As Melhores Coisas Da Vida
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Na semana seguinte fui à escola apenas na quarta feira, para ficar com Emmett no começo da quimioterapia. Não foi fácil, vê-lo sofrer daquele jeito e ter que deixá-lo no hospital sozinho. Na verdade, ele não estava sozinho, pois seus pais estavam vinte e quatro horas por dia ao seu lado e mamãe e papai também, cuidando para que ele ficasse bom. Na noite anterior, eu tinha chorado muito, um milhão de coisas passou pela minha cabeça e eu não agüentei. Minha mãe ouviu meus sussurros e foi me consolar. Eu ainda não acreditava que o Emmett estava doente, porque ele era uma pessoa boa. Ele não deveria estar passando por aquilo. Ele tinha tanta vontade de viver, estava sempre sorrindo e fazendo piadas. Não era justo. Não com ele.
Deixei minhas coisas em meu armário e fui sem vontade alguma para a sala de aula. Sentei-me em minha cadeira e abaixei a cabeça. Senti alguém cutucar minhas costas e me assustei.
– Ah, é você Tanya.
– O que você tem, gata? Parece estar tão cansada!
– Não tenho nada, obrigada por perguntar.
– Desde quando eu te conheço mesmo?
– Desde o jardim de infância.
– Eu sei quando você está bem e quando está mal, Rose. Faz dois dias que não aparece na escola. O que aquele Emmett fez com você?
– Ele não fez nada, eu juro.
– Então porque essa cara de quem deu e não gostou? – ela riu.
– Estamos passando por uma turbulência, só isso.
– Desabafa, garota. Vai ser melhor.
– Ok. O Emmett está internado.
– O EMMETT ESTÁ INTERNADO? – ela gritou e todos se calaram para ouvir nossa conversa.
– Fala baixo!
– Foi mal. Mas o que ele tem?
– Leucemia. – eu disse e abaixei a cabeça.
– Ah, Meu Deus! Eu sinto tanto! – ela disse e me deu um abraço.
– É verdade essa parada do Emmett, Rose? – perguntou-me Mike.
– É sim. Infelizmente.
– Eu sinto.
– Eu também. – disse Jane.
– Até você, Princesa de Gelo? – riu Zafrina.
– Qual é gente? Não sou tão ruim quanto pareço ser. Eu sei o quanto essa doença é difícil, há vários casos em minha família.
– Ele vai precisar de transplante? – perguntou Angela.
– Ainda não. Minha mãe disse que primeiro vamos ver como ele vai reagir à quimioterapia.
– Se precisar, estaremos aqui. – disse Tyler.
– Obrigada gente. – sorri.
– Nós podemos vê-lo? – perguntou Tanya.
– Podem. Vamos hoje à tarde para casa dele.
– Estaremos lá.
– Que reunião é essa? – perguntou Victoria se juntando ao grupo.
– Não te interessa. – disse Zafrina, com rispidez.
– Olha o jeito que fala comigo, sua sapata mal educada.
– Do que você a chamou? – Tanya foi para cima de Victoria, para defender a namorada, mas Mike a segurou.
– Calma! Deixa-a pra lá.
– Se você falar desse jeito com a minha garota mais uma vez, eu juro que eu quebro todos os dentes que você tem na boca. – Tanya disse sentando-se em seu lugar enquanto Victoria a olhava com um sorriso cínico nos lábios.
– Deixa a Vacatória pra lá. Não suje suas mãos, ok? – disse Zafrina, dando-lhe um beijo na testa.
– Eu bem que queria ver você quebrar a cara da Victoria. – eu disse, me virando para ela.
– Um dia quem sabe. – ela sorriu e se sentou atrás de mim. Assistimos às aulas normalmente e antes de eu ir embora, fui ver Sue.
– Olha, você apareceu! Queria te perguntar uma coisa... É verdade esse negócio que estão falando do Emmett?
– Hum, é sim. – disse.
– Oh, querida! Eu sinto tanto! Como ele está?
– Fazendo o tratamento necessário. Meus pais são os médicos dele, então está em boas mãos.
– Ele vai sair dessa, ele é forte.
– Espero. – ela me abraçou e eu comecei a chorar.
– Você acredita em Deus, Rosalie?
– Acredito.
– Então entregue tudo nas mãos dele. O Emmett vai sair dessa! Acredite. Ele tem muita coisa pra viver.
– Eu sei, só que isso é tão difícil! Vê-lo naquele estado, tão frágil!
– Vai ficar tudo bem, Rose. Acredite. Eu vou vista-lo qualquer dia desses, ok?
– Ok. – sorri e me despedi dela. Fui direto para a casa do Emmett, ver como ele estava.
– Oi Sra. McCarty.
– Oi meu bem, o Emmett está lá em cima. Pode subir.
– Obrigada. – sorri e subi para o quarto de Emmett. Ele estava deitado na cama jogando vídeo game. – posso entrar?
– Ah, claro que pode, Ursinha. – ele disse sem tirar os olhos da tevê.
– Como você está?
– Estou ótimo! O mal estar já passou!
– Que bom. Dá pra você prestar atenção em mim ou o jogo é mais interessante? – disse cruzando os braços.
– Só um minutinho, estou quase ganhando. – balancei a cabeça e parei na frente da tevê. – Rose! Eu tava ganhando!
– Agora você perdeu. – desliguei a tevê e me sentei ao seu lado. – agora dá pra prestar atenção em mim?
– Poxa, não sabia que era tão ruim assim. – ele sorriu e me beijou. Passei as mãos em seus cabelos e um tufo se enroscou entre os meus dedos. Fiquei sem reação. – não se importe com isso. – ele disse. – é normal.
