Notas iniciais
Oi, gente. O capítulo tem este nome por causa da música que me inspirou: Salvation - Gabrielle Aplin https://www.youtube.com/watch?v=3IEMnWhT_7c Seguinte, não estou muito inspirada para escrever as notas hoje, mas isso não tem nada a ver com o capítulo. Eu adorei escrevê-lo e tenho certeza que vocês aguardaram muito por este momento. Então, espero que gostem. PS: Obrigada, Miss, pelo banner. Amei!

Natalie estacionou o Camaro em frente ao bunker e, após hesitar por alguns instantes, remoendo certas lembranças, saiu do veículo segurando uma embalagem transparente nas mãos.

Em seguida, a loira tentou conter o nervosismo, por estar naquele lugar depois de tudo o que tinha acontecido entre ela e Dean, caminhou até Claire, que tinha acabado de sair da caminhonete de Bobby, e resmungou:

— Eu não entendo por que você me obrigou a trazer isso para aquele infeliz.

Quando a loira fechou a cara, Claire olhou para a torta, dentro da embalagem que ela segurava, e articulou:

— Eu só pensei que um pouco de gentileza não ia te matar. E que mostrar para o Dean que você veio em missão de paz será um passo importante para vocês dois.

Sem gostar do que ouviu, Natalie retrucou prontamente:

— E eu pensei que tivesse vindo aqui apenas pela Mia.

— Como eu disse, um pouco de gentileza não vai te matar. — reforçou a morena, contendo um sorriso.

Neste momento, Dean viu as duas por uma das janelas da sala principal e quase se engasgou com a cerveja que bebia. Por um momento, o caçador pensou que estivesse tendo uma alucinação, mas logo se convenceu do contrário. Aquilo era real. Surpreendentemente, Natalie estava ali e, inevitavelmente, o coração de Dean disparou por revê-la.

Enquanto ele abandonava a cerveja em uma pequena mesa e caminhava apressado em direção à porta, Bobby saiu da caminhonete e fez sinal para as duas caçadoras, avisando que iria seguir para o bunker e as veria lá dentro.

Assim que ele se afastou, Natalie voltou-se para a amiga e resmungou:

— Você é um péssimo cupido, Claire.

— Que bom que o cupido oficial está de volta. — replicou ela, referindo-se à Mia.

— Não se atreva. — retorquiu a loira imediatamente. — A Mia tem muitos problemas para se preocupar no momento. Além disso, a minha situação com o Dean está mais do que resolvida.

— Mal resolvida, você quer dizer, certo? — ressalvou a esposa de Sam.

Irritada, Natalie respirou fundo e soltou o ar com força. Pensou em retrucar ou em simplesmente ir embora, mas antes que tomasse qualquer decisão, ela avistou, por sobre o ombro da amiga, Dean saindo do bunker. De imediato, sentiu o seu coração disparar e uma onda de nervosismo dominá-la.

Por fim, Natalie murmurou:

— Ai meu Deus.

Depois de olhar para trás e entender por que ela tinha ficado atordoada de repente, Claire voltou a encará-la, sorriu e desejou:

— Boa sorte.

— Nem pense em me deixar sozinha com aquele traste. — disse a loira temerosa, mas de nada adiantou, pois Claire lhe deu as costas prontamente, passou por Dean, o cumprimentou brevemente e seguiu na direção do bunker.

O caçador, por sua vez, diminuiu o passo à medida que se aproximava de Natalie, até que finalmente parou diante dela com uma expressão que misturava surpresa, felicidade e, ao mesmo tempo, hesitação e incredulidade.

Sem pensar direito no que estava fazendo e apenas seguindo um instinto, Dean deu mais um passo a frente e começou a abrir os braços. Mas, prevendo o que ele tinha em mente e querendo evitar o seu abraço, Natalie engoliu em seco e empurrou a embalagem contra o peito dele, dizendo rapidamente:

— Torta!

Após se recuperar do leve sobressalto causado pelo gesto repentino da loira e também de certa decepção por ela ter se esquivado daquela forma, Dean segurou a embalagem com cuidado e agradeceu:

— Obrigado. — instantes depois, reparando melhor em seu conteúdo, ele balbuciou: — É uma embalagem bem grande para uma torta tão pequena.

