As Prattis
22 [Capítulo 21]
Chegara em casa e logo a procurara por todos os cômodos, em vão. Até que finalmente a Sra. Perez comentou ter ouvido Luísa falar no telefone sobre sair com a Jéssica hoje depois da faculdade.
E a mais jovem Prattis finalmente relaxara, liberando toda a tensão que prendera todo esse tempo.
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4 HORAS ATRÁS
Luísa estava com o carro da família, raramente usado pelas Prattis Lopes, e acabara de avistar na estrada a placa de saída de Catedral do Norte. Estava seguindo em direção a um município vizinho.
Olhara na direção do carona rapidamente, agradecendo silenciosamente o fato de ter mais alguém com ela. A única pessoa que confiara contar um assunto tão importante. Jéssica e ela cresceram praticamente juntas, e embora fosse mais velha, Luísa sempre aproveita a convivência com a mais nova, e os conselhos maduros da mesma, superiores pela idade.
— Obrigada por não ter ido a faculdade hoje só para me acompanhar. Te devo uma. — Se pronunciara finalmente, embora permanecesse olhando para frente, concentrada na direção.
— Uma? Você fará coisas por mim pelo resto da vida. — Brincou Jéssica, atraindo um olhar irônico de Luísa como resposta.
A mais velha logo lembrara-se das noites de pijamas que promovia no seu quarto para ela, Jéssica e Angelina, que sempre terminava em guerras de travesseiros ou de cócegas. Mas sempre fora mais próxima da Jessica, até pela maior proximidade de idade, mesmo sabendo que não eram irmãs biológicas. Elas simplesmente nunca ligaram pra isso, nenhuma das irmãs.
Lembrara da história que Mônica sempre contava a elas sobre o momento em que a matriarca Prattis reunira todos os filhos biológicos — ela, a mais velha e Angelina -, para contar sobre a nova família que iria morar com eles. Luísa deveria ter uns 10 anos ou menos, então não lembrava-se de praticamente nada.
Mônica dizia que a mãe queria que todas se tratassem como iguais. Que seriam irmãs, e que poderiam rir, brincar, estudar e até mesmo brigar — porque toda relação íntima envolve momentos de tensão e conflitos, mas que jamais, em hipótese nenhuma, aceitaria em uma discussão UM comentário que fosse menosprezando ou rejeitando o papel das Lopes naquela casa. Aquela família agora eram delas também. E todos deveriam recebe-las de braços abertos.
Luísa sorriu, em concordância pela melhor coisa que sua mãe teria feito em toda a sua vida. Não seria capaz de algum dia agradece-la o suficiente, por tê-lo feito, considerando todos os bons frutos que aquela união familiar proporcionou para todas as jovens Prattis Lopes.
— Você tem certeza que pode ser gravidez? — Perguntara Jéssica repentinamente, tirando Luísa de seus devaneios.
— Não sei, mas é possível. Minha menstruação está atrasada há duas semanas, e eu não tinha como comprar remédio de farmácia, porque naquela cidade você sabe como é. Todos ficariam sabendo.
— Com certeza. Não sei como ainda não explodiu minha relação com a Angelina.
— Falando nisso, vocês estão mantendo dentro de casa como eu falei, né? — Perguntou Luísa, preocupando-se, e encarando-a por um momento. A mais velha não sabia sobre os encontros das pombinhas no ponto secreto da gruta, então Jéssica achou melhor não comentar para não preocupa-la mais. Afinal, ela já tinha problemas suficientes para importar-se agora. Como não seria capaz de mentir, gesticulara com a cabeça um sim quando sentira seu olhar sobre si.
— Pelo menos até vocês assumirem para nossas irmãs. Mônica não iria perdoar vocês jamais se ficasse sabendo por fofoca. Sabe como ela é quando trata-se de defender a honra da família. Temos que acostuma-la a ideia primeiro.
Luísa traduzira sua maior preocupação sobre sua relação com Angelina. Mônica. Como ela se comportaria, o que faria a respeito, como se sentiria quando o assunto fosse comentado na cidade. E fosse como fosse, Jéssica não conseguira pensar em nada positivo para concluir os seus pensamentos.
Incontáveis minutos se passaram, e Jéssica decidira mandar uma mensagem para Angelina não preocupar-se com o sumiço dela. No entanto, ao abrir a bolsa, reparara que esquecera o celular em casa.
— Finalmente chegamos. — Dissera Luísa apontando para a placa da cidade, ao leste de Catedral do Norte, chamada Águia do Rio Branco.
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Angelina passara a tarde mal humorada. Fizera um trabalho da faculdade, e continuara tentando falar com Jéssica sem sucesso. Ao menos agora já sabia com quem deveria estar. Mas porque não a atendia? Porque não a avisou se sabia que ela estaria esperando uma resposta sobre a ida na gruta.
8 horas haviam se passado e não teria recebido nenhum contato da Jéssica, tentara a Luísa e o celular estava desligado. E de repente, ela não conseguia mais evitar se preocupar, afinal sua amada irmã não era exatamente a pessoa mais certa e confiável do mundo. Odiara saber que elas saíram de carro. Preferia que estivessem à pé. E se Luísa bebesse demais na rua, e acontecesse algum acidente? Lembrara automaticamente de Henrique, nunca tinha visto o rapaz tão descontrolado. Bebendo àquela hora do dia. Não deveria ter deixado-o plantado daquela forma, e se acontecesse algo? Teria sido ela a responsável?
De repente, os mil pensamentos se dissolveram com uma batida na sua porta. Ouvira em seguida uma voz vindo do corredor que logo reconhecera como sendo a Sra. Perez, que lhe disse o que tanto queria ouvir. Jéssica e Luísa teriam passado pelo portão principal, e aproximavam-se da casa.
A jovem abriu a porta e agradeceu Sra. Perez com um rápido abraço que fez a senhora que trabalhava naquela casa há 25 anos sorrir, e saíra correndo até o estacionamento. Se aproximara de onde as jovens encontravam-se e não pôde deixar de ouvir:
— Você vai contar pra elas?
— Não sei, eu... — Disse Luísa, sendo interrompida pela Angelina que passou intempestivamente na direção de seu ombro direito, dando um abraço na Jéssica, que embora confusa, fora receptiva ao gesto.
— Onde você estava? Fiquei tão preocupada. Tento falar com você desde essa manhã, Jes. Não faz mais isso comigo por favor. — Disse, em mil palavras e no modo acelerado, que Jéssica mal conseguia compreender o que estava sendo dito. Mas fosse como fosse, lhe parecera tão fofo a preocupação da mais nova.
— Eu esqueci o celular em casa. Me desculpe. — Respondeu, sem graça, e as duas finalmente lembraram de Luísa que estaria encarando-as com uma expressão divertida no rosto.
— Vou entrar e deixar vocês duas nessa... conversação. — Finalizara ironicamente, por meio de gestos sugestivos, e recebera um tapa no ombro de Jéssica como resposta. Assim que a mais velha se afastara, elas se entreolharam e Jéssica dera um amplo sorriso, pegando na mão de Angelina, e seguiram na direção do estábulo, onde poderia cumprimentar a namorada direito.
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