Notas iniciais
Desculpem, desculpem, desculpem, deveria ter postado ontem, mas cheguei quase morta em casa e minha cama parecia ter um magnetismo que me puxava para ela. Obrigada por todas as reviews e pelos leitores tímidos que não falam comigo u.u
Desculpem os erros e tenham uma boa leitura.

Carmen estava entediada, o professor quarentão mal humorado de história da arte não parava de reclamar de como alguns alunos tinham se saído extremamente mal em sua ultima prova. Para ela, professor Wilkenson deveria estar há muito tempo sem praticar sexo, já que sua prova havia fodido mais da metade da turma. Bateu a cabeça na carteira fazendo Quinn, que estava ao seu lado, soltar uma risadinha abafada.

A latina rasgou uma folha do caderno, escreveu algo e mandou para Quinn. A loira rolou os olhos e leu silenciosamente.

“Que coisa mais chata! Esse professor deve ser gay, parece que foi mal comido. Enfim, desde que cheguei no domingo a noite você só me disse que a estadia da Rachel ‘foi ok’... todos esses boatos e a foto no facebook... vamos lá Fabray, me preocupo com você.”

Suspirou e escreveu uma resposta devolvendo o papel.

“Acho que não é o momento certo pra discutir isso, provavelmente vou acabar me revoltando e você rindo da minha cara.”

Carmen ergueu as sobrancelhas e olhou para o relógio de pulso, sorriu debilmente levantando a mão fazendo uma contagem regressiva com os dedos. O sinal tocou e os estudantes se levantaram como uma enxurrada, teriam um intervalo de meia hora antes do próximo período de aulas, e Quinn sabia que não poderia escapar de Carmen.

Quando a sala se esvaziou a latina simplesmente virou para Quinn e cruzou as pernas tamborilando os dedos em cima da mesa.

-Pode ir falando.

-Certo... fomos a uma festa, bebemos, dançamos agarradas, fugi até o banheiro me trancando na cabine, ela me seguiu e começou a me acariciar por baixo da porta... –Quinn fez um resumo exato, sem nenhum detalhe do ocorrido.

-E o que você fez? –Carmen exibia um sorriso idiota que praticamente gritava “Eu tinha razão.”

-Eu...

-Você... –Carmen se inclinou para Quinn com curiosidade. A loira se aproximou da morena sussurrando.

-Não agüentei... tive que me aliviar –Quinn estava vermelha e o riso de Carmen não ajudou em nada.

-Você a agarrou? Vocês duas fizeram sexo? Foi na sua cama, né? Se tiverem feito na minha... que nojo...

-Eu me toquei... no banheiro –Quinn era um pimentão.

-Fabray, você nem consegue dizer “Eu me masturbei” –riu. –O que aconteceu depois?

-Uma garota apareceu, dei uma enrolada e tirei a Rachel de lá e voltamos pro dormitório, ela fez o velho papel de bêbada chorona e depois apagou. Domingo de manhã ela acordou e começou a me fazer perguntas e enfim, acabamos discutindo por que contei a ela o que houve, mas terminamos bem.

-Quinn, você não me conta direito! –Carmen levantou-se sentando-se sobre a própria mesa. –Como foi essa briga exatamente?

-Ela, se sentiu usada depois de ver a foto no facebook –riu triste. –Ela me acusou, com todas as palavras, de tê-la usado enquanto dançávamos por que minha mão estava na bunda dela... encurtando a historia, eu a chamei de bêbada carente e ela jogou na minha cara que eu havia feito sexo com Puck por estar me sentindo gorda... trocamos verdades –Quinn suspirou se esticando na cadeira. –Mas pedimos desculpas e decidimos esquecer o episódio, então está tudo bem.

-Não Quinn, não está nada bem. Sabe, desde que nos conhecemos tirei muita onda com a sua cara dizendo que você era gay, aliás sempre tive uma certeza desde que bati os olhos em você. Mas mais da metade de Yale está discutindo sua sexualidade e eu realmente me preocupo com isso –Carmen deixou seu costumeiro ar de riso fazendo a conversa ficar realmente séria. –Você se considera lésbica?

-Qual é Carmen, eu estava bêbada...

-Vocês duas se atacaram como duas gatas no cio, não há álcool à ser culpado, garota. Vamos lá, estou tentando te ajudar, quero muito ser sua amiga, e além do mais não quero que passe pelo que eu passei,

Quinn esfregou os olhos frustrada. Nunca tinha sentido atração por mulheres e agora um tornado se formava dentro de si.

-Escute –a voz de Carmen soou paciente pela sala vazia. -No ultimo ano do colégio uma garota idiota da minha classe de matemática pegou meu celular e leu as mensagens que eu e Anne trocávamos, foi um inferno, todos fofocaram, apontaram, as pessoas são maldosas. E naquela época não tinha minha sexualidade bem definida, só gostava de Anne, meu mundo era ela e ponto final, pra mim isso era e ainda é o suficiente, não precisava de uma denominação especifica para o que sentíamos.

-O que quer dizer com isso?

