As aventuras de uma Docete Ciclope
71 Capítulo 66
Notas iniciais

Eu olhava fixo pro Castiel e ele estava com o olhar melancólico.
"O-O que quis dizer com essas desculpas . . . ONDE VOCÊ ESTAVA ?!" eu progressivamente estava me alterando.
"Eu . . . Eu convenci esse cara a te assediar. Eu tava aqui o tempo todo."
Quando o Castiel disse isso eu só conseguir ir pra cima dele e chutar ele com toda a força. Ele caiu no chão segurando o local do chute em silêncio.
" POR QUÊ ?! POR QUE FEZ ISSO ?!" eu gritava, não me importava se iria chamar atenção de outras pessoas, apesar de que havia música alta em todo o ambiente e estavámos BEM isolados de todos.
"Era isso ou ver você definhando até morrer !"
"ME DEIXASSE MORRER !!!" Eu me alterei mais e mais.
"CARA ! EU NUNCA IRIA DEIXAR VOCÊ SE MATAR DESSE JEITO !" Castiel estava me apertando nos ombros a essa altura.
"POIS DEVIA ! EU PREFIRO ISSO DO QUE VIVER MATANDO PESSOAS !"
"PARE DE GRITAR ISSO ! PODE CHAMAR ATENÇÃO DE ALGUÉM !" Ele falou isso tampando a minha boca de uma vez.
"É MELHOR QUE CHAME ! ASSIM ALGUÉM ME MATA LOGO !" Eu realmente estava inconformada.
Não poderia aceitar JAMAIS o fato de que eu "Suguei" a vida de outra pessoa.
Essa pessoa poderia ser o traste do Dakota ou até mesmo o Jade, eu realmente não consigo aceitar isso, não consigo me ver matando nem um criminoso sequer.
"Castiel, eu não sou como você ! Eu não vou aceitar viver sabendo que é as custas de outra pessoa ! E. . . E . . . EU VOU PRESA AINDA POR CIMA !"
"Eu vim pra evitar isso . . . Eu vou sumir com o corpo como sempre faço. Não acha que eu já devia ter sido pego há muito tempo . . . ? O Poison come os corpos . . . " quando ele falou isso eu fiquei meio sem ter o que falar . . . O cachorro dele come gente ? DEUS ! PORQUE EU EXISTO, NA BOA ?!
ALIÁS, PORQUE AINDA ME ESPANTO ?!
Eu não consegui me conter e comecei a chorar.
"Por que fez isso ?! POR QUE NÃO PODE ACEITAR QUE EU NÃO SOU O MESMO MONSTRO QUE VOCÊ ?!"
"CÊ QUER SABER ? EU TAMBÉM NÃO TINHA CORAGEM ! O LYSANDRE QUEM ARMOU TUDO PRA MIM !!" Quando ele falou isso eu me mantive em silêncio . . . Lysandre ? O Lysandre fez o mesmo com o Castiel ?? Tudo bem que ele é astuto mas . . .
"Eu estava prestes a morrer igual a você . . . E o Lysandre não aceitava isso de jeito nenhum . . . Ele pedia pra eu matar alguém todos os dias . . . Exatamente como fiz contigo.
Então um dia ele convenceu com dinheiro um menino a me provocar . . . Lembro até hoje. O garoto não saía do meu pé. Lysandre havia vindo até mim com um canivete, esse mesmo que você usou, dizendo que tinha roubado do irmão mais velho e veio me mostrando como se fosse nada. . . Ele planejou tudo. "Esqueceu acidentalmente" o canivete comigo, e pouco depois esse menino surgiu me provocando até eu não suportar. O garoto me batia, me maltratava, fazia tudo . . . Quando me dei conta eu já tinha matado ele . . . E foi tudo obra do Lysandre.
Inicialmente eu tive ódio dele. Mas depois parei pra pensar e . . . Ele queria me manter vivo. Não posso culpar ele. Nós temos sempre essa mania escrota de querer se sacrificar pelos outros mas ficamos putos quando alguém faz o mesmo pela gente. Pode me odiar, eu não ligo, mas se depender de mim, eu vou continuar a fazer você matar mais gente até que surja uma solução.” ele estava calmo enquanto falava e eu prestava atenção em cada palavra.
