As Três Faces do Medo.
1 Prólogo.
Notas iniciais
“Mudei-me para aquela escola há apenas três meses, porém posso dizer com convicção que odeio aquele lugar.
O Instituto Educacional Namikaze é um colégio renomado, pertence à minha família e existem várias unidades espelhadas pelo mundo, mas eu estudo na principal, situada em Konoha, País do Fogo. Meu avô, Jiraya, é o administrador dessa unidade, mas nenhum aluno sabe disso por questão de segurança. Na verdade, eles nem ao menos sabem que eu sou o herdeiro dos Namikaze.
Essa é a primeira vez que eu estudo em um colégio normal. Passei a maior parte da minha vida em um internato para alunos especiais.
Meu nome é Uzumaki Naruto, 17 anos, e eu tenho distúrbio de múltiplas personalidades. Pelo que sei, existem mais duas personalidades, além da minha. Tenho conhecimento sobre elas, mas não consigo impedi-las de tomarem minha consciência e nem sei o que fazem enquanto estão dominando minha mente.
Minha família aceita minha condição, mas acha que eu não posso chegar a administrar o patrimônio que irei herdar um dia. Meu antigo psiquiatra disse que se eu continuar me tratando e tomando os medicamentos corretamente, poderei viver uma vida normal, entretanto meu pai não acredita nisso.
Eu sei que ele me ama, nunca duvidei disso, porém não posso me impedir de ficar magoado por ele não confiar na minha capacidade.
Bem, voltando ao assunto inicial...
Estou estudando naquela escola há três meses e por um lado estou feliz, pois finalmente posso ter uma vida relativamente normal, além disso, ainda não... Como posso dizer? ... Surtei. Isso pode ser considerado um milagre, porque naquela porcaria de colégio eu não tenho paz.
Só para começar eu não sou vaidoso; uso roupas que na opinião dos meus “amigos” – sarcasmo – são simplesmente um atentando terrorista contra a humanidade. Ando sempre com uma touca de lã cinza praticamente cobrindo meus olhos, meu uniforme escolar parece de segunda mão e está sempre amassado. Por cima do uniforme visto sempre um casaco verde-musgo, uso um cachecol quadriculado e luvas. Nunca mudo meu estilo, faça chuva ou sol.
Minha mãe sempre tenta mudar um pouco meu estilo, mas eu não consigo me sentir seguro de outra forma. A verdade é que eu tenho medo de sair na rua mostrando-me normalmente, afinal sou idêntico ao meu pai e faço parte de uma das famílias mais renomadas do País do Fogo.
E se um dia me sequestrarem? Me matarem? Ou pior... Me sequestram, cortam partes do meu corpo para chantagear meus pais, e depois me matam?
Deus me livre!
Prefiro andar parecendo um espantalho a correr um risco desses. Não só por mim, mas também por minha família. Seria sofrimento demais para eles. Eu sei que é um pouco exagerado... Quem sabe um dia eu supere isso?
Agora vamos falar sobre meus dias na escola. As pessoas só são amigáveis comigo na hora de fazer trabalhos em grupo. Eu aprendi a gostar de estudar graças ao meu medo de tudo. Passo tanto tempo dentro do quarto que a única coisa que me resta é estudar e acumular conhecimento. Já falaram para eu praticar esportes, sair para passear e etc., mas eu prefiro não me arriscar.
Na hora do intervalo e no almoço sou o alvo preferido dos valentões. Eles me perturbam pelo simples fato de eu existir, me zoam por ser bolsista (eles pensam assim por meu comportamento e modo de vestir), e eu tento ao máximo me controlar nessas horas e ignorá-los, mas quando acho que é demais, me tranco no gabinete de meu avô, usando os efeitos colaterais dos meus medicamentos como desculpa para não voltar às aulas.
Eu sei que ele e o resto da família desconfiam que algo está errado, mas quero superar esse problema sozinho. Cansei de ser uma decepção para eles. Além disso, são as famílias destes valentões que “pagam” nossas contas.
