Ascensão Infernal
26 A Ascensão
Notas iniciais
Atônitas. Eram assim que Mia e Hannah estavam enquanto observavam a ilha vulcânica e distante pela janela do quarto do hotel.
Novos tremores mais fortes sacudiram o lugar e repercutiram em todo o arquipélago. Era possível ouvir alarmes soando ao longe, provavelmente porque as autoridades pensaram que aquilo era um terremoto comum e queriam alertar os habitantes para a possibilidade de desmoronamentos e tsunamis.
Obrigando-se a despertar daquele estado de choque, Mia voltou-se na direção de Hannah e pediu aflita:
— Me mande para a ilha. Agora.
Imediatamente, a anjo discordou:
— De forma alguma. O meu trabalho é te manter a salvo enquanto Castiel...
— Que se dane o seu trabalho! E ele! — esbravejou Mia, nervosa e inconformada com tudo aquilo. — O mundo indo para o buraco e você ainda está preocupada com as ordens que recebeu daquele imbecil?
Hannah hesitou um pouco ao ouvir isso e pensou em atender o pedido da caçadora. Pensou em ir até a ilha também e descobrir o que estava acontecendo lá, mas rapidamente descartou essas ideias e respondeu firmemente:
— Desculpe, Mia, mas eu não posso.
Decepcionada, a garota riu sem humor e tentou outra coisa:
— Será que você pode pelo menos me dizer onde Natalie e Claire estão? Porque algo me diz que não foi só o idiota do Cas que resolveu bancar o machista superprotetor para cima de mim. Eu estou certa?
Hannah abriu a boca para responder, mas antes que fizesse isso, Mia percebeu algo no semblante dela que lhe fez ter certeza que Sam e Dean também haviam tido aquela brilhante ideia. Então, ela riu sem humor mais uma vez e pediu:
— Você pode acordar as duas, por favor? Ou terá que ser do meu jeito? — Ao notar certa indecisão no olhar de Hannah, Mia insistiu um pouco mais calma: — Olha, não importa o que você combinou com o Cas, está bem claro para mim que as coisas não saíram como o planejado. E eu não sei o que vai acontecer na sequência, muito menos se alguém vai conseguir impedir isso, mas aquelas duas têm o direito de saberem que o mundo está à beira de um colapso, Hannah. Deixá-las de fora disso é cruel e desnecessário à essa altura do campeonato. Então, por favor, acorde-as. Por favor.
Hannah pensou por um instante e vendo que a caçadora tinha razão naquele ponto, permitiu-se questionar as ordens de Castiel, já que o plano inicial não previa a ascensão infernal acontecendo de fato.
Mia estava certa, Claire e Natalie tinham o direito de saberem o que estava acontecendo. E a anjo não queria ser pessimista, mas havia uma chance daquela ser a última vez que elas poderiam fazer isso, abrir os olhos e fitar o mundo.
Os próximos minutos eram incertos e desanimadores para o futuro. Não havia tempo para hesitação, apenas para desobediência. E por tudo isso, Hannah tomou a sua decisão. Ela desobedeceria.
XXX
Enquanto isso, Castiel olhou para o topo da caverna e viu todas as almas usadas naquele maldito feitiço flutuando juntas e em círculos, enquanto o desenho no chão do lugar começava a rachar depois de inúmeros tremores que haviam acontecido ali nos últimos segundos.
— O que você fez? — indagou o anjo retoricamente e atônito, enquanto encarava Crowley poucos metros a sua frente, ao lado de Brianna que estava visivelmente atordoada.
Neste momento, Sam, Dean e Bobby finalmente chegaram na caverna. E Crowley aproveitou a presença de todos eles para responder cheio de si:
— O que eu sempre faço. Eu venço porque eu sou o Rei do Inferno, bitches.
Ao ouvir isso, Sam não pensou duas vezes, empunhou a Colt, mirou em Crowley e a engatilhou.
— Sério, Samantha? Depois de tudo que nós vivemos? — debochou Crowley, e com um simples gesto lançou o caçador contra uma parede com uma força descomunal, fazendo a arma escorregar de sua mão e lhe arrancando um gemido de dor.
