As aventuras de uma Docete Ciclope
204 Capitulo 197
Notas iniciais
Logo que acordei de manhã, eu ouvia vozes altas vindas da área de fora do trailer em que dormi.
Notei ser o Nathaniel.
Nathaniel não é de subir o tom mesmo em discussões, foram poucas às vezes que o vi fazer isso, então eu j’comecei a sacudir o Armin que estava em um sono BEM pesado (anormal isso vindo dele) desesperada.
“Armin! Escuta!!” eu falava.
A princípio ele estava com muita raiva por ser acordado, e eu podia notar que ele iria reclamar aos montes como sempre foi nessas situações, mas logo ele parou e começou a ouvir a voz do Nathaniel com olhar espantado.
“É… o Nathaniel gritando?!” ele falava espantado.
“Exato!” nós dois nos encaramos e já corremos pra porta.
“Eu não vou aceitar, me desculpa Thomas! E se for pra continuar assim eu vou me hospedar em qualquer outro lugar!” foi a primeira coisa que ouvimos.
Soou muito confuso.
“PORRA CARA! EU NÃO LIGO! JÁ TAVA ME INCOMODANDO SUA PRESENÇA MESMO!” Thomas parecia uma versão menor do Castiel.
“Que que tá acontecendo?” Armin já saiu perguntando sem esperar ou sequer ser discreto, como sempre.
“Teu amiguinho de Deus aí querendo mandar e desmandar na minha casa!” Thomas falava.
“Eu não quero mandar em nada Thomas! Eu falei pra você com todas as letras que eu estava passando mal! Não é questão de mandar! É questão de EU NÃO ESTAR PASSANDO BEM! QUAL É A DIFICULDADE DE ENTENDER ISSO?!” Nathaniel voltava a gritar.
“Pode explicar melhor Nath?” me meti perguntando diretamente pro Nathaniel.
“A decoração do trailer me fez passar mal e—”
“UM AFRESCALHADO DO CARALHO! TO PEDINDO PRA IDOLATRAR MEU PAI LÚCIFER NÃO, SÓ RESPEITAR ESSA MERDA COMO EU TO RESPEITANDO A SUA PRESENÇA DE MERDA AQUI NA MINHA CASA!” Thomas gritava interrompendo o Nathaniel.
“Me desculpa Boreal, não tem condições de eu ficar aqui. Vou voltar pro colégio e ver o que eu faço. Eu não consigo sequer completar uma sentença sem ser interrompido! Nem gritando eu–”
“VAI MESMO! NINGUÉM PRECISA DA SUA AJUDA AQUI!” Thomas gritava se direcionando ao Nathaniel com raiva.
Nossa, parece uma versão piorada das brigas do Castiel e do Nathaniel.
“Para de fogo no cu porque você precisa dele sim.” Alexy se meteu saindo de seu trailer.
“Aff, lá vem…” pude ver os olhos do Thomas revirar.
“Thomas, nós não trouxemos ele atoa. Você é o polo oposto dele. Precisamos DOS DOIS igualmente pra executar QUALQUER COISA. Pois não sabemos quais habilidades vamos necessitar e cada um de vocês faz uma coisa completamente diferente do outro. Aliás, Nath, onde tá teu outro eu?” Alexy se direcionou ao Nathaniel.
“Ele tá na cama passando muito mal. Bem mais que eu.” Nath respondeu.
“Esse passar mal tem a ver com suas habilidades?” Armin perguntou.
“Não sei, acredito que sim. Nunca fui exposto a tanta coisa com esse tipo de energia. O Castiel mexe com essas coisas quase que de brincadeira, ele não chega ao ponto de cultuar nada. O Thomas é meu extremo oposto, tanto nos hábitos quanto na crença.” Nathaniel falava calmamente.
”E querem que eu faça o quê?! Pare de cultuar minhas coisas?! ISSO É INTOLERÂNCIA RELIGIOSA!” Thomas gritava.
“E desde quando você se importa ou sequer sabe essas palavras Thomas? Cala a boquinha vai.” Alexy parecia ter muita intimidade com o Thomas, e Thomas parecia ter certo respeito com o Alexy.