— É que eu comi um pedacinho no caminho. — confessou Natalie, fazendo o Winchester erguer o olhar em sua direção. — É que me deu... Fome. — completou, sentindo o seu rosto ruborizar.

Sem conseguir conter um discreto sorriso, Dean a tranquilizou dizendo:

— Tudo bem. — e incomodado com o silêncio que se seguiu depois disso, ele resolveu começar a conversa de fato: — Eu suponho que você veio até aqui por causa da Mia.

Prontamente, Natalie respondeu:

— Isso! Isso mesmo, por causa da Mia. — e instantes depois, fez questão de salientar: — por causa da Mia.

Após assimilar o efeito doloroso daquela indireta, Dean decidiu confidenciar:

— Bem... Mesmo sendo só por causa dela, eu estou feliz que você tenha vindo, Natalie. Eu estou feliz por... Ver você.

Após um breve conflito interno, a loira se ouviu retribuindo hesitante:

— É, eu... Eu também estou... Por ver você.

— Sério? — surpreendeu-se Dean, sem conseguir conter outro sorriso.

— Pois é. — assentiu ela, surpresa consigo mesma por não estar se sentindo tão desconfortável com aquele reencontro. Mas, tentando se preservar um pouco, Natalie riu sem humor e completou: — Claro que eu não estou soltando rojões, mas é engraçado porque eu pensei que quando te visse de novo, eu ia querer esfregar a sua cara no chão, e agora... Sei lá... Não está sendo tão ruim assim.

Imediatamente, Dean desmanchou o sorriso e franziu o cenho, enquanto se perguntava se aquilo era um progresso ou não.

Sem conseguir chegar a nenhuma conclusão, ele apenas sibilou:

— Que bom. Minha cara fica feliz por isso.

Em seguida, Natalie lhe lançou um sorriso amarelo, cruzou os braços contra o peito e desviou do seu olhar.

Incomodado com um novo e desconfortável silêncio que se seguiu, Dean decidiu trabalhar por um progresso de verdade e recomeçou:

— Vamos entrar? Eu acho que tem torta suficiente aqui para nós dois. — e quando Natalie riu levemente, ele indagou confuso: — Qual é a graça?

Ainda sorrindo um pouco, ela explicou:

— Não precisa dividir comigo, Dean. Eu sei que você achou este pedaço bem pequeno. E aqui entre nós, eu também acharia. — mas percebendo que aquilo, na verdade, era sua culpa, ela lamentou constrangida: — Desculpe, eu não devia ter comido uma parte.

— Eu desculpo. Desde que você divida o que restou comigo. — propôs o caçador.

Imaginando o que Dean planejava com aquilo, Natalie tentou se esquivar, arqueando as sobrancelhas e o lembrando seriamente:

— Eu só vim aqui para ver a Mia.

— Eu sei, mas ela não está disponível no momento. — retrucou o Winchester pacientemente. — E é só uma torta, Naty. — insistiu diante da relutância da loira.

Após mais um conflito interno, Natalie se convenceu de que Claire estava certa. Um pouco de gentileza não iria matá-la. Além disso, aquela torta estava muito boa e ela estava doida por mais um pedacinho.

Por fim, Natalie se lembrou de que depois que visse Mia e conversasse um pouco com a garota, ela iria embora e, portanto, se livraria de Dean e do que quer que ele estivesse planejando com aquela conversa mole.

Sendo assim e tentando não transparecer qualquer emoção, a caçadora concordou:

— Okay.

Quando Natalie começou a caminhar na direção do bunker, Dean a seguiu com um sorriso menos discreto no rosto. Porém, ao contrário do que o caçador imaginava, ele não teve qualquer oportunidade de aprofundar uma conversa com a loira.

Isso porque Natalie fez questão de comer a torta na sala principal, não só na companhia de Dean, mas também na de Bobby, Claire e Sam. E o tempo todo, ela fazia perguntas sobre Mia, sobre como tinha sido a busca dos últimos meses, como ela estava agora e como exatamente Castiel tinha conseguido trazê-la para o bunker.