— Sammy! — preocupou-se Dean, correndo até ele e se abaixando, enquanto o mais novo sentava e se recompunha.
— Eu estou bem, eu estou bem — assegurou Sam, disfarçando uma careta de dor e engolindo em seco.
Pouco convencido disso, mas sabendo que qualquer minuto ali era crucial, o Winchester mais velho virou-se rapidamente e tateou o chão até encontrar a Colt. Com a mesma rapidez, ele se levantou e apontou a arma para Crowley, preparou-se para atirar, mas novamente o demônio foi mais rápido, moveu a mão rapidamente e com isso fez a Colt voar e bater com força contra outra parede antes de cair no chão, visivelmente danificada.
Em seguida, o Rei do Inferno olhou para Dean e com mais um gesto, o arremessou contra outra parede da caverna.
Diante disso, Bobby sentiu o seu sangue ferver nas veias e resolveu partir para cima do demônio com as armas que possuía. No caso, com duas facas contra demônios. Talvez elas não fossem páreo para Crowley, mas no momento, Bobby não deu a mínima para isso e decidiu apostar nas fichas que tinha e arriscar.
Contudo, ele não chegou a golpear o Rei do Inferno com nenhuma das facas pois antes que conseguisse se aproximar o suficiente, um novo tremor foi sentido e se espalhou pelo lugar abruptamente, fazendo pedaços de rocha se soltarem e caírem por toda a parte.
Numa tentativa de se proteger dos escombros que caíam, Bobby acabou se desequilibrando, bem como Brianna que ainda foi atingida por pedaços de estalactites que despencavam do teto. Novas rachaduras surgiram pelo desenho no chão e a caverna sacudiu com força.
Prevendo o que iria acontecer ali, Brianna alertou enquanto se levantava:
— Este lugar vai vir abaixo, nós temos que sair daqui!
— Obrigado por avisar, querida — agradeceu Crowley ironicamente, estalando os dedos, pronto para sair pela tangente como sempre fazia em situações assim.
— Não! — exclamou Castiel, dando um passo em sua direção e segurando o demônio pelas lapelas do seu terno preto no último instante.
Em um piscar de olhos, os dois haviam sumido da caverna que novamente estremeceu violentamente, derrubando mais rochas e pedaços de estalactites pelo chão.
Castiel e Crowley foram parar do lado de fora, a certa distância da caverna, e assim que percebeu que o anjo havia o impedido de sair da ilha, o demônio o empurrou e conseguiu se desvencilhar.
Sem se intimidar e relembrando todos os acontecimentos que culminaram naquele momento, Castiel questionou:
— Tudo o que você fez a Mia, todo o sofrimento que causou a ela, a todos nós e agora isso... Você acha mesmo que eu vou te deixar fugir assim?
— Eu não estou fugindo, Castiel — assegurou o Rei do Inferno. — Eu só quero estar por perto de cada portal espalhado pelo mundo quando eles se abrirem um a um, já que aquele na caverna vai fazer essa ilha ir pelos ares em poucos minutos.
Inconformado e disposto a fazer qualquer coisa para interromper aquela loucura, Castiel deu alguns passos a frente, mostrou suas enormes asas negras por um instante, novamente segurou Crowley pelo terno e avisou a poucos centímetros do seu rosto:
— Qual parte de eu não vou te deixar fugir você não entendeu, Crowley?
Como resposta, o Rei do Inferno semicerrou os olhos e o desafiou:
— Eu não tenho tempo para isso agora, Cas, mas... Eu estou curioso. Como exatamente você pretende me impedir? Você não conseguiu me impedir até agora, então...
Um soco forte e certeiro em seu maxilar fez Crowley cambalear para trás meio zonzo e definitivamente surpreso. Antes que ele pudesse se recompor ou tentar escapar de novo, Castiel deslizou sua espada angelical pela manga do sobretudo, segurou-a com força e tentou desferir um golpe mortal contra aquele que era, sem dúvida, o seu maior inimigo.
Entretanto, antes que a lâmina sequer tocasse a garganta de Crowley, ela foi lançada longe, fazendo o anjo franzir o cenho, visivelmente confuso, pois não parecia que ela havia sido arremessada pela força demoníaca que o Rei do Inferno possuía, mas sim por algo... Diferente e que emanava dele. Como um escudo.