“Os dois tem poderes MUITO fortes e fé MUITO intensas em suas determinadas religiões, por isso estão entrando em conflito. É simples: Nath tira as coisas que estão fazendo mal pra ele do trailer enquanto estiver aqui e Thomas cala a boca e para de encher a paciência de todo mundo. FIM. PODE SER OU TA DIFÍCIL PRA MOCINHA?” Alexy gritava encarando o Thomas.
“E PORQUE ELE NÃO PODE SE ADAPTAR?! A CASA É MINHA!”
“O SEU ANIMAL! IMAGINA QUE VOCÊ TA NA CASA DO NATHANIEL E DIZ QUE TA PASSANDO MAL POR CAUSA DAS TUAS CRENÇAS. O NATH COM CERTEZA IRIA TE DAR CONFORTO MESMO SENDO CONTRA! A GENTE TA PRECISANDO DE UM DIABÃO E UM ANJÃO AQUI, E VOCÊS CUMPREM ESSES PAPEIS, ENTÃO SOSSEGA ESSE CU E COLABORA! OU EU VOU TE METER DE VOLTA NA DIMENSÃO DO TEU IRMÃO AI VAMOS VER SE VAI TER DIABO QUE TE SALVE DAQUELE DEMÔNIO QUE QUER TUA CABEÇA! SE TU SE GARANTISSE TANTO NÃO IA TER FUGIDO PRA CÁ ACEITO NOSSAS CONDIÇÕES!” Alexy dizia levantando o Thomas pela gola da camisa que o encarava com grande odio.
“É muito confuso isso pra mim… É porque tecnicamente a fonte de poder dos dois é a mesma? Isso tudo bate com o que o Armin falou sobre a fonte deles serem a mesma, mas eles puxarem de ‘entidades’ , ou melhor, ‘energias’ diferentes… Mas, existe mesmo isso? É a tal força pensamento?” eu questionei.
“Eu to tentando entender essa força pensamento que o Armin do futuro tanto fala tem tempo… e por que ele põe tanta fé nisso.” Armin dizia.
“Se o Armin estiver certo, ele já explicou que a fé quando é verdadeira e inabalável faz com que algo seja criado, e se muitas pessoas acreditarem que algo é real, a energia de muitas pessoas acreditando vai tornar aquilo real. É assim que lendas urbanas nascem.” Nathaniel dizia.
“A partir do momento que existe tanta gente que crê em um Deus católico, o Deus católico é criado, mesmo que o Deus, na prática, não seja esse e possa ser uma simples energia, o mesmo acontece com o oposto. Thomas crê com força que o diabo ajuda ele e junta seguidores novos pra o ‘Deus’dele, assim dando força pra sua crença e aumentando seu poder.” Alexy completava.
“Significa que eu estou certo quanto a existência dessas entidades? Elas não passam de amigos imaginários?” Armin completava seu raciocínio.
“Se quer por assim, ponha, mas a partir do momento que eles fazem algo, não são da imaginação.” Nathaniel respondia.
“Mas foi a imaginação que os criou, de acordo com a teoria da força pensamento. É tipo eu crer que posso voar.” Armin dizia pro Nathaniel.
Aos poucos mais pessoas apareciam e prestavam atenção na nossa conversa.
“A questão é que não é só crença! Eu sou o próprio anticristo!! Minha mãe só errou o alvo, era eu desde o início nunca foi o Lysandre.” Thomas gritava.
Armin acabou soltando uma risada muito sincera sobre que acabou me contaminando.
Soava tão “quero ser diferente” que eu não conseguia lidar, ao ver o Armin rindo me contagiou.
“Desculpa te decepcionar Thomas, mas tudo da realidade estar sendo destruído POR MIM porque EU quem sou o anti cristo, eu tenho até tenho o símbolo da besta.” Armin então mostrou seu pescoço pra Thomas que ria que de início estava irritado com o deboche, mas começou a rir ao ver a tatuagem do Armin. Eu, obviamente, dei um tapa no braço do Armin por conta da sua piadinha de sempre.
É, o humor quebrado dele continua… e minha raiva certas horas também…
Mas confesso que prefiro assim.
