As aventuras de uma Docete Ciclope
65 Capítulo 60
Notas iniciais

Eu acordei na manhã seguinte.
Podia ver a luz da janela atravessando a cortina fina. Por uns segundos havia me esquecido que estava na casa do Nathaniel e tomei um susto, mas logo lembrei o ocorrido todo.
Eu me sentei aos poucos na cama, deitado aos meus pés estava o Nathaniel.
Eu me sentia mais forte que na noite passada. Ainda me sentia fraca, mas nem se comparava.
Nathaniel parecia exausto. Ele provavelmente cuidou de mim a noite toda até minha saúde se estabilizar nem que fosse um pouco.
Tinha várias ferramentas médicas espalhadas na escrivaninha dele, e eu podia ver inúmeros sacos usados de soro no chão e um ligado à mim já no final, havia algumas ampolas de vitaminas sobre a cama.
Eu acariciei os cabelos do Nathaniel enquanto ele dormia. . .
Eu realmente estou muito agradecida por cada atitude dele.
Desde estar tentando me manter viva esse tempo todo. Mesmo depois de eu ter duvidado dele, ele tem me ajudado e ficado do meu lado. Até por toda essa dedicação da ultima noite.
Acho que ter visto tudo que vi sobre nós dois me fez ficar com um apego especial com ele.
Não digo amor nem nada do tipo, mas realmente estou vendo o Nathaniel com outros olhos agora.
É estranho pensar que um menino com quem eu mal interagia se tornou tão influente e importante na minha vida.
Nathaniel aos poucos acordou. Ele segurou minha mão que estava em sua cabeça.
"Que bom que funcionou . . . " Foi sua primeira frase ao despertar.
"Bom dia, Nathaniel" Eu respondi.
Ele levantou falando bom dia, e de uma vez e se sentou na minha frente já me examinando . . . Ele realmente é bem dedicado.
Eu não contive meu sorriso perante a situação.
"Posso saber o porquê do seu sorriso ?" O Nathaniel perguntou ainda concentrado no que fazia.
"Sua dedicação . . . É fofa. Fico agradecida, de verdade." Nathaniel sorriu e não parou com os exames em momento algum.
Ele tocou meus ossos, tirou minha pressão, olhou minha pupila, fez tudo que tinha direito, e por fim me deu mais vitaminas.
É incrível como ele é faz tudo !
"Saudades de na infância ganhar doces antes de sair do consultório médico . . ." Eu falei brincando, e pra minha surpresa ele foi até a gaveta e me trouxe um bombom.
"Você foi uma boa paciente, merece um doce" Ele falou rindo.
"Só um ? Um bombom nem dá pra tampar o buraco do dente . . . "
O Nathaniel rindo pegou uma jaqueta e vestiu, em seguida ele colocou um moletom em mim, me tratando como se eu fosse uma criança ele me levantou.
"Vamos, vou te dar mais doces então. Aproveitamos pra você exercitar essas pernas" ele me puxava pra fora do quarto.
"E-Eu falei brincando !" Eu fazia força contra mas ele continuava a me puxar "E eu não, eu realmente quero que você mova essas pernas e vou te dar doces. Mas se não sair comigo do quarto não te darei doces."
Mesmo tudo sendo uma grande brincadeira, ele tinha razão, eu não podia ficar deitada o dia todo . . . E bem, sinceramente ? Eu queria os doces.
Fomos na padaria, ele comprou várias guloseimas, nem me permitiu escolher na verdade . . . Bem, eu já estava ganhando, eu ia reclamar ?
Então retornamos logo pra casa, não demoramos nem um pouco.
Ele realmente só queria que eu esticasse as pernas.
Nos sentamos em seu imenso jardim e ele me entregou o saco com as coisas da padaria falando que era tudo meu.
Ao abrir, fiquei muito surpresa, pois tinha tudo que eu queria !
"Como você sabia que eu queria esses doces ? Aliás, como você sabia que eu gostava de pão recheado com queijo e berinjela ? Poucas pessoas gostam disso . . . " Eu perguntei espantada.
". . . Eu sei tudo sobre você esqueceu ? Você sempre gostou disso, e a única padaria que sempre vendeu esse tipo de recheio era a perto da minha casa. Sempre que você dormia aqui eu comprava pra você . . . " e então ficamos em silêncio de novo . . .
"Nathaniel . . . Meus pais não reclamavam do nosso relacionamento ?" eu perguntei curiosa.
"Não . . . Seu pai até pegava no meu pé um pouco, mas nada de mais . . . Por quê ?"
"Curiosidade só. É esquisito imaginar, principalmente meu pai não pegar no pé de alguém." eu falei rindo pois era a pura verdade. Meu pai é bem chato com amizades, principalmente masculinas, imagine se eu namoro . . . Ele reclamou até do Armin ir lá em casa . . .