Prontamente e fingindo certo tédio, Crowley explicou:
— Um feitiço de proteção da Brianna. Nenhuma espada angelical pode me ferir. Eu sabia que você e os seus amiguinhos iriam aparecer em algum momento, então me protegi disso e daquelas facas contra demônios também, caso você esteja pensando em usar alguma delas em mim. Agora, se você me dá licença...
Quando Crowley fez menção de estalar os dedos novamente, o outro foi mais rápido e colocou a mão sobre a cabeça dele, usando assim os seus poderes de anjo contra o demônio que urrou de dor e caiu de joelhos no chão desregular e pedregoso, aos pés de Castiel que imediatamente provocou:
— Eu ia perguntar se você se protegeu disso também, mas eu acho que você acabou de responder.
Castiel já havia matado muitos demônios assim, principalmente no período antes do apocalipse, mas ele sabia que Crowley era um filho da mãe mais forte do que as buchas de canhão que ele despachou daquela maneira.
Mesmo assim, ele resolveu tentar. E continuou tentando enquanto o Rei do Inferno gritava e seus olhos e garganta se iluminavam por uma cor alaranjada.
XXX
Enquanto Castiel tentava matá-lo e os outros anjos lutavam com os demônios comuns que tinham sobrado na ilha, dentro da caverna que voltou a tremer, Dean segurava Brianna contra uma das paredes e exigia aos berros:
— Como nós paramos isso?! Como?! Responda!
— Não tem como parar! — a bruxa gritou de volta com uma raiva latente, afinal independentemente das circunstâncias, ela ainda estava diante de caçadores. E bruxas e caçadores não costumavam ser melhores amigos. — Pelo menos, eu nunca ouvi falar em uma forma de reverter isso. O que está feito, está feito — expôs. — Agora nós temos que sair daqui! Esse lugar vai desmoronar, seu idiota! Me solta! — reiterou aos gritos, sem se intimidar com o olhar raivoso de Dean Winchester.
No fundo, ele só estava assustado com o que estava acontecendo ali e com a sensação de impotência. Brianna sabia disso. E no fundo, ela também estava com medo e só queria fugir daquela ilha e se esconder nos confins do mundo, em algum lugar onde ficasse a salvo da ascensão infernal.
— Dean! — chamou Sam, enquanto carregava Bobby meio zonzo na direção da saída. — Ela está certa, esse lugar...
O Winchester mais novo não teve tempo de concluir, pois antes disso o desenho no chão se abriu completamente e começou a expelir um tipo de fumaça vulcânica. O lugar inteiro tremeu novamente e Brianna aproveitou que Dean se distraiu com isso para se desvencilhar e correr em direção à saída.
Imediatamente, ele também se pôs a correr, enquanto protegia o rosto da fumaça tóxica que se espalhava rapidamente pelo interior do lugar e desviava dos escombros que caíam por toda a parte.
Então um baque surdo e um grito agonizante fizeram Dean deter o passo por um momento e olhar para a bruxa caindo no chão, a poucos metros dele.
A pedra pontiaguda e pesada que atingiu a cabeça de Brianna rolou para uma fenda recém aberta, mas o caçador estava focado demais olhando a quantidade exorbitante de sangue que escorria de um ferimento profundo em sua têmpora direita e em seu olhar vacilante para prestar atenção no resto.
Logo, o mesmo olhar se tornou estático, a bruxa cessou qualquer movimento, engoliu o último gemido de dor e deu o seu último suspiro.
— Dean! — Sam chamou novamente, despertando o irmão daquela cena e o fazendo se movimentar em direção à saída novamente, deixando o corpo inerte de Brianna para trás.
A última coisa que Dean viu antes de alcançar o exterior da caverna foi uma quantidade considerável de lava sendo expelida com força da abertura no chão.
No instante seguinte, ele, Sam e Bobby se desequilibraram com um tremor que sacudiu toda a ilha e caíram. E ainda caídos no chão pedregoso, eles assistiram a caverna vir abaixo pouco a pouco, deixando apenas as 666 almas flutuando no ar e sob o eclipse que começava a se dissipar.
