que capaz de fazer o trabalho.

― É Damien Darhk, Ollie! O pior inimigo de Ra's, e você quer mandar Laurel sozinha para derrubá-lo! Devíamos ter trago Nyssa também! ― Ela estava chateado por outras coisas que não envolviam a missão, e não era justo que ele descontasse em mim suas frustrações.

― Ok, já chega! ― elevei minha voz. Ele já estava me estressando sobre isso há horas. ― Ra's me colocou no comando da operação porque acha que sou capaz. Então pare de questionar minhas ordens e apenas obedeça, Tommy! ― Percebi que poderia ter me excedido um pouco quando o rosto dele ficou ainda mais sério e ele calou a boca, mas não antes de soltar uma última frase.

― Falou como uma verdadeira cabeça do demônio. Sim, senhor, Al Sah-Him, seus desejos são ordens para mim. ― Ele fez uma reverência cínica e saiu batendo a porta.

― Merda!

― Deixa ele, Ollie ― Laurel aconselhou quando fiz menção de ir atrás do meu melhor amigo.

― Talvez Tommy tenha razão. Talvez seja um plano estúpido e eu esteja colocando sua vida em risco.

― Ou talvez seja a decisão mais sensata ― contra argumentou, segurando meu rosto entre as mãos. ― E te amo ainda mais por confiar em mim.

― Darhk é perigoso demais, se ele te machucar... ― Apenas a mera ideia de vê-la ferida me dava arrepios. ― Se ele te machucar, nunca vou me perdoar.

― Tudo vai dar certo. ― Ela selou nossos lábios rapidamente.

O plano em si não era tão complicado. Laurel entraria pela ventilação, derrubaria metade dos guardas com o elemento surpresa, me deixando a cargo de entrar depois e derrubar Darhk. Tommy cobriria nós dois do telhado vizinho. A coisa é que, por longos três minutos ela estaria sozinha, com quase uma dezena de homens armados. Eu confiava na capacidade dela, e ela também me garantiu que conseguiria, o que não me deixava menos preocupado.

Mas eu havia sido treinado para isso. Elabore um plano, permaneça no plano. Salve a si mesmo, salve seus companheiros. E eu estava tentando ser otimista esses dias, tudo daria certo.

Naquela noite, na hora marcada, estávamos os três usando nossos trajes da Liga analisando o perímetro do prédio que Darhk estaria.

― Dois guardas na porta noroeste, quatro no telhado, mais quatro na entrada. Laurel, você vai entrar pelos ductos na área leste ― expliquei. ― Quando sair, vai encontrar três dos capangas na sala adjacente, derrube-os em um minuto.

― Fácil.

― Depois, você segue pelo corredor e vai encontrar mais quatro. Você terá dois minutos para acabar com eles, enquanto eu derrubo os guardas de fora e dentro. O prédio é de vidro, então você, Tommy, vai cobrir os passos dela e depois os meus de cima do prédio ao lado. Não mude sua posição, estamos dependendo de você nessa.

― Sim, senhor ― ironizou com uma continência, ao que rolei olhos. Quanto tempo esse mau humor ia durar?

― Não entre na sala que Damien está sem que eu tenha te alcançado, Laurel. Confio em você, mas não pode querer ser a esperta, não pode querer ser invencível, ok?

― Relaxe. ― Deu de ombros.

― Certo. ― Respirei fundo. ― Qualquer coisa, comunicação pelo ponto eletrônico. Ra’s não é muito fã de tecnologias, mas elas servirão bem para essa operação. Precisam que eu repita, porque posso repetir sem problemas.

― Entendemos nas três primeiras explicações, Oliver, fazemos isso a tanto tempo quanto você. Eu vou para minha posição.

― Ok. Você está usando as flechas de alumínio revestidas de policarbonato? Elas são melhores para... ― tentei falar, mas fui interrompido.

― Deixe que com minhas flechas lido eu ― Tommy falou sem paciência. ― Ei, você. Toma cuidado, ok? ― Ele abraçou Laurel com força, a apertando junto ao seu peito, seus braços em torno dos ombros dela. ― Amo você.

