As If We Never Said Goodbye

14 I've just got to let you know


Notas iniciais
Gente, obrigada pelas reviews e pela paciência. Finalmente acabou a primeira parte da fic. Espero que gostem e segurem-se que a partir de agora as coisas ficaram intensas.

Um poste de pole dance estava cravado no meio de um milharal e dele Rachel Berry descia seminua de maneira sensual e chamava por Quinn, a loira corria hipnoticamente até a morena como se fosse o chamado de uma sereia. Foi então que ouviu Adele berrar que ateou fogo na chuva.

Seus olhos abriram e em alguns segundos focaram a escuridão do dormitório, tinha sido um sonho maluco, o mais impressionante era que Adele continuava a cantar. Olhou para a mesa de cabeceira e viu seu celular vibrando e piscando. Carmen a tinha feito trocar o toque com o argumento de que Someone Like You era, de fato, musica de corno.

-Alô –disse aborrecida ao atender o telefone depois de olhar o horário no visor, não passava da uma da manha.

-Quinn? É a Carrie, tem como vir ao bar? A Carmen não está nada bem, não sei o que aconteceu com ela, tem algo estranho! –Carrie falava com a voz tremula.

-O que está havendo? –Quinn levantou-se da cama colocando a primeira roupa limpa que encontrou.

-Ela... Quinn, acho que ela tomou algo! Não me refiro a álcool, acho que ela usou algum tipo de droga...

O cérebro de Quinn congelou. Arrumou-se rapidamente e se dirigiu até um ponto de taxi que ficava há algumas quadras do dormitório, deu ordem ao motorista para seguir até o Inferno, o bar onde Carrie trabalhava e onde Carmen se enfiava dia após dia durante a ultima semana, desde que Anne a havia traído. O motorista a olhou com um ar de riso e a loira apenas o ignorou. Quinn jurou a si mesma que aquela seria a ultima noite da amiga naquela depressão.

O bar estava movimentado e na entrada uma pequena platéia se formava bloqueando a rua, Quinn pediu para que o taxista aguardasse e saiu do carro. Assim que o fez viu Carrie correr em sua direção com o rosto assustado.

-Sua amiga está correndo, ensandecida! –exclamou puxando Quinn pela mão para que passassem pelas pessoas que se aglomeravam.

-Como assim?

-Olhe! –apontou para o meio da multidão.

Carmen vinha correndo de braços abertos pela esquina. A latina estava mais pra lá do que pra cá. Estava eufórica, com movimentos ágeis, se fez de palhaço para uma platéia. As pessoas riam da morena que estava descalça e começava a tirar a jaqueta jogando-a para cima. Antes que Quinn e Carrie conseguissem chegar a garota um homem a chamou e colocou algo em sua mão, com os olhos brilhantes como uma criança Carmen abriu a palma da mão estava pronta para inalar. Quinn correu empurrando a amiga para o chão não a deixando cheirar o pó que havia.

-Quinn, você me viu voar? Eu voei alto, eu posso sentir o ar! –Carmen ria descontroladamente tentando sair debaixo da loira.

-Carmen Herrera! –Quinn bradou com a voz forte que costumava comandar as Cherrios.

-Você me viu voando, Quinn? Eu sou um pássaro! –Carmen a olhava com as pupilas dilatadas e os olhos avermelhados.

-O que diabos você tomou, garota? –a loira se levantou puxando a latina e se virou para Carrie que para sua surpresa estava esbofeteando o homem que havia dado o pó à garota. Quinn se apressou, para puxar Carrie para si e segurar a latina que tentava se soltar de seu braço. –O show acabou! Vão embora!

Carmen se fechou em uma bolha e caiu de joelhos no chão, o riso que tinha se foi e ela olhou para Quinn como se quisesse abrir um buraco na loira.

-Carmen, vem comigo –Quinn pediu com a voz mansa estendendo a mão. –Vamos pra um lugar fazer você se sentir melhor.

-É mentira! –bateu na mão da loira começando a chutar as canelas de Quinn.

-Quinn, acho que era cocaína... –Carrie olhou para Carmen e suas pupilas dilatadas.

-É mentira, Quinn! Vocês são uma mentira! Que nem ela! Que nem ela! Por que não posso ser um pássaro? Por que não me deixa voar, Quinn! –a latina se pôs de pé com o olhar perdido. Quinn não queria saber daquilo, simplesmente a pegou pelos braços a empurrando pela multidão que se dissipava até o taxi. Olhou para trás e viu Carrie correndo para elas com a jaqueta e o salto que Carmen possivelmente estava usando.

