Notas iniciais
Oi, gente! Olha só, até que o capítulo não demorou muito, né? Bem, eu ameiiiiiiiiiiiii escrever e tenho uma boa notícia: aparentemente, o bloqueio criativo se foi, a oferenda voltou para o mar aeeeeeeehhhh Contudo, ainda temos a questão do tempo, pois estou com três fics em andamento e tentando retomar uma em que sou coautora, então muita calma nessa hora kkkkkkk Well, sem mais delongas, o capítulo de hoje! Boa leitura!

Lentamente, Mia abriu os olhos e observou parte do quarto do hotel, onde estava hospedada desde que chegou na Ilha de Bermudas.

Ela sentiu que havia um clima estranho no ar, uma atmosfera diferente, mas não sabia explicar o que exatamente. O fato é que a caçadora sentia-se leve e pesada ao mesmo tempo. Envolta pela escuridão parcial do recinto e por uma sensação engraçada de dormência pelo corpo.

Ao dar uma boa olhada à sua volta, Mia percebeu que não estava sozinha ali. Castiel encontrava-se sentado na cama, próximo dos seus pés, a observando com uma expressão indecifrável.

— Ei... — sibilou Mia com um discreto sorriso, enquanto se espreguiçava sobre os lençóis desarrumados. — Acho que eu acabei de ter um déjà vu — brincou, esperando que o anjo entendesse ao que ela estava se referindo.

Castiel compreendeu prontamente, afinal não havia como esquecer a forma como ele conheceu Mia, não havia como esquecer o dia em que a viu pela primeira vez, em um passado que parecia estranhamente distante agora.

— Eu também — confessou o anjo, mas sem sorrir de volta.

Depois de se espreguiçar mais uma vez, Mia pensou um pouco e refletiu intrigada:

— Eu me sinto... Estranha. — E ao olhar tudo em volta novamente e perceber um tom diferente no recinto, tornou a fitar o anjo e deduziu: — Eu estou dormindo?

— Sim — Castiel simplesmente confirmou.

Ainda mais intrigada, a caçadora arqueou as sobrancelhas e questionou pausadamente:

— E você decidiu invadir o meu sonho por que...?

Desconfortável com a pergunta, o anjo se mexeu um pouco, endireitou a postura e respondeu:

— Eu só queria me certificar de que você estava bem.

Controlando o ímpeto de rir de tal resposta, Mia ironizou:

— Certo. Mesmo porque... Quantos perigos eu corro enquanto durmo, não é?

Percebendo que precisava ser mais convincente, Castiel atrapalhou-se ao tentar explicar:

— Não se trata disso, Mia. Eu quero dizer... Eu só... É que eu pensei que... Bem...

Achando engraçado o nervosismo do anjo e sem desconfiar de suas verdadeiras intenções, a garota sentou na cama, se aproximou um pouco dele, tocou os seus lábios com o dedo indicador e o tranquilizou em tom sugestivo:

— Shiiiii. Tudo bem, anjo. Eu não estou brava com a invasão de privacidade. Na verdade, eu até gostei. — E antes que Castiel pudesse pensar no que dizer em resposta, Mia se aproximou mais, sentou em seu colo, passou os braços em volta do seu pescoço e insinuou: — E sabe do que mais? Já que você está aqui, que tal deixar esse sonho mais interessante?

Castiel não teve tempo de reagir ou dizer qualquer coisa, pois antes disso os lábios de Mia se encaixaram nos seus de um jeito suave e as mãos dela envolveram o seu rosto carinhosamente.

Era difícil resistir e o anjo acabou correspondendo, a abraçando de um jeito caloroso e, com isso, deixando os seus corpos mais próximos.

Todavia, quando o beijo tornou-se mais ávido e os dedos de Mia deslizaram em direção ao sobretudo, a fim de livrar Castiel da peça, um alerta se acendeu na mente dele, o fazendo segurar os punhos da garota de um jeito firme e delicado ao mesmo tempo, interromper o beijo e dizer:

— Mia... Pare. Por favor. Não foi para isso que eu entrei no seu sonho.

Um tanto sem fôlego, a caçadora rebateu confusa:

— Então foi para quê? — Antes que o anjo abrisse a boca para explicar, ela se lembrou de algo importante, do motivo para eles terem ido até ali, e questionou: — Espera... Quanto tempo falta para o eclipse?

— Uma hora, aproximadamente — respondeu Castiel e, quase no mesmo instante, Mia se afastou dele.