Mesmo sem conseguir conversar com Natalie como queria, Dean não se deixou abalar pela postura dela, que evitava interagir com ele e fugia o tempo todo do seu olhar. Dean estava realmente feliz por revê-la e qualquer minuto na sua companhia era... Awesome.

Naquele momento, era só isso que bastava para ele.

XXX

Ainda amarrada e algemada em uma cadeira no centro da masmorra do bunker, Mia fitava Castiel na sua frente com um olhar raivoso. E por mais que não quisesse parecer fraca ou desesperada com aquela situação, algumas lágrimas tinham rolado por seu rosto, enquanto ela o encarava daquele jeito mortal.

O anjo, por sua vez, estava sentado em uma cadeira diante dela e procurava evitar o contato visual, enquanto enfaixava a mão ferida de Mia com muito cuidado.

Ao se lembrar de quando se cortou propositalmente e desenhou um sigilo enoquiano na capela abandonada, a garota resmungou arrependida:

— Eu devia ter te mandado para longe quando tive a oportunidade.

Depois de erguer o olhar na direção dela, Castiel lembrou de um jeito emblemático:

— Mas não mandou.

Em seguida, o anjo continuou passando a faixa branca em volta da mão da garota com muito zelo, quase com devoção. E isso começou a irritar Mia, ao mesmo tempo em que a deixou profundamente intrigada.

Sendo assim, ela acabou questionando com desdém e certa agressividade:

— Você sabe que eu tenho uma capacidade regenerativa absurda, não sabe? E que por isso eu nem precisaria dessa droga de curativo imundo que você está fazendo, certo?

Depois de relevar aquelas duras palavras, Castiel voltou a fitar a garota nos olhos e respondeu calmamente:

— Eu sempre vou cuidar de você, Mia. Mesmo que você ache que não precisa disso. Mesmo que você não queira isso.

Apesar de ter ficado um pouco mexida por ouvir aquilo, o que Mia respondeu foi:

— Você é patético. — quando o anjo engoliu tais palavras e retomou o que estava fazendo, ela ameaçou friamente: — Quando eu me soltar daqui, eu vou te matar, sabia? — e assim que a porta da masmorra se abriu e Sam e Dean adentraram o lugar, ela os encarou com raiva e completou: — Eu vou matar vocês dois também, Tico e Teco. Lentamente porque eu quero ver o quão alto vocês conseguem gritar.

Depois de trancar a porta atrás de si, Dean arqueou as sobrancelhas levemente e respondeu com seu característico senso de humor:

— É bom ter você de volta, Mia. Por mais que essa não seja a sua versão mais divertida.

Em seguida, ele deu alguns passos a frente e Sam o seguiu. Logo, os dois pararam bem próximos do centro da masmorra onde Mia e Castiel estavam, e assim ela pôde ver que os caçadores tinham certas coisas em suas mãos. Mais precisamente, Sam segurava um livro antigo e Dean uma seringa.

Quando Castiel se levantou e afastou a cadeira onde estava sentado até então, Mia engoliu em seco, sentindo uma onda de medo e apreensão dominá-la, ficou completamente tensa na cadeira e, pensando na conversa entre ela e o anjo na capela abandonada, o lembrou temerosa:

— Você disse que não ia me machucar.

— E eu não vou. — assegurou Castiel, unindo as sobrancelhas enquanto a encarava de um jeito carinhoso e sofrido. — Mas eu não vou mentir para você, Mia. Isso será bem... Incômodo.

— Isso? — repetiu a garota sem entender. — Isso o quê? — completou, olhando ora para o anjo, ora para os caçadores ao lado dele, com um medo crescente.

Sofrendo por ver que Mia estava apavorada, Castiel não conseguiu responder. Então, Sam resolveu explicar:

— Você pode até não acreditar em nós neste momento, Mia, mas o Crowley fez um feitiço para te controlar. Ele apagou certas memórias suas, colocou outras no lugar, fortaleceu a ligação que vocês já tinham. O Crowley fez tudo isso... Injetando uma grande quantidade do sangue dele em você. E a única forma de reverter o feitiço que ele fez é... Purificando você com o sangue de um anjo.

