Asas Malditas
18 Capítulo 18 - Mirrors
Notas iniciais
O beco era escuro, sombrio e gelado. O vento atravessava as vitrines vazias das lojas velhas e fechadas, trazendo o cheiro úmido e fresco de chuva. Pequenos pingos tocavam nas poças de água que estava na rua de tijolos velhos e gastos. Olhava em frente, para um abismo escuro e profundo. Quanto mais andava mais lojas velhas e sujas apareciam, vazias e fechadas. Então em uma fração de segundo apareceu uma parede de tijolos que separava dois caminhos, sem placas com nada escrito nos lados nem em cima, nada. Apenas uma pena preta a direita e uma pena branca a esquerda, a escolha era tentadora e ao mesmo tempo perigosa. "É apenas um sonho" pensei "nada vai acontecer de mal". Escolhi o caminho a esquerda de pena branca, quanto mais me aproximava mais a pena branca se escurecia, começou a ficar preta. Entrei no beco da pena branca que agora havia ficado preta, escura e sombria. Olhei para atrás e uma parede de tijolos gastos surgiram bloqueando a mudança de caminho, se eu havia escolhido esse então vai ser este.
Peguei a pena que tinha o tamanho de meu cotovelo ao meu punho, sentia que a pena era dura e rígida quase impossível de ver os fios da pena. Fiquei imaginando como alguém conseguiria arrancar essa pena tão forte... Meus passos ecoavam no beco, com o tempo foi virando um túnel com canos pingando água gelada, o vento começou a se afastar trazendo um bafo quente.
O túnel ficou maior lembrando uma garagem subterrânea, andei em frente com a pena nas mãos. De repente o túnel foi ficando menos e a parede de tijolos se aproximando bloqueando qualquer escapatória. Comecei a apertar o passo e cheguei a uma porta branca no final do túnel com uma maçaneta dourada, peguei a maçaneta e girei para direita. Um brilho branco vez fechar os olhos iluminando tudo, entrei na sala e vi meu reflexo repetindo-se em vários espelhos a porta havia sumido substituído por um espelho refletindo tudo. Estava em todos os cantos e a luz foi apagada, o escuro e o frio voltou. Meus olhos forçavam a vista mais não conseguiram captar nada.
Uma luz fraca iluminou o espelho de onde estava a porta, Peter estava apoiando de joelhos com as asas erguidas com algumas penas faltando. Me aproximei e a ajoelhei junto a ele com os olhos a altura dos olhos dele, juntei meu nariz a seu reflexo e cerra os punhos e é puxado para atrás soltando um grito sufocante. Tomo um susto e me afasto, ele bate com força no espelho. Vejo alguma pessoa com uma pena branca na mão, essa pessoa se aproxima e vejo meu cabelo castanho e meus olhos marrons escuros. Mais estavam avermelhados e minhas mãos com sangue. Era eu...
– Não!
Gritei quando o Eu do outro lado puxou mais uma pena das asas de Peter fazendo ele gritar. Os olhos de Peter olham para o meus parecendo que sabe que estou alí, ele solta uma lágrima e percebo seus olhos brancos. Completamente brancos.
– Não Peter, não é real!
Encostei as mão com as suas, mas só sentia o frio do espelho. A imagem se repetiu em todos os espelhos e os gritos do Peter ecoavam e se repetiam.
– Não! Não é real! Mandem eles pararem! Parem!
Gritei me ajoelhando e tampando os ouvidos vendo as cenas se repetirem e repetirem. O grito começou a se juntar ao meu.
– Não é real! Por favor, parem!
Me debatia no chão e cerrei os punhos e me levantei. Comecei a bater no reflexo de Peter que gritava sem parar. Meus punhos começaram a sangras mais não conseguia parar, não queria parar até chegar a Peter.
Dei meia volta na sala e fechei as mão e gritei:
– Não!
Vi os meus olhos vermelhos antes de tudo se partir em partículas mínusculas fazendo o branco e o preto se misturarem em um só. O sonho foi se despedaçando até acabar.
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