— Uma hora?! — exclamou surpresa. — E eu estou dormindo?! Cas, por que você não me acordou antes? Aliás, por que não faz isso agora mesmo? — reclamou, se levantando da cama, para em seguida supor: — Oh! Certo, foi para isso que você entrou na minha mente desse jeito, não foi? Para me acordar e...

— Não, Mia. Não foi para te acordar — negou Castiel, colocando-se de pé também e a fitando com aquela expressão indecifrável de novo.

Estranhando tal comportamento e tanto mistério, Mia franziu o cenho e questionou desconfiada:

— O que está acontecendo aqui? — E depois de tentar despertar sem sucesso, prosseguiu: — Por que eu não consigo acordar? — Quando Castiel desviou do seu olhar por um instante, ela deduziu surpresa: — Espera... É você que está me mantendo assim? Eu pensei que eu fosse imune aos seus poderes.

— Não quando está dormindo — esclareceu o anjo, pois havia esperado Mia mergulhar em um sono profundo para mantê-la presa naquele sonho, usando os seus poderes de anjo.

Estranhando ainda mais a postura de Castiel, Mia perguntou pausadamente:

— E por que você está fazendo isso?

Depois de observá-la por um instante, e esperando que a garota não ficasse tão brava com o seu plano, o anjo respondeu simplesmente:

— Para te proteger.

Como resposta, Mia riu sem humor, preferiu não acreditar no que tinha ouvido e gesticulou um tanto nervosa:

— Cas, desculpe o trocadilho, mas isso não tem a menor graça. Eu preciso acordar. Nós temos um mundo para salvar, lembra?

Após um breve momento em silêncio, Castiel deu um passo na direção dela, tocou o seu rosto com cautela e articulou:

— Eu me lembro, Mia. E agora sou eu quem te pede desculpas. Eu não posso deixar você se envolver nisso. Eu não consigo.

Finalmente assimilando o que estava acontecendo ali e o que Castiel pretendia desde o começo daquela viagem, a caçadora não conseguiu esconder a insatisfação, certa revolta e uma decepção profunda. Então ela afastou a mão dele de seu rosto com um movimento abrupto, colocou o dedo em riste e protestou indignada:

— Essa decisão não cabe a você! Esta luta também é minha e eu não vou ficar de fora disso! Droga, Cas! Você não pode estar falando sério, você não pode fazer isso comigo... — Enquanto o anjo a encarava de volta com uma expressão sofrida e hesitante, Mia abaixou o dedo e implorou: — Por favor, não faça isso. Apenas, não faça.

Tentando se manter firme em sua decisão, Castiel desviou do olhar da garota e replicou seriamente:

— Eu sinto muito, Mia, mas é para o seu próprio bem.

Sentindo os seus olhos um tanto marejados e uma decepção ainda maior dentro de si misturando-se com a revolta, Mia piscou algumas vezes para conter as lágrimas, encarou o anjo duramente e avisou com a voz embargada:

— Eu nunca vou te perdoar se você fizer isso. É um ponto sem volta, Cas.

Como resposta, Castiel voltou a fitá-la nos olhos, deu um passo a frente e tocou o seu rosto novamente. Em seguida, enquanto acariciava sua bochecha com o polegar, ele assentiu resoluto e triste ao mesmo tempo:

— Eu sei.

Inconformada com o que Castiel estava fazendo e por ele não se importar com o que viria depois, Mia fechou os olhos com força e trincou o maxilar.

Logo depois, enquanto a observava com o cenho ligeiramente franzido, o anjo se aproximou mais um pouco e beijou a testa da caçadora demoradamente.

Mia segurou as lapelas do sobretudo com força, ainda pensando em uma forma de convencer Castiel a desistir daquele plano machista e absurdo, mas não conseguiu encontrar nenhum argumento para isso.

Mesmo porque ela já tinha usado o principal deles. Já tinha deixado claro que se o anjo prosseguisse com aquilo, não haveria depois para eles. E apesar disso, Castiel estava firme em sua decisão.

— Eu te amo — declarou ele, despertando-a de tais pensamentos por um instante e fazendo o coração dela disparar tristemente.

E esta foi a última coisa que Mia ouviu dele. Logo em seguida, Castiel escapou de suas mãos e do seu sonho, deixando um farfalhar de asas para trás e um estranho vazio dentro do peito de Mia.

