As aventuras de uma Docete Ciclope
199 Capitulo 194
Notas iniciais
Eu podia sentir suor nas minhas mãos
O que eu poderia fazer se um aliado do Lysandre me achou? Era tudo que eu pensava.
Eu me afastava aos poucos dele e tentava transmitir confiança mesmo estando assustada.
Horas antes eu havia dito sobre me entregar e morrer, e agora simplesmente quando me vejo na tal situação me encontro com as pernas bambas.
“Ok agora que me achou, vai fazer o quê?” perguntei tentando não expor meus sentimentos.
“Te achei?” Armin começou a rir me deixando um tanto quanto confusa.
“Boreal eu não te achei, eu sempre soube onde você estava, se nunca ninguém invadiu esse local é culpa minha, eu não deixei que te descobrissem. Eu estou te encobrindo. Você realmente é uma ameba hein?" Ele falava calmamente me deixando confusa.
Ele começou a se aproximar de mim e me rondar, eu o acompanhava com meu olho tentando me manter calma e firme.
“Seria muito fácil de te achar se eles quisessem, especialmente com minha ajuda, mesmo se eu não soubesse que estavam aqui, eu sou o Armin esqueceu? Eu descubro o que eu quero a hora que eu quero.” Ele falava isso com o rosto colado no meu ouvido por trás, me causando um arrepio na espinha que mesmo sabendo que ele estava ali, meu coração disparava de medo por não saber o que ele poderia fazer, foi quando ele colocou o meu colar perdido em meu pescoço.
“MEU COLAR!!” Falei espantada e o olhando em seguida.
“Viu como sou legal? Guardei seu cordão pra você e escondi do Lysandre pra que ele não soubesse que vocês estiveram em sua mansão. Me deve essa.” ele sorria pra mim de maneira gentil e geniosa.
Eu me afastei de uma vez e fiquei encarando ele, séria e apática, ainda tentando esconder tudo que eu sentia.
“O que quer?” Perguntei firmemente.
“Como você esta arisca. O que fiz pra você? Relaxa, sou o Armin.” Ele disse com aquele sorriso de canto que o Armin dá sempre quando tenta manipular uma situação ou quando ele sabe que tem tudo a seu favor. Esse é o problema de conhecer ele tão bem… Eu não sei se esse Armin segue o mesmo padrão, mas ver o seu sorriso seguro me fez suar ainda mais.
“Além de nos trair?! Nos roubar e fugir pro lado de quem queríamos derrotar?! Nós estamos presos nessa linha temporal completamente caótica e distorcida por culpa sua!” eu respondi
“Trair? Do que está falando? Eu nunca fui aliado de vocês, vocês que queriam que eu fosse aliado, mas eu jamais jurei lealdade a vocês, pelo contrário, sempre deixei bem claro como fui contra desde o início com tudo que estavam fazendo. Além do mais, acham que eu to errado, pois saibam que eu acho que estão errados, e aí? Quem está certo?” quando ele falou isso eu não sabia o que responder.
“Certo e errado é ago subjetivo e individual de pessoa pra pessoa. Existe um consenso do que é valido socialmente justamente porque é dito que a partir do momento em que suas atitudes influenciam a vida de outra pessoa diretamente isso se torna algo errado, por isso assassinatos, por exemplo, são algo ‘errado’, mas ainda assim, se o assassino considera correto, ninguém pode fazer nada pra mudar isso na cabeça dele.” ele dizia.
“Então, se o assassino acha que está certo e certo e errado é subjetivo, você concorda que o assassino deve se manter impune, certo? Afinal, ele acredita estar certo, pouco importa a justiça.” respondi.
“Não, eu acho que regras sociais são importantes. Sem exageros, razão que acho incorreto quando se metem na vida ads pessoas pra dizer que elas estão erradas, por exemplo, de se envolverem sexualmente com o mesmo sexo. As pessoas que agridem homossexuais acham que estão corretas, mas elas estão literalmente interferindo na vida de outra pessoa DIRETAMENTE, assim como o assassino, então acho que a regra acaba quando nos metemos na vida de alguém que não está interferindo na vida de terceiros. E por essa razão eu acho que eu sou o certo dessa historia.” ele completava me deixando confusa.
“O que quer dizer…? Como vocês podem estar certos??” questionei confusa e irritada.
