As aventuras de uma Docete Ciclope
203 Capitulo 198
Notas iniciais
Esse dia eu não pretendia enrolar muito, iria fazer minhas coisas e voltar logo, afinal, eu quero concluir tudo que combinei com o Armin, e não conseguimos ir pra outra dimensão atoa né?
“Você vai ver a Debrah?! Mas eu já disse que ela morreu!” Armin do passado dizia.
“Eu preciso ver com meus próprios olhos Armin. Desculpa. Eu juro que no fim do dia já estarei de volta.” falei.
“Boreal, você sabe que eu não vou poder ir com você, né? Você vai ter que realmente se garantir nessa.” Armin do passado dizia sendo cortado pelo Armin do presente.
“Você não é o único Armin aqui.” o Armin terminou rindo e falou.
“OK, estejam aqui as 22 no máximo. Eu tenho uma máquina do tempo, lembrem-se disso.’ Armin dizia já programando seu aparelho dimensional.
“OK, vamos pegar as coisas do Daniel e nos encontramos todos aqui no subsolo do shopping as 22 então.” Ken dizia.
Todos afirmaram com a cabeça e cada um foi fazer seus afazeres.
E foi assim que decidi que iria atrás da Debrah, isso estava fora dos planos, mas depois que o Armin falou aquilo eu estava decidida a ir na antiga casa do Lysandre pra ver a Debrah.
Não era possível.
Só podia ser uma brincadeira.
Era o que eu pensava o tempo todo.
Armin foi comigo até a estação de trem, desfaçado obviamente, já que o único Armin que pode andar livremente é o Armin do passado.
Ele prendeu completamente o cabelo em um gorro e colocou óculos.
Assim, de perto da pra notar, mas dificilmente vão parar ele na rua, parece um cara de gorro aleatório.
Fomos direto pra casa da Debrah, ambos apreensivos.
Após tanto tempo, Armin estava sendo gentil e tentava me acalmar.
Aos poucos, após toda essa confusão e ter falado com o Nathaniel, acho que ajudou ele bastante.
Fora que o fato do peso estar ativamente caindo sob outro Armin e ele saber com mais certeza o que estamos fazendo e até mesmo ter um plano concreto acho que amenizou toda a angústia que ele sentia.
“A Debrah não vai tá morta né?” perguntei apreensiva.
“Boreal… eu não sei também. Não tem sentido ele ter dito isso e deixar a gente ir tirar a conclusão sozinhos…” Armin falava calmamente.
A resposta dele não foi animadora, e infelizmente, foi logica.
Mas eu me segurava na esperança dela estar viva, de verdade…
Ele foi abraçado comigo o caminho todo, em deu até uma nostalgia.
Por uns minutos esqueci completamente tudo que estávamos vivendo, a linha temporal que nos encontrávamos, e todo esse caos.
Quando chegamos em Hédé eu podia sentir minha mão suar muito.
Era incomodo e assustador pensar que o único vínculo que eu tinha com minha linha, diretamente, digo, que sabia o que se passava, poderia estar morto.
E infelizmente essa entrada do diário não acaba bem…
Chegamos na entrada da enorme fazenda do Leigh, o chamamos e sem demora os portões se abriram.
Um caseiro abriu e disse que o Leigh me esperava.
Era uma enorme surpresa, afinal, não avisei que iria até lá.
Armin e eu nos olhamos, mas seguimos em frente.
Confesso que por uns segundos eu fiquei apreensiva de ser uma armadilha, afinal, querendo ou não o Armin tá do lado dos dois lá né, e aqui era a antiga casa do Lysandre, eu não acredito que ele não saiba que seu irmão e Debrah moram aqui juntos.
Nós caminhamos até a enorme casa.
Eu engolia seco, pude notar que o Armin estava tão nervoso quanto eu, afinal, ele sabe tanto quanto eu o quanto ter a Debrah é esperançoso.