― Também amo você, Tommy. ― Ela deu um beijo do rosto dele, enquanto eu apenas trocava o peso das pernas levemente incomodado. ― Não faça tanto drama, ficaremos todos bem.

― Tomara que sim. ― Assisti ele correr em direção ao prédio que deveria ficar, sumindo na escuridão.

― Ei, não faz essa cara. ― Laurel chamou minha atenção para si. ― Ele vai ficar bem logo que terminarmos isso. Aliás... ― Um sorriso estranho, bonito e muito reluzente desenhou-se em seus lábios cheios. ― Todos nós vamos ficar bem. Eu estava para te contar isso, mas toda a sua coisa com o Merlyn, bem... Falei com meu pai antes de viajarmos para cá. ― Fiquei em estado de alerta no mesmo momento. Se Ra’s já sabia sobre nós... ― Relaxe, não contei sobre a gente, falei sobre você, e adivinha? Você é escolhido para ser o herdeiro dele! ― Ela me puxou para um beijo e retribui no mesmo momento. Eu sentia tanta saudade de beijá-la, queria poder fazer a qualquer momento.

― O quê? Mas, e... Tommy?

― Ele adora o Tommy, mas você é o melhor. E o melhor, vamos poder finalmente assumir nosso relacionamento! Quando voltarmos...

― Quando voltarmos você casa comigo? ― A pergunta saiu sem nenhuma intenção. Eu sei que laurel merecia um pedido à altura, mas não pude evitar. E ver como seu rosto iluminou-se, soube que não tinha ido tão mal.

― Caso. Claro que caso. Eu amo tanto você, Oliver!

― Também te amo, minha...

Nem tive tempo de finalizar a frase, ou sequer de chegar perto o bastante para beijá-la em comemoração, já que uma flecha passou voando a nada mais que cinco centímetros do meu rosto. Nenhum amador conseguiria esse feito, seria sorte demais, o que dizia que a flecha negra que se fixou na parede à minha frente era obra de um arqueiro tão bom quanto eu. E eu só conhecia um.

― Tommy realmente está temperamental hoje ― reclamei, apertando o ponto em meu ouvido para ligá-lo, mas só ouvi estática. Ótimo, o que não precisávamos era de um defeito agora. Apertei o pequeno aparelho em meu ouvido mais algumas vezes, até que o ouvi.

Estamos atrasados. Podemos?

― Eu já vou. Boa sorte.

― Toma cuidado.

― Terei. Até daqui a pouco.

Quando ela desapareceu de vista, fiquei em alerta pronto para entrar quando fosse meu momento.

De todos, menos de você, Oliver ― a voz de Tommy soou em meus ouvidos, e eu não conseguia entender do que ele falava. ― Não somos concorrência, era o que eu dizia. Você me passou a perna com Ra’s e ainda vai casar com ela?

― Tommy, eu posso explicar.

Somos irmãos, ou éramos. Porra, Oliver! ― Eu nunca tinha o visto tão possesso.

Entrei. ― Era Laurel. ― Três já foram, faltam quatro. Ollie, já está em posição?

― Entrando. Me espera.

A conversa com Tommy acabou me atrasando alguns segundos cruciais, e o conteúdo do pequeno debate me deixou abalado o suficiente para não derrubar os meus oponentes tão rápido quanto deveria.

Ollie, cadê você?

― Mais um minuto! ― a respondi, enfiando uma flecha e socando outro dos homens de Darhk. Quase ia sendo atingido por um tiro quando a pessoa que segurava a arma, caiu com uma das flechas de Tommy. ― Valeu.

Agradece depois, ela entrou. Garota teimosa! ― praguejou. Merda, Laurel!

Corri para o ponto onde Laurel deveria estar e só encontrei os seguranças que ela derrubou. Entre na porta maior com um chute, até encontrar uma cena que fez meu coração gelar.

Darhk segurava Laurel pelo pescoço, enquanto ela se debatia tentando, em vão, se soltar do aperto. Uma flecha de Tommy atravessou o vidro da janela e Damien a segurou uma agilidade invejável.

― Você realmente não veio aqui sozinha ― falou para Laurel, que engasgava. ― A parte ruim é que eles trouxeram as armas para matar você.