As três foram para o hospital e por incrível que pareça o atendimento foi extremamente lento, era nessa hora que Quinn se perguntava sobre o maldito plano do presidente para melhorar o sistema de saúde estadunidense.

Carmen estava ficando agitada e tremia, desde que entrara no taxi não havia dito sequer uma palavra, só balançava e se encostava em Quinn que a abraçava de maneira protetora. Em um dado momento a loira sentiu a amiga tremer exageradamente. A olhou preocupada e quando colocou a mão no pescoço da garota sentiu a pulsação rápida. Rápida demais.

Carrie viu a cena e correu até a recepção onde uma mulher falava algo no telefone, a garota berrou por atenção e quando finalmente um enfermeiro apareceu para ver a confusão ela o puxou até onde estava Quinn trazendo a latina nos braços, ela parecia estar tendo uma espécie de ataque.

Alguns enfermeiros apareceram rapidamente a colocando numa maca e levando para dentro da emergência. Quinn tentou entrar com a amiga, mas foi impedida por um dos enfermeiros que a mandou para a sala de espera, mas ela mal conseguiu se mover, só se encostou na parede e deslizou até o chão sentindo as lágrimas caindo.

Carmen era sua amiga. Sua família.

Carrie sentou-se ao lado de Quinn e depois de procurar algo para falar a envolveu num abraço sincero, a loira ao seu lado soluçou escondendo o rosto na curva de seu pescoço, como uma criança que procura abrigo em uma noite onde as sombras parecem ganhar vida.

–Vem, Quinn –Carrie sussurrou levantando a loira caminhando lentamente até a recepção, onde sentaram-se em algumas cadeiras que se estendiam ao longo da extensão da parede.

–Com licença, alguma de vocês pode preencher essa ficha? –a mulher que as havia ignorado agora pedia atenção, Carrie se levantou bufando e preencheu a ficha. Ao retornar Quinn estava com as pernas dobradas abraçando-as ao peito, seu semblante era mais calmo e já não chorava mais, sabia que Carmen estava sendo atendida e não havia muito a fazer.

–Você está bem –não foi uma pergunta e sim uma afirmação. –Vamos precisar de um café, dos fortes.


Duas horas depois a primeira informação sobre Carmen surge, um médico que estava de plantão informou às duas garotas que o exame toxicológico havia detectado altas doses de cocaína em seu sangue, que o estado em que ela havia dado entrada na Emergência em um estado que chegava a overdose. A garota que havia começado a ter convulsões, sofreu uma parada cardíaca, mas estava fora de perigo.

Embora a amiga estivesse fora de perigo, o coração de Quinn estava apertado com aquela situação toda, não eram mais problemas de adolescentes, a coisa estava séria.

Quando o sol estava prestes a nascer as garotas foram liberadas para ver Carmen na UTI, já que a mesma havia passado por um ataque cardíaco. Carrie deixou Quinn entrar sozinha, não se sentia a vontade em hospitais e muito menos em UTI’s.

A loira entrou no pequeno cômodo reservado e viu a latina dormir placidamente sem nenhum traço daquela garota ensandecida de horas atrás. Se debruçou sobre a cama segurando a mão delicada, a apertou suavemente e como se já não o tivesse feito aquilo durante a noite toda, se pôs a rezar em meio a seu choro.

Ela acreditava em Deus, mesmo que os homens fossem julgá-la por sua sexualidade, sabia que Ele não o faria, pois mais do que nunca tinha certeza que havia nascido daquela maneira.

Tirou a própria corrente com um pingente de cruz dourada -nunca deixou de usá-la, nem em seus tempos de Skank, quando a escondia nos bolsos-, e com cuidado a colocou no pescoço de Carmen. Naquele momento ela precisava mais que Quinn.


Devido a gravidade da situação Quinn havia ligado durante a madrugada para os pais de Carmen e os dois deveriam estar chegando por volta das sete da manhã, depois de voar de Los Angeles até Nova York, para em seguida pegar um trem para New Haven. As seis e meia Quinn foi à estação buscá-los, já que Carrie preferiu ficar no hospital pois não sabia nem como os pais de Carmen eram.

Quando o trem parou e as poucas pessoas que o pegaram saiam lentamente, a não ser por uma senhora na faixa dos cinqüenta anos que carregava uma mala e olhava ao redor inquieta. Quinn caminhou até ela, mas não conseguia ver direto -precisava ir ao oculista, não estava enxergando bem,- a senhora parecia com Carmen, só que com os cabelos na altura do pescoço, um pouco menores que os de Quinn, mas os olhos negros e as feições eram similares.

