As aventuras de um héroi chamado Preguiça
1 O nome de Gula
Notas iniciais
acho que o titulo de capitulo meio que da spoiler kkkkk
sejam legais e comentem, beleza?
Num dia qualquer, antes do Tempo ter esse nome, nasceu um demônio. Ele era pequeno, frágil e incrivelmente mirrado. Ele nasceu e cresceu escondido no fundo do campos Asfosdelos o único lugar do Dia-e-Noite que o tempo realmente passava . E por alguns séculos ele não tece forças o suficiente para se mover
Só ficou ali. Parado dentro do tronco de uma arvore, crescendo, perfeitamente estático enquanto destilava em sua própria fraqueza. Depois de mais alguns séculos ele notou que sentia essa queimação no estomago, como se tivesse um buraco, um espaço vazio dentro dele.
Um dia alguém atravessou a floresta, flutuando, pois pra ele andar cansava demais e parou bem em frente a arvore do demônio mirrado. O visitante parou e, com um único olho amarelado e com um olheira marcante encarou, como se visse o demônio que não se movia dentro da arvore, talvez realmente visse. Hum, ele só deu de ombros e escorregou pela arvore, pegando no sono de imediato.
Passou a noite e nem o frio nem a tempestade moveram o visitante e o demônio mirrado, ficou olhando ele dormir tranquilamente, tão estático quanto ele mesmo.
Depois de mais ou menos dois dias, sim, dois dias inteiros, ele acordou. Deu um longo bocejo, deixando as presas de felino que estavam na sua boca a mostra. Ele passou os olhos em volta e começou a murmurar:
— Cara, que fome... sera que tem algum pé de alguma coisa por aqui? Ou um animal, sei lá..
Ele continuou falando consigo mesmo:
— humm..eu to com uma puta fome, acho que uma comida cai bem agora ne?
Ele continuou com o monologo, ate que o demônio mirrado percebeu que não era um monologo.
— Ei, bastardo, eu estou falando com você. Se de ao respeito de responder- o visitante subiu a voz, irritado.
Ah, é. O visitante tinha olhado pra arvore como se o tivesse visto. Talvez realmente tivesse.
— S-sim. Desculpe.
A raiva do visitante emudeceu.
— Neh, eu que me desculpo. Acho que estou de mal humor por ter acordado tão cedo.
Falou ele abrindo um sorriso cretino e se isso fosse um anime, o demônio mirrado estaria com uma gota na cabeça.
— Enfim, é um prazer cara, meu nome é Preguiça.
— E-eu sou...eu não sei.
— Não sabe?
— Não, desculpe.
— Ora...que interessante. Você é um demônio como eu. Se você existi então você deveria ter um nome, ou talvez você seja um demônio de mais de um nome como eu e o maldito Discordia...você quer descobrir seu nome?
— ...sim
— Ok, eu te ajudo.
E ele realmente ajudou. Pelo resto do dia Preguiça fez varias coisas, apenas para medir as reações do demônio mirrado. ele pegou um pedaço de madeira bem esculpido com algumas linhas de metal e um arco com outra linhas de metal que ligava ambas as pontas. Ele chamou aquilo de violino e disse que o criou para o ajudar a dormir melhor. Ele começou a alisar as cordas do corpo do instrumento com o arco, a melodia saindo suntuosa como um rio, e o Sem-Nome, como Preguiça estava o chamando, se maravilhou, mas foi só isso.
Em seguida ele pegou uma...Sem-Nome não soube bem descrever aquilo. Parecia algo como varias tirinhas de papel com alguma letras nelas e coladas umas as outras, espremidas entre duas placas bem trabalhadas de madeira. Ele chamou aquilo de livro e disse que os criou por que tinha preguiça de levar as dezenas de folhas escritas( eram o nome das tirinhas de papel, Preguiça explicou) que Inspiração redigia e que aquele foi ele mesmo que escreveu.
O conto se chamava “Raposa Vermelha e Raposa Amarela” e falava sobre um guerreiro ( a Raposa amarela) que teve seu amigo, que não era seu amigo de verdade, tomado por um vilão e que uma subordinada do vilão o atacou. E perdeu. Aquela subordinada era a Raposa vermelha e o povo de sua nação queria interroga-la e executa-la, Raposa Amarela não deixou, não moveu um passo nem quando o ameaçaram. Ele trouxe a saúde de volta pra ex – subordinada do vilão e juntos eles partiram em treinamento com o Grão-Mestre da montanha do sábio, Lorde Jiraya. No fim das contas as raposas se amaram e derrotaram o vilão e o vilão ainda maior, avo do amigo traidor de Raposa Amarela que queria impor uma paz ditatorial no continente todo.
