Ascensão Infernal

13 Pergunte a si mesma


Notas iniciais
Oi, gente!!! Antes de mais nada, nada mesmo, quero dedicar o capítulo de hoje para a menina Maya, que recomendou a fic e me deixou muito muito muito happyyyyyyyyyy!!! Obrigada, moçoila! Fiquei muito emocionada com as coisinhas que ocê escreveu! Obrigada mesmo, mesmo e mesmo! Agora, lembram que eu falei que o capítulo ia ser 100% Miastiel? Pois é, acabei escrevendo demais e colocando outras coisinhas no fim ehehehehe Como atualizo só uma vez por semana, prefiro escrever capítulos grandes, mas, se vocês acharem que ficou muiiiiiiito grande e cansativo, me avisem que eu pego mais leve da próxima vez, blz? Espero que gostem!!! Lá vai!

Castiel ergueu as mãos na altura do peito, acatando a ordem de Mia para que ele não se aproximasse mais, e tentou tranquilizá-la:

— Está tudo bem. Eu não vou te machucar.

Ao ouvir aquilo, a garota riu sem humor e retrucou com agressividade:

Você não vai me machucar? Que fofo! Você não pode me machucar, coração. Esqueceu?

Imediatamente, Castiel refletiu sobre aquilo e percebeu que Mia tinha razão, afinal ela conseguia se defender muito bem de seres celestiais como ele.

Em seguida, o anjo reparou melhor nela e notou que Mia estava abatida, um pouco mais magra e visivelmente nervosa, abalada por alguma coisa.

Sendo assim, Castiel tentou sondar:

— O que aconteceu? O que o Crowley fez com você?

Rindo de um jeito nervoso, Mia respondeu:

— Na verdade, eu ainda estou tentando descobrir o que ele fez. — e após uma breve pausa, completou: — E neste momento, eu acho que a pergunta mais apropriada seria o que eu fiz com ele...

O anjo encarou a garota por algum tempo, tentando entender o que ela queria dizer com tudo aquilo. Não conseguiu chegar a nenhuma conclusão e ficou ainda mais confuso. Aliás, era difícil raciocinar direito, quando tudo o que Castiel queria fazer era tomar Mia em seus braços, protegê-la embaixo de suas asas e tirá-la daquele lugar imediatamente.

No entanto, Castiel sabia que tinha que ir com calma. Qualquer movimento poderia ser interpretado por Mia como uma ameaça, ela poderia tocar aquele sigilo enoquiano na porta atrás de si, mandá-lo para o Céu em questão de segundos e então ele iria perder o rastro dela novamente.

Castiel não podia deixar isso acontecer. E pensando em algo que Dean lhe disse há duas semanas, ele se lembrou de que devia ser mais esperto desta vez, mais esperto do que Mia. Precisava entender o que estava acontecendo ali e reconquistar a confiança dela antes de tomar qualquer atitude. Não podia perdê-la de novo.

Por tudo isso, o anjo sondou mais uma vez:

— O Crowley sabe que você está aqui? Você está fugindo dele, Mia? É isso?

Tentando controlar o pânico que ainda deixava o seu corpo tenso e atordoava a sua mente, Mia respirou fundo e tentou se acalmar. E convencida de que não era uma boa ideia contar para Castiel o que ela havia feito com Crowley, já que assim ele iria perceber o quão vulnerável e confusa ela estava, e poderia se aproveitar disso, Mia desviou do olhar do anjo e desconversou:

— Deixe o Crowley fora disso. Não foi por isso que eu te chamei aqui.

Percebendo o quão vulnerável e confusa a garota estava, Castiel conteve o ímpeto de ir até ela e abraçá-la, indagando de um jeito calmo e acolhedor:

— Então por que você me chamou aqui, Mia? O que você quer de mim?

Eram ótimas perguntas e elas ecoaram nos ouvidos da garota, sem que ela chegasse a qualquer conclusão.

Por que Mia tinha feito aquilo, afinal? O que ela estava planejando? Ela não deveria ter invocado Castiel daquela forma. Ele estava contra ela e contra Crowley, contra o plano dos dois. Mia não podia confiar naquele anjo maldito. Mas então, por que, de alguma forma, ela sentia que podia? E que devia confiar nele? O que estava acontecendo com ela, afinal? O que tinha acontecido com o mundo ao redor? Por que Mia sentia que tudo tinha perdido o sentido subitamente? Por que tudo parecia uma grande mentira? Uma encenação?

