As If We Never Said Goodbye
39 There's a fire starting in my heart
Notas iniciais
A terceira rodada de tequila entrou rasgando a garganta, mas elas não se importavam, já pediam a outra rodada. Rachel estava solta e apalpava sempre que podia qualquer parte exposta do corpo de Quinn naquele vestido preto verde escuro curto e decotado.
–Onde está Puck? –perguntou Quinn erguendo o copo sinalizando ao garçom que queria outra rodada.
–Foi deixar Beth na casa da amiga, mas ele já deveria estar aqui –Shelby tirou o celular do bolso e ligou para o marido. –Ei, Puckerman, onde está?
“A caminho já estou quase no bar, amor. Por favor, não fiquem bêbadas sem mim” disse o judeu do outro lado da linha.
–Então venha logo, que estamos na tequila! –exclamou recebendo gritos de entusiasmo de Quinn e Rachel antes de desligar. –Está vindo...
–É muito longe daqui? –Rachel perguntou enquanto sorria para o barman que piscava para ela.
–Não, ela mora no apartamento oposto ao de vocês, fica depois do Central Park, não sei porque ele demorou tanto lá, é quase a um passo daqui... –explicou Shelby observando a filha flertando com o homem enquanto a mesma apoiava a mão na coxa exposta de Quinn. -Então, não quero ser a chata, mas como andam as duas?
–Não sei, ela que sabe... –disse Quinn chamando o garçom.
–Somos amigas, não é Quinn? –Rachel disse beijando o rosto da loira.
–Aham –revirou os olhos e se virou para o garçom que deixava a nova rodada de tequila em cima da mesa . –O que é esse Sete venenos?
–A receita é secreta, mas depois de 4 doses você não se lembra nem do seu nome –disse sorrindo.
–Uh, já não tenho muito a esquecer –riu. –Alguém me acompanha?
–Sete venenos? Traga dois –disse Puck puxando uma cadeira e se juntando a mesa.
–Onde você estava? –Perguntou Shelby o beijando rapidamente.
–Bateram no carro, um cara deu ré e acabou furando o pneu, tentei ligar para o seguro, mas não me responderam, sério, temos de mudar de seguradora –reclamou. –Então vim a pé.
–Onde está a tequila? –reclamou Rachel acenando para o barman que piscou para ela.
–Se quer flertar com ele vá lá –disse Quinn.
–Você não se importa, Quinn? –Rachel perguntou ao pé do ouvido da loira em tom de provocação.
–A vida é sua –murmurou e viu que o garçom trazia seu pedido.
–Isso quer dizer que posso flertar com quem quiser? –perguntou roçando a boca na orelha de Quinn.
–Isso inclui o barman –rebateu Quinn.
–Bom saber... Mas ele não é meu tipo –respondeu roubando o drink que Quinn havia pedido tomando um gole. –Ele não é mulher.
–Quente –resmungou Puck piscando para a esposa com um sorriso nos lábios antes de tomar um gole de sua bebida.
Depois de perderem o numero de drinks consumidos, pagaram a conta e foram em direção a outro bar próximo, Puck insistiu que lá havia um bar musical , não tardou para que Santana, Brittany, Kurt, Blaine, Oliver e Bem chegassem até o bar e tentassem beber o suficiente para ficar tão desequilibrados quanto os outros.
–Senhoras e Gays, aqui está, mas uma rodada –exclamou Santana acompanhada por Oliver, ambos deixando sobre a mesa uma rodada de Sex on The Beach sobre as duas mesas que o grupo ocupava.
–Senhoras e senhores, abrimos o microfone para quem se habilitar a cantar, boa noite! –disse um homem por volta dos 30 anos em cima. de um pequeno palco. Ele recebeu gritos de incentivos de todos no bar
–A melhor escolha de bar já feita –exclamou Rachel entusiasmada agitando as mãos e as batendo contra as coxas de Quinn como se quisesse animá-la. – Quem vai cantar comigo?
