As If We Never Said Goodbye

35 Take me back to the start Parte I


Notas iniciais
Olá, gostaria de lembrá-los que a fic acaba no capítulo 40, então, 5 capitulos para o fim! Tive de adaptar a história, muitas coisas terão de ser refeitas, mas acho que nem eu e nem vocês aguentam mais esperar por postagens e etc.

Quinn olhava de Carrie para Carmen, já havia absorvido a história toda, mas não era fácil. Em sua ótica, a loira tinha dormido aos dezesseis anos, em Lima, onde todos a tratavam como uma rainha, para acordar num hospital em NY, com pessoas estranhas contando a ela o que a própria tinha feito de sua vida. Era como se tivessem vivido sua vida e ela fosse a convidada que chegou tarde demais.

–Sei que é difícil para você Quinn... –Carmen comentou se compadecendo da situação da amiga.

–Não sabe! –esbravejou revirando-se na cama. Ainda não tinha os movimentos estabilizados, tudo era difícil demais, até se virar plenamente, era como querer fugir e não poder.

Carmen, que até agora tinha se controlado ao máximo em toda a situação, sentiu as bochechas e o nariz começarem a arder, silenciosamente caminhou para fora do quarto, escorou-se na parede externa e começou a chorar em silencio. Sentia que de certa maneira havia perdido Quinn e o controle de sua vida. Não estava sendo fácil ficar sem a amiga e estrar, quase que constantemente, em conflito com Carrie.

Carrie observou a namorada caminhar para fora do quarto e sentiu a real necessidade de dirigir a palavra a Quinn.

–Ela é uma das suas melhores amigas, não a magoe ou eu vou chutar sua bunda, mesmo que você não a sinta. Estamos aqui porque gostamos de você e queremos que melhore, pare de birra e encare a vida como ela é, você não é uma adolescente idiota –disparou se levantando da cadeira. –Nós sabemos que é difícil, pelo menos para a antiga Quinn, que conquistou tudo com unhas e dentes, não estrague o que tem.

Carrie saiu do quarto encontrando Carmen contra a parede, segurou seu rosto e beijou as lágrimas que caiam. Elas não trocaram mais palavras, só se abraçaram e ficaram em profundo silencio deixando uma Quinn a pensar em sua vida.

Mais tarde naquele mesmo dia, Beth se encontrava na sala do apartamento de Rachel levando um sermão dos pais, enquanto todos os que estavam a sua procura observavam a cena. Carmen e Carrie se encontravam na cozinha em profundo silencio, observando o ambiente. Rachel achava curioso observar as duas, em momentos pareciam opostos e que não se tragavam de maneira alguma, mas era só olhar por baixo na mesa e ver suas mãos unidas. Elas eram um equilíbrio, assim como Quinn e ela.

Russell estava no hospital naquele momento já que todos estavam preocupados com Beth a única opção era deixar aquele homem lá. Ela precisava voltar para checar se Quinn estaria bem e mais, precisava mostrar a Quinn quem realmente era.

Com esse pensamento, discretamente foi ao seu quarto e fechou a porta atrás de si. Ao lado de sua cama, encostado contra a parede, por trás de um cabideiro, ela guardava uma pequena caixa. Ali estavam suas memórias. E as de Quinn. Quando teve suas crises de identidade com Quinn em outro país ela abria aquela caixa e lia as cartas da namorada, revivia as fotos e os presentes, revivia o que havia de bom e ruim. As duas tinham deixado coisas naquela caixa.

Sem contar a ninguém, discretamente saiu do apartamento e fez seu caminho aaté o hospital. Chegando lá, Russell Fabray dormia sentado numa cadeira de frente ao quarto de Quinn, como um cão de guarda.

Ela entrou no quarto de Quinn e se surpreendeu ao vê-la na poltrona ao lado da cama, observando quieta os prédios que rodeavam o hospital. Rachel fechou a porta atrás de si com um pequeno clique que fez Quinn sair de seu transe.

–Espero não estar atrapalhando, você parecia bem compenetrada –sorriu.

–Não... só estava observando... é tudo tão grande... –disse com um fio de voz.

–Você adora... embora tenha vivido a maior parte do tempo em New Heaven e lá não é uma cidade com muitos prédios... –disse encostando-se na cama. –Aposto que enjoou da cama...