Enquanto a observava dormindo sobre a cama do hotel, Castiel acariciou o rosto da caçadora por um instante a mais, segurou uma de suas mãos sobre o lençol que a cobria parcialmente e encerrou com pesar:

— Não se esqueça disso. Não importa o que aconteça.

Mia respirou fundo, como se ainda pudesse ouví-lo, e o anjo teve a impressão de que ela apertou sua mão de volta, como se não quisesse romper o contato.

Com certa hesitação, ele a soltou devagar, repousou a mão de Mia sobre o lençol e se afastou, levantando da cama e olhando na direção de Hannah que estava em pé e próxima da porta do quarto.

Então ela questionou:

— Tem certeza que isso é uma boa ideia, Castiel?

Depois de pensar por um momento, ele admitiu:

— É uma péssima ideia, mas é a única com a qual eu poderei conviver no final de tudo.

Prontamente, Hannah retrucou:

— Mesmo que no final de tudo, a Mia não queira mais olhar para você? — Quando o anjo franziu o cenho, sem entender como ela havia chegado àquela conclusão, Hannah desviou do olhar dele, pigarreou e admitiu envergonhada: — Eu ouvi parte da conversa sem querer. Quando eu estou neste receptáculo, eu me sinto tão humana e... Curiosa. É mais forte do que eu, desculpe.

Preferindo não condenar a amiga por aquela atitude — mesmo porque ele sabia muito bem como era difícil para os anjos lidarem com emoções humanas — Castiel atentou-se ao questionamento que ela havia feito antes e respondeu:

— Eu tomei a minha decisão, Hannah, e conheço os riscos. Mas a Mia vale todos eles. Então sim, eu tenho certeza de que é isso que eu devo fazer agora.

Hannah preferiu não insistir no assunto. Castiel estava determinado a seguir com o plano e, embora ela lamentasse por Mia, sabia que não podia decidir o que era melhor ou não naquela situação.

Castiel era o líder dos anjos agora e ela lhe devia obediência, mesmo que uma parte do seu receptáculo sentisse que aquilo não era o certo a se fazer.

Hannah parou de pensar nisso quando o anjo se aproximou, parou em sua frente, olhou para trás e observou Mia por um breve instante, voltou-se para a antiga companheira de guarnição novamente e pediu:

— Cuide dela por mim.

— Claro — comprometeu-se Hannah.

Sem jeito, Castiel continuou:

— E se eu não sobreviver ao dia de hoje...

— Pare — cortou, colocando a mão no ombro dele e completando de um jeito confiante: — Vai dar tudo certo, Castiel. Você vai voltar, todos vocês vão. E talvez você e a Mia consigam se entender no fim de tudo. Sempre há esperança.

Tentando absorver parte daquela confiança, o anjo assentiu com um meneio de cabeça, olhou uma última vez para Mia e, por fim, deixou o quarto, sentindo um vazio enorme e doloroso dentro de si.

XXX

Momentos depois, Castiel parou diante da porta do quarto de Sam e Claire, pigarreou para chamar a atenção do caçador que observava a esposa, enquanto ela também dormia profundamente, adentrou o recinto e parou no centro do lugar.

Quase no mesmo instante, Sam se levantou, caminhou até o anjo e perguntou um tanto aflito:

— Você tem certeza que a Claire não está sentindo nenhum tipo de dor ou desconforto, certo?

Castiel que já havia repetido aquilo várias vezes, desde que induziu a caçadora a dormir meia hora antes, reforçou pacientemente:

— Eu já disse, Sam. Ela está em um estado tão profundo do sono que o feitiço do Crowley não pode atingi-la. A Claire está bem. E com sorte, quando ela acordar, o feitiço terá perdido a importância.

— Com sorte? — frisou o Winchester, soltando um suspiro de nervosismo. — Será que você pode ser um pouco mais otimista, Cas? Por favor?

— Desculpe — lamentou o anjo, tentando confiar mais no sucesso daquela missão. — Eu só estou ansioso, mas tenho certeza que vai dar tudo certo.

Sam assentiu brevemente e respirou fundo, no mesmo instante em que Bobby adentrou o quarto e anunciou:

— Ei, madames. Podem continuar fofocando, eu só vim me despedir da minha filha.

Sam e Castiel franziram o cenho um tanto ofendidos, mas preferiram não retrucar. Ao invés disso, observaram o velho caçador caminhar até a cama, se sentar sobre ela e fitar Claire por um bom tempo, como se pensasse no que dizer.