Era difícil imaginar que o Lysandre foi tão calculista . . .
Se bem que ele foi a mente por trás do meu sacrifício . . .
Eu definitivamente não o conheço de verdade . . .
"Sinto muito" foi tudo que consegui falar.
Eu realmente não conseguia ter raiva do Castiel. Não depois do que ele falou.
"Quer que eu te acompanhe até em casa ?" Ele dizia segurando meu pulso.
"Não." Eu soltei de uma vez só e caminhei pra longe, deprimida.
Ele não tentou me parar nem nada.
Cheguei em casa escondida, eu não queria acordar meus pais . . . Logo entrei em meu quarto.
Essa noite eu não dormi, não pensei em nada que não fosse "matei uma pessoa".
Eu precisava falar com alguém.
Eu precisava falar com o Armin.
Mas a hora . . . Eu não poderia acorda-lo em plena madrugada . . . Até porque as notas dele já são horríveis, se ele for pro colégio com sono, pioraria tudo. Tudo bem que não acredito que ele esteja dormindo . . .
Fiquei perdida em meus pensamentos até tarde . . .
As horas passavam de forma lenta.
Eu levantava volta e meia e ficava caminhando pelo quarto.
A cena do Dimitri morrendo se repetia inúmeras vezes diante do meu olho, era como se eu estivesse repetindo sempre a mesma coisa.
Eu queria gritar.
Fui pro meu celular tentar fazer algo. Procurei vídeos, procurei textos, nada me tirava aquela imagem horrível da cabeça.
Foi quando eu vi que o Nathaniel estava online e fui correndo falar com ele.
"Eu matei uma pessoa" foi tudo que escrevi.
Em poucos segundos a mensagem foi lida e respondida.
"?????????????????????????????" Foi tudo que ele digitou.
"Eu . . . Estou desesperada. Eu matei uma pessoa. . . "
"Tá onde ?" Nathaniel perguntava.
"Em casa . . . com insônia."
"Estou saindo." só deu tempo de eu mandar ele não ir ao meu encontro, porém, ele não leu.
Eu fiquei agoniada na janela, olhando sem parar, esperando ele aparecer.
Em pouco mais de meia hora ele se encontrava do lado de fora.
Estava do outro lado da rua parando com uma lambretta preta.
Eu tentei descer as escadas sem que ninguém me visse, sem acordar meus pais, porém . . . Meu pai estava na cozinha e me viu.
"ONDE A SENHORITA PENSA QUE ESTÁ INDO ?!" ele falava.
"S-só vou tomar um ar . . . "obviamente ele não caiu nessa.
"Sabe que está de castigo né ? Ou acha que eu não vi a hora que chegou ? Ia deixar pra falar isso de manhã, mas já que está acordada . . . " Eu realmente me assustei, não esperava ganhar esse castigo.
"Desculpe, pai . . .Perdi a hora pra voltar."
"Pois bem, já voltou tarde, pra que quer sair agora ? Volte para seu quarto."
"Não . . . " eu respondi ele. Nunca respondi meu pai na vida . . .
"É o que ?" nesse momento minha mãe surgiu perguntando o que estava acontecendo.
"Nossa filha me respondeu e está tentando sair de novo." ele falava.
"É verdade isso ?" Minha mãe falava com carão pra mim, eu só balancei a cabeça.
"Ela quer sair mesmo depois de ter chego tarde daquele jeito !" ele falava.
"A senhorita não vai a lugar nenhum ! Vamos dobrar seu castigo se continuar com a teimosia ! Suba para seu quarto mocinha." ela falava muito irritada.
"Não vou subir." Eu comecei a caminhar até a porta.
"Meu Deus, com quem essa menina está andando ?" Meu pai falava triste. Minha mãe em compensação veio até mim me puxando.
"BOREAL ! ESTOU MANDANDO, NÃO PEDINDO ! VÁ JÁ PRO SEU QUARTO !"
