As If We Never Said Goodbye

36 Take me back to the start Parte II


Notas iniciais
Desculpem pela demora, tive as provas finais da faculdade, fiquei sem internet e a vida é um cu sldfkjsçdçf

Três dolorosas semanas passaram se arrastando, Quinn havia saído do hospital e agora habitava o apartamento que antes pretendia dividir com Santana, Britanny e Rachel. Ela não sabia, mas dormia no quarto de Rachel. A morena, a fim de dar espaço para Quinn, acabou se mudando temporariamente para a casa de Oliver, mas esporadicamente aparecia no apartamento como um fantasma, andando sorrateira no meio da noite e sumia em segundos. Quinn só a havia visto pouquíssimas vezes, mas conseguia ouvir Santana discutindo com ela.

As coisas, aos poucos, iam se encaixando, Quinn, após algumas seções de fisioterapia já andava e fazia pequenas caminhadas. Beth, estava no apartamento quase todos os dias brincando com a loira. Ela estava começando a aceitar a vida que lhe cabia.

–Mãe... –Beth a chamou enquanto pegava Lorde Tubbington no colo e se sentava aos pés do sofá.

–Sim? –respondeu sorrindo, ela não conseguia se controlar quando era chamada de mãe.

–Por que a Rachel não mora mais aqui? –perguntou inocentemente.

–Ela... ela morava aqui? –Quinn se sentou ao lado da filha.

–Sim, ela, a tia Santana e a tia Brittany... e a Lucy... Sinto falta da Lucy...

Quinn ficou em silencio apenas passando a mão pelos cabelos da filha. Se o que Beth dizia era verdade, ela estava dormindo no quarto de Rachel, isso a deixou extremamente incomodada. Esperou que as horas passassem, que Puck viesse buscar a filha e que assim pudesse ficar sozinha. Santana estava trabalhando em sua campanha a prefeitura e não chegava antes das oito em dias de semana, Birttany era outra que não parava em casa, estava sempre envolvida em seus projetos e só era vista por volta das dez da noite, Quinn se sentia solitária, mesmo com as visitas frequentes de Finn, que havia conseguido uma dispensa do exército, e de seu pai. Agora ela conseguia cheirar algo de podre em Russell Fabray, só não sabia o que era.

–Queria, cheguei! –cantarolou Santana parafraseando um show de tv dos anos 80. –Trouxe comida italiana, você não lembra, mas adora, viveu quatro anos comendo dela.

–Santana, porque não me disse que estou dormindo no quarto de Rachel?

–Uh, alguém vai estragar a janta –revirou os olhos. –Olha, não foi ideia minha, foi de Rachel, se bem que não me opus. É a melhor das opções, não a deixaríamos numa clinica, num quarto de hotel ou em New Heven...

–E eu não tenho opinião?

–Na atual situação, não –disse colocando o pacote de comida que trazia em cima da mesa da cozinha.

–Droga, Santana... –resmungou esfregando as mãos contra o rosto.

–Olha, eu sei que isso deve estar te incomodando, está incomodando a todos nós, esse quarto em que você está não é somente de Rachel, é seu também, este apartamento é de quatro pessoas, Brittany, eu, você e Rachel. Esse maldito quarto é de vocês duas.

–Preciso falar com Rachel sobre isso...

–Falar o que? Que não quer dormir aqui? E onde vai ficar? Com seu papai? Entenda o sacrifício que ela está fazendo por você, Quinn. Queria espaço, aqui está o espaço, ela pensa sempre no seu melhor.

–Entenda meu lado também, Santana! Acordei em um tempo totalmente diferente! Descobri que sou lésbica, e tenho um relacionamento com a loser da escola! Que tenho uma filha e que tenho uma vida feliz, mas não lembro de nada. É claro que sou agradecida pelo esforço que Rachel está fazendo por mim, mas não é como se eu tivesse pedido por isso.