"Bem, ele dizia que eu parecia ser um bom rapaz e essas coisas. Acho que minha devoção à minha religião também ajudou a convence-lo" Ele tem um ponto . . .
"Mas eu chegava a dormir na sua casa né ? E ele não chiava ?" Eu perguntei bastante curiosa. É interessante ouvir sobre nosso relacionamento num mundo alternativo.
"Não. Nós sempre nos comportamos. Ele tinha receio como todo pai, mas nada de mais" Nathaniel parecia estar sendo sincero.
Nesse momento parei pra pensar um pouco e dúvidas me surgiram.
Eu ultimamente não tenho tido papas na língua na hora de falar as coisas, criticar, xingar, reclamar . . . Eu estou bem impaciente, afinal, quem não ficaria na minha situação ?
E sinceramente, saber que estou pra morrer piorou tudo. Eu me sinto mais destemida do que nunca . . . Eu quero fazer tudo que me der vontade . . . Então eu perguntei algo que eu normalmente nunca perguntaria . . .
"Hmm . . . Nós éramos virgens ?" eu perguntei sem hesitar. Senti uma leve vergonha, mas, incrivelmente eu estava tão segura que foi só leve mesmo . . . Normalmente eu nem teria coragem de falar isso. Estou impressionada comigo mesma.
"O-O que ? Que espécie de pergunta é essa ?!" ele estava muito vermelho e gaguejava feito o Ken.
"Ué, uma pergunta normal. Eu só quero saber se éramos virgens, nada de mais. Você me trata como sua namorada o tempo todo, porque não pode responder algo tão simples ? Finge que sou sua namorada ainda." eu falei enquanto mordiscava o pão recheado.
"Claro que éramos ! " ele falou desesperado. Não consegui segurar e soltei um "Que estranho . . . ", obviamente Nathaniel ouviu e logo perguntou.
"OK, por que é estranho ? Eu te respeitar é estranho ? Ter voto de castidade é estranho ?" ele estava muito envergonhado.
"Sei lá . . . A forma como você fala do nosso relacionamento, as coisas que vi . . . Parecia ser tão . . .Intenso. É estranho isso.
2 anos juntos e os dois virgens ? Eu sou meio incrédula quanto à isso, tudo bem que você nunca mente mas . . . Sei lá.
Fora que, convenhamos, é incomum meninos principalmente do seu porte, serem virgens." eu agora avaliando tudo que falei e a naturalidade que tudo saiu posso dizer: Nossa, como um anúncio de morte muda as pessoas.
"Não vejo problema nenhum . . . " Ele tentava se manter firme quanto à não ver nada de mais. Mas eu sentia que ele estava com vergonha de dizer algo.
"Ah vamos lá, Nathaniel, pode confessar. Você nunca nem tentou nada comigo do tipo ? Falando por mim, se eu gostava do jeito que parecia naquelas cartas, e a minha eu lá que te namorou realmente for EU . . . Eu sinceramente depois de 2 fucking anos não iria ficar só olhando pra você . . . Você é bem bonito, fique feliz."
"Porque está curiosa sobre isso ?!" Nathaniel perguntava desesperado.
"Ué, porque sim. Castiel me usou . . . Ele tinha certeza que eu era virgem ? Sei lá . . . Improvável isso."
"Olha, no caso do Castiel eu acredito muito de ele ter feito pra me atingir . . . Sendo que calhou de você ser virgem. Bem, vamos subir ? Já encomendei mais vitaminas pra você, dessa vez pedi o triplo do que peço normalmente." ele falava me dando a mão para que eu levantasse e parecia um tanto quanto apressado . . . Acho que ele queria desviar o assunto.
"Você é bem atencioso, fico agradecida . . . É bom subirmos, tenho que avisar pros meninos que estou bem" Eu não dava sinal de vida pro Armin e pro Ken desde ontem . . .
"Meninos ? Que meninos ? " Nathaniel perguntou. Eu não sabia decifrar seu olhar, se era ciúme, desconfiança ou só noia minha.
"Armin e Ken. Eles tem cuidado bastante de mim e me ajudado em muitas coisas. Eles me deram até comida quando acharam que eu estava muito fraca e não queriam me deixar vir pra sua casa."
"Pois irei agradecer a eles depois por cuidarem tão bem de você" Nathaniel falou sorrindo.
Era um dia encantador. Se eu não estivesse tão fraca poderia dizer que o dia estava perfeito.
Comi coisas gostosas, estava tendo uma conversa saudável e divertida com o Nathaniel.
Estava em uma mansão e tudo que eu quisesse seria atendido . . . Foi um ótimo dia.