“PORRA! A VAGINA DESSA MULHER É UM PORTAL PRO INFERNO?! PRIMEIRO LYSANDRE, AGORA ESSE MOLEQUE, A IRIS DEVIA SER ENCAPIROTADA TAMBÉM, NE POSSÍVEL” Castiel gritava após ouvir atentamente nossa conversa toda.
Eu quem não aguentei, ao ouvir isso comecei a ter uma crise de riso.
Após toda essa confusão, ficou resolvido que o Nathaniel poderia tirar as coisas do trailer até irmos embora, e todos fomos comer.
No caminho pra cozinha, Thomas puxou o Alexy, que me puxou junto, Armin parou ao notar que eu fui puxada e veio pra perto.
Thomas travou na hora de falar, e eu só disse: “Tá tudo bem, ele já aceitou tudo.” quase que obrigando o Armin a aceitar mesmo o que ele ainda não havia aceitado.
Thomas puxou Alexy e eu pra um canto pra avisar que ele estava com a intensão de tentar abrir portais com os rituais pra chamar entidades tipo o próprio Nathaniel da outra linha pra ver se consegue auxilio a respeito de onde estava a Boreal original, em paralelo ele tinha a intenção de pedir ajuda para Nathaniel.
Nessa hora o Armin abriu os olhos com grande surpresa.
É… eu esqueci que não falei da Boreal original pra ele…
“Boreal… original? Do que estão falando…?”
“Boreal! Você disse que falou tudo pra ele!” Alexy gritava.
“Er… eu esqueci desse pequeno detalhe… desculpa.” falei.
“Do que estão falando…?” Armin perguntava ainda confuso, porem, parecia estar começando a entender sozinho.
“Então, eu não sou a Boreal original. A original é a do Armin do futuro, e é ela que precisamos encontrar pra TENTAR resolver tudo. Resumindo, é isso.” quando eu falei isso, o Armin já parecia ter entendido sozinho. Ele olhava pra baixo, pros lados, até que esbugalhou os olhos.
“PERA… ENTÃO VOCÊ ME TRAIU?!” Armin gritou.
Claro.
Porque pensar na situação ao todo tem alguma importância?! Obvio que não.
O importante é que eu fiquei com o Armin do futuro e ele descobriu que os dois não são a mesma pessoa.
“Sério Armin?!” falei de saco cheio.
“SERÍSSIMO! ISSO É MUITO MAIS SERIO QUE ISSO TUDO AI!” Armin berrava.
Eu só virei de costas e continuei a falar com Thomas e Alexy ignorando ele.
Eu falei como me sentia, que eu me via numa sinuca de bico, e sentia que ia ter que pedir ajuda pro Armin do futuro, mas como?
Como eu falaria pra ele que queria encontrar a Boreal original?
Ele protege ela com unhas e dentes.
E mais, se eu falasse com quem estou trabalhando pra isso, sabe, no caso, Armin do passado, ele jamais me diria, até porque, ele além de proteger ela, deve desconfiar do Armin do passado querer matar ela, obviamente. Eu mesma não confio nele também. Estou trabalhando com ele mas não confio cegamente. Eu desconfio dele diariamente…
O Armin não sabe, mas eu vou sem ele ver a original, pra evitar que ele a mate… eu vou decidir o que sera feito depois que EU MESMA conversar com ele diretamente.
“E se usássemos… a tal força pensamento pra tentar alcançar ela?” Armin dizia apos um tempo em silêncio.
“Se acreditar em Deus faz milagres ocorrerem, se acreditar no diabo faz rituais funcionarem, se acreditarmos que tudo gira ao seu redor e que você é poderosa, poderemos usar você pra alcançar a original. Afinal, você se tornará a entidade.” Armin dizia com convicção.
“Acreditar que tudo gira ao redor dela já acreditamos, se não, não estaríamos atolados nessa merda toda, né?” Alexy dizia rindo.
“Na teoria é simples, mas sabemos todos aqui que, na prática, é difícil, se fosse simples assim não estaríamos nesse beco sem saída. Crer não pode ser superficial. A Fé tem que ser genuína.” Thomas dizia.
“Nossa, pareceu até o Nathaniel falando agora.” Alexy ria apanhando o Thomas.