Tentando entender por que se sentia daquele jeito e querendo descobrir se Crowley estava mentindo mesmo para ela ou não, Mia sibilou de um jeito contido:

— Eu só quero... Conversar.

Vendo naquela resposta uma abertura para reconquistar a confiança da garota, Castiel enterrou dentro de si a vontade tentadora que tinha de beijá-la imediatamente, se lembrou mais uma vez do conselho de Dean e inquiriu calmamente:

— Sobre o quê?

Sentindo-se ridícula por se importar com aquilo, Mia respondeu hesitante:

— Eu fui até Minnesota. Eu vi uma coisa lá... Em um cemitério. Mas eu não sei se o que eu vi era mesmo real. Pode ser uma ilusão, uma manipulação da realidade feita por anjos. Talvez até por você.

— Eu não estou manipulando a realidade à sua volta, Mia. — embora Castiel não pudesse provar isso, ele fez questão de ser bem firme quando disse essas palavras e manteve o seu olhar fixo no olhar da garota, esperando que ela visse que ele estava sendo sincero. — Me diga o que você viu. — pediu na sequência.

Mia hesitou. Se amaldiçoou por sentir os seus olhos ligeiramente marejados, um nó na garganta e uma dor dilacerante em seu peito. Mas, por fim, ela contou:

— Eu vi o túmulo do... Ric. — após se recompor um pouco e mesmo sem saber se podia acreditar em Castiel, ela perguntou: — Ele está mesmo... Morto?

Com pesar, o anjo confirmou:

— Sim, Mia. Infelizmente, o Ric... O seu amigo Ric está morto. — em seguida, ele fez questão de acrescentar: — O Crowley mesmo o matou, há alguns anos, para atingir você.

Uma parte de Mia acreditou no que Castiel relatou, mas a outra parte, aquela que ainda confiava ou lutava para manter a confiança no Rei do Inferno, a fez questionar um pouco alterada:

— O Crowley ou você? Você matou o Ric? Ele está mesmo morto ou você tem colocado essas coisas na minha cabeça, Castiel, apenas para me confundir? Você está alterando a realidade? É isso?

Revoltado por ouvir aquelas acusações e imaginando o que Crowley devia ter dito para Mia nos últimos meses, principalmente nos últimos dias, para envenená-la ainda mais contra ele, o anjo rebateu prontamente:

— Não! Mas, definitivamente, alguém está mexendo com a sua cabeça, Mia. E se você me chamou aqui, é porque sabe exatamente quem é. Ou pelo menos, desconfia.

— Eu confio no Crowley. — retrucou a garota imediatamente, mas no fundo, não tinha certeza de suas próprias palavras. Às vezes, nem parecia que era ela falando, mas sim Crowley falando em seu lugar, como se ele estivesse em sua mente de alguma forma, a obrigando a confiar nele sem questionar.

Convencido de que aquela confiança cega que Mia depositava em Crowley — e que tinha relação direta com o feitiço de sangue que o demônio fez — estava abalada, Castiel resolveu se aproveitar disso e questionou:

— Então por que você me chamou?

Mia se fez a mesma pergunta e, por mais que achasse aquilo inapropriado, foi sincera em sua resposta:

— Porque... Uma parte de mim confia em você também. Ou quer confiar, eu não sei. — em constante conflito, ela balançou a cabeça negativamente e desconversou: — Isso é ridículo... Eu não devia me sentir assim.

— Pergunte a si mesma por que você se sente. — desafiou Castiel, tentando fazer com que Mia voltasse a pensar e a agir por conta própria, sem influência do Rei do Inferno.

Vendo que Mia estava mergulhada em seus pensamentos, provavelmente seguindo a orientação dele e se perguntando aquilo, Castiel resolveu arriscar e deu alguns passos a frente. Mas, tal atitude fez com que o lado maligno de Mia assumisse o controle, ficasse em alerta e, por isso, ela aproximou a mão ensanguentada do sigilo enoquiano na porta e esbravejou:

— Para trás! Fique bem aí! Não se aproxime!