– É... Eu vou ao banheiro jogar no lixo, ok? – me levantei e fui ao banheiro e joguei o cabelo fora. Vi que no lixo já havia um monte e isso me deu um nó na garganta.
– Não fique triste, Rose. Meu cabelo vai crescer. E outra: eu nem tenho tanto cabelo assim na cabeça.
– Não, não me importo com seu cabelo. Me importo só com você.
– Ótimo, porque daqui em diante ficarei mais feio.
– Você nunca ficará feio, querido.
– Você é cega. – ele sorriu e me beijou novamente. – e ai, o que quer fazer com seu namorado-zumbi?
– Podemos jogar xadrez.
– Que tédio. Vamos assistir a um filme de terror?
– Pode ser.
– Então vamos lá para baixo. – ele se levantou e eu peguei um cobertor para ele. Nós descemos, eu fiz pipoca e chocolate quente e nós fomos para a sala de tevê. Emmett escolheu Mama nós assistimos durante a tarde inteira.
– Emmett? Nós vamos até a casa da sua avó, em Seattle. Voltamos à noite. Qualquer coisa, ligue pra gente sim? – a Sra. McCarty deu-lhe um beijo na testa e começou a chorar.
– Mãe, não precisa chorar. Eu vou ficar bem.
– Eu não queria sair de perto de você...
– Mãe, não vai acontecer nada comigo, ok? A Rose está aqui.
– Prometemos que à noite voltamos, tudo bem. Eu te amo muito.
– Também te amo, mãe.
– Tchau Rose.
– Tchau Sra. McCarty.
À noite, estávamos em seu quarto falando sobre bobeiras ouvindo Radiohead e a campainha tocou – quem será que é? – ele perguntou, sem entender.
– Espere um segundo. – eu sorri e fui lá para baixo atender, pois seus pais haviam saído. – façam silêncio, ok? Eu não contei a ele que viriam. – eu pedi, então todos nós subimos em silêncio. Mike abriu a porta e o pessoal entrou.
– Como é que vai nosso quarterback? – Tyler disse, pulando na cama.
– Nossa, eu não esperava vocês aqui. – Emmett sorriu. – obrigado.
– Ah, o que é isso! Você acha que deixaríamos você numa hora dessas? – perguntou Tanya.
– É, estamos aqui para o que der e vier. – disse Edward.
– Valeu pessoal, vocês são os melhores amigos que alguém poderia ter.
– Somos mesmo. – disse Bella.
– Convencida... – eu disse.
– Se precisar de qualquer coisa, pode falar com a gente, ok? – disse Jane.
– Nossa! Até você? Obrigado, Jane. – ele agradeceu. – vem cá me dar um abraço, menina. – Emmett deu um abraço em Jane e os outros se juntaram também.
– Nós te amamos, Emmett. – disse Zafrina.
– Eu nem sei o que dizer galera. Vocês são demais! Obrigado, mais uma vez.
– Não precisa agradecer, grandão. – disse Mike.
– Como vai ficar o time sem mim? – ele perguntou, com tristeza. – vocês já encontraram outro cara?
– Não esquenta. O Edward voltou. – respondeu Tyler.
– Sério?
– É sério. Depois de conversar muito com a Bella, ela me convenceu a voltar.
– Legal.
– E você, vai voltar quando pra escola? – perguntou Jane.
– Semana que vem, talvez.
– Hum. Estamos te esperando. – disse Tanya.
O pessoal ficou mais um tempo lá e Emmett ficou muito feliz com a visita. Quando eu estava indo embora, ele puxou meu braço.
– Porque você não fica?
– Meus pais não vão me deixar dormir aqui Em.
– Eu ligo pra eles. Eu prometo a eles que não vou fazer nada com você. Por favor, fique aqui comigo.
– Tudo bem, vou ligar pra minha mãe. – peguei o celular e disquei o número da minha mãe. – oi mãe, sou eu. É... O Emmett quer que eu passe a noite aqui com ele... Eu sei mãe, mas não vamos fazer nada mãe. Tá mãe, eu prometemos que vamos tomar cuidado. Tá mãe. Tudo bem. Mãe, os pais dele estão aqui. Ok. Até amanhã então. Um beijo.
– E ai?
– Ela deixou.
– Legal. Você pode dormir no quarto da Bree, se quiser. Ou comigo. – ele sorriu.
– Tudo bem.
– E só uma coisa... Meus pais não vão voltar hoje.
– Quando eles saíram disseram que iam.
– Eu sei. Só que eles vão ter que passar a noite lá na casa da minha avó, pois está chovendo muito. Amanhã eles voltam. Ele ligaram.
– Hum, porque não me disse antes?
– Está com medo de mim, Rose?
– Claro que não.
– Então... Vamos dormir.
– Tudo bem. Só que eu preciso de uma camiseta...
– Tudo bem. – ele foi até o seu guarda roupas e pegou uma camiseta pra mim. – pode ser esta?
– Pode. – fui ao banheiro e me troquei. Coloquei um colchão no chão e me deitei.
– Rose? Eu sei que você ainda não está preparada e eu não vou te obrigar a fazer nada do que não queria. Venha pra minha cama, por favor.
– Tudo bem. Sem gracinhas, está me ouvindo?
– Tudo bem, sargento!
– Você tomou seus remédios?
– Tomei sim.
– Então ok. – me deitei ao seu lado e ele passou o braço por cima de mim e me puxou pra perto. – boa noite, Emmett.
– Boa noite, Rose.
Fechei os olhos e acordei apenas no outro dia.
Fale com o autor