As If We Never Said Goodbye
1 Without You
Notas iniciais
Não vou enrolar mais, enfim, tenham uma boa leitura.
“Irá te roubar e te trair. Irá tomar seus amigos e os fará voltar a você. Irá chutar sua bunda e quebrar seu coração. Mas irá te reconstruir, fazer-te sentir totalmente vivo e intocável. É o centro do mundo, é o melhor lugar no mundo, e uma vez em seu coração, nunca lhe deixará.”
–
Quando um peixe grande habita um pequeno lago ele é mais fácil de ser admirado e invejado; mas quando se é um peixe grande, num lago gigantesco abarrotado de tantos outros iguais a ele, é mais provável ser realmente ignorado ou ser devorado no caminho à sobrevivência.
Definitivamente Rachel Berry era um peixe grande graças ao seu talento e sua ambição, mas naquele lugar ela era só mais uma. Nova York abrigava milhares de pessoas exatamente como ela: admiradores da Broadway e de Streisand ; amantes da musica e da liberdade artística.
Aquela cidade abrigava praticamente um pedacinho da cultura vinda de cada parte to mundo e como diz uma musica a Big Apple é uma “Selva de concreto, onde os sonhos são realizados”, só não citou o massacre emocional que ocorre para que isso seja verdade apenas para alguns poucos afortunados. Em um lugar tão plural, com pessoas com tanto a oferecer, Rachel Barbra Berry tinha a mesma bagagem: sabia dançar, atuar, persuadir e cantar maravilhosamente bem. Mas em sua mente faltava um detalhe importante. Uma pessoa que de certa maneira fez seu sonho se realizar, ela estava ali, em Nova York, por Finn.
Aquela era somente sua primeira semana sozinha na cidade, seus pais haviam comprado um flat no bairro do Soho, que atendia as necessidades da vida universitária de sua filha, localizado em um prédio pequeno, próximo a pontos de ônibus e do metrô que dariam fácil acesso a NYADA. Embora Hiram e Leroy tivessem insistido em comprar um carro, o gênio forte de Rachel se sobrepôs, e convenceu os pais de que aquilo seria um exagero, já que a cidade era bem articulada quanto aos sistemas de metrô e ônibus. Por fim, argumentou: “É Nova York! Andar de carro para ficar presa num transito infernal?”
Riu da lembrança ao sair do Starbucks com um café na mão os se deparar com um engarrafamento se formando em plena Times Square as cinco e meia da tarde. Aquela cidade era alucinante, em Lima as ruas deveriam estar vazias, as pessoas já deveriam estar em casa jantando ou algo do tipo. “Lima”, suspirou. O que Finn estaria fazendo? Já fazia mais de um mês que estava na cidade e Finn mal lhe dava noticias. No fundo ela entendia, ele queria fazer as coisas mais fáceis para ela, mas aquele não era a maneira mais racional de fazer isto. Levá-la a estação de trem, terminar a relação, de certa maneira por em xeque o amor que sentiam um pelo outro e para fechar com chave de ouro anunciar que iria para o exercito.
Bebericou o café pensando em Finn e como estava odiando a situação: ele pulava de sonho em cada oportunidade que tinha. Queria ser jogador de futebol; seguir Rachel para NY; queria mudar a situação do pai perante as Forças Armadas; queria ir à Califórnia com Puck para dar inicio a um negócio de limpeza de piscinas; depois viu um filme de John Travolta e queria ser ator e ir com Rachel e Kurt para NY, e no fim, optou por se alistar no exercito para mudar a situação desonrosa do pai, “Digno”, concordava Rachel mentalmente, mas com tantas teorias de que a economia dos EUA quebraria se não entrasse em uma guerra, seu coração ficava apertado com a possibilidade de receber uma carta de Finn, dizendo que estava do outro lado do mundo, lutando contra um grupo de guerrilheiros ou algo do tipo.
Balançou a cabeça dirigindo-se para o metrô, era hora de ir para casa. O dia havia sido exaustivo, suas aulas não haviam começado, mas ela precisava se manter naquela cidade, foi à caça de um emprego e não achou nada que lhe agradasse de verdade. Oras, Rachel Berry, uma pessoa nascida para a Broadway, esperava que pudesse cantar em um bar boêmio e charmoso perto de seu apartamento. Não se contentaria com um trabalho numa loja de departamento. Na verdade, ela estava começando a se arrepender de não ter aceitado de cara o trabalho na loja; estava procurando algo desde que seus pais a deixaram por conta própria.
