As If We Never Said Goodbye
34 Leave something to remember
Notas iniciais
Carrie odiava metrô, sensação de sufocamento, sardinhas enlatadas se movendo em alta velocidade por baixo da terra. Aquilo a deixava inquieta, embora não demonstrasse, entrar pelas portas automáticas davam a sensação de uma guilhotina. Ela preferia ir de táxi, mas Carmen insistiu, só estava ali com sua pose de durona por causa da mão da namorada envolvendo sua cintura. Elas estavam meio brigadas, mas essa é a maior prova de amor, proteger alguém mesmo sem estar se falando direito. Uma discussão sobre os remédios de Carrie, para a latina eles não estavam fazendo nada bem.
Carmen olhava de relance para a namorada com receio que ela explodisse, desde o incidente com Quinn, Carrie havia entrado em uma fase ruim, ela não gostava de falar sobre isso, se sentia fraca por ver a vida de maneira tão frágil e de não conseguir enfrenta-la. O que aconteceu com Quinn, ou com sua própria vida a atingiam de maneira intensa a cada dia, ela só sobrevivia regada a remédios e a consultas psiquiátricas. Carmen era seu porto seguro, mas ela não conseguia confiar de verdade em ninguém. E a latina sabia disso, odiava forçar a barra com a namorada, mas nunca sequer ouviu Carrie dizer que a amava. Estava implícito no olhar, mas o receio estava lá. Carmen sofria em silencio sem saber se pedi-la em casamento era a manobra certa, ela tinha que ter certeza se seria suficientemente boa para ela.
A latina segurava Carrie a sua frente quando a sentiu tremer. O metrô estava cheio, as duas se apoiavam na balaustrada, a composição tremia e freava ao chegar à estação, então mais gente entrou, as empurrando em direção a janela. Carrie tremeu violentamente tentando se virar, Carmen a puxou para o canto a abraçando mais forte, aquilo estava se tornando corriqueiro com a nova medicação e com o que estava se passando em suas vidas.
-Não vai acontecer nada de ruim, eu estou aqui –sussurrou ao pé do ouvido beijando sua nuca. Ela ouviu um choramingado baixo que não durou por muito tempo, ela queria fazer Carrie se sentir segura e enfrentar o mundo.
A viagem não demorou demais, na estação do parque muitas pessoas saíram, inclusive elas, Carrie parecia mais segura de si ao caminhar para fora do lugar, talvez só quisesse escapar, como um animal encurralado.
Carmen sentiu a falta do corpo da namorada contra o seu e rapidamente agarrou sua mão suada e vibrante, uma vez do lado de fora da estação Carrie respirou pesadamente puxando oxigênio para aliviar sua angustia e enfim começaram a caminhar em direção ao hospital. Elas estavam ali para ver Quinn, assim que souberam de seu repentino despertar, fecharam a empresa e pegaram o primeiro trem para NY.
Carmen olhou para Carrie de relance e teve duas certezas, não era hora de pedi-la em casamento e ela precisava de Quinn como madrinha.
X
-Eu não entendo! –Beth resmungava na sala do apartamento de Rachel. Shelby e Puck tentavam explicar que não seria ideal visitar Quinn naquela situação. –Sinto saudade! Nunca mais eu a vi!
-Beth... entenda... –Puck tentava argumentar.
-Não! –berrou e correu para o quarto de Rachel. A morena só viu o pequeno tufão loiro passar pela porta e se jogar de bruços na cama.
-Beth, o que foi? –perguntou esfregando as mãos nas costas da garota.
-Porquê não posso ver a minha mãe? –Rachel pôde ouvir a voz chorosa da garota abadada contra o travesseiro.
-É complicado, não temos como...
-Por que é tão complicado? Vocês só dizem que ela sofreu um acidente, que não pode me ver, mas vocês estão no hospital todos os dias e eu não posso nem ir! – a garota se levantou e saiu do quarto, Rachel a entendia como ninguém, mas naquele momento não era o suficiente.
Depois de minutos em total silencio, Rachel se levantou da cama, estava na hora de ir ao hospital, ela não tinha serventia alguma naquele lugar, Quinn não precisava dela, mas ia todos os dias para ficar de olho em Russell Fabray.
Quando não estava ali, deitada na cama, estava sentada no corredor do quarto de Quinn sem se mover, nunca mais havia cantado, nem se movido para realmente viver, precisava da namorada.
Santana e Brittany já deveriam estar no hospital, elas e Puck eram os únicos a entrar no quarto, além do pai de Quinn. Eles eram os únicos que ela reconhecia. Santana atualizava Rachel sempre que podia, mas nunca parecia ser o suficiente, estava a pontoo de entrar naquele quarto e encarar a namorada.
Rachel e Shelby deixaram Beth na casa de Kurt, que cuidaria dela até que o horário de visita acabasse.