–É, os enfermeiros me colocaram aqui... –sorriu. -Parece que me conhece muito bem...

–Conheço mesmo e é por isso que vou te ajudar a se conhecer –Rachel se desencostou e sentou-se ao chão do lado de Quinn, abrindo a caixa que trazia em mãos. –Tenho aqui algumas coisas que guardei e elas me ajudaram muito quando você esteve fora do país, tem muita coisa sua aqui...

–Coisas minhas? –perguntou curiosa.

–É –sorriu animada vendo que Quinn havia se interessado. –Carmen e Carrie disseram que contaram quase tudo a você...

–Como está Beth? Antes de sair Carrie falou que você a havia encontrado... o que houve?

–Bem, ela está com saudades de você... e nós não queríamos que ela a visse ainda, é apenas uma criança...

–E ficaria magoada por que a mãe não a reconhece... –concluiu Quinn.

–Basicamente... mas eu conversei com Beth, ela entendeu a situação, mesmo tão jovem entende bem as coisas –sorriu.

–Eu nunca a vi... tem algo sobre ela ai? –perguntou receosa.

–Tem –respondeu a morena revirando o fundo da caixa para retirar uma foto tirada no dia do nascimento de Beth e entregar a Quinn.

A loira observou em silencio segurando a foto com as mãos tremulas, contemplava o próprio sorriso enquanto uma linda menina chorava em seus braços. Deixou uma lágrima solitária correr por sua bochecha vendo aquela imagem.

–Então, o que mais tem aí? –sorriu tímida enxugando a lágrima.

–Tem uma foto da minha primeira semana em NY, você veio me ajudar com a mudança e visitamos a estátua da liberdade –estendeu a foto a loira onde Quinn posava com um sorriso tímido. –E para que eu não me sentisse sozinha você adotou uma cadela chamada Lucy e me deu...

–Ela é linda –disse vendo a outra foto que Rachel a entregava.

–Graças a isso fiz um grande amigo, Oliver, eles já esteve aqui... –sorriu.

–Berry, eu sinto por ter sido rude com você, tem tanta coisa acontecendo...

–Eu entendo, Quinn –disse segurando sua mão. –As coisas vão ficar mais esclarecidas com o tempo...

–Assim espero... Mas posso fazer algumas perguntas?

–Claro...

–Quando exatamente nós ficamos próximas? –perguntou mastigando o lábio.

–Bem... Depois que paramos de brigar por garotos e posição social, eu acho... No nosso ultimo ano no McKinley... você passou por muita coisa e eu sempre senti um aperto no peito por não poder dar mais de mim a você, foi quando prometi a mim mesma que seria sua amiga, custasse o que fosse.

–Me contaram sobre um acidente de carro...

–No dia do meu casamento com Finn –disse vendo os olhos de Quinn se abrirem em espanto. –Você era uma das minhas damas de honra, primeiro você se opôs ao casamento por sermos jovens demais, mas depois que ganhamos uma competição decisiva de corais, disse que me apoiaria... meu casamento era naquele mesmo dia... você passou em casa para pegar o vestido e a caminho do cartório... você estava no celular e bateu o carro...

Quinn ouviu em silencio vendo algumas lágrimas escorrerem pelo rosto da morena, sua mão criou vida e com a ponta dos dedos ela secou as gotas que passeavam por Rachel.

–E então, você ficou no hospital por umas semanas, e não conseguia andar, mas você continuou de cabeça erguida e eu sabia que você venceria de alguma maneira, foi no dia do baile dos concluintes, que você cantou para mim... quando deus-sabe-la-como eu ganhei para rainha do baile... e então você ficou de pé... Senti naquele momento que era pra ficar do seu lado pra sempre, mas ainda pensava somente como amiga...

–Oh, Deus... –Quinn fechou os olhos. –E você ia se casar... se casou?

–Não... Finn tinha muita coisa na cabeça, terminamos, ele foi para o exercito, é tenente... –sorriu.

–Finn no exercito? Isso é meio inacreditável –brincou.

–Oh, você tem que ver como ele está, é o mesmo, só que com uma ótima coordenação motora e músculos de verdade –sorriu. –Ele virá assim que possível...