“Boreal, você não é tão estupida assim. Acha que quem matou mais, vocês com essa brincadeira de viagem temporal ou o Lysandre? Um erro não justifica outro, claro, espero que o Lysandre pague, entretanto, pense, ele matou a Iris, meia duzia por aí que tentou algo contra ele e várias versões repetidas suas, que convenhamos, podemos contar como uma pessoa só. Mas e vocês? Vocês destruíram linhas temporais inteiras, mataram diretamente pra se manterem vivos, e ainda por cima querem continuar fazendo isso. Eu fiz um favor pra vocês ao rouba-los… Agora não vão criar mais linhas e acabar ainda mais com tudo.” ele falava serio, porem, com um olhar de paz.
Eu estava cada vez mais confusa, tudo que ele falou tinha muito sentido, sabe, e eu não queria aceitar que NÓS eramos os vilões da história…
Digo, como?! O Lysandre é o psicopata… não é?
Nathaniel deles era o vilão…certo?!
“M-mas o Lysandre é um ditador!” eu respondi tentando em defender, já abaixando a guarda e mostrando que eu estava vulnerável.
Pude notar um sorriso vitorioso se formar no rosto de Armin.
“Será? Quem te disse isso? Os rebeldes que lutam contra ele? Lysandre de fato não é santo, e eu quero que ele pague por toda sua crueldade e egoismo SIM Boreal, sou justiceiro, isso eu tenho em comum com minhas versões que estão com você, mas por eu ser logico te garanto, ele demorou MUITO pra poder fazer algo contra o grupo do Kentin.
Ele nunca impôs nada ao seu povo.
Ir de contra suas ideias não o faz matar ninguém, pois ele sabe que tem controle sobre o povo.
O Lysandre é ruim, mas ele não fez nada ruim contra o povo. Entende a diferença entre ser ruim e fazer algo ruim? Já te falei, até agora ele matou você e pessoas que se meteram em seu caminho DIRETAMENTE. Ele é sem escrúpulos, mas não quer dizer que ele vai sair loucamente atirando em todos, Lysandre sabe que isso fará as pessoas pararem de idolatrá-lo, ele não quer isso.” Armin brincava com o pingente de seu pescoço enquanto falava isso.
Eu não sabia como argumentar, parecia que ele tinha razão em tudo que dizia.
Então eu me expus ainda mais.
“S-sabe que temos câmera em todos os lugares e posso gritar por ajuda a qualquer hora né!?” Falei tentando amedrontar ele mesmo achando impossível, e obviamente, abrindo ainda amis brechas pra ele.
“Boreal, eu só vim conversar. Aliás, sabia que todos seus amigos estão dormindo? Eu me preveni que iria conseguir falar com você pacificamente sem interrupções. Gás do sono é muito útil, agradeço ao Alexy.” quando ele falou isso, notei o Alexy do passado entrando no recinto.
Eu fiquei muito espantada, como assim o Alexy que estava com a gente estava com ele o tempo todo?!
“Alexy?!?” Gritei.
“Desculpe Boreal.” Alexy dizia calmamente enquanto se aproximava de Armin.
“Você sabe como é a minha relação com meu irmão, eu o deixei pra tomar conta de tudo e vocês nem desconfiaram. Alexy e eu somos muito próximos, e isso nunca irá mudar, não importa nossa versão. Enfim, Boreal, ninguém virá te socorrer… mas não se preocupe, não tem do que socorrer, afinal, eu não vou fazer nada, realmente só vim conversar.” ele falava calmamente.
“Conversar o quê? Me convencer das suas ideias? Não tenho nada pra falar com você!” Eu respondia arisca.
“Se mate.” ele falava com toda facilidade e simplicidade do mundo.
“O-o que…?”
“É isso mesmo, quero que se mate Boreal. Você é a origem de tudo de errado. Você é a origem de todos esses paradoxos e sabe disso." ele falava calmamente.
“Você tá brincando né? Veio pra falar isso?” falei catatonica.
“Exatamente. Você é a culpada de todo esse colapso no universo, da intensidade da minha depressão e dependência, dos rituais dos Castiel funcionarem tão bem, de tudo de ruim. Coisas ruim acontecem o tempo todo, mas com sua presença as coisas não são simplesmente ruins, são terríveis. Se mate Boreal, é tudo que peço. Você é o início de todo o paradoxo, o alien que veio pra terra sem casa, a namorada do Nathaniel, o oxigênio do Armin, a responsável pela criação de viagem no tempo a que trouxe ‘magia’ pro mundo, você é o início de tudo, de todos os paradoxos, se matando, poderá resolver tudo! Ou simplesmente a realidade ira deixar de existir, mas de qualquer forma, vai acabar todo o sofrimento do mundo.” ele repetia.