Como resposta, Castiel deteve o passo imediatamente, mas não recuou, ergueu as mãos na altura do peito e tentou acalmá-la:

— Tudo bem, Mia. Eu vou ficar bem aqui.

Ainda sob influência do seu lado obscuro e ligado ao Rei do Inferno, Mia passou a outra mão pelos cabelos e balbuciou confusa e nervosa consigo mesma:

— Eu não sei por que fiz isso. Você é meu inimigo, eu não deveria...

— Eu não sou seu inimigo, Mia. — discordou o anjo imediatamente e, de um jeito firme, acrescentou: — Acredite, eu sou exatamente o oposto disso.

— Eu não acredito em você. E eu não devia me importar com o Ric. — retrucou a garota, passando a mão pelos cabelos de novo e olhando tudo em volta, como se tentasse se convencer do que tinha acabado de dizer.

Vendo outra oportunidade para chamar Mia de volta à realidade, Castiel desafiou mais uma vez:

— Então pergunte a si mesma por que você se importa.

Mesmo à contragosto, Mia se fez aquela pergunta. Mas, incapaz de encontrar a resposta dentro de si, ela tentou se enganar e articulou fingindo desdém:

— Se o Ric está mesmo... Morto... Foi melhor assim. Ele escapou de um final bem mais trágico porque o mundo... O mundo vai queimar, Castiel. Em breve. E eu vou assistir tudo de camarote e...

— Não. — interrompeu o anjo firmemente. — Você não vai, Mia. Porque eu vou te impedir. — avisou de um jeito sério e determinado.

Tanta confiança fez Mia rir. Gargalhar, na verdade. E ainda aos risos, ela questionou incrédula:

— Você? Você vai me impedir? Bitch, please.

De repente, ela parou de rir e de falar. Isso porque a última expressão que disse causou uma sensação de déjà vu em sua mente.

Castiel percebeu isso, percebeu que a sua Mia ainda estava ali, perdida em algum lugar da própria mente dela, lutando para vir à tona, para vencer aquele duelo entre dois lados de uma mesma moeda.

Decidido a ajudá-la com isso e sem se importar com o lado de Mia que ainda estava ligado a Crowley, Castiel deu mais um passo a frente. Mas parou quando Mia se aproximou mais do sigilo enoquiano na porta e o ameaçou:

— Eu poderia te mandar para Far Far Away agora mesmo. — e enquanto esboçava um sorriso maligno, completou: — Ou melhor, eu poderia te matar agora mesmo.

Apesar do tom ameaçador, Castiel a fitou com carinho e certa dor. Era difícil ver a sua Mia naquela situação, dizendo aquelas coisas, fazendo outras piores, ajudando o Rei do Inferno, presa à ele, presa ao demônio responsável pela morte dos pais dela.

Será que disso Mia se lembrava? Pelo visto, não. De alguma forma, Crowley havia dado um jeito de distorcer aquilo também.

Pensando em tudo isso e disposto a lutar por ela até o fim se fosse preciso, Castiel questionou:

— Então por que você não faz isso? Por que você não me mata? Agora mesmo. Ou por que você não fez isso naquele bar? Pergunte a si mesma. Por quê? O que te impediu?

As inúmeras tentativas de explicar aquilo para si mesma não surtiram qualquer efeito. Até Crowley tinha questionado por que Mia não havia acabado com o anjo quando teve oportunidade para isso. E Mia mentiu para ele e para si mesma, alegando que não julgou aquilo necessário, que eliminar a ameaça definitivamente não era uma prioridade, que ela só pensou em fugir o mais rápido possível.

No entanto, no fundo, Mia sabia que algo tinha a feito fraquejar. A mesma coisa que estava fazendo-a fraquejar agora. Ela tinha uma nova oportunidade para acabar com Castiel bem ali, mas por algum motivo, não conseguia. Uma parte de si se recusava a matá-lo ou mandá-lo embora. Uma parte de si abominava a ideia de machucá-lo.

Numa tentativa desesperada de se justificar, Mia articulou hesitante:

— Eu só fiquei... Confusa. Porque você me despertou certas... Dúvidas em relação ao Crowley e... A mim mesma.