Eu soltei meu braço de uma vez da mão dela, e gritando eu falei "NÃO VOU ! EU VOU SAIR !" Eu estava com a força dobrada, foi bem fácil.
"O que quer tanto lá fora, posso saber ?!" Ela foi de uma vez na janela e viu o Nathaniel lá parado com a moto.
"Ah, entendi ! Ele é o cara que está estragando minha filha . . . " Minha mãe parecia pronta pra sair e falar com o Nathaniel.
"PARA ! NÃO SE ATREVA A IR FALAR COM ELE !" eu gritava enquanto ela abria a porta. A essa altura o Nathaniel tinha visão de tudo . . .
Meu pai começou a chamar o Nathaniel, e ele, obedecia e caminhava em nossa direção.
"NÃO VEM, NATHANIEL ! TO FALANDO SÉRIO " Nesse momento ele parou, confuso com tudo.
"Mocinha ! Se continuar com essa rebeldia vamos tirar todas suas regalias !"
Foi quando eu gritei com eles enquanto os empurrava.
"FODA-SE ! TIRA TUDO DE MIM ! JÁ ME TIRARAM TUDO DE QUALQUER FORMA !! ARRANQUEM O QUE ME RESTA, TO NEM AÍ !! SÓ QUERO MORRER EM PAZ !" Eu falei isso e corri até o Nathaniel.
Pude ouvir minha mãe desesperada repetindo o "morrer" assustada e em dúvida.
"Nathaniel,l vamos embora AGORA !" eu gritava pra ele já subindo na moto.
Ele pareceu ter hesitado, mas me obedeceu.
Meu pai deu uma pequena corrida até a moto e gritou meu nome algumas vezes . . . Eu não podia ficar perto deles. Não naquele momento.
Nathaniel dirigiu até o outro lado da cidade, a área nobre onde ele morava.
Ele ficou em silêncio, e eu admito que apertei bastante seu tronco enquanto andávamos de moto. Eu estava com ódio, com tristeza, com sentimentos ruins.
Então chegamos na casa dele.
Logo subimos pro quarto dele, gosto da liberdade que temos na casa dele. Os pais dele, apesar de rigorosos, confiam nas decisões do filho.
Entramos em seu quarto e logo ele trancou a porta.
Fui direto pra cama dele me sentar . . .
Ele não falou nada, não fez nada, só ficou em silêncio aguardando o momento que eu tivesse coragem de falar algo. Então finalmente falei.
"Nathaniel . . . Eu matei uma pessoa . . . Eu matei . . . "
Nathaniel parecia não ter o que falar, ele parecia perdido nos próprios pensamentos.
Eu tremia, eu estava histérica . . .
Nathaniel me deixou sozinha por uns instantes no quarto e foi no banheiro buscar algo . . . Ele logo voltou, pegou minha mão e colocou alguns comprimidos nela juntamente de um copo de água.
"Tome isso, você precisa."
"O que é isso ?" eu perguntei apenas por saber, pois confio no Nathaniel.
"São calmantes. Você está muito alterada." Assim que ele falou eu tomei os remédios sem retrucar.
Eu respirava ofegante, eu estava muito nervosa a noite toda, aquilo estava acabando comigo. É um peso muito grande pra ser carregado.
Ele não insistia no assunto. Ele tentava fazer o melhor clima possível e só estava preocupado naquele momento em me manter calma.
"Não prefere descansar ? Você não vai conseguir falar bem sobre o assunto no estado em que se encontra. Está a uma pilha de nervos . . . " ele dizia olhando pra mim com um olhar que parecia pena.
"Eu . . . Quero por pra fora, eu quero parar de pensar nisso mas . . . " Eu queria chorar muito, eu estava me sentindo um lixo com o que eu fiz.
Nathaniel então me abraçou.
"Se quiser falar eu vou ouvir, se quiser descansar, fique a vontade. Só tente se acalmar por agora. Faça oq ue for melhor pra você."
Ele me deitou aos poucos, como se eu fosse um bebê, eu fui amolecendo, ainda com a mente tensa, ele realmente me aconchegou em sua cama e ficou em silêncio. Ele passava um ar tranquilo, e aquilo parecia estar me acalmando . . . Ou talvez fossem os remédios fazendo efeito . . . E por que não os dois ?
