Ascensão dos Semideuses Livres
2 Surpresas Agradáveis – ladytyrell
Notas iniciais
Capítulo 2: Surpresas Agradáveis
Rosalie
Suspirei. Mais uma noite em claro. O que estava acontecendo comigo? Nunca tive problemas para dormir. Olhei para o relógio na mesinha de cabeceira, que apontava 2h. Já fazia dois anos que a tentativa de invasão ao acampamento tinha falhado, dois anos que eu perdera meu Eric para aquela desertora maldita filha de Zeus. Dois anos e eu ainda tinha pesadelos.
Eric sempre foi um sonhador, era de sua natureza contestar tudo, por isso eu o amava. Quando cheguei ao acampamento, cerca de 4 anos atrás, os fantasmas do meu passado ameaçavam me sufocar a qualquer segundo. A humilhação, minha vingança... como me arrependo de ter feito aquilo com Jessica, ela era cruel mas por pura inveja, afinal, eu sou filha da própria Deusa da Beleza, há pouca gente párea para mim. Eric foi meu amigo, fez eu me sentir melhor comigo mesma, me deu confiança e até me ajudou a descobrir outras vantagens de ser filha de Afrodite, além da beleza e do amor ela também era deusa do sexo.
Decidi parar meus devaneios e ir atrás de algo que me interessasse, logo pensei em Ignis, ele era um filho de Hécate de tirar o fôlego, e correspondia meu interesse. Levantei da cama silenciosamente para não acordar meus irmãos e caminhei até o banheiro, mirando meu reflexo no grande espelho. “Você é linda, Rosalie”, pensei, e realmente era, meus cabelos eram levemente cacheados e de um castanho bem escuro, cor de terra molhada, meu rosto era redondo e meu nariz e boca faziam uma harmonia perfeita. Mas o que eu mais gostava no meu rosto eram meus olhos, a maioria dos filhos de Afrodite tinham os olhos arco íris, mas os meus eram de um tom de verde profundo e me considerava especial por isso. Decidi trocar o pijama de algodão por uma camisola vermelha, que contrastava com a minha pele morena e valorizava as minhas curvas. Pus um roupão grosso por cima e saí do chalé.
Caminhei o mais discretamente o possível, para não chamar a atenção das harpias, apesar de duvidar que elas fossem me notar. Atualmente coisas estranhas têm acontecido do acampamento, uma agitação paira no ar, e só piorou com a chegada dos pretores romanos, Helena e Henrique. Helena era uma filha de Júpiter, loira e esbelta, quase tão bonita quanto eu, quase. Henrique, ou Rick, era uma graça, baixinho, magrelo, moreno com os cabelos castanhos enrolados. Filho de Vulcano, tem a rara habilidade de produzir fogo. Mas as coisas não iam nada bem e eu precisava descobrir o que estava acontecendo. Quem melhor que Ignis para saber? E quem melhor que eu e todo meu poder de sedução para fazê-lo falar?
Ia bater na porta, mas as vozes que discutiam dentro do chalé me detiveram, encostei o ouvido na porta e ouvi duas vozes, uma profunda e masculina que reconheci ser de Ignis e outra feminina. Myrella. Apesar de irmãos eles eram bem diferentes, ambos tinham tendência a se isolar, mas Ig era gentil e agradável, ao passo que My era grossa e tratava todos mal, juro que tentava me dar bem com ela, mas era impossível. Como não conseguia entender nada, decidi abrir e ver com meus próprios olhos o que estava acontecendo.
– Ig? Posso entrar? – sussurrei abrindo a porta. Eles pararam e me encaram. Não me importei, todos me encaravam o tempo todo, mas com Ignis era diferente. Seus olhos desiguais me encantavam, era alto, musculoso e estava sempre de preto, o que mais me chamava a atenção nele eram seus cabelos, brancos como neve, e eu amava a neve. Sua irmã, ela tinha uma beleza exótica, os mesmos olhos de cores diferentes de Ig, porém seus cabelos eram lisos e pretos como a noite.
– Ros? Não sabia que viria hoje, entre.
Ele estava sem a jaqueta, expondo seus braços tatuados com símbolos mágicos. Muitas daquelas marca eu entendia, ele havia me explicado cada uma delas em nossas noites juntos, mas outras eram novas. Me aproximei e beijei seus lábios, ignorando o suspiro de desprezo vindo de Myrella.
– Olá querida – me afastei de Ig e sorri para ela, só então notando a adaga embainhada que ela segurava – adaga nova?
– Isso, minha linda, não é nada menos que Katoptris. – Ignis respondeu, desembainhando a adaga. Era feita de bronze celestial com o punho de prata. Linda.
– Katoptis? A adaga de Piper McLean? – perguntei estupefata, todos conheciam a historia dos 7 de Profecia, e dentre eles a filha de Afrodite era minha favorita, minha inspiração. – Onde você conseguiu isso?
– Sente-se docinho, – disse apontando para a beirada da cama — tenho muito o que lhe contar.
Resumindo, com a ajuda de Rick e Dain, o filho de Hades que aparecia de vez em quando, Ignis conseguiu abrir o Bunker 9, a lendária oficina de Leo Valdez e de lá resgataram muitos itens lendários, como a adaga de Piper, a espada de Percy e o cinto de ferramentas do próprio Valdez. Estava maravilhada de mais para responder, e corei involuntariamente quando ele disse que tinha um presente para mim, a adaga da Annabeth.
– Não acredito que você deu a adaga para ela! – Myrella esbravejou. Ela estava tão calada que quase me esqueci da presença dela ali. Cruzes, precisava dar um jeito de arrumar um namorado urgentemente para essa garota.
– Ela precisa mais que você. – Ig respondeu calmamente e os dois começaram a discutir. Aproveitei a deixa para dar um beijo de despedida nele e sussurrar que não contaria a ninguém.
Quando voltava para o chalé, cantarolando como uma boba, avistei uma garota de cabelos loiros caída no chão e corri para ajudá-la. Era a pretora romana, Helena, e ela parecia estar em uma espécie de transe. Emanava tanta estática de seu corpo que meus cabelos arrepiaram com um mero toque, mas cheguei perto o bastante para ouvi-la murmurar:
–Não posso mais ficar aqui... não posso...
– Acorde querida, está tudo bem agora. – coloque um pouco de charme na voz para acalma-la.
– Eu...quem é você? – ela perguntou, acordando do transe.
– Meu nome é Rosalie, sou conselheira de Afrodite – achei um pouco estranho ela não me conhecer, afinal, sou bastante popular – Venha, vou levar você de volta para o seu chalé.
Ela não protestou, apenas abraçou minha cintura e se arrastou com a minha ajuda até a porta do majestoso chalé de Zeus.
– Obrigada — sussurrou.
Apenas assenti e voltei para minha cama o mais rápido possível. Estava intrigada com o que acabara de acontecer, mas não podia deixar de me sentir feliz pelo encontro com Ignis. Escondi minha nova adaga em baixo do travesseiro e adormeci quase instantaneamente.
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