Castiel a fitou por longos instantes, franzindo o cenho à medida que tentava encontrar naquele olhar confuso, o brilho radiante que a antiga Mia costumava ter, principalmente quando olhava para ele de um jeito apaixonado e, muitas vezes, malicioso.

Porém, para sua tristeza, não havia qualquer sinal daquele brilho. Apenas um olhar cheio de revolta, confusão e agressividade contornado por uma maquiagem forte e escura.

— Pergunte a si mesma... — recomeçou Castiel.

— Pare! — gritou Mia, levando as duas mãos à altura do rosto, cansada daquela conversa que só lhe trouxe mais dúvidas e questionamentos que não pareciam ter respostas condizentes com a realidade, ou pelo menos com a realidade que ela acreditava ser a verdadeira. — Por que você fica repetindo isso, anjo estúpido?! Por acaso, você acha que desse jeito vai me convencer a acreditar na sua história?! — esbravejou, esticando os braços ao lado do corpo, cerrando os punhos com força e esquecendo-se completamente do sigilo enoquiano atrás de si.

Castiel aproveitou o momento de distração para se aproximar mais um pouco, ao mesmo tempo em que dizia:

— Na verdade, eu tenho esperança de que você se lembre da nossa história, Mia. Exatamente como tudo aconteceu. Que se lembre da verdade que lhe foi roubada.

— Não se aproxime... — sibilou a garota, mas não soou com firmeza, pois tinha ficado mexida com a aproximação do anjo.

Aproveitando que ela parecia ter baixado um pouco a guarda e que estava visivelmente mexida com toda aquela conversa, Castiel tocou o rosto de Mia, lhe causando um leve tremor, e continuou:

— Eu preciso que você acredite em nós e que se lembre de tudo.

— Eu disse para você não se aproximar... E não me toque... — reforçou Mia, porém, mais uma vez não soou convincente.

Ela não conseguia se mexer para afastar Castiel, muito menos para tocar o sigilo enoquiano atrás de si. Na verdade, Mia mal se lembrava que tinha o desenhado. Não conseguia pensar ou raciocinar direito. Era como se estivesse hipnotizada ou sob o efeito de alguma substância paralisante e que, de alguma forma, acelerava o seu coração a cada instante e dificultava a sua respiração.

Mais confusa do que nunca, Mia franziu o cenho enquanto fitava Castiel de um jeito interrogativo, sem saber ao certo o que estava esperando. Ao piscar, algumas lágrimas escaparam de seus olhos.

Novamente, o anjo se lembrou do que Dean lhe falou há alguns dias, sobre ele ser mais esperto da próxima vez que estivesse diante de Mia.

Até o momento, Castiel estava se saindo bem, fazendo a garota refletir sobre toda aquela situação e ganhando parte de sua confiança, mas, por outro lado, era impossível não querer saciar a saudade que ele sentia e amenizar a dor que o consumia há meses. E assim como foi em Waterville, Castiel quis beijar Mia. Muito. Contrariando o conselho de Dean.

Um beijo poderia colocar tudo a perder, mas naquele momento, o anjo não estava dando a mínima para isso. Se aproximar mais era perigoso e poderia provocar uma reação súbita em Mia, mas Castiel também não se importava.

Sendo assim, o anjo se aproximou mais um pouco e, por algum motivo que não sabia explicar para si mesma, Mia não reagiu, apenas olhou por um instante para os lábios dele e depois voltou a fitá-lo nos olhos, com uma ansiedade crescente.

Foi então que Castiel percebeu uma coisa. Ele poderia unir o útil ao agradável. Um beijo iria distrair Mia e ele poderia tirá-la dali em um simples bater de asas.

Até o momento, ela não tinha demonstrado qualquer resistência e isso era um claro sinal de que Castiel tinha carta branca.

Enquanto ele pensava sobre isso, Mia estava com raiva de si mesma por não conseguir resistir àquela proximidade. Em dado momento, simplesmente parou de tentar entender por que estava se sentindo assim, parou de se preocupar com o que aconteceria depois e apenas desejou que Castiel a beijasse de uma vez, afinal era isso que ele estava prestes a fazer. Mia não era burra e já tinha deduzido como aquela proximidade iria terminar.