Nós fomos ao redor da mansão e logo subimos as escadas.
Ao chegar no quarto dele eu fui direto na minha bolsa, que ele havia levado para o quarto dele, pegar o celular do Ken para mandar mensagem.
Armin respondeu instantaneamente.
—Vc sabe o qnto estávamos preocupados ?? Vc ñ mandava mensagem nenhuma. Acha que instalei cameras em vc agora ??- Eu não pude evitar de sorrir ao ler uma mensagem tão preocupada comigo.
—desculpe o dia foi uma bagunça, amanhã temos que conversar seriamente sobre isso no colégio.-
Armin parecia ansioso, falei com o Ken também que parecia muito preocupado, mas acho que ouvir minha voz e ler meus textos deixou eles mais calmos.
Nathaniel entrava e saía do quarto, ele parecia estar organizando a zona que ele fez a noite passada.
Acho que o dia de hoje será tranquilo. Sem revelações ou agitação.
É bom ter dias de paz de vez em quando . . .
"Reparei que só estão os empregados aqui na casa e nós dois. Onde estão seus pais ? E a Ambre ?"
"Meus pais foram pra igreja, eu ia com eles, mas avisei que cuidaria de você. E minha irmã foi pro shopping." ele falava enquanto organizava as vitaminas que tinham chego.
"Entendi . . . " Eu me aconcheguei na cama dele e comecei a assistir coisas na TV.
Ele saiu e demorou um pouco pra voltar.
Ao retornar, Nathaniel se sentou na minha frente e veio com mais duas ampolas e alguns comprimidos, além de uma badeja com uma comida que parecia estar ótima.
Ele injetou as ampolas em mim, me deu os comprimidos com suco e me deixou a vontade comendo enquanto ele comia a refeição dele.
Ficamos em silêncio só assistindo TV e curtindo a companhia um do outro.
Sei lá, foi realmente divertido mesmo que não tenhamos falado muito.
Escovei os dentes, ele colocou as coisas lá embaixo e ele voltou a fazer checkup em mim.
Eu estava em pé e ele avaliava meus reflexos e coisas das quais eu realmente não faço ideia, pois não entendo nada de medicina.
"Isso tudo que eu tenho é tipo uma anemia grave, não é ?" eu perguntei curiosa.
"Não . . . É uma fraqueza diferente." ele falava.
"Ué . . . Mas eu me sinto fraca e preciso de vitaminas e coisas assim . . . " eu realmente não via diferença.
"Você está forte. Não sei se você notou, mas você esta com uma força acima do normal. Até quando você pegou meu braço mais cedo eu pude sentir sua força. Você ainda não aprendeu a se controlar e provavelmente não tem noção disso direito, mas está com uma força sobre-humana. Eu que não me incomodo com isso e sei que com o tempo você vai se adaptar, então tudo bem que tenha me machucado um pouco. E bem, caso se machuque vai reparar que vai se regenerar bem rápido, tipo o Castiel. Sua fraqueza é vital e não física ou algo do tipo. Não é como se fosse uma doença. Por isso que a energia de vitaminas e alimentos não são o suficiente pra te manter de pé por muito tempo.
É algo mágico, paranormal. Quem dera fosse só uma doença." ele falava.
"Então eu vou morrer mesmo, né ? " eu realmente estava sem esperanças.
Se o Castiel teve essa vida horrível e está lutando pra se manter vivo, imagine eu ? Sou mais fraca que ele.
"Nunca diga isso ! Eu não estou lutando pra te manter viva pra você desistir fácil assim . . . Vamos achar uma solução e você ainda vai viver muito. São só imprevistos . . . O Castiel está aí vivo, não é ? Você vai ficar bem." Ele dizia olhando com um sorriso amarelo pra mim. Apesar de tudo ele parecia ter esperança.
"Eu sou mais fraca que o Castiel . . .Além do mais, eu nunca mataria pra me manter viva . . . " eu falei sem esperança.
". . . Você é tão forte quanto ele. Os dois passaram por coisas horríveis e estão vivendo. E . . . Bem . . . Eu mataria por você . . . " Quando ele falou isso eu fiquei realmente assustada.
"Nathaniel, você tem noção do que acabou de dizer ?? Você além de ser religioso e isso ir de contra sua religião isso vai de contra qualquer padrão ! É UMA VIDA ! Assim como você ficou triste quando o Castiel me matou, outra pessoa vai ficar triste pela pessoa que você matar ! Pense, Nathaniel !" Eu sacudia ele a essa altura.