-Quero dizer, que você deve procurar entender o que sente, se esse sentimento pela Rachel é somente por ela ou se é por garotas em geral. Você tem que saber quem é, assim as pessoas nunca poderão usar isso contra você.

-Obrigada, Carmen, preciso pensar sobre isso. –Quinn mordeu o canto da boca pensando no que a garota havia lhe dito. –E como está sua mãe?

-Está bem, sempre se recupera rápido...

-E sua garota?

-Linda como sempre, morrendo de estudar pra tentar passar em Yale, ela não é maravilhosa? –Carmen tinha os olhos brilhando.

-Ei, Quinn! –Mark berrou no meio da multidão que saia do prédio de artes de Yale. Quinn virou-se e o viu correndo atropelando algumas pessoas pelo corredor.

-Oi, Mark! O que houve? –o rapaz estava ofegando.

-É mesmo verdade? Que você... –ele olhou para os lados e sussurrou a ultima palavra. –lésbica?

-O que? –Quinn estava vermelha e tentou fazer o cérebro criar alguma resposta rápida. –Não! Nãããão! Que isso... na festa... foi só, sabe?

-Oh, então você é bissexual? –Mark agora sorria como se em sua cabeça estivesse passando um filme pornô.

-Oh, então você é um pervertido? –Quinn saiu dali tomando o rumo para seu dormitório.

-Eu sou um pouco sim, mas só queria saber de você, as pessoas estão comentando e...

-E o que? –Carmen apareceu ficando entre Mark e Quinn.

-Só queria saber direito, por que... –Mark ignorou Carmen olhando exatamente para Quinn.

-Por que você quer comer a Fabray, todo mundo já entendeu Johnson, soube de suas histórias pelo campus e vou ficar muito feliz em contá-las à Quinn. Agora por favor, caia fora seu fodedor de meia tigela –Carmen passou seu braço pelo de Quinn levando-a para o dormitório. Mark deu meia volta e se dirigiu para o campo de futebol.

-Você vai me explicar o que foi aquilo? –a loira agora encarava as pessoas de Berkeley que a olhavam. Tinha sido assim desde o inicio da semana, nos primeiros dias ela ficou envergonhada e baixou o olhar, mas agora simplesmente as encarava.

-Mark Johnson não presta, simplesmente não é para o seu bico e de nenhuma garota que se dê ao mínimo respeito. No banheiro ouvi as meninas dizendo que ele é o tipo de cara que seduz, pega e larga, além do mais já desvirginou mais da metade das menininhas que ainda são virgens de toda a Yale.

-Okay, ele não presta –subiam as escadas lentamente. –Eu cogitei a possibilidade de ficar com ele... meu Deus.

-Não para por ai, Quinn. As meninas estavam falando sobre ele por que o gostosão deixou claro que se você fosse lésbica ele te livraria desse mal –Carmen gesticulava com nojo.

-Pensei que na universidade as pessoas tivessem a cabeça mais aberta quanto a isso.

-Universidades são como os colégios, só que você pode fazer sexo onde quiser, é um grande buraco homofóbico, onde a maioria das pessoas disfarça esse preconceito –a latina suspirou.

-Você tem umas frases ótimas, deveria anotar –sorriu. –Mas sinceramente, tenho tanto que pensar nisso, não sei se é só pela Rachel...

-Tive uma ideia louca, mas você tem que confiar em mim –Carmen sorria maliciosamente.

-Quem foi o louco que me fez dividir o quarto com você hein?

X

Os trompetes soavam pelo auditório e com um aceno de mão da professora cessaram.

-Senhorita Berry, estou me cansando de você –Carmen Tibideaux interrompeu a apresentação de Rachel com a voz cortante que possuía.

Rachel ficou estática, aquela mulher ainda lhe assustava.

-É a segunda semana que canta Don’t Rain On My Parade e soa como uma menininha que veio à cidade grande pela primeira vez na vida, se insiste em cantar essa musica cante-a de uma maneira que eu possa ao menos me lembrar de Barbra sem ser pelo seu nariz. Não veja isso como ofensa, só estou sendo sincera, sugiro que escolha outra musica.

-Madame Tibideaux, eu... –Rachel não sabia o que dizer, soltou um suspiro profundo.

-Sei o que vai fazer, vai relaxar. Já é sexta feira, vá se divertir. Não sei o que está acontecendo com você e na realidade nem sei se quero saber. Quero ver e ouvir a garota que me importunou por uma vaga e que impressionou naquela competição de corais. Não me faça perder tempo novamente e nem me arrepender de tê-la aceito aqui. –a mulher começou a recolher as anotações. –Sua parte técnica está em um nível aceitável, só dê um jeito em sua interpretação, quero ver progresso no próximo sábado.

A professora saiu do auditório sem perceber um garoto sentado na ultima fileira.

-Droga, droga, droga –resmungou Rachel que ainda estava no palco, caminhando de um lado para o outro.

-Vai querer ensaiar novamente? –perguntou um musico aos fundos.

-Não, obrigada por tudo –sorriu sentando-se a beira do palco enquanto os músicos se retiravam.

-Ei, Barbra –Kurt caminhava em direção a morena que levantou a cabeça assustada com a voz familiar.