“Se quer tanto que eu me mate porque você mesmo não mata?!” eu gritei atrevida, porem, com medo.
“Primeiramente, eu não sou um assassino, nenhuma versão minha nunca matou ninguém, não sou eu que matarei. Eu so quero paz, descanso e consertar tudo isso. Fora que, não estou falando de suicídio.” ele falava.
No fim, todos os Armin querem consertar tudo.
“Pera… como me matarei sem ser suicídio…?”
“Boreal, não é obvio? O Armin que começou tudo é aquele que anda com vocês, aquela versão do futuro. Você não é a Boreal dele, só calhou de ser a primeira Boreal que ele encontrou. Ele sabe onde está a Boreal original, e com certeza guarda ela as sete chaves bem longe de tudo. Ela pode estar em um bunker na lua, ela pode estar em um futuro onde ela é o último ser humano vivo, não sabemos onde ela se encontra, é pra isso que preciso de você Boreal.” ele falava.
“Pera… Tá tudo muito confuso… eu não sou a original?” falei catatônica.
“O que te fez acreditar nisso? O Armin do futuro né? Sinto muito, mas, não, não sei onde a original se encontra.”
“OK, suponhamos que eu concorde com você, o que se faz quanto o Lysandre e ao Nathaniel? Eles não querem essas coisas nobres, vamos ser sinceros.” falei.
“Lysandre realmente não quer, mas o Nathaniel? Ele só quer viver em paz com a Sophie. Ele não quer sua cabeça e mal sabe quem é você pra ser sincero. Lysandre é o único obcecado por você. Mas tudo que ele quer é manter o ego dele inflado com o povo amando ele. Lysandre é sem escrúpulos, psicopata e tudo que quiser chamar, mas ele se satisfaz com a ideia de ser um líder. Sua liderança é mais individual do que algo que atinge os outros, ele sabe que pra ter gente o idolatrando ele precisa ser gentil e usa a generosidade como moeda de troca.” Armin falava.
Eu comecei a ficar muito pensativa.
Sabe, ele não forçou nada em mim e falou calmamente, eu senti sinceridade nele, e convenhamos, o Armin não mente, se esse Armin for meramente o mínimo que o meu Armin é, ele não vai mentir.
“OK, eu… Eu posso ajudar vocês. Mas vão ter que dar um jeito no Lysandre.” falei finalmente.
É, ele conseguiu. Armin e Alexy abriram um sorriso, discreto, mas, ao mesmo tempo, muito visível.
“E tenho mais um pedido, nos trocar de linha temporal. Essa luta contra o Lysandre não tem sentido algum. Se o foco é encontrar minha versão ‘original’, nós temos que ficar nisso e não em sobreviver a um cara louco que me quer morta.” continuei.
“É, mas o receptor que roubei está quebrado.” ele disse.
“Como assim Armin. Eu já o vi abrindo portais.” respondi.
“Dimensionais, eu não consigo viajar no tempo, só consigo viajar em dimensões.” quando ele falou isso eu fiquei em choque. É exatamente o que o Armin tá tentando fazer.
“Então nos troque de dimensão! É só deixar o Lysandre isolado aqui no mundinho dele. Enquanto vamos pra outra dimensão. Mas pra ajudar você no seu plano, eu preciso de paz, e eu não tô tendo paz sabendo que esse maluco pode me matar a qualquer momento. Depois disso faço o que quiserem.” falei encarando o Armin e o Alexy com grande seriedade.
Os dois se encararam e fecharam o acordo comigo.
“Fechado. Farei o possível pra livrá-la do Lysandre. Em paralelo, ganhe tempo com o seu grupo. Alexy ficará aqui pra auxiliá-la.” Armin completava.
“Meu grupo vai comigo. Pelo menos, quem quiser ir.” respondi.
“Se conseguir convencê-los a ajudar, tudo bem, mas caso contrario, eles só irão atrapalhar, esteja ciente que eles não confiam em mim e não pretendo ter essa conversa com eles. Eles podem muito bem impedi-la.” Armin dizia.
“Eu não vou falar toda a verdade pra eles… Eu e você temos um objetivo em comum, querer que isso tudo acabe e que tudo se conserte. Eu… vou colaborar.” respondi firme já com total certeza dos meus pensamentos.
É… Eu sou a nova traidora? É bem confuso pra mim, mas não consigo não pensar que nosso lado não foi o errado desde o início, mesmo que inconscientemente.