"Sim . . . Eu penso nisso, e eu não faria a menos que fosse muito necessário . . . O Castiel te matou pra se manter, e eu não culpo ele nem odeio ele por isso . . .Eu mataria pra te manter mesmo isso sendo errado . . . Eu prefiro . . . Eu me sentiria péssimo todas as noites pensando que matei alguém, obviamente. Mas . . .Eu me sentiria pior pensando que não fiz nada pra te manter viva." Ele parecia estar sendo sincero quanto a tudo que falou . . . E aquilo me deixava triste e assustada.
Eu não quero que pessoas morram por minha causa . . . Eu espero de verdade que ele não tenha essa coragem.
"Não, você não faria e você não vai fazer. Nathaniel, eu prefiro morrer do que pensar que to vivendo as custas da vida de alguém !" eu segurei ele enquanto falava, estava realmente desesperada com a atitude dele. Ele parecia determinado.
"Não vamos pensar nisso, ok ? Vamos arrumar outra solução . . . Eu não vou descansar até arrumar uma solução . . . "Então por impulso eu abracei ele.
Eu estava realmente agradecida . . . Ele é tão dedicado, e ele realmente parece me amar muito . . .
"Obrigada Nathaniel, por ser tão presente. Desculpa ter duvidado de você . . . " eu falava enquanto abraçava ele.
Ele colocou a mão no meu rosto e começou a acariciar e me olhar profundamente.
Eu estava um pouco constrangida com a situação, mas eu realmente estava curtindo aquele momento.
Eu quero aproveitar cada momento da minha vida . . .Eu não sei quando posso morrer e . . . Não quero pensar que deixei de viver algo.
Fiquei um tempo olhando fixo pra ele e ele me olhava de volta.
Eu toquei os lábios dele lentamente, ele não se esquivou nem nada . . . Então tomei impulso e beijei ele.
Nathaniel por outro lado, não se conteve nenhum pouco, ele me beijou de volta.
E como o beijo anterior, posso dizer que foi intenso e terno.
Acho que ele estava menos tímido que o primeiro beijo que demos . . . Pois ele estava me acariciando bem mais e estava bem mais intenso em seus movimentos.
Em meio a troca de beijos e carícias, nós nos escoramos na cômoda dele e eu comecei a tirar a blusa dele por impulso do momento, ele parou e começou a olhar pra mim sem falar nada, e eu retribuí o olhar.
"Nathaniel, porque parou ?" eu finalmente falei. Eu realmente estava frustrada.
"Porque sim . . . Não ia acabar bem." ele falou.
"E porque não iria acabar bem ? Eu quero e você claramente também quer."
"E você gosta do Castiel." quando ele falou isso eu comecei a rir. Não teve como.
"É o que ? De onde tirou isso ??!"
"É só ver a forma como vocês se tratam. Você perdoa tudo que ele faz contigo mesmo sem entender bem o porquê . . . Fora que andam grudados e bem . . . Eu já presenciei algumas vezes vocês em momentos . . . Embaraçosos. Não sei até onde vocês chegaram, mas não acho justo isso nem com ele nem com você." ele falava se afastando aos poucos.
"Nathaniel, para ! Eu não gosto do Castiel. Admito que já gostei . . . Na verdade . . . Eu nem sei mais o que eu sinto por ninguém. Se gosto do Castiel, do Lysandre, de você, do Papa ! Eu estou muito confusa sobre tudo !" eu falei puxando ele pela gola irritada.
"Então, agora me provou mais ainda que eu estou certo ! Eu não quero fazer parte da parcela de pessoas que te confunde. E bem, você com certeza gosta dele, só está confusa por causa de tudo que tem acontecido e--"
"NÃO, NATHANIEL ! Eu estou confusa com a minha vida toda ! Eu nem sei mais quais valores seguir. Eu quero fazer o que me dá vontade a hora que me der vontade. Não quero ter arrependimentos . . . Eu agora entendo porque o Castiel é impulsivo e faz o que vem na cabeça, essa pressão de pensar que vai morrer a qualquer momento é horrível ! Mas . . .Me sinto mais liberta !
Eu admito, eu tenho atração no Castiel, eu não consigo falar não pra ele. O jeito que ele age é impactante e . . . Me deixa tonta. Ele tem uma pegada muito firme e imponente mas-- . . . Desculpe . . . É ridículo eu falar isso pra você. Você gosta de mim e supostamente me namorou, aí eu estou falando pra você o quanto outro menino é atraente . . . Como sou idiota."
"Não. É bom ouvir o que você gosta nele. Me faz entender você um pouco mais.
Sabe . . . No futuro, quando eu achava que ia morrer, eu também agia sem medo e por impulso.
Eu não queria ter arrependimentos . . . Eu queria aproveitar cada segundo da minha vida. Admito que mesmo sendo uma época horrível, foi um dos períodos que me senti mais livre. Infelizmente minha irmã sofreu nas minhas mãos . . . Eu tratava ela muito mal. Eu não queria aceitar que ela morreria, e via meu jeito como uma forma de afastar ela de mim."