–Hm, depois dessas tequilas, não tem jeito de fazer um dueto mãe e filha –desculpou-se Shelby terminando de tomar um Sex on The Beach que havia na mesa.
–Puck...
–Uh, por mais que eu deseje relembrar aquele nosso afair passageiro, gostaria de ver um dueto entre vocês duas –disse apontando de Quinn para Rachel.
–Não... Acho que não sei cantar...
–Oh você sabe –Rachel puxou Quinn pela mão forçando-a a se levantar.
–Rachel... Não –disse taxativa em um tom alterado fazendo com que Rachel parasse imediatamente e a encarasse.
–Desculpe –disse erguendo as mãos e sentando-se emburrada. –Eu vou ao banheiro.
Quinn assistiu Rachel se levantar e sair marchando em direção ao banheiro.
–Ei, Juno –Santana chamou sua atenção sentando-se ao seu lado. –Sabe há quanto tempo estamos esperando que Rachel volte a cantar?
–Eu ferrei com alguma coisa não é?
–É –resmungou a latina. –Faz tempo que não a vejo querendo subir num palco.
–O que eu faço?
–Algo que Rachel Berry goste...
–Cantar?
–Oh meu Deus, nem sempre tudo se resume a cantar, entre naquela porra de banheiro e faça alguma coisa, sei que realmente quer fazer alguma coisa, mas não consigo pensar realmente bem... acho que deveria parar de beber... –Santana começou a divagar e deixou Quinn solta no ar.
Ela decidiu tomar todo seu drink de uma vez só e roubar o de Santana,
–Ei Baby Mama, vai devagar... –disse Puck observando Quinn entornar os drinks.
–Não mesmo, não vou devagar –decidida se levantou da cadeira e se direcionou ao banheiro, o álcool em seu sangue estava a deixando menos racional e mais emocional e ela realmente não ligava.
Abriu a porta do banheiro e lá estava Rachel segurando com força a borda da pia de mármore, seu cabelo cobria o rosto, mas Quinn sabia que ela estava chorando pelo seu corpo que vibrava e pelos soluços que soltava. Uma mulher saiu de uma das cabines dando olhares tortos para a morena, Quinn a encarou como se quisesse cortá-la em pedaços só por olhar de maneira errada para Rachel. Assim que ficaram sozinhas no banheiro Quinn respirou fundo e caminhou até a pia, se encostando ao lado da morena que virou o rosto para o lado oposto.
–Uma garota tão linda como você não merece chorar –Quinn esticou a mão para tentar tocar no rosto da morena, mas levou um tapa violento na mão.
–Não venha com essa conversa, você está com pena de mim, uma idiota que fica no seu pé! Você não tem obrigação nenhuma de ficar do meu lado, eu vou sumir da sua vida pra sempre! –o tom alterado de Rachel reverberou nas paredes, Quinn se sentiu destruída ao ver os olhos injetados da morena, com lágrimas negras da maquiagem descendo até as bochechas.
Ela entendeu que não era sobre cantar, não era sobre nada daquilo, Rachel finalmente estava colocando para fora o que estava entalado em sua garganta. Sua mente de bêbada captou que ela deveria ajudar a morena a tirar aquilo de dentro dela, podia dar uma merda das grandes, mas ela faria aquilo.
–Sumir da minha vida? Você consegue ficar sem mim? –riu tentando debochar de Rachel. –Você precisa de mim, não consegue nem ficar distante, estava na mesa me alisando... se insinuando para mim...
–Não precisa tripudiar de mim... eu te amo e você não sente isso... eu só... –a morena a fitou com receio de falar mais do que devia.
–Só queria que eu te amasse –completou a frase da morena se aproximando dela. –Que eu me sentisse atraída por você?
Rachel apenas balançou a cabeça afirmativamente deixando que algumas lágrimas corressem.