Antes que eu pudesse mover um músculo sequer, ele a empalou com a flecha, jogando seu corpo ofegante no chão. Saí do meu estado de torpor e logo alcancei três flechas da minha aljava e atirei na direção dele, que se desviou. Aquele cara não poderia ser normal.

Logo Tommy quebrava outra janela, atravessando e avançando como um louco na direção de Darhk. Fiz companhia a ele, lutando com o homem, também enxergando vermelho. Eu poderia até morrer tentando, mas mataria aquele filho da puta por machucar o amor da minha vida. Quase como uma jogada coreografada, eu e Tommy puxamos nossas espadas e cravamos no peito dele, que finalmente caiu morto no chão.

― Laurel. ― Meu amigo largou a espada no chão e praticamente se jogou no chão ao lado dela, colocando sua cabeça no colo. ― Laurel, respira, fica comigo. ― Me ajoelhei do outro lado de seu pequeno corpo, tapando o local do machucando tentando estancar o sangue que jorrava.

― Tommy... Ollie...

― Não, não fala. Vamos te tirar daqui, você vai...

― Tudo bem, eu... Eu vou ficar bem. ― A respiração dela acelerou ainda mais, sua pele ficando pálida e gelada. ― Eu estou bem.

― Você está bem ― Tommy repetia para si mesmo, derramando uma torrente de lágrimas sobre o rosto dela. ― Você vai ficar bem. Você vai ficar bem, todos nós vamos ficar bem.

― Tommy, precisamos tirar ela daqui.

― Não, ela vai ficar bem. Todo mundo vai ficar bem. ― Ele a segurava mais forte.

― Tommy! Agora!

O coração ela parou ainda a caminho do hospital, nos braços de Tommy. Ele estava muito mal para dirigir, então tiver de roubar e guiar o carro, e mesmo com todas minhas imprudências no volante, foi inútil.

Meu grito de dor ficou preso na garganta, as mãos congeladas no volante, o olhar fixo na rua deserta à minha frente. Eu sequer conseguia chorar, na real, eu não acreditava que a tinha perdido. Em um segundo ela estava aceitando meu pedido torto de casamento, e no seguinte, já não mais respirava no banco de trás do carro. E único pensamento que vinha à minha mente era: a culpa é minha.

~

A Liga dos Assassinos ficou de luto por uma semana literal. Não havíamos perdido apenas um membro. E ela não era somente a filha do demônio. Laurel carregava consigo a alma de uma guerreira, e não houvesse uma pessoa lá que não a admirasse. O próprio Ra’s Al Ghul se recolheu em seus aposentos, as tochas foram apagadas e todas as missões pararam durante a tal semana.

E eu? Me isolei em meu quarto, tentando descobrir uma forma de viver sem meu coração.

― Oliver, estão precisando de você. ― Diggle chegou em meu quarto aquela manhã. ― Vão começar a prepará-la para cerimônia.

― Não irei, Dig. Ra’s vai entender.

― Oliver... Você precisa ser...

― Forte? ― completei destilando ironia. ― O que eu preciso é que dela! Não vou conseguir, eu sequer consigo sair do quarto para apoiar meu amigo que também a amava! Ele é a única família que ainda me restava, a única pessoa do meu passado e ele agora me odeia, e com toda razão.

― Sobre o Merlyn... Precisa saber de algo.

Meu queixo caiu aberto ouvindo John me falar sobre o que estava acontecendo fora das paredes do meu quarto. Nyssa havia surtado e quebrado metade do lugar. Ra’s, como eu já sabia, também havia se isolado, deixando tudo a cargo de Talia, que estava enlouquecendo a todos com seus desmandos. Mas o que me fez saltar da cama foram as notícias sobre Tommy.

― Como assim você está indo embora? ― Puxei em braço com força, quando ele saía de seu quarto. ― Você não vai me deixar aqui! ― A risada de Tommy saiu seca e sem humor.

― Tem como ser mais egoísta? Isso não é sobre você, Queen.

― Claro que é sobre mim, é sobre nós! Você entrou aqui porque somos família, Merlyn! Nós dois somos uma maldita família desde crianças, e você não pode...