"É bom saber que você me entende . . . Então levando isso em consideração . . . Nathaniel, pense comigo: E se eu morrer ?
As chances de você arrumar uma solução pra me manter viva em definitivo são minúsculas . . . Que garantia eu tenho que vou viver ?
Além de ter meus arrependimentos de ter deixado de fazer certas coisas, vai ter o seu.
Você não vai ter como voltar no tempo e apagar tudo, e você sabe disso. Essa pode ser sua única chance de ficar comigo. Porque não tenta ver esse nosso momento como . . . Uma graça divina ? Você crê nisso, certo ? Então. Pense que é uma chance que você está tendo de ficar comigo e de realizar minhas vontades. Em outra situação eu nunca nem chegaria perto de você, mas na minha situação atual ? Eu quero viver, quero ousar, quero aproveitar tudo antes que seja tarde . . . " eu realmente queria fazer tudo que eu não tinha coragem normalmente.
Eu realmente estava desesperada pra "viver".
Eu nunca compreendi tanto o espírito livre do Castiel como agora.
Eu sempre tive meus valores baseados no que aprendi na Terra . . . Mas minha vida já está tão de pernas pro ar que . . . Eu não ligo mais pra o que aprendi.
Eu vou morrer, é tudo que consigo pensar . . .
Em meio ao meu silêncio após ter falado minhas vontades pro Nathaniel, meus sentimentos, minhas crenças, ele me interrompeu bruscamente me segurando de uma vez pela cintura.
O olhar dele estava mais selvagem, diferente do Nathaniel de sempre que carrega um semblante sereno.
Admito que gostei bastante do que vi.
Nathaniel beijava meu pescoço enquanto me empurrava para a cama dele.
Eu estava tão segura de mim e sem medo nenhum, sinceramente eu nem me reconheço agora que paro pra pensar na situação toda.
Eu vejo minhas entradas inciais do diário e as atuais e vejo que mudei muito . .. A vida me mudou muito.
Eu gostaria de continuar sendo aquela garota sem problemas graves na vida e com uma mente fantasiosa sobre os terráqueos que eu era.
Mas por outro lado, eu estou gostando de algumas experiências que estou vivendo. Eu estou gostando de ter segurança nos meus atos e nas minhas palavras.
Se eu pudesse misturar meus dois "eus" seria maravilhoso.
Nathaniel me segurava de forma firme e nós dois estávamos entrelaçados de tal forma que nunca me imaginei com ninguém, muito menos com o Nathaniel.
Minha visão a seu respeito era tão "santificada" que ver ele dessa forma me assustava até. Mas eu não conseguiria mais voltar atrás com meus atos. Eu estava totalmente envolvida com o Nathaniel já.
Ele passava as mãos em cada curva minha e era uma sensação maravilhosa.
Eu passava a mão por suas curvas também, e podia sentir suas costas ásperas por conta de suas feridas . . . Eu admito que tive medo de machuca-lo.
É constrangedor pensar em toda a situação, principalmente levar em conta que ambos não sabiam bem o que fazer na situação que nos encontrávamos . . . Mas posso dizer que foi incrível.
Ele foi atencioso e gentil comigo, e bem . . . Posso dizer que agora sim, de fato, essa foi minha primeira vez. E não aquela da qual eu não lembro e da qual eu não quis.
E fico muito feliz que tenha sido algo tão carinhoso com alguém que preza tanto por mim.
Engraçado . . . Até dias atrás eu mal falava com o Nathaniel e tinha raiva dele, e hoje, bem, nós dois fizemos amor.
E o mais engraçado de tudo isso é pensar que minha mente está uma bagunça de sentimentos. Mesmo após o que Nathaniel e eu fizemos eu continuo confusa quanto os meus sentimentos ao Lysandre por exemplo.
Eu já não sei mais o que eu quero ou quem eu quero . . . Eu sei que quero aproveitar o pouco que deve me restar de vida da melhor forma possível, e isso que fiz com o Nathaniel, é só o inicio da minha coragem ganha de "presente" da Ambre.
Não me arrependo de nenhuma troca de carícia que eu e Nathaniel tivemos. Sinceramente ? Foi tudo tão mágico que eu repetiria . . . Quem sabe . . .
Após nossa tarde juntos, ambos estavam atônitos com o que tinha acontecido.
Era difícil de acreditar, tanto pro Nathaniel quanto pra mim no que tínhamos feito.
Não conseguíamos dirigir a palavra um para o outro . . . E só depois que eu reparei no que nós tínhamos feito que eu consegui ficar com vergonha e avaliar a situação ao todo . . .