–Porque você acha que eu me atrairia por você?
A judia a olhou para Quinn abismada, isso era tortura. Ela largou o braço e acertou um tapa que ecoou pelas paredes do banheiro.
Quinn se jogou contra a morena a pressionando contra a parede lateral.
–Me deixe ir! Me solte Fabray! –berrou socando os ombros de Quinn. –Não brinque mais comigo...
–Você está com raiva de tudo isso, não é mesmo? Tem raiva de mim por não conseguir me lembrar de você. Mas eu tenho uma surpresa pra você. Eu me odeio por não lembrar de você.
–Não minta pra mim...
–Se você sumir da minha vida eu não sei o que aconteceria...
–Pare –resmungou contra o choro.
–Queria que eu me sentisse atraída por você? Quando fico perto de você me sinto queimando de excitação, eu amo suas pernas, sua pele... –Quinn estava sussurrando contra a orelha da morena. –Você precisa liberar essa raiva que você sente... precisa colocar tudo pra fora.
–Quer que eu te bata mais? –resmungou a judia tentando empurrar a loira.
–Se for preciso, eu te provoco mais...
–Você não estava provocando, estava me mostrando o quanto eu sou estúpida...
–Não mesmo! Isso é quase psicologia inversa.
–Poderia ter usado outros métodos, eu te bati, sua idiota, eu não consigo te entender –reclamou parando de empurrar a loira.
–Sou tão idiota quanto você –sorriu. –Desculpe ter te enchido o saco, só queria fazer você colocar isso tudo pra fora. Eu vou usar um método melhor pra aliviar sua raiva e tensão.
Rachel estava confusa, sua mente já não a ajudava por causa de seu nível alcoólico, e Quinn piorava ainda mais a situação.
Quinn encostou seus lábios contra o dela de maneira agressiva, encostando seus corpos contra a parede não deixando nenhum espaço entre ambas. Rachel deixou sua língua ser domada e deixou seus questionamentos para trás, se deixando relaxar pelo fato de que finalmente tinha de volta a ter o que tinha perdido.
A loira não sabia o que estava fazendo, na verdade sabia, só não tinha a lembrança de ter feito aquilo com uma garota, os lábios eram tão macios, não havia barba ou fiapos pontudos que incomodava quando havia beijado Finn, tudo era macio, a língua era suave e a acariciava com amor, não era nada áspera e indelicada, não conseguia se sentir invadida, ela poderia passar sua vida toda naquele lugar.
As mãos de Rachel acariciaram seu pescoço e caminharam até sua nuca, fazendo com que um gemido de prazer escapasse, foi como se Rachel tivesse escutado uma musica celestial, era uma recordação real do que elas já haviam feito na cama, teve vontade de arrancar a roupa da loira naquele instante.
–Senhoritas, peço que não façam isso aqui, alguns clientes reclamaram –um pigarro seguido de um discurso acanhado foi ouvido pelas duas fazendo com que saíssem do transe. O que parecia ser o gerente estava vermelho de vergonha.
–Desculpe... –resmungou Rachel caminhando até o espelho de ajeitar, estava com a maquiagem borrada por completo, sem batom e com as lagrimas secas na bochecha, rapidamente começou a se maquiar.
–Peço que se retirem assim que terminarem de se arrumar –disse o homem se retirando.
–Estou com seu batom –resmungou Quinn se posicionando ao lado dela.
–Meio que fica bem em você –sorriu tentando achar o delineador na bolsa, as coisas pareciam mais difíceis do que quando estava sóbria. –Onde diabos está o delineador?
–Você fica linda de maquiagem, mas prefiro você ao natural... –Quinn segurou o rosto da morena passando os dedos tirando as manchas remanescentes e esfumaçando o resto. –Viu? Linda.
Rachel ruborizou e sorriu para a loira avançando em seu lábios a beijando devagar.