–Senhora Herrera? –chamou ao fica próxima a mulher. –Sou Quinn Fabray, amiga de sua filha.

–Foi com você que falei? Como ela está? O que diabos aconteceu com ela? –a mulher começou a aumentar a voz a cada pergunta feita. Quinn pousou as mãos em seus ombros a acalmando.

–Ela está no hospital, sedada, totalmente fora de perigo.Creio que queira falar diretamente com o médico e é claro, vê-la –a garota tentou passar a maior seriedade possível, não queria passar a ideia de que Carmen estava sozinha naquela cidade.

A mulher acenou positivamente e Quinn apressou-se para pegar sua mala para em seguida tomar um taxi e ir ao hospital.

No caminho a loira relatou tudo o que sabia, não adiantava esconder nada para a mãe de sua amiga devido a gravidade da situação.

–E essa amiga de vocês, quem é? –perguntou Alice Herrera à Quinn quando passavam pela recepção e iam para a UTI acompanhadas pelo médico que fazia plantão. –O que faz na universidade?

Alice Herrera era curiosa, e Quinn não a culpava.

–Carrie estuda Artes conosco.

–E o que vocês fazem?

–Como?

–Vocês contam somente com os pais de vocês ou trabalham por aqui? –Alice perguntou e Quinn começou uma batalha interna sobre o que dizer.

–Bem, Carrie trabalha em um bar... como garçonete e eu estou procurando algo –é, não dava para dizer que Carrie era stripper e dançarina de pole dance –e outros serviços-, e muito menos dizer que seus pais não a sustentariam mais por causa de sua homosexualidade.

–Bueno, me parece que Carmen está andando com pessoas boas...

É, era melhor não abrir a boca, não queria passar uma imagem errada.


Quando chegaram a UTI, Carrie estava na porta olhando distraída para alguns avisos que haviam na parede.

–Senhora Herrera, esta é Carrie –Quinn apressou-se a apresentá-la.

–Meu nome é Alice, Quinn. Podem me chamar de Alice –disse dando um abraço em Cerrie, abraços espontâneos eram realmente uma coisa de latinos. –Será que posso ver minha filha?

O medico concordou e a guiou para dentro da unidade de terapia intensiva. As duas garotas ficaram do lado de fora mergulhando em um silencio profundo. Foi ai que Quinn percebeu que desde o dia em que Carmen descobriu que estava sendo traída pro Anne, ambas não tiveram contato algum.

–Ela estava acordada da ultima vez que a viu? –a loira puxou assunto.

–Mais ou menos, meio grogue ainda...

–Então, você... estava trabalhando ontem? –Quinn baixou o rosto, que tipo de pergunta era aquela?

–Na verdade não, bem... estou desempregada –Carrie disse feliz fazendo com que Quinn a olhasse.

–Você se demitiu?

–Sim, é por isso que estou vestida de maneira composta –ela apontou para as roupas que ainda usava desde o dia seguinte.

–Ainda não me disse por que recorreu aquele emprego... aliás, nós nunca conversamos direito –apontou a loira.

–Você não sabe o quanto é lucrativo. Acredite quando digo que foi minha ultima opção, não consegui emprego nem de garçonete e só consegui uma bolsa de estudos de 15%, não daria nem pra me alimentar –Carrie falou apoiando-se na parede.

–E seus pais?

–Bem, quando tinha dez anos, meu pai faleceu, dois anos depois minha mãe se casou novamente, ele até que era um cara legal, mas bebia demais e uma noite, quando tinha por volta dos quinze anos, levei uma surra por tê-lo desafiado durante uma das suas noites de bebedeira. Fiquei dois dias no hospital, e depois resolvi sair de casa, fui viver com minha tia, numa cidade no Texas, ela cuidou de mim até que ela faleceu pouco antes de saber que eu havia conseguido passar para Yale, no final das contas, vim parar aqui com uma mão na frente e a outra atrás –a morena relatou a história sem hesitar, como se já a houvesse contato diversas vezes.

–Sinto muito por tudo isso... –Quinn mastigou o lábio. –Quando tinha dezesseis, engravidei do melhor amigo do meu namorado.

Carrie virou-se para ela piscando algumas vezes.