Assim que toquei a campainha, bastou aguardar alguns segundos para sermos atendidos por um Leigh cansado.
“Boa tarde Leigh. Viemos ver a Debrah.” eu dizia.
Assim que falei isso o Leigh fechou a cara e sorriu em seguida.
“Podem entrar, por favor.” ele dizia abrindo passagem.
Pude ver que o filho dele deitado em um pequeno berço móvel na sala.
“Antoine, certo?” falei sorrindo pra criança e olhando pro Leigh em seguida.
“Exatamente.” Leigh sorria de volta enquanto afirmava.
“Podem se sentar por favor, preciso buscar uma coisa. Debrah falou que viria…” ele dizia indo na direção do quarto.
Eu olhava pro Antoine sorridente, porém, apreensiva.
Em momento algum o Leigh falou sobre chamar a Debrah, e isso me preocupava bastante.
“Depois que isso tudo passar, se quiser te compro uma baby alive igual ao Antoine” Armin falava em tom provocativo enquanto ria um pouco.
Ele queria me por cima, e eu só dei um tapa leve nele.
Leigh havia finalmente retornado, ele trouxe um diário.
“Debrah pediu pra entregar isso a você Boreal. Eu não sei o que tem escrito aí dentro, mas eu respeitei o pedido dela. Debrah era uma pessoa muito boa e gentil, então acredito que eu devesse respeitar suas vontades…” quando ele falou isso eu gelei.
Por que ele se referia a ela no passado?
Significava o que eu tava pensando?
“E onde está ela…?” perguntei nervosa, e tentando sorrir, mas eu sentia que meu sorriso não se mantinha.
“Ela… se matou tem 2 semanas…” quando ele disse isso, Armin segurou firmemente minha mão, sabemos que ele não faz isso, e ele definitivamente fez isso por minha causa e não por causa dele próprio.
“Como assim… Leigh… isso é brincadeira né?” eu tremia.
“Eu nunca brincaria com algo desse tipo…” ele engasgava e eu podia sentir que se continuássemos nessa conversa ele desabaria.
“Encontrei seu corpo enforcado quando voltei de uma fazenda vizinha trazendo encomendas.
Ela deixou uma carta e esse diário pra você. Na carta ela dizia que você voltaria aqui pra vê-la e pedia pra eu entregar sem ler o diário em suas mãos.
Eu sei sua identidade Boreal, ela me contou. Ela me contou que ela é um alien como você e me contou também sobre o Lysandre. Não precisa ter medo, eu não falarei nada a respeito disso com ninguém…” Leigh sorria gentilmente enquanto falava essas coisas.
Eu tremia, eu pude sentir as lagrimas vindo.
“E você? Como está Leigh?” eu perguntei tentando me segurar.
“... Eu não quero falar sobre isso, por favor… Eu quero me manter forte, pelo Antoine.” ele dizia.
“Precisa de alguma ajuda?” Armin se meteu engasgado, eu podia ver seu nervosismo estampado em seu rosto.
“Não obrigado… Os meus pais estão me ajudando no momento com o Antoine e com os afazeres. Mas eu tento me manter ocupado pra não pensar a respeito disso tudo.” Quando ele falou isso eu fiquei ainda mais triste.
Eu então abri o diário, ainda muito trêmula.
“Levem o tempo que quiserem lendo. Fiquem a vontade.” Leigh falava nos dando espaço e se levantando pra pegar Antoine.
“Vou por Antoine no quarto, volto logo.” ele falava melancólico, porem, sorria gentilmente.
O diário não era muito grande, pelo menos não se comparado com o meu.
E, na verdade, levaríamos pelo menos 1 dia inteiro pra ler tudo se lêssemos rápido. (o que não é o caso do Armin)
Eu só pretendia folhear, mas ler mesmo eu leria “em casa”.
“Parece ser os pensamentos de várias Debrahs escritos pela Debrah dessa linha.” Armin dizia lendo comigo alguns trechos.
