Notas iniciais
Minha autoria.Proibido plágio.

“O que diabos eu estou fazendo aqui?” Perguntei-me mentalmente, tentando encontrar alguma lucidez nos meus atos. Entretanto a minha mente me ignorou totalmente. Como se discordasse de que tudo isso era insano.

Mas o que era insano pra mim? Eu era um Ocinatas. A insanidade era apenas uma parte de mim, um complemento do meu eu geral. Tal como várias outras coisas, ora ocultas nos mortais, ora explicitas. De algum modo eu só estava cedendo aos meus instintos. Meu pai sempre me glorificou, por ter esse meu gênio tão forte e egoísta.

Sorri disfarçando o ódio que me corrompia por estar perdendo meu precioso tempo comigo mesmo, tentando debilmente encontrar sanidade nos meus atos. Como se eu precisasse disso.

Felizmente o tempo, corria diferente pra nós dois. O que me pareceram horas longas e arrastadas, pra ela não tinha completado um segundo. Imaginei que ela deveria estar se perguntando o porquê de eu ser tão rápido, mas quando olhei seus olhos negros, percebi que ela se perguntava o que eu estava fazendo ali perto dela. Algo que eu também não entendia, mas não posso questionar meus instintos.

--- Quer um pouco de ponche? – Ergui a taça que estava entre meus dedos. Ela mantinha a expressão assustada. O rosto mais pálido que o normal, os olhos negros arregalados, e a pequena boca vermelha, aberta em um pequeno O de espanto. – Eu posso pegar, se você quiser. – Apontei com o dedo sobre o ombro, para o salão atrás de mim. O som da festa ecoava por todo o quarteirão.

Ela pestanejou os cílios grossos e negros, voltando a si. Fez que não com a cabeça, dando as costas pra mim.

“Talvez fosse melhor eu desistir”, pensei. Franzi o cenho praguejando-me por sequer deixar que isso tivesse passado na minha cabeça. É claro que não, eu nunca desistia. O que havia de errado comigo hoje? Eu era um Ocinatas, e isso significava que eu sempre conseguia o que queria.

Lembrei-me de Walquíria. Ela devia estar terminando de limpar o ponche, que propositalmente eu deixei cair em seu vestido branco. Foi o único argumento que encontrei para que minha namorada se afastasse um pouco de mim. E eu me vi sozinho no meio de uma festa preta e branca, o que me deixou bastante excitado.

Meu primeiro ato foi ir atrás da minha cunhada, Mabi. Ela estava tão atraente naquele vestido vermelho longo e justo, que eu me vi com água na boca. Claro que Mabi era minha cunhada, e era de se imaginar que ela me dispensaria. Mas a atração física que eu sentia por ela e tentava a todo custo ignorar, se expandiu quando a vi entrar no salão preto e branco quebrando as regras dos trajes, naquele fabuloso vestido vermelho. Ao seu lado estava Lara, garota na qual eu nunca vira antes. Mesmo assim ela não passou despercebida por mim, com o rosto corado e tímido ao perceber que todas as atenções estavam no seu curto vestido azul, e em Mabi fabulosa ao seu lado.

Infelizmente Mabi já estava acompanhada, ao lado de um cara alto e forte de cabelos pretos espetados. Pensei em várias maneiras de interromper aquele beijo ardente que eles estavam trocando, – e conseguiria facilmente, se tivesse mantido meu plano- mas o meu orgulho falou mais alto que a minha excitação, e vi que jamais aceitaria o resto de outro garoto. Nem mesmo se a garota fosse tão sexy e atraente, como a minha cunhada.

E então eu vi Lara recostada na parede. Ela estava me fitando fixamente, com o olhar de admiração – o que não era de se espantar, é claro. Assim que viu que eu a olhava, ela desviou o olhar, corando rapidamente. Observei enquanto ela seguia para a porta dourada, indo em direção ao jardim. E nem preciso dizer que eu a segui, não é mesmo?

Caminhei tranquilamente pelo gramado verde, não podendo deixar de me sentir um idiota por andar em passos tão lentos e humanos. Era aterrorizante ter que controlar meu instinto, e atuar como um mortal. Os humanos eram tão patéticos.

Lara me olhou cautelosamente, quando pousei ao seu lado. Fingi olhar a lua cheia.

--- Porque te chamam de Jatobá? – ela me perguntou. Me senti triunfante, por ela ter iniciado uma conversa. Claro que eu não havia descartado a possibilidade de ser dispensado, afinal de contas Lara era prima de Walquíria. E até onde eu sabia, elas eram muito ligadas.

Então talvez eu estivesse no caminho certo.

--- É o sobrenome da minha mãe. – Falei sem prestar atenção no que eu dizia.Meu olhar subiu de seus tornozelos expostos, até suas pernas graciosas e seu vestido justo, azul marinho. Seu rosto era pequeno e pálido, em formato de coração. Ela tinha longos cabelos louros, caindo em cachos até a cintura. Entretanto a raiz do seu cabelo era negra. Talvez seus cabelos fossem tingidos. Mas que diferença isso fazia pra mim? Lara era uma garota atraente. – Eu sou o único que não tem Jatobá no nome. Por isso me apelidaram assim.

Dei de ombros. Meus olhos focalizaram dentro dos seus. Ela hesitou. Vi o reflexo dos meus olhos azuis da cor do mar, refletidos na sua íris. Lara estava deslumbrada. Isso era um grande ponto ao meu favor.

--- A propósito, você é linda. – elogiei-a, mordendo o lábio inferior com força.

Vi-a engolir a seco. Ouvi o barulho do seu coração se acelerando com batimentos irregulares. Sua respiração ficou mais rápida. Não pude conter o meu coração, que também se acelerou de excitação.

--- O-obrigada — Ela gaguejou. Senti que ela estava hesitante. Suas mãos tremiam

O cheiro do seu medo encheu minhas narinas. Ela estava balançada. O seu olhar vacilou, quando encontrou com o meu novamente. Separei meus lábios. Agachei-me no gramado, deixando a minha taça no chão, e voltei a ficar de pé. Era hora de atacar.

Segurei sua nuca, sentindo o calor da sua pele formigar os meus dedos. Ela não se debateu, nem afastou minha mão. Lara apenas me olhou por um segundo e depois deixou as pálpebras caírem com um gemido fraco e baixo demais para que qualquer mortal que estivesse em meu lugar, não conseguisse escutar. Mais eu escutei. E não pude conter um sorriso triunfante em meus lábios.

Minhas mãos se apertaram com mais força em volta da sua nuca e colando seu corpo fraco e frágil perto de mim. Seus batimentos eram mais fortes agora. Envolvi minha mão ao redor da sua cintura, me deliciando ao encontrar seus lábios molhados.Beijei-a devagar, apreciando cada segundo do seu hálito quente e doce e de seus pequenos lábios molhados e gentis. Ela respondia meu beijo com ternura, envolvendo suas mãos nos meus cabelos e ficando na ponta dos pés para me beijar.

O beijo era tão intenso e tão doce ao mesmo tempo. Levantei-a no ar, jogando-a contra o muro de pedra a nossa frente. Dominei todo o seu pescoço, descendo por sua clavícula e depois subindo pelo seu queixo e suas orelhas. Ela gemia de prazer no meu ouvido à medida que eu a mordia, apertando suas mãos nas minhas costas e me juntando mais e mais contra ela. Isso era tão bom. Era quase como ter asas. No meu caso, asas de sangue.