Era visível que Bobby não estava satisfeito com aquela situação, mas ele mentiria para si mesmo se dissesse que não estava mais tranquilo pela filha ficar longe do olho do furacão e, consequentemente, de Crowley.

— Até a volta, princesa — disse por fim, enquanto segurava uma das mãos dela com carinho. E depois de lhe dar um rápido beijo na testa, completou num tom mais baixo: — Tente não ficar com muita raiva do Sam ou de mim, tudo bem?

Apesar de ter falado mais baixo, o pedido de Bobby foi ouvido por Castiel e Sam. Este último engoliu em seco e repetiu para si mesmo que estava fazendo a coisa certa, afinal Claire não tinha condições de lutar ao seu lado em virtude do feitiço lançado pelo Rei do Inferno. Era isso. Ele estava fazendo a coisa certa. E estava fazendo por ela.

Com medo de voltar atrás em sua decisão, Sam mudou de assunto abruptamente:

— Cadê o Dean?

Depois de se afastar da cama, e enquanto caminhava até a saída do quarto, Bobby orientou:

— Sigam-me, idjits.

XXX

Em outro quarto do hotel e visivelmente tenso, Dean observava Natalie dormindo profundamente em meio aos lençóis de sua cama. A loira também tinha sido induzida àquele estado de sono momentos antes, só que por Hannah.

— Ela vai me matar — presumiu Dean, engolindo em seco. — Vai arrancar a minha pele. Talvez até mais do que isso.

— Ainda está em tempo de desistir, filho — argumentou Bobby, em pé perto da porta, ao lado de Sam e Castiel que também observavam a cena e se identificavam com o que Dean estava sentindo naquele momento.

Uma parte do caçador sabia que deixar a esposa para trás era uma péssima ideia, que ela não aprovaria aquilo e que ficaria extremamente irritada por ele tê-la deixado de fora da missão. Para dizer o mínimo.

Todavia, a parte que se preocupava com Natalie, que não conseguia imaginar Crowley e ela em um mesmo ambiente e que não conseguia conceber a ideia do demônio feri-la novamente falou mais alto.

Sendo assim, Dean ajeitou um dos lençóis sobre Natalie, a fitou por alguns segundos e se desculpou antecipadamente:

— Eu sinto muito, Baby.

Em seguida, ele se afastou da cama, se voltou na direção do irmão, de Bobby e Castiel e refletiu:

— Então... Só nós quatro, hein? Como nos velhos tempos.

Os caçadores e o anjo se entreolharam por um longo momento, até que Sam respirou fundo, deu uma rápida olhada no relógio em seu pulso e disse com uma tensão palpável:

— Está quase na hora do eclipse. Vamos?

Depois que ele, Bobby e Dean colocaram suas respectivas mochilas nos ombros, checaram os cantis de água benta dentro delas, a munição e as armas contra demônios uma ultima vez, Castiel os tocou nos ombros, os enviando assim para um lugar remoto de uma ilha vulcânica perto dali. Em seguida, o anjo também partiu, desaparecendo do quarto e deixando um farfalhar de asas para trás.

Hannah havia ficado no hotel para assegurar que Mia, Claire e Natalie permaneceriam dormindo e, portanto, protegidas de tudo aquilo. Mas ela não estava sozinha ali.

Outros anjos encontravam-se no pequeno hotel e haviam possuído os poucos hóspedes e alguns funcionários bem antes de Castiel, Bobby, os Winchester e suas esposas chegarem na ilha.

Em outras palavras, os caçadores e o anjo haviam pensado nos mínimos detalhes e montado um verdadeiro esquema de segurança no local. Tanto para proteger Mia, Natalie e Claire do que poderia acontecer nas proximidades, como para impedir que elas fossem atrás deles, caso conseguissem acordar.

Hannah tinha certeza que Natalie e Claire permaneceriam como estavam até que ela ou outro anjo as despertassem. Mas Mia a preocupava. Castiel podia ter conseguido prendê-la naquele sonho, mas Hannah sabia que a garota não entregaria os pontos tão fácil e que já tinha contornado situações bem mais complicadas do que aquela.

Resumindo, Mia já havia driblado a morte algumas vezes. O que era um sonho perto disso?

Sendo assim, Hannah designou dois anjos, Jael e Zaniel, para cuidarem pessoalmente de Natalie e Claire, enquanto ela ficaria ao lado de Mia. Não para velar pelo seu sono, mas para se certificar de que ela continuaria dormindo até segunda ordem.