A historia foi linda e a narração de Preguiça foi fluida e no fim de tudo Sem-Nome estava maravilhado e se pudesse usar as mãos e soubesse o que era isso, teria batido palmas. Teria batido palmas de pé, se pudesse usar as pernas. Na verdade, Sem-Nome era tão mirrado que só conseguia mexer a boca e os olhos.
Ele teria batido palmas, como qualquer outro expectador daquela historia, mas era só isso. Então preguiça pegou, mais uma vez, uma peça de madeira, que ele chamou de cachimbo. Era largo, robusto e de cor preta. Em seguida pegou um pacotinho do meio das roupas, que ele rasgou e derramou dentro do cachimbo. Ele ascendeu aquilo com fogo e começou a fumar, a fumaça se espalhando junto com o cheiro da queima do tabaco. O cheiro era maravilhoso e Preguiça explicou que ele criou aquilo por que precisava de algo pra ajudar a pensar, além de que era tremendamente relaxante.
O cheiro era muito bom e Sem-Nome gostaria de fumar um daqueles se pudesse. Mas foi só isso. Preguiça continuou tentando e mostrou varias coisas pro demônio mirrado. Vários tipos de musica( era aquele barulho que ele tirou do violino) e vários tipos de instrumentos( era aquelas peças de madeira que ele usava para tirar musica), cartas de baralho, espadas que ele roubou de Discórdia ( não conte para ele), adagas que ele fez usando a espada como base e mais uma porção de coisas que ele tirou da cartola, inclusive, realmente, uma cartola, que ele explicou que era um chapéu com o cone mais alto, e logo em seguida teve que explicar o que era um chapéu.
Eles fizeram uma porção de coisas e nada deu certo, ate que chegou o por do sol e em Asfosdelos o dia era muito mais lento, o dia era algo como alguns meses no mundo humano e então Preguiça se levantou e disse:
— Sem-Nome, vamos ter que continuar com isso amanha, pode ser? Eu to com uma puta fome agora. Vou caçar alguma coisa pra comer. Quer comida?
Entenda que Sem-Nome, por ser um demônio imortal e por ate aquele momento ser mirrado demais para mover seu corpo pra fora da copa da arvore, simplesmente perguntou:
— O que é comida?
Preguiça olhou pra ele meio chocado:
— Você não sabe o que é comida?
— ..Não
Preguiça suspirou e deu uma breve explicação sobre coisas comíveis e não comíveis. Frutas, quase todos os animais, certas plantas e determinados tipos de casca de arvores eram comíveis. Pedras, areia( ele teve que explicar o que era areia, não existia por ali) e grama não eram comestíveis.
Na verdade ele ficou tão puto que simplesmente decidiu trazer alguma coisa pra que Sem-Nome comesse. Ele teve que sair do Asfosdelos, pois não havia animais ali, e foi ate o Dia, simplesmente abatendo um urso pardo e catando algumas frutas e considerando quem ele era ate que foi bem rápido. Levou somente meio dia para Sem-Nome, ou seja... três meses em escala de tempo real...ei, lembrem-se de quem estamos falando, ok?
Ele chegou com o Urso no Asfosdelos e não, o urso não tinha apodrecido. Eles estavam num lugar espiritual demais pra qualquer coisa apodrecer. Mas o mais surpreendente não foi isso. Entenda, apesar de naquela época já existir fogo ninguém tinha tido a ideia de cozinhar alguma coisa ainda, então Preguiça só iria tirar fora a pele do urso( daria um baita cobertor), deixa sangra junto com os ácidos estomacais por um tempo e eles dividiriam o urso. Ou era o que ele pretendia.
Quando Sem-nome notou a presença de Preguiça de novo ele sentiu um cheiro que ele não esperava. O cheiro do urso, ainda cru e o cheiro das frutas, maduras no ponto certo. Aquela queimação, o buraco no estomago, queimou mais forte do que nunca.
Foi num instante. A boca dele simplesmente abriu e tudo num raio de 5 metros foi sugado como que por um buraco negro. A casca de sua arvore simplesmente se obliterou e foi completamente tragada e a grama foi arrancada do chão e o oxigênio em si foi engolido e em seguido o urso pardo e os frutos. A boca de Sem-Nome pareceu realmente se distorcer a ponto de engolir o gigantesco urso e seus dentes o triturarão em uma mordida entes dele cair novamente no chão sofrendo pela falta de movimento mas dessa vez... foi diferente. Seus músculos estavam irritados, diferentes da dormência de sempre e aquele buraco no estomago ainda estava ali mas parecia.. menos desesperado.
