Assassins

14 Las Vegas || 2011


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Sentiram minha falta semana passada? Desculpem pela ausência. Bom, vamos continuar com nosso casal em Las Vegas!! Yeah!! Boa leitura e até as notas finais!! Bjs*

Las Vegas — EUA

Agosto de 2011

― Amiga, aquele bonitão do bar não tira os olhos de você ― Sara literalmente gritou ao meu ouvido, achando que sussurrava. Acompanhei seu olhar para encontrar o de Oliver, que estava com a cara amarrada e nos encarava. Rolei olhos.

― Você 'tá muito bêbada! ― atestei.

Ela já tinha aberto a metade do casaco escuro que cobria sua fantasia de "gêmea gostosa da América" e dançava como uma demente, distribuindo flertes para todos os homens e mulheres do lugar.

― Você também bebeu um bocado, Felzinha, nem vem!

― Minha resistência é maior que a sua, querida ― me gabei, mas, honestamente, eu queria e deveria estar mais sóbria.

― É sério, você tem que dar pro cara do bar, ele é muito gostoso! Disfarça, amiga, ele 'tá vindo. ― Ela virou de costas na direção que olhava, voltando a dançar.

― Ahn?

― As princesas querem companhia? ― Dois homens muito bonitos chegaram em nós antes de Oliver, nos trazendo pelas cinturas para si. ― Procurar um lugar mais privado, quem sabe? ― O moreno falou ao meu ouvido. Ele também não parecia estar no seu normal.

― As princesas já estão indo embora. ― Nosso treinador fez as vezes de irmão mais velho e nos puxou pelo braço para trás dele, mesmo com os resmungos discordantes da minha amiga e as reclamações dos caras. ― Vamos!

― É, foi divertido enquanto durou. ― Foram as últimas palavras de Sara antes de desmaiar e só não cair de cara no chão porque Oliver a colocou no colo. Me agarrei no braço dele para também não cair e seguimos para fora.

― Olá, bíceps! ― Oi? De onde saiu isso? Pela primeira vez na vida, olhei para cima e o vi sorrir de verdade, um sorriso muito fofo de menino.

― Segure-se firme, já estamos indo para o hotel.

Com certeza eu vou lhe segurar firme, coisa linda! Deus do céu, quando bebo, se possível, minha língua fica mais solta ainda e eu esperava mesmo que a última frase tenha sido só para mim.

Nosso hotel era perto, então não demoramos muito para já entrar lá, Oliver flertando e rindo para a recepcionista piranha sobre como as irmãs caçulas haviam passado da conta. Idiota!

― Aqui, tome dois desses e dê outros dois para Al Sah-Her quando ela acordar amanhã. ― Me entregou quatro comprimidos brancos depois de deixar Sara na cama dela, ir em seu quarto do outro lado do corredor e voltar rápido. ― Beba bastante líquido e coma mais essa barra de cereal, vai melhorar da ressaca. Amanhã voltamos cedo pra Nanda Parbat.

― Obrigada, acho que minha cabeça vai explodir.

― Vocês se saíram bem essa noite ― elogiou com as mãos nos bolsos. ― Lidaram com imprevistos, cumpriram a missão e...

― E quebramos a cara de um monte de caras! ― Ai, aquele sorriso lindo de novo!

― E quebraram a cara de um monte de caras ― repetiu. ― Boa noite, Felicity.

― Boa noite, Oliver.

Quando ele saiu, segui suas instruções, o que melhorou consideravelmente os efeitos da minha bebedeira. Troquei a roupa de Sara por algo confortável, e quando tirei o sobretudo e entrei no banheiro para um banho, encarei meu reflexo.

18 anos, quem diria?

Eu havia mudado muito desde que entrei na Liga. Os anos me deram mais curvas, os treinos me deram mais músculos, as experiências haviam me deixado mais forte.

Só tinha um assunto que ainda era tabu. O mesmo assunto que Sara citou mais cedo e que eu evitava sequer pensar. Mas se eu quisesse sobreviver, não poderia mais tremer sempre que um homem olhasse para mim, ou dar mata leões ou chaves de braço quando eles me encostassem. Precisava de sangue frio quando o assunto era sexo.