Eu não tinha coragem de olhar pra ele.
Ele não tinha coragem de olhar pra mim.
"Nathaniel . . . Eu . . . " Eu tentei falar algo, mas eu não sabia o que dizer, minha mente estava vazia.
"Desculpe" ele falou. Isso foi o suficiente pra me trazer de volta à realidade e esquecer um pouco a vergonha que eu sentia.
"Desculpe ? Por quê ?" eu finalmente tive coragem de olhar pra ele, porém, logo desviei o olhar de novo ao ver que ele não vestia nada além do lençol.
"Eu não devia . . . Ter feito isso. Me sinto como se tivesse me aproveitado da sua situação frágil." quando ele falou isso ele realmente me chateou e me irritou.
"Nathaniel ! Primeiramente, EU quem me ofereci pra você, você em momento algum me desrespeitou ou sequer forçou a barra, pelo contrário, tentou mudar minha ideia várias vezes.
E outra: Eu estou feliz, ok ? Eu gostei do que fizemos, eu gostei de passar esse tempo com você, então chega !" Eu estava realmente irritada com ele.
Nathaniel levantou com calma sem olhar pra mim, ele parecia realmente envergonhado. E seu jeito acabava me contagiando. Ele realmente é muito delicado e sensível. Definitivamente ele não mente e não mentiu sobre eu e ele sermos virgens na outra linha temporal . . .
Ele vestiu a calça dele e foi na mesinha onde se encontravam os remédios, e começou a passar nele próprio, eu estranhei, afinal, que eu saiba ele não se cortou essa noite e ficamos juntos o dia todo, eu teria visto.
Eu coloquei minha blusa e fui até ele.
"O que aconteceu ? Porque está passando esses remédios ?" Eu vi que ele tinha marcas no braço, no peito e em varias partes. Marcas fundas e vermelhas, horríveis por sinal.
"Tá tudo bem, você . . . Não consegue se controlar ainda" Quando ele falou isso eu pude reparar a semelhança das marcas dele pra marca que eu fiz no rosto do Castiel, com certeza eu machuquei o Nathaniel. E na adrenalina que estávamos, se eu já não sei medir minhas forças, naquele momento eu devo ter medido menos ainda.
"DESCULPA ! EU . . . EU NÃO SABIA ! Ai, meu Deus, isso tá horrível ! Desculpa !" Eu estava desesperada e envergonhada por ter feito as tais marcas sem querer . . . E estou com medo de mim mesma sinceramente.
"Já falei que tá tudo bem. Aliás, eu nem senti elas. Só senti agora pouco depois que meu corpo relaxou. De qualquer forma . . . Eu já fiz coisa pior em mim mesmo, então tá tudo bem, sério."
Eu abracei o Nathaniel novamente, mas dessa vez por remorso do que eu havia feito.
Talvez se eu não tivesse convencido ele de ir pra cama comigo ele não tivesse ficado tão ferido.
Ele me abraçou de volta e calmamente falou que me amava . . . Eu queria tanto poder responder ele . . . Mas eu não quero dar falsas esperanças nem falar algo que não sinto . . . Avaliando bem, acho que o que fiz com ele foi mais carnal e agradecido do que amor . . . Definitivamente não foi amor. . .
Não, eu não posso falar que não foi amor quando nem eu sei mais o que é o sentimento de amor. Eu devo sentir algo . . . Não conseguiria ir pra cama com alguém que eu não sentisse nada.
Ele parecia esperançoso e no aguardo de uma resposta de minha parte, mas eu fiquei em silêncio e só apertei ele mais. Acho que saber que ele foi meu namorado em alguma realidade por aí me fez ficar muito confusa quanto a tudo. No fim, eu dizia que não iria ficar abalada com isso, e fiquei.
Foi quando o celular do Nathaniel tocou, ele rapidamente atendeu, estava sobre a cômoda, mas em momento algum ele me soltou, ele me abraçava contra o peito dele, aquilo de fato era aconchegante.
"Castiel ? Espera aí, ela está aqui comigo vou por no viva voz." eu ouvia ele falar ao telefone.
"O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM O NATHANIEL ?! VOCÊS ESTÃO AONDE ? LIGUEI PRO SEU CELULAR E SEUS PAIS ATENDERAM DIZENDO QUE VOCÊ HAVIA ESQUECIDO EM CASA !" Castiel não falou um olá sequer, já foi direto pra explosão nossa de cada dia.
"Olá pra você também, Castiel." eu respondi debochadamente.
"RESPONDE ONDE VOCÊS ESTÃO !!" ele gritava histérico.