Ele ficou acariciando minha cabeça o tempo todo. Não havia malícia nem nada do tipo ali, e sim um reconforto que poderia ser comparado ao de um irmão mais velho ou alguém que de fato só queria meu bem.
Eu sentia que meu corpo estava cada vez mais relaxado, e eu estava me entregando ao sono.
Foi quando aos poucos eu senti que ele estava se levantando, lentamente pra não me deixar desperta nem agitada, porém, eu não queria ficar sozinha e puxei seu braço.
"Fica comigo, por favor. . . Eu não quero pensar naquele corpo caído . . . Eu não quero sonhar com aquilo." Nathaniel suspirou profundamente, então dei espaço pra ele e fiquei abraçada com ele.
Eu precisava me sentir protegida, e com o Nathaniel eu conseguia facilmente ter esse sentimento de proteção, pois ele de fato prezava pela minha segurança.
Nathaniel ficou semi-sentado comigo deitada em seu peito. Eu tremia bastante de nervoso e ele não parava de me acolher. Mesmo em silêncio dava pra entender bem o que ele queria dizer com cada gesto, e eu podia ouvir vindo de cada gesto algo como "está tudo bem, se acalme, estou aqui".
Aos poucos eu adormeci no peito dele.
Aquela noite eu não tive pesadelo com o corpo do Dimitri como achei que fosse ter.
Aliás, eu não sonhei com nada.
Na manhã seguinte eu acordei, estava me sentindo bem relaxada . . . Porém, fiquei tensa ao reparar que o Nathaniel não estava no quarto.
A primeira coisa que passou na minha cabeça foi que eu magoei tanto ele que ele agora não tinha mais o mesmo sentimento de proteção que tinha antes comigo.
Eu me levantei e chamei por ele, mas ninguém atendeu.
Fui até o banheiro, joguei água no rosto . . . Eu estava com olheiras vermelhas e fundas.
Eu fui no armário dele pegar toalha e alguma roupa que eu pudesse usar . . . Suei muito durante a noite, acho que eu estava muito tensa.
Tomei um banho e coloquei as roupas do Nathaniel que me servissem mais . . . Em seguida decidi descer pra comer algo.
Eu lembro bem que o Castiel falou que quando eu ficar com fome, não devo enrolar, devo comer. E de fato eu estava com fome.
Eu já me sentia a vontade na casa do Nathaniel, estava bem familiarizada.
Ao descer e caminhar até a cozinha, pude ver a mãe do Nathaniel sentada em uma mesa farta de coisas.
"Bom dia, Boreal." Ela falou pra mim sorrindo.
"Bom dia, senhora Adélaide"
"Me chame apenas de Adélaide, querida. Vamos, sente-se" ela dizia já puxando uma cadeira ao lado dela.
Eu me sentei, admito ter ficado intimidada com a presença dela.
"Por favor, coma algo. Não quero que fique como estava da última vez que nos encontramos. Vejo que está bem melhor, não é ?" Ela sorria pra mim enquanto empurrava algumas panquecas pra mim.
"Obrigada . . . " Eu peguei as panquecas e comecei a jogar molhos e me servir.
"Onde está o Nathaniel ?"
"Oh, ele saiu cedo. Não sei onde ele foi. Tudo que ele disse foi para que eu cuidasse de você. Eu estava indo no quarto toda hora ver se havia acordado." a mãe do Nathaniel me trata tão bem . . .
"Desculpe estar atrapalhando de novo." eu falei para a mãe dele. Estava realmente me sentindo um estorvo.
"Não diga isso. Meu querido Nathaniel é um menino muito difícil de lidar. Ele sempre foi um garoto complicado demais e com grande dificuldade de confiar nas pessoas. É uma benção que você esteja passando esse tempo com ele. Se ele confia em ti, provavelmente você é uma menina bem aventurada" eu não pude deixar de soltar uma pequena gargalhada.