“Mas eu falo sério. Minha vida já gira em torno da Boreal. Eu já vejo ela como o centro de tudo. Só preciso de mais gente com isso…” Armin dizia.
“Pela quantidade de Armin que foi criado, acho que já deve existir até uma religião pra ela maior que qualquer outra religião já criada.” Alexy ria falando isso.
“É, tu é engraçadinho igual meu irmão mesmo.” Armin ficava emburrado enquanto falava isso.
“Bem, Armin não tá de todo errado. Se ele acha que é capaz de conseguir isso, por que não tentar? O outro lá insiste nesse tipo de coisa o tempo todo né?” Thomas dizia.
“Por agora, vamos nos alimentar antes de prosseguir com isso tudo…” Essa conversa, apesar de tudo, não vai nos levar a lugar nenhum, não agora pelo menos.” Alexy dizia já entrando.
Lá dentro, estava uma grande confusão.
Daniel estava sendo segurado por Ken e eu não entendia nada.
Daniel começou a agir estranho, eu já o vi ter algumas crises parecidas com as do Armin mas nunca o vi descontrolado daquela forma.
Ele gritava muito com o Ken.
Eu já vi o Armin agir daquela forma em situações muito pontuais e, na verdade, eu nunca sei o que fazer exatamente, ele se tranca longe de mim maior parte das vezes, e as raras vezes que eu o vi ficando assim sem sair de perto ele “desligou” e parou de me responder.
Lembro que na primeira vez que isso aconteceu e eu estava sozinha com ele eu liguei pro Alexy desesperada, e ele me disse ser normal, que era só esperar pacientemente ele melhorar.
Isso faz tempo e eu estava bem afastada do diário na época. Como não aconteceu mais, eu nunca pensei em escrever a respeito.
Geralmente quando o Alexy ta perto essa crise do Armin passa muito rápido.
É como se ele soubesse exatamente o que fazer.
Só que eu nunca sei o que fazer exatamente já que nunca sei o que são essas crises nem diferenciar isso de sei la, raiva.
Daniel estava muito agitado, ele chorava e batia na própria cabeça incontáveis vezes.
Eu notei que o Armin estava estático e começou a tremer também vendo aquilo.
Ele não tirava os olhos do Daniel um segundo sequer.
“Armin…? ”chamei seu nome em vão. Ele não me respondia nada.
Só continuava a olhar pro Daniel enquanto eu notava sua mão começar a tremer.
Eu então o chamei de novo enquanto tocava em seu ombro, ele deu um pequeno grito enquanto me olhava e se afastou, voltando a olhar pro Daniel.
Ele estava muito estranho.
Alexy olhava pra ele com desconforto e melancolia.
Algo acontecia ali que os dois sabiam bem o que era, mas eu não fazia ideia até então.
O Ken então chegou e abaixou os braços do Daniel muito rapidamente enquanto ele abraçava o tronco do Daniel com força.
Ele não parava de se debater.
“EU QUERO VOLTAR! EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO!! CHEGA!” Daniel gritava mais e mais alto essas frases repetidamente sem parar.
Ken me pediu pra fechar a porta dos fundos que estava aberta e eu fui correndo.
Ficou um silêncio enorme, só se ouvia o choro do Daniel.
As pessoas se afastaram a pedido do próprio Ken. Tinha pouca gente no local, mas os poucos que tinham se afastaram, ficando somente Thomas, Alexy, Armin e Nathaniel.
Aos poucos a agitação de Daniel foi diminuindo.
O Kentin não parava de abraçar o Daniel um segundo sequer, após muito tempo, ele ficou ali, quietinho, calmo de novo, mas não falava nada.
Eu já vi aquela cena, tenho certeza…
“Desculpem a confusão. Às vezes isso acontece com o Dani–” Antes que ele completasse, o Armin saiu de lá desesperado.
“Aconteceu algo?!” Ken perguntou confuso.
“Eu…Eu não sei. Enquanto você estava abraçado com o Daniel, ele começou a tremer muito e ficar inquieto…” falei ansiosa.
“... Vai lá verificar ele…” Ken disse com um olhar calmo e melancólico.