"No quarto do Nathaniel, algum problema ?" Eu continuo impaciente no fim das contas, principalmente se sou tratada dessa forma. Eu quero ser gentil com o Castiel, mas não dá.
"É O QUE ??!? NÃO ACREDITO ! NATHANIEL ! ACHO BOM VOCÊ NÃO TER ENCOSTADO NELA !" Ele gritava mais.
Eu não resisti e falei "nem te conto o que ele fez comigo . . . " e ri em seguida. Eu realmente não estou conseguindo conter meus comentários.
Pude reparar que o meu último comentário fez com que todos ficassem em silêncio. Nathaniel estava vermelho com a mão no rosto como se quisesse cobrir.
E Castiel . . . Bem, eu não sei que cara ele estava, mas provavelmente era uma cara de bunda.
"E-Eu preciso falar sobre a sua situação atual . . . Podemos nos encontrar agora ?" ele falou mais calmo e bem xoxinho . . . Me senti mal com a alfinetada que dei nele, até porque, bem . . . De acordo com o Armin ele gostava de mim, né ? Mas bem que ele mereceu por querer mandar na minha vida . . .
"OK. Onde ? No parque de novo ?" eu perguntei.
"Não, no shopping é melhor . . . Eu liguei pro Lysandre. Ele vai nos encontrar na porta . . . Estarei esperando vocês . . ."
Eu não me contive e perguntei "Ué, porque ficou tão quieto Castiel ?" Nathaniel fazia sinal para que eu parasse de provocar o Castiel, mas . . . Eu queria ser chata um pouco. Ele sempre me atazana, eu estava me sentindo tão . . . No poder, eu queria tirar casquinha da situação, então ignorei o Nathaniel.
"NÃO É NADA, SUA CAOLHA ! AGORA VEM LOGO ! " ele desligou sem nem falar nada.
"POR QUE VOCÊ FEZ ISSO ?! CASTIEL VAI ME MATAR !" Nathaniel falava desesperado.
"Ah, calma Nathaniel. Não fiz nada de mais. Além do mais, é só eu falar pra ele que estava brincando. Ele não precisa saber a verdade, ele sabe que eu gosto de perturbar ele. Mas, sinceramente ? Eu e o Castiel não temos nada, ele não pode reclamar de eu me envolver com ninguém." eu realmente estava segura sobre falar isso pra ele.
Nós colocamos a roupa e logo saímos.
Chegando no shopping, eu vi o Lysandre e o Castiel esperando na porta.
Meu coração na mesma hora disparou . . . É acho que não estou tão segura de mim como eu achei.
Eu realmente achei que o fato de estar prestes a morrer e de estar mais atrevida com tudo fosse me ajudar a chegar perto do Lysandre . . . Mas me enganei.
Ele continua sendo meu ponto fraco.
Sinto que o Nathaniel reparou minha reação ao chegar perto do Lysandre, minha mudança de postura . . . Eu sinto muito pelo Nathaniel.
"Viemos correndo" Nathaniel falava.
"Nós precisamos resolver esse lance da Caolha. Se ela já estava fraca do jeito que parecia precisamos de um sacrifício o mais rápido possível. Eu chamei vocês aqui porque ela precisa fazer isso sozinha e aqui tem bastante gente pra escolhermos. Do jeito que ela estava ontem acho que ela não vai durar muito."
Eu gelei ao ouvir isso.
"O Nathaniel me deu vitaminas e . . . Soro e . . . Várias coisas. Eu estou melhor . . . Um pouco mais forte." eu tentei falar pra fazer o Castiel mudar de ideia.
"Cara, isso tudo é temporário. Eu passei por esse processo todo. Sei do que eu tô falando. Fora que assim que eu fiz o pacto não fiquei um terço de fraco que você ficou ! Você tinha parado de comer. Você vai adoecer mais rápido que eu. Cara, não é questão de escolha e sim de sobrevivência."
"Ok, então eu não vou sobreviver. Eu não vou matar ninguém pra viver."
"Deixa de ser doente, garota ! Você vai ter que fazer ! Quando estiver vendo que não vai sobreviver vai acabar fazendo, grave minhas palavras." Castiel falava.
"Castiel, se você não sabe, eu mal tenho me aguentado ,e sinceramente ? Pra mim eu vou morrer a qualquer segundo, e em nenhum momento passou pela minha cabeça matar alguém."
"Castiel, tem como um de nós matar por ela . . . ?" Nathaniel perguntou sem jeito.
"NOSSA ! O SANTO NÃO É TÃO SANTO ASSIM !" Castiel debochava do Nathaniel.
"NÃO, NATHANIEL ! VOCÊ NÃO VAI FAZER ISSO !!!" eu comecei a gritar com ele enquanto empurrava ele. Eu não aceitaria NUNCA isso.