Então, quando Mia fechou os olhos e sentiu o seu coração acelerar, Castiel franziu o cenho, a olhando com carinho e saudade. Em seguida, acariciou o rosto dela por alguns instantes, fechou os olhos também e inclinou um pouco a cabeça, buscando o encaixe perfeito na boca da caçadora.

Porém, antes que Castiel tocasse os lábios de Mia com os seus, ele sentiu algo se aproximando daquela capela. Algo maligno que vinha de todos os lados em forma de fumaças vermelhas e densas, uma delas liderando o grupo.

Imediatamente, Castiel abriu os olhos e afastou o rosto, mas Mia permaneceu do mesmo jeito, esperando por ele e por aquele beijo, sem entender por que queria tanto aquilo. Mais uma lágrima escorreu por sua bochecha.

O anjo não podia ver Crowley e os demônios que estavam indo para a capela, mas podia sentí-los. E diante do perigo crescente, murmurou:

— Eles estão vindo.

Automaticamente, Mia abriu os olhos e o fitou confusa e até um tanto frustrada. Mas, antes que ela pudesse entender do que Castiel estava falando, o anjo a trouxe para mais perto do seu corpo, fechou os olhos e pressionou seus lábios nos dela, levando Mia a fechar os seus olhos instintivamente, antes do farfalhar de asas ecoar pela capela.

Instantes depois, o lugar foi invadido por dezenas de fumaças demoníacas, mas Mia e Castiel já estavam longe dali. Os dois se materializaram na masmorra do bunker, onde Sam e Dean os aguardavam.

Ao perceber o que o anjo havia feito, Mia abriu os olhos, se desvencilhou dele, o empurrando com o máximo de força que pôde, olhou o lugar em volta e esbravejou com revolta:

— Você me enganou!

Após se recuperar da reação agressiva da garota, Castiel retorquiu calmamente:

— Eu te salvei.

Inconformada e ainda mais revoltada com aquilo, Mia deu alguns passos para trás, olhou tudo em volta mais uma vez e retrucou:

— Eu sabia que não podia confiar em você, seu desgraçado!

Novamente, Castiel relevou o tom agressivo de Mia e assegurou:

— Você sempre poderá confiar em mim. Sempre.

— Você me trouxe para uma gaiola! Para uma prisão! — protestou ela, rindo sem humor da ideia de confiança que o anjo tinha. — E quem diabos são esses dois?! Tico e Teco? — questionou, olhando para Sam e Dean logo atrás dele.

Como os caçadores estavam atônitos demais por reverem Mia e naquelas circunstâncias, foi Castiel quem respondeu:

— Embora você não se lembre, eles são seus amigos.

Vendo o que os dois caçadores seguravam em suas mãos, Mia deu mais um passo para trás e rebateu incrédula e temerosa:

— Amigos? E que tipo de amigos recebem você com cordas e algemas?

Desta vez, Dean conseguiu se manifestar:

— Não é o que você está pensando, Mia.

— É exatamente o que eu estou pensando... Estranho. — redarguiu ela e, depois de ver uma porta dupla a cerca de três metros de onde estava, correu até lá dizendo: — Eu quero sair daqui! — ao constatar que a porta estava trancada, Mia continuou tentando abrí-la, esmurrando e chutando-a, enquanto gritava: — Me deixem sair! Eu quero sair daqui!

— Isso não vai acontecer, eu sinto muito. — foi a vez de Sam dizer com certo pesar, fazendo Mia olhar na direção dele.

Por um momento, ela pensou em mandá-lo ir para o inferno, no entanto, algo no olhar de cachorrinho pidão do caçador a fez hesitar.

Depois de trocar um olhar cúmplice com o irmão, o Winchester mais novo começou a se aproximar. Logo, Dean o seguiu. Ambos caminhando até Mia e preparando as cordas, enquanto Castiel observava tudo a uma distância segura. Embora ele não acreditasse que Mia iria ferí-lo, ela estava muito alterada e todo cuidado era pouco.

— Fiquem longe de mim! — gritou ela na direção dos Winchester. E olhando para o anjo, o acusou severamente: — Você me enganou! Eu te odeio! Eu não acredito que fui tão burra... Como eu pude...