–E meu pai me expulsou de casa, fui morar com uma amiga, e, ah Deus, eu fui uma vadia até o começo do terceiro ano. Traí meus namorados, fiz a vida de uma pessoa um verdadeiro inferno e ainda tive uma fase rebelde com direito a cabelo rosa e tatuagem do Ryan Seacrest –riu escondendo o rosto com as mãos.

–Oh, você é Hardcore!

Trocaram um olhar demorado e Quinn se aproximou de Carrie que mantinha o contato visual.

-Não dói conversar comigo...

-Dói sim, Quinn. Por que sempre fui eu a amar alguém e...

Quinn apenas a puxou pelas mãos colando os corpos e beijou com carinho, apenas lábios, de maneira suave. A loira encostou sua testa com a da morena e a abraçou pela cintura.

-Carrie... nós podemos dar certo, me dê a chance! Nos dê essa chance.

-Por que você é tão insistente? –sorriu escondendo o rosto na curva do pescoço de Quinn.

-Por que eu sei que podemos dar certo, se não funcionar, que seja algo bom para nós duas enquanto durar.


X


Carmen Tibideaux se levantou da mesa oval assim como os demais, a ultima leitura do roteiro de Wicked havia se encerrado, na próxima semana começariam os ensaios e Rachel se sentiu extremamente aliviada por ser final de semana. Não havia conseguido sequer parar para conversar com Oliver, ou passar algum tempo com sua cachorrinha carente.

Rachel caminhou até o metro e mandou uma mensagem para Oliver, para que a encontrasse em seu apartamento em meia hora. Durante aquela semana entre leituras ininterruptas e a rotina de estudos da Academia, pensou sobre aquele namoro. Nunca daria certo se ela sentia-se atraída por outra pessoa.

-Oi, Rach. Como foi seu dia? –perguntou um Oliver estranhamente acanhado passando pela porta do apartamento da morena.

-Foi ótimo, Olie, e o seu?

-Bem, foi, de fortes emoções –ele estava definitivamente estranho, mordia o canto do lábio e sentou-se no sofá ao lado de Lucy que já implorava por seus carinhos.

-Fortes emoções?

-Precisamos conversar, seriamente...

-Okay –Rachel sentou-se ao lado dele no sofá. –E preciso contar algo para você também, mas como você quis falar primeiro...

-Prefere que eu seja rápido ou cheio de explicações? –disse em meio a um suspiro.

-Você está me assustando um pouco, mas prefiro que seja rápido, não que esteja menosprezando...

-Rachel eu quero terminar o namoro com você por que sou gay –Oliver mandou a frase direto, sem cortes, em alto e bom som.

-Gay?

-Gay... olha... não tem como te enganar mais, me desculpe, acho que te usei...

-Me usou?

-No fundo quis despistar meu pai, e com essa história toda entre você e Quinn, não posso me enganar, te enganar, não posso ser uma mentira –ele passou a mão pelos cabelos e a apoiou no queixo. Rachel continuava em silencio. –Por favor, comece com um de seus monólogos!

-Olie... –ela o olhou estupefata.

-Rachel, por favor, não fique com muita raiva de mim, tente me entender, sei que pode parecer difícil acreditar... é que, quando saí daqui no dia em que sua amiga apareceu, me senti mal, não por saber que você se sente um pouco atraída por ela ou por estar provavelmente ficando entre as duas. É que, não posso omitir o que aparentemente existe em mim.

-Você encontrou alguém especial, Olie?

-Não no sentido romântico, você é especial, mas, me sinto mal da maneira que estamos, espero que não fique magoada por isso, realmente quero ficar ao seu lado, mas não... como casal...

-Não tem como ficar magoada, Olie. Por que te chamei aqui hoje, para terminar com você, durante essa semana percebi muitas coisas e uma delas foi que tenho algo preso no meu peito, como se fosse um pássaro engaiolado e ele sempre se debate quando penso em Quinn sem poder ficar perto dela, já estraguei demais nossa situação juntas contribuindo para espalhar o fato de ela ser lésbica, e ao que parece ela não vai querer nem ver meu rosto, mas tenho que tentar. Assim como você, não quero te enganar e nem me enganar.

-Em resumo, você está me dizendo que é lésbica –Oliver ergueu uma sobrancelha e soltou uma risada. –Como é que isso foi acontecer? Somos um casal gay heterossexual?

-Casal gay heterossexual? –Rachel o acompanhou na risada.

-Então, estamos... bem? –o rapaz a questionou coçando atrás das orelhas de Lucy.

-Agora somos... amigos...

-E você e a Quinn, o que vai fazer quanto a ela?

