Notas iniciais
Desculpem a demora pra postar o capítulo, mas to meio sem tempo pra escrever :(

Rosalie

Acordei ouvindo vozes fora da caverna, enquanto decidia se eram amigas ou inimigas desprendi a armadura lentamente. Minha garganta estava seca e a cada movimento sentia uma fisgada na lateral do corpo. Tentei ver o ferimento, mas roupa estava grudada em mim com uma camada de sangue seco – Precisava de néctar e água com urgência.

As vozes estavam se aproximando e consegui distingui-las: Helena, Guilherme e uma terceira que não reconheci. Não pude conter o um suspiro de alívio, eram amigos.

– Yorel, verifique se a caverna é segura enquanto me lavo nesse lago. – Helena pediu.

Ouvi uma risadinha, talvez de Guilherme, e pensei que eles dariam um belo casal: a romana rígida e o filho de Hades que raramente aparece. Nai entrou lentamente e eu deitei, fingindo estar desmaiada... Daria mais drama à situação e ajudaria a disfarçar o fato de que eu estava em farrapos. Quando me viu caída ele correu até mim, se ajoelhando ao meu lado e levantando minha cabeça com as mãos.

– Quem está ai? – gemi abrindo os olhos, tentando passar a impressão de que estava morrendo – Nai? O que aconteceu?

– Está tudo bem Rosalie, beba um pouco de néctar.

Ele tirou um cantil do cinto e derramou o conteúdo na minha boca. O líquido – que tinha um gosto semelhante a morango com leite condensado – desceu refrescante e acolhedor, levando energia para cada músculo do meu corpo e aliviando a dor da ferida. Yorel ajudou-me a sentar, ele parecia extremamente preocupado e pronto para fazer qualquer coisa que eu pedisse. Deuses, eu poderia ser atriz.

Levantei-me e andei ate a porta da caverna, me apoiando nele, ouvi a pretora mencionar um banho e era disso que eu precisava no momento. Ao lado da gruta havia um pequeno riacho, que se represava formando um laguinho. Noite passada estava tão fraca que nem notei a presença da água. Helena e Gui estavam apenas de roupas íntimas, mergulhados até a cintura, ela tinha o corpo dos sonhos e ele não estava nem um pouco atrás com seu peitoral bem definido. Eles pareciam tão felizes que decidi não interromper, sentei em uma pedra e comecei a conversar com Nai.

– Então Nai, como vocês escaparam da batalha? – de quem ele era filho? A sim, Éolo.

– Depois que ouvimos seus gritos e todos começaram a correr, o Guilherme simplesmente puxou Helena e abriu caminho até a floresta, então eles começaram a correr e eu os segui até aqui. Foi basicamente isso. Muita gente fez o mesmo, acho que a maioria está indo para Nova Roma.

– E o acampamento? – perguntei temendo a resposta.

– Virou cinzas – ele respondeu com um tom sombrio.

Nesse momento o casal finalmente notou nossa presença, Helena saiu do lago vestindo sua roupa depressa, totalmente vermelha, já Gui ria de uma orelha a outra e fez várias brincadeiras com ela antes de vestir-se também. Eles correram até nos encharcados e Nai jogou uma rajada de vento quente para secá-los.

– Você está bem? – Guilherme perguntou olhando preocupado para o sangue nas minhas costelas.

– Vou ficar, só preciso de um pouco de néctar e um banho, – abri um sorriso. Dessa vez, a última coisa que eu precisava era fazer drama – recomendo que você entre na caverna e fique quietinho, não quero apanhar da sua namorada.

Ele sorriu mais ainda ao ouvir aquela palavra e entrou na caverna, seguido pela garota. Não queria nem saber o que aqueles dois iriam aprontar sozinhos lá dentro. Tirei a túnica sem cerimônias e entrei no lago, nunca havia me importado muito com a nudez. A água estava fria e revigorante, lavei o sangue e examinei o ferimento, os buraquinhos dos dentes de lobo iam desde um pouco abaixo dos meus seios até meu quadril – não eram fundos, mas estavam começando a infeccionar. Peguei o cantil de néctar de Nai, que estava na beira do lago me observando e pinguei na mordida, imediatamente os pontos de infecção sumiram os buracos começaram a se fechar.