Quando percebi, já tinha colocado o casaco de volta e batia na porta de Oliver.

― Algum problema com Al Sah-Her? ― Ele me olhou preocupado, um copo com líquido marrom em mãos, a garrafa pela metade numa mesinha atrás de si.

― Não. ― Peguei o copo dele e entornei de uma vez, o líquido queimando por onde passava.

― Acho que já chega por hoje, Felicity. ― Tomou o copo de minhas mãos.

― Só precisava de uma dose extra de coragem. ― Entrei no quarto debaixo do seu olhar atento. ― Preciso te pedir uma coisa.

― Pode falar. ― Ele me seguiu, e apenas ouvi o barulho dele depositando o copo em algum móvel, já que não tinha coragem para olhá-lo agora.

― Preciso que faça sexo comigo essa noite. ― Minhas bochechas coraram ao extremo e me virei a tempo para ver seus olhos quase saltarem para fora.

― Ok, você bebeu demais. ― Ele segurou meu braço e começou a me arrastar para fora.

― Não podemos fazer no meu quarto, Sara está lá ― justifiquei, fazendo ele me soltar.

― Eu não vou transar com você, Felicity!

― Por favor...

― É contra as regras da Liga, e contra as minhas regras dormir com minhas alunas.

― Mas você e Talia... ― Usei meu argumento mais fraco e nojento. Lembrar daquele dia ainda me fazia querer vomitar.

― Você é diferente, garota!

― Acha que é fácil pedir isso pra alguém? Acha que é fácil pensar em qualquer homem me tocando depois do que aconteceu com Frank Bertinelli? ― Meus olhos encheram-se de lágrimas. ― Se não for com você, vai ser com alguém. E mesmo que Talia tenha te feito parecer uma espécie de monstro, ainda assim confio.

― Felicity, você está bêbada demais pra isso. Vai se arrepender amanhã.

― Pois serão meus arrependimentos, Oliver. Não sei quando me deixarão sair de novo, então talvez eu me arrependa se não fizer hoje. ― Ele estava relutante, mas eu via algo em seus olhos, uma faísca. A mesma coisa de quando nos beijamos mais cedo.

― Eu vou me arrepender disso.

Já ia contra argumentar, quando seus braços me envolveram pela cintura e seus lábios encontraram os meus.

Logo meus pés não estavam mais no chão, e senti que eu era carregada, durante um beijo ainda arrebatador que o primeiro. Quer dizer, hoje mais cedo na missão, eu havia iniciado a coisa para tentar nos tirar de lá mais rápido, mas estávamos cercados por dezenas de pessoas e ele estava com seus movimentos limitados comigo e Sara em seu colo. Agora com as mãos livres apenas para mim, e ninguém para interromper, o homem era um pedaço enorme e rígido de tentação e luxúria.

Minhas costas encontraram os lençóis e suas mãos habilidosas abriram o nó do meu casaco sem que eu ao menos notasse que ele fazia isso.

Seus olhos azuis cresceram um par quando ele viu que eu ainda usava a fantasia de mais cedo. Não havia sido proposital mantê-la, óbvio, mas com a minha decisão de ir em seu quarto sendo tomada tão no impulso, a última coisa que pensei foi em me trocar, colocar algo mais provocante, sei lá.

― Você está querendo me provocar ainda mais? ― Corei com a pergunta, mas principalmente com ele esquadrinhando cada centímetro de pele com aqueles lasers azuis.

― Pode parecer chocante para você, mas eu não tenho muita experiência nisso ― tentei amenizar o clima, mas o semblante dele ficou, se possível, ainda mais fechado.

― Eu vou me arrepender tanto disso ― ele repetiu se afastando, e eu não entendia o porquê de toda aquela hesitação. Um passo para a frente e dois para trás, Oliver?

Eu poderia nem ter toda essa experiência, mas não era ingênua. Mulheres oferendo sexo de apenas uma noite não era o sonho dos homens? Principalmente homens que não podiam se comprometer. Homens como Oliver.