-Ei, pequena! –exclamou animado para Beth que passou, pela portaria onde ele se encontrava, como um tufão. Ele tinha a fama de ser o “tio” legal, que sempre fazia o que ela queria. –Ok, o que deu na nossa princesa?
-Ela está zangada por não poder visitar Quinn no hospital... –respondeu Shelby olhando cansada para Beth que agora estava sentada nos primeiros degraus da escada do prédio de Kurt.
-Vamos ver se animo essa menina –sorriu triste, ele sabia como era difícil. Acenou para Shelby e Rachel e entrou na portaria para observar a menina de cabelos loiros olhar para ele com os olhos vermelhos. –Ok, vamos tomar um sorvete e conversar!
Beth o deu a mão e ambos subiram para o apartamento.
X
-Britt... –Quinn chamou assim que uma enfermeira saiu do quarto para retirar seu soro.
-Diga, Q! –a loira saltitou da porta para a cama de Quinn, sentando-se a beira.
-Queria aproveitar que San e Puck não estão aqui, sei que você me dirá tudo o que eles não estão me dizendo... O que Berry estava fazendo aqui?
-Quinn... não sei se é a hora certa para dizer, espere mais um pouco e tudo se encaixará...
-Brittany, eu quero saber, me parece ser um direito meu e isso não é nada legal, não se esconde detalhes numa situação dessas, sim, sofri um acidente, sim, não estou em Lima, sim, minha vida mudou e quero saber o quanto, se Rachel Berry está no meio isso me indica algo grande! –Disse respirando fundo, ela realmente queria saber o que estava acontecendo.
-Ah Deus, tudo bem, vocês se apaixonaram, mas viviam brigando e não sei! De repente você estava namorando uma garota em Yale, depois abriu uma empresa e então você estava namorando Rachel no ano novo, depois você se mandou pra Itália e então voltou, mas isso aconteceu e droga... Santana vai me matar –Brittany começou a chorar com tudo aquilo.
-Brittany! –um resmungo soou pelo quarto, na porta estava Shelby com a mão na testa e Rachel cobrindo a boca.
-Desculpe... é... des... –Brittany olhou para todos no cômodo sem ter certeza se pedir desculpas era o suficiente e o certo a fazer. Quinn tinha de saber a verdade.
-Isso é uma brincadeira sem graça, sério, completamente, não há cabimento –riu secamente desejando que aquilo fosse mentira.
-Brittany, chame Santana, por favor –Shelby resolveu agir naquela situação. –Rachel, acho melhor você esperar lá fora...
-E quem é você pra mandar em todos aqui? –Quinn vociferou.
-Wow –Carmem exclamou chegando à porta com Carrie. –Acho que não é uma bora hora...
-Quem diabos são vocês? Será que poderiam ser realmente sinceros comigo? –Quinn estava mais que frustrada.
Brittany saiu correndo atrás de Santana, como Shelby havia pedido e deixou o caos a suas costas.
-Por favor, não se exalte... –Rachel dirigiu a palavra à Quinn e a loira a olhou desconfiada, mas decidiu se calar, se aquilo tudo fosse mesmo realidade não seria nada cordial de sua parte começar a ofendê-la. –Sei que está confusa... mas Santana logo vai chegar e irá explicar tudo...
Recebeu silencio em troca. Carmen sentiu o clima estranho e resolveu fazer algo.
-Certo... acho melhor que todos saiam e esperem Santana lá fora... –disse puxando Carrie para fora dalí. Shelby seguiu as garotas e esperou que Rachel fizesse o mesmo, mas os olhos da morena pousavam sobre os de Quinn e havia reciprocidade no ato. Shelby tocou o ombro da filha e saiu da sala deixando-a na porta, meio que dentro, meio que fora, como se aquele espaço não a pertencesse.
-Desculpe se te ofendi... –resmungou Quinn num fio de voz. –Quando te chamei de Man Hands...
-Tudo bem Quinn –disse baixando o olhar. Sua namorada a estava olhando com tanta intensidade que se continuasse a observá-la corria o risco de agarrá-la.
Ficaram mais de dez minutos esperando Santana, nem haviam sinal de Brittany.
Passos firmes e apressados foram ouvidos no corredor, Rachel se virou para o exterior e viu Puck pálido e com uma feição mais que preocupada.
-Beth sumiu! –exclamou agitando as mãos no ar.
-Como assim sumiu? –Rachel e Shelby disseram em uníssono.
-Kurt me ligou, eles estavam no apartamento, ele se distraiu por um segundo e ela não estava mais lá, já olhou toda a vizinhança e nada! Santana está procurando ela agora e por Deus, vocês não atendem a porcaria do celular? –resmungou se apoiando contra a parede.
-Merda! Onde ela pode estar? –Rachel praguejou baixinho.
-Rachel... –ela ouviu a voz de Quinn leve à suas costas. Foi o paraíso ouvir seu nome vir daquela boca doce. –O que está acontecendo?