Mergulhei e esfreguei meu cabelo e o resto do corpo, aproveitei também para lavar as manchas de sangue das minhas roupas e percebi que estavam rasgadas, mas teriam que servir. Saí do lago pingando e tremendo, não tinha notado a presença de Helena até ela pigarrear.

– Não quer se vestir Ros? – ela parecia bastante irritada. – Consegui salvar algumas coisas do acampamento, isso deve servir.

Ela abriu a mochila que carregava nas costas e tirou de lá um jeans e uma camiseta laranja do acampamento. Deu uma tapa na parte de trás da cabeça do Nai, pois ele me encarava hipnotizado, murmurando algo como: “melhor que toddynho”. Soltei uma gargalhada e ele corou, jogando uma rajada de vento morno para me secar.

Rasguei um pedaço da túnica e usei como curativo, atando meu tórax, vesti as roupas que Helena me dera e a armadura por cima. Em cinco minutos estávamos todos prontos para sair.

– Algum plano? – perguntei para a romana enquanto caminhávamos.

– Antes de a batalha começar despachei Rick para o Acampamento Júpiter para que ele organizasse nosso exército. Um pouco antes de nós encontramos você vi uma águia romana sobrevoando a floresta, então provavelmente pégasos estão a caminho para nos buscar, é só uma questão de tempo até nos encontrarem.

Mas uma vez fiquei impressionada com a organização dos romanos. Estava pensando na dificuldade que nós – os gregos – teríamos para nos adaptar se decidirmos viver com eles quando um barulho arrancou-me dos devaneios. Olhei em volta e vi alguma coisa se mexer entre as árvores. Todos nós sacamos nossas armas, e Gui deu um passo na direção do movimento. Ouvi Gui se assustar, e corremos ao seu auxilio. Ele ajudava Dain a andar, sendo que seu irmão mais velho ainda estava com uma flecha atraverssando sua coxa direita.

– Estavam tão despreparados que se eu fosse o inimigo vocês já estariam todos mortos! – ele disse em tom de gozação, mas por trás havia um aviso sincero.

Fui a primeira me recuperar do choque e, após ajudá-lo a se manter em pé, gritar com ele.

– Dain! Onde estão Ignis e Myrella? Por onde vocês andaram?

– Não precisa gritar Ros, eu vou explicar tudo. Só precisamos nos sentar...

Ele se dirigiu para uma clareira e nós o seguimos, tentei conter a raiva e soar o mais fria possível:

– Espero que você tenha uma ótima justificativa por ter nos abandonado.

– Nós nunca abandonaríamos vocês, a verdade é que saímos para tentar atrasar a OSL, mas não tivemos sucesso. Então acabamos sendo separados... Enquanto corria para longe, algum semideus, provavelmente filho de Apolo, me atingiu... tive que parar em algum lugar e descansar por um tempo... Quando ouvi a voz de vocês...

Ele parecia muito ofendido e um turbilhão de sentimentos passou por mim: felicidade por não ter sido traída, orgulho da atitude dele, vergonha por ter duvidado de sua lealdade e dúvida ao mesmo tempo – por que ele não me avisou? Respirei fundo e assenti, sem conter um sorriso que se formava no canto da minha boca. Nós retiramos a flecha, e ele grunhiu um pouco, mas sem fazer muito barulho. Ele prosseguiu.

– Mas não foi tudo em vão. Nós conseguimos descobrir, depois de andar escondidos pelo acampamento temporário deles, que eles estão atrás te um artefato muito poderoso, o Arco de Apolo. O poder do Sol pulsa dentro dele. Seu poder é tão grande que é capaz de evaporar oceanos e transformar florestas em desertos nas mãos de um bom arqueiro.