“Bem, fico feliz que nossa conversa foi produtiva, Boreal, e que consegui faze-la entender que eu não quero o mal de vocês. Seu namorado deve estar se culpando muito e sofrendo demais por saber que ele é o responsável por tudo isso. Ou pelo menos uma versão dele no caso, já que ele deve acreditar ser 100% o criador da máquina do tempo.” Armin parecia se preparar pra sair.
“Armin, por que está tão obcecado com isso? Por que essa obsessão por acabar com tudo? Ou corrigir tudo? O que vai ganhar com isso? É realmente porque se importa ou tem algo a mais? Só seu senso de justiça?” perguntei.
“Acho que no fim não importa a minha versão, todas ficam obcecadas por você, seja por bem, ou seja, por mal… Boreal, eu nunca quis viver, você sabe disso, você fez aquilo com minha versão que está com você, o tornou dependente, o tornou um tonto. Eu não gostei do que vi, eu não vi meu sofrimento diminuir, pelo contrário, vi que me mantenho vivo pra respirar o mesmo oxigênio que o seu, e o que isso tem de bom? Saber que destruí uma realidade inteira por sua causa é nobre, mas… eu não gosto disso. Eu não me vi fazendo isso, talvez porque não a conhecia, mas, sempre tive um senso de justiça muito grande, até por conta de todo tédio que é viver. Ao ver toda a merda que meu eu estava fazendo decidi me meter porque eu sei que mesmo que esse Armin que está contigo ame viver o que ele vive, se não existir uma realidade ele não vai viver isso, e sendo sincero, com toda essa confusão ele nunca vai ter paz.. E nem eu.” eu não sabia o que argumentar, afinal, ele estava falando dele mesmo, como eu argumentaria com o Armin sobre ele mesmo? Só o próprio Armin poderia debater sobre ele mesmo com uma versão dele.
Eu não sei quais são seus sentimentos exatos nem sobre o mundo, nem sobre mim…
“Eu só quero acabar com tudo isso, e vocês não deixam porque querem te proteger, o que é compreensível, é natural do ser humano tentar se manter vivo. Eu não suporto ver o que me tornei por ficar contigo, e eu não suporto ser quem eu sou. Entende? Eu quero salvar as pessoas desse mundo de merda, que foi criado por sua culpa. Você destruiu tudo vindo pra ca.” ele continuava.
“Mas eu não pedi pra vir, eu nunca–”
“Não estou falando que você fez de proposito, não me entenda a mal, você veio pra cá por acidente e eu sei disso, eu sinto muito, de verdade, mas infelizmente, sua vinda pra esse mundo acabou com tudo. Então agora, por que não ser uma heroína e ma ajudar com tudo isso? Você seria capaz de se matar pra acabar com o sofrimento de seus amigos? Pra resetar tudo? Pra me permitir descansar em paz finalmente? Vamos lá, você sabe o quanto o seu namorado está sofrendo… Ele corre em círculos e não sai do lugar tudo pra te manter viva.” Armin dizia.
“Armin… Eu estou do seu lado, você conseguiu, mas, vamos ser sinceros, que garantia eu tenho que você está certo? Que meu sacrifício não seria em vão? Como tem tanta certeza que matar minha origem vai acabar com isso?” eu falava curiosa e apreensiva, ele estava comunicativo e ele não soava como ameaça.
“Eu estudei bastante a situação, e você, no caso, sua origem é a origem não só de você mesma, mas de tudo que aconteceu. Cada paradoxo que rachou nossa realidade foi feito por conta dela. Ela não existindo, não vai existir paradoxos. Eu estou te protegendo do Lysandre, porque acredito que você é a aliada mais forte que tenho pra concluir esse objetivo. Será que consegue entender isso?” eu estava muito pensativa.
“Boreal, graças a você eu to vivendo menos tédio, minha vida sempre foi tediosa, e acho que isso, todas as minhas versões tem em comum, querer ser um protagonista, você me deu essa capacidade, mas cada um está brigando por algo, enquanto o meu eu que esta contigo cumpre o papel de protagonista que quer proteger a protagonista na história de vocês, eu cumpro o papel do protagonista que esta do outro lado da história vendo que vocês nessa brincadeira de se manter vivos estão destruindo toda a realidade.
No fim, estou cumprindo simultaneamente o papel de protagonista e antagonista de uma mesma historia.
Eu tenho medo de tudo colapsar, e se eu estou vivo vendo toda essa merda e vendo que os Armins que estão contigo não vão dar o braço a torcer, afinal, eu não daria mesmo, eu decidi fazer o papel do cara que tá tentando VERDADEIRAMENTE consertar tudo, me aproveitando que não tenho nenhum apego a você.” ele falava calmamente.