— Mia, por favor, fique calma. — pediu o anjo, com uma expressão sofrida, ao mesmo tempo em que tentava ignorar o efeito nocivo e doloroso das palavras da garota. — Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Apavorada com aquela situação e com muita raiva, Mia tentou escapar de Sam e Dean quando eles se aproximaram dela. Tentou abrir a porta de qualquer jeito, tentou se defender, empurrando os dois, mas ao se ver completamente sem saída, ela acabou correndo na direção oposta. E foi alcançada por Sam e, na sequência, por Dean.

Mia tentou resistir e se defender de todas as formas, mas os dois eram mais fortes do que ela e conseguiram levá-la até uma cadeira no centro da masmorra com facilidade.

Enquanto Mia esperneava e gritava que queria sair dali e para os dois a soltarem, Sam e Dean algemaram os pulsos dela nos braços da cadeira, reforçaram com uma das cordas e, por fim, amarraram os pés da garota com a corda que havia restado.

Em seguida, os irmãos recuaram um pouco e se posicionaram ao lado de Castiel.

Sem fôlego e atordoada, Mia procurou se acalmar um pouco, enquanto olhava para os três com certo medo, pois sabia que estava completamente vulnerável ali, completamente à mercê deles.

Por um momento, Mia se arrependeu amargamente de ter invocado Castiel. Se ela estava com dúvidas em relação ao Rei do Inferno, devia ter resolvido tudo com ele e não provocado aquela situação. Porém, havia uma parte de Mia que não conseguia acreditar que o anjo e aqueles dois homens iriam ferí-la. Ela não sabia explicar, só sabia que se sentia assim.

Mais dividida e confusa do que nunca, Mia respirou fundo algumas vezes, tentando normalizar a sua respiração, o seu coração acelerado e dissipar a tensão que acometia cada terminação nervosa do seu corpo.

Por fim, ainda sentindo a sua cabeça girar, ela indagou temerosa:

— O que vocês vão fazer comigo?

Castiel, Sam e Dean se entreolharam, até que o anjo encontrou o olhar de Mia e respondeu:

— Um feitiço de reversão.

Foi como se Castiel tivesse falado grego, já que Mia não sabia que Crowley tinha feito um feitiço de sangue nela há alguns meses e, portanto, para ela não havia nada a ser revertido ali.

Atordoada, Mia olhou para cada um daqueles rostos diante dela e engoliu em seco.

XXX

Enquanto isso, Bobby — que tinha voltado de Sioux Falls há poucos dias — estava sentado à mesa de uma lanchonete em Lebanon e terminava de tomar uma cerveja, enquanto observava Claire e Natalie, acomodadas à frente dele, com certa desconfiança.

Enquanto a filha do caçador mexia e remexia um canudo dentro de uma taça de Milk Shake pela metade, Natalie — que mantinha contato com a amiga desde que se separou de Dean, estava de passagem na cidade e tinha aceitado ajudá-la a desvendar um certo mistério — devorava o seu terceiro pedaço de torta.

Percebendo uma certa troca de olhares entre elas e estranhando aquele silêncio desconfortável, Bobby resolveu se pronunciar sem qualquer rodeio:

— Certo, idjits... O que vocês duas estão aprontando?

Um tanto assustada com a pergunta, Claire atrapalhou-se completamente na resposta:

— Aprontando? Eu? A Natalie? Não... Nada. Nós não estamos aprontando nada, pai. Está tudo bem.

Depois de revirar os olhos com certa impaciência, a loira resolveu abrir o jogo de uma vez:

— A Claire quer saber se você e a Xerife estão... Juntos. Tipo... Juntos mesmo e pra valer, sabe?

— Natalie! — repreendeu a outra, virando-se na direção dela com um olhar mortal. — Se fosse para perguntar desse jeito tão direto, eu mesma faria isso e não teria pedido a sua ajuda.

— Desculpe, amiga, mas não tem uma forma sútil de perguntar esse tipo de coisa. — defendeu-se Natalie. E voltando-se para o caçador, pressionou: — E então, Bobby... Você e a Jody vão continuar dizendo que são apenas amigos? — diante do silêncio dele, que fitou as duas com uma espécie de constrangimento e, ao mesmo tempo, como se não estivesse entendendo nada, a loira insistiu: — Você passou meses caçando com ela. Eu disse, meses. Longos meses na companhia um do outro.