-Bem, estou pensando em ir a New Haven, quero falar com ela –Rachel se levantou sentindo que havia deixado um peso para trás.

-E quando vai?

-Estava pensando em ir agora a noite, mas levando em conta nosso histórico de encontros inesperados, não sei se seria uma boa ideia...

-Mas e se for tarde demais? Quero dizer, quanto mais cedo resolver essa situação melhor, e se ela disse que não queria lhe ver, se ela for lhe dar um pé na bunda definitivo não importa se será agora a noite, ou de manhã...

-Você tem um ponto... –Rachel ponderou. –Está ocupado agora a noite?

-Depende, estou livre se for para ajudar a minha ex namorada lésbica a correr atrás da melhor amiga lésbica que me ameaçou de morte –sorriu se pondo de pé e caminhando até a porta. –Vamos logo garota, New Haven não fica tão perto assim.


X

-Nunca mais faça isso sua desgraçada –Quinn sussurrou para Carmen que já havia sido transferida antes do começo da noite para um quarto. A latina sorriu triste e deixou uma lagrima rolar por seu rosto. A loira a enxugou e beijou a testa da amiga. –Você é minha família, Carmen.

-Posso não demonstrar muito bem, Q, mas eu te amo... –disse com uma voz rouca arrancando suspiros de Alice e Carrie que estavam espremidas no pequeno sofá.

-Eu sei que me ama –riu beijando a mão da amiga.


Por volta das nove da noite, a pedido da mãe de Carmen, Quinn e Carrie foram ao dormitório buscar algumas roupas e pertences da amiga, que ficaria no hospital por alguns dias. Enquanto Quinn colocava as roupas da latina numa bolsa, a outra garota vagava pelo quarto e assim como Rachel ficou presa a o mural de fotos da loira.

-Você não mentiu sobre o cabelo rosa! –exclamou quando viu a foto da Quinn Skank. –E essa é você? –apontou para a foto da loira quando era mais nova.

-bem, essa é Lucy, sou eu mais nova...

-Lucy?

-Me chamo Lucy Quinn Fabray, e essa foto é de quando era gordinha...

-É... É sua filha aqui? –apontou para a foto tirada no dia do nascimento de Beth.

-Sim, olhe, ela está maior... Puck, o pai dela, me manda sempre uma foto ou outra dela –disse tirando o celular do bolso que como proteção de tela exibia a garotinha de cachos loiros com Puck no colo.

-Ela se parece com você...

-Mas é claro, saiu de mim –brincou.

-Ei, me mostra sua tatuagem? –perguntou puxando Quinn para perto de si, desde aquele momento no hospital as duas pareciam os pólos opostos de imãs, sempre se atraindo.

-Oh, não, ela está bem escondidinha!

-Oh, sim! Me mostre... ou quer que eu mesma ache? –sorriu maliciosa.

-Acho que sou mais forte que você, então nem adianta tentar... –Quinn mal terminou a frase e Carrie a virou de costas a jogando na cama, montando sobre ela.

-É nas costas? –perguntou enquanto tentava dominar a loira de vez.

-Não! –bufou em meio a um riso, não queria entregar o jogo.

-Vou ter que te conferir toda... –Carrie levantou a blusa de Quinn sem realmente conferir se havia alguma tatuagem, simplesmente queria sentir a pele da loira, explorar áreas daquele corpo, que ainda não conhecia. Se acomodou sobre as pernas de Quinn e beijou seu pescoço fazendo a loira soltar um muxoxo de satisfação, foi aí que um barulho na porta invadiu o dormitório. O ultimo pensamento de Quinn foi se haviam fechado a porta depois de passar, depois seu cérebro parou de funcionar pois uma Rachel Berry aparecia na soleira da porta de seu quarto.

-Volto em uma hora apropriada –desculpou-se caminhando para fora do quarto, sem fazer barulho algum fechou a porta do dormitório e saiu para o corredor encontrando Oliver conversava com um rapaz, que para surpresa da morena, era Mark Johnson.

-Hey, Rachel, como vai? –perguntou o quarterback.

-Bem, Mark, e você? –disse sem emoção, já que a cena que se desenrolava no quarto de Quinn a tinha feito revirar os miolos e o estomago.

-Rachel! –a morena ouviu a voz esganiçada de Quinn abrindo a porta e ganhando o corredor com Carrie logo atrás de si.

-Não quis atrapalhar nada entre você e sua namorada, Quinn, desculpe se entrei desse jeito, mas bati algumas vezes na porta que estava entreaberta e fui ver se você e Carmen estavam por aí. Posso voltar amanhã...