"Que horas são ? Hoje tem aula . . . " Eu perguntei curiosa, apesar da falta de vontade de ir pra escola, eu queria ir no mínimo pra falar com o Armin e talvez com o Castiel.
"Ainda está cedo querida. Ambre ainda nem começou a se arrumar."
Ambre . . . Esse nome me dá ódio.
Então pude ver o Nathaniel entrando de uma vez e subindo as escadas, porém, parando no meio do caminho e vindo até mim.
"B-Bom dia, Nath . . . " eu disse.
"Bom dia. Dormiu bem ?" Ele sorria pra mim, eu só balancei a cabeça positivamente.
"Querido, sente-se com a gente. Faz tempo que não comemos juntos." A mãe do Nathaniel falava gentilmente.
"Não. Vamos subir, Celeste ?" ele falou friamente enquanto estendia a mão pra mim, pude ver um olhar triste vindo da mãe dele.
"Nathaniel ! Onde estão seus modos ! Sente-se com sua mãe !!" eu dei bronca nele.
Ele pareceu contrariado, mas se sentou ao meu lado.
Tomamos um café da manhã em silêncio.
"Nathaniel, poderia pegar alguma roupa emprestada com sua irmã para ela ?" a mãe do Nathaniel falou enquanto apontava pra mim.
"Não. Me recuso a pedir algo pra aquele monstro."
Ao ver que o clima estava tenso eu decidi me meter "T-tá tudo bem, Adélaide. Eu posso ir com essa roupa pro colégio." Eu estava com vontade de perguntar onde ele tinha ido. Mas tive medo de ser segredo . . . Então esperei calmamente que ficássemos a sós.
Após mais longos minutos em silêncio, Nathaniel deu um longo suspiro e finalmente se levantou.
Eu podia ver impaciência vindo dele, algo que não é comum vindo dele.
Era quase um Castiel calado que estava na minha frente.
"Eu vou pegar algo com a Ambre . . . Você não pode ir assim pro colégio." ele se levantou irritado e subiu as escadas.
Eu e a mãe dele ficamos sozinhas . . .
"Nathaniel nunca mais foi o mesmo desde que compreendeu o que houve com seu amigo Castiel . . . " a mãe dele falava pra mim. Eu fico triste que ele desconte na mãe dele . . . Sabe, entendo a raiva do Castiel por ele e entendo a raiva dele pelos pais . . . Mas, ele é tão religioso, ele devia perdoar os pais.
Deve doer muito perder um filho . . .
"Ele só deve estar confuso . . . Nathaniel é bem sensível, ele logo vai entender." Tentei consolar a mãe dele que realmente parecia abalada com o tratamento do filho.
"Eu. . . Me arrependo todos os dias pelo que fiz, sabe, querida . . . A minha intenção de trazer minha filha de volta era tanta que acabei prejudicando um monte de gente. Eu e meu marido, o Nathaniel, o Castiel, a própria Ambre, você . . . Todos sofrendo por causa de minha obsessão."
"Eu te entendo . . . Eu acho que talvez fizesse algo parecido se fosse mãe . . . Não sei." eu realmente queria que a mãe dele não se sentisse tão culpada . . .
"Ele tem um ótimo coração e olhos maravilhosos. É visível que ele escolheu uma pessoa magnífica pra se aproximar e se apaixonar. Fico muito feliz por vocês." Ela dizia.
Aquilo me deixou bem sem graça, e eu preferi não desmentir . . . Eu não sabia como eu poderia falar pra ela que eu e o Nathaniel não tínhamos nada . . .
Em meio a minhas risadas sem graça, ouvimos gritos vindos do segundo andar.
Rapidamente eu e ela corremos e subimos as escadarias.
"A CULPA É TODA SUA !! SE VOCÊ NÃO EXISTISSE NADA DISSO ESTARIA ACONTECENDO !" Nathaniel estava gritando com a Ambre no corredor.
"DEIXA DE DRAMA ! EU NÃO PEDI POR ISSO ! CULPE NOSSOS QUERIDOS PAIS !" Ambre ria naturalmente.