Não era fácil, não importava o quanto se sentisse preparada e soubesse que as primeiras semanas seriam difíceis, sem Kurt, sem Finn, sem Quinn, Mercedes, Tina... Como ela sentia saudades deles. Como sentia saudades de Finn.
X
Seu apartamento escuro lhe deu o conforto necessário naquela noite enquanto ouvia o som que Manhattan emitia. Ela murmurou baixinho sentada no peitoral da janela trechos de Don’t Rain On My Parade olhando as sombras sinuosas que se espreguiçavam pela janela até ouvir um barulho como se algo vibrasse contra o piso de madeira. Correu em direção ao celular que estava jogado ao pé da cama no meio de algumas roupas que haviam sido esquecidas ali, olhou-o com esperança torcendo para que fosse uma ligação de Finn, mas pelo jeito o garoto estava mesmo se esforçando para manter distancia. Não era ele ligando, era Quinn.
–Oi, Quinn –atendeu soando um pouco desanimada, o que logo se arrependeu, ela gostava de conversar com Quinn, o que a amiga pensaria?
–Rach, tudo okay? –perguntou ao ouvir a voz da morena soar desanimada.
-Sim, sim! E com você? Como estão todos? Como está Lima? –bombardeou a garota do outro lado da linha para que seu desanimo não pudesse ser mais assunto.
-Estou bem e é provável que todos estejam bem, Berry. Só não sei como está Lima, por que sai de lá esta tarde –Rachel sentiu um arrepio percorrer a espinha, Quinn a havia chamado de Berry, ela sabia que tinha feito algo errado.
-O que eu fiz, Q? –perguntou fazendo uma voz chorosa esperando que chamá-la pelo apelido melhorasse a situação, o quão ruim pudesse ser.
-Você deveria me perguntar “O que eu não fiz, Q?” E por favor, Berry sem voz chorosa, você está pisando na bola comigo. Me esqueceu! Te liguei a tarde toda, como pode não ouvir seu celular tocar? –Quinn resmungou do outro lado da linha.
-Oh, Quinn, me desculpe! Me perdoe! Onde você está? –Rachel correu pelo quarto colocando as roupas que estavam espalhadas pelo chão segurando o celular entre a orelha e o ombro. Como ela pode esquecer aquilo? Quinn iria passar uma semana com ela antes de partir para Yale. Como ela pode esquecer Quinn?
-Estou na estação de trem, escute, não precisa vir, só me dê seu endereço!
-Não! Eu já estou saindo, eu vou lhe buscar, não se mova daí! –respondeu desligando o celular correndo para o elevador.
Aproximadamente meia hora depois uma Rachel envergonhada caminhava em direção a uma Quinn com três malas enormes com a sobrancelha erguida e a expressão fechada, se ainda estivessem no Mckinley ela poderia apostar que aquela seria a Quinn capitã das Cheerios, pronta para jogá-la no armário ou pior, um slushie de uva, aquela droga não saia com facilidade do cabelo.
-Nenhuma palavra Berry! –ergueu o dedo ordenando que Rachel se calasse quando esta fez menção de falar. –São onze e meia da noite, cheguei há mais de três horas e estou congelando aqui, por que pensei “Nossa, minha amiga vai chegar e me levar para um apartamento quentinho onde vamos colocar a conversa em dia. Que saudades dela, será que ela está com saudades de mim?” Caramba Rachel, você me esqueceu!
Rachel abriu e fechou a boca varias vezes, terminou calada com o olhar de puro arrependimento. Tanta coisa na cabeça que havia esquecido algo tão importante.
-Por favor, não me odeie –disparou olhando para Quinn com os olhos chorosos.
Rachel Berry, chamada “perdedora de Lima”, estava fazendo Quinn Fabray, a suposta “garota de ouro de Lima” sentir-se mal por ter sido esquecida, contraditório, mas Rachel conseguia fazer isso quando sua expressão triste e chorosa vinha à tona.
-Não te odeio... Não chore –abraçou a morena guiando-a para fora da estação.
-Sei que não é motivo para te deixar criando raízes aqui, mas tem passado realmente muita coisa pela minha cabeça. Essa situação com Finn, não me sinto bem. Quinn, se ele for para o Iraque? E se ele se ferir? O pior de tudo é que ele me ignora, nem nos falamos direito, é frustrante, aquela cena quando eu parti de Lima, ele correu atrás do trem e meu coração que... –foi interrompida por Quinn.