Eu fui atrás do Armin, ele estava com o Alexy no trailer onde dormíamos, o Alexy não esperou duas vezes pra ir atrás dele. Ambos estavam abraçados. Engraçado que era o Alexy do passado, e não o do presente. O do presente deveria estar dormindo até aquela hora, já que eu não tinha visto ele em momento algum.
Armin parecia chorar muito no colo do Alexy, e o Alexy estava super paciente e calmo.
“Alexy…?” Falei me aproximando, Alexy só pediu com um olhar super gentil pra que eu me calasse sinalizando com o dedo em seus próprios lábios.
Eu estava muito confusa, mas fiquei quieta.
Eu precisava entender, chega se não saber como lidar nem o que se passa.
Após um bom tempo em silêncio, Daniel entrou no trailer com o Ken.
“Desculpem o escândalo que fiz, eu fiquei um pouco fora de controle… Essa situação toda me fez muito mal.” Daniel dizia calmo e quase sussurrando.
Armin, que já estava bem mais calmo, encarou o Daniel e começou a falar.
“E aí faz esse papel de idiota na frente de todo mundo.” ele dizia sem olha diretamente o Daniel, já desviando o olhar que demonstrava grande frustração e raiva.
“Idiota? Eu só fui eu mesmo. Que culpa eu tenho?” Daniel dizia.
“Ninguém é obrigado a lidar com essas merdas suas. Deixa de ser ridículo.” Armin finalmente encarou o Daniel sem desviar o olhar, Daniel parecia estar com raiva.
É, clima de tensão e eu confusa. Adoro.
“Armin!” Alexy chamou atenção dele.
“Não tô mentindo! Eu to sem conforto a tempo suficiente e tendo que tancar essa merda toda! Então que se foda ele!” Armin estava muito estressado, e quem parecia que ia surtar era ele.
“Eu já falei contigo o suficiente pra saber que eu e você somos MUITO parecidos, não to te entendendo agora…” Daniel estava a um ponto de explodir também, e eu? Muito apreensiva.
“Eu sei bem o porque que você surtou, e quer saber? Foda-se! Por agora você tem que parar de se forcar nessas banalidades dos seus toques e entender que não tem o que fazer! Se expor só vai fazer com que ninguém te dê credibilidade!” Armin se aproximou do Daniel com aquele jeito explosivo dele.
Daniel por sua vez, que estava calmo já, voltou a ficar agressivo, e já saiu puxando o Armin pela blusa.
“Seu idiota! Para de ter vergonha de quem você é! SEI QUE VOCÊ TAMBÉM TÁ QUERENDO EXPLODIR COM ESSA MERDA TODA! VOCÊ NÃO CONFIA NOS SEUS AMIGOS?!” Daniel gritava com Armin.
“É MUITO FÁCIL PRO CARA QUE NUNCA TEVE QUE INTERAGIR SOCIALMENTE NA VIDA FALAR ISSO PRA MIM! NO COLÉGIO EU SEMPRE FUI O RETARDADO! SABE EU COMECEI A FORÇAR PARECER UM COMPLETO IDIOTA VIRGEM E OTAKU?? PRAS PESSOAS PEGAREM NO PÉ DISSO AO INVÉS DE NOTAREM MEUS PROBLEMAS REAIS! ALI PELO MENOS FAZIAM BULLYING COM ALGO QUE EU CRIEI E NÃO COM QUEM SOU DE VERDADE!” Armin gritava de volta com toda a força.
“Nossa, você é imbecil mesmo. . . EU FUI PRA ESCOLA, EU ANDEI NA RUA, EU JÁ TENTEI FAZER ESSAS COISAS TAMBÉM. E acha que não sofri bullying? Todo mundo tá propenso a essa merda! O importante é que consigo me defender e afastar esses vermes.” Daniel gritava ainda mais alto que ele.
“Passar a vida escondendo quem você é de verdade não vai te levar a nada. E se eu tenho a chance de ter gente como o Ken, Priya, Melody e Hyun do meu lado, é porque eu me abri pra eles. VOCÊ TEM AINDA MAIS AMIGOS QUE EU! QUAL O TEU PROBLEMA?!”