–Pediu para ela se afastar, você não tem ideia de quantas vezes vocês já se afastaram, não faz ideia do que ela abriu mão de fazer estes últimos tempos para ficar ao seu lado e no fim das contas ter uma Quinn adolescente de volta. Pelo amor de Deus, abra os olhos e veja o que está fazendo, Q. Sua cabeça está confusa, mas garanto que se convivesse o mínimo com Rachel entenderia o que rola entre vocês duas e ainda mais, entenderia melhor a vida –finalizou a latina colocando as mãos na cintura. –Pode tentar?

–Acho que sim... –resmungou Quinn cruzando os braços contra o peito.

–Ótimo, porque a comida está esfriando e eu estou morrendo de fome –a latina mal deu as costas e o interfone tocou, ela olhou para Quinn a incentivando a atender. –Sabe, você oficialmente, mora aqui, pode atender o interfone.

Quinn bufou e foi até o interfone o atender.

–Sim...

–Um senhor chamado Finn Hudson deseja subir ao apartamento, posso autorizar?

–Sim! Pode! –berrou a loira, ela adorava as visitas de Finn, de certa maneira ele era um elo com o passado.

–Quem é? –perguntou a latina.

–Finn!

iDios mio! Tomara que esse gigante tenha trazido algo para comer, essa pasta não é suficiente para três!

–Ele sempre trás –resmungou Quinn. Abrindo a porta esperando Finn, que em poucos segundos deu as caras no corredor.

–Hey, Q! –disse caminhando a passos largos para abraçar a mulher. –Trouxe comida, espero que goste de comida italiana, bem, você gosta... tenho quase 100% de certeza.

–Todo mundo diz isso –riu o puxando para dentro do apartamento e fechando a porta atrás de si. –Santana!

–Por favor, Finnocence, diga que trouxe comida –exclamou a latina abrindo um vinho.

–Sim, Santana –revirou os olhos. –Italiana...

–Ok, então teremos um jantar italiano hoje a noite –sorriu Quinn. –Santana também trouxe.

–Acho que agora tem muita comida... –disse Santana pegando três taças.

–Oh, eu como tudo, sem nenhum problema –sorriu Finn.

–Não me espanto –Santana sentou-se a mesa e cruzou as pernas. –Vamos comer que se mais um segundo se passar eu posso desmaiar.

–Não tem comida no seu escritório? –Perguntou Finn abrindo o pacote de comida.

–Lá as pessoas trabalham, não tem comida lá, isso distrai –explicou.

–Uma das coisas que não consegui mesmo aceitar é Santana concorrendo a prefeitura de NY –brincou Quinn pegando pratos e talheres para os dispor na mesa.

–Sempre fui boa em brigas, então, porque não centrar em algo positivo? –disse dando de ombros e se servindo da massa.

–Sério, ninguém poderia dizer isso, Finn no exército... Santana futura prefeita e eu uma artista, meio inacreditável. Quem afinal de contas continuou com o plano inicial? –perguntou Quinn.

–Uh, Sam, bem, ele tem um club de strip –disse Santana rindo.

–Artie é um diretor de cinema em LA, Mercedes é uma diva, oh, Puck sempre quis esse lance de limpar piscina, acabou conseguindo –disse Finn servindo à Quinn antes de si mesmo. –Também tem Brittany, ela sempre gostou de dançar, e Rachel... Se bem que ela está se dedicando a outra coisa no momento.

–Finn... –murmurou Santana com um olhar repreendedor.

–O que ela está fazendo? Quer dizer, ela é da Broadway, certo? –perguntou a loira dando uma garfada na pasta.

–Ela deu um tempo na Broadway –disse Santana. –Hey, Finn, noticias de Burt?

–Ele está bem, o câncer que ele teve há algum tempo ainda o faz ir ao médico esporadicamente, mas não é nada demais –Finn entendeu que Santana queria mudar o tópico. Quinn olhou para os dois e preferiu fazer silencio quanto à Rachel, aquilo a estava incomodando demais.

O jantar seguiu sem problemas, o tópico “vida de Rachel” logo era descartado, Quinn se sentia cada vez mais culpada por ter pedido que a morena se afastasse.

Por volta das dez, quando Brittany e Santana conversavam sobre o dia da loira, Quinn largou Finn no sofá e foi até seu quarto.

