Notas iniciais
eu falei que hoje tinha...


Alexy estava abrindo todas as janelas do trailer onde Armin e eu nos encontrávamos.

“Levantem porque quem ganha dinheiro na cama é puta”.

Armin sem levantar, só puxou a coberta pro rosto e arremessou com tudo meu travesseiro no rosto do Alexy.

“Para com essas merdas de frases de twitter e me deixa dormir.” Armin falou irritado.

“VAI DORMIR DEPOIS DE MORTO! LEVANTA AGORA!” Alexy então puxou a coberta.

“Tá me desafiando a cometer suicídio?” Armin encarava o Alexy.

“Atreva-se que eu te trago de volta com ritual e te encho de porrada.” eu confesso que estava rindo.

Parecia até um dia normal sem preocupações sabe? Esse clima lixo diário tem me consumido…

Fomos até a mesa de café da manha e Daniel estava lá com várias bugigangas.

“Merda, esqueci minha caixinha de capacitores.” ele falava irritado.

“Podemos comprar algum capacitor por aqui e…” Ken dizia.

“EU QUERO OS MEUS!” Daniel gritava com Ken.

“Nem tudo pode ser do seu jeito Daniel…” quando o Ken falou isso, Chani parou atrás deles e ficou encarando o equipamento na mão de Daniel.

“É, acho que não temos esse modelo de capacitor nessa linha.” ela falava pensativa.

“E você conhece de tecnologia Chani?” Armin sentado do meu lado apresentou curiosidade.

“Esse ai é mó rata de máquina. Não parece, mas ela adora essas coisas.” Thomas ria enquanto mastigava.

“OK Daniel, você ganhou, eu vou com você.” Ken respirava fundo.

“Podemos ir também? Quero verificar umas coisas…” Armin dizia.

“O que?” eu perguntei por não saber.

“Nada de mais, só quero pegar coisas também.”

Eu então cochichei pra ele” o que acha de irmos na minha casa ver o tal portal que Debrah mencionou?” ele só acenou positivamente.

E assim foi decidido. Iriamos novamente naquela linha.

Depois do café da manhã, Alexy chamou o Armin do passado e assim eu, Armin, Daniel e Ken fomos até o esconderijo de Daniel para pegar o restante dos equipamentos que precisávamos.

Castiel e Alexy do presente se meteram no meio sem motivo aparente, só pra mudar ares. Acho que a vida na casa do Thomas estava bem tediosa pra eles dois.

Armin, como sempre, estava animado e cheio de piadas. Ele está mais vivo depois de tudo que aconteceu.

Em contrapartida, Ken estava quieto, o que me preocupou um pouco. Ele é sempre tão gentil e atencioso, mas hoje estava diferente. E pensar que pode ser por conta das coisas que ocorreram com a Iris me deixa com o coração apertado… é tudo muito recente.

Não enrolamos muito, na verdade, cada um foi pra seu afazer bem rápido.

Armin estava separando algumas coisas que ele queria levar enquanto estivéssemos no Thomas e colocando em sacolas pra levarmos.

Enquanto pegávamos os equipamentos, conversamos sobre o que fazer a seguir. Ken contou que havia uma possibilidade de encontrar uma forma de voltar para a nossa linha do tempo e vivermos bem novamente, mas seria difícil.

Ele parecia tenso e melancólico, talvez com a ideia de que sem a máquina não teria chance sequer de trazer a Iris de volta? Ou talvez fosse nada disso? Ou até mesmo só estar pensativo com tudo… Não faço ideia.

Armin, por sua vez, falava sobre como poderia usar a máquina do tempo para fazer algumas brincadeiras e até deu ideias pro Ken de como ajuda-lo a montar uma máquina nova e trazer a Iris de volta em uma realidade sem o Lysandre.

"Armin, acho que agora não é o momento para piadas", disse Ken, com uma expressão séria. "Desculpa, Kentin... Eu sei que temos coisas mais importantes para pensar agora. Eu só… Vamos focar em encontrar uma maneira de voltar para casa." Armin murchou completamente.

Pude notar sua tristeza, ele só queria animar o ambiente…

Eu confesso que suas piadas sarcásticas que me fazem rir mesmo nos momentos difíceis, mas aquele era um momento que definitivamente não consegui rir mesmo que eu forçasse, especialmente porque ele citou a Iris...