“Boreal… eu não sou o criador da máquina do tempo como a versão que esta contigo, mas sou criador de uma máquina dimensional, no fim das contas eu sei como te mandar de volta pra sua dimensão, mas não acho que isso seria o suficiente, pois se manteria continuamente nesse paradoxo, e no fim, te enviar pra sua realidade não acabaria com a sua existência. Além do mais, sabe-se la se vai existir realidade, até lá pra te mandar, então o melhor a se fazer é acabar contigo logo.” Armin dizia.
“Eu decorei o que temos que fazer, achar a Boreal original, e eu já concordei contigo. Mas… não é que não estou disposta a deixar de existir em prol de todos, mas acho que matar a origem não vai solucionar nada…” falei pensativa.
“E o que acha que vai solucionar?” ele perguntou curioso.
“Não sei. Precisamos conversar isso melhor. Mas já temos um ponto de partida, e o melhor a se fazer, por agora é sumir dessa realidade pra finalmente colocarmos a cabeça no lugar e tentarmos localizar minha eu original.” respondi encarando ele.
“Entendo… Bem, já começamos a acordar pelo menos, gosto dessa sua postura, entendo o porquê de minha versão que está contigo ter se interessado tanto em você. Enfim, eu consigo trocar de dimensões, não consigo viajar no tempo, mas trocar de dimensão, de realidade. Eu consigo acessar qualquer realidade a partir do horário que nos encontramos, tudo que poderei fazer é troca-la de dimensão e manter o Lysandre isolado aqui nessa, enquanto planejamos melhor e colhemos informações.” ele dizia.
“Sim eu entendo… Talvez se falarmos com mais pessoas possam vir mais ideias. Armin do futuro não entra sequer na lista, sabendo que ele quem guarda a Boreal original, eu não vou poder falar nada com ele.” respondi.
“Sim, é o melhor a se fazer, fico feliz que tenha pensado nisso. Bem, já está tudo uma bagunça, a única forma de consertar isso é resetando tudo, e sendo bem sincero, eu dei a ideia de mata-la porque eu não faço a menor ideia de como faria de outra forma, a melhor solução que achei é acabar com a ferramenta principal de todo esse paradoxo: você, no caso, sua origem.”
“Sim, tem sentido… Mas sabe quando você sente que tem algo que não encaixa? É o que sinto…” Alexy então nos interrompeu.
“Sei que o papo de vocês tá bom, mas acho melhor deixarem pra mais tarde, o pessoal está começando a dar sinais de acordar. Não esperava que fossem conversar tanto.” ele avisou.
Armin acenou com a cabeça positivamente e começou a programar seu receptor dimensional.
“Armin” eu o chamei uma última vez.
“O quê?”
“O que tem na porta do Lysandre exatamente? O que ele esconde?” perguntei meramente por curiosidade sobre sua resposta.
“O portal que abriu da última vez que o receptor que roubei funcionou. Não sabemos quanto tempo aquilo pode expandir e engolir tudo, se é que vai, mas, tá lá.” ele respondeu
“Eu já sei o que tem na porta, me refiro a porta dentro da porta.” perguntei novamente.
“Oh, então já descobriram? É, vocês são bons. Bem, aquela porta só o Lysandre tem acesso. É bem perturbador o conteúdo…” ele falava apreensivo.
Alexy voltou a avisar que estavam acordando.
“Sim Alexy, já vou. Então Boreal, o Lysandre tem uma coleção de Iris que ele colheu de várias linhas. Lysandre fica tentando trazer a alma da irmã dele original, a da linha dele, pro corpo dessas outras Iris. Aquela que ele matou era a dessa linha, e na realidade, ele nunca viu ela como irmã. O Lysandre só vê a Iris da linha dele como a irmã legítima dele… Como falei, ele é errado, e merece pagar seus crimes também, mas, não é como se ele fizesse coisas pra um monte de gente, é algo, menor, entende?” Armin respondeu.
“Ele forçou a Iris a casar com ele Armin.”
“Sim… eu sei, e–”
“ARMIN, VOU TE QUE FALAR QUANTAS VEZES?!” Alexy gritou.
“Tá, tá! Desculpa Boreal, tenho que ir. Nos veremos em breve novamente.” ele falou sumindo da minha frente.
Fiquei em silêncio, a conversa foi intensa e eu sinceramente estava um tanto quanto perdida.
Agora me resta convencer a todos do que houve sem falar a verdade…
É, me tornei a nova traidora do grupo.
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