― Ei. ― Segurei seu rosto, a barba fazendo cócegas nas palmas de minhas mãos. ― Só essa noite. Nada vai mudar amanhã. ― Foi minha última tentativa. Mais uma negativa e eu recolheria minhas coisas e sairia dali, deixando essa história de lado. Quem precisava de sexo para viver?

Eu não sabia de onde estava tirando toda aquela ousadia para ainda insistir, talvez das tantas doses de tequila que Sara me fez entornar, mas de algum modo eu não estava mais com medo. E Oliver podia ser um carrasco nos treinos, mas depois desse ano no inferno, ele era a pessoa que mais me passava segurança, talvez a única. Eu confiava em Sara e Curtis, mas segurança mesmo, só sentia nele.

― Nada vai mudar amanhã ― ele repetiu, uma tristeza incompreensível para mim, mas minhas dúvidas se ele seguiria com aquilo logo foram aplacadas quando ele me beijou novamente, a pressão de seu corpo sobre o meu, sendo amenizada apenas por seu braço ao lado da minha cintura, sustentando parte de peso.

Seus lábios escorregaram da minha boca para meu pescoço, clavícula, descendo para o vale entre meus seios, espaço que estava bem exposto pelo top cheio de lantejoulas brancas, vermelhas e azuis, que era decotado demais para meu gosto. Oliver se afastou apenas alguns centímetros suficientes para tirar a camiseta, ao que aproveitei para passar o sobretudo aberto pelos braços e lançá-lo longe da cama.

― Você… Você tá bem? ― ele checou, me surpreendendo com a pergunta. Seu rosto já não exibia a preocupação de minutos atrás. Menos mal.

― Estou, pode continuar aí. ― Oliver sorriu. Meu coração aqueceu ao ver aquele sorriso de novo, três vezes numa noite. E era tão lindo.

― Isso não é uma coreografia, Felicity, não há um roteiro que sigo ou coisa assim.

― Eu sei, só pensei que… ― Deixei a frase no ar porque realmente não sabia bem o que pensar. Minhas experiências sexuais se resumiam a um trauma, e agora ele fazia tudo parecer tão… natural. E bom. ― Eu sei lá o que pensei!

― Que tal fazermos assim. ― Soltei um gritinho surpreso quando ele nos girou, me deixando sentada em cima de seu tronco. ― Vai em frente ― me incentivou.

― E faço o quê? ― Fiz um beicinho de dúvida. Oliver não estava mesmo fazendo daquilo mais uma de suas aulas, ou estava? ― Tem algo que você queira, ou… ― perguntei, mesmo temendo um pouco pela resposta que viria.

― Pode me beijar, pra começar ― sugeriu.

― E depois? ― Ele riu novamente. ― Ah, claro. Não é uma coreografia, Felicity! ― engrossei meinha voz, tentando imitar a sua. Era tão estranho estar assim com ele, sem toda aquela tensão de sempre. Apenas nós dois, compartilhando um momento, sem Liga dos Assassinos, sem mais de onze anos de diferença de idade, sem todas aquelas pessoas que ditavam como deveríamos ser, o que fazer ou como nos comportar.

― Você é tão linda. ― Não sei se ele planejou falar aquilo ou simplesmente saiu, mas apenas aquelas malditas quatro palavras tiveram o poder de me deixar mais constrangida do que qualquer coisa que fizemos a noite toda. E olha que estava sendo uma noite bem movimentada. ― Quer dizer, eu… ― Oliver sentou-se sobre a cama comigo em seu colo, ajustando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha e deixando sua mão repousar em meu rosto. ― Feliz aniversário, Felicity.

Seus lábios atacaram os meus mais vez, seu braço em torno de mim deixando nossos corpos tão colados quanto as leis da física permitiam, sua mão enchendo-se e apertando minha bunda com posse.

O arco e flecha deram a Oliver uma habilidade e precisão impressionante, mas eu não sabia que esse talento também se estendia a abrir fechos e nós de sutiãs. Eu levei quase cinto minutos para fechar aquela coisa, que ele arrancou em apenas alguns segundos.