— Você tem razão. Eu não acredito em nada disso. — despejou a garota, os fitando com ódio e incredulidade.

Imediatamente, Castiel ficou constrangido e evitou olhar para ela e para Sam e Dean, que se entreolharam surpresos diante da naturalidade com que Mia disse uma certa palavra: nada.

— Ela não devia ter ficado vermelha? — questionou o Winchester mais velho.

— Pelo visto, o caso é mais grave do que nós imaginamos. — constatou o mais novo.

Enquanto isso, Mia franziu o cenho sem entender do que eles estavam falando. Castiel, por sua vez, pigarreou, disfarçando o constrangimento que ainda sentia, pegou a seringa das mãos de Dean e anunciou:

— Vamos começar.

— Vamos começar o quê? Como assim? — temeu Mia, ficando tensa novamente. — Espera... Não... — murmurou atordoada, quando Castiel levantou a manga do sobretudo, dobrou as mangas das outras peças que vestia por baixo e inseriu a agulha da seringa em sua pele. — Por favor... Não faça isso. — pediu Mia, enquanto tentava se soltar. Em vão.

— Sam. — chamou o anjo, enquanto enchia a seringa com o seu sangue.

Prontamente, o caçador deu mais um passo a frente, abriu o livro na página do feitiço de reversão e leu algumas frases em latim. Em seguida, ele parou e observou o anjo se aproximando de Mia, já com a seringa pronta.

Mia se recostou na cadeira e encarou Castiel à medida que ele chegava mais perto. Tentou se soltar mais uma vez e implorou:

— Por favor, não faça isso. Por favor.

— Me desculpe. É necessário. — justificou-se o anjo e, em seguida, inclinou a cabeça da garota com cuidado, inseriu a agulha em seu pescoço e esvaziou o conteúdo da seringa.

Mia gritou e perdeu o ar por um instante. O sangue angelical de Castiel queimava ao se misturar com o sangue demoníaco de Crowley em suas veias, lhe causando uma dor intensa, atordoante e fazendo-a fechar os olhos com força.

Castiel sofria por ter que fazer aquilo, mas sabia que não tinha outra escolha. A única forma de livrar Mia de todo o sangue que o Rei do Inferno a fez absorver era purificando-a com o seu sangue somado àquelas palavras em latim.

Pelo menos, era isso o que Sam e Dean tinham encontrado nas pesquisas que fizeram nos arquivos dos Homens das Letras, há alguns dias. E o anjo só esperava que isso desse certo, que toda a dor que Mia estava sentindo naquele momento não fosse em vão. Que eles conseguissem reverter mesmo o que Crowley havia feito a ela.

Quando Castiel retirou a agulha do pescoço de Mia e a dor foi passando um pouco, ela abriu os olhos, o fitou de um jeito feroz e esbravejou entredentes:

— Eu te odeio! Eu vou te matar! Eu juro que vou te matar, anjo estúpido! Isso não vai ficar assim! Eu e o Crowley vamos acabar com você, seu desgraçado! Com todos vocês!

Após absorver toda a agressividade daquelas palavras, o anjo voltou a espetar o braço com a agulha da seringa e orientou:

— Sam... O próximo verso do feitiço. Pode ler.

Mia engoliu em seco e, por mais que relutasse, acabou sendo vencida por lágrimas de desespero.

Da sala, Bobby, Claire e Natalie ouviram ela gritar novamente. E de novo.

Momentos depois, Mia gritou mais uma vez. E xingou Castiel, Sam e Dean veementemente. Fez novas ameaças. Tentou se soltar, tentou usar o seu poder de telecinesia, mas como o sangue demoníaco estava sendo neutralizado, ela não conseguiu.

Confusa, Mia tentou se agarrar à verdade que acreditava até então, à verdade que Crowley plantou em sua mente, mas, à medida que o feitiço de reversão evoluía, tudo lhe parecia mesmo uma grande mentira.

A leve desconfiança que Mia sentia em relação ao Rei do Inferno se solidificava a cada instante, a cada verso do feitiço de reversão, a cada gota do sangue demoníaco que o sangue de Castiel combatia dentro dela.