― Família? Você esqueceu porra desse conceito quando enfiou sua espada de ouro nas minhas costas, Al Sah-him! Você roubou ela de mim!

― Eu não... Eu amava Laurel! ― gritei.

― Eu também! ― bradou de volta, apontando o dedo na minha cara. ― E você sabia, porque eu te considerava um irmão e não te escondia as coisas. Agora vem com papinho de irmandade? Me poupa! ― Nesse ponto eu já via pessoas se acumulando ao nosso redor para observar a briga. Não era todo dia que uma discussão daquelas era armada na Liga, e entre mim e Tommy, nunca havia acontecido. ― Sua arrogância a tirou de nós! ― continuou a falar com a voz elevada.

― Talvez sua covardia a tivesse salvado ― comentei entredentes.

― O que você disse? ― Tommy fechou as mãos em punho e começou a andar em minha direção. ― Repete.

― Você me ouviu bem ― retruquei, sentindo a raiva fervilhar em minhas veias. ― Fugiu quando meus pais morreram e eu tive de me afastar, viveu a vida toda na minha sombra e a última coisa que Laurel lembra, é você dizendo que ela tivesse medo, agora vai fugir de novo. Covarde.

Mal terminei de pronunciar as palavras e já senti o soco atingir meu nariz, o barulho dos ossos estalando e sangue jorrando, meu corpo indo de encontro ao chão.

― Cala a porra da boca! ― Sorri sem humor, limpando meu rosto com as costas da mão e ficando de pé. Se ele queria briga, acabou de conseguir uma bem boa.

Devolvi o soco em seu supercílio conseguindo um corte de cara, então seguimos com uma sequência de golpes um no outro que nem os quatro homens liderados por Diggle conseguiram interromper. Eu sentia que já tinha quebrado pelo menos três costelas, mas não iria parar. Eu estava tão puto da vida que extravasar com uma luta era tudo que eu precisava.

― Parem! ― A voz de Ra’s ecoou pelo lugar. ― Parem já os dois! ― Mesmo relutantes, tivemos que nos separar. ― Hoje é a cerimônia de despedida da minha filha e eu terei mesmo que castigar meus melhores homens por agirem como duas crianças? Em pé, agora! ― ordenou, se virando primeiro para Tommy. ― Você me pediu sua liberdade, e eu concedi a você, pelo amor que sentia por minha filha. Vá antes que eu me arrependa. ― Girou em minha direção. ― E você, Al Sah-him, te ofereço o lugar de meu herdeiro, mas também vou entender se precisar ir.

― Não, senhor. Jamais abandonaria a Liga, é a única família que me restou.

Talvez minha resposta ácida ainda fosse infantil, mas eu me sentia muito magoado. Odiava Tommy por me abandonar, logo ele que sabia mais do que ninguém como eu me sentia sobre perdas. E, porra, eu tinha acabado de perder Laurel, perder Tommy também seria doloroso demais.

― Sábia escolha. Aos demais, dispersem-se. ― E saiu.

― Sabe o que mais? ― Tommy ajustava as roupas. ― Eu nem consigo te odiar, a pena que sinto é maior. Pelo menos eu ganhei minha liberdade, enquanto você escolheu continuar escravo dessas paredes, onde cada tijolo grita o nome da Laurel. E se algum dia encontrar uma coitada disposta a te amar, vai estar ocupado demais a intoxicando e causando a morte dela, Al Sah-him.

― Isso não é verdade, Oliver. ― Dig chegou com a mão no meu ombro.

― Na boa, não importa, John. Depois de Laurel, nunca vou amar alguém de novo.

Notas finais
E então? Não tivemos Felicity, mas explicou mais um pouco, né non? Nessa briga, vocês são #TimeOllie ou #TimeTommy? E por mais que possa ter gente que não é fã da Laurelzita, eu não poderia negar a importância dela na vida dos meus meninos. Então, me contem o que acharam desse primeiro POV Oliver. Querem mais? Sei que não foi na época que vocês queriam, mas mais surpresas virão. Então, até os reviews!! Bjs* p.s.: Amanhã irei responder a todos, os capítulo passado e desse. Desculpem a demora. ;)