“Ela não deixaria isso atoa… deve ter algo muito importante aqui.” eu respondia.
“Pretende mostrar isso pro outro Armin? O do passado?” Armin perguntou.
“Preciso ler primeiro… Pode ter algo que ele não pode saber aqui, nunca se sabe.” respondi.
“Bem, temos que ler com cautela realmente, mas, acho que no fim ele vai acabar sendo incluso. Se ele sabe que ela está morta, ele deve saber mais dela do que nós.” Armin dizia.
“Sim… Mas ainda assim é melhor lermos primeiro antes de passar qualquer coisa pra ele. Ela
Talvez aqui a gente entenda porque ela se matou…”
Leigh então voltou após alguns minutos.
“Então? Acharam algo?” ele perguntava.
“É muito conteúdo… teremos que ler com calma. Tudo bem se formos pra casa e depois te informamos caso descubramos algo sobre ela?” perguntei.
“Claro. Ela pediu pra entregar pra você de qualquer forma, quem sou eu pra cobrar algo? Me perdoe pela minha postura melancólica.”
“Que isso Leigh! Você tá passando uma situação difícil, não tem do que se desculpar.” respondi.
“Acho melhor irmos Boreal, ainda temos que encontrar o outro lá e pegar algumas coisas no shopping.” Armin insistia.
“Querem que eu de carona?” Leigh perguntou gentilmente.
“Melhor não, se sabe nossa identidade, sabe que é arriscado. Antoine precisa de você agora.” Armin completou enquanto Leigh sorria.
Eu não me aguentei e abracei ele antes de ir embora.
“Vai ficar tudo bem tá?” eu falei em seu ouvido.
Ele acabou chorando um pouco, e após um abraço apertado e reciproco, eu acenei e fui embora com o Armin.
“Espero morrer antes de você.” Armin falava.
“Armin que horror! Porque tá falando isso?!”
“Eu não quero passar isso que o Leigh tá passando… eu nunca sofri um luto por alguém importante demais pra mim, eu realmente espero morrer antes de você… Não só você, Nathaniel e meu irmão também.” ele parecia pensativo real com o que havia dito.
“Não vamos pensar nisso agora né? Não tem porque, não vai acontecer…” falei rindo de nervoso com a conversa.
Nossa ida pra casa de trem foi comentando sobre o diário da Debrah, ela pareceu ter escrito tudo, literalmente tudo desde o início até o fim direcionado pra mim.
Não li tudo, obviamente, mas tudo que tinha ali era muito importante, e ela descrevia com grande precisão varias das linhas.
Minha noite seria intensa…
Quando chegamos no shopping, lá estava o Daniel, com várias bolsas cheias de equipamentos eletrônicos, ele conversava empolgado com a Nina numa mesa mostrando um equipamento eletrônico pra ela que parecia muito empolgada.
Eu não vejo o Armin no Daniel, logo, olhar pra ele com a Nina não me causa efeito algum, pelo contrário, eu shippo ela e o Daniel.
Assim que chegamos, o Armin se encolheu mais, e cumprimentamos os dois.
Nina olhou pra mim com desprezo e só falou um oi.
“Vai fazer o que agora Dan?” eu ouvia a Nina falar.
“Estamos esperando um amigo nosso pra nos levar em um lugar.” ele respondia.
“Nos levar? Tá falando de você e aqueles dois ali?” eu não olhava pra ela, mas podia deduzir que ela estava apontando pro Armin e eu.
“Sim. É uma dessas missões que você tanto detesta.” Daniel ria.
“Porque você e o Ken só não aceitam que o mestre Lysandre é uma pessoa incrível e que cuida muito bem de nós?” nessa hora o Ken saiu de uma pequena sala com uma mochila enorme já respondendo à Nina.
“Porque é o que VOCÊ pensa por nunca ter vivido nada de ruim nas mãos dele. Você tem boas condições Nina. Daniel e eu crescemos em condições precárias. O Lysandre só olha pro povo que dá pra ser visto, nós, pobres coitados não passamos de ratos.” Ken dizia botando a mochila na mesa.
