Ascensão dos Semideuses Livres
1 O Tesouro do Valdez – SirOlavo
Notas iniciais
{Ignis}
Era noite. Eu passei a última noite em claro, procurando esse lugar lendário, conhecido como Bunker 9.
Era uma oportunidade que eu não podia desperdiçar: uma pessoa que possuía a herança de fogo estava no acampamento – o pretor romano Henrique Hernandez! E não ter a herança de fogo era uma das poucas coisas que me desencorajavam de procurar o galpão de Leo Valdez.
E agora a grande parede de pedra se erguia a minha frente. Eu estava morto de cansaço.
Ando em direção à rocha e me escoro nela, levantando o braço esquerdo para cima como se fosse uma arma. Um risco vermelho sai de meus dedos e cruza o céu por poucos segundos, o suficiente para que alguém que esperasse por um sinal o percebesse.
Tenho 16 anos, sou filho da deusa da névoa, Hécate. Meus cabelos são brancos, e meus olhos são bicoloridos – um é azul e o outro verde – e eu ando sempre de preto. Sempre uso uma jaqueta preta, para esconder as tatuagens de símbolos e runas em meu braço esquerdo.
Aguardo pacientemente, e logo avisto um vulto saindo de uma árvore. Ele empurra um outro por detrás da árvore e me chama:
– Ignis?
– Aqui – aceno.
Dain Shadowborn sai das sombras das árvores, vem em minha direção e me cumprimenta. O fato de ele ter saído da sombra de uma árvore seria considerado estranho, ou até mesmo assustador, se eu não soubesse que ele era um filho de Hades. Ele respira fundo algumas vezes, mas logo já está de volta ao normal, silencioso como uma sombra. É alto e magro, apesar de ser mais forte do que aparenta. No Acampamento Meio-Sangue, era conhecido como a “Sombra Solitária”, pois é um dos únicos a conseguir sobreviver fora do Acampamento sem a ajuda de outros semideuses. Aos dez anos sua mãe morreu, e só ele sabe o que aconteceu realmente. Tudo que nós sabemos é que ambos estavam na garagem do prédio onde viviam quando ouve uma explosão (os mortais afirmam ter sido uma explosão de gás) e, de forma inexplicável, só ele saiu de lá a tempo.
Henrique Hernandez vem logo atrás dele. Ele é o pretor romano, conhecido por ser uma replica romana do herói lendário “Leo Valdez”. Eles carregam a mesma herança de chamas, presente de Hefesto/Vulcano que permite resistência contra as chamas, e também capacidade de manipulação das mesmas. Ele carrega varias outras coisas em comum com o herói, além da herança. Ele é magricelo, baixo e possui os cabelos cacheados e castanhos, assim como seus olhos. Possui pele morena e fisionomia de elfo.
– Aqui se ergue, se me permitem o direito de apresentá-los, o objetivo de minha noite: O Bunker 9. – digo, com voz de orador
–Sem formalidades, Ignis. Não é a sua cara. Agora é a vez do romano fazer sua mágica – murmura Dain.
Rick se aproxima da rocha e prensa suas mãos contra ela, se concentrando para esquenta-la. O calor emana do local onde ele encosta e logo a forma de um grande portão é esculpida na pedra. Ele tenta empurrar a porta, mas ela permanece fechada. Surpreso, ele pergunta:
– Eu fiz algo errado?
– Por algum motivo, algum engraçadinho de minha família achou que o Bunker não deveria ser acessado. Ele colocou um encantamento no portão – Digo, arrancando meu colar do pescoço e revelando a “Caçadora”, uma espada longa de aço moderno, ao estilo medieval europeu, historicamente correta.
Eu levanto a caçadora acima de minha cabeça, e desço ela com tudo, no movimento de um lenhador e não no de um espadachim. Caçadora se parte em mil pedaços ao contato com a pedra.
– Boa. Tenho certeza que a pedra apreciou o afago.
Empurro a porta e ela se abre.
– Primeiro as damas – digo apontando para o portão aberto.
Ao ver que Dain e Rick eram orgulhosos demais para entrar, entro rapidamente.
Liguei as luzes e admirei o lugar por um bom tempo.
“O Bunker esta velho”, foi a primeira coisa que veio à minha cabeça ao ver o deposito de entulhos que o galpão lendário havia se tornado.
Poeira cobria longas mesas, com milhares de coisas por cima delas. Coisas que não eram usadas a anos e provavelmente nunca foram terminadas.
Um espaço vazio se erguia por entre as mesas, onde se encontrara um dia o Argo II.
– OK pessoal, se lembrem do porque viemos aqui: sejam bons saqueadores de tumbas e peguem tudo que puderem esconder.
Passo meus olhos pelas varias mesas e encontro dois pequenos anéis de prata. Eu não encontro o uso real deles no momento, mas eles me atraem. Muito. Coloco os anéis nosmeus dedos indicadores e volto a procurar por outras coisas. Acho uma adaga coberta em poeira mas sem teias de aranha. Poder emanava dela, e sua aura de medo era tão forte que nem insetos asquerosos como aranhas desejavam chegar perto. Eu me peguei encarando sua lamina. Percebi que mesmo com tanto tempo que ela deve ter passado parada ali, a lamina continuava afiada e brilhando. Podia até mesmo enxergar meu reflexo nela… Como um espelho.
De súbito percebo que tinha nas minhas mãos Katoptris, a adaga de Piper McLean.
Com uma agradável surpresa, pego a bainha próxima a ela e a prendo em minha cintura, pouco antes de embainhar a adaga. Próximo a ela, se encontrava outra adaga. A adaga vinha com um bilhete próximo a ela, onde se lia:
“Querido acampamento, Após minhas recentes viagens, recuperei esta arma das profundezas do Tártaro. Ela estava próxima de vários estilhaços de um notebook com um Delta em suas costas. Creio que esta seja a adaga de Annabeth Chase. -Nico Di Angelo”
Após pensar por um tempo, guardo esta adaga também, pois poderia acabar encontrando uso para ela no futuro.
Ao olhar para o lado, avisto Dain com uma mochila em suas costas, de baixo de sua capa, e uma gema alaranjada em suas mãos. Quando iria perguntar a ele oque elas faziam, Rick solta um grito de espanto.
–A CANETA É UMA ESPADA!
Vejo Rick com cara de quem acaba de ver um fantasma, enquanto Dain chorava de tanto rir. Na mesa em frente a Rick, uma foto estava presa por uma espada curta.
Me junto as risadas, e ajudo eles a remover a espada da mesa. A minha frente estava Anaklusmos, a espada de Percy Jackson. Anteriormente fora a espada de Hercules, e mais anteriormente ainda, fora a espada de Zöe, a Caçadora de Ártemis.
Quando Rick a transforma em caneta e a guarda em seu bolso, vejo que ele esta usando o cinto mágico de Leo Valdez.
– Estamos aqui a tempo demais – digo para os outros –, devemos partir antes que sintam nossa falta. Agora já devem ser umas dez horas da noite… o jantar já acabou a uma hora e todos já deverão estar em seus chalés em duas horas. Tempo o suficiente para voltarmos para casa e escondermos nossos novos tesouros.
Dain e Rick acenam positivamente com a cabeça e nós nos dirigimos para a saída. Fechamos o pesado portão e eu lanço um feitiço para mascarar a entrada, como se nunca estivéssemos entrado lá. Dain entra nas sombras, levando Rick consigo, mas eu prefiro pegar o caminho longo. Vago solitário pela floresta, sem pressa para chegar até meu chalé.
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