Alexy e Castiel não demoraram muito e saíram pra algum lugar fazer algo do qual não contaram par ninguém, bem, Castiel com o Alexy me preocupa menos pra ser sincera.

Alexy é louco mas freia o Castiel geralmente. Seja lá o que foram fazer acho que não szeria nada de mais se dependesse do Alexy.

Eu puxei a manga da roupa do Armin de leve.

“Armin, podemos ir lá onde fica minha casa pra ver o que a Debrah falou?” perguntei.

“Era esse o objetivo desde o inicio quando viemos não? Pra que perguntar?” ele respondia com a classica apatia dele que ele usava pra me deixar incomodada.

Senti falta, não nego.

Estava ansiosa para colocar em prática o que havíamos planejado nos últimos dias.

Armin e eu estávamos indo para a localidade onde a minha antiga casa ficava, em busca do tal portal dimensional que a Debrah havia mencionado em seu diário. Sabíamos que não seria uma tarefa fácil, mas estávamos determinados a encontrá-lo para atravessar para o Bunker.

Segundo o diário da Debrah, o portal é a única forma de atravessarmos para o bunker, pelo menos sem sermos notados. Eu sinceramente só espero que essa viagem não seja em vão.

Durante a nossa caminhada, Armin estava animado como sempre com a ideia de tudo se resolver, coisas fantásticas e afim, parecia o Armin antigo sabe?

Mas eu podia perceber que algo estava incomodando ele. Não queria pressioná-lo a falar sobre isso, então mantive a conversa casual. Falamos sobre os filmes que ele havia assistido recentemente com a Peggy nos intervalos de seu “trabalho”, sobre sua última conquista nos jogos e sobre como ele planejava usar sua habilidade em programação para hackear o sistema do governo e mudar o mundo.

Era engraçado, pois parecia nossos momentos casuais, sabe?

Foi uma longa caminhada, cheia de conversas aleatórias e brincadeiras.

Finalmente, chegamos ao local onde a minha antiga casa costumava ficar.

Faz tão pouco tempo pra mim que eu morava aqui, foi tão estranho ver que não tinha sinal da minha existência por ali…

Eu já havia visitado aquele lugar outras vezes, inclusive cheguei a ir em outro local pensando ser minha casa, a geografia local estava estranha, mas no fim, era minha antiga casa, ou o que restou dela… um terreno baldio.

E essa seria minha primeira vez entrando ali.

Armin e eu observamos o lugar por alguns minutos.

Não havia nada lá além de algumas árvores e mato alto.

"Isso parece um filme de terror", disse Armin, tentando aliviar a tensão que pairava no ar. Ele notou meu incomodo, obviamente.

"Eu sei, é estranho voltar aqui depois de tanto tempo, ou melhor, de tão pouco tempo, né…", respondi, sentindo um frio na barriga.

Armin parecia notar como eu estava nervosa, ou melhor, ele com certeza notou, é o Armin.

Ele tentava me fazer me sentir confortável, mas assim como ele me conhece, eu o conheço, então não funcionou bem.

"Andar por essas áreas cheias de mato alto e árvores faz a gente se sentir como em um jogo de aventura, não acha?"

"Talvez", respondi com uma risada nervosa.

"Vamos logo procurar esse portal, antes que anoiteça." e assim seguimos.

Começamos a caminhar em direção ao local que a Debrah havia indicado em seu diário.

Armin ia na frente, cortando o mato alto

Pela aparência do local, a casa já foi demolida faz anos nessa linha temporal, mas ainda dava para ver as marcas no chão onde ela ficava. Eu me senti um pouco nostálgica ao ver aquele lugar.

"E aí, o que você acha?" Perguntou Armin, olhando em volta.

"Acho que não vamos encontrar nada por aqui. A casa já foi demolida faz anos." eu falei.

"Não tem problema, vamos explorar mesmo assim. Quem sabe a Debrah deixou algum rastro por aqui? Ela disse que era no local de sua antiga casa, não na casa sua ameba." ele respondeu bagunçando meu cabelo.

Sentia o clima estar cada ver mais confortável, era como se ele fizesse por onde para tal.