Ela olhou da porta para a cena na sala, três semanas após acordar, ela sabia que não sentia o mesmo que sentia antigamente por Finn, era como se eles fossem feitos para ser amigos e apenas isso.

Entrando no quarto procurou a caixa que Rachel a havia entregue. Revirou o conteúdo mais uma vez, ela queria descobrir algo sobre a morena, queria entender o que estava acontecendo.

Revirou as fotos que havia ali, mas nenhuma era sobre a Broadway, ela pensou que Rachel havia desistido de cantar há muito tempo, por isso não teria nenhum registro fotográfico sobre o acontecimento. Pegou na cômoda o Ipod que Rachel a havia dado, deitou na cama e começou a passar as musicas. Uma musica que tinha ignorado, dessa vez chamou sua atenção, se chamava “Mama who boar me”, ela podia distinguir a voz de Rachel. Ela olhou o visor e não estava na pasta de musicas cantadas pelo Glee Club. Estava em uma pasta com o nome de “Spring Awakening – Trilha sonora original”, ela sabia que nem Santana, nem Finn contariam algo. Pegou o notebook que havia em suas coisas e o ligou, assim que pode abriu o mecanismo de busca e pesquisou o que diabos era “Spring Awakening”. Após ler absolutamente tudo o que encontrou, se deitou na cama deixando que o desespero a consumisse. O musical ainda havia iniciado há pouco tempo uma nova seção de apresentação em um dos maiores teatros da Broadway. Agarrou o notebook mais uma vez e digitou “Rachel Berry”, segundo os sites, teria abdicado o papel por motivos pessoais. Quinn sentiu o peso nos ombros e soluçou contra o travesseiro. Era uma mistura de culpa por não se lembrar de alguém que tinha feito muito por ela e por sentir que estava abusando de todos. Ela tinha que tentar. Tinha que dar uma chance a Rachel, aquilo tudo com certeza deveria significar algo para a Quinn que ela foi.

Ficou no quarto por mais de meia hora, tentando se compor, assim que estava apresentável saiu do quarto, Santana e Brittany não estavam a vista, mas a porta do quarto das duas estava trancada. Finn dormia no sofá como um bebê, ela não teve coragem de acordá-lo. Foi quando viu um vulto passar do banheiro para a cozinha. Apressou-se em pegar alguma coisa para se defender, acabou pegando um vaso que estava encosto na parede, era fino e leve, mas com certeza poderia fazer um estrago no invasor. A figura pequena abriu a geladeira e Quinn pode ver que era Rachel Berry, naquele momento a morena se virou para ver a ex-cheerio empunhando um vaso em uma postura não amigável.

–Desculpe... eu já vou... já vou sair –a morena fechou a porta da geladeira e passou disparada por Quinn.

A loira não soube muito bem o que fazer, apenas quando o aroma irresistível que se desprendia dos cabelos de Rachel passou por ela e pode ouvir o estalo da porta se fechando, percebeu que tinha de correr atrás da morena. Largou o vaso com cuidado e saiu correndo atrás da cantora pelo corredor. A encontrou apertando o botão do elevador. As duas se encararam por alguns segundos, a porta do elevador se abriu, mas Rachel não entrou.

–Sinto muito pelo que aconteceu agora, não sabia que você estava em casa e achei que alguém estava assaltando o apartamento –sorriu sem graça se aproximando da mulher.

–Não... eu meio que invadi... fiquei sem leite de soja e vim pegar... –Rachel tirou do bolso a chave do apartamento. –Acho melhor devolver isso...

–Não, você deveria voltar pra casa, é sua casa também, a gente se ajeita, não quero que você tenha que sair de casa...

–Quinn, é melhor do jeito que está, olhe só você, está andando bem, tem os reflexos bons, não é mesmo? –sorriu a morena.

–Eu estou bem, fisicamente, mas por dentro tem algo estranho, falta algo e eu não me sinto bem com você nessa situação...

–Não tem nada comigo, Quinn, estou bem...

–Podemos conversar? Conversar de verdade? –perguntou se aproximando da morena.

–Claro... quer ir a algum lugar?

–Não sei, você que me conhece, me leve para algum lugar que eu goste –sorriu.

–Então pegue um casaco –respondeu a morena.