XXX
Pouco antes disso, no quarto de Claire e Sam no hotel, Natalie, recém acordada, andava de um lado para o outro do recinto e repetia sem conseguir acreditar no contrário:
— Não... O Sr. Awesome jamais faria isso comigo. Jamais! Ele não fez isso. Ele não mentiu para mim, não me enganou e não me colocou para dormir como se eu fosse uma donzela em perigo!
Sem saber o que dizer, Mia trocou um rápido olhar com Hannah e com mais dois anjos que estavam ali. Em seguida, ela voltou a atenção para Claire, sentada na cama ao seu lado, tocou a sua mão suavemente e perguntou:
— Tem certeza que você está bem?
Com um olhar vazio e distante, no fundo ainda tentando assimilar o que Mia havia lhe explicado momentos antes quando Hannah a acordou daquele sono sobrenatural, a filha de Bobby respondeu:
— O feitiço se foi. Eu não sei o que eles fizeram, mas o feitiço se foi. Eu me sinto ótima. Fisicamente ao menos.
Mia sabia o que aquilo significava. Claire estava bem fisicamente, era um alívio no meio daquele pesadelo, mas estava tão magoada com Sam quanto ela estava magoada com Castiel.
— Eu vou matar o Sr. Awesome! — gritou Natalie tomada pela raiva e pela mágoa também. — Ele não podia ter feito isso! Aquele... Aquele... Eu vou matá-lo!
Depois de respirar fundo e pensar por um instante, Mia ponderou:
— Eu acho que o exército foi destruído. Por isso o feitiço que o Crowley lançou na Claire perdeu o efeito. Não dá para negar que pelo menos uma coisa certa aqueles idiotas fizeram.
— Não importa! — Natalie esbravejou, parando diante das duas na cama. — Eles mentiram para nós, nos enganaram, nos deixaram de fora e, mesmo que tenham feito uma única coisa certa, a ascensão infernal está acontecendo neste exato momento! E nós estamos aqui! Presas nesse maldito hotel enquanto o mundo vai para o buraco!
Imediatamente e deixando uma decisão ganhar força dentro de si, espantando temporariamente a raiva que sentia de Sam, Claire se pôs de pé e questionou:
— E o que nós estamos esperando para ir até lá? Nós temos que ir até a ilha e...
A filha de Bobby não terminou o raciocínio, já que antes que o fizesse, um tremor maior que os anteriores foi sentido por toda a parte.
Perplexa, ela se juntou a Mia e a Natalie quando as duas correram até uma das janelas. Hannah veio logo atrás, junto com os outros anjos.
E então todos assistiram lavas sendo expelidas de algum ponto da ilha vulcânica, ao mesmo tempo em que uma nuvem de poeira, causada pelo desmoronamento da caverna, se espalhava por ela rapidamente.
— Isso não é bom — sibilou Mia, em choque e engolindo em seco. — Nem um pouco bom.
Prevendo o que a garota e suas amigas diriam a seguir, Hannah adiantou-se:
— Não existe a menor possibilidade de eu mandá-las para aquela ilha agora.
Resignadas, as caçadoras voltaram a observar o cenário apocalítico pela janela. E uma coisa elas não podiam negar. Por mais que estivessem profundamente desapontadas com os maridos e mesmo com Bobby, naquele momento, tudo o que elas queriam era que eles voltassem. Sãos e salvos. Só queriam ter certeza que eles estavam bem. Mas não tinham. Não havia como ter tal certeza.
XXX
Um pouco debilitado pela força com que usou seus poderes contra Crowley, Castiel cambaleou quando a ilha tremeu daquele jeito abrupto e a caverna desmoronou, espalhando lavas e poeira pelo ar.
Em seguida, quando o anjo se distraiu por um instante vendo tudo aquilo, o demônio aproveitou para se desvencilhar dele e se levantou meio trôpego.
Crowley não tinha condições de lutar contra Castiel naquele momento, então tudo o que fez foi estalar os dedos e deixar palavras soltas no ar antes de desaparecer:
— Diga a Mia que eu não me esqueci dela. Eu nunca vou. Eu vou voltar e terminar a nossa conturbada história. É uma promessa.