A verdade ia ficando mais clara, porém mais dolorosa a cada instante, já que, aos poucos, Mia percebia que havia sido um fantoche nas mãos de Crowley e tomava consciência de tudo o que havia feito nos últimos meses. De todas as coisas horríveis que tinha feito para ajudá-lo. De todos que ela havia abandonado por causa dele. Das pessoas que tinha enganado e iludido apenas para que elas fechassem pactos com demônios de encruzilhadas por todo o país.

Por um momento, Mia desejou que aquilo fosse mentira, que fosse um pesadelo, que aquilo simplesmente não tivesse acontecido com ela. Mas, a cada dose de sangue angelical que recebia, ela era bombardeada por lembranças que ela tinha certeza que eram reais, verdadeiras. Lembranças de uma vida que Mia tinha esquecido, mas que agora entrava em conflito com a vida que ela levou nos últimos meses.

Aos poucos, Mia foi parando de resistir e de xingar as pessoas que estavam ali com ela e que só estavam tentando ajudá-la a recobrar a sua consciência e o controle sobre si mesma.

Mesmo assim, a garota não conseguia evitar as lágrimas. E elas vinham à medida que a culpa a consumia. À medida que a verdade a consumia.

Depois de um tempo, o efeito do sangue de Castiel já não era tão doloroso, mas, mesmo assim Mia sentia uma dor excruciante. Uma dor profunda e avassaladora em sua alma. Em sua consciência.

Por fim, quando Sam leu os últimos versos do feitiço de reversão e Castiel se aproximou com a última dose do seu sangue, Mia o fitou com um olhar repleto de lágrimas e simplesmente inclinou a cabeça para o lado, resignada e permitindo assim que o anjo injetasse o líquido vermelho, sem que ela esboçasse qualquer resistência.

Mia fechou os olhos e uma última lagrima escorreu pelo seu rosto. Respirou profundamente, antes de perder a consciência.

Preocupado, Castiel retirou a seringa do seu pescoço, a jogou no chão, abaixou-se diante da garota, segurou o seu rosto com as duas mãos e a chamou aflito:

— Mia! Acorde!

Sam e Dean se entreolharam apreensivos e, em seguida, se aproximaram mais um pouco. Eles não sabiam se o feitiço tinha funcionado ou não, não sabiam o que fazer, muito menos o que esperar. Sendo assim, os irmãos ficaram apenas observando aquela cena com apreensão, até que as pálpebras da garota se moveram sutilmente e Castiel sibilou:

— Mia?

Após um momento que pareceu uma eternidade, ela finalmente abriu os olhos. Castiel, Sam e Dean se assustaram um pouco quando viram que as órbitas estavam completamente pretas. Mas, em seguida, Mia piscou uma vez e seus olhos adquiriram um brilho azulado, angelical. E, por fim, ela piscou mais uma vez e eles voltaram a sua cor natural.

Tentando se manter firme e não pensar nos acontecimentos dos últimos meses, Mia os cumprimentou fingindo calma:

— Meninos, anjo... Oi.

Imediatamente e profundamente aliviado, Castiel se inclinou em sua direção e a abraçou com força.

Apesar de não conseguir retribuir, pois ainda estava presa à cadeira, Mia apoiou a cabeça no ombro do anjo e escondeu o rosto em seu pescoço, sentindo muita vergonha de tudo que havia falado e feito durante o ritual.

Instantes depois, ela voltou a se pronunciar:

— Sabe, seria mais interessante se eu pudesse te abraçar de volta.

Ao ouvir aquilo, Castiel se afastou um pouco e anunciou:

— Claro, eu vou te soltar.

Porém, quando o anjo fez menção de livrar Mia das algemas e das cordas, Dean o interrompeu abruptamente:

— Espera! Nós precisamos ter certeza se é a Mia mesmo. A Mia doida, mas do bem, e não a Mia megalomaníaca.

— É ela, Dean. — assegurou o anjo, sem gostar que o caçador colocasse aquilo em dúvida.

— É só um teste, Cas. — articulou Sam, que assim como o irmão também queria uma confirmação de que Mia estava mesmo livre da influência e do controle do Rei do Inferno.