-Ei, como está a Carmen? Soube que ela está no hospital –interrompeu Mark.

-Certo, isso me parece ser uma péssima hora para visitas noturnas, o que acha de voltarmos amanhã, Rach? –perguntou Oliver se manifestando pela primeira vez na presença da loira que tanto o intimidava.

-É... –a baixinha se limitou a dizer e não ousou olhar nos olhos de Quinn, não deixaria que a loira visse o desapontamento em seus olhos. Tinha sido ingênua ao pensar que uma garota como Quinn ficaria solteira por muito tempo naquele ambiente. Era como soltar um leão no meio de um bando de cervos, alguém seria devorado.

Oliver percebeu o olhar vago da ex, despediu-se de todos com um breve aceno e caminhou com Rachel em direção as escadas a passos rápidos.

Mark, Quinn e Carrie ficaram no corredor sem saber direito o que fazer. A loira sentiu a mão de Carrie e um breve suspiro seguido de “Vai atrás dela, faça o que acha que deve fazer.”

A loira caminhou até a escada e desceu no encalço dos dois, que estavam no final, prestes a sair do prédio.

-Berry! –exclamou e sua voz fez com que Oliver afastasse a mão que conduzia Rachel para a noite fria. –O que houve?

-Nada que não possa esperar...

-Rachel, não seja cabeça dura –resmungou Oliver e Quinn o lançou um olhar ameaçador que o fez caminhar para fora do salão principal.

-Fale Berry, o que veio fazer aqui? Achei que nossa conversa tinha sido clara...

-Ficou claro que não queria mais me ver e que você é gay, mas eu não fui clara com você...

–O que diabos veio fazer aqui?

-Você está com aquela garota? Só me diga isso! Só peço isso! –disse Rachel a encarando pela primeira vez e Quinn pode ver os olhos chocolate um tanto perdidos.

-Estamos nos conhecendo –jogou com a verdade.

-A faça feliz Quinn, espero que seja feliz, de verdade...

-Rachel, o que veio fazer aqui? –perguntou novamente.

-Vim dizer que gosto de você, mas entendo que seja tarde para mim.

-Então você está desistindo de lutar?

-Não há nenhuma luta, Quinn... não posso brigar pelo seu coração quando nós já nos magoamos tanto e você esta com outra garota, seria muito egoísmo meu te fazer entrar em conflito por causa disso...

-O que está dizendo?

-Adeus... Eu... posso estar enganada e talvez isso seja um até breve, mas... por hora é isso. A faça feliz, Quinn –Rachel se virou e caminhou sem direção pelo jardim em frente ao prédio.

Oliver se aproximou de mansinho da loira.

-Ela e eu, não estamos mais juntos...

-O que? –Quinn não conseguia pensar direito.

-É complicado, mas não foi algo doloroso, só quero o melhor para ela. Ela percebeu tarde demais que gosta de você... Ela se importa demais com seu bem estar, não quer mais estragar mais nada. Por isso ela veio aqui de peito aberto falar com você, disposta a dar amor e não receber nada em troca, e eu sei que ela vai estar sempre esperando por você, de alguma maneira... Mas não se prenda a isso, ela não consegue dizer, mas quer que você viva sua vida, eu sei disso.


Quinn ficou ali fora no frio vendo Oliver correr até Rachel e guiá-la para fora do campus para que pudessem regressar a NY, seu peito estava apertado, mas estava irredutível quanto aquela situação. Carrie merecia uma chance, muito embora Quinn soubesse que Rachel era seu amor de verdade. Talvez fosse orgulho, talvez o “é tarde demais” realmente existisse e a validade do sentimento quando pisoteado chegasse mais rápido. Talvez o amor fosse apenas uma ilusão que toma os seres humanos para que eles não encarem a vida como algo vago; talvez fosse somente uma reação química do corpo, ou apenas fosse o medo de ficar sozinho nessa vida miserável. Talvez aquilo fosse apenas um sonho e ela pudesse acordar no meio de uma aula chata em seu primeiro ano no McKinley onde uma alucinação com a perdedora Rachel Berry assombrasse seu subconsciente. Ou talvez tudo fosse real, real demais.


Notas finais
Espero que tenham gostado.
A musica que da nome ao capitulo é Hello do Lionel Richie, teve uma versão no glee interpretada por Lea Michele e Jonathan Groff http://www.youtube.com/watch?v=Y8_RQEKGN8o