-Rachel, respire, por favor. Tenho medo quando você começa com esses discursos, acho que você vai engasgar e sufocar –sorriu esfregando os braços da amiga. -Finn está bem e você deveria estar tão bem quanto ele.
As duas garotas tomaram um táxi e foram direto para o apartamento de Rachel, no caminho Quinn contava que Finn ainda não havia nem se alistado ou algo do tipo, estava ajudando Burt em alguns assuntos na oficina. A loira deixou escapar um pensamento, para ela parecia que Finn ainda estava se decidindo sobre o exercito.
Rachel engoliu em seco, depois de tudo Finn ainda ficara em duvida.
X
-Você era tão organizada, o que aconteceu? –Quinn não agüentou ficar nem dez minutos no apartamento de Rachel sem fazer algo para melhorar o lugar, estava naquele momento lavando a louça acumulada na pia.
-Quinn, pare de fazer isso! –a morena tirou o prato e a bucha das mãos da amiga começando a lavá-lo. –Eu só não me acostumei ainda.
-Não minta pra mim, você não está no seu normal. Deveria ter um quadro com seu cronograma, suas coisas deveriam estar completamente desencaixotadas e as paredes deveriam estar com seus cartazes da Broadway. Cadê o seu Elíptico? Cadê Rachel Berry?
-Eu não tive tempo de fazer isso Quinn, estive procurando emprego desde que meus pais foram embora.
-E eles não te ajudaram a desencaixotar as coisas? Rachel, você colocou as coisas de volta nas caixas? Aposto que eles mobilharam o apartamento todo –Quinn estava com as mãos na cintura com a sobrancelha erguida.
-Eu só achei que não estava do jeito que queria, só coloquei de volta as caixas para não deixar no chão – explicou colocando o ultimo prato na pia e encarando Quinn. –Sei que não sou do tipo que esquece uma pessoa importante na estação de trem, que deixa a louça na pia e tem a casa mal arrumada. É só que tem muita coisa na minha cabeça e não consigo arrumar as coisas fisicamente se não tem uma ordem nos meus pensamentos.
-Rachel, me escute –Quinn a fitou com olhos gentis porem firmes. –Você não pertencia a Lima, eu e todos naquela cidade sabiam disso e Finn tentou te acompanhar, mas a vida não é sempre como se planeja, temos que deixar pessoas para trás, mesmo que elas tenham muita importância. Isso não significa que não as amemos, ou que não podemos reencontrá-las no futuro. Mas, Rachel, as pessoas tem que seguir suas vidas, Finn fez uma escolha altruísta demais, o que me surpreendeu. Ele te deixou livre para seguir um sonho que você pode alcançar, siga sua vida que ele vai seguir a dele, e se for a vontade de Deus, vocês finalmente se casarão, você estará com vários prêmios Tony’s na estante e um musical de sucesso na Broadway. Se nada disso ocorrer, sua vida vai ser tão boa o quanto seria. Fim de história.
A morena piscou varias vezes sorvendo o discurso de Quinn. Ela tinha razão. Muita razão. Sabia do que estava falando, no primeiro ano do McKinley ela havia engravidado, sido expulsa de casa e dado sua filha para a adoção. Havia perdido o lar, o que fora inevitável, e deixado que Beth saísse de seus braços para que tivesse um lar estável e com a proteção que ela não poderia dar, Quinn havia aberto mão do amor mais puro e verdadeiro que existe. Mas como ela havia frisado, não significava que ela não pudesse reencontrar a filha no futuro. Pelo que Rachel sabia, Shelby aceitava a aproximação de Quinn e Puck.
-Obrigada por estar aqui –disse abraçando a loira parada na sua frente que esperava uma resposta ao seu discurso. Quinn a envolveu respirando profundamente o cheiro que os cabelos de Rachel desprendiam.
-Só espero que eu não vá dormir no seu sofá, daqui ele parece desconfortável –resmungou se separando da morena.
-Espero que não seja um problema para Quinn Fabray dividir a cama com Rachel Berry –retrucou Rachel puxando a amiga para o andar superior do flat que estava arrumando antes de correr atrás de Quinn para impedi-la de lavar o resto da louça.
-Não será um problema a menos que você me recompense, quero ter uma boa impressão da cidade, me guie por ela.
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