Minhas unhas enfiaram-se na pele de suas costas e meus gemidos ficaram mais altos quando sua língua brincava com meu mamilo esquerdo e sua mão cobriu meu seio direito, e não pude evitar friccionar as pernas para diminuir o calor e a umidade que se acumulava ali embaixo, o fazendo rir de meus movimentos.

Ele me trouxe novamente para baixo de si, desafivelando o cinto e tirando a calça, meias e sapatos, não antes de buscar algo em seu bolso.

O maldito sacou a droga de uma camisinha do bolso!

Ele planejava transar essa noite, e eu sabia bem que não era eu que estaria nessa cama, talvez fosse até a recepcionista peituda. Eu queria perguntar porque ele a tinha, queria parar com aquilo ali mesmo, mas quer saber? Foda-se. Eu tinha tanto direito sobre o pênis dele como qualquer outra, ou seja, nenhum. E eu sabia bem como seria com Oliver, eu havia proposto a coisa de apenas uma noite desde o início. Mas eu não podia negar que o jeito que ele me olhava, as coisas que ela falava me fizeram iludir que era diferente, ele mesmo havia dito.

Mas não era.

― Algum problema? ― questionou com o cenho franzido. Pronto, essa era minha chance. Minha oportunidade de pará-lo, mas na boa? Eu só queria acabar logo com isso.

― Não, estou bem. ― Oliver assentiu ainda estranhando, mas tirou a cueca e desenrolou o preservativo em todo seu comprimento, enquanto eu olhava tentando não olhar. Sentia vergonha, e meu estômago revirava de nervoso. Era agora.

― Tem certeza que está bem, Felicity? Ainda podemos parar se...

― Vamos em frente. Quer dizer, você vai, eu não sei. ― Me atrapalhei com as palavras, para variar. ― Não vai tirar esse... ― Apontei para meu short, que mais parecia uma calcinha de tão curto e era a única coisa que eu ainda vestia.

― Eu adoraria, mas esse passo tem que ser seu ― ele falou paciente. Ok, hora de deixar as inseguranças e temores de lado.

Felicity, siga os conselhos não solicitados de Sara, e relaxe.

― Nosso. ― Levei as mãos dele junto com as minhas até a barra do short, que ele terminou de tirá-lo.

― Obrigado por confiar em mim ― Oliver sussurrou ao pé do meu ouvido um agradecimento tão singelo, por uma coisa que deveria ser tão comum a ele, que me senti derreter e jogar de vez para o fundo da minha mente aqueles ciúmes por situações hipotéticas e por aquele homem que não me pertencia. ― Ei ― ele me chamou quando fechei os olhos. ― Relaxe e olha para mim, ok? Eu não te machucaria.

Atendi seu conselho, quando senti afastar minhas pernas e entrar em mim, devagar, com cuidado, a leve ardência e as lembranças da brutalidade do Bertinelli se esvaindo no beijo lento que ele me deu enquanto se acomodava e deixava que eu me acostumasse com seu volume.

― Posso começar? ― Mas, gente, e já não tinha começado? Apenas assenti. ― Me diz se doer, ou eu for com muita força, ok? ― Por um instante pareceu que estava mais temeroso que eu em fazer isso, e eu sabia bem que não era por insegurança de como fazer sexo.

Oliver começou a se movimentar dentro de mim, um entra e sai lento, que estava ficando cada vez mais prazeroso. Sua mão traçou um caminho até onde nossos corpos se encontravam e começou a acariciar um ponto específico que fez minhas pernas tremerem e perderem a força, então as enlacei em torno do seu quadril, prendendo-as ali.

Minhas mãos agarraram suas costas e pescoço quando as estocadas ganharam um ritmo mais acelerado, e a boca dele deixava marcas de chupões por todo meu pescoço exposto. Mordi os lábios quase ao ponto de sangrarem quando algo que eu nunca havia sentido dominou meu baixo ventre, um calor e formigamento espalhando-se por todo o corpo. O apertei contra mim com mais força, sentido aquela sensação me dominar.

― Deixa vir, Felicity. ― Sua voz ofegava enquanto ainda se movimentava dentro de mim. ― Oh, você é tão gostosa. ― Agora eu deveria dizer algo? Dane-se, a única palavra que conseguia escapar dos meus lábios agora era o nome dele.