"De qualquer forma, não, só ela pode fazer . . . " Castiel parecia bem frustrado, ele com certeza queria que eu matasse pra sobreviver.
Foi quando o Lysandre chegou perto de mim e ficando na minha altura ele falou: "Eu sei que é difícil, o Castiel demorou muito pra aceitar isso . . . Eu estou disposto à te ajudar a superar isso e à enfrentar . . . Vamos tentar arrumar uma fora de salvar vocês dois e caso não consigamos . . . Por favor, não recuse nossa ajuda. É um mal necessário" Eu não conseguia falar, só respondi um "tá" e continuei olhando deslumbrada pro Lysandre.
Eu realmente sou muito baba ovo dele .. . Eu queria conseguir parar com isso, mas é tão difícil . . .
Nathaniel e Castiel claramente ficaram incomodados com o fato do Lysandre ter falado basicamente o mesmo que eles e eu ter dado ouvidos somente à ele . . . Eu não tiro a razão deles.
"OK, então só chamaram a gente pra isso ? Eu pensei que tinham arrumado uma solução . . . " Nathaniel falava.
"E a solução atual é matar alguém. No shopping tem bastante gente pra escolher, por isso chamamos vocês aqui . . . " Lysandre falava.
"Pensa em uma coisa caolha. Quantos anos eu tenho essa merda de maldição ? Você acha que se tivesse outro método pra viver eu não teria descoberto ?" Castiel falava irritado. E bem . . . Ele tem razão . . .
"Então só me resta me conformar com minha morte, como já tenho feito."
"VOCÊ É UMA ANTA ! IDIOTA ! IMBECIL ! É MAIS FÁCIL PRA VOCÊ MORRER ?!" Ele gritava e todos que passavam pelo shopping olhavam para nós.
"SIM, SOU ! UMA ANTA POR TER FALADO COM VOCÊS ! UMA IDIOTA POR TER VINDO ATÉ AQUI NO SHOPPING OUVIR VOCÊS ! E UMA IMBECIL POR NÃO TER ME MATADO AINDA !"
"CARA ! SE MATAR NÃO VAI ADIANTAR NADA ! AQUELA PUTA DA AMBRE VAI ACHAR OUTRA PESSOA IGUAL ELA FEZ CONTIGO !!" Castiel se alterava mais.
"E PORQUE NÃO MATAMOS LOGO ELA ?! FIM DE ASSUNTO !"
". . . Se a Ambre morrer, vocês dois morrem . . . Acho que o Castiel esqueceu de comentar isso." Lysandre falava.
"Peraí . . . Então . . . Nossas vidas são ligadas no literal ?? Se o Castiel morrer eu morro ??"
"Não. A vida de vocês dois é ligada à Ambre, mas a vida de vocês dois não é ligada um no outro. Vocês dependem dela pra ficar vivos e ela depende de vocês, mas um não depende do outro.
Se só um dos dois morrer ela vai continuar viva." Lysandre completou.
"O que me preocupa é: Porque ela fez esse pacto com a Celeste ? . . . Ela tem planos de se livrar de mim ?" Castiel falava e parecia muito tenso pensando nisso.
"Ou ela pode só querer uma vida extra pra caso de perder o controle sobre a sua, pensando nisso, quantas pessoas ela usa ?" Nathaniel falava pensativo.
"Ótimo ! Só me faltava essa ! Além de ter que me preocupar com a minha vida vou ter que me preocupar com a vida daquela vadia ?!"
"Eu não vou deixar nada de ruim acontecer com a Ambre. Eu nunca permiti por saber que a vida dela influenciava a do Castiel, agora que influencia a sua também, não posso permitir de jeito nenhum." Nathaniel falava.
"Ah vai pra puta que pariu, Nathaniel ! Eu to cheio do seu jeitinho santo ! Você nunca se importou comigo. Nem sei de onde veio essa devoção toda com a caolha." Castiel parecia muito irritado . . . Como sempre.
"Olha, eu gastaria minha saliva com você, mas to sem paciência. Amanhã nos falamos, OK ? Eu preciso por minhas ideias no lugar . . . " Eu falei puxando o Nathaniel.
Eu estava tão irritada que nem me despedir do Lysandre eu fiz . . .
Nathaniel e eu fomos pra casa . . .
Eu mandei mensagem pros meninos avisando que precisava falar com eles urgentemente no dia seguinte. Eu e Nathaniel ficamos o resto da noite pesquisando coisas à respeito dessa coisa toda da Ambre . . .
Incrível como o dia que estava tão bom foi por água abaixo . . .
Agora me resta dormir e finalmente passar tudo pro Armin e pro Ken.
Tenho esperanças de que o Armin vai ter a solução que procuro.
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