Por mais que para o anjo não houvesse mais dúvidas disso, ele voltou-se para a garota e pediu gentilmente:

— Diga alguma coisa para nós sabermos que você é você mesma.

Pensando no que poderia dizer, Mia olhou para os seus próprios trajes, que se resumiam em um vestido de couro preto tomara que caia e botas de cano alto, e opinou com certa vergonha:

— Cruzes... Que roupa horrível.

Enquanto Sam e Dean se perguntavam se aquilo era prova suficiente de que Mia tinha recobrado a sua consciência, Castiel a mediu dos pés a cabeça e confessou:

— Até que eu... Gostei.

Depois de revirar os olhos, achando a observação do anjo inapropriada para aquele momento, Dean exigiu:

— Diga outra coisa, Mia.

Após pensar por um instante, ela arriscou:

— Eu estou doida por um café. Mas antes, eu preciso do meu típico banho de uma hora.

Sam e Dean se entreolharam por algum tempo, até que o mais novo se manifestou:

— O seu lado obscuro pode conhecer as suas preferências. Tente outra coisa.

Perdendo um pouco da paciência, Mia respirou fundo e articulou indignada:

— Mas que droga! Sou eu, ok? Eu juro que sou eu. Me desculpem se eu não consigo pensar em mais nada para dizer que possa...

De repente, Mia parou de falar e engoliu em seco. Automaticamente, fitou Castiel e depois abaixou a cabeça, sentindo o seu rosto ruborizar à medida que se dava conta de que havia dito a palavra proibida: nada.

Feliz por ver que aquela palavra tinha voltado a significar algo especial para a garota, mas envergonhado ao pensar no tal significado, Castiel abaixou o seu olhar e fitou o chão.

Enquanto isso, Sam e Dean se entreolharam mais uma vez, agora totalmente convencidos de que o lado obscuro da garota estava sob controle.

Em seguida, os dois a encararam, sorriram levemente e o mais velho disse:

— Bem vinda de volta, Mia.

Logo em seguida, Castiel se recompôs, encontrou o olhar dela e a libertou de tudo o que a prendia à cadeira.

Então, o anjo se levantou ao mesmo tempo em que ajudava Mia a se erguer, os dois se encararam mutuamente por um momento que pareceu eterno e, por fim, se abraçaram forte, tomados por um profundo alívio e uma forte emoção, mas também sentindo uma dor inquestionável por dentro. Mia por tudo de errado que havia feito, e Castiel por perceber que a culpa estava a destruindo por dentro.

Fazendo-se de forte, Mia se desvencilhou do abraço e caminhou aos tropeços até Sam e Dean. Abraçou um deles por vez. Resistiu a vontade de chorar e se obrigou a sorrir para os dois.

Instantes depois, os quatro foram para a sala principal e Mia também abraçou Bobby, Claire e Natalie calorosamente. Mas, antes que eles pudessem fazer qualquer pergunta, ela seguiu na direção da escada e anunciou:

— Com licença, pessoal, mas eu preciso mesmo do meu banho de uma hora.

Com um olhar pesaroso, Castiel a observou subindo cada degrau até desaparecer do seu alcance de visão. E não demorou muito para que ele fosse atrás dela.

Sam, Dean e os outros tiveram um leve sobressalto, quando o farfalhar de asas ecoou pela sala principal do bunker. Se entreolharam, quando perceberam que o anjo havia desaparecido dali. E não precisaram pensar muito para entenderem para onde Castiel havia ido.

Notas finais
"Castiel, Sam e Dean se assustaram um pouco quando viram que as órbitas estavam completamente pretas. Mas, em seguida, Mia piscou uma vez e seus olhos adquiriram um brilho azulado, angelical. E, por fim, ela piscou mais uma vez e eles voltaram a sua cor natural." Explicando, aqui eu quis mostrar o desfecho do feitiço, com o sangue de demônio vindo à tona, mas sendo neutralizado pelo sangue do Cas e, por fim, a Mia voltando ao normal. Não sei se ficou muito claro, então só queria fazer essa ressalvinha mesmo. Porém, parte do sangue demoníaco, aquele que nasceu com a Mia, não foi embora. Falarei mais sobre isso no próximo capítulo. Reviews? Bjs.