As Long As I Have You
4 Confiança
POV Buttercup
O professor de hoje fala mais que a Blossom dando sermão em mim. Caramba! Eu sabia que mulheres falavam bastante, mas esse cara tá num páreo duro com elas!
O garoto parecido comigo se chama Butch e parece se dar bem com todo mundo. Ele parece ser de boa. Na verdade, o povo todo aqui parece ser. Eles não ficaram me zoando por ser a única garota e nem nada. Ainda bem que não ficaram flertando comigo, senão eu ia fazê-los beijar meu punho.
Infelizmente, eu ainda penso muito no Ace, ainda mais que a sala dele ficava nesse bloco da faculdade. Passei pela frente dela na hora do intervalo e aquilo me cortou o coração. Aqueles cabelos negros bagunçados, sorriso malandro, óculos escuros de estimação e bem alto e magro... Como tenho saudade de abraçá-lo sem motivo, ficar contemplando seus olhos negros e brilhantes e dar risada de alguma piada boba que ele contara... Eu suspiro para engolir as lágrimas e tentar fazer meus olhos segurarem elas.
Notei que aquele garoto, o Butch, estava vindo atrás de mim.
— Buttercup. – Chamou ele, fazendo-me parar. – Vamos comprar alguma coisa pro lanche?
Não queria ser grossa com ele nem nada, mas estava a fim de ficar sozinha, ainda mais depois de lembrar do Ace de novo. Forcei um sorriso, MUITO FALSO.
— Desculpe, Butch, tô sem fome. – Foi o que respondi.
— Ah, tudo bem... – Ele coçou a nuca, parecendo constrangido por ter sido “rejeitado”. – A gente se vê depois então.
Quando ele saiu, me senti muito mal por ele, de verdade. Mas simplesmente não tô a fim de ir a um lugar onde junta muita gente, muita conversa, música alta e cheiro de suor. Eu quero ficar na minha, quietinha. Sem contar que eu não me apego mais a ninguém. Não quero me apegar ao Butch, apesar de ser gente boa.
É, assim eu não farei amigos. Mas quer saber? Tô muito bem assim. Prefiro que esse pessoal da sala sejam só colegas mesmo. Amigo do peito, parça mesmo é difícil que consigam ser. Eu me fechei para os meus sentimentos, apesar de ficar sensível quando o assunto é o Ace.
Desci as escadas e fui até o banheiro do térreo e observei de longe que Butch comprou seu lanche e comeu sozinho. Até me cortaria o coração se eu tivesse um. Tecnicamente eu tenho, mas não deve funcionar muito bem.
Eu estranhei que na faculdade não existe sirene para voltar pra sala. Quase que perdi a hora, pois estava esperando aquela coisa barulhenta tocar. Subi as escadas quase voando e cheguei esbaforida na sala.
— Vejo que se atrasou, Buttercup. – Brincou o professor David. Ele resolveu pegar no meu pé, né? – Pode entrar.
Ele disse que por ser a única menina, eu seria a mascote do “time”. Com time ele quis dizer classe. Nem ligo, podem me chamar do que quiserem. Só quero ficar na minha.
Eu simulo minhas emoções para as pessoas não se preocuparem comigo, como naquela hora que animei o pessoal por aqui por ser primeiro dia de aula. Mas parece que apenas uma pessoa aqui sabe minhas verdadeiras emoções... E ele está bem ao meu lado. (Não é o Ace)
— Buttercup. Tudo bem? Você demorou... – Era o Butch novamente e estava com um olhar preocupado.
— Tô de boa. – Respondi, dando de ombros e sorrindo. – Eu demorei pois achei que esse negócio de faculdade tinha sirene igual na escola. Me ferrei.
Ele abafou uma risada e o professor olhou para nós.
— Utonium e Jojo, querem, por favor, prestar atenção na aula? – Eu acho que o professor estava brincando falando daquele jeito.
— Sim, senhor! – Butch fez uma voz engraçada, que fez a sala toda rir, até mesmo eu. Há algo especial nesse garoto, ele me fez rir!
Até o professor tava se matando de rir.
— Já chega... – Disse o professor, fingindo secar lágrimas de tanto rir. – Como eu ia dizendo antes do intervalo...
E assim ele começou a falar MUITO de novo. Já era 20:45 e eu já estava com sono. Me esqueci de ligar pro Professor, para dizer que estava tudo dando certo, que não estava nervosa e estava me adaptando bem.