"SIM ! A CULPA É DELES TAMBÉM ! MAS VOCÊ SABE O QUE ESTÁ FAZENDO E MESMO ASSIM CONTINUA ! EU VOU TE MANDAR DE VOLTA PRO INFERNO DE ONDE NÃO DEVIA TER SAÍDO !!" ele falava avançando na Ambre.
"FAÇA-ME UM FAVOR E SAIA DO MEU CAMINHO, SEU IMUNDO !" Ambre empurrava ele, porém Nathaniel não se deu por vencido, ele foi pra cima dela e derrubou ela no chão jogando uma garrafa de água no rosto dela.
Ela começou a gritar, aquilo provavelmente era água benta.
"SEU INSOLENTE !! COMO SE ATREVE A DESTRUIR MEU ROSTO COM ESSA MERDA ?!" A Ambre parecia outra pessoa, não parecia aquela Ambre metida da escola. Parecia uma versão piorada do Castiel.
"MERDA É SUA EXISTÊNCIA !! MERDA É O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM A VIDA DE TODOS AO NOSSO REDOR !" MEU DEUS ! NATHANIEL XINGOU !!! Aquilo pra mim foi mais assustador do que o estado da Ambre.
"Não, querido . . . A vida de vocês eu estou fazendo um inferno, não uma merda. Merda é a existência medíocre de vocês." Ela ria enquanto jogava o Nathaniel longe.
A mãe deles estava em pânico . . . E eu sem reação.
Ambre passou por mim me olhando com desprezo, e desceu as escadas . . .
Nathaniel estava no chão olhando com ódio pra ela enquanto descia as escadas.
A mãe dele foi até ele assustada perguntando se estava tudo bem, o Nathaniel levantou de uma vez e tirou o braço de forma bem agressiva do alcance de sua mãe enquanto entrava no quarto e batia a porta.
Ela estava sem reação. Dava muita pena . . .
Eu me aproximei dela, dei um pequeno abraço e falei que tomaria conta do resto . . . O sorriso que ela esboçou parecia de gratidão . . .
Em meio a essa zona eu esqueci o que realmente me incomodava, que era o que fiz na noite passada . . .
Eu entrei no quarto em silêncio e fechei as portas sem fazer barulho pra não incomodar o Nathaniel.
Ele estava sentado na cama olhando frustrado pro chão.
"Perdoe sua mãe, Nathaniel . . . Ela te ama." eu já cheguei perto dele falando isso.
". . . É muito fácil fazer besteira e depois pedir perdão . . . Ela arruinou milhares de vidas . . . Se você matou é culpa dela ! Se ela tivesse aceitado a morte da minha irmã, nada disso teria acontecido."
"Nath, ela é mãe e ama a filha . . . Por mais que eu não concorde com as atitudes dela, eu compreendo . . . Você é um rapaz de coração puro, não deixe esses sentimentos amargos dominarem você . . . "
"É difícil ! Ela trouxe minha irmã de volta por amor ?! E por isso usou o Castiel ?!" ele parecia muito revoltado.
Mas comparado a como ele fala com a mãe, estava calmo.
"Sim ! Eles fizeram por amor ! Nathaniel . . . Você falou uma vez que faria tudo pra me manter viva. Se você tivesse a mesma chance que sua mãe, você sacrificaria outra pessoa pra me manter viva . . . ?" eu perguntei.
"Eu . . . Acho que . . . Sim." ele hesitou na hora de responder e parecia ter medo de responder . . .
"Então se ponha no lugar de sua mãe . . . Você voltou no tempo por minha causa. Uma causa egoísta. Ela também. Ela só queria ver a filha de novo, e você só queria me ver novamente."
Nathaniel ficou quieto e começou a se acalmar aos poucos.
"Eu consegui uma roupa pra você . . . " Ele pegou um vestido que estava em cima da própria cama.
"Hoje será complicado . . . terei que ir pro colégio e depois terei que bater de frente com meus pais . . . "eu estava realmente preocupada com meus pais.
"Eu falei com seus pais mais cedo . . . Eles não vão brigar contigo." quando ele falou isso eu me espantei.