Embora não concordasse com a decisão de Castiel, Hannah manteve-se ali, a postos e obediente.

XXX

Na mesma ilha de origem vulcânica onde Castiel, Bobby e os Winchesters já estavam, só que em uma grande caverna a alguns metros da superfície, gotas de água pingavam lentamente das estalactites e faziam as chamas das velas pretas espalhadas pelo chão tremeluzirem constantemente.

O lugar era frio e cheirava a enxofre, em parte porque foi formado há milhões de anos por erupções vulcânicas na região, mas também porque era ali, bem ali, que ficava o portal principal para o Inferno. O portal que, se aberto, desencadearia um efeito dominó pelo mundo e faria o Inferno ascender em toda a parte.

Por algumas aberturas no teto era possível ver o céu escurecendo aos poucos, à medida que o eclipse se formava, e lá fora uma ventania constante percorria a ilha.

Do lado de dentro da caverna, uma bruxa aparentemente jovem, mas que na verdade tinha mais de mil anos, branca, de cabelos negros, compridos e enrolados, com um olhar felino e uma postura firme introduzia uma adaga de bronze na palma da mão esquerda, deixava uma gota por vez cair sobre um ponto específico de um desenho no chão e pronunciava palavras em um dialeto antigo do seu extinto clã.

O desenho no chão era um enorme círculo feito com uma espécie de giz na cor branca. Dentro dele, cada ponto recém molhado pelo sangue de Brianna representava um portal do Inferno e sua respectiva localização no mundo. Em torno dele, as velas pretas dividiam espaço com algumas ervas-daninha estrategicamente postas ali no começo daquele dia.

Incomodada com a ardência de mais um corte em sua mão, Brianna fechou os olhos com força e sibilou mais uma parte do feitiço.

Quando tornou a abrir os olhos, percebeu que tinha companhia. Sawyer, a cabeça do exército de demônios, havia entrado sem que a bruxa o visse, se escorado em uma das paredes, cruzado os braços e exibia um sorriso cínico no rosto.

— Dia ruim? — provocou.

— Eu só quero que isso termine logo — retrucou Brianna, enfiando a adaga na palma da mão novamente, forçando o sangue a pingar em mais um ponto do desenho e pronunciando mais uma parte do feitiço.

Sawyer se regozijou com o gemido abafado que ela soltou inevitavelmente ao repetir aquele procedimento e recomeçou:

— Você é a última bruxa do seu clã, Bri. Acha mesmo que o Rei vai te deixar ir embora assim ou que você terá alguma chance no novo mundo que está para nascer? Ou morrer... Eu não sei ao certo.

Irritada com a pergunta, Brianna o fuzilou com o olhar e frisou:

— Crowley e eu temos um acordo. Eu o ajudo nisso, ele me deixa em paz no final.

Antes que o líder do exército abrisse a boca para provocá-la novamente, as chamas das velas tremeluziram mais forte e o Rei do Inferno entrou na caverna, caminhando com segurança e dizendo:

— E eu sempre cumpro os meus acordos, não se preocupe, querida. — Enquanto Sawyer endireitava a postura, Crowley parou diante da bruxa, olhou para o desenho no chão e observou: — Humm... Veja só, o nosso mapa mundi está quase completo. Falta muito? O eclipse já começou e você tem um deadline a cumprir, só para lembrar.

Com raiva de si mesma por ter sido capturada por Crowley há algumas semanas e ficado naquele beco sem saída, Brianna engoliu em seco, controlou a raiva e, como não tinha outra escolha, prosseguiu com a sua parte do acordo.

Quando ela pingou o seu sangue no último ponto do desenho, que representava aquela caverna, e pronunciou a última parte do feitiço, as chamas das velas tornaram-se mais altas por alguns instantes e Crowley sorriu discretamente e com satisfação.

A ideia de expandir o Inferno o animava consideravelmente, pois era o início de uma nova era na qual ele reinaria absoluto e seria ainda mais temido, não só entre os demônios, mas por todo o mundo. Era o sonho de qualquer demônio e Crowley não era imune ao orgulho.

Além disso, com mais demônios espalhados por aí seria fácil localizar a misteriosa base onde os Winchesters se escondiam e arrancar Mia de lá pelos cabelos.

Crowley, que tinha planejado tudo para que a garota fizesse parte daquilo e se tornasse o seu braço direito algum dia, sentiu-se traído quando ela simplesmente fugiu há algumas semanas. Com certeza, àquela altura, Mia já havia recuperado a sua memória e o odiava ainda mais.