No final da aula, lá por umas 22:00, eu estava saindo da faculdade, com minha maravilhosa mochila de couro e caveiras ao lado de Butch, que me acompanhou até a frente do campus. Conversamos e rimos bastante e pela primeira vez em muito tempo, eu me senti bem. De verdade. Só fui me lembrar do Ace quando já estava em casa.
Talvez o Butch tenha mesmo algo especial. Posso sentir. Algo diferente que o Ace também tinha. Talvez eu possa ser amiga dele. Mas ainda tenho medo do que possa acontecer a esse cara. Por ora, vou ser apenas a “colega-e-única-garota-da-classe”.
Voltei para casa de moto a todo vapor. Estava louca para contar como tinha sido para o Professor e minhas irmãs. Engraçado, eu tô empolgada e isso me assusta um pouco.
— Cheguei. – Declarei, abrindo a porta e tirando o capacete preto com detalhes em verde-musgo.
— Seja bem-vinda, querida! – O Professor foi me encontrar e me deu um abraço. – Quero saber de tudo, me conte!
Eu ia abrir a boca para falar algo quando Bubbles e Blossom tinham acabado de chegar de ônibus.
— Oii! – Disseram elas, correndo para dentro.
— Não se encontraram lá no campus? – Perguntou o Professor.
— Não, o campus é bem grande. – Blossom respondeu, ajeitado o rabo de cavalo ruivo e fez uma careta pra mim. – A Butter nem quis nos ver. – Fingiu estar chateada.
— Ela se escondeu da gente... – Bubbles fez um beicinho, ameaçando chorar de mentirinha.
— Eu só queria conhecer a faculdade, dãr. Afinal, é minha primeira vez em uma. E cara, foi melhor do que eu pensei. Me preocupei à toa.
— Fico feliz em ouvir isso, meu anjo. – Sorriu meu pai. – Deve estar cansada, não é? Melhor ir dormir.
— Vou mesmo, tô morta. – Eu disse, jogando minha mochila no sofá e sendo repreendida em seguida.
— Guarde sua mochila no seu quarto.
Assenti com a cabeça, levando a mochila comigo.
— E aí, Butter? Encontrou algum gatinho lá? – Blossom sempre quer saber disso, que chata.
— Ah, tinha um monte de caras na minha sala. – Isso lá era verdade, mas não precisava dizer que eram bonitos, né? – Aliás, eu sou a única garota de lá.
— O que? Que horror! – Minha irmã loira arregalou os olhos, assustada.
— Eu iria odiar isso! A menos que todos os garotos fossem bonitos, é claro! – Ela fez uma careta mas depois deu um sorrisinho maroto.
— Sua oferecida! – Eu fiz cócegas nela e eu estava rindo de novo. Esse dia não podia ficar melhor.
— Mas você não achou ninguém bonito, Butter? – A voz de Bubbles surgiu de repente, após eu parar com as cócegas.
Do nada, veio o Butch na minha mente. Não é como se eu achasse ele bonito, mas ele também não era feio... Enfim, não sei como fui pensar nesse cara de uma hora para outra. Mas claro que não contaria pra elas, né?
— Cara, vocês sabem que eu não reparo nessas coisas! – Respondi dessa forma, pra ver se me deixavam em paz.
— Esqueci que ela é tãão durona! – Blossom fez uma careta e eu ignorei, indo pro meu quarto. Ainda bem que já tomei banho antes de ir, senão iria dormir no chuveiro.
— Boa noite, suas peruas. – Eu geralmente dou apelidos assim à elas. O Professor sempre reclama disso, mas elas não ligam.
— Boa noite!! – Responderam as duas em uníssono atrás de mim.
Trancada no meu quarto e perto da janela para contemplar as estrelas e a lua, me ajoelho para rezar para o Ace.
— Obrigada por esse maravilhoso dia. Ace, eu conheci minha sala, minha turma e tudo mais. Seria melhor se você estivesse lá...
Fiquei uns cinco minutos conversando com ele e logo peguei no sono. Eu tava bem cansada mesmo. Capotei legal na cama.
Nos meus sonhos, Ace apareceu e pra minha surpresa, ele disse:
— Pode confiar no Butch. – Disse ele. – Ele é gente fina.
— O Butch da minha sala? Butch Jojo? – Fiquei perplexa. – Por que? Você conhece ele?
Mas eu acordei antes dele responder. Fiquei assustada e confusa. Como o Ace o conhecia? E por que deveria confiar no Butch? Meu coração disparou ao acordar e eu estava suada. Fui beber um copo d’água para ver se esquecia esse sonho estranho.
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