"Como assim ?" foi tudo que consegui expressar.
"Sim . . . Saí de manhã, deduzi que eles estariam preocupados, e você também. E bem . . . Eu conheço seus pais de outra linha, eles não são diferentes nessa, eu sei como falar com eles. Expliquei que você está passando por um momento difícil e pedi pra eles te darem apoio e compreenderem certas atitudes suas . . . Foi um pouco complicado, mas eles te perdoaram e pediram pra eu cuidar de você. Como se eu já não o fizesse . . . "
Eu não pude evitar de sorrir para o Nath. Aquilo foi muito fofo . . . E abracei ele como agradecimento. Enquanto estava nos braços dele, eu me senti protegida . . . E comecei a chorar por lembrar da atrocidade da noite passada.
"Nath . . . Eu não consigo parar de pensar nisso . . . "
"Eu sei que é difícil . . . Mas . . . Apenas aproveite."
"Nath ! Você tem noção do quanto pesa uma vida ?! Eu não consigo lidar com isso . . . " eu realmente estava inconformada.
"Já aconteceu, não tem como voltar atrás . . . Só aproveite que agora está mais viva do que nunca . . . Sinceramente, estou feliz . . . "
"Não posso acreditar que você disse isso, Nath . . . Cadê suas crenças ? Sua religião ??" eu falei revoltada.
"Lembra o que você falou mais cedo da minha mãe . . . ? Fazemos coisas inimagináveis por amor . . . "
"Isso quer dizer que vai perdoar sua mãe ?" eu falei esperançosa.
"Talvez . . . "
"Foi o Castiel que fez uma emboscada pra mim . . . Ele deu um jeito de eu matar um rapaz em uma festa que fomos noite passada . . . " eu falei, finalmente falei.
". . . Vocês saíram essa noite ?" ele parecia mais preocupado com o fato de eu ter saído com o Castiel do que ter matado uma pessoa.
"Sim. Ele queria esquecer os problemas um pouco, e uma banda que ele gosta ia tocar, então ele me chamou . . ."
"E fora isso foi divertido ?" ele perguntava.
"Foi sim . . . Apesar de que com a tensão que tudo tem andado foi meio complicado ficar felizinha com a situação."
Nathaniel parecia claramente incomodado, mas não opinou nem nada sobre a situação.
"Sabe, eu estou agradecido pelo Castiel ter feito isso . . . Ele quer te manter viva."
Ouvir a forma como o Nathaniel se preocupa e trata a situação, não fez tudo ficar mais leve, mas me deixou mais tranquila.
"Temos que ir pro colégio, né ?" Eu falei.
"Sim . . . Eu trouxe suas coisas, seus pais me deixaram pegar. Mais tarde se desculpe com eles pelo escândalo dessa noite ok ?" Nathaniel falou enquanto puxava minha mochila do canto de sua cômoda.
"Sim, eu irei . . . Obrigada por ter falado com eles." Eu já estava com o vestido que ele conseguiu pra mim. Peguei minha bolsa na mão dele e fui pra porta esperar ele terminar de se arrumar.
Ele só estava terminando de por o sapato e estávamos de saída.
Atualmente, todos estão sendo grandes amigos pra mim.
Cada um de seu jeito.
Mas Armin e Nathaniel são os mais notáveis.
Armin eu consigo falar sobre qualquer coisa com ele, e sempre tenho bons conselhos vindos dele.
Nath . . . Tem sido tipo um anjo da guarda. Ele não precisa falar pra me passar segurança.
Eu sou grata a cada um deles por tudo que foi feito até agora por mim.
Nathaniel pegou suas coisas na escrivaninha, e pegou um pequeno pote.
Ele veio até mim, fechou a porta e virou puxando minha mão.
"leve, só por garantia, nunca se sabe quando vai precisar, né ?" eram vitaminas. Ele tinha razão, seria bom eu continuar o tratamento.
Então descemos as escadas.
A mãe do Nathaniel se ofereceu pra levar a gente pra escola de carro.
Nathaniel estava com uma cara fechada pra mãe, eu sentia que ele queria dizer que não . . . Eu olhei fixo pra ele, e apos um tempo em silêncio ele aceitou a carona.