Sem querer compartilhar a sua intimidade daquele jeito, Bobby se fez de desentendido:

— E?

Enquanto a morena franzia o cenho e observava o pai atentamente, buscando algo na expressão dele que pudesse confirmar suas suspeitas, Natalie revirou os olhos mais uma vez e perguntou de um jeito direto e inquisitivo:

— A Claire vai ganhar uma madrasta ou não?

Bobby sentiu um grande desconforto diante daquele interrogatório. Não gostava de se abrir com ninguém, exceto com Jody, é claro, mas neste caso era algo tão natural que ele não se importava nem um pouco.

Porém, compartilhar a sua vida com outras pessoas, mesmo que fosse com sua filha ou com Natalie era demais para o caçador.

Resolvendo aceitar que não era fácil para o seu pai compartilhar certas coisas de sua vida, Claire decidiu esperar que ele estivesse pronto e se sentisse à vontade para se abrir algum dia.

Provavelmente, esse dia nunca chegaria, mas Claire tinha certeza que Bobby estava feliz e isso era mais importante do que a curiosidade que ela sentia.

Sendo assim, ela olhou para a amiga de soslaio e murmurou constrangida:

— Natalie... Pelo amor de Deus, não diz mais nada.

— Okay. — assentiu a loira, erguendo as mãos em sinal de rendição, antes de voltar a comer a torta.

Claire terminou o Milk Shake no mesmo instante em que o seu celular começou a tocar. Depois de pegar o aparelho no bolso da jaqueta e ver quem era, ela disse:

—Eu preciso atender, é o Sam. — e antes de se levantar e se afastar, pediu: — Com licença.

Sozinha na mesa com Bobby, Natalie não resistiu e retomou o assunto:

— Vocês nunca vão assumir, não é?

Fazendo-se de desentendido novamente, Bobby retorquiu calmamente:

— Eu e a Jody somos apenas amigos. Bons amigos, eu diria.

— Sei. — balbuciou a caçadora com incredulidade. Não que Bobby e Jody não fossem amigos, mas estava claro que não era apenas amizade que unia aqueles dois.

Depois de observar Natalie comendo mais um pouco da torta e lembrando-se de tudo o que aconteceu entre ela e Dean, Bobby decidiu que era a sua vez de ser incoveniente:

— Como você está?

Apesar de ter entendido muito bem onde o pai de Claire queria chegar com aquela pergunta, foi a vez de Natalie se fazer de desentendida e responder tranquilamente:

— Bem.

— Como você está de verdade, Natalie? — insistiu o caçador.

— Eu estou ótima. — reforçou ela de boca cheia, embora não tenha soado nem um pouco convincente.

— Ah... Assim como o Dean, então. Ele também diz que está ótimo, sabia? — articulou Bobby com certa ironia, deixando claro que não acreditava nem no Winchester nem em Natalie. — O problema é que vocês dois não parecem ótimos. Longe disso. — insinuou, deixando a loira pensativa.

Por fim, ela engoliu o último pedaço da torta, se recostou na cadeira e, com um olhar distante, decidiu confessar de uma vez:

— Eu sinto a falta dele. Eu admito, okay? Mas isso é tudo o que eu sei no momento, Bobby.

Antes que o caçador pudesse continuar a conversa, Claire se reaproximou da mesa e revelou um tanto afoita:

— O Cas encontrou a Mia. E a levou para o bunker.

— O quê?! — indagaram Natalie e Bobby ao mesmo tempo, visivelmente surpresos.

— Nós temos que ir para lá. A Mia vai precisar de muito apoio quando se lembrar de toda a verdade. — foi o que Claire conseguiu articular naquele momento, já que estava bem mexida com a novidade.

Depois de tanto tempo, Mia finalmente estava com eles de novo, mas Claire sabia que ainda havia um longo e árduo caminho pela frente até que as coisas voltassem a ser como eram antes.

Apesar de ter ficado feliz com a novidade, Natalie sabia que ela não podia fazer qualquer coisa naquela situação. Ela não pertencia mais àquela família.