-Hm... a filha de... Shelby fugiu do apartamento de Kurt... –ela com certeza não precisava dizer que Beth era sua filha biológica.
-Isso é sério... –disse mastigando o lábio.
-Vamos tentar resolver –Puck olhou para os lados pensando em onde ela poderia ter se enfiado.
-Temos de procurar nos lugares que ela mais frequenta... não pode ter ido muito longe –Shelby correu pelo corredor com Puck logo atrás dela.
-Rachel... acho que você deveria ir, me parece bem grave... –Carmen colocou a mão no ombro da judia.
-Mas e Quinn?
-A gente pode ficar aqui se ela precisar de algo, me ligue assim que tiver noticias... –a latina sorriu confortando a mulher. –Ei, Q... vamos ficar com você, se não se importar...
-Se vocês puderem me dar certas explicações... –a loira se revirou na cama como uma criança emburrada.
Rachel olhou para ela e decidiu ir em busca de Beth, se Quinn soubesse quem era estaria louca.
-Brittany contou tudo a ela de maneira resumida, acho que não há mais nada que não possa ser dito... –disse para em seguida sair pelo corredor.
Carrie olhou para Carmen com um olhar sério, ela tinha suas dúvidas quanto ao que deveriam contar.
-Ok, ei Quinn –sorriu Carmen entrando de vez no cômodo. –Eu sou Carmen, essa é Carrie, minha namorada.
-Vocês me conhecem, não adianta me apresentar –resmungou.
-Q, não comece, esse jogo psicológico não adianta com a gente, convivemos juntas por algum tempo –sorriu. –Eu especificamente, fui sua colega de Quarto em Yale...
-Então eu entrei em Yale –disse em tom baixo.
-É, em artes –disse sentando-se na cama da loira. –Carrie também é da nossa turma, bem, vocês namoraram por algum tempo, até que bem... você acertou suas diferenças com Rachel e ficaram juntas, e então Carrie e eu entramos em um relacionamento...
-Isso me parece tanto com o que acontece na escola... –disse se ajeitando na cama.
-Bem, vamos começar do começo –disse assistindo Carrie se ajeitar na cadeira próxima a janela. Ela se sentia mais do que nunca, uma intrusa.
X
Não havia noticia alguma, Rachel caminhou por todos os lugares que Beth costumava ir e não havia nenhum sinal da garota, ela estava mais do que preocupada, poderia se tratar de um sequestro ou algo do tipo.
Uma luz clareou sua mente, ainda não tinha procurado em sua própria casa, Santana e ela sempre deixavam uma chave extra em baixo do tapete, pois Birttany sempre perdia a chave e por vezes não conseguia entrar em casa. Beth sabia disso.
Pegou o celular e ligou para Puck.
-Rachel! Você a encontrou? –berrou o homem do outro lado da linha.
-Não, mas você já procurou na minha casa? –questionou.
-Não...
-Estou indo pra lá, se a encontrar o ligo novamente –desligou o celular e correu para o meio da rua para pegar um táxi.
Chegando ao seu apartamento correu a portaria.
-Srta. Berry, sua irmã está lá em cima.
-Graças a Deus –exclamou correndo até o elevador. Quando finalmente chegou em seu andar viu que o tapete estava fora de lugar, entrou no apartamento destrancado e correu para dentro, lá estava Beth sendo com Lord Tubbington em seu colo e Lucy apoiada em sua coxa como se a estivessem confortando.
-Beth... –Rachel se aproximou devagar da garota sentando-se no chão da sala.
-Eu só quero ficar sozinha –resmungou.
-Não quer não, ninguém gosta de ficar sozinho, especialmente nessa situação –a morena passou o baço pelos ombros da garota.
-Vocês não me falam nada! É melhor ficar sozinha!
-Beth, quer mesmo saber de tudo? –Rachel queria ser sincera, mesmo que Shelby e Puck evitassem falar. A garota maneou a cabeça positivamente. –Certo... Quinn não se lembra de absolutamente nada desde o ensino médio, desde antes de você nascer. Ela não lembra que ela e eu somos namoradas, que ela viajou para a Itália, que foi a faculdade, Beth, ela não lembra de nós.
-Como ela não lembra?
-Não lembrando, sabe quando você esquece de fazer alguma coisa e só lembra algum tempo depois? –Rachel estava tentando encontrar as palavras e as frases mais simples, mas ela só queria deitar do colo de Beth e chorar.
-Porque?
-Por causa do acidente –sorriu triste. –Ela levou um tiro e atingiu uma parte do cérebro que a impede de lembrar das coisas e outras funções...
-Ela vai melhorar? –perguntou com os olhos chorosos.
-É claro que vai! –sorriu deixando que algumas lágrimas caíssem pelas suas bochechas e se acomodou contra Beth. –Ela é Quinn Fabray!
Fale com o autor