— Não! — gritou Castiel, dando um passo à frente e tentando impedir que o Rei do Inferno fugisse.
Sem sucesso, o anjo olhou para o lugar vazio à sua frente e praguejou baixinho. Mas logo um novo tremor chamou a sua atenção e ele voltou o olhar para o que sobrou da caverna.
Então, Castiel viu Sam, Dean e Bobby se erguendo do chão e o último demônio ser morto por um anjo perto deles.
Na sequência e como se tudo tivesse ficado em câmera lenta, ele viu a primeira fumaça negra e demoníaca escapar pelo portal aberto por Crowley com a ajuda daquela bruxa, serpentear pelos escombros da caverna e se lançar pelo céu, pelo horizonte, rumo à outras ilhas da região. Ilhas habitadas.
Aquele foi apenas o primeiro demônio liberto pela ascensão infernal. Na sequência, dezenas de outras fumaças negras cruzaram o portal e ganharam o mundo. Centenas talvez...
Castiel perdeu a conta em dado momento, pois mais e mais demônios eram libertos, serpenteavam pela ilha e cruzavam o céu a toda velocidade, desaparecendo na sequência, indo sabe-se lá para onde, indo para toda parte.
Atônito, mas disposto a fazer qualquer coisa para parar aquilo de uma vez por todas, ou morrer tentando, o anjo voou na direção do portal.
Sam, Dean e Bobby o seguiram, mas nenhum deles conseguiu se aproximar muito ou fazer qualquer coisa. Antes que se aproximassem demais do local, um clarão súbito e intenso os cegou por um momento, inclusive Castiel que protegeu o rosto com uma das mãos.
O misterioso clarão abafou qualquer barulho, ruído, som em torno deles. Era como estar dentro de uma bolha de luz, calor e poder. Sim, havia muito poder ali. Um tipo de poder que Castiel já havia presenciado antes.
Sem entenderem nada do que estava acontecendo ali, os caçadores e o anjo estreitaram os olhares e conseguiram distinguir as almas que haviam sido usadas naquele insano feitiço. E todas elas estavam ascendendo ao céu, ao Paraíso, lentamente, uma a uma, até não restar mais nem uma delas ali, como se tivessem sido libertadas e guiadas por algo. Por alguém. Alguém poderoso.
Em seguida, o clarão foi diminuindo aos poucos e o som em volta foi retornando. Contudo, Sam, Bobby, Castiel e Dean continuaram confusos. Perplexos. E surpresos diante da figura conhecida que surgia em meio a nuvem de poeira remanescente e aos escombros da caverna.
Figura essa que eles não viam há muito tempo. Figura essa que eles acreditavam ter sucumbido ao apocalipse. Mais precisamente em uma luta contra o próprio Lúcifer. Figura que morreu como um herói, mas que agora ressurgia das cinzas como o típico Trickster que era. Que nunca deixou de ser, pelo visto.
Perplexos, os quatro viram Gabriel dar alguns passos à frente, parar sobre um amontoado de pedras e mover as sobrancelhas divertidamente enquanto os encarava por alguns instantes, como se a sua presença ali fosse a coisa mais natural do mundo ou como se estivesse se divertindo com o assombro dos velhos conhecidos.
Por fim, ele finalmente rompeu o silêncio, gesticulando de um jeito meio exagerado e... Brincalhão:
— E está escrito que será assim... Se o Inferno um dia ascender, somente um arcanjo poderá fechar o portal da morada do capeta. E adivinhem, só? Eu sou o único e último arcanjo disponível no mercado! Isso sim é o que eu chamo de dia de sorte, hein, rapazes? A propósito, não precisam me agradecer. Eu sei que eu sou demais!
Os caçadores e Castiel se entreolharam sem conseguirem esboçar qualquer reação. Outros anjos se aproximaram um pouco, pararam perto deles e fitaram o irmão dado como morto, igualmente atônitos com o seu impensado retorno.
Mas uma coisa, uma única coisa era certa. De fato, o portal do Inferno havia mesmo se fechado.
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