“É um exagero. Eu não sou rica também.”
“Mas cresceu melhor que a gente e você sabe disso. O suficiente pra ser notada e diferenciada de uma pessoa pobre.” Daniel dizia mexendo em algumas peças jogadas na mesa.
Eu só ficava de longe ouvindo sem me aproximar.
“O… Aurora né? Por que não chega mais perto?” Nina parecia tentar ser educada, mas ela claramente estava de cara fechada.
“A-aqui tá bom. Obrigada.” Nina tentava fazer media, e ela apesar de tudo parecia estar verdadeiramente tentando uma aproximação.
“Eu sei que fui meio agressiva com você da outra vez, mas eu não mordo não, só quero conhecer você. Já que tá aqui, é o mínimo. Conheço todo mundo do grupo já.” ela insistia.
“N-Não, deixa pra lá.” eu escondia o rosto mais e ficava encolhida com meu óculos.
“Deixa ela Nina. Ela não gosta dessas coisas.” Daniel dizia.
“Ah, ela é que nem você? Tem coisas específicas que preciso respeitar?” Nina dizia.
“Todo mundo tem limites, não só o Daniel. Deixa ela Nina.” Ken se meteu fazendo a Nina emburrar.
Daniel se afastou um pouco dos dois e decidiu falar comigo e com o Armin.
“O que acham de levarmos a Nina?” Daniel perguntava baixo.
“Claro que não, Daniel! Ela tá do lado do Lysandre!” eu dizia.
“Boreal, naquela realidade não existe Lysandre! Ela não vai ter quem idolatrar.” ele insistia.
“E como acha que vai convencer ela?! Não tem nem sentido isso Daniel!” Armin falava meio histérico.
“O que estão cochichando?!” Nina dizia pulando no pescoço do Daniel sem que ninguém notasse, e foi aí que o problema começou, ela pisou em falso e acabou escorregando, assim, puxando meu óculos pra baixo e mostrando meu olho.
Eu podia notar seu olhar de espanto.
“V-Você… Vocês têm a ciclope que o mestre Lysandre tá atrás?!?!” ela gritava.
“Nina, por favor. Não fala pra ninguém disso.” Daniel segurava ela firmemente pelo ombro.
“O MESTRE LYSANDRE DISSE QUE ELA É PERIGOSA E QUEM TEM ELA PERTO PODE SOFRER consequências HORRÍVEIS! QUE ELA É A CAUSA DA GUERRA! OS OUTROS PAÍSES QUEREM ELA!! PORQUE ESTÃO COM ELA?!” Nina gritava desesperada.
“Nina, por favor se acalma, não tem nada a ver. Você sabe que—”
“Vocês estão se colocando em perigo!!!” Nina cortou Ken desesperada.
“Se sabe que ela é perigosa, você vai ficar quietinha entendeu?” Armin então se meteu com uma voz ameaçadora que calou a Nina.
A Nina encarava ele, quando ela de repente se virou pedindo licença e saiu de lá.
“NINA! VOLTA! POR FAVOR!!” Daniel gritava em vão.
“Não faz diferença, o Armin já deve estar chegando. Ela saber a identidade da Boreal não vai mudar nada agora.” Ken tinha razão.
Aguardamos o Armin vir nos buscar na hora que ele falou. Até então tudo ocorreu bem.
Me restou passar a madrugada lendo o diário da Debrah quando chegamos no trailer.
A noite seria longa, era muita informação pra ler, e o Armin? Ele definitivamente estava tão vidrado no diário quanto eu.
E olha que ele é BEM chato pra ler.
Mas foi incrível ler tudo que a Debrah escreveu e como ela escreveu.
Bem, por agora, irei ler mais um pouco, assim que eu acabar eu retorno.
Vantagens de ter memoria eidética.
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