Ele continuava a cortar o mato alto com uma faca que trouxe consigo, enquanto eu seguia atrás, mantendo um olho atento nos arredores.

Depois de alguns minutos, encontramos uma pequena clareira cercada por árvores altas e densas.

Era muito estranho ver minha casa com tantas árvores e mato.

No meio da clareira, havia um grande pedregulho com algumas inscrições estranhas esculpidas nele.

De acordo com o diário da Debrah, este era o local onde o portal dimensional deveria estar.

O que seria esse ritual?

Armin foi o primeiro a se aproximar do pedregulho, examinando cuidadosamente cada inscrição. Fiquei observando-o por alguns instantes, até que ele se virou para mim com uma expressão séria no rosto. "É aqui", ele disse em um sussurro, apontando para uma rachadura no meio do pedregulho.

"O portal deve estar escondido aqui dentro." Eu me aproximei para examinar a rachadura mais de perto e assim que toquei o pedregulho senti uma vibração estranha no ar.

De repente, um feixe de luz brilhante saiu da rachadura, envolvendo tanto Armin quanto eu.

Eu podia sentir o chão desaparecendo sob meus pés, enquanto éramos puxados para um túnel de luz.

Foi uma sensação vertiginosa e desorientadora, como se estivéssemos caindo em um buraco negro, pelo menos imagino que cair em um buraco negro seria daquele jeito...

Quando finalmente a luz desapareceu, me vi em um lugar completamente diferente. Estava em um grande corredor de metal, com luzes brilhantes penduradas no teto e portas numeradas ao longo das paredes.

Armin estava ao meu lado, olhando em volta com uma expressão de surpresa no rosto.

"Isso é incrível", disse ele, olhando em volta.

"Nós conseguimos. Atravessamos para a dimensão do Bunker." podíamos ver o bunker ao longe e muito “lixo” dimensional pra todo canto.

E assim confirmamos que sim, a Debrah não mentiu.

Após segundos de alívio, a ansiedade tomou conta do meu corpo novamente.

Não ficaríamos por ali obviamente, não estávamos preparados nem com nosso grupo de amigos pra ir pra esse local, mas já tínhamos uma certeza: estava lá.

Parecia tão obvio o local, como ninguém notou? Eu acabei por expressar isso em voz alta

"O portal parece reagir apenas a você Boreal... Talvez porque você veio de outra dimensão e tem magnetismo sobrenatural." Armin dizia já parecendo juntas os pontos rapidamente.

"Temos que voltar e avisar pro Armin do passado que achamos um local seguro e próximo de nosso objetivo final, precisamos pôr em prática nosso plano de achar a Boreal original e corrigir tudo isso finalmente!" eu estava esperançosa, não tanto, mas sentia algo sabe?

Já o Armin, parecia tentar forçar um sorriso e algumas piadas, mas... ele estava claramente melancólico.

“Quer dizer que a Boreal original está realmente no bunker?” Armin perguntava pensativo sem mais nem menos.

“Ao que tudo indica… mínimo é por lá que alcançaremos ela.” eu respondi.

"Será... que vai funcionar? Eu fiz de tudo pra te manter viva... Fui eu quem destruiu todas as linhas temporais por sua causa, eu e minhas várias versões, qual será o sentido de chegar tão longe e deixar você morrer agora...?" ele dizia. "Eu não vou morrer Armin..." Eu respondia. "Boreal, não sabemos o que vai acontecer, sejamos sinceros, estamos correndo em círculos tem meses! Estamos nos agarrando em uma fagulha de esperança que o Armin do passado nos deu, mas sinceramente? É difícil acreditar que algo vai mudar…" ele então entrou de volta no portal que ainda se encontrava aberto sem me esperar, retornando pra nossa dimensão. Ainda tínhamos que avisar pro resto do pessoal, mas agora eu queria acalmar ele, e claro, me acalmar sem ele notar que eu estava, sim, nervosa de pensar que tudo poderia dar errado... Eu coloquei a mão no ombro do Armin, tentando passar um pouco de segurança para ele.

"Eu entendo que seja difícil acreditar, Armin. Mas temos que manter a esperança e tentar fazer o nosso melhor para mudar as coisas. Nós já chegamos tão longe, não podemos desistir agora."