“Eu não quero que minha inteligência ou meus erros sejam associadas a… ao–”
“Autismo?! Pois as pessoas vão associar a isso e ponto! A humanidade é imbecil! O importante é que nós temos QI o suficiente pra saber que eles estão errados! E QUANDO DIGO QI TO FALANDO DE TODOS QUE ESTÃO NESSA SALA! FICAR SE MASCARANDO DO JEITO QUE FAZ E AFASTANDO TODO MUNDO NÃO VAI SOLUCIONAR NADA! EU NUNCA TIVE FAMÍLIA ALÉM DO KEN SABIA?! AGRADECE UM POUCO PRA SEJA LÁ O QUE VOCÊ ACREDITAR POR TER UMA FAMÍLIA INTEIRA TE AJUDANDO! SEU MIMADO DO CARALHO!” Daniel gritava.
Meu Deus, era muito confuso.
Ken tocava o ombro do Daniel falando pra ele parar, que já deu. Mas a briga continuava.
“Eu só queria uma forma de me livrar disso pra sempre… Ninguém ficou gatilhado te vendo porque ninguém passa por isso! É fácil! “ Armin dizia chorando com raiva.
“Teu cu. Eu fico gatilhado com isso porque eu não gosto de te ver assim. Mas não no sentido que provavelmente esse teu cérebro derretido pensa, mas no sentido de que sei como você fica mal por achar que tá sendo um anormal, estorvo e um monte de pilha desnecessária. Sabe, todo mundo tem seus problemas, eu mesmo tenho meus surtos, pessoas são únicas e você nunca aceitou isso de argumento…” Alexy parecia triste. E sei que esse argumento provavelmente sairia da boca do Alexy do presente também.
“Você quer ficar com a Boreal certo? Por que quer se livrar disso? A Boreal gosta de você do seu jeito.” Daniel dizia calmo novamente.
“Eu iria continuar sendo eu sem essa merda!” Armin respondeu um pouco mais calmo.
“NÃO IRIA NÃO! Boreal! Fala as coisas que você acha estranho no Armin, agora!” Daniel virou pra mim quase que me forçando.
“Hã? Como assim??” eu estava realmente confusa.
“É, só fala. Manias dele. Assuntos dele, tudo que acha esquisito nele.” Daniel dizia de novo.
“Hmm… Sei lá, todo mundo tem umas manias esquisitas que eu detesto, mas também que fazem eles unicos. No caso do Armin, o vício dele em doces me preocupa com a saúde dele, a forma como ele DETESTA dar a mão que é muito contraditória com como ele é hipersexual, a forma como ele sempre que tá em local publico ou local que tenha gente fica tentando a tentar transar comigo é bem esquisito, mas eu confesso que hoje em dia eu gosto disso er… tenho mesmo que fazer isso?” Daniel só acenou positivo e me fez continuar.
“Tá…a forma como grita comigo se eu tentar fazer ele experimentar algo novo, a dificuldade que ele tem de dizer que me ama, a forma que ele é SUPER antissocial e como ele fica por dias facilmente sem ver ninguém, a forma como ele fica horas e mais horas só falando ou dos desenhos favoritos dele, jogos ou de sexo e de coisas que ele adora, isso tudo é bem esquisito e eu nunca vi outras pessoas assim. E bem, se ele mudasse isso tudo eu acho que ia deixar de ser o Armin, já que são essas coisas que diferenciam ele das outras pessoas. O Nathaniel por exemplo me irritava com seu exagero com a religião, honestidade excessiva, e mais varias coisas eu não vem ao caso já que o foco não é esse… Mas… era isso?” conclui.
“Sim… Era isso… Entende Armin? Tem coisas que são suas e que nunca vão mudar, mas se você não tivesse nascido desse jeito exato, elas seriam completamente diferentes.” Daniel falava calmo.
“Só se aceita Armin. . . Se tirar o Autismo de você, você deixa de ser parte de quem é. E não porque sua personalidade é definida nisso como você tanto detesta, mas porque isso FAZ parte de quem você é TAMBÉM. Assim como a cabeça estourada do Castiel faz parte dele.” Alexy dizia.
“É, isso faz parte… Você viu como o Ken mudou se comparado ao que escrevi sobre ele no meu diário e comparando com o Ken da realidade distorcida. Uma simples mudança faz a pessoa ser completamente diferente, mesmo que a essência seja a mesma. Gosto de você como você é, assim como gosto de cada um dos nossos amigos individualmente por conta de suas diferenças.” eu falei.