— UOU! Cara, isso foi muito foda! Tu literalmente tragou tudo! Parecia um buraco negro, cara! Como se sente?
— Melhor...muito, muito melhor!- falou Sem-Nome abrindo um sorriso.
— Vamos fazer isso de novo cara. Vamos ate o Dia encontrar umas coisas pra você comer.
E Preguiça nem esperou uma resposta. Ele simplesmente fechou os olhos, sua Magoi escapando aos montes do corpo dele e envolvendo todo o ambiente, inclusive Sem-Nome e então..Puf! eles simplesmente sumiram, aparecendo num feixe cinzento de luz bem nas planices do Dia.
—Oe Preguiça...você pode se teletransportar?
—Hum? Ahh..- ele pareceu meio envergonhado agora- ...é, eu senti preguiça de voar.
A gota na cabeça mais uma vez.
— ok, o que vamos fazer agora?
— Humm..eu acho que vou pegar uns animais aqui, espera um pouco beleza?
E Preguiça realmente o fez. Ele foi flutuando em direção a floresta e ficou sentado, apagando sua intenção assassina. Toda vez que um animal chegava perto ele simplesmente caia desacordado e o demônio se arrastava ate ele e quebrava seu pescoço num “ Creck” audível.
Ao fim de uma hora, com Sem-Nome esperando recostado numa arvore aleatória, Preguiça voltou, dezenas de tigres e ursos flutuando junto com o próprio.
Não serviram nem pro começo.
Sem-Nome simplesmente abriu a boca e o espaço a sua volta foi distorcido, os animais sendo um a um tragados enquanto Sem-Nome sentia seus braços e pernas começarem a ter tiques, movimentos involuntários, depois de um século existindo e não sendo usados.
Ficou um jogo interessante. Eles começaram a caçar e abater alguns animais, dos maiores aos menores, e em seguida frutas, raízes, vegetais, ervas e ate arvores inteiras, enquanto o demônio sentia a diferença de texturas e sabores.
Depois de algumas horas Sem-Nome já conseguia se mover. Certo, os movimentos dele ainda eram meio bambos e sem muita coordenação, mas ele conseguia andar cara, isso era bom demais ( ta certo que Preguiça discordava, ele preferia simplesmente flutuar). O buraco no estomago dele, apesar de ainda estar ali, já não era mais aquela coisa terrível.
Em algum ponto do dia, enquanto Sem-Nome olhava pra cima, imaginando se conseguiria pegar um dragão menor, Preguiça bateu o punho na mão aberta e disse:
— Eureka!!
— O que foi?- disse Sem-Nome tirando os olhos do dragãozinho que voava baixo...baixo o suficiente.
— já sei o que você é!
Ele levantou as sobrancelhas surpreso.
— Serio?! O que eu sou?
Preguiça balançou as mãos, circulando uma totalidade que não estava la.
— Isso.
O semblante do outro ficou confuso.
— Como assim?
— Cara, ta ligado no quanto você comeu? Serio, acho que a gente limpou aquela floresta ali atrás. To ate esperando os elfos virem encher meu saco daqui a pouco e você continua com fome! Seus poderes também tão crescendo. Você nem ta esquelético que nem antes.
Era verdade, Sem-nome, ate poucos dias, eram tão magro, mas tão magro, que suas costelas podiam ser contadas por sobre a pele. Agora..não. O abdômen dele estava como o de uma pessoa normal. Claro, ele continuava magro, mas agora era um magro saldável, esguio.
— Você é isso, saca? Você come, e come e ainda quer comer mais.
— Humm..- ele sorriu. Realmente, ele queria comer ainda mais..e aquele dragão estava voando meio baixo- É verdade!..mas como vamos me chamar?
E eles ficaram nessa duvida por alguns minutos..como chamariam ele?
Num dia qualquer, antes do Tempo ter esse nome, nasceu um demônio. Ele era pequeno, frágil e incrivelmente mirrado. Ele nasceu e cresceu escondido no fundo do campos Asfosdelos ate que um dia esse demônio conheceu Preguiça e Preguiça lhe deu um nome.
O nome daquele demônio era Gula.
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— Ei, Preguiça?
— Hum?
— Já pensou em como seria- Gula falou olhando pro céu, num ponto bem delicio...especifico- já pensou em como seria se usássemos fogo pra tostar um dragão?
E assim nasceu o churrasco.
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