Quer um conselho? Não se aproxime muito de Kiba, Lee, Suigetsu ou Jiroubou; eles podem ser bem “agressivos”, apenas se acharem que você está respirando demais.
Outros que tem como esporte preferido me zoar são os Preciosos – apelido carinhosamente dado pelas garotas do fã clube deles – eles são ricos, bonitos, inteligentes e desprezam a nós, pobres mortais. Neji, Sai, Kimimaro e Sasuke fazem parte do grupo, e as piadinhas surgem quando tiro notas altas ou “tropeço” em um pé por aí.
Na verdade Sasuke não perde tempo se dirigindo a mim; ele apenas me olha com desprezo, assim como olha para os outros. Ele é tipo o líder do grupo, o mais rico, mais bonito, mais inteligente... Tem todos da escola a seus pés e não está “nem aí” para isso.
Ele é meu perfeito oposto e eu o admiro por isso. Sinceramente, sinto mais que admiração, mas não vou perder tempo alimentando uma ilusão.
Existem pessoas que são, ao menos, educadas comigo, como por exemplo, Shikamaru, Chouji, Tenten, Tayuya e Shino. É verdade que eles não são populares nem nada, mas ninguém mexe com eles. Quando é necessário fazer trabalhos em grupo, sempre faço com eles, porém nosso contato se resume a isso.
Algo que me tira do sério é gente histérica e barulhenta e, para minha sorte, esta escola está cheia de pessoas assim. As piores são as garotas do fã-clube dos Preciosos. Não sei como elas são capazes de gritar tão alto e fino.
Ino, Sakura e Karin são as mais “populares” do grupo e as únicas que – de acordo com a maioria dos alunos –, têm chances de ficar com algum deles, mais especificamente Sasuke. E, como sempre, além de ficar babando por eles, gostam também de rir de mim quando sou alvo de piadas dos Preciosos.
Vou falar de algo bom agora: a única que pessoa que é gentil comigo naquele colégio, Hyuuga Hinata. Sempre que tem a oportunidade, ela vem falar comigo, saber como estou e me trata como um amigo. Infelizmente, essas oportunidades são poucas, pois seu primo Neji e o brutamonte do Kiba não gostam que ela ande comigo.
Sobre os professores eu não tenho do que reclamar, afinal eles tratam os alunos igualmente e não me olham torto por causa de minha aparência.
O meu preferido é o Iruka, que dá aulas de história. Ele é gentil e leva as aulas de forma dinâmica; acho impossível não entender as aulas dele. A maioria dos alunos o ama. Também tem o Kakashi. Ele leciona matemática e os alunos têm medo dele por ser muito rígido, apesar de estar sempre atrasado e ter uma expressão de tédio constante.
Kakashi é o único que sabe sobre meu problema, por ser amigo de longa data do meu pai.
Estou cansado de escrever... Não sei o porquê desta carta, afinal eu irei encontrá-lo de qualquer jeito. Mesmo assim, espero que o ajude a saber um pouco sobre mim e que o senhor não fique entediado ao ler isso.
Além disso, pra que tanto mistério sobre quem será meu novo psiquiatra?
A carta termina aqui. Tsunade obaa-chan, eu sei que a senhora não deve ter aguentado de curiosidade e leu a carta... Por favor, encare tudo que escrevi de forma profissional. Não quero o vovô e meus pais preocupados com os problemas da escola.
E, doutor, não precisa ter medo de mim. Sou louco, mas não mordo... e, se morder, não fui eu. (Desculpe pela tentativa de piada, sou péssimo nisso).”
O jovem parou de escrever, releu a carta, depois a dobrou e guardou em um envelope.
— Espero que seja o suficiente. Cansei de escrever — murmurou, massageando o pulso.
Encarou o relógio e constatou que estava atrasado. Rapidamente começou a se arrumar para mais um “excelente” dia de aula.
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