Sendo assim, a loira disse:

— Ok... Acho que essa é a minha deixa então. — e quando Bobby a encarou com certa compaixão, ela completou tentando transparecer conformidade: — Tudo bem, eu já estava indo embora da cidade mesmo.

— Natalie, você vem com a gente. — afirmou Claire, fazendo a amiga e Bobby olharem para ela imediatamente.

— O quê?! — exclamou a loira surpresa e confusa. E ao finalmente assimilar o que tinha ouvido, ela se esquivou: — Fora de cogitação. Eu não posso voltar para o bunker, Claire. Você enlouqueceu?

Depois de puxar a cadeira e se sentar à mesa de novo, a filha de Bobby fitou Natalie e articulou de um jeito sério e gentil ao mesmo tempo:

— Olha, eu sei que será constrangedor depois do que aconteceu, mas você precisa fazer um esforço, Natalie. Só porque você e o Dean estão separados, não significa que não podem mais se ver. Isso já foi longe demais. Quando vocês vão parar de agir como dois adolescentes?

Sem querer explicar para a amiga os seus motivos — mesmo porque já tinha feito isso inúmeras vezes — a loira tentou se esquivar daquela situação novamente:

— Claire, eu realmente não posso...

— Natalie, a Mia está de volta. — disse a outra, a interrompendo de um jeito firme. — Depois de meses, a Mia finalmente está de volta. E ela é sua amiga também e está completamente perdida. Ela vai precisar de nós, de todos nós. — ao perceber que Natalie ia se esquivar de novo, Claire completou: — Olha, eu não estou te pedindo para voltar de vez para o bunker ou para o Dean, apenas para você vir com a gente e conversar um pouco com a Mia. Vai fazer bem para ela.

Apesar de concordar com os argumentos de Claire, uma parte de Natalie ainda estava relutante, pois ela sabia que acompanhar os dois até o bunker e conversar com Mia envolvia um certo reencontro constrangedor e doloroso. E ela não sabia se estava pronta para ver o ex-marido novamente.

Por tudo isso, Natalie tentou escapar daquela situação, dizendo o óbvio:

— Mas o Dean está lá.

Depois de respirar fundo, Claire insistiu pacientemente:

— Você não pode fugir disso para sempre, Natalie. Mais cedo ou mais tarde, vocês vão se encontrar de novo. Mas eu juro que não estou tentando forçar uma situação, eu só estou pedindo isso pela Mia. Venha com a gente. Por favor.

Sem saber mais o que dizer para evitar um reencontro com Dean, Natalie olhou ora para a amiga ora para Bobby, como se implorasse para que eles não a obrigassem a passar por aquilo.

No entanto, a loira sabia que aquilo não era sobre ela e Dean, mas sobre Mia. A garota ia precisar mesmo de apoio. E uma visita rapidinha não iria matá-la, ia? Mia merecia aquele esforço, não merecia? Era o que Natalie se perguntava enquanto olhava para Claire e Bobby constantemente.

Algum tempo depois, ela finalmente tomou a sua decisão.

Notas finais
E aí? Gostaram? Sim? Não? Maybe? Well, pequenas explicações aqui: No capítulo anterior, nós tivemos uma pequena passagem de tempo, certo? Pois é, foi durante esta passagem que Sam, Dean & Cia descobriram nos acervos dos Homens das Letras um feitiço para reverter aquele que o Crowley fez na Mia. Foi durante esta passagem de tempo também que o Bobby voltou para o bunker, okay? Agora, será que ele e a Jody são apenas bons amigos mesmo? Ahahahahah acho que nunca vamos conseguir esta resposta... Talvez só na fic O Caso do Slender Man (para aqueles que leram ou ainda vão ler). E a Natalie? Gostaram da aparição da moçoila? E dela admitindo que sente falta do Dean? E Miastiel? Gostaram do Cas fazendo a Mia se auto questionar sobre um monte de coisas? Será que surtiu efeito? Well, o Cas foi mais esperto desta vez, mas será que foi o suficiente? Será que o feitiço de reversão vai funcionar? E a que custo? E o que será que a Natalie decidiu, hein???? Descubram isso e muito mais no próximo capítulo eheheheheh Bjs, gente! Espero que tenham curtido e me deixem saber de tudin nas reviews, okay? Inté!