Ou seja, não havia mais um futuro em comum para eles e Crowley sabia disso. Infelizmente, ele sabia também que se deixou levar por um resquício de humanidade em sua alma corrompida, por lembranças de um filho que teve quando andava entre os vivos e pensou que ter alguém ao seu lado, uma espécie de filha, para liderar o inferno consigo, seria bom para os negócios e para si mesmo.

Entretanto, agora Crowley estava convencido que Mia tinha sido um erro desde o começo. Ela não era boa o suficiente para aquilo, ela nunca mereceu aquilo e tudo o que ele fez por ela, todos os poderes que lhe deu... Quanto tempo perdido e ingratidão.

Por tudo isso, a única coisa que restava a se fazer era eliminá-la de uma vez por todas. E desta forma, Crowley também se vingaria de Castiel, já que o anjo atrapalhou os seus planos para Mia desde o princípio com aquele romance patético e inconveniente.

— Senhor? — a voz de Sawyer despertou Crowley prontamente de tais pensamentos.

Depois de disfarçar o quanto ficou distante, o Rei do Inferno voltou a fitar Brianna e perguntou incisivamente:

— Do que você precisa agora, Sweetie?

Estranhando a forma como o demônio a chamou — ainda mais porque Crowley pareceu ter dito aquilo sem querer e ficado incomodado com a própria atitude —, a bruxa respondeu:

— Das 666 almas.

Lembrando-se de todos os 666 pactos firmados nos últimos meses à duras penas — porque, além de tudo, Mia tinha sido péssima em prospectar novos acordos enquanto esteve com ele —, Crowley anunciou:

— Serão ceifadas agora mesmo.

Em seguida, Crowley se preparou para assobiar para as dezenas de Cães do Inferno que encontravam-se ocultos na caverna, fazendo uma espécie de segurança do lugar e impedindo que Brianna tentasse fugir de alguma forma.

A intenção dele era enviar parte das bestas infernais para cada local onde havia uma pessoa que vendeu a própria alma. A intenção de Crowley era recolher todas essas almas, já que elas eram ingredientes essenciais para aquele feitiço.

Portanto, nunca foi sua intenção conceder dez anos de sobrevida a cada uma daquelas pessoas. Tudo não passou de um plano para o momento em que ele precisaria delas. E o momento havia chegado.

Mas quando seis demônios do exército adentraram a caverna, segurando Sam e Dean completamente rendidos e um tanto atordoados, tudo o que o Rei do Inferno fez foi virar-se na direção deles e cumprimentá-los com cinismo:

— Hello, boys. Eu estava mesmo me perguntando quando vocês iriam aparecer para tentar salvar o mundo. Mas eu tenho que dizer que entrar pela porta da frente não foi nem um pouco inteligente. Eu estou desapontado.

Notas finais
Eita! E agora? Quem poderá nos defender? Espera... Se Bobby, Castiel, Sam e Dean estão na ilha, por que só os irmãos foram capturados? Mia conseguirá acordar? E suas colegas? O que vai acontecer agora? E que papo é esse de 666 pactos sendo cobrados assim de repente não mais que de repente???? Pois é, pois é, pois é. Lembram que no começo da fic, a Mia estava no lado negro da força, ajudando o tio Crowley a conseguir pactos? E que ela até conseguiu alguns para os demônios de encruzilhada? Pois então, era para isso. Eu lembrei daquele lance do poder das almas, que foi abordado na 6 temporada, e resolvi me inspirar. Mas será que essas 666 pessoas irão receber as visitinhas dos cães do inferno ou ainda há esperança? E a bruxa Brianna? O que acharam da nova personagem? E da aparição do King of Hell? E dessa despedida Miastiel? Será mesmo o fim? Um ponto sem volta? Tanto para eles, quanto para os outros casais? O que eu vou aprontar? Palpites? Oi? Bem, espero que, apesar dos pesares, tenham curtido o capítulo, Tentarei não demorar com o próximo, okay? Beijos e não se esqueçam das reviews! PS: Para quem ainda não viu, eu estou participando do desafio deste mês e escrevendo sobre SPN!!! A fic é esta aqui ô: https://fanfiction.com.br/historia/649779/TheFamilyBusiness/ PS2: Ainda não vi o primeiro episódio da 11 Temporada, então se você viu e está doidinho ou doidinha para soltar um spoiler, não faça isso comigo kkkkkkkkkkk Eu choro!