Minha intimidade se contraiu mais uma vez, mais forte, até que cheguei no ápice de todo aquele prazer, meu corpo amolecendo sob o seu, meus olhos turvados pela excitação. Oliver tinha acabado de me dar meu primeiro orgasmo.

Ele segurou mais firme minhas coxas e cintura e então teve seu próprio momento.

Seu peso relaxou no meu e sua respiração era quente e pesada contra meu pescoço, e eu não podia julgá-lo, eu também estava exausta.

Oliver saiu de dentro de mim e deitou-se encarando o teto, então me puxou para si, enlaçando nossas pernas e me reclinando sobre seu peito, proporcionando a mim ouvir as batidas aceleradas e firmes de seu coração. Não sei exatamente quanto tempo ficamos assim, mas era estranhamente agradável e aconchegante. Eu sabia que era errado, mas ali, pareceu certo. E aquilo me assustou mais do que tudo.

― Não sai daí, eu já volto ― ele anunciou, deixando um beijo em meus cabelos e indo em direção à porta do banheiro. O frio que se seguiu, mais o espaço vazio na cama fez meu coração apertar.

Não, não, não! Você não pode se apaixonar por ele, Felicity! Nada pode mudar amanhã, você prometeu, os dois prometeram.

Levantei às pressas da cama, vestindo apenas o casaco e pegando minhas outras duas peças de roupas que estavam por perto. Voltei ao meu quarto e tranquei a porta. Logo ouvi seu chamado e discretas batidas na madeira, que prontamente ignorei.

Eu teria marcas dele pelo corpo todo, com elas eu poderia lidar. O que eu não poderia, era suportar com as marcas incuráveis que ele deixaria no meu coração quando saísse do banheiro com uma crise de consciência e me expulsasse do quarto. Eu o afastaria antes que ele o fizesse.

Definitivamente, as coisas não seriam as mesmas pela manhã.

~

Praticamente corri pelos corredores que ligavam meu quarto à sala de treinos. Eu vinha evitando Oliver há dois dias, e não poderia deixar que ele me abordasse antes que estivéssemos cercados por pessoas.

Naquela manhã, colei em Sara e não deixei que ele se aproximasse. Eu nunca tinha falado tanto na minha vida, e isso realmente era algo a se notar, mas eu estava puxando assunto de todos os lugares possíveis para manter a conversa longe da noite anterior. Minha amiga estava quase tapando os ouvidos para me evitar e Oliver mantinha a cara emburrada.

Então desde que voltamos, meu quarto era praticamente meu casulo. Fiz drama para Curtis trazer minhas refeições e não saía de lá, tudo medo de encontrar meu treinador. Pensando bem, medo não seria a palavra exata, estava mais para constrangimento e precaução de mágoa.

Agora era dia de treino, e eu simplesmente não poderia faltar para evitar vê-lo.

Quase soltei um suspiro de alívio quando entrei e já tinha quase uma dezena de pessoas na sala. Segurança na multidão, é isso aí!

― Saiam! ― a voz de Oliver estrondou da entrada, e apertei os olhos com força. Controlei minha cara de cu antes de me virar e caminhar em direção à saída. ― Você não.

― Oliver, as pessoas ― sussurrei para ele, diante do olhar curioso de alguns membros que passavam por nós para a mão dele que segurava firme meu braço.

― Fodam-se as pessoas, você não vai mais fugir de mim!

― Ok, vamos ficar todos calmos e falar mais baixo. Ah, e soltar o braço da coleguinha. ― Tirei a mão dele de mim, tentando apaziguar a situação.

― O que você está fazendo? ― Ele levou as mãos ao quadril, desistiu de deixar elas lá, então trocou o peso da perna, e colocou as mãos nos quadris de novo. Ele estava nervoso ou era impressão?

― Aparentemente, tentando evitar a conversa mais constrangedora do planeta ― falei olhando para todos os lugares, menos para ele.

― Por que saiu do quarto quando pedi que ficasse, Felicity? ― A pergunta dessa vez foi mais específica, mais magoada, e, pelo jeito, eu não teria como fugir dela. Soltei um suspiro profundo.

