As Prattis
21 [Capítulo 20]
— Então, o que você queria conversar? Já estamos caminhando há 10 minutos e você ainda não falou nada importante. — Indagou, com ironia, interrompendo um silêncio mortificante de 2 minutos. Abrira a bolsa para pegar o celular, primeiro para suportar o tédio daquele momento, e segundo para buscar notícias da Jéssica que ainda não teria confirmado o encontro de hoje na gruta.
Henrique interrompera sua caminhada de repente, e tocara no ombro de Angelina, fazendo-a parar em aturdimento. Ele adorava essa nova Angelina, a antiga era tão carente e sufocante, mas essa era tão independente, forte e apenas o desprezava. Ele não conseguira tirar ela da cabeça desde aquela conversa no parque.
— Naquele dia eu ia te perguntar uma coisa, mas a Jéssica nos interrompeu, e eu acabei não perguntando...
— Você está maluco, Henrique? Isso foi há mais de um mês atrás! — Perguntara, interrompendo-o, atônita com o absurdo da situação.
— Eu sei, mas eu estava confuso com algumas coisas e decidi dar um tempo até decidir o que fazer. Eu inclusive estou pensando em terminar com a Alessandra...
— Quem? — Perguntara sem muito interesse, porque estava olhando o telefone e sequer teria prestado atenção em suas palavras, apenas estranhara quando ouvira o nome desconhecido.
— A garota que você viu comigo na missa de 7º dia da primeira dama.
— Ah. — Comentou, simplesmente, olhando o relógio. – Henrique, eu.... — Começou a despedir-se mas fora interrompido:
— Você ainda me ama? — Perguntou o rapaz de repente, e Angelina o encarou levantando a sobrancelha direita.
— Que pergunta é essa? Estamos terminados há 2 meses, Henrique. Sem contar o fato que você me largou pra ficar com outra.
— Eu sei, mas olha... Isso foi errado, eu entendo isso agora. Não deveria ter feito isso com você. Não deveria ter ficado com a Alessandra depois que terminamos...
— Eu sei que vocês já estavam juntos antes da gente terminar, Henrique. E pra te falar a verdade isso nem me importa mais.
— Olha, a gente só ficou uma vez mas não foi nada importante. Me escuta. Por favor me escuta. — Pegou nas mãos de Angelina, que o observara sem saber o que fazer. O mais estranho é que ele não parecia ele mesmo. Ele parecia...
— Você está bêbado? — Reparara finalmente. — Ok, eu vou embora agora.
— Não, não, não, não, me escuta. — Disse trazendo-a de volta, e Angelina suspirou irritável. — Eu só quero saber. Eu quero que você saiba que eu gosto de você. E só preciso saber se você ainda gosta de mim.
— Não. Não gosto, Henrique. Não queria ser obrigada a responder porque essa conversa além de desnecessária a essa altura do campeonato, poderia te magoar. E não é minha intenção. Mas... Você não está com outra mulher? Porque está atrás de mim?
— Estou. Mas e você... está?
Angelina o encarou perplexa. O que ele queria dizer com aquilo? Se bem que do jeito que estava bêbado, seus comentários não valiam de nada.
— Se eu estou o que, Henrique? — Perguntara em disfarce como se não tivesse entendido. E, bem, realmente não entendeu.
— Com algum cara? — Perguntou o rapaz, e Angelina deixara escapar um suspiro inaudível. — Você está com outro cara?
Não exatamente – pensava –, estaria com uma mulher. Sendo mais específica, uma mulher da família agregada à sua desde quando pequena, e que fora criada com Angelina como sua irmã. A situação às vezes lhe parece tão complexa que até ela sente como se fosse um incesto. Mas claro que não poderia dizer isso para Henrique, seria uma insanidade! E para falar a verdade, ela nem saberia dizer se algum dia sentiria-se capaz de assumir isso pra alguém em voz alta.
— Eu não vou responder isso, porque não é da sua conta. Henrique, entenda de uma vez. Muita coisa aconteceu nesses dois meses, e eu me dei conta de que não gosto mais de você. Não gosto, então pare de me procurar. E dê mais valor para a Alessandra, antes que ela também desista de você. — Concluiu, soltando seu braço das mãos de Henrique, e continuando seu caminho, deixando o jovem para trás, paralisado com a frieza perceptível na resposta de Angelina.
Angelina concluíra o caminho até o parque sozinha, e entrara na gruta procurando por Jéssica, mas não a encontrara. Olhara o telefone e continuava sem notícias. Começara a se preocupar. Não era do feitio da mais velha ver tantas chamadas perdidas e não retornar, ou não responder suas mensagens. Ligara para uma colega de faculdade dela que conhecia, e descobrira que Jéssica não aparecera na aula hoje.
Cada vez mais confusa com a situação, decidira então retornar para casa, para procura-la.
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