Elas foram banhadas por alguns segundos de silencio, se olhando profundamente. Quinn sentiu o coração doer, ela podia sentir o quanto Rachel a amava, mas se recusava a acreditar em tudo aquilo.

–Ah! –exclamou a morena. –Acho que tenho uma coisa que pode te fazer bem, quem sabe se lembre de algo...

Quinn observou a mulher pegar na bolsa um ipod e lhe entregar.

–Tem algumas musicas que você me mandou durante o tempo em que esteve fora, são como um pedaço seu, talvez ajude a se reencontrar –disse com um sorriso triste.

–Obrigado Rachel... –disse pegando o aparelho o colocando sobre o colo. Então elas entraram em silencio novamente.

–Se você quiser ouvir agora ou se... quiser que eu saia pode dizer –disse se apoiando na cama.

–Não... eu –baixou os olhos fitando as mãos. –É que isso é muito difícil, uma pessoa que não era nada é tudo... Não consigo me enxergar te amando... desculpe se parece que a estou ofendendo, mas se você me conhece bem como todos dizem sabe que no passado nossa relação não era das melhores...

–Não peça desculpas Quinn, eu te conheço... –Rachel disse sentando na cama.

–Minha ultima intenção é de te desrespeitar ou desrespeitar o que, em tese, temos –evitou olhar para a morena. –mas queria que pudéssemos deixar de lado... não consigo entender nada do que está acontecendo e isso é mais uma coisa que me confunde demais...

Rachel olhou para Quinn e naquele momento seu mundo parecia ter se afundado mais um pouco.

–Você está dizendo que quer que eu me afaste, certo? –ela tentou, mas não conseguiu conter a voz embargada. Como ela conseguiria ficar longe novamente? Será que a vida delas se resumiria a dizer adeus?

–Me desculpe...

–Tudo bem, Quinn, eu entendo –ela deixou que as lágrimas escorressem livremente por seu rosto. Abaixou-se pegando a caixa que trouxera para colocar próximo a Quinn. –Pode ficar com a caixa, são minhas lembranças sobre você que estão nela... as melhores...

–Rachel... –Quinn levantou os olhos vendo a dor da morena.

–Santana vai chegar em pouco tempo, não se preocupe e seu pai está lá fora, não hesite em chama-lo –sorriu triste em meio as lágrimas e caminhou para a saída.

Quinn recostou-se no encosto da poltrona e observou a caixa em seu colo. Pegou o ipod e o ligou, colocou os fones de ouvido e apertou o play. No visor apareceu o nome “Faithfully – Journey (Glee Club)”

Rachel caminhou por Nova York sem rumo algum, a noite caia e a cidade não parava de maneira alguma, ninguém percebia que naquele momento ela estava se tornando um verdadeiro fantasma. Alguém preso a uma realidade que só trás sofrimento. Ela estava presa, não podia nem queria se soltar. Ela deveria ficar até o fim, parecia ser sua sina.

Quando já passava das dez da noite, ela se viu caminhando paralelamente ao East River, tirou o celular da bolsa e viu mais de 30 ligações não atendidas de Santana. Bufou diante da constipação que sentia de tudo e de todos, largou o celular dentro da bolsa , de baixo da ponte World Iland, admirou o rio por muito tempo, pensou que se talvez ficasse apenas parada as coisas se resolveriam naturalmente. Tentou ignorar a vibração que vinha da sua bolsa como havia feito todo esse tempo, mas já estava intragável. Pegou o celular e viu que era Santana, apenas resmungou um “Estou bem, me deixe em paz” e arremessou o celular no rio.

Atravessou a ponte e caminhou até um parque a beira da avenida, parecia que ela queria ser assaltada, e se fosse o caso, não corria perigo aparente, o parque estava deserto. Sentou-se em um dos brinquedos que parecia uma passagem elevada a formar um castelo e ficou ali, envolvida em com o barulho das folhas das árvores e pelo frio.

Ela não queria voltar para casa naquele momento, precisava fazer uma pequena busca pessoal, mesmo que não estivesse conseguindo se concentrar até em sua solidão e individualidade.

Fechou os olhos por um segundo e apoiou a cabeça contra o ferro do portal do brinquedo em que estava sentada. Suspirou forte pensando em Quinn e aceitando o fato de que se afastar, talvez fosse realmente a melhor situação para criar um ambiente melhor.

Notas finais
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