― Olha, Oliver, muito obrigada pelo que você fez por mim, foi maravilhoso, sério, o melhor presente de aniversário. Mas eu tinha que voltar antes que Sara acordasse.

― Ainda faltava algum tempo para amanhecer, e ela estava derrubada pela bebedeira, então me conta. O que fez você sair do meu quarto e sequer abrir a porta para mim quando bati no seu? ― Mordi os lábios e coloquei os cabelos atrás da orelha em um gesto nervoso.

― Eu fiquei com medo de ficar lá com você mais tempo e as coisas mudarem entre nós ― contei uma meia verdade. ― Foi difícil no início, mas nossa dinâmica aqui na Liga tem funcionado bem, Oliver. Eu não queria que isso mudasse por um pedido de uma bêbada aniversariante. ― Ele contraiu a mandíbula se mostrando, se possível, ainda mais chateado.

― E isso não parece mudado para você? ― Ele abriu os dois braços em um gesto amplo. ― Como pretende deixar que eu te treine sem ao menos olhar na minha cara? Você tem potencial, Felicity, não abra mão disso por minha causa ― pediu.

― Não vou, me desculpe. Eu tenho sido idiota, achei que você fosse...

― Te tratar diferente porque transei com você?

― Sim ― assumi envergonhada. Como pensei antes, eu estava certa. Eu não era diferente para ele, nunca fora, e ouvir aquilo com todas as letras, teve o poder de me magoar.

― Eu não vou, prometo.

― Ok. ― Dei de ombros, dando as costas para ele e rumando à saída.

― Mas não porque você não é diferente. ― Oliver me deteve mais uma vez, seu olhar capturando o meu com um magnetismo que só aquele azul tinha. ― Eu nunca havia dormido com nenhuma das minhas alunas, nunca cruzei essa linha. Isso já te faz de algum modo especial. ― Era sincero, eu poderia sentir. Não era uma declaração, mas era o bastante para fazer uma garota se iludir. Mas não eu, não com ele. Eu não podia.

― Tudo bem, mas tenho uma condição para tudo voltar ao normal entre a gente. As corridas matinais, os treinos, as missões, tudo.

― O que é?

― Nunca falaremos disso de novo. Para ninguém, ou entre nós dois. Jamais.

― O que acontece em Vegas fica em Vegas? ― Ele testou um sorriso sem humor, e eu apenas concordei com um aceno de cabeça. ― Se é o que você quer, por mim tudo bem.

― Ótimo. ― Ficamos ali parados, apenas nos olhando em silêncio por um longo período de tempo, até que ele resolveu quebrar o silêncio.

― Sendo assim, hora de voltar aos treinos. ― Sua mão se fechou em torno do punho da própria espada. ― Vou chamar os outros.

― Só mais uma coisa, Oliver, antes que fechemos de vez esse assunto. ― Ele freou a caminhada e girou os calcanhares para me olhar. ― Você se arrependeu, como tinha certeza que faria?

― Não. ― Ele sequer hesitou ao me responder. ― E você?

― Hora de voltar aos treinos, Al Sah-Him. ― Sorri e pisquei para ele, finalmente dando aquela conversa por encerrada.

Notas finais
Pois é, minha gente... Quando achamos que as coisas finalmente vão, elas voltam. Mas convenhamos que essa primeira vez poderia ter terminado bem pior, não é mesmo? E esse finzinho? Oliver não se arrependeu, Felicity parece que também não. Uma pergunta: quem vocês acham que se apaixonou primeiro? Venham conversar comigo nos comentários!! E se acharem que a história merece, não deixem de favoritar e recomendar!! Por hoje é só pessoal!! Até mais.. Bjs* p.s.: Já posso surtar porque teremos Tommy de Arqueiro Verde no próximo episódio? Tudo bem que provavelmente não é ele ele, mas ter Colin de volta é tão sonho, que nem ligo. Aliás, próximo capítulo teremos Tommy, Felicity e Oliver? Todos ao mesmo tempo e no mesmo lugar? Talvez sim, talvez não. Fiquem com essa tortura nas cabecinhas de vocês. Bjs*