As Long As I Have You
5 Amizade
POV Butch
Acordei cedo naquele dia. Estava cheio de energia, ainda mais agora que estava estudando algo que eu gosto. Fiquei repassando o discurso da Buttercup de ontem várias vezes na minha cabeça. Cara, ela nunca deixa de surpreender.
Mas notei que na hora do intervalo, ela parecia totalmente alheia a tudo. Parecia até uma pessoa diferente. Não quero me meter na vida dela, mas gostaria de saber o que a deixa assim. Me sinto mal por ela.
Me deparo com meus irmãos, dormindo cada um em um sofá da sala. Droga, eles são uns deitados mesmo. Eu aqui me esforçando para me tornar alguém na vida e eles só querem saber de curtição.
— Já de pé, Butchzão? – Brick acordou e sua voz se arrastava, parecendo que estava alterado.
— É. Tenho coisas a fazer, ao contrário de “certas pessoas”.
— Ih, vem com essa! – Boomer dá risada. – Você é tão pra nada quanto nós!
O cheiro de álcool que vinha dos dois deixava evidente que beberam muito na noite passada. Eu nem queria saber o que eles fizeram ontem.
— Fiquem vocês sabendo que agora eu sou um universitário sério, valeu? – Com o ego ferido, eu soltei a bomba.
Os dois no momento não falaram nada, até processarem o que eu disse. Assim que caiu a ficha, caíram na risada.
— Cara! Faculdade? Você? Na mesma frase? – Brick ria tanto que o ar parecia não chegar aos seus pulmões.
— Que ótima piada! – Boomer batia no sofá, achando aquilo a piada mais engraçada da vida.
— Não é piada, não. – Falei, sério. – Ao contrário de vocês, decidi que quero ser alguém na vida.
— Pff... HAHAHAHA! – Meus irmãos entoaram uma risada ao mesmo tempo, o que fez meu sangue ferver. Qual era o problema deles?
— E vai fazer faculdade do que? – Brick limpa uma lágrima, que caíra de tanto ele rir.
— Educação física. – Eu falei, já esperando a reação deles. Mais risadas. – Podem rir, não ligo.
— Qualé, irmão! Não precisamos estudar! A nossa herança banca nossas contas! – Boomer bateu nas minhas costas de leve.
— O dinheiro não dura para sempre. – Suspirei. – Preciso de uma formação.
— É, boa sorte. Só não vá se tornar um nerd chato ou expulsaremos você! – O Brick não tá me levando a sério e isso tá me irritando.
Acho que claramente sou a pessoa com mais cérebro nessa casa.
— O bom é que lá na faculdade tem umas gatinhas, não é? – Boomer nem escondeu o sorriso. – Achou alguém interessante lá?
Sem querer, a imagem de Buttercup tomou conta da minha mente e insistiu em ficar. Eu senti meu rosto ficar vermelho.
— Não! Ainda nem começamos direito!
— Olha só, se achar alguém que seja gata, me apresenta a amiga gata dela, falou? – Brick colocou a mão no meu ombro. Cara, odeio que ele seja mulherengo dessa forma.
— Vou apresentar meu punho, isso sim... – Murmurei, enfurecido.
Hoje era meu segundo dia de aula, mas parecia que eu tinha começado há mais tempo. Ao lembrar que verei a Buttercup de novo, começo a ficar mais empolgado, me esquecendo da conversa acalorada com meus irmãos babacas.
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POV Buttercup
Hoje choveu na hora de ir para a faculdade. Ainda bem que não sou fresca com o cabelo. Molhou um pouquinho quando tirei o capacete, mas nada que eu não consiga lidar.
Vou praticamente marchando até meu bloco, ao segundo andar, com o capacete na mão. Estou de regata preta, com uma jaqueta de couro sobre os ombros e uma calça jeans azul-escura rasgada. A minha bota de camurça faz barulho nos corredores.
Chego na sala de aula um pouco mais cedo e apenas uns sete caras estavam ali. Olhei para o lugar de Butch, que ainda estava vazio.
O sonho com Ace me deixou muito confusa. Ele conhecia Butch e vice-versa? Como sabia que era bom sujeito?
— Pode confiar no Butch. Ele é gente fina. – Dissera Ace no sonho.
Chachoalho a cabeça para afastar aquele pensamento e jogo minha mochila em cima da carteira. Sento-me na cadeira e coloco os dois pés sobre a mesa. Enquanto a aula não começa, fico jogando no celular.
Logo, o Butch chega, sorrindo e cumprimentando a todos. Ele sorri ao me ver e eu não consigo deixar de retribuir.
— E aí? – Ele diz, colocando sua mochila na carteira ao meu lado. – Como você está?
— Tô de boa. E você?
— Eu também. – Ele sorriu. – Parece que choveu um pouquinho, não é?
Ele riu, apontando para meu cabelo levemente úmido.
— Ah, eu nem esquento com isso. Encanar com o cabelo não é comigo.
— Uau, você é uma menina bem diferente mesmo. – Ele disse e eu me senti meio desconcertada.
— E isso é bom? – Arrisquei em perguntar.
— Depende do ponto de vista. – Ele disse, imitando minha pose na cadeira, com os dois braços atrás da cabeça. – Eu acho ótimo que seja diferente. Se todo mundo fosse igual, o mundo seria muito chato.
Eu senti meus lábios se curvando para sorrir. Era um sorriso genuíno. Fiquei realmente feliz com o que ele disse. Me confortou bastante.
— Obrigada.
Ele deu de ombros e sorriu novamente. Parecia confiável mesmo, como Ace avisara. Eu acho que posso tentar ser amiga desse cara.
— Butch...
— Oi?
— Topa ser meu parça? – Dei um sorriso sapeca, de moleca.
Ele parecia não ter entendido.
— Oi? – Ele soltou uma risada solitária. – Como assim, seu parça?
— Ah, parceiro, companheiro... – Respirei fundo para poder falar o resto da frase. – Amigos.
— Ahh! – Ele finalmente entendeu, eu acho. – Claro que topo.
Estendi a mão para ele e ele foi apertá-la, mas eu fui mais rápida e tirei.
— Trollei! – Disse, vitoriosa.
— Ah, você me paga na próxima! – Ele riu da minha atitude, mas parecia me desafiar.
— Pode ser no cartão de crédito? – Joguei uma piadinha e ambos rimos.
Parecia que os problemas todos sumiam quando eu estava junto com ele. Como isso era possível? Realmente não sei, mas Ace parecia saber disso.
A professora de hoje era uma mulher, pro meu alívio. Ela era alta, tinha uma mandíbula grande, uma verruga na bochecha esquerda e algo parecido com uma monocelha. Era uma mulher, mas parecia um cara.
— Boa noite. – Disse ela, com sua voz de trovão. – Eu sou Evelize, professora de hoje.
Ficamos acuados no momento que ela falou conosco, mas depois relaxamos, pois ela não era tão ruim assim. Ainda mais quando Butch resolvia fazer algum tipo de piadinha. Eu ria, pois me lembrava quando Ace me contava algo só para por um sorriso na minha cara.
Eu sinto algo semelhante do Ace no Butch. Não sei dizer o que é. Mas agora que penso nisso, meu coração está acelerando e aqui está ficando quente. E não é porquê está 22º lá fora e o ar condicionado aqui dentro está desligado.
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