Armin estava pensativo, e só olhava pra baixo.
“Acha que pra Boreal não seria ótimo ter alguém que dá a mão pra ela?” Alexy dizia.
“Você falou que seria bom pra Boreal ter alguém que de a mão, como pode falar por ela? Quer dizer que ela já reclamou disso né?” Armin dizia.
“Sim já reclamei e sim, me irrita sim… Mas, por ser algo raro de você fazer, eu dou muito mais valor quando você faz porque sei que está sacrificando seu bem-estar por mim, eu sei você se incomoda muito, quando você faz é realmente muito significativo pra mim…Sei lá, não é como se eu gostasse dos seus defeitos Armin, mas, eles definem tua personalidade. Sem eles não seria o Armin sabe…“ Armin parecia estar com vontade chorar, mas ele se segurava.
“Bem, eu diria que vou deixá-los sozinhos, mas precisamos da sua ajuda Boreal…” Ken dizia.
“Minha ajuda?”
“Sim, pra ir lá na outra dimensão… Daniel surtou porque você não trouxe uns equipamentos dele que ele considera muito importantes.” Ken dizia.
“Ué, não precisam da Boreal, eu quem falo com o Armin geralmente, é só me pedir.” Alexy se meteu.
“Ah, então tá, a gente vai deixa-los a vontade e–”
“Eu quero ir com vocês. Quero ver acordado como essa viagem dimensional funciona. Posso?” Armin se meteu se recompondo e olhando pro Alexy.
“Se não for tentar nada errado, por mim tá ok…”
E assim decidimos, Armin, eu, Ken e Daniel decidimos passar na dimensão deles pra pegar alguns equipamentos que Daniel precisava urgentemente.
Alexy estava mandando mensagem pro Armin enquanto nos arrumávamos.
A intensão era que tudo fosse o mais rápido possível.
Enquanto esperávamos Armin do passado nos buscar, conversávamos sobre as coisas que estávamos vivendo.
Soluções, problemas, etc.
Foi quando o Armin chegou pra nos buscar, estávamos no meio da conversa.
Ken e Daniel encaravam ele espantados e com certa raiva.
“Olá. Foi aqui que pediram uma carona pra dimensão do Lysandre?” Armin falava fazendo gracinha.
”Só vamos buscar algumas coisas, nem vai precisar ir embora.” eu respondi rapidamente.
“Alexy já me passou tudo. Só vamos logo.” ele dizia já programando o aparelho dimensional.
Aproveitei o silêncio em que todos encaravam o Armin e decidi fazer uma pergunta pra ele a respeito da conversa que eu tinha tido com os meninos minutos antes.
“Porque não procuramos a Debrah dessa linha pra pedir ajuda? Debrahs sempre são uteis e—” perguntei pro Armin durante sua visita e fui cortada.
“Eu já cogitei Boreal… Especialmente pra aperfeiçoar minha maquina, mas temos um problema: toda raça da Debrah, no caso, a própria Debrah foi extinta e só restou a consciência dela no PC do Armin.” quando ele falou isso eu comecei a rir.
Isso não tinha sentido algum, não fazia muito tempo que havíamos falado com ela.
“Armin… qual a lógica? Faz pouco tempo que falamos com ela, mal faz 1 mês.”
“Boreal… a Debrah morreu. Desculpa falar assim, mas…”
“QUE?! DO QUE TA FALANDO?! MAS ELA…” eu não acreditava.
“PARA DE FAZER PIADA ARMIN. ISSO NÃO É HORA!” pude notar que todos no local estavam muito espantados.
“Várias dela se mataram, morreram ou desapareceram, de acordo com meu conhecimento só resta a que esta no computador do Armin, ela provavelmente consegue a localidade da Boreal original facilmente se pedirmos, o problema é: como alcançaremos ela? E voltamos ao ponto que eu falei de que precisamos no mínimo alcançar bunker.” Armin dizia me deixando em choque.
Eu fiquei sem conseguir falar por um bom tempo.
As palavras dele não faziam sentido algum pra mim.
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