Armin suspirou e olhou para mim com um olhar triste.

"Eu só não quero te perder, Boreal. Você é a única coisa que importa para mim nesta vida." Eu sorri para ele, segurando suas mãos.

"Eu sei, Armin. E você é a pessoa mais importante para mim também. Mas temos que confiar um no outro e no nosso plano. Nós podemos fazer isso juntos." Eu dizia isso, mas eu estava disposta a me sacrificar pra manter ele e todos os vivos. Mas naquele momento eu só disse o que eu sabia que ele queria ouvir…

Nós ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas olhando um para o outro, até que Armin finalmente sorriu e deu um beijo em minha testa.

"Vamos voltar e avisar os outros, então. Temos muito trabalho pela frente." ele tentou, mas como sempre falhou miseravelmente em esconder seus sentimentos.

Nós saímos e voltamos para a clareira na floresta. O portal ainda estava lá, brilhando com uma luz suave. Eu peguei minha mochila e a faca que o Armin havia tinha trazido, me preparando para voltar para casa do Thomas e começar o próximo passo do nosso plano.

Eu não sabia o que o futuro reservava, mas eu tinha a esperança de que nós pudéssemos mudar as coisas para melhor. E eu sabia que, com o Armin ao meu lado, nada seria impossível.

Infelizmente as coisas não são fáceis e nunca foram fáceis pra mim, mas eu precisava tentar, mesmo tem trégua.

Se necessário, eu iria partir sim… Armin tem que aprender a deixar as coisas irem, é a maior lição que tenho aprendido…

Nós retornamos para um shopping abandonado pra aguardar o Armin do passado e pra ajudar com o resto que o Ken havia vindo pegar.

Iriamos só esperar o retorno do Alexy e do Castiel seja la de onde foram.

Armin pediu ajuda pra pegar algumas coisas pra ele também, eu estava tão concentrada em encontrar os equipamentos que nem percebi que alguém entrou no local até o Ken perceber.

“Nina.” ele sussurrou.

Eu e Armin nos olhamos em choque, sem saber o que fazer. Foi quando Ken nos puxando para dentro de um pequeno recipiente secreto escondeu Armin e eu.

"O que está acontecendo?" perguntei novamente, sem entender nada.

"Boreal, precisamos nos esconder. Esse guarda está procurando por você", Ken disse, visivelmente preocupado.

Guarda? Que guarda?

Até então eu não fazia a menor ideia do que ele estava falando.

Eu comecei a entrar em pânico.

Nina… Nina…Como eu poderia ter sido tão descuidada? Agora, por minha causa, todos estavam em perigo.

O guarda chegou pouco depois, Nina estava realmente acompanhada de um guarda.

Ele começou a interrogar Ken sobre a minha localização.

"Onde ela está? Não vou perguntar de novo", ele disse, apontando uma arma para Ken.

“Ela já sabe e–” eu tentei falar com o Armin, mas ele não deixou.

Conseguíamos ver com precisão o lado de fora pelos furos do recipiente, mas ninguém conseguia nos ver la dentro.

Ela nos dedurou. Disse que eu era uma criminosa procurada e que o Ken estava me ajudando a fugir.

"Ken, eu fiz isso pelo seu próprio bem", disse Nina. "Você não pode ficar andando com uma criminosa procurada."

Ela repetia isso pro guarda várias vezes, e dizia que eu estava manipulando o Ken, Armin me segurava e me continha pra eu não ir lá ou gritar.

O guarda exigiu que o Ken mostrasse onde eu estava escondida, mas ele não queria me entregar, e ele não ia mesmo.

Eu ouvia toda discussão do lado de fora com clareza e via tudo.

"Você sabe que ela não é criminosa", disse Ken para Nina.

"Ela é procurada, isso é o suficiente. Ninguém é procurado atoa. Você já fez barbaridades e ainda assim não é procurado.", respondeu Nina.

"Você sabe que isso pode prejudicá-lo, não sabe? Andar com alguém como ela é perigoso. Entregando ela com toda certeza o mestre Lysandre irá perdoar seus crimes Ken!" Eu podia ouvir a tensão na voz do Ken negando ela com toda cautela.