–Temos que sair daqui antes que o gerente venha reclamar de novo –Quinn puxou Rachel pela mão para saírem do banheiro e voltar a mesa.
–Acho que alguém estava se divertindo –exclamou Santana cutucando Puck no estomago fazendo ele olhar para as duas que caminhavam em direção a mesa.
–Wow, Quinn não lembro de você usando esse batom –brincou o rapaz. –E Rachel, o seu batom ficou bem mais claro...
–Noah, deixe as duas em paz –resmungou Shelby que quando bebia ficava definitivamente mandona.
–Amor... é só brincadeira –retrucou Puck.
–Não tire brincadeiras com o meu bebê e porque vocês não estão bebendo? –disse agitando os braços para o garçom. –O que vai querer Puckerman?
–Por que não vamos para outro bar... já que ninguém vai cantar... –jogou no ar olhando de Quinn para Rachel.
–Acho que podemos ir para outro bar mesmo –disse Rachel passando as mãos pelos cabelos.
–Por que não canta, Rachel? –a loira resmungou.
–Uh, no momento não é realmente o que quero –respondeu olhando incisivamente para Quinn.
–Então, vamos para um bar que abriu no Village, dizem que tem uma área de dança e que a musica é a melhor da cidade –disse Kurt se debruçando sobre a mesa.
–É, vamos aproveitar a noite –Santana já se pôs de pé sendo acompanhada por Brittany.
–Por favor, quero dançar hoje, vocês estão muito adultos pro meu gosto –disse a loira.
–Certo, vamos dançar –exclamou Puck pondo um ponto final na história. –Todos vem?
–Hm, estou meio cansada... acho que... vou para casa –Rachel se pôs de pé se desequilibrando um pouco segurando-se em Quinn.
–Quer que a acompanhemos até em casa, Rach? –perguntou Oliver se pondo de pé para pagar sua parte da conta.
–Eu... eu a acompanho... –Quinn ficou em pé e se agarrou na mesa para se equilibrar.
–Vocês não estão bêbadas demais para isso? –questionou.
–Oh Boy George, você vai deixar essas donzelas voltarem para casa sozinhas –respondeu Santana piscando para as garotas.
Dez minutos depois Rachel e Quinn já estavam na frente do apartamento que antes do acidente dividiam. Rachel havia dito que ia para casa, mas realmente não queria ir para a casa de Oliver, ela tinha segundas intenções com Quinn, mas esperava que um sinal verde surgisse.
–Hm, acho que uma xícara de café seria uma boa ideia... sabe ainda estamos meio bêbadas... acho que ajuda a passar o efeito... não é legal ir andando meio alterada para casa... sozinha... –Quinn soltava as ideias subindo lentamente os degraus da frente do prédio como se quisesse atrair Rachel.
–Quinn –Rachel ergueu os olhos para a loira e sorriu safada. Tinha recebido o sinal verde. –Vamos terminar a festa.
A loira teve sua mão puxada pela judia que caminhava pelo hall de entrada para chegar ao elevador, seu estomago estava revirando, não que estivesse passando mal, era nervosismo. Embora soubesse, pelos relatos do que havia ocorrido em sua vida, que já havia feito sexo com Rachel e Carrie, mas ela estava ganhando uma segunda chance de experimentar pela primeira vez.
Chegando ao apartamento, Quinn abriu a porta para Rachel e ela se esparramou no sofá, tirando os sapatos e se espreguiçando sorrindo sugestiva para Quinn.
–Acho que tem algum vinho por aqui, eu vou procurar –murmurou caminhando pela cozinha.
–Não demore Quinn –cantarolou.
Quinn caminhou pela cozinha e podia sentir o olhar de Rachel sobre si, ela estava sendo observada e desejada, apostava que suas bochechas estavam vermelhas, precisava se acostumar a ideia de que não era mais uma garotinha do colegial e que seu corpo estava vibrando e pedindo por Rachel Berry.
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