– Se quisermos que o mundo sobreviva temos que acha-lo antes da OSL... Onde ele está? – era a primeira vez que Guilherme se manifestava desde que o seu irmão chegou. Finalmente havia superado o choque inicial.

– Diz à lenda que ele está onde a primeira promessa da Guerra contra Cronos foi quebrada – Luke Castellan prometera à Silena Beauregard que manteria seu amado Charles Beckendorf a salvo, mas ele morreu a bordo do “Princesa Andrômeda”.

Antes que pudéssemos responder uma voz saiu de trás das árvores.

– Ora ora, é muito bom saber disso.

Thalia Grace estava ali com um sorriso na cara. Minha vontade era arrancá-lo com as unhas naquele momento, mas ela tinha consigo uma dúzia de guardas e um deles parecia extremamente experiente. Ele era sombrio e tinha um ar de quem poderia nos matar a qualquer momento. Deveria agir com calma, saquei a adaga e segurei o escudo, virando-me para ela.

– Que surpresa agradável querida, qual foi última vez que nos vimos? Já sei! Quando você destruiu a minha sanidade mental. – senti os semideuses ao meu redor se preparando para a batalha.

– Ou será que foi você que matou a coisa mais importante da minha vida?

Aquilo foi a gota d’água, ela nunca havia amado Eric como eu amei, ela só queria usar seu poder de influencia. Parti para cima dela e os outros seguiram. Ela abriu Aegis, mas pela primeira vez a imagem horrenda não me intimidou. Meu ódio era enorme e nada me pararia.

Ela desferiu o primeiro golpe com espada, mas eu desviei. Dain surgiu das sombras ao nosso lado e tentou acertar a lateral do corpo dela, mas Thalia foi mais rápida e o atingiu com um raio, de tamanho poder que ele simplesmente desapareceu. O choque de perder um companheiro foi enorme, mas não poderia me desconcentrar agora. Depois me preocuparia com ele, agora tinha assuntos mais importantes para resolver. Aproveitei a distração para me aproximar dela e acertei seu nariz com o cabo da adaga, ela cambaleou para trás e eu não perdi tempo: acertei sua mão direita e ela largou a espada.

– Você o roubou de mim! Nós éramos felizes até você aparecer e tirá-lo de mim! – gritei.

– Você era só um passatempo para ele garota, ele nunca te amou.

Se ela queria me atingir conseguiu, pois essa era a verdade que eu nunca admiti pra mim mesma. Eric me tinha na palma da mão e sabia disso, por isso o matei. Não podia tolerar a humilhação. Uma nova onda de ódio e energia me atingiu, ela tentava me acertar com o escudo, mas eu era muito rápida, sempre que ela falhava, eu dava golpes sucessivos nas fendas de sua armadura. Thalia caiu de joelhos e eu fiquei em pé atrás dela, me preparando para o golpe final.

– Por isso agora você poderá sentir o mesmo gosto da minha vingança que ele sentiu.

As palavras saíram frias, mas ela ainda sentiu mais frio quando passei a adaga em sua garganta e senti minhas mãos quentes com seu sangue. Olhei ao redor e vi a batalha que se desenrolava, Helena, Gui e Nai lutavam de costas um pro outro. Ela derrubara três meio sangues com raios até o homem misterioso surgir e acerta-la nas omoplatas. Vendo isso Guilherme virou uma máquina de matar, eliminado mais da metade dos semideuses que restaram para encontra-lo, mas ele já tinha desaparecido nas sombras. A outra metade ficou a cargo de Nai.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa avistei pégasos vindo em nossa direção, Gui montou em um com Helena inconsciente em seus braços, eu e Nai montamos os outros. Quando levantamos voo, vi o homem surgir na clareira novamente e percebi que ele era familiar… Talvez eu tenha ouvido alguma historia sobre ele... Estava atordoada demais para prestar atenção na viagem, em pouco tempo estávamos em Nova Roma.

Notas finais
Espero que tenham gostado *-*