-Kurt!O que está fazendo aqui? –pulou do palco correndo em direção ao amigo o abraçando forte.

-O de sempre, passeando na Times Square, tentando encontrar algum famoso... –Kurt soltou-se do abraço caminhando até as primeiras fileiras, sentando-se com Rachel ao seu lado. –O que foi isso hein? A Tibideaux pareceu bem desapontada.

-Ah, tem tanta coisa acontecendo que não consigo mais me concentrar direito, ah Kurt, acho que adivinhou que precisava desabafar com você –Rachel cruzou as pernas colocando as mãos sobre elas.

-Sabia que era uma boa hora para vir te visitar, soube do Finn, que ele ficou com outra garota lá pelas bandas da Geórgia, sabe Rachel, sei que você deve estar devastada e com vários sentimentos confusos, não sei quando ele lhe contou, por que a senhorita não me da mais noticias, mas você tem que ser forte e brilhar como a estrela que realmente é –Kurt tinha um sorriso confortador que teria sido impressindivel quando lera o e-mail de Finn.

-É, precisamos conversar mesmo, não é por causa de Finn que estou desconcentrada –a morena se pôs de pé caminhando até a coxia onde pegou sua bolsa.

-Co... como é? –Kurt havia ficado em silencio até a amiga voltar tentando conectar as peças.

-São tantas coisas... bem, fiquei mal por causa do Finn, meio abalada, mas existem outras coisas na minha cabeça, conheci um cara chamado Oliver, ele é bem fofinho e tem a Quinn, que é algo mais complicado...

-Quinn Fabray? –o rapaz se impressionou com a menção da loira.

-Sim, Quinn.

-Você me trocou pela Quinn? É pra ela que conta os babados sobre novos caras que aparecem na sua vida? –Kurt ergueu a sobrancelha indignado.

-Não exagere, Hummel –Rachel rolou os olhos. –O que está me atormentando é algo que aconteceu quando a visitei este final de semana.

-Espere, vamos começar pelo inicio, fazem séculos que não falo com você e quem é Oliver?

-Vamos para o meu apartamento, no caminho te explico tudo...

Kurt estava esparramado no sofá de Rachel com Lucy em seu colo, foi amor a primeira vista. Ele estava estarrecido com a história, ainda tentava absorver o episódio entre Rachel e Quinn.

O rapaz havia ido até NY aproveitando a deixa de Burt que tinha uma evento do congresso na cidade, queria falar sobre Finn, mas esse tema agora era realmente fora de pauta.

-Então... você é gay, querida? –perguntou depois de dez minutos de silencio mortal.

-Nãããão! Definitivamente não, eu estava bêbada, lembra do que aconteceu entre Blaine e eu? Foi algo totalmente confuso... desconcertante!

-Mas Blaine é homem e até então não sabia que era 100% gay; mas, você, mini Barbra, ficou com Quinn Fabray, o que explica muitas de suas atitudes no ensino médio –Kurt acariciou as orelhas compridas de Lucy.

-Como?

-Você sempre quis a atenção dela, não foi? Você sabe explicar o por que?

-Queria ser amiga dela, e o Finn...

-Por que o Finn era o namorado dela, você queria ser ela!

-Isso não faz sentido –Rachel sentou-se de frente a Kurt.

-Faz sim, você queria tudo dela, ficou com Finn, com Puck, você queria até o nariz dela, garota! Se me lembro bem, sempre procurou a aprovação dela em inúmeros casos e sei muito bem como você ficou por causa dela no dia de seu casamento, a todo custo esperou por Quinn...

-Só a queria como amiga! –alterou um pouco a voz, fazendo-a ficar esganiçada, Lucy levantou as sobrancelhas.

-E você ficou feliz com sua amiga acordando aqui todas as manhãs na mesma cama que você e fazendo café da manhã? Fale sério, pense bem, você e Quinn Fabray juntas naquela festa... foi algo tão ruim? Pelo menos a Rachel bêbada parece ter apreciado bastante.

Rachel ficou calada, encolheu as pernas no sofá e ficou fitando a TV que estava passando o jornal local.

Kurt tinha razão naquele ponto, mesmo que não se lembrasse do ocorrido, aquela foto no facebook e o relato de Quinn já falavam muito por si só.

-Você não precisa ser exatamente lésbica, digamos que... pode ser lésbica por Quinn, só por ela –sorriu sacudindo a amiga com o pé. –É tão ruim assim?

-É, é ruim sim, ela está afim de um cara de Yale e eu tenho Oliver, que estou realmente interessada, ele parece ser um garoto legal –Rachel suspirou. –E Quinn e eu decidimos deixar esse episódio para trás.

-Então por que está tão confusa?

-Ela é minha amiga, tentamos criar um vinculo durante três anos e quando finalmente conseguimos uma noitada regada a cerveja pode estragar tudo.

Notas finais
Já já vai chegar a parte em que a Quinn perde a memoria e a Rachel chega à Broadway, paciência, ou como eu mesma digo, acalmem os mamilos.
Quem odeia o Mark?? o