A mãe dele parecia que estava quase chorando de tanta felicidade e ela me agradeceu em voz baixa enquanto caminhávamos.
Aquilo me deixou feliz e orgulhosa do Nathaniel. Ele conseguiu dar um passo pra frente . . .
No carro ninguém falava muito, e bem, não era longe, dava pra ir a pé apesar de que provavelmente nos atrasaríamos uns 20 minutos se fossemos a pé.
"A Ambre não veio por quê ?" O Nathaniel perguntou um pouco inseguro.
"Ah, depois do que aconteceu de manhã ela preferiu ir sozinha com as amigas."
"Que bom . . . Que seja assim sempre." Nathaniel sempre que está perto da mãe ou quando é referente a irmã, é tão diferente.
É uma imagem que eu nunca tive dele.
Não é sereno nem centrado. É impulsivo e aspero. No fim Castiel e Nathaniel se parecem de alguma forma.
"Hoje vocês tem aula de que ?" a mãe do Nathaniel tentou perguntar pra puxar assunto.
"De química, eu acho . . . né ?" Eu realmente não era muito ligada nisso, canso de levar as matérias erradas.
"Você sempre vai ser desligada quanto aos dias das aulas né ? Química foi ontem. Eu separei o material certo de hoje. Temos física, história e línguas." ele falava rindo.
"Me dê um desconto ! É muita coisa pra eu lembrar . . . "
Até que teve um clima de descontração no fim da viagem . . .
Chegamos na porta do colégio, um pouco depois a mãe do Nathaniel se despediu de mim e disse que iria na confeitaria comprar algo, mantendo o carro estacionado em um canto.
Ela me abraçou e em seguida parecia querer abraçar o Nathaniel, que a ignorou. Ela estava triste mas ficou sorrindo e olhando pra nós dois enquanto nos afastávamos, eu não parei de encarar o Nathaniel, que percebeu minha reprovação no olhar e assim parou de andar.
"Eu . . . Não to fazendo por onde né . . . ? É difícil . . . " ele dizia.
"Você já começou bem, hoje vocês tiveram um diálogo normal, há quanto tempo você não falava normalmente com sua mãe ?"
Ele ficou em silêncio e parecia hesitar, mas ele voltou até a mãe. E abraçou ela.
Foi uma cena um tanto quanto fofa de ver.
Eu realmente quero que ele perdoe a mãe . . . Quero muito.
E vejo que estou fazendo alguma diferença nisso tudo, e uma diferença positiva.
O olhar da mãe dele era o olhar de uma pessoa que estava realmente agradecida.
Após essa cena que pra quem passava era nada de mais, mas pra mim era muito, ele retornou pro meu lado e entramos no colégio aguardando o sinal de entrada.
"Obrigado. Graças a você eu estou conseguindo enxergar o lado da minha mãe . . . "Nathaniel falou enquanto estávamos no jardim.
"Você tem feito muito por mim sabe . . .E bem, eu não fiz nada, só mostrei o que você já havia me mostrado. . . E bem, também devo agradecimentos. Afinal, se agora estou mais tranquila com o que houve ontem, é graças a você, né ?"
"Vamos arrumar uma solução pra essa coisa toda, eu prometo." Nathaniel falava enquanto batia na minha cabeça de leve e se desencostava na parede. O sinal havia batido.
Sei lá, por impulso eu me levantei de leve e dei um pequeno selinho nele, nada maldoso sabe, realmente foi um agradecimento, foi um ato mais puxado pro carinho do que outra coisa . . . Acho que o fato de já termos tido tanto contato físico não me faz ver mais um limite entre nós dois. Eu realmente não vejo com maldade essas coisas quando é em relação a ele.
"Não acredito . . . " eu pude ouvir em nossa direita . . . Era o Castiel acompanhado do Lysandre.
Eu fiquei estática, olhava pro Castiel e pro Lysandre sem reação. . . O Castiel viu . . . Mesmo ele não sendo nada meu . . . É o Castiel . . . Ai, Meu Deus . . .
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