Ele não queria me entregar, mas não sabia o que fazer. A situação estava cada vez mais tensa. O guarda não desistia de procurar por mim. "Vou ter que revistar esse lugar todo se for preciso", disse o guarda.

Fiquei ali, encolhida, tentando controlar minha respiração. Meu coração batia tão forte que eu achava que podia ser ouvida do lado de fora. Armin me abraçava com força, eu não sabia se ele estava tentando me acalmar ou SE acalmar.

A discussão estava mais intensa e próximo do contêiner., só havia uma mesa entre o Ken e o guarda, Ken tentava incansavelmente convencer o guarda de que eu não estava lá.

“Você é o líder rebelde Kentin?” O guarda até então parecia não ter se ligado disso.

Mas ao notar, ele pareceu ficar mais ofensivo com o Ken, que por sua vez, tentava se manter calmo e respeitar o guarda de uma forma que nunca o vi fazer.

"Eu não sou um líder rebelde, senhor. Eu sou apenas um jovem que está tentando encontrar seu lugar no mundo. Não estou envolvido em nenhum tipo de crime ou rebelião", disse Ken com firmeza, tentando mudar o foco da conversa.

Mas o guarda não estava convencido.

"Não minta para mim, Kentin. Eu tenho informações de que você está liderando um grupo de rebeldes e que essa criminosa está envolvida com vocês", disse o guarda, apontando para Nina.

Nina ficou indignada.

"Eu não sou criminosa! Eu só estava tentando ajudar a encontrar a verdadeira criminosa! E eu vi ela aqui!! Eu estou certa disso!!", disse ela, tentando se justificar.

Mas o guarda não estava ouvindo. Ele se aproximou da mesa, com a mão na arma, pronto para agir.

Eu tive impulso de sair do contêiner, porem Armin me segurou.

“Se você sair agora, tudo que ele está fazendo por você será em vão, pense nisso Boreal.” assim que ele falou eu travei, ele tinha razão, o problema é que segundos depois ouvi um tiro.

Armin segurou minha cabeça em seus braços e eu comecei a chorar.

Meu coração parou. Demorou um pouco para eu ter coragem de olha pra fora do recipiente. Quando finalmente olhei, vi Ken no chão, morto.

Eu tive um impulso de gritar, mas Armin abafou minha voz e me abraçou com força.

Fiquei paralisada, sem acreditar no que acabara de acontecer.

O guarda olhou na direção do recipiente, mas não disse nada. Ele apenas saiu de lá, deixando Nina para trás.

Nina ficou desesperada, chorando e pedindo perdão pro corpo morto de Ken. Ela não sabia que as coisas chegariam a esse ponto. Eu não consegui fazer nada, eu queria fazer algo para confortá-la, mas eu quem precisava de conforto agora. Eu estava em choque, tentando assimilar tudo o que acabara de acontecer.

Era a segunda vez que eu via o Ken morto da mesma forma… segunda vez…

Armin do passado chegou logo depois, encontrando Ken morto e Nina chorando. Ele não sabia o que fazer, mas tentou confortá-la, abraçando-a. Eu fiquei parada, olhando para o chão, tentando entender como tudo isso aconteceu. Foi um dia difícil. Perdemos um amigo e agora estamos mais procurados do que nunca. Mas vamos continuar lutando. Não vamos desistir.

Ken… de novo…?

Eu me encolhi mais e mais, tremendo de medo. Foi tão inesperado. O guarda atirou em Ken, sem nenhum aviso prévio.

Eu não conseguia deixar de me sentir culpada. Se não tivesse sido por mim, Ken ainda estaria vivo.

Fiquei encolhida ali por um tempo, sem reação, ouvindo os passos das pessoas indo e vindo e se aproximando e as vozes cada vez mais altas. Armin acariciava meu cabelo e me dizia para ficar calma, mas eu estava tremendo de medo. Eu sabia que estava em perigo.

Eu sabia o que havia acontecido.

Armin do passado finalmente se livrou da Nina e abriu o contêiner, demorei muito pra ter coragem de sair de lá, mas eu saí…

O que era horrível podia ficar pior…

Havia sangue pra todo lado.

Havia sangue sob a mesa, parede e até mesmo nas